sábado, 11 de junho de 2016

11 de Julho - 151 anos da Batalha do Riachuelo, Homenagem á Marinha do Brasil

Hoje é um dia histórico para o Brasil e sua Marinha, data em que celebramos o 151º aniversário de nossa vitória na Batalha do Riachuelo, Data Magna da Marinha do Brasil, sendo uma das mais importantes vitórias do Brasil no conflito com nossa nação vizinha o Paraguai, guerra que durou de 1864-1870. 

Batalha do Riachuelo, travou-se a 11 de junho de 1865 às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de Corrientes, na Argentina.

O Paraguai não tinha uma saída direta para o mar, uma vez que a bacia estava em mãos da Argentina e do Uruguai, este último em constante disputa entre os interesses da República Argentina e do Império do Brasil. Por essa razão, as fortificações mais importantes do Paraguai tinham sido erguidas nas margens do baixo curso do rio Paraguai.

No início do conflito, as tropas paraguaias já haviam ocupado áreas da então Província do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), no Império do Brasil, e da República da Argentina. Se vencessem a batalha do Riachuelo, poderiam navegar livremente pelo rio Paraguai, descer o rio Paraná, conquistar Montevidéu no Uruguai e de lá ocupar a então Província do Rio Grande do Sul. Formando o sonhado Grande Paraguai, que se abriria ao comércio atlântico com as demais nações.

Coube ao então Almirante Joaquim Marques Lisboa, conhecido "Almirante Tamandaré", o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Governo do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no teatro de operações. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre. As Forças Navais do Brasil não estavam subordinadas a ele, de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança. A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três Divisões: Uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, na Província de Corrientes, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe-de-Divisão (posto que correspondia a comodoro, ou almirante de uma estrela em outras Marinhas) Francisco Manuel Barroso da Silva, "Almirante Barroso", para comandar a força naval que estava rio acima. Barroso partiu de Montevidéu em 28 de abril de 1865, na Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista. A primeira missão de Barroso foi um ataque à cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. O desembarque ocorreu, com bom êxito, em 25 de maio. Não era possível manter a posse dessa cidade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la, mas o ataque deteve o avanço paraguaio para o sul, ao longo do Rio Paraná. Ficou evidente que a presença da força naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo.

Na manhã de 11 de junho de 1865, domingo da Santíssima Trindade, por volta das 8:30. após ter sido arriado o sinal de rancho, preparam-se as toldas do Amazonas e do Jequitinhonha para a celebração da Missa. Perto das 9:00. a canhoneira Mearim, navio de vanguarda e de prontidão avançada, iça o sinal de Inimigo à vista, e logo após outro sinal: os navios avistados são em número de oito.. Barroso, a bordo da Fragata Amazonas, faz o primeiro sinal Preparar para o combate e depois Safa geralDespertar os fogos das máquinas e a seguir: "Suspender ou largar amarras por arinques e boias, ou até por mão, como melhor convier".

A primeira carga



Às 9:25, a esquadra brasileira está na formação em escarpa voltada águas acima. Barroso iça o sinal O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, seguido de outro, com instruções de combate: Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que puder. Os paraguaios descem o rio, perfilham-se com a esquadra brasileira, trocam-se tiros, duas chatas paraguaias são afundadas, um terceira avariada e o Jejuí também é atingido e seriamente avariado e vai abrigar-se na beira do Riachuelo para reparos. A esquadra paraguaia desce o rio faz a volta um pouco abaixo do Riachuelo, torna águas acima e encosta-se na curva do Riachuelo a jusante das suas baterias de terra, as chatas são fundeadas e preparadas, aguardam a resposta brasileira. Descendo a frota paraguaia se estira ao longo e perto da margem esquerda do Paraná, entre a boca do Riachuelo e a saliência do Rincão de La Graña, a jusante dos 22 canhões inimigos assestados em terra.

A segunda carga



Às 10:50 - A esquadra brasileira começa a se mover águas abaixo na direção dos paraguaios, a "Amazonas" repete o sinal para Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder. A Corveta "Belmonte" vai a frente e abre fogo às 11:20, sofre com o fogo combinado dos navios e das baterias de terra, é fortemente fustigada, a água lhe invade o porão. Comunica à capitânea que as bombas não dão vazão e faz contramarcha, dirige-se ao banco mais próximo, na ilha Cabral e aí encalha para não ir a pique e se recuperar.

11:25 - A Amazonas investe na vanguarda e abre fogo contra as baterias inimigas e recebe a resposta a bala e metralha. Segue-lhe a Beberibe às 11:40. abre fogo, seguem-lhe a Mearim pelo canal e a Araguari, esta repele uma tentativa de abordagem dos inimigos Taquari, Marquês de Olinda e Paraguari. Às 11:50 A Ipiranga investe pelo canal trocando tiros com a linha inimiga e consegue atravessar. Às 12:10 a esquadra brasileira concluíra a primeira passagem águas abaixo.

De 12:05 às 13:00. A Jequitinhonha, segundo maior navio da esquadra do Brasil, encalha antes de passar pelo canal, a pouca distância das baterias de terra do Cel. Bruguez, é atacada com vigor pela artilharia das barrancas e responde a altura com os canhões de bombordo, mas não pode mover-se, ainda assim consegue repelir a tentativa paraguaia de abordagem simultânea pela Taquari, do Marques de Olinda'' e da Paraguari. A Parnaíba deixa a formação e vai águas acima em socorro da Jequitinhonha, bate o leme num banco e depois é atingida no leme, o comandante tenta governá-la só com as velas, mas vêm em sua direção o vapor Paraguari pela proa, o Taquari por bombordo e o Salto por estibordo. A situação da esquadra brasileira nesta hora é crítica: A Belmonte e a Jequitinhonha encalhadas fora de combate e a Parnaíba sofre a abordagem e a bandeira brasileira no navio é arriada.

*A luta pela Parnaíba.

Deu-se voz de preparar para abordagem, o comadante mandou tocar a máquina a toda força e foi sobre o Paraguari, este abriu-se quase ao meio, viu-se perdido e só teve tempo de buscar a praia e a tripulação o abandonou. No entanto a capitânea Taquari, o Salto e logo depois pela pôpa o Marques de Olinda realizaram a abordagem. Os paraguaios em luta corpo a corpo tomam o navio desde a pôpa até o mastro grande, nesta luta sobressaem do lado dos brasileiros o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, o Imperial Marinheiro Marcílio Dias, o Capitão do 9º Batalhão de Infantaria Pedro Afonso Ferreira e o Tenente do mesmo batalhão Feliciano Inácio Andrade Maia mortos na defesa da embarcação e da bandeira. A bandeira brasileira é arriada pelos paraguaios. São 575 os atacantes e 263 os defensores. O comandante da Parnaíba dá ordens de incendiar o paiol de pólvora para que a embarcação não caia em mãos do inimigo. A luta dura uma hora, a esquadra brasileira, a Araguari e a Beberibe fazem águas acima e vêm em seu socorro, neste momento os navios paraguaios abandonam o costado da Parnaíba.

A terceira carga


Jejuí vai a pique

14:00. A batalha está na fase mais crítica e indecisa. A Amazonas tendo descido o rio e completado a volta investe águas acima e sinaliza sustentar o fogo que vitória é nossa e, por ordens de Barroso, joga a proa contra o casco do Jejuí e o põe ao fundo, a seguir joga a proa contra uma das Chatas paraguaias e a afunda. Livre da abordagem a Parnaíba iça novamente a bandeira brasileira. A fragata Amazonas avistando o Salto parado repetiu a manobra afundando-o, a manobra se repete mais uma vez contra o Marques de Olinda que atingido pela proa da Amazonas desce o rio desgovernado à deriva para encalhar mais abaixo. A esquadra paraguaia perde 4 embarcações e 4 chatas, o restante surpreendido pela manobra foge em retirada rio acima perseguida pela Beberibe e pela Araguari que os fustiga com os seus canhões até se distanciarem. Às 17:30 a batalha está terminada com clara vitória da esquadra comandada por Barroso, a Belmonte se acha alagada e inutilizada e a Jequitinhonha encalhada.
A vitória foi decisiva para a Tríplice Aliança, que passou a controlar, a partir de então, os rios da bacia platina até à fronteira com o Paraguai, garantindo todo o apoio logístico às forças de terra e bloqueando qualquer ajuda ou contato de López com o exterior.

Ficaram famosas na História Militar Brasileira as mensagens transmitidas às embarcações brasileiras pelo Almirante Barroso, através da sinalização de bandeiras:
  • "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!"

  • "Sustentar o fogo, que a vitória é nossa!


As Forças Navais envolvidas:

Brasil

A Força Naval Brasileira que bloqueava o rio Paraná estava fundeada ao lado do Chaco, a 25 km ao sul de Corrientes e fronteiro a um monumento denominado A Coluna, ereto na margem esquerda do rio. Era composta de 11 navios, mas no dia da batalha contava só com 9; outros dois: as canhoneiras Itajaí e Ivaí encontravam-se destacadas em ponto distante rio abaixo. A força era formada pela 2ª e 3ª Divisões da Esquadra. A frota composta de nove navios de guerra estava armada com 59 bocas de fogo, levando à bordo 1 113 fuzileiros navais e 1 174 soldados do Exército Imperial. Somavam um total de 2 287 homens. Seu comandante em chefe era o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva.
2ª Divisão Naval: Chefe de Divisão Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva
NavioCascoTon.Poder de fogoPotênciaNotasComandante
1 Fragata "Amazonas"(Capitânia)Aço Couraçado1050 t6
(1 70 £ e 5 68 £)
300 cvCapitão de Fragata
Teotônio Raimundo de Brito
2 Corveta "Parnaíba"Madeira Couraçado637 t7
(1 70 £, 2 68 £ e 4 32 £)
120 cvEncalhada.
Foi Seriamente avariada.
Capitão-Tenente
Aurélio Garcindo Fernandes de Sá
3 Canhoeira "Mearim"Madeira Couraçado415 t7
(3 68 £ e 4 32 £)
100 cvAlarmou a Armada ImperialPrimeiro-Tenente de Marinha
Elisiário José Barbosa
4 Canhoeira "Araguari"Madeira Couraçado400 t5
(3 68 £ e 2 32 £)
80 cvPrimeiro-Tenente de Marinha
Antônio Luís von Hoonholtz
5 Canhoeira "Iguatemi"Madeira400 t5
(3 68 £ e 2 32 £)
80 cvPrimeiro-Tenente de Marinha
Justino José de Macedo
3ª Divisão Naval: Comandante Capitão-de-Mar-e-Guerra José Secundino de Gomensoro
NavioCascoTon.Poder de fogoPotênciaNotasComandante
6 Corveta "Jequitinhonha"Madeira637 t7
(2 68 £ e 5 32 £)
130 cvEncalhada.
Destruída em combate no dia seguinte.
Capitão-Tenente
Joaquim José Pinto
7 Corveta "Belmonte"Aço Couraçado602 t8
(1 70 £, 3 68 £ e4 32 £)
120 cvEncalhada.
Foi Seriamente avariada.
Primeiro-Tenente de Marinha
Joaquim Francisco de Abreu
8 Canhoeira "Beberibe"Madeira560 t7
(1 68 £ e 6 32 £)
130 cvCapitão-Tenente
Joaquim Bonifácio de Santana
9 Canhoeira "Ipiranga"Madeira325 t7
(7 30 £)
70 cvPrimeiro-Tenente de Marinha
Álvaro Augusto de Carvalho


Paraguai

A marinha paraguaia era composta de 8 navios armados com 38 bocas de fogo, contando ainda com sete baterias flutuantes "chatas" comandadas por tenentes de artilharia, montando cada uma um canhão de 68 libras. Estas chatas eram rebocadas ao campo de batalha por um navio à exceção do "Salto Oriental" Entre a tripulação figuravam 400 marinheiros entre os oito navios e outros 72 a bordo das chatas. Somando 472 marinheiros que foram agregados com quinhentos combatentes do 6º Batalhão de Infantaria a bordo. A esquadra guarani era comandada pelo Comodoro Pedro Ignácio Mezza. Foram posicionadas nas barrancas da Foz do Riachuelo 22 peças de artilharia e duas baterias à "Congreve" com 1 200 atiradores do exército paraguaio que estavam posicionados em terra, comandados pelo Tenente-Coronel José María Bruguez. Dois outros navios da esquadra paraguaia não participaram do combate e ficaram fundeados águas acima do rio em razão de avarias, o Vapor Paraná, comandante Gutierres e o Vapor Yberá, sob comando do Tenente Pedro Victorino Gill, teve problemas mecânicos e atrasou a chegada da frota paraguaia ao campo de batalha.
NavioCascoTon.Poder de fogoPotênciaNotasComandante
1 Corveta Tacuarí(Capitânea)Aço730 t8
(2 68 £ e 632 £)
130 cvComodoro
Pedro Ignácio Mezza
2 Corveta "Paraguarí"Aço627 t8
(2 68 £ e 632 £)
120 cvAfundou em combate.Primeiro-Tenente de Marinha
José M. Alonso
3 Vapor "Ygureí"Madeira548 t7
(3 68 £ e 432 £)
130 cvCapitão de Corveta
Remigio Cabral
4 Vapor "Marquês de Olinda"Madeira300 t4
(4 18 £)
80 cvNeutralizado em combate e abordado.
Posteriormente destruído.
Tenente de Navio
Ezequiel Robles
5 Vapor "Salto Oriental"Madeira255 t4
(4 18 £)
70 cvAfundou em combate.Alferes de Marinha
Vicente Alcaraz
6 Vapor "Yporá"Madeira226 t4
(4 32 £)
80 cvCapitão de Fragata
Domingo Antônio Ortíz
7 Vapor "Jejuy"Madeira120 t3
(3 18 £)
60 cvAfundou em combate.Tenente de Marinha
Aniceto López
8 Vapor "Pirabebé"Ferro150 t1
(1 8 £)
60 cvCanhões ficaram indisponíveis.Tenente de Marinha
Toribio Pereira
9 Vapor "Rangel"Madeira90 tDesarmado50 cvRebocado para ser utilizado como navio transportePrimeiro-Tenente
Pedro Victorino Gill


O GBN homenageia nossos herois do passado e do presente,saudando nossa brava Marinha do Brasil por seus feitos e vitórias históricas que nos enchem de orgulho, e a sua disposição em manter-se atual e capaz em face das adversidades para defender e auxiliar nossa nação frente a toda ameaça e catastrofes.  Marinha do Brasil - Vitórias no passado, conquistas para o futuro

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