sábado, 10 de dezembro de 2016

CIA diz que Rússia interveio para ajudar vitória de Trump nos EUA

A CIA concluiu que a Rússia interveio na eleição presidencial norte-americana de 2016 para ajudar o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, a alcançar a Casa Branca, e não só para minar a confiança no sistema eleitoral dos EUA, disse uma autoridade sênior norte-americana na sexta-feira.
Agências de inteligência dos EUA avaliaram que à medida que a campanha presidencial de 2016 se desenhava, autoridades do governo russo prestaram crescente atenção em auxiliar os esforços de Donald Trump na conquista da eleição, disse na sexta-feira à Reuters a autoridade norte-americana próxima à descoberta, sob condição de anonimato.
Citando autoridades com entendimento do assunto, o Washington Post relatou na sexta-feira que agências de inteligência identificaram indivíduos com ligações com o governo russo que providenciaram milhares de e-mails hackeados do Comitê Nacional Democrata e outros, incluindo do chefe da campanha presidencial de Hillary Clinton, ao WikiLeaks.
À medida que a eleição se aproximava, hackers russos viraram quase toda a atenção para os democratas. Praticamente todos os e-mails que divulgaram publicamente poderiam fazer possíveis danos a Hillary e ao Partido Democrata, disse a autoridade à Reuters.
Autoridades russas negaram todas as acusações de interferência na eleição dos EUA. Uma porta-voz da CIA disse que a agência não possuía comentários sobre a questão.
Em outubro, o governo dos Estados Unidos acusou formalmente a Rússia de uma campanha de ataques cibernéticos contra organizações do Partido Democrata antes das eleições presidenciais de 8 de novembro.
O presidente Barack Obama disse que alertou o presidente russo, Vladimir Putin sobre as consequências dos ataques.

Trump disse não estar convencido de que a Rússia estaria por trás dos ataques cibernéticos.

Fonte: Reuters

URAL - Um valente para o Brasil?

Muitos tem preconceitos quanto a veículos e meios oriundos da Rússia e antigos estados da extinta URSS, porém, podemos ressaltar alguns meios que se destacam por sua robustez e simplicidade, aliados a capacidades operacionais que superam em muito aos seus análogos ocidentais e nacionais.

Um destes casos que podemos citar, diz respeito aos caminhões da linha russa URAL, famosos cavalos de batalha presentes nos mais variados conflitos ao redor do mundo, exibindo versatilidade em seu emprego, onde vão desde o simples transporte de cargas á portar sistemas de lançamento de foguetes e outros tipos de armamento. As viaturas Ural tem grande fama e reconhecimento em operação em terrenos difíceis, onde a maioria dos caminhões não consegue superar os obstáculos. 

As viaturas Ural tem desempenhado um papel importante junto as operações de ajuda humanitária da ONU, realizando transporte das equipes de assistência e ajuda ás vitimas de conflitos, como ocorre hoje na Síria.

O Brasil possui uma grande extensão territorial desprovida de infraestrutura básica e estradas que permitam o deslocamento de meios militares sobre caminhões sem a devida preparação para atuar em áreas de difícil acesso, e mesmo os meios disponíveis para tal fim, nem sempre conseguem superar os obstáculos que se interpõem no seu caminho, levando as forças brasileiras a ter a necessidade de obter uma viatura que possa realmente atender suas necessidades em qualquer situação.

As forças armadas brasileiras já tiveram a oportunidade de operar alguns destes valentes caminhões, tendo sido oriundos de apreensões da Receita Federal por irregularidades em seu processo de importação, durante os anos de 1999 e 2001 um número considerável destas viaturas foram apreendidas nos portos brasileiros e direcionados ao Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira, onde tais viaturas apresentaram uma surpreendente folha de serviços, obtendo uma avaliação muito superior as demais viaturas do tipo operadas pelas forças até então,lembrando que dentre o inventário constam viatura modernas da VW e Mercedes-Benz que frutificaram de projetos de aplicação civil e foram adaptados ao ambiente operacional militar, algo muito diferente da viatura russa, que apesar de um projeto antigo, que remonta os anos 60, foi concebida voltada para operação militar em áreas de difícil acesso.

A viatura russa que hoje opera no EB foi fabricada em 1997, e mantém o mesmo visual rústico das versões anteriores, com um painel muito simples, cambio com caixa seca e duas alavancas de reduzida, interior que acomoda 3 homens, porém o motor é diesel e desenvolve 240cv,  um dos caminhões da versão 4x4, surpreendeu, fazendo o percurso usado normalmente pelos carros de combate de lagartas Leopard 1A1 do então 2º R.C.C. transferido para o sul do país com seus carros de combate, ficando no seu lugar o 13 R.C.Mec. O desempenho foi fantástico, superando com facilidade todos os desníveis do terreno e em alguns momentos criando seu próprio caminho.

Extremamente forte, a viatura possui torque de sobra e realiza manobras em terrenos ingrimes e acidentadas como se estivesse em terreno plano estivesse, seja descendo um local muito íngreme ou superando um obstáculo que vai desde um simples buraco a um barranco que barraria a maioria dos caminhões hoje operados no Brasil.

O Ural seria um grande incremento as capacidades de logística do EB, não apenas por suas excepcionais características, mas tendo em vista também o orçamento sempre aquém das necessidades da força  que sofre uma grande escassez de verbas para se equipar adequadamente, os caminhões da linha Ural possuem um baixo custo de aquisição, manutenção simples e de baixo custo, algo que cai como uma luva em nossas forças, principalmente por se tratar de um meio ao qual não dispomos em nosso inventário em quantidade necessária afim de prover adequada mobilidade em qualquer parte de nosso território.

Outro ponto que soma á favor das viaturas Ural é sua simplicidade, o que possibilita uma manutenção simples e mesmo em campo, o que com certeza daria menos problemas do que caminhões mais sofisticados e com sérias limitações como os que operamos hoje.

Cabe agora ao comando militar abrir os olhos as oportunidades que há no mercado, sendo ainda um ponto de consideração trazer uma linha de produção dos mesmos ao Brasil, tendo em vista que muitos de nossos vizinhos operam tais viaturas, ainda cabendo inserir esse novo tipo no mercado civil que possui demanda por caminhões com tal robustez, o que pode gerar não apenas retorno financeiro aos cofres públicos e empregos, como também pode aumentar as capacidades da indústria nacional na produção deste tipo de veículo.

Resta agora espera pela sensatez e uma mudança na mentalidade militar que ainda vive ás sombras da finada guerra fria no que diz respeito a aquisição de meios de origem russa.


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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

MPF faz nova denúncia contra Lula por suposta irregularidade em compra de caças pela FAB

O Ministério Público Federal no Distrito Federal apresentou nesta sexta-feira mais uma denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeita de irregularidade na compra de caças suecos pela Força Aérea Brasileira (FAB) e envolvendo uma medida provisória que prorrogava incentivos fiscais ao setor automobilístico, informou o MPF.
Além de Lula, também foram denunciados o filho do ex-presidente Luís Cláudio Lula da Silva e mais duas pessoas pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia foi feita no âmbito da operação Zelotes, que inicialmente investigava irregularidades nas decisões Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão responsável por julgar as apelações contra sanções impostas pela Receita Federal.
Segundo o MPF, os crimes foram cometidos entre 2013 e 2015, quando Lula já era ex-presidente e, de acordo com os promotores, prometeu influência junto ao governo para beneficiar empresas do setor automotivo e a companhia sueca Saab, fabricante dos caças Gripen NG, que venceram uma concorrência para fornecer aeronaves de combate à FAB.
Essas empresas eram, segundo o MPF, clientes da Marcondes e Mautoni Empreendimentos e Diplomacia (M&M), empresa cujos donos Mauro Marcondes e Cristina Mautoni também foram denunciados pelos procuradores. Em troca da influência de Lula, os donos da M&M teriam repassado 2,5 milhões de reais ao filho do ex-presidente.
"As investigações realizadas por integrantes da Força-Tarefa da Operação Zelotes revelaram que, ao todo, a M&M recebeu da Saab 1,84 milhão de euros, sendo 744 mil euros apenas entre 2011 e 2015. A explicação para esse reforço nos pagamentos está, segundo os investigadores, no fato de os lobistas Mauro e Cristina terem convencido os suecos que possuíam proximidade com o ex-presidente e que poderia contar com a sua influência junto ao governo para assegurar uma vitória na disputa", disse o MPF em nota.
"O MPF enviou à Justiça documentos que não deixam dúvida quanto à estratégia adotada pela M&M para convencer os parceiros da Saab que poderia contar com o prestígio do ex-presidente para interferir na decisão governamental. Entre as provas, estão cartas endereçadas a Lula em, pelo menos, duas ocasiões."
O governo brasileiro anunciou no final de 2013 a escolha do Gripen NG para equipar a FAB. O caça sueco superou na disputa o F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault. O contrato para a compra dos caças suecos foi assinado em 2014.

Se a denúncia for aceita pela Justiça, Lula se tornará réu por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Lula já é réu em três ações penais, duas delas ligadas à operação Lava Jato que investiga um bilionário esquema de corrupção na Petrobras.
Em uma delas, que tramita com o juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal do Paraná, Lula é acusado de ter recebido vantagens indevidas da OAS na forma de um apartamento tríplex no Guarujá e no pagamento das despesas de armazenagem de seus bens pessoais. Na outra, que está na Justiça Federal do Distrito Federal, o ex-presidente é acusado de obstrução da Justiça ao tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato.
Lula também responde a um outro processo na Justiça Federal do Distrito Federal que envolve supostas irregularidades em um contrato firmado pela empreiteira Odebrecht em Angola.
A defesa do ex-presidente nega todas as acusações e afirma que Lula é alvo de perseguição política.
Os advogados de Lula não foram encontrados para comentar a denúncia desta sexta.
Uma representante de Mauro Marcondes e Cristina Mautoni disse que ambos não foram notificados da denúncia e não se manifestaria. O site da M&M na internet exibe apenas a seguinte mensagem na página inicial: "Estamos implementando um programa de compliance para continuar o nosso compromisso com a probidade e a segurança negocial para os nossos clientes."

Fonte: Reuters

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Aviação russa será totalmente renovada até 2026


A Força Aérea russa renovará totalmente seu invetário de aeronaves e helicópteros dentro de dez anos, disse nesta quarta-feira (7) o Coronel do Serviço de Engenharia e Aviação da Força, Yuri Sivokonenko.


"As medidas planejadas permitem manter um elevado nível de aptidão das aeronaves enquanto o conjunto de aviões e helicópteros serão totalmente renovados até 2026", disse ele.

Este ano, as unidades da Força Aeroespacial russa receberam mais de 100 aviões avançados, disse o oficial.

"Parte do hardware ainda está sendo aceito e chegará para as tropas em dezembro. As empresas de defesa vão cumprir suas obrigações integralmente até o final do ano", acrescentou.

O Serviço de Engenharia e Aviação da Força Aeroespacial da Rússia está celebrando seu centenário nesta quarta-feira (7).


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com agências

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Marinha do Brasil realiza Operação Anfíbia em Itaóca


Desde 28 de novembro até o dia 16 de dezembro, a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) e o Comando em Chefe da Esquadra estão realizando a OPERAÇÃO DRAGÃO-XXXVII, uma Operação Anfíbia na sua modalidade Assalto Anfíbio que será realizada na área marítima compreendida entre o Rio de Janeiro e Itaóca (ES).

O Dia D da operação (desembarque de meios e pessoal) ocorreu no domingo 4 de dezembro, a partir das 8h00 da manhã (Hora H), na praia de Itaóca, nas proximidades da Base de Apoio Administrativo de Fuzileiros Navais, 1744 Rodovia do Sol, 2, Itapemirim. O exercício simulou a tomada de uma parte do território inimigo por meio de um Assalto Anfíbio. Cumprindo o cronograma proposto, das 8h00 até aproximadamente 13h00 ocorreu o movimento navio para terra (MNT), quando os navios da marinha lançaram ao mar os meios anfíbios, que num primeiro momento conquistaram os objetivos próximos ao litoral e posteriormente seguiram em direção ao interior para conquista dos demais objetivos e consolidação da Cabeça de Praia (CP). A ação envolveu a utilização de 12 Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf), quatro embarcações de desembarque contendo meios de pessoal e material e dois helicópteros UH-15. 

O exercício é importante para a Marinha do Brasil e principalmente para o Corpo de Fuzileiros Navais por incluir todas as fases de uma Operação Anfíbia: planejamento, embarque, ensaio, travessia, e assalto. As Operações Anfíbias são consideradas a razão se ser dos Fuzileiros Navais, e simbolizam o ápice de seu adestramento operativo. A DRAGÃO é uma operação de Guerra Naval bastante complexa, pois envolve o emprego de diversos meios navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais. O exercício de 2016 tem a participação de cerca de dois mil militares e será o primeiro a empregar o Navio Doca Multipropósito (NDM) Bahia, recentemente incorporado à Marinha do Brasil. Além do Bahia, participam da operação os Navios de Desembarque de Carros de Combate (NDCC) Almirante Saboia e Garcia D'Ávila, as Fragatas Independência, Greenhalgh e Rademaker, a Corveta Barroso, os Submarinos Tapajó e Tupi, os Navios Patrulha Oceânico Apa e Amazonas, o Rebocador de Alto Mar Almirante Guillobel, o Navio Patrulha Macaé e as aeronaves de asa fixa Skyhawk AF-1 e asa rotativa Seahawk SH-16 e Super Cougar UH-15.

Fonte: Comunicação Social do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra

Super Tucano recebe proteção adicional

A Força Aérea Brasileira, em parceria com a Embraer e o IAE, estão desenvolvendo um kit de proteção adicional aos ocupantes do cockpit da aeronave EMB-314, ou mais conhecido A-29 Super Tucano, aeronave que vem sendo sucesso no mercado externo, acumulando diversas horas de voos em várias forças ao redor do globo e tendo sido provado em combate em diversos teatros operacionais.

O novo kit de proteção é feito em placas de cerâmica balística, que confere a aeronave maior capacidade de sobrevivência ao enfrentar oposição inimiga sem comprometer o desempenho excepcional da aeronave em voo. O programa de desenvolvimento encontra-se em fase avançada, e esta previsto que após sua homologação, o Super Tucano será ofertado aos clientes externos com essa proteção adicional como item de série.

A frota operada hoje pela FAB também deverá receber esse implemento, devendo receber essa modificação como parte do pacote de soluções a ser integradas a aeronave no processo MLU a ser executado pela própria Embraer. 

As versões do Super Tucano produzidas em parceria com a Sierra Nevada nos EUA, afim de atender os requisitos do programa LAS do governo norte americano, já saem da linha de produção com essa proteção adicional e tais aeronaves tem obtido uma excelente folha de serviços em missões do tipo COIN no Afeganistão.


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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Trump vai cancelar compra de novos Air Force One

Donald Trump anunciou nesta terça (6), que irá cancelar a aquisição junto a Boeing de uma nova aeronave presidencial. Alegando o alto custo, que esta chegando a casa dos 4 bilhões de dólares!


A Força Aérea dos EUA selecionou a Boeing para projetar a próxima aeronave presidencial norte americana em 2015. A Boeing então apresentou um projeto com um 747-8 modificado, e era esperado a aquisição de dois dos novos Air Force One até 2024. 

Embora seja construído sobre uma plataforma consagrada, como o 747-8, o preço de um Air Force One é enorme em comparação com o de um 747-8 comercial em sua configuração padrão custaria, isso se deve principalmente devido às suítes eletrônicas e sistemas defensivos necessários para atender as necessidades do transporte presidencial. 

As ações da Boeing registraram uma sensível queda após o anuncio do futuro presidente dos EUA.


Segundo especialistas o custo de 4 bilhões é justificável em se tratando de duas aeronaves que desempenham não apenas a nobre tarefa de transportar o presidente dos EUA, mas tais aeronaves são também postos de comando em voo e possuem capacidades ímpares em todo mundo, sendo capazes de comandar não apenas as forças de defesa, mas também designar e autorizar ataques termonucleares, contando com os mais avançados sistemas de comunicação, comando e controle, além de possuir capacidade de proteção.

Segundo o plano de aquisição no orçamento da Força Aérea 2,9 bilhões seriam investidos em pesquisa, desenvolvimento, teste e financiamento de avaliação até o ano fiscal de 2021. A aquisição de cada aeronave deverá chegar em cerca de 1 bilhão de dólares, chegando a cifra de 4 bilhões questionada por Trump. 

Apesar do anúncio de Trump, a Boeing ainda vê com otimismo e acredita que o programa deverá ser mantido após a posse de Trump.

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O acordo entre Mercosul e União Europeia vai sair?

Um acordo de livre comércio entre Mercosul e a União Europeia (UE) pode estar perto de acontecer.
As negociações foram retomadas em 2014, houve encontros recentes em Bruxelas e uma nova reunião está marcada para o começo do ano que vem em Buenos Aires – mas o cenário internacional pode trazer reviravoltas.
As propostas envolvem redução de tarifas de importação, serviços, investimentos e compras governamentais. Na União Europeia, Espanha, Portugal, Itália e Alemanha estão entre os mais favoráveis.

Obstáculos

Um dos principais entraves tem sido o setor agrícola – no qual o Mercosul, em especial o Brasil, tem muito interesse.
Um estudo encomendado pela Comissão Europeia mostrou que, mesmo com um acordo “modesto”, as vendas de produtos agrícolas do Mercosul para a UE poderiam crescer em mais de R$ 50 bilhões em 10 anos.
Os representantes de Cooperativas Agrícolas na Europa tentam barrar a abertura. Países como a França e Irlanda também precisam ser convencidos.
O Mercosul queria manter fechados setores de interesse da UE, como o automotivo. Segundo a Folha, uma nova proposta de abertura mais agressiva foi apresentada recentemente.
A tarifa de importação de veículos cairia gradualmente, chegando a zero em 15 anos. A taxa está hoje em 35% e cairia 2,6% ao ano, o que apavora as montadoras nacionais.

Política

Para bem ou para mal, o cenário internacional pode ser o ponto chave para um desfecho. Entre os fatores na Europa estão a saída do Reino Unido da União Europeia e eleições da França e da Alemanha em 2017.
Para Marcos Troyjo, diretor do BRIClab da Universidade de Columbia, o primeiro fator pode ser positivo:
“Com o Brexit, a Alemanha ganha ainda mais relevo no bloco europeu e ela tem grande interesse na continuidade desse processo”.
Maria Lúcia Pádua Lima, economista da FGV especialista em política comercial, acredita que o Brexit pode nem acontecer, mas é de qualquer forma um elemento complicador.
“A União Europeia está passando por um momento delicado, e esse acordo teria que acontecer num espaço de tempo curto”.
Outro problema é a força que os partidos da extrema-direita antieuropeia estão ganhando na França e na Alemanha.
“Se for eleito alguém que não queira apostar no projeto europeu, toda a arquitetura vai ficar interrompida”, afirma Troyjo.
A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos também pesa. Por um lado, ele foi eleito com uma retórica de protecionismo que gerou temores de uma onda de “desglobalização”.
Mas um fechamento americano também pode estimular a UE a estabelecer novas vias de comércio exterior.

Futuro

Em outubro, o Ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou que dificilmente o acordo será alcançado ano que vem.
Ele cita o entrave provocado pelas eleições na França e na Alemanha, mas afirma que a intenção é “continuar persistindo e mostrando que (o acordo) é vantajoso a ambos os lados”.
A mesma questão foi apontada pelo subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey, ao afirmar que o acordo não deve sair antes de 2018.
“Agora a negociação está ‘refém’ da estabilidade dos jogadores ao redor da mesa”, explica Troyjo. Para ele, a confirmação de um novo mandato de Angela Merkel na Alemanha seria decisiva.
“Se confirmando isso, o cenário mais possível é que ao final de 2017 o acordo já esteja assinado.”
Para Pádua, é necessário saber o desfecho do Brexit antes de especular sobre o futuro do acordo: “Pode ser que a haja ou não uma situação mais favorável até lá”.
Com ou sem acordo, os dois economistas apontam que o Brasil tem muito a ganhar com mais estímulo ao comércio exterior.
“Fazer reformas internas e ter uma estratégia de comercio exterior são critérios muito mais importantes do que assinar um acordo”, destaca Troyjo.

Fonte: Exame

Rússia desenvolve drone capaz de imitar qualquer submarino

Especialistas em engenharia naval da Rússia desenvolveram um projeto conceitual de um sistema robotizado marítimo chamado Surrogat para realizar exercícios navais,segundo nota a imprensa nesta terça-feira (6).

Atualmente, as negociações estão em andamento com a Marinha neste projeto, disse a assessoria de imprensa.

O Surrogat é equipado com uma bateria de lítio-íon. Este imitador submarino prevê de 15-16 horas de exercícios navais, reproduzindo manobras de um submarino inimigo, inclusive em alta velocidade, durante este tempo.

O tamanho relativamente grande do robô (cerca de 17 metros de comprimento) e a capacidade de transportar sistemas de sonar rebocados para diversas aplicações ajudarão realisticamente a reproduzir os campos físicos de um submarino inimigo, tanto acústico como eletromagnético.

O projeto modular do imitador permite alterar sua funcionalidade: O Surrogat será capaz de imitar um submarino convencional e um nuclear, e também realizar mapeamento e reconhecimento de terreno.

"Hoje, os submarinos de combate têm que ser envolvidos para exercícios ou testes e esta prática os retira de suas missões básicas. O uso de um imitador não tripulado ajudará a evitar isso e reduzir o custo dos exercícios. Além disso, um submarino sem uma tripulação reduz Riscos, mantendo cenários simulados realistas ", disse Igor Vilnit.

"Este aparelho será distinguido pela sua simplicidade em operação e pelo baixo custo de sua manutenção e atualização, agora estamos mantendo consultas com representantes da Marinha para fazer o drone imitador atender plenamente aos requisitos da Marinha", disse ele.

O Rubin design bureau também não exclui os clientes estrangeiros que podem mostrar interesse no Surrogat.

O drone submarino autônomo não tripulado Surrogat terá um deslocamento de cerca de 40 toneladas, um intervalo de cruzeiro de cerca de 600 milhas a uma velocidade de 5 nós, uma velocidade máxima de mais de 24 nós e a profundidade máxima de imersão de 600 metros.


GBN Seu canal de informação e notícias
com agências de notícias 

Boliviana que apontou erro em voo da LaMia pede refúgio ao Brasil

A funcionária de controle de tráfego aéreo boliviana Celia Castedo, que disse ter apontado problemas no plano de voo do avião que caiu na Colômbia com o time da Chapecoense, deixando 71 mortos, viajou para o Brasil e pediu ajuda no país.
O Ministério Público Federal (MPF) informou, em comunicado, que Celia buscou a Procuradoria da República em Corumbá (MS) na segunda-feira.
O MPF disse que vai solicitar aos órgãos federais competentes as medidas cabíveis, conforme as normas internacionais e o direito brasileiro.
De acordo com a TV Globo, a boliviana pediu refúgio no país.
A boliviana afirmou depois do acidente ocorrido na semana passada que havia questionado um despachante da empresa aérea Lamia sobre pontos do plano de voo, inclusive que o tempo de rota era igual ao tempo de autonomia da aeronave, segundo reportagens.
As causas do acidente ainda estão sendo investigadas, mas a principal hipótese é de que o avião ficou sem combustível durante o voo a caminho de Medellín, onde a Chapecoense enfrentaria o Atlético Nacional na final da Copa Sul-Americana.
Seis pessoas sobreviveram ao acidente, incluindo três jogadores do time catarinense.
Segundo o MPF, A Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea da Bolívia (Aasaana) teria enviado ao Ministério Público boliviano notícia-crime contra Celia por “não cumprimento de deveres” e “atentado contra a segurança dos transportes”, e ela estaria suspensa de suas funções por suspeita de negligência.

Fonte: Exame

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A sangrenta batalha da 1ª Guerra Mundial travada frente à costa da América do Sul

É uma guerra europeia frente à costa sul-americana.
A frota alemã, integrada por cinco cruzadores e dirigida pelo almirante Maximilian von Spee, forma uma espécie de cerco na Baía de Coronel, deixando as quatro embarcações inglesas, comandadas por Sir Christopher Cradock, fora de águas neutras.
O cruzador alemão S.M.S Scharnhorst é o primeiro a abrir fogo contra o cruzador britânico H.M.S Good Hope, que começa a queimar rapidamente.
O mesmo aconteceria em seguida com o H.M.S Monmouth, que foi alvejado por duas embarcações alemãs.
Relatos da época dão conta de que as labaredas dos navios ingleses alcançaram 60 metros, algo como um edifício de 20 andares.
Quando caiu a noite, a frota de von Spee já era tida como vencedora. As embarcações britânicas que conseguiram se salvar retornaram avariadas ao porto de Coronel. Nesse momento, três navios alemães já haviam partido vitoriosos para a cidade de Valparaíso.
A batalha de Coronel ou "do Dia de Todos os Santos", foi o acontecimento bélico mais sangrento na costa chilena por seu grande número de mortos (1.590).
O historiador naval Germán Bravo Valdivieso, autor do livro "A Primeira Guerra Mundial na costa do Chile: uma neutralidade que não foi assim", explica à BBC Mundo que esta derrota não foi "só mais uma" para os britânicos.
"Esta é a primeira derrota do Reino Unido depois de mais de um século invictos, e com a qual perderiam logo o controle do Pacífico Sul", disse à BBC Mundo.
A derrota foi um golpe duro. Nem sequer o almirante Cradock conseguiu sair vivo das águas. A Armada do Chile enviou um transporte marítimo em busca de náufragos, mas não foram encontrados sobreviventes.

Brincadeira interrompida

Uma testemunha da época, ainda que muito jovem, foi o já falecido avô de Manuel Gutiérrez González, historiador chileno, que se interessou em investigar mais sobre esse episódio.
Manuel González Espinoza tinha 7 anos quando presenciou a batalha do setor de Buen Retiro, na cidade de Coronel.
Seu pai, Manuel González Thompson, era administrador das minas de carvão de Buen Retiro e por conta disso sua casa ficava no topo de um morro com ampla vista para o mar.
As lembranças de Manuel González Espinoza começam quando brincava à tarde com seu irmão menor, Francisco.
A brincadeira foi interrompida por um chamado apressado de seu pai, que os levou à varanda e pediu que olhassem para o horizonte.
"Percebi um ruído, logo vi as labaredas no horizonte, perto da ilha Mocha, onde era possível ver o combate", contou Manuel González há exatos 18 anos ao neto Manuel Gutiérrez.
Ainda que não exista uma localização precisa de onde a batalha ocorreu, historiadores como Germán Bravo estimam que pode ter ocorrido entre 10 e 20 milhas (entre 16 e 32 quilômetros) da costa.
"Pode ter acontecido ali pela dificuldade que os britânicos tiveram de ver os navios alemães no pôr do sol e ao se confundirem com a costa", conta Bravo à BBC Mundo.
Com essas distâncias estimadas, as labaredas das embarcações avariadas, como o H.M.S Good Hope o H.M.S Monmouth, podiam ser facilmente avistadas.

A revanche

Mas a estratégia do Almirante von Spee, somada a uma série de eventos que poderiam ser considerados de "azar", fizeram com que a vitória alemã não durasse muito tempo.
"O almirante Von Spee queria chegar à Alemanha com seus navios e poderia ter pulado as Falklands, mas quis tomá-las e instalar um governador, destruindo as instalações", conta à BBC Mundo Germán Bravo.
Nas Malvinas-Falklands, von Spee estava seguro de que seus navios eram suficientes para afundar a frota britânica, mas estava errado.
Novas embarcações britânicas haviam chegado à região: o H.M.S Invincible e o H.M.S Inflexible. Isso daria vantagem aos britânicos.
O S.M.S Scharnhorst, o navio alemão que durante a batalha de Coronel foi o primeiro a abrir fogo, recebeu a revanche britânica.
Nesta embarcação ficaram presos o almirante Maximilian von Spee e os 795 homens que afundaram.
A batalha, desta vez no Oceano Atlântico, também resultou em milhares de mortos.
A batalha das Malvinas-Falklands deu a vitória absoluta aos britânicos e somente um navio alemão conseguiu escapar do combate: o S.M.S Dresden.
Esse navio afundaria em março de 1915 no Arquipélago de Juan Fernández, sul do Chile, pelos próprios alemães, quando se viram encurralados pela frota britânica.
Os mais de 300 tripulantes alemães sobreviventes desse barco seriam mais tarde internados por quatro anos em uma ilha do centro-sul do Chile chamada Quiriquina.

Quase neutralidade

Um tema de discussão no Chile durante a Primeira Guerra Mundial foi sua neutralidade.
"O Chile se declarou neutro, mas ajudou abertamente às forças aliadas, inclusive o Ministro Plenipotenciário Britânico tinha muitos vínculos com a Armada do Chile", assegura Germán Bravo.
"Mas o que mais podiam fazer os chilenos? Se o Chile intervisse teria que apoiar a um ou a outro e com ambas nações tinha vínculos estreitos. Por exemplo no Exército com os alemães e na Marinha com os ingleses", acrescenta.
Mas não apenas a neutralidade foi questionada. Os chilenos e os britânicos que viviam no Chile se mostravam muito preocupados com a guerra que presenciavam em suas próprias costas.
"Em 1914 meu avô era um menino, mas depois da batalha, já adolescente, soube que as pessoas tinham muito medo que os conflitos afetassem o tráfego de carvão", conta Gutiérrez.
Durante mais de um século a mineração foi a principal atividade econômica nas regiões de Coronel e Lota, devido às vastas jazidas encontradas ali.

Rastros que falam


Mais de um século depois, na cidade de Coronel permanecem alguns rastros, sobretudo da forte influência britânica, refletida em algumas construções.
Com o auge das minas de carvão, os britânicos estiveram muito presentes na região, desde o final do século 19 até aproximadamente 1930.
O censo chileno de 1907 ressalta que entre os imigrantes de Lota e de Coronel (que representavam 10% da população), 8% eram cidadãos ingleses.
Atualmente, o bairro Maule de Coronel conserva fachadas com estilo inglês.
Também na Praça 21 de Maio, na mesma cidade, está um relógio de quatro esferas, doado pelo empresário do carvão Federico Schwager, que o trouxe da Inglaterra em novembro de 1881.
Nessa mesma praça um memorial de pedra pela Batalha de Coronel tem desenhado em relevo os dois navios afundados. Em frente ao monólito uma emotiva frase pelas vítimas diz: "seu único sepulcro é o mar".

Fonte: BBC Brasil

Por que a aviação ainda precisa das caixas-pretas?

Levou quase um mês para que equipes de investigação de acidentes aéreos encontrassem os destroços do voo 804 da Egypt Air, que caiu no Mar Mediterrâneo em maio. Mais alguns dias foram necessários para que se recuperassem as duas caixas-pretas do Airbus A320, que estavam a 3 mil metros de profundidade. Os dois aparelhos continham informações cruciais para que as causas do acidente fossem apuradas.
Vivemos em uma era em que a Nasa poder monitorar e operar um veículo em Marte, a milhões de quilômetros da Terra. E que smartphones podem recebem informações em tempo real. Por que, então, não conseguimos rastrear mais precisamente a localização de aviões comerciais ou transmitir remotamente as informações das caixas-pretas?
A ideia de que as famílias de passageiros podem ter de esperar meses para descobrir o que aconteceu com seus entes queridos - ou mais de dois anos, como no caso do voo MH370 da Malásia, que desapareceu em 2014 e ainda não foi encontrado - é difícil de entender.
Autoridades e companhias do setor aéreo vêm discutindo possíveis mudanças, mas o que importa é que, mesmo usando tecnologia antiga para os dias de hoje, a caixa-preta é uma ferramenta eficaz - e essencial.

O que são as caixas-pretas?

Elas têm o tamanho de uma caixa de sapatos. Pesam de 3kg a 5kg e custam cerca de US$ 60 mil por unidade. Ficam normalmente localizadas na cauda da aeronave - o que, em teoria, as deixa mais protegidas em caso de impacto - e são equipadas com um localizador. O dispositivo pode funcionar por até 90 dias e em profundidades de até 6 mil metros, no caso de acidentes envolvendo água.

Caixa-preta do voo da Germanwings que bateu nos AlpesImage copyrightAP
Image captionMesmo quando danificadas, caixas-pretas podem ajudar muito a solucionar acidentes

Aeronaves carregam dois tipos de gravador. O primeiro registra dados de voo - 88 leituras diferentes (altitude e velocidade em relação ao solo, por exemplo) durante as últimas 25 horas de voo.
O outro é um aparelho que grava as últimas duas horas de conversa entre a tripulação, bem como sons ambientes. "O gravador de dados de voo explica como um acidente ocorreu, ao passo que o gravador no cockpit vai dizer o porquê", explica Greg Marshall, vice-presidente da ONG americana Flight Safety Foundation, que presta consultoria em assuntos de segurança para a indústria aeroespacial.
Curiosamente, os dois gravadores são de cor laranja para serem mais fáceis de serem encontradas. A cor preta na nomenclatura pode ter vindo do fato de que as caixas por vezes ficam queimadas. Outra especulação é que o termo caixa-preta vem dos anos 1940, quando os aparelhos usavam filme fotográfico e, por isso, precisavam ser escuros no interior.

Arcas de tesouro "indestrutíveis"

Cada gravador de dados de voo conta com hardware protegido por uma "couraça". Sensores ao longo da fuselagem do avião acumulam dados e enviam para um aparelho intermediário, chamado unidade de aquisição de dados de voo, que então os envia para serem armazenados nos chips de memória da caixa-preta.
Os gravadores de voz funcionam de maneira semelhante. Microfones no cockpit captam o áudio e o enviam para chips de memória.
As caixas-pretas são projetadas para proteger seu "cérebro" - as placas de memória com os dados - e por isso ficam em um compartimento de alumínio revestido por quase 3cm de material isolante, que suporta altas temperaturas, e um estojo externo de titânio ou aço. O pacote é submetido a testes rigorosos, pois precisa sobreviver a um desastre de avião - mais especificamente a impactos de mais de 3.400 vezes a força da gravidade, além de passar uma hora sob temperaturas de até 1.100 graus Celsius.

Foto do voo MH370, da Malaysia AirwaysImage copyrightAP
Image captionO voo MH370 da Malaysia Airways desapareceu há mais dois anos

Elas também têm capacidade para resistir 30 dias em água salgada, são resistentes à gasolina de avião e a cinco minutos sob pressão de 351 toneladas por centímetro quadrado. Isso não significa que os gravadores sejam indestrutíveis, mas eles são recuperados frequentemente e por isso continuam sendo usados.

Uma criação urgente

As caixas-pretas como conhecemos hoje surgiram na década de 1950, quando viagens aéreas se tornaram um pouco mais comuns e criaram a necessidade de coletar informações sobre voos. "Antes dos gravadores, as causas de alguns acidentes podiam apenas ser teorizadas, mas não conhecidas", explica Marshall. "Hoje, o volume de informações por elas coletados é vital para os investigadores. Ajuda a acelerar as investigações, a identificar fatores que contribuem para acidentes e permite que autoridades promovam mudanças".
As caixas-pretas mudaram um bocado desde que as autoridades americanas exigiram seu uso em voos, em 1958, após uma série de acidentes envolvendo o De Havilland Comet, o primeiro grande avião comercial de passageiros. As aeronaves estavam quebrando em pleno ar por causa das mudanças de pressão sobre a fuselagem durante o voo e, embora investigadores britânicos conseguissem descobrir a causa dos acidentes fazendo testes em aviões intactos, estava claro que mais informações eram necessárias.
Os primeiros gravadores mediam apenas cinco parâmetros - direção de voo, altitude, velocidade em relação ao solo, aceleração e tempo. Tudo isso com base em marcas gravadas em uma folha de metal. Nos anos 1960, o governo americano impôs o uso de gravadores de voz - as caixas-pretas passaram a operar com fitas magnéticas.
A partir dos anos 1980, graças à evolução tecnológica, ficou mais simples coletar um volume de informação muito maior que outrora por conta da informatização. Graças ao advento de gravadores do tipo solid state, que armazenam informações em lotes de chips sem necessidade de partes móveis, este volume ampliado de informação ficou também mais seguro. Hoje, a tecnologia evoluiu ainda mais rapidamente. Mas ainda precisamos localizar e recuperar as caixas-pretas dos locais de acidentes.

Investigadores examinam caixa-preta em acidente no EgitoImage copyrightEPA
Image captionInformações armazenadas em caixas-pretas podem ser cruciais para desvendar o mistério por trás de acidentes

O que elas fazem bem

São raros os casos em que as caixas-pretas são perdidas ou destruídas, mas há exemplos relevantes. Além do voo MH370, por exemplo, os gravadores dos dois aviões que se chocaram com as Torres Gêmeas no 11 de Setembro jamais foram recuperados.
"É, certamente, uma anomalia em nossas investigações. E é muito raro que um gravador seja encontrado e seus dados estejam inacessíveis. A não ser que seja um modelo mais antigo", explica Sarah McComb, do National Transportation Safety Board, a agência americana que investiga acidentes aéreos.
Por vezes, a informação armazenada nos gravadores pode esclarecer rapidamente o que aconteceu. Quando o voo 9525 da Germanwings caiu nos Alpes franceses, em março de 2015, o gravador de dados de voo revelou que a pessoa no controle propositalmente iniciou uma descida e aumentou a velocidade da aeronave antes do impacto. Já o gravador de voz captou o áudio do piloto batendo na porta da cabine de comando e pedindo que ela fosse aberta.
Os investigadores tinham as informações que precisavam para concluir que o copiloto, Andreas Lubitz, tinha trancou o colega do lado de fora e deliberadamente jogou o avião contra as montanhas.
Mas esses gravadores ainda contêm tecnologia dos anos 1990. E embora gravadores de memória tipo solid state tenham evoluído, há alternativas a considerar. Alguns tipos de aviões militares, por exemplo, usam gravadores em células flutuantes que ejetam no momento do impacto. Companhias aéreas hoje conseguem transmitir dados de voo em tempo real, mas especialistas em segurança querem mais. Alguns, por exemplo, querem câmeras internas de vídeo no cockpit.

O De Havilland Comet, popular nos anos 50 e 60Image copyrightGETTY IMAGES
Image captionAcidentes com o De Havilland Comet, o primeiro grande avião comercial de passageiros, fizeram com que autoridades americanas impusessem o uso de caixas-pretas

"O equipamento que temos hoje é bem eficiente, mas continuamos fazendo recomendações em áreas onde a tecnologia está melhorando", diz McComb.

Por que não algo mais high tech?

É complicado fazer mudanças muito radicais na indústria, por uma série de fatores. A NTSB, por exemplo, desde a década passada recomenda o uso de câmeras no cockpit, mas sindicatos de pilotos se opõem, alegando que isso fere a privacidade dos pilotos - em especial o fato de que, em caso de acidente, as famílias poderiam ver o vídeo da morte de seus entes queridos divulgado publicamente.
Mas a Organização Internacional para a Aviação Civil, com sede no Canadá, e que é ligada à ONU, recentemente adotou novos padrões que a partir de 2018 recomendam a companhias aéreas a monitorar suas aeronaves a cada 15 minutos em situações normais de voo e a cada minuto em casos de emergências a partir de 2021.
Algumas empresas já começaram a fazer testes por conta própria. A Qatar Airlines, por exemplo, planeja adotar um sistema de transmissão total de dados de voo. A Airbus negocia com autoridades de aviação na Europa a adoção de caixas-pretas ejetáveis.

Fonte: BBC Brasil