quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ARA "San Juan" - P-8A teria localizado sinais de calor que seriam do "San Juan"

A aeronave P-8A "Poseidon" da Marinha dos EUA detectou um ponto de calor com os sensores da aeronave. Tal contato indicaria a presença de um objeto a 70 metros de profundidade cerca de 300 km da costa de Puerto Madryn.
minisubmarino da Marinha dos Estados Unidos esta sendo conduzido para área onde foi detectado para executar buscas ao ARA San Juan.
Nas próximas horas, o navio canadense Scandik Patagonic, um navio fundamental para ajudar no resgate , estará na zona de buscas, contando com AUVs e outros equipamentos norte-americanos necessários para este tipo de operações.
As equipes lutam contra o tempo para confirmar se o sinal encontrado pertence ao submarino argentinoHá fortes indícios que possa se tratar do ARA San Juan, o momento requer todo empenho e o navio segue a toda potência para chegar ao local e tentar identificar com o sistema multi-feeds as assinaturas calóricas.
As informações foram divulgadas pela emissora de rádio argentina "MITRE 790AM", torcemos para que se confirme o contato e finalmente se inicie o resgate dos tripulantes.

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com Rádio Mitre 790AM

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, renuncia

Robert Mugabe, de 93 anos, renunciou como presidente do Zimbábue nesta terça-feira (21), informou o presidente do Parlamento, Jacob Mudenda, em uma sessão extraordinária, acabando com 37 anos à frente do país.
"Eu, Robert Mugabe, entrego formalmente a minha renúncia como presidente da República do Zimbábue com efeito imediato", declarou Mudenda, ao ler, sob aplausos, a carta de demissão do chefe de Estado.
A notícia foi dada em uma sessão extraordinária do Parlamento, convocado para debater uma moção de destituição de Mugabe, que controlou todos os aspectos da vida pública no Zimbábue desde sua independência, em 1980.
O anúncio foi comemorado nas ruas da capital, Harare, com buzinaços e gritos de alegria.
"Estou tão contente que Mugabe tenha ido embora, 37 anos sob sua ditadura não é brincadeira", disse Tinashe Chakanetsa, de 18 anos. "Tenho esperança de um novo Zimbábue, dirigido pelo povo e não por uma pessoa", afirmou.
A renúncia põe fim a uma semana de incertezas sem precedentes, que começou quando os militares assumiram o controle, após Mugabe destituir o vice-presidente Emmerson Mnangagwa em seus esforços para colocar sua esposa, Grace, no comando do país.
- Mnangagwa assumiria interinamente -
Precisamente, Mnangagwa seria nomeado presidente interino na quarta-feira, disse à AFP Simon Khaya Moyo, porta-voz do partido no governo ZANU-PP.
"Acho que o destituído vice-presidente Mangagwa, que conta com o apoio do comitê central do partido, retornará (ao país) nas próximas próximas 24 horas e será juramentado como presidente por 90 dias".
Emmerson Mnangagwa saiu do silêncio na terça-feira para exigir a renúncia de Mugabe.
"Convido o presidente Mugabe a levar em conta os apelos lançados pelo povo para sua demissão de forma que o país possa avançar", afirmou em um comunicado Mnangagwa, conhecido como "crocodilo" e favorito para liderar a transição política.
Mnangagwa, de 75 anos, foi destituído em 6 de novembro, por iniciativa da primeira-dama, Grace Mugabe, com quem competia para suceder o presidente.
A expulsão deste homem leal ao regime, herói da luta pela "libertação" do Zimbábue, provocou a intervenção das Forças Armadas, que controlam o país desde 15 de novembro.
O já ex-presidente havia ignorado todos os chamados para se afastar do poder, e inclusive afirmou no domingo à noite, em um discurso televisionado, que presidiria o congresso do partido em dezembro.
Desde o início da crise, as vozes pedindo a renúncia do decano dos chefes de Estado em atividade no mundo se multiplicaram: o exército, as ruas e seu próprio partido, o Zanu-PF.
Ao meio-dia desta terça-feira, por iniciativa do Zanu-PF, o Parlamento havia iniciado a sessão dedicada a examinar o pedido de destituição de Mugabe.
Em sua resolução, o Zanu-PF acusou o presidente de "ter autorizado sua esposa usurpar seus poderes" e "não ser mais capaz fisicamente de assegurar seu papel", detalhou um deputado, Paul Mangwana.
O presidente do Parlamento leu a carta de Mugabe assim que começaram os debates.
"Minha decisão de me demitir é voluntária. Está motivada pela minha preocupação com o bem-estar do povo zimbabuano e meu desenho de permitir uma transição, pacífica e não violenta, que garanta a segurança nacional, a paz e a estabilidade", escreveu o presidente.
- Oportunidade -
A renúncia de Mugabe oferece ao Zimbábue "a oportunidade de forjar um novo caminho livre de opressão", disse Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, antiga potência colonial do país africano.
"Como o amigo mais antigo do Zimbábue, faremos o possível para apoiar" a transição do país, acrescentou em comunicado.
O presidente americano, Donald Trump, também se pronunciou nesta terça sobre a renúncia de Mugabe, afirmando ser uma "oportunidade histórica para o povo do Zimbábue" e para acabar com o isolamento do país.
"O povo do Zimbábue deve decidir o futuro" do país, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, que pediu a celebração de "eleições livres e justas".

Fonte: AFP

EUA enviam 4 AUVs para procurar submarino argentino

Bluefin-12D
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos informou nesta terça-feira (21) que destinou quatro AUVs da US Navy para auxiliar nas buscas ao submarino argentino ARA San Juan, que desapareceu na quarta-feira (15) no Oceano Atlântico, com 44 membros tripulantes a bordo.
Os quatro aparelhos que participam dos trabalhos de rastreamento, um Bluefin-12D e três Iver 580, são operados pelo Esquadrão de Veículos Submarinos Não tripulados, baseados em Pearl Harbor, no Havaí. De acordo com o Departamento de Defesa, também foram colocados à disposição das autoridades argentinas especialistas da Marinha dos Estados Unidos, uma aeronave e submarinos específicos para busca e resgate.
O ARA San Juan tinha partido no último dia 13 de Ushuaia, onde participou de manobras de treinamento, e estava voltando à sua base, na cidade de Mar del Plata, na província de Buenos Aires, quando perdeu toda a comunicação. O Ministério da Defesa da Argentina disse no sábado (18) que a última posição conhecida do submarino foi na área de operações do Golfo San Jorge, a 432 quilômetros do litoral.
Iver 580
A preocupação aumentou nos últimos dias, já que, depois de quase uma semana sem notícias do paradeiro do submarino, os parentes da tripulação temem que o submarino esteja submerso e a reserva de oxigênio possa acabar. As autoridades disseram que estão usando a melhor e mais moderna tecnologia no resgate vinda de países como Brasil, Reino Unido e Chile, além de entidades como a NASA.
Ao todo, 13 navios e dez aeronaves são usados para rastrear a área, apesar da dificuldade imposta por conta do mau tempo. 

Fonte: EFE

Iraque vai declarar vitória final sobre Estado Islâmico após campanha no deserto, diz premiê

O Estado Islâmico foi varrido do Iraque de uma perspectiva militar, disse o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, nesta terça-feira, acrescentando que só anunciará a vitória final depois de expulsar os militantes no deserto.
Divergências políticas abrirão caminho para o grupo militante sunita realizar ataques, no entanto, alertou o premiê, em referência à disputa entre o governo central de Bagdá e o semiautônomo Governo Regional do Curdistão sobre uma declaração de independência curda após um referendo em 25 de setembro.
Em entrevista coletiva semanal, Abadi elogiou um veredicto da Suprema Corte que declarou o referendo inconstitucional, e pediu aos curdos que não recorram à violência.

Fonte: Reuters

Presidente do Irã declara fim do Estado Islâmico

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, declarou o fim do Estado Islâmico em pronunciamento transmitido pela televisão estatal nesta terça-feira.
O general Qassem Soleimani, um comandante graduado da Guarda Revolucionária do Irã, também declarou o fim do Estado Islâmico em mensagem enviada ao líder supremo do país nesta terça-feira, que foi publicada no site de notícias da força, o Sepah News.
Vídeos e fotos de Soleimani, que comanda o braço da Guarda Revolucionária responsável pelas operações fora do Irã, na linha de frente de batalhas contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria têm sido publicados frequentemente pela mídia iraniana nos últimos anos.

Fonte: Reuters

Argentina faz megaoperação para resgatar submarino; oxigênio pode estar no fim

As equipes de busca argentinas contam com o apoio de especialistas norte-americanos nesta terça-feira (21) em uma fase crítica das buscas ao submarino ARA San Juan, desaparecido há seis dias.

A Marinha da Argentina afirma que a embarcação, com 44 tripulantes a bordo, possui capacidade para armazenar oxigênio e se manter submerso por sete dias no total, segundo informações da agência alemã Deutsche Welle.

A imprensa argentina definiu os esforços de busca do submarino como "sem precedentes" no país. De acordo com o jornal argentino "Clarín", quatro embarcações submergíveis pertencentes à Marina dos EUA, pilotadas por controle remoto, foram colocadas em ação.

A Fragata F-49 “Rademaker”, pertencente à Marinha do Brasil, também foi deslocada para as buscas na Patagônia, segundo o Ministério da Defesa argentino.

Nesta terça, as condições climáticas melhoraram em relação aos dias anteriores na zona de busca. Os meteorologistas esperavam ondas de cerca de 2 metros na região, muito inferiores às de 8 metros registradas no final de semana.

Pistas falsas

Na noite de segunda-feira, o porta-voz da Marinha afirmou que o ruído detectado na zona de busca do submarino ARA San Juan não era proveniente da embarcação desaparecida.

O ruído havia sido registrado por dois navios argentinos e bóias especiais lançadas por uma aeronave americana. Gravado, foi analisado por especialistas em terra. Balbi já havia alertado antes mesmo de sair o resultado que não queria alimentar "falsas expectativas".

Mais cedo, a Marinha argentina havia detalhado que as sete chamadas de satélite detectadas no último sábado (18), não foram feitas pelo submarino, como se acreditava inicialmente.

Fonte: Globo

ARA "San Juan" - Equipes de resgate usam tecnologias de ponta nas buscas

Hoje (21) zarparam de Comodoro Rivadavia, os navios "Skandi Patagonia" e "Sophie Siem", os quais receberam á bordo os mais modernos sistemas operados pelo Esquadrão de Resgate Submarino da Marinha dos EUA. Os equipamentos que chegaram no último sábado (18) trazidos a bordo de aeronaves C-17 e disponibilizado ao governo argentino.
Estes navios por suas características se apresentam como as plataformas ideais para transportar e operar os recursos do Submarine Rescue Squad para levar a cabo as operações de resgate.
Os dois navios rumam para as coordenadas onde acredita-se estar localizado o submarino argentino, tendo como base a localização das balsas recentemente encontradas. O tempo se esgota, e o clima não colabora para as operações de busca, mas ainda restam boas chances de sucesso para localizar o ARA "San Juan" e recuperar sua tripulação de 44 membros antes que o tempo se esgote para esses homens.

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com Gaceta Marinera

Canal "Arte da Guerra" - SUBMARINO SAN JUAN : AS AERONAVES ENVOLVIDAS NA BUSCA

Nosso amigo e parceiro Cmte Farinazzo, especialista em defesa, apresenta no seu canal ARTE DA GUERRA, um novo vídeo abordando as aeronaves empregadas nos esforços de busca ao ARA "San Juan".

O Canal "Arte da Guerra", assim como o GBN News estão empenhados em lhe trazer o melhor conteúdo na cobertura das operações de busca ao submarino argentino


O GBN News, site parceiro do canal Arte da Guerra, compartilha com você leitor esta nova fonte de informação, que coloca ao seu alcance informação e notícias com alta qualidade e precisão. sendo um trabalho sério que busca propagar o conhecimento e informação, trazendo qualidade as nossas discussões á cerca dos assuntos inerentes a defesa em seus mais variados espectros.



Abaixo você terá opção de conhecer o canal ARTE DA GUERRA clicando no link.


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Canal Arte da Guerra,um parceiro GBN News

ARA "San Juan" - Divergências surgem com relação á balsas localizadas

Na madrugada desta terça-feira (21) noticiamos junto com nosso parceiro, Poder Naval, a informação exclusiva oriunda de um correspondente do citado site que integra os esforços de busca na Argentina ao submarino desaparecido, ARA "San Juan", as informações iniciais que foram divulgadas extra-oficialmente, davam conta que a aeronave P-8A Poseidon dos EUA teria localizado sinais luminosos e duas balsas que poderiam ser do submarino sinistrado, as quais foram verificadas e recolhidas pelo destróier ARA Sarandí e pela corveta ARA Rosales. As balsas estavas vazias e não corresponderiam ao modelo de dotação do submarino ARA San Juan, segundo informações oficiais.

Apesar de não haver registro de outro navio em situação de emergência que possa ter lançado os sinais luminosos. Uma fonte ligada à operação de busca e salvamento ao submarino, revelou com exclusividade ao Poder Naval que as balsas avistadas por aeronave P-8A Poseidon e por navios da Armada Argentina podem sim pertencer ao submarino desaparecido.
No momento a discussão entre as autoridades  da Armada Argentina responsáveis pelas buscas gira em torno da possibilidade das balsas terem sido instaladas no submarino quando o mesmo passou pelo processo de modernização de meia vida, onde teriam sido retirados as balsas originais do submarino de projeto TR-1700 e instaladas em seu lugar balsas de outra classe de submarinos, como os IKL-209, em uma tentativa de conter as despesas.Tal situação levou á uma intensa discussão a respeito da origem das balsas, o que levantou a questão sobre a possibilidade das mesmas terem sido instaladas no ARA "San Juan".
As balsas encontradas são de capacidade menor do que o tipo de balsa que o TR-1700, classe do ARA San Juan, deveria ter. Se o submarino estava com uma tripulação de 44 pessoas, deveria ter duas balsas de 22 pessoas, mas as balsas encontradas são de capacidade menor. Mas o tipo de balsa é o mesmo usado em submarinos, da marca RFD Survitec.
O avistamento de pirotécnicos brancos ao invés de vermelhos (encarnados) também poderia ser pelo mesmo motivo, ou seja, os sobreviventes poderiam estar usando o equipamento que foi disponibilizado durante a modernização.
De Comodoro Rivadavia, dois navios, o Sohpie Siem e o Skandi Patagonia estão prestes a partir com a equipe de resgate rumo á zona de buscas, enquanto ainda se chega á uma definição com relação as balsas.

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ARA "San Juan" - Aeronave localiza balsas que podem ser do submarino sinistrado

Segundo informações reveladas por uma fonte da Armada Argentina ao site Poder Naval, uma aeronave P-8A Poseidon que compõe os esforços para localização do submarino desaparecido, ARA "San Juan", teria localizado duas balsas no mar que seriam do submarino. 

Segundo informações extra-oficiais, a Armada Argentina destacou alguns navios para verificar tais balsas. 

Um dos navios que estava próximo as coordenadas já alcançou uma das balsas, a qual se encontra vazia. A segunda estava sendo checada no momento que a notícia foi publicada pelo site.

Embora as informações ainda não sejam oficialmente confirmadas, há esperanças de que se possa resgatar com vida a tripulação do submarino sinistrado.

A área do contato apresenta profundidade aproximada de 200m, o que torna viável o resgate dos tripulantes.

Equipamentos de resgate especializado dos EUA já desembarcaram de uma aeronave C-17 e serão instalados em breve no navio noroeguês.

Estamos acompanhando o caso no aguardo de uma nota oficial da Armada Argentina.

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com informações do Poder Naval

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Proclamação da República: por que, 128 anos depois, historiadores concordam que monarquia sofreu um 'golpe'

Meses após o Marechal Deodoro da Fonseca enganar a própria mulher, burlar as recomendações médicas e levantar da cama - onde havia passado a madrugada daquele 15 de novembro febril - para proclamar a República brasileira, o país já conhecia a primeira crítica articulada sobre o processo que havia removido a monarquia do poder em 1889.
Escrito pelo advogado paulistano Eduardo Prado, o livro Os Fastos da Ditadura Militar no Brasil, de 1890, argumentava que a Proclamação da República no Brasil tinha sido uma cópia do modelo dos Estados Unidos aplicada a um contexto social e a um povo com características distintas.
A monarquia, segundo ele, ainda era o modelo mais adequado para a sociedade que se tinha no país. Prado também foi o primeiro autor a considerar a Proclamação da República um "golpe de Estado ilegítimo" aplicado pelos militares.
Hoje, 128 anos depois, o tema voltou ao debate público: enquanto diversos historiadores apontam a importância da chegada da República ao Brasil, apesar de suas incoerências e dificuldades, um movimento que ganhou força nos últimos anos - principalmente, nas redes sociais - ainda a contesta.
"A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo", disse à BBC Brasil o empresário Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro 2º, o último imperador brasileiro, e militante do movimento direitista Acorda Brasil. No anúncio do último congresso do Movimento Brasil Livre (MBL), em que foi um dos palestrantes, Luiz foi apresentado e festejado como "príncipe".
"Quando há ilegitimidade na proclamação de qualquer modelo de governo, não se consegue estabelecer autoridade e, dessa forma, não se tem ordem. É exatamente isso que aconteceu na república: removeram o monarca e, no momento seguinte, foi um caos", completa ele, justificando a partir da história os solavancos recentes da democracia brasileira.
Retrato do Marechal Deodoro da Fonseca por Henrique Bernardelli
Image captionRetrato do Marechal Deodoro da Fonseca por Henrique Bernardelli; ele proclamou a República no Brasil após uma madrugada febril | Imagem: Museu Histórico Nacional
Desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, o movimento pró-monarquia foi impulsionado pelas redes sociais e pela presença de grupos monarquistas nas manifestações contra o governo petista, entre 2015 e 2016 - muitos deles, empunhando bandeiras do Brasil Império.

Um movimento de elites

A ideia de que a Proclamação da República foi um "golpe" é engrossada pelo historiador José Murilo de Carvalho, que acabou de lançar seu oitavo livro sobre os períodos monárquico e republicano do Brasil: O Pecado Original da República (Bazar do Tempo, 294 páginas). Um dos intelectuais mais respeitados no país, Murilo também admite que é possível discutir a legitimidade do processo, como reivindicam os monarquistas atuais.
"Para se sustentar [a reivindicação de legitimidade da proclamação], ela teria que supor que a minoria republicana, predominantemente composta de bacharéis, jornalistas, advogados, médicos, engenheiros, alunos das escolas superiores, além dos cafeicultores paulistas, representava os interesses da maioria esmagadora da população ou do país como um todo. Um tanto complicado", avalia.
Ainda de acordo com Murilo, não apenas foi um golpe, como ele não contou com a participação popular, o que fortalece o argumento de ilegitimidade apresentado pelos atuais monarquistas. Para ele, a distância da maior camada da população das decisões políticas é um problema que perdura até hoje.
"Embora os propagandistas falassem em democracia, o pecado foi a ausência de povo, não só na proclamação, mas pelo menos até o fim da Primeira República. Incorporar plenamente o povo no sistema político é ainda hoje um problema da nossa República. Pode-se dizer que as condições do país não permitiram outra solução e que os propagandistas eram sonhadores. Muitos realmente eram", conta.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro II
Image captionLuiz Philippe de Orleans e Bragança: 'A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo' | Foto: Ana Carolina Camargo/BBC Brasil
Especialista no período, o jornalista e historiador José Laurentino Gomes, autor da trilogia 18081822 e 1889, concorda com a leitura do "golpe". Para ele, no entanto, o debate sobre a legitimidade da República é sobre "quem legitima o quê", o que está ligado ao processo de consolidação de qualquer regime político.
"O termo 'legitimidade' é muito relativo. Depende do que se considera o instrumento legitimador da nossa República. Se ele for o voto, ela não é legítima, porque o Partido Republicano nunca teve apoio nas urnas. Agora, se considerar esse instrumento a força das armas, foi um movimento legítimo, porque foi por meio delas que o exército consolidou o regime", diz.
Para Laurentino, a questão envolve a luta pelo direito de nomear os acontecimentos históricos que, no caso dos republicanos, conseguiram emplacar a ideia de "proclamação" e não de "golpe". "O que aconteceu em 1889, em 1930 e em 1964 é a mesma coisa: exército na rua fazendo política. Depende de quem legitima o quê. O movimento de 1964 não foi legitimado pela sociedade, mas a revolução de 1930 foi tanto pelos sindicatos quanto pelas mudanças promovidas por Getúlio Vargas. A proclamação é contada hoje por quem venceu", argumenta.
Para o historiador Marcos Napolitano, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), é possível sim falar em golpe na fundação da República. Já questionar sua legitimidade, como faz Orleans e Bragança, seria um revisionismo histórico incabível.
"Se pensarmos que a monarquia era um regime historicamente vinculado à escravidão (esta sim, uma instituição ilegítima, sob quaisquer aspectos), acho pessoalmente que a fundação da República foi um processo político legítimo que, infelizmente, não veio acompanhado de reformas democratizantes e inclusivas", explica.
Mulher segura bandeira do BrasilDireito de imagemREUTERS
Image captionApós 128 anos, Proclamação da República ainda é alvo de debates
Segundo José Murilo de Carvalho, é possível afirmar que a proclamação foi obra quase totalmente dos militares, assim como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu livro 1889. "Só poucos dias antes do golpe é que líderes civis foram envolvidos", explica Murilo. Para o professor Marcos Napolitano, porém, o fato de ter sido uma minoria a responsável por derrubar a monarquia não retira do movimento a sua legitimidade.
"Qualquer processo político está ligado à capacidade de minorias ativas ganharem o apoio de maiorias, ativas ou passivas, e neutralizarem outros grupos que lhes são contra. Nem sempre um processo político que começa com uma minoria ativa redunda em falta de democracia. Esta é a medida de legitimidade de um processo político. Muitos processos políticos democratizantes, que mudaram a história mundial, começaram assim. O que não os exime de serem processos muitas vezes traumáticos e conflitivos", explica Napolitano.

Monarquia como opção de regime político?

Orleans e Bragança expressa uma alternativa que já existe há algum tempo entre um grupo restrito de historiadores. O mais militante deles é o professor Armando Alexandre dos Santos, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Frequentemente convidado pela Casa Real para palestras e eventos, ele é amigo pessoal de D. Luiz Gastão de Orleans e Bragança - que seria o imperador do país caso fosse uma monarquia - desde os anos 1980.
Para Santos, a República representou a instauração de uma ditadura jamais vivida até então no Brasil. "Foi uma quartelada de uma minoria revoltosa de militares que não teve nenhum apoio popular. A própria proclamação foi um show de indecisões: Deodoro da Fonseca, por exemplo, só decidiu proclamá-la porque foi pressionado pelos membros do seu grupinho que precisavam de um militar de patente para representá-los. Foi, acima de tudo, um modismo, uma imitação servil dos EUA", argumenta.
Santos, no entanto, não encontra apoio para sua tese na maior parte da academia. Para os historiadores ouvidos pela BBC Brasil, o retorno à monarquia não está definitivamente no horizonte político do país.
"O plebiscito de 1993 (para determinar a forma de governo do país) mostrou que há sólida maioria favorável à República, apesar das trapalhadas do regime. Fora do carnaval, a imagem predominante da monarquia ainda é a de regime retrógrado", afirma José Murilo de Carvalho, seguido por Gomes. "Em um momento de discussão da identidade nacional, se somos violentos ou pacíficos, corruptos ou transparentes, vamos em busca de mitos fundadores. Um deles é D. Pedro, que era um homem culto e respeitado. Esse movimento monárquico atual é freudiano. É a busca de pai que resolva tudo sem que a gente se preocupe", finaliza.

Fonte: BBC Brasil

As imagens que mostram o programa secreto da Coreia do Norte 'para submarinos com mísseis'

A Coreia do Norte segue um "agressivo cronograma para construir e implantar seu primeiro submarino operacional de mísseis balísticos", de acordo com análises de novas imagens de satélite feitas pelo site especializado 38 North.
As imagens, divulgadas com legendas (em inglês), representam um forte alerta de que, além de desenvolver mísseis balísticos de alcance intercontinental - lançados a partir de terra -, a Coreia do Norte segue mantendo um programa para lançar um míssil de longo alcance a partir de um submarino.
O país já possui um protótipo de submarino e uma plataforma de lançamento submersível, da qual realizou uma série de testes. Mas as novas imagens mostram que há um trabalho significativo em andamento no estaleiro Sinpo, na costa leste do país, para expandir suas instalações. E há sinais de que outro porta-mísseis submarino pode estar em desenvolvimento.
Dois grandes objetos circulares, que podem ser partes do casco de pressão do submarino, aparecem nas imagens.
O tamanho estimado sugere que os objetos poderiam ser usados na construção de uma nova embarcação para suceder o protótipo do submarino classe SINPO.
As imagens de satélite também mostram um movimento contínuo, ao longo de 2017, de peças e componentes dentro e fora da área dos grandes salões da construção do estaleiro. Os pórticos e os guindastes de torre têm se movimentado regularmente, sugerindo "um programa de construção de navios prolongado e ativo", de acordo com o 38 North.
Movimentação em área de estaleiro, também mostrada pelo satélite, é um dos pontos que levantam suspeitas sobre intenções da Coreia do NorteDireito de imagemDIGITALGLOBE
Image captionAcima, plataforma de teste que parece querer replicar condições de lançamento de míssil por casco de submarino
Também foi possível notar o avanço de trabalhos em uma outra plataforma de testes de mísseis - aparentemente feita para replicar o disparo de mísseis do casco de um submarino.
Mas é difícil avaliar, apenas a partir dessas imagens, o quanto o programa de mísseis submarinos da Coreia do Norte progrediu. Mas Mark Fitzpatrick, veterano especialista em controle de armas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, disse à BBC que a tecnologia de mísseis lançados por submarinos daria à Coreia do Norte uma opção de resposta no caso de suas plataformas em terra serem destruídas em um ataque contra suas armas nucleares.
Fitzpatrick também observou que "até o momento, a Coreia do Norte surpreendeu os analistas e superou as expectativas em termos do ritmo do desenvolvimento de mísseis".
Disparar um míssil de um submarino submerso, no entanto, traz vários desafios. E, até agora, a Coreia do Norte só usou a balsa de testes submersível e seu programa de mísseis marítimos continua longe de ser operacional.
O programa, no entanto, mostra a ambição da Coreia do Norte nessa área e é outra indicação de que ela não pretende desistir, pelo menos não agora, de seu arsenal nuclear.

Fonte: BBC Brasil