quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

ARA "San Juan" - Objeto a 940m de profundidade pode ser submarino desaparecido

Militares tentam determinar nesta terça-feira se um objeto localizado a 940 metros de profundidade no Atlântico Sul corresponde ao submarino ARA San Juan, que desapareceu há 20 dias durante uma travessia com 44 tripulantes a bordo, informou a Marinha da Argentina.

O lugar onde o objeto está coincide com o percurso que deveria ter sido feito pelo submarino, quanto a rumo e velocidade, quando em 15 de novembro desapareceu na travessia que começou no porto de Ushuaia e tinha chegada prevista para a Base Naval do Mar del Plata, a 430 quilômetros ao sul de Buenos Aires.

O navio ARA Ilhas Malvinas navegou até a região próxima deste objeto com o robô russo Panther Plus, que está preparado para submergir até 1km de profundidade e já inspeciona esse objeto “ou alteração de fundo” a 940 metros.

Segundo o capitão e porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, esse “contato” foi detectado há poucos dias pelo navio chileno Cabo de Hornos, e embora a inspeção com o robô estivesse prevista para ontem, as más condições meteorológicas não tinham permitido a submersão.

Esse “contato” se soma a outros cinco que diversos navios detectaram com sensores nos últimos dias em diversos pontos da região de busca.

Destes, três já foram descartados por se tratarem de velhas embarcações naufragadas, e outros dois, que estão a cerca de 700 e 800 metros de profundidade, também serão inspecionados. No sábado, um navio com equipamento dos Estados Unidos chegará para ajudar nas buscas.


Fonte: Exame

HMS Ocean na esquadra brasileira?

Após meses de intensos debates com relação a oferta feita pelo Reino Unido, que nos ofereceu o HMS Ocean por um custo extremamente atraente, finalmente surgem novas informações que tratam da possível aquisição do navio pela Marinha do Brasil.

No inicio desta semana o Ministério da Defesa se posicionou em favor da aquisição do navio pela Marinha do Brasil, o qual irá ocupar de certa forma, parte da lacuna deixada pela desativação do NAe A-12 "São Paulo", embora o mesmo não apresente a capacidade de operar com as aeronaves AF-1 (A-4KU) Skyhawk da Marinha do Brasil.

Muito foi discutido e especulado por diversas fontes da mídia especializada, a qual de certa forma, contribuiu para fomentar a discussão dentro dos meandros políticos e mesmo do Ministério da Defesa brasileiro. O navio britânico é considerado "novo", tendo apenas 19 anos desde sua entrada em serviço com a Royal Navy, tendo sido comissionado em 1998. O HMS Ocean desloca 21.500 toneladas, com capacidade para transportar até 800 militares e 18 helicópteros de grande porte.

Atualmente, o HMS Ocean está cumprindo sua última missão no Mediterrâneo, como capitania da flotilha 2 da OTAN. Sendo prevista a conclusão desta última missão sob o pavilhão britânico prevista para o final de dezembro e principio de janeiro, após o qual deverá ser descomissionamento em março de 2018

O HMS "Ocean" recebeu a visita de comissões técnicas da Marinha do Brasil ao longo deste ano, resultando em um extenso relatório que aponta como favorável a aquisição desse novo meio. Agora com aval de Brasília, é questão apenas do cumprimento dos trâmites necessários á aceitação da oferta do navio e os entendimentos com relação aos recursos que serão disponibilizados ao Brasil, tendo em vista que o mesmo possui uma série de equipamentos e sistemas de origem norte americana, os quais provavelmente não terão qualquer restrição ao seu fornecimento a Marinha do Brasil.

Embora tenha sido projetado para operação com asas rotativas, uma série de estudos realizados pela Royal Navy, apontam que o mesmo é capaz de operar com aeronaves AV-8B Sea Harrier/Harrier ou mesmo os modernos F-35, porém, cabe ressaltar que dificilmente conseguiríamos aeronaves "Harriers" em boas condições e voo, e tão pouco teríamos recursos para aquisição e operação de uma variante do F-35.

O custo estimado para aquisição do navio é de 312 milhões de reais, sendo uma boa compra de oportunidade, lembrando que além do Brasil outros países apresentaram interesse e sua aquisição, como por exemplo a Turquia.

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Paraguai e Brasil revisam operações conjuntas de inteligência e segurança

Paraguai e Brasil fizeram nesta segunda-feira, em Assunção, uma revisão das operações conjuntas em segurança e inteligência na luta contra o crime transnacional.
A reunião foi uma continuação de um encontro dos países da América do Sul realizado em Brasília há um ano sobre o tema.
Na época, as autoridades focaram nos trabalhos realizados de forma interna em ambos os países e de forma externa na área da fronteira, onde normalmente há delitos relacionados com o narcotráfico e com o crime organizado.
O chanceler do Paraguai, Eladio Loizaga, estava acompanhado do ministro do Interior, Lorenzo Lezcano, e de outros representantes do setor de segurança do país. Eles foram responsáveis por dialogar e revisar com as autoridades brasileiros os avanços do processo de integração em matéria de inteligência e segurança.
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Brasil, Sérgio Etchegoyen, disse aos jornalistas ao término da reunião que esse trabalho é resultado do "entendimento" entre os dois países.
"Esses grupos criminosos não têm fronteiras. Por isso é que os países têm que se organizar e se unir para enfrentá-los, seja na pirataria, no tráfico de armas, de pessoas, de drogas. São crimes que preocupam todas as nações sul-americanas", indicou Etchegoyen.
Um dos pontos importantes da reunião foi a luta contra as quadrilhas instaladas nos dois lados da fronteira. Uma região destacada como problemática foi a das cidades de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Em novembro de 2016, as autoridades de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai se reuniram em Brasília para o primeiro encontro sobre segurança fronteiriça no Cone Sul. O objetivo é discutir uma forma conjunta para combater o tráfico e o contrabando.
Em março, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, discutiu com Loizaga os temas de segurança na fronteira durante sua primeira visita ao Paraguai depois de assumir o cargo.
Na ocasião, Nunes afirmou que os acordos bilaterais entre Brasil e Paraguai sobre crime transnacional podem ser um "paradigma" para estabelecer um padrão em matéria de segurança no Mercosul. EFE

ARA "San Juan" - Argentina lança a maior operação de busca do submarino em uma área de 74 quilômetros

Os dias passam e aumenta a convicção de que já não resta muito a fazer pela vida dos 44 tripulantes do ARA San Juan. Desde a sexta-feira, quando a Marinha confirmou uma explosão a bordo registrada no mesmo dia do desaparecimento do submarino, há 12 dias, as novidades diárias quase não geram expectativas. Os marinheiros informaram nesta segunda-feira que cinco navios rastreiam uma zona de 74 quilômetros quadrados, uma área minúscula comparada com a de 600.000 quilômetros de uma semana atrás. Mas repetiram a frase que os jornalistas escutam desde o primeiro dia: “Infelizmente, não há rastros do submarino”. Toda a atenção se concentra agora no lugar onde os sensores registraram a explosão, enquanto viaja para a área uma cápsula não tripulada de resgate enviada pelos Estados Unidos, capaz de descer até 600 metros.

O porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, admitiu que depois de 12 dias só poderia haver sobreviventes se se adaptaram a uma situação “extrema”. Ninguém mais pergunta quanto pode haver de oxigênio disponível no interior da nave, ou se o casco pode ou não resistir à pressão de grandes profundidades. Balbi se limitou aos detalhes do deslocamento de navios e aviões que buscam o ARA San Juan diante do Golfo San Jorge, a quase 400 quilômetros da costa, justo quando termina a plataforma continental e a profundidade aumenta rapidamente. Cinco embarcações rastreiam com sonares o fundo do mar, enquanto aviões da Argentina, Brasil e Estados Unidos procuram algum indício desde o ar.

Nesta segunda-feira chegou à zona um minissubmarino de resgate que exigiu para seu traslado a reforma da popa de um navio cedido pela Noruega. A possibilidade de que o Ara San Juan tenha sido lançado para o lado do talude que dá para o abismo obrigou a planos de maior risco: na próxima terça-feira chegará ao Atlântico Sul o navio oceanográfico russo Yantar, “equipado com uma cápsula de resgate que pode descer até 6.000 metros”, disse Balbi.

O uso de semelhante tecnologia depende de os sonares localizarem o submarino, algo que não aconteceu. Não foi possível nem sequer com a ajuda de mais de dez países e os equipamentos mais modernos. A incerteza alimentou todo o tipo de versões nas redes sociais sobre o que pode ter acontecido com os 44 tripulantes. Muitas delas se enraízam na opinião pública e sobrevivem ao efêmero da mensagem, por mais disparatadas que sejam. Balbi teve de desmentir que a nave tivesse sido atacada por uma força militar estrangeira ou que a explosão registrada por uma agência da ONU naquela quarta-feira do último contato tenha sido culpa de uma mina abandonada da época da Guerra das Malvinas, em 1982. “Não temos indícios de que tenha havido um ataque externo. E não temos indícios de minas. Além disso, se houvessem, uma mina posicionada nessa profundidade não poderia explodir”, disse Balbi.

ARA San Juan desapareceu sem deixar rastros depois de avisar a base que havia tido um problema nas baterias de propulsão. O capitão da embarcação reportou uma entrada de água pelo snorkel que se usa para renovar o oxigênio da cabine. “A água chegou através do sistema de ventilação à bandeja de baterias produzindo um curto circuito, um princípio de incêndio, ou seja, fumaça sem chama. Isso foi consertado, as baterias foram isoladas e o submarino continuou navegando com o outro sistema de baterias”, explicou Balbi. A Marinha não deu importância ao incidente, até que horas depois se perdeu todo o contato com o submarino.

A verdade é que é possível que jamais se encontre o casco. E se o encontram, mas estiver apoiado sobre o fundo do mar, a mais de 3.000 metros –uma possibilidade–, será muito complicado trazê-lo à tona. Ao drama humano se somou a crise política. Na Argentina se perguntam se o ARA San Juan, construído em 1985, estava em condições de navegar. O presidente Mauricio Macri prometeu uma investigação profunda, mas pediu que se espere o final das buscas antes de se apontar culpados.

Fonte: El País




sábado, 25 de novembro de 2017

Três capacetes azuis e um soldado morrem no Mali

Pelo menos três capacetes azuis da ONU e um militar do Mali morreram nesta sexta-feira em um ataque no nordeste do país, anunciou em um comunicado a Missão das Nações Unidas no Mali (Minusma).
O balanço provisório é de três capacetes azuis mortos, vários feridos -alguns deles em estado crítico-, um militar do Mali morto e outro ferido, informou a Minusma.
Segundo a mesma fonte, no ataque também morreram vários agressores e outros ficaram feridos.
Outros três capacetes azuis do contingente do Chade da ONU morreram em 26 de outubro no norte do Mali pela explosão de um artefato, que deixou outros dois feridos. Um deles morreu em 19 de novembro.
Em operação desde julho de 2013 e com cerca de 12.500 militares e policiais, a Minusma é a missão de manutenção da paz da ONU que mais teve perdas humanas.
Foram cerca de 150 cascos azuis mortos, 90 deles em atos hostis. Esse número representa mais da metade de todos os soldados da ONU mortos no mesmo período no resto do mundo.

Fonte: AFP

Argentina nega que submarino tenha sido atacado ou realizava missão secreta

A Marinha da Argentina afirmou nesta sexta-feira que o submarino ARA San Juan não estava realizando uma missão secreta quando desapareceu no Atlântico há nove dias e também destacou que não há indícios de que a embarcação foi alvo de ataque.

"O submarino estava navegando de Ushuaia para Mar del Plata, em uma rota direta na zona econômica exclusiva, perto do limite, exercendo o controle de soberania, como qualquer outra unidade da Marinha", disse o capitão Enrique Balbi, porta-voz do órgão.

"Não estava em uma missão secreta nem especial, mas exercendo controle de soberania. Não há nenhum indício de ataque, nem nada parecido", afirmou o porta-voz.

Com 44 tripulantes a bordo, o submarino se comunicou com sua base pela última vez na quarta-feira da semana passada. Poucas horas depois, segundo a investigação iniciada após o desaparecimento da embarcação, houve uma explosão na mesma região, mas ainda não se sabe se o incidente ocorreu dentro do submarino.

Apesar do auxílio aéreo, naval e logístico de 13 países, entre eles o Brasil, as equipes de busca e resgate ainda não conseguiram encontrar o submarino, aumentando a dor dos familiares dos tripulantes, que não tem notícias sobre o que ocorreu. 

Fonte: EFE

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ARA San Juan - Nota do GBN News aos familiares e amigos dos bravos "homens do mar"

Hoje em nota a Armada Argentina informou a perda das 44 vidas a bordo do seu submarino ARA San Juan, o qual sofreu sinistro e veio a explodir 3 horas após seu ultimo contato. Ao longo de 8 dias nos apegamos a esperança de encontrar esses bravos "homens do mar", dentre eles a primeira submarinista do hemisfério sul. 

Apesar dos amplos esforços, infelizmente ontem haveria se completado 7 dias desde que Deus recrutou esses bravos para compor sua Armada nos céus. Apesar de ser brasileiro, transpondo a nacionalidade, apresento minha solidariedade com nossos hermanos esse momento e ofereço minha solidariedade aos familiares vitimas dessa grande e dolorosa perda, a qual é imensurável.

Como jornalista, como homem de principios, pai e filho, deixo aqui nesta nota meu conforto aos pais, filhos e esposas dessas 44 vitimas. Aos Homens do Mar que dedicam suas vidas, enfrentando a face da morte, rendo as justas homenagens e honras, rogando a Deus que os receba em seus braços.

Angelo Nicolaci
editor do GBN News

ARA "San Juan" - Esperanças dão lugar a dor após confirmação de explosão

Após oito dias de ansiedade e esperanças, registros de anomalia hidroacústicas, confirmados também pela Austria, apontam para um trágico desfecho no drama envolvendo 44 tripulantes do submarino argentino que desapareceu no último dia 15 de  novembro.

A Armada Argentina afirmou nesta quinta-feira (23) que foi registrado um “evento anômalo” na região na qual o  ARA San Juan, que desapareceu há oito dias no Oceano Atlântico com 44 tripulantes a bordo.
Segundo o porta-voz da Armada, Enrique Balbi, o embaixador da Argentina na Áustria, Rafael Grossi, especialista nuclear, afirmou em comunicação com o Governo que a “anomalia hidroacústica” registrada na quarta-feira, dia 15 de novembro, na região na qual foi realizado contato pela última vez com submarino, foi “um evento anômalo singular curto violento e não nuclear, condizente com uma explosão”.
Em entrevista coletiva na sede central da Marinha, em Buenos Aires, Balbi pediu “prudência por respeito aos familiares” e asseverou que “até não ter certeza ou outros indícios” vai se continuar com “o esforço de busca do submarino e dos 44 tripulantes”, no qual estão participando até 13 países.
Após receber a informação e fazer uma análise nos Estados Unidos, ficou determinado que se deveria avançar nesse “indício oficial”, por isso que ao longo da madrugada foram deslo cados para a região várias unidades de diferentes nacionalidades, a fim de tentar localizar o submarino, algo que ainda não se conseguiu.
Neste sentido, Balbi afirmou que esse indício se confirma com a informação proporcionada pelo embaixador na Áustria. 

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com EXAME

Na mira do Judiciário e do Legislativo, foro privilegiado brasileiro é recordista em número de autoridades protegidas

Deputados, senadores, prefeitos, governadores, secretários estaduais, magistrados, promotores, desembargadores, ministros. O Brasil é recordista no número de autoridades com foro privilegiado - ou seja, que não são julgados pela Justiça comum, mas por tribunais de segunda e terceira instâncias.
Esse grupo seleto, mas de proporções significativas - cerca de 45 mil pessoas, segundo estimativa do presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso - pode sofrer a primeira restrição significativa desde a promulgação da Constituição de 1988, já que o tema está na pauta tanto do Legislativo quanto do Judiciário.
Nesta quarta, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara vota um Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que extingue a prerrogativa de foro para praticamente toda a lista, exceto para os chefes dos três Poderes. No dia seguinte, o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma julgamento que pode restringir o privilégio de políticos, que teriam acesso a ele apenas quando os crimes fossem cometidos no exercício da função e tivessem relação com ela.
O foro especial é utilizado em diversos países sob a justificativa de proteger cargos públicos-chave de perseguição política. A ideia é permitir que autoridades sensíveis a represálias e intimidação sejam julgadas por tribunais isentos, explica Newton Tavares Filho, consultor legislativo da Câmara. "A questão é que nós não temos provas concretas dessa isenção", pondera o especialista.
Autor de um estudo técnico que compara o sistema brasileiro com o de 16 outros países, Tavares Filho não encontrou nenhum tão abrangente quanto o do Brasil. De maneira geral, ele afirma, no resto do mundo o foro especial é restrito a poucos líderes, um número que dificilmente passa de algumas dezenas - presidentes da República, do Senado, da Câmara, primeiros-ministros.
Em muitos casos, a prerrogativa se limita aos delitos relacionados ao cargo e não abrange os crimes comuns, como no Brasil. Os crimes de responsabilidade, que ensejam os processos de impeachment, têm um conjunto de regras à parte, que também varia a depender do país.

Como funciona no resto do mundo

O sistema mais parecido com o do Brasil encontrado foi o da Espanha, onde todos os parlamentares têm direito a foro privilegiado e, por isso, são julgados apenas pela Câmara Penal do Tribunal Supremo. "Estamos falando de algumas centenas de pessoas, isso já é uma situação excepcional", diz Tavares Filho.
A lista também é longa na Colômbia, onde os congressistas - além de alguns magistrados, determinados agentes do Ministério Público, procurador-geral, controlador-geral etc. - estão sob a competência da Corte Suprema.
Os Estados Unidos são o extremo oposto. Nem o presidente americano tem prerrogativa de foro. Esse é um privilégio restrito a alguns diplomatas, embaixadores e cônsules - ou seja, é uma questão mais ligada ao direito internacional.
Na Alemanha, o foro existe apenas para o presidente, que é julgado pela Corte Constitucional em casos de impeachment, previsto para qualquer violação da lei constitucional ou da lei federal. Para ser aberto, o processo precisa passar por uma moção no Bundestag e no Bundesrat, equivalentes à Câmara e ao Senado.
A constituição francesa, por sua vez, dá imunidade ao presidente, que não pode ser sujeito a nenhuma ação, ato de instrução ou ato persecutório perante nenhuma jurisdição ou autoridade administrativa enquanto estiver no cargo. Os casos de impeachment tramitam em uma corte especial formada por membros do Congresso.
Em 1993, os ministros de Estado franceses perderam o foro privilegiado na Suprema Corte e passaram a ser julgados pela Cour de Justice de la République, formada por 12 parlamentares e 3 juízes, apenas nos casos em que os delitos estão diretamente ligados ao cargo. O órgão foi recentemente definido como "jurisdição de exceção" pelo presidente Emmanuel Macron, que é favorável à sua supressão.

No Brasil, o foro já foi ainda mais amplo

Mas se hoje o Brasil se destaca pelo alcance das categorias com foro especial, a situação já foi ainda mais abrangente.
Até 1999, a prerrogativa de foro por função no Brasil valia mesmo depois do fim do exercício funcional - no caso dos políticos, do mandato. A previsão foi estabelecida pela Súmula 394, editada em 1964 e cancelada pelo próprio STF.
Foi ela que garantiu que o ex-presidente Fernando Collor fosse julgado em 1994 pelo Supremo na ação penal que apurava a prática de corrupção passiva. Ele foi absolvido por falta de provas. A mudança na regra permitiu que as denúncias contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, fossem enviadas à primeira instância.
O presidente em exercício continua sendo processado e julgado pelos ministros do STF, mas apenas com autorização da Câmara dos Deputados. O caso recente envolvendo Michel Temer é ilustrativo nesse sentido. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral de República (PGR) duas vezes neste ano, mas o plenário da Casa bloqueou o prosseguimento. O processo fica parado até o peemedebista deixar o Planalto e, depois disso, será enviado à primeira instância.
O ex-ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) José Augusto Delgado lembra que até recentemente os governadores também gozavam da blindagem do Legislativo. Para que fossem processados no STJ, era preciso que as assembleias estaduais permitissem.
Duas decisões do STF de maio, uma delas envolvendo processo que tinha como réu o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), mudaram a jurisprudência sobre o assunto.
"Eu passei 17 anos no tribunal, recebi vários processos contra governadores. Em nenhum deles a assembleia permitiu que eles se tornassem réus", diz ele, que integrou o STJ entre 1995 e 2008.

O que está em discussão

De autoria do senador Álvaro Dias (PV-PR), a PEC 337/2017 prevê o fim do foro especial para praticamente todas as autoridades hoje previstas na lei. A exceção seria o presidente da República, seu vice e os presidentes da Câmara, do Senado e do STF.
O projeto já passou pelo Senado e está em fase final de tramitação. Na quarta-feira ele será votado na CCJ e, se aprovado, passa para o plenário, onde enfrentará dois turnos.
No STF, o julgamento desta quinta-feira é para restringir o foro somente aos casos ocorridos durante e em razão do cargo ou mandato, não de atos anteriores. Ele foi iniciado em junho, mas interrompido depois que o ministro Alexandre de Moraes pediu vistas - ou seja, mais tempo para analisar o tema.
Já votaram Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e a presidente da corte, Cármen Lúcia, todos a favor da restrição. Durante a sessão, o ministro Gilmar Mendes criticou a proposta e rebateu afirmações de que a tramitação no Supremo seria morosa e favoreceria a prescrição das penas. Para ele, a primeira instância seria "muito mais falha" para julgar casos criminais. Ele citou como exemplo o caso do Massacre do Carandiru, ocorrido em 1992 e ainda em aberto.
A mudança discutida no STF é mais branda, explica Tavares Filho, porque a corte não tem a prerrogativa de alterar a Constituição, mas apenas de interpretá-la. A extinção do foro, por exigir uma alteração da Constituição, precisa passar pelo Legislativo.
O caso específico em julgamento é uma questão de ordem proposta por Barroso na Ação Penal 937, que analisa a situação do prefeito de Cabo Frio (RJ), Marquinho Mendes (PMDB).
Denunciado por compra de votos nas eleições de 2008, o político cumpriu o mandato, assumiu como deputado federal em 2015 como suplente de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e, em 2016, foi eleito pela terceira vez em Cabo Frio, fazendo com que seu processo mudasse de foro diversas vezes.
A iniciativa do STF, na avaliação de Tavares Filho, é um sintoma do excesso de atribuições da corte. Especialmente depois do início da operação Lava Jato, ele pondera, o Supremo tem se ocupado cada vez mais com processos envolvendo políticos, e acaba se pronunciando em paralelo sobre uma série de questões importantes, de aborto a união homoafetiva.
"O Supremo não tem agilidade suficiente para julgar (todos os casos que recebe) e não está aparelhado para isso", comenta.
A transferência do foro para as instâncias de primeiro grau, avalia o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, daria celeridade aos processos e evitaria que um maior número de crimes prescrevesse antes do julgamento.
"Em três anos de Lava-Jato, o STF não tem uma condenação, enquanto o juiz (Sergio) Moro tem mais de cem", ele acrescenta.
O ex-ministro do STJ José Augusto Delgado defende o fim do privilégio e chama atenção para o protagonismo que os magistrados mais jovens, que em geral estão nas instâncias inferiores, receberiam com a mudança.
"Ao serem chamados a proferir decisões contra autoridades, eles não poderão se deixar pelo prestígio e pelas pressões do julgamento", aconselha.

Fonte: BBC Brasil

Putin recebe Rouhani e Erdogan para conversas sobre Síria

Presidentes da Rússia, Irã e Turquia discutem soluções diplomáticas para guerra e planejam congresso com representantes de todas as partes do conflito. Putin fala em "oportunidade real" de pôr fim a anos de violência.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu na última quarta-feira (22), em Sochi, com os líderes do Irã, Hassan Rouhani, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para discutir soluções diplomáticas para o conflito sírio, à medida que se acalma a batalha contra o "Estado Islâmico" e grupos rebeldes.

Após o encontro, os presidentes anunciaram ter concordado sobre a realização de um "congresso dos povos" na Síria em que estariam representadas todas as partes do conflito, com o objetivo de chegar a uma solução política para a guerra civil, que já dura seis anos.

Em declaração conjunta, os líderes clamaram para que o governo sírio e a oposição moderada "participem de forma construtiva" dessas conversas, que ainda não têm data para acontecer. Eles também destacaram a importância de que todas as partes liberem prisioneiros e reféns e criem condições para uma trégua duradoura.

"O congresso abordará questões-chave da agenda nacional síria", afirmou Putin a repórteres, sentado ao lado de Rouhani e Erdogan. "Em primeiro lugar, a elaboração de um quadro para a futura estrutura do Estado, a adoção de uma nova Constituição e, com base nisso, a realização de eleições sob supervisão das Nações Unidas."

O presidente russo acrescentou que o evento tentará reunir todos os grupos da oposição e do governo de Bashar al-Assad, mas não especificou quem será convidado a compor a mesa de discussões. Os ministros do Exterior da Rússia, Irã e Turquia ficaram encarregados de preparar uma lista de participantes, bem como definir uma data para que o congresso seja realizado.

Segundo agências de notícias internacionais, o encontro deve ocorrer em Sochi antes da próxima ronda de conversações de paz para a Síria, mediada pela ONU, que está marcada para a próxima semana em Genebra, na Suíça.

Rouhani também se mostrou otimista e afirmou que o chamado "congresso dos povos" é uma oportunidade para que a paz seja alcançada na Síria. "Os próximos passos vão em direção a eleições livres e à segurança e estabilidade" no país do Oriente Médio, declarou.

Erdogan, por sua vez, disse que os resultados das conversas em Sochi são um primeiro passo importante para seguir trabalhando pelo fim do conflito sírio, mas destacou que "o êxito desses esforços depende das posturas das partes, sobretudo do regime e da oposição".

Mais cedo nesta quarta-feira, antes da reunião com os demais líderes, Putin havia comemorado o que chamou de "um golpe decisivo contra os jihadistas", afirmando ter surgido "uma oportunidade real de pôr fim a muitos anos de guerra civil".

O chefe do Kremlin, que se reuniu com Assad nesta segunda-feira em Sochi, acrescentou que agora é possível "constatar com segurança que entramos em uma nova etapa, que abre a possibilidade de abordar um processo de regulação política".

Segundo Putin, tal cenário só foi possível com a estreita cooperação dos três países no processo de Astana, que permitiu adotar, há um ano, um cessar-fogo entre o regime sírio e os grupos armados da oposição, que é respaldada pela Turquia.

A Rússia e o Irã então entre os principais aliados do governo de Assad, tendo Moscou ajudado o Exército sírio com bombardeios aéreos desde 2015. Já a Turquia apoia os rebeldes sírios no conflito.

O presidente turco, antes da reunião nesta quarta-feira, chegou a lamentar que o regime de Assad ainda esteja no poder, mesmo "tendo as mãos sujas de sangue de centenas de milhares de cidadãos de seu país".

Fonte: Deutsche Welle

ARA "San Juan" - O que torna tão difícil achar um submarino?

Submarinos militares são construídos para atravessar os oceanos da forma mais indetectável possível, sem ser reconhecidos por inimigos e espiões. Entenda como.

O último contato do submarino argentino ARA San Juan aconteceu há uma semana, na quarta-feira (15), quando a tripulação relatou uma avaria no sistema de baterias. Deste então, as equipes de resgate correm contra o tempo para salvar a vida dos seus 44 tripulantes.

O ARA San Juan é um submarino militar, concebido para participar de missões secretas de vigilância. Agora, todos se perguntam: por que é tão difícil encontrá-lo?

Submarinos militares são construídos para atravessar os oceanos da forma mais indetectável possível – sem ser reconhecidos por inimigos, adversários e espiões. Eles raramente emergem para estabelecer contato de rádio ou telefone com suas centrais de comando, permanecendo geralmente em silêncio.

Mas é claro que isso não se aplica a uma emergência. Nesse caso, a tripulação deve chamar a maior atenção possível: ela pode emitir alerta de socorro na superfície, como também batidas ou outros sons debaixo d'água.

A forma do submarino, no entanto, pode ser um empecilho, pois ele foi projetado para absorver o maior número possível de sinais acústicos.

Um submarino "invisível"?
Submarinos modernos construídos com tecnologia "stealth" – que permite a maior inviabilidade possível – são, por exemplo, os do tipo A212 da Marinha alemã ou o SAAB A26 da Força Naval sueca. Eles foram desenvolvidos na década de 1990 e, desde o início, foram concebidos como submarinos indetectáveis.

Eles quase não emitem ruído ou calor e refletem o mínimo possível os impulsos de radar e sonar. O ARA San Juan não pode ser comparado com esses submarinos.

O submarino argentino foi construído pelo estaleiro alemão Thyssen Nordseewerke e entrou em operação já em 1985. Mais tarde, ele recebeu uma modernização, concluída em 2013. Mas, em princípio, todo submarino militar é construído de forma a emitir o menor número possível de sinais – isso também vale para o ARA San Juan.

Já na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha construiu submarinos com capacidade de invisibilidade. O primeiro deles foi o tipo VII da Marinha alemã. Ele foi projetado para reduzir o tanto quanto possível o ruído de motor e, ao emergir, emitir um sinal de radar o mais fraco possível. Desde então, os fabricantes de submarinos desenvolveram cada vez mais formas de tornar esses veículos subaquáticos "invisíveis". 

Dispersão em vez de reflexão
O maior perigo para navios e aviões – mas também para submarinos – vem do radar. Ele funciona de forma que as ondas eletromagnéticas sejam refletidas por um material sólido e, de preferência, metálico.

Os iates feitos de plástico reforçado com fibra refletem essas ondas apenas fracamente, sendo na verdade também barcos invisíveis. Só que nesse caso, isso não é algo desejado. Por esse motivo, eles possuem na maioria das vezes um refletor de radar em seu mastro – um octaedro feito de chapa metálica. Assim, o navio se torna reconhecível para os radares.

Quando querem tornar um navio grande invisível, os construtores recorrem de forma semelhante a superfícies plásticas. Isso faz com que, em vez de refletidas, as ondas de radar sejam espalhadas em todas as direções possíveis.

Os projetistas constroem a fuselagem de navios ou aviões num ângulo peculiar, o que faz com que os sinais sejam irradiados numa direção diferente. Nos submarinos, este truque é usado com menos frequência. Aqui, o mais importante é a forma aerodinâmica ideal: quanto melhor o deslocamento do submarino, menor será a emissão de ruído e calor do motor.

Evitar o magnetismo
Atualmente, em submarinos militares, são utilizados praticamente apenas materiais não magnéticos, como aço inoxidável ou titânio. Isso tem a ver com o fato de que muitas minas submarinas estão equipadas com detonadores magnéticos. Se o casco de um navio passar muito perto, elas explodem.

No entanto, se o submarino não é magnético, é provável que ele passe incólume por uma mina submarina. Essa é também uma vantagem para evitar outros detectores eletromagnéticos.

Absorventes acústicos 
O que se aplica às ondas de radar também se aplica aos ruídos. O principal instrumento para o rastreamento do fundo do mar é o sonar. Ele emite um sinal sonoro que é refletido pelo solo oceânico. Dependendo do tempo de retorno e da intensidade do sinal, o sonar pode detectar a profundidade da água ou se o solo é rico em sedimentos, coberto de vegetação ou rochoso.

Novamente, um revestimento adequado pode absorver grande parte do sinal do sonar. Assim, na tela, o submarino pode aparecer somente como um difuso monte de lama.

Os possíveis inimigos também não devem saber o que está acontecendo no submarino. Mesmo o barulho de uma escotilha ou o tilintar de panelas pode revelar a sua posição. Ainda mais evidentes são os ruídos de motores e propulsão.

Por esse motivo, dentro de um submarino, tudo que puder se chocar provocando ruídos é isolado e acolchoado com borracha. Somente motores silenciosos são utilizados e, durante uma missão submersa secreta, apenas sussurrantes motores elétricos entram em ação. O bom isolamento acústico também dificulta que a tripulação chame atenção através de batidas e pancadas.

Menor emissão possível de calor
Os submarinos também podem ser interceptados por meio do calor que produzem – por exemplo, com uma câmera de infravermelho a partir de um avião. Por esse motivo, os fabricantes tentam o tanto quanto possível reter o calor dentro do submarino ou ao menos dissipá-lo da melhor maneira.

Em todo caso, devem ser evitadas áreas em que a água apareça de forma bastante aquecida. A medida mais eficaz aqui também é: motores altamente eficientes. 

Carros, aviões e navios também podem ser interceptados por ondas eletromagnéticas, que eles mesmos emitem. Isso vale também, é claro, para os submarinos.

Tais ondas podem ser sinais de rádio ou outras radiações que emanam de dispositivos elétricos a bordo: sistemas de radar próprios, computadores, motores, telefones celulares, sistemas de armamentos e muito mais.

Todas essas fontes de radiação devem estar desligadas ou, se isso não for praticável, devem ser isoladas o tanto quanto possível.

Fonte: Deutsche Welle