domingo, 14 de julho de 2019

KC-390: O que representa a venda para Portugal?

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O recente anúncio realizado na última quinta-feira (11), confirmando a opção para compra de cinco aeronaves KC-390 pelo governo de Portugal, negócio que já era esperado há algum tempo, abre novas perspectivas de mercado para a maior e mais moderna aeronave já projetada e construída no Brasil.

O KC-390 tem despertado os olhares de muitos operadores do vetusto C-130 “Hércules”, aeronave de origem norte americana que domina até então absoluto este nicho de mercado. Porém, com a chegada da nova aeronave brasileira ao mercado e o peso da idade sobre o projeto norte americano, o qual apesar de inúmeras variantes e melhorias implementadas ao longo de décadas, tem agora essa hegemonia de décadas ameaçada pela inovação e grande capacidade oferecida pela gigante brasileira, tendo ainda como fator de peso a ser considerado pelos hipotéticos clientes, a parceria que vem se desenvolvendo há certo entre a brasileira Embraer (EDS) e a gigante norte americana Boeing, o que vem a tornar o KC-390 uma grande aposta.

Portugal é um dos parceiros no Programa KC-390, tendo investido no desenvolvimento da nova aeronave e participando na produção de vários componentes da mesma, sendo um dos maiores parceiros da gigante brasileira. Naturalmente que a aquisição do KC-390 pelos portugueses seria questão de tempo, principalmente após o país europeu decidir abrir mão de realizar o programa de modernização e extensão do ciclo operacional da frota de C-130 “Hercules” operados pelo país em abril de 2018, destinando cerca de 10 milhões de Euros ao desenvolvimento do Programa KC-390, conforme noticiamos aqui no GBN Defense News.

A confirmação da opção de compra de cinco aeronaves KC-390 pelo governo lusitano é muito mais significativa que a venda destas aeronaves propriamente dito, e mesmo mais relevante que o fato de ser a primeira exportação desta aeronave, pois trata-se da entrada dessa nova aeronave na OTAN, a mais importante aliança militar no mundo, a qual tende a observar o “case” português e consequentemente avaliar o KC-390 como uma real opção as suas necessidades logísticas, tendo em vista principalmente a avançada idade de suas aeronaves de transporte da categoria em que se insere o KC-390, sendo um potencial substituto para os C-130 em operação no “velho continente” e demais membros e parceiros globais da OTAN.

O negócio com Portugal nos oferece grandes perspectivas no mercado europeu, onde adentramos com pé direito, alicerçados não apenas pelo fato de fornecer cinco aeronaves aos portugueses, mas por ter o país europeu como um dos parceiros de peso no programa, oferecendo um importante suporte á futura frota de KC-390 no continente europeu, um negócio que a longo prazo será muito maior que os 827 milhões de Euros envolvidos diretamente no acordo que prevê além das cinco aeronaves, o fornecimento de um simulador de voo e suporte a frota por 12 anos.

Além de Portugal, espera-se que em breve a República Tcheca anuncie sua opção de compra do KC-390, assim como outros países que já demonstraram interesse na aquisição desse que promete ser o novo sucesso de vendas da Embraer (EDS), a qual vem mantendo conversas com a Boeing para criação de uma nova parceria visando explorar em conjunto o bilionário mercado que se abre com a entrada do KC-390 no mercado.

A Embraer deverá entregar em breve o primeiro KC-390 à Força Aérea Brasileira, marcando o início de uma nova fase na história da aviação de transporte da FAB, com a primeira aeronave do contrato firmado com Portugal sendo entregue em 2023.

Nós temos um grande orgulho de ver o surgimento de um novo marco da indústria aeroespacial brasileira, tendo já tido a oportunidade de conferir de perto essa fantástica aeronave e desejamos a toda equipe da Embraer (EDS) sucesso nesse importante programa que nasceu a partir do requerimento da Força Aérea Brasileira para uma aeronave de transporte que substituirá o C-130. Ao longo da história o relacionamento entre a FAB e a Embraer deram origem a aeronaves de sucesso internacional, como o “Bandeirante”, T-27 “Tucano”, AT-29 “Super Tucano” e agora o KC-390.


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Texto e Fotos: Angelo Nicolaci

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Incêndio em submarinos, adestramento e prevenção deste sinistro na Marinha do Brasil.

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No último dia 1 de julho, o incêndio á bordo do submarino de pesquisas russo, AS-12 conhecido como "Losharik", ganhou as mídias trazendo a tona a discussão sobre sinistros aos quais estes navios estão sujeitos, principalmente os incêndios, como este que vitimou 14 membros de sua tripulação.

Em face deste sinistro, resolvemos abordar um pouco sobre a doutrina de emprego de submarinos na Marinha do Brasil, focando os procedimentos e adestramentos voltados para lidar com este que é um dos mais mortais e perigosos sinistros que podem ocorrer dentro de um ambiente complexo como o submarino.

Como todos sabem, o submarino é um meio que se caracteriza pela ocultação, explorando o fator surpresa para obter a iniciativa das ações em combate. Dessa forma, um dos principais desafios na operação de um submarino convencional é a capacidade de operar de forma isolada, sem ser detectado e afastado de sua base, por um longo período de tempo.

Com isso surge a necessidade de concentração de grandes volumes de combustível, armamentos e gêneros, juntamente com equipamentos que requerem alimentação elétrica, tudo isso em espaço confinado e diminuto, exigindo também um elevado grau de prontidão e adestramento de sua tripulação para que, em casos de incidentes ou acidentes, o tempo de reação seja o menor possível, o que apresenta um grande desafio.

A análise e o gerenciamento de risco na atividade de submarinos se caracterizam pela busca constante pela compreensão dos cenários que compõem os potenciais incidentes e a identificação de vulnerabilidades, visando sempre reforçar e treinar as ações de prevenção.

Para reduzir os riscos intrínsecos à sua operação, o submarino é permanentemente guarnecido por pessoal de serviço, mesmo quando atracado em sua base. São realizadas inspeções rotineiras em intervalos curtos de tempo em todos os compartimentos, a fim de garantir a manutenção da segurança a bordo.

Quando identificados algum princípio de sinistro ou algo fora da normalidade, é o pessoal de serviço responsável pelo primeiro alarme e tomada das primeiras providências. Cabe também ressaltar que é parte importante da cultura profissional do submarinista, reforçada desde as fases mais básicas da formação e treinamento, o “duplo-cheque”. Isso quer dizer que os procedimentos e manobras são frequentemente realizadas por um submarinista e revistas por outro, o que reduz consideravelmente os riscos de falha humana.

Como é o treinamento recebido pelas tripulações de nossos submarinos?

Os tripulantes são individualmente treinados em combate a incêndio, por meio de curso ministrado em um dos Centros de Adestramento da Marinha, como o Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão (CAAML), localizado no bairro de Parada de Lucas no Rio de Janeiro, onde tivemos a oportunidade de conhecer e acompanhar um pouco dos adestramentos de CAv e CBINC ministrados aos tripulantes de diversos meios da Esquadra. Adicionalmente, durante os cursos de formação de submarinistas, oficiais e praças tem os diversos procedimentos de CAv e CBINC previstos treinados em simuladores.

Ao embarcar em um submarino, cada militar passa por adestramentos especificos, nos quais são ministradas as particularidades daquele meio, além de exercícios simulados de sinistros para que sejam qualificados a concorrer à escala de serviço daquele submarino. Adicionalmente, cada meio possui uma programação de adestramentos de combate a avarias, a fim de manter o nível de qualificação e prontidão da tripulação.

Como é composta a equipagem destinada ao combate a incêndios em submarinos?

Na Marinha do Brasil, a equipagem de combate a incêndio dos submarinos é composta por roupas especiais para este fim, extintores de incêndio classes A, B, C, pó químico e a possibilidade da utilização de mangueiras com água do mar, além de redes de ar para respiração de emergência através de máscaras individuais. Para localização de focos de incêndio em ambiente já contaminado por fumaça, em que a visibilidade esteja comprometida, são empregadas, ainda, câmeras especiais capazes de realizar um “imageamento térmico” do local.

Qual procedimento padrão neste tipo de sinistro?

Devido às peculiaridades de um submarino convencional, o principal foco é manter um nível de adestramento alto, com elevado grau de prontidão, para que se possa responder à ocorrência de um incêndio logo em seu início.

A regra, de ouro para qualquer navio, é ainda mais importante para os submarinos, tendo em vista os efeitos graves e imediatos da propagação de fumaça e redução crítica de concentração de oxigênio em ambiente reduzido e confinado, sendo extremamente mortífero, como foi no caso recente envolvendo o submarino russo, no qual foram perdidas 14 vidas durante o sinistro.   

Em uma primeira resposta, são utilizados extintores de incêndio, de acordo com sua classe, guarnecidos pelo pessoal de serviço trajado com macacão padrão, acrescido de capuz e luvas de proteção. O submarino também dispõe de uma rede de ar de respiração de emergência, que permite à tripulação combater o incêndio mesmo na presença de fumaça. Caso seja necessário, uma segunda equipe continuará o combate ao incêndio, melhor equipada, trajada de roupa específica e máscara de respiração individual.

Existe, ainda, a possibilidade de emprego de mangueiras de água do mar. Esse procedimento é realizado apenas em último caso, tendo em vista os riscos decorrentes pela presença de equipamentos elétricos e dos efeitos do embarque de água para a estabilidade e controle hidrostático do submarino.

Diante de um incêndio a bordo, a primeira medida é o acionamento do alarme geral, seguido da disseminação do sinistro através do circuito de som interno. Quando atracado, o apoio de pessoal de terra é solicitado. Em seguida são cumpridas as listas de verificação para o sinistro, as quais basicamente implicam no isolamento elétrico e mecânico do compartimento onde ocorre o incêndio.

O primeiro combate é realizado pela equipe de ataque, enquanto uma outra equipe se prepara. As ações são coordenadas por um oficial do submarino, o Chefe de Máquinas, sob a constante supervisão e responsabilidade do Comandante. Caberá a ele avaliar as consequências imediatas e tomar decisões compatíveis com o cenário tático corrente, em face das restrições impostas ao submarino e sua operação, pelo sinistro em andamento.

De maneira geral, as ocorrências mais graves a que submarinos estão expostos são os incêndios na praça de baterias, praça de máquinas e quadro de força auxiliar, pois produzem as restrições mais incapacitantes para o meio, que provavelmente ficará sem propulsão e recursos de manobra e sensoriamento, impossibilitando o seu retorno à superfície e mesmo de comunicação.


O primordial, em casos de sinistros dessa natureza, é que o incêndio seja controlado desde o seu início, o que é possível com o contínuo treinamento de sua tripulação, a fim de que o tempo decorrente entre alarme e resposta seja o menor possível.

A Marinha do Brasil possui uma longa tradição na operação de submarinos, mantendo um alto indice de segurança no que tange a ocorrência de sinistros a bordo e o controle dos mesmos, possuindo um alto grau de eficiência e presteza no emprego deste importante meio, sem o registro de grandes incidentes ou acidentes ao longo de mais de um século de história.

Em breve o GBN Defense News irá lançar uma série especial sobre esta importante arma naval, e no desenvolver da mesma abordaremos um pouco mais sobre as particularidades deste meio, o qual é apontado como a mais temível ameaça no cenário de guerra naval.

Aproveito para mais uma vez agradecer ao apoio dado pelo CCSM, sem o qual não seriamos capazes de produzir um conteúdo de tamanha qualidade e profissionalismo, o qual esta alicerçado em nossa missão de trazer ao público um conteúdo que retrate a realidade no que tange a defesa e o emprego dos diversos meios e sistemas que o compõe.

Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio, leste europeu e América Latina, especialista em assuntos de defesa e segurança.


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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Embraer (EDS) anuncia com a ELTA novo P600 AEW

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A Embraer Defense & Security e a ELTA Systems, subsidiária da Israel Aerospace Industries (IAI), assinaram nesta segunda-feira (18), durante o Paris Air Show, um Acordo de Cooperação Estratégica para desenvolvimento do P600 AEW (Airborne Early Warning). aeronave projetada para competir no nicho de aeronaves AEW.  Esta aeronave de nova geração é baseada na avançada plataforma super midsize do moderno jato executivo Embraer Praetor 600. O principal sistema do P600 AEW é o radar AESA (Digital Active Scanned Array) de 4ª geração desenvolvido pela IAI/ELTA, o qual apresenta capacidade IFF integrada.

Nessa cooperação, a Embraer Defence & Security (EDS) irá fornecer a plataforma aérea, suporte terrestre, sistemas de comunicação e a integração da aeronave, enquanto a ELTA fornecerá o radar AEW, o sistema de inteligência (SIGINT) e outros sistemas de missão, além de realizar a integração de sistemas.

O P600 AEW chega para disputar um crescente mercado que busca soluções para cumprir missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, se mostrando uma opção flexível e de alto desempenho, oferecendo um aeronave capaz de cumprir um vasto envelope de missões, se mostrando um valioso recurso de defesa e segurança. O Embraer P600 terá como plataforma o "Praetor 600", aeronave executiva de porte médio apontada como a de melhor desempenho em sua categoria, oferecendo alcance intercontinental com excelente capacidade de carga útil, alta disponibilidade, confiabilidade e baixo custo do ciclo de vida. Juntamente com a avançada tecnologia embarcada, com destaque para o radar da ELTA, o P600 AEW oferece em sua concepção sistemas avançados e com capacidades comprovadas, apresentando aos seus futuros operadores recursos disponíveis até então apenas em plataformas muito maiores.

O P600 AEW pode fornecer um panorama situacional aéreo de longo alcance, monitorando a atividade aérea em áreas fora da cobertura dos radares terrestres. Dentre o envelope de missões que a nova aeronave poderá executar, se destacam a capacidade de executar missões de Defesa Aérea, Alerta Aéreo Antecipado, Comando e Controle, Defesa Territorial e Vigilância Marítima. Além disso, o P600 AEW pode ser configurado com toda a gama de sistemas de controle e sensores AEW & C, incluindo o moderno radar digital AESA de 4ª geração, IFF civil e militar, ESM/ELINT com capacidade de Receptor de Aviso de Radar, Comando e Controle, pacote de comunicação abrangente, incluindo operações em Redes de Dados e Links de Satélite, e um robusto sistema avançado de autoproteção  (Self Protection Suite - SPS).

O moderno sistema de comunicações abrange a capacidade de comunicação por link de dados, bem como a comunicação por satélite. Também assegura a interoperabilidade com forças aliadas. O recurso de guerra centrada em rede (NCW) pode transformar o P600 AEW em membro de uma rede tática. Um sistema avançado de autoproteção (SPS) realiza a detecção de ameaças potenciais, ativando quaisquer medidas de suporte eletrônico necessárias.

“Esta aeronave oferece desempenho e flexibilidade superiores que se traduz na proposta de maior valor em sua categoria”, disse Jackson Schneider, presidente e diretor executivo da Embraer Defence & Security. “Ele pode ser facilmente configurado para atender às necessidades do cliente e pode executar uma ampla gama de missões de maneira muito eficiente e econômica”.

“Como parte da nova estratégia da IAI, estamos intensificando nossas colaborações com parceiros globais, alavancando o know-how e a tecnologia acumulada ao longo de décadas de operações aeroespaciais e de defesa. Como pioneiros em AEW, a ELTA Systems fez grandes progressos ao longo dos anos para oferecer recursos AEW econômicos para as crescentes e mutáveis ​​necessidades globais ”, disse Yoav Tourgeman, presidente da ELTA e vice-presidente executivo da IAI. “Nossa parceria, forjada com a Embraer Defence & Security, nos permite introduzir neste novo segmento de mercado, oferecendo um sistema AEW econômico de médio porte”.

A Embraer este ano comemora 50 anos de existência, possuindo uma consagrada história de sucesso ao longo de décadas, tendo como ponto de partida o "Bandeirante", aeronave que levou a criação da gigante brasileira, a qual recentemente teve sua área de Aviação Comercial vendida a gigante norte americana Boeing, onde este setor passou a se chamar Boeing Brazil, absorvendo todo portfólio comercial da brasileira, a qual agora passa a contar em sua estrutura com as áreas de Aeronaves Executivas, Defesa e Segurança e a Aviação Agrícola. A nacional que empresa projeta, desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves e sistemas, fornecendo serviços e suporte aos clientes pós-venda, representando uma significativa parcela do PIB brasileiro, sendo o principal exportador de mercadorias de alto valor agregado no Brasil. 

O lançamento do P600 AEW marca uma nova página na história da empresa, sendo o primeiro projeto após a aquisição do setor comercial pela Boeing, mostrando que a mesma ainda possui um vasto portfólio e visão aguçada para identificar novos nichos de mercado. Desde que foi fundada em 1969, a Embraer já entregou mais de 8.000 aeronaves. Em média, a cada 10 segundos uma aeronave fabricada pela Embraer decola em algum lugar do mundo, transportando mais de 145 milhões de passageiros por ano. No setor de defesa, foi responsável pelo desenvolvimento e produção de aeronaves que se tornaram ícones da aviação, como as aeronaves AMX, desenvolvida em parceria com italianos, o AT-27 "Tucano" e o A-29 "Super Tucano", um grande sucesso de exportação e que esta na mira da USAF, além do KC-390, maior aeronave já desenvolvida e produzida no Brasil.

Este novo projeto tende a se tornar um grande sucesso de exportações, tendo em vista as capacidades que estão sendo propostas para uma aeronave de características ímpares neste nicho, aliando eficiência e baixo custo, o que irá atrair clientes que não possuem orçamento para aquisição/operação de meios mais complexos e dispendiosos, sendo inclusive uma excelente opção para aquisição pela Força Aérea Brasileira, podendo assim complementar os meios que já dispomos e ampliando sobremaneira nossa capacidade de defesa e controle do nosso espaço aéreo, se mostrando uma solução bastante equilibrada somada ao F-39 Gripen BR, KC-390 e os demais meios operativos, pode elevar nossas capacidades de maneira a dar ao Brasil o status mais poderosa força aérea da América Latina, e passando a figurar entre as principais no mundo.

Nosso amigo e parceiro, Comte Robinson Farinazzo, já colocou no ar uma interessante análise deste projeto apresentado pela EDS esta semana, e vale muito a pena conferir mais esta primorosa análise, o que irá ampliar seu conhecimento, então acesse agora o Canal Arte da Guerra e confira esta análise.




GBN News - A informação começa aqui
com informação da Embraer e IAI/Elta
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terça-feira, 11 de junho de 2019

11 de junho, Batalha do Riachuelo: 154 anos da vitória

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Hoje é um dia histórico para o Brasil e sua Marinha, data em que celebramos o 154º aniversário de nossa vitória na Batalha do Riachuelo, Data Magna da Marinha do Brasil, sendo uma das mais importantes vitórias do Brasil no conflito com nossa nação vizinha o Paraguai, guerra que durou de 1864-1870. 

Batalha do Riachuelo, travou-se a 11 de junho de 1865 às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de Corrientes, na Argentina.

O Paraguai não tinha uma saída direta para o mar, uma vez que a bacia estava em mãos da Argentina e do Uruguai, este último em constante disputa entre os interesses da República Argentina e do Império do Brasil. Por essa razão, as fortificações mais importantes do Paraguai tinham sido erguidas nas margens do baixo curso do rio Paraguai.

No início do conflito, as tropas paraguaias já haviam ocupado áreas da então Província do Mato Grosso (atual Estado do Mato Grosso do Sul), no Império do Brasil, e da República da Argentina. Se vencessem a batalha do Riachuelo, poderiam navegar livremente pelo rio Paraguai, descer o rio Paraná, conquistar Montevidéu no Uruguai e de lá ocupar a então Província do Rio Grande do Sul. Formando o sonhado Grande Paraguai, que se abriria ao comércio atlântico com as demais nações.

Coube ao então Almirante Joaquim Marques Lisboa, conhecido "Almirante Tamandaré", o comando das Forças Navais do Brasil em Operações de Guerra contra o Governo do Paraguai. A Marinha do Brasil representava praticamente a totalidade do Poder Naval presente no teatro de operações. O Comando-Geral dos Exércitos Aliados era exercido pelo Presidente da República da Argentina, General Bartolomeu Mitre. As Forças Navais do Brasil não estavam subordinadas a ele, de acordo com o Tratado da Tríplice Aliança. A estratégia naval adotada pelos aliados foi o bloqueio. Os rios Paraná e Paraguai eram as artérias de comunicação com o Paraguai. As Forças Navais do Brasil foram organizadas em três Divisões: Uma permaneceu no Rio da Prata e as outras duas subiram o Rio Paraná para efetivar o bloqueio.

Com o avanço das tropas paraguaias ao longo da margem esquerda do Paraná, na Província de Corrientes, Tamandaré resolveu designar seu Chefe do Estado-Maior o Chefe-de-Divisão (posto que correspondia a comodoro, ou almirante de uma estrela em outras Marinhas) Francisco Manuel Barroso da Silva, "Almirante Barroso", para comandar a força naval que estava rio acima. Barroso partiu de Montevidéu em 28 de abril de 1865, na Fragata Amazonas, e se juntou à força naval em Bela Vista. A primeira missão de Barroso foi um ataque à cidade de Corrientes, que estava ocupada pelos paraguaios. O desembarque ocorreu, com bom êxito, em 25 de maio. Não era possível manter a posse dessa cidade na retaguarda das tropas invasoras e foi preciso, logo depois, evacuá-la, mas o ataque deteve o avanço paraguaio para o sul, ao longo do Rio Paraná. Ficou evidente que a presença da força naval brasileira deixaria o flanco dos invasores sempre muito vulnerável. Era necessário destruí-la, e isso motivou Solano López a planejar a ação que levaria à Batalha Naval do Riachuelo.

Na manhã de 11 de junho de 1865, domingo da Santíssima Trindade, por volta das 8:30. após ter sido arriado o sinal de rancho, preparam-se as toldas do Amazonas e do Jequitinhonha para a celebração da Missa. Perto das 9:00. a canhoneira Mearim, navio de vanguarda e de prontidão avançada, iça o sinal de Inimigo à vista, e logo após outro sinal: os navios avistados são em número de oito.. Barroso, a bordo da Fragata Amazonas, faz o primeiro sinal Preparar para o combate e depois Safa geralDespertar os fogos das máquinas e a seguir: "Suspender ou largar amarras por arinques e boias, ou até por mão, como melhor convier".

A primeira carga



Às 9:25, a esquadra brasileira está na formação em escarpa voltada águas acima. Barroso iça o sinal O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, seguido de outro, com instruções de combate: Atacar e destruir o inimigo o mais de perto que puder. Os paraguaios descem o rio, perfilham-se com a esquadra brasileira, trocam-se tiros, duas chatas paraguaias são afundadas, um terceira avariada e o Jejuí também é atingido e seriamente avariado e vai abrigar-se na beira do Riachuelo para reparos. A esquadra paraguaia desce o rio faz a volta um pouco abaixo do Riachuelo, torna águas acima e encosta-se na curva do Riachuelo a jusante das suas baterias de terra, as chatas são fundeadas e preparadas, aguardam a resposta brasileira. Descendo a frota paraguaia se estira ao longo e perto da margem esquerda do Paraná, entre a boca do Riachuelo e a saliência do Rincão de La Graña, a jusante dos 22 canhões inimigos assestados em terra.


A segunda carga




Às 10:50 - A esquadra brasileira começa a se mover águas abaixo na direção dos paraguaios, a "Amazonas" repete o sinal para Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder. A Corveta "Belmonte" vai a frente e abre fogo às 11:20, sofre com o fogo combinado dos navios e das baterias de terra, é fortemente fustigada, a água lhe invade o porão. Comunica à capitânea que as bombas não dão vazão e faz contramarcha, dirige-se ao banco mais próximo, na ilha Cabral e aí encalha para não ir a pique e se recuperar.



11:25 - A Amazonas investe na vanguarda e abre fogo contra as baterias inimigas e recebe a resposta a bala e metralha. Segue-lhe a Beberibe às 11:40. abre fogo, seguem-lhe a Mearim pelo canal e a Araguari, esta repele uma tentativa de abordagem dos inimigos Taquari, Marquês de Olinda e Paraguari. Às 11:50 A Ipiranga investe pelo canal trocando tiros com a linha inimiga e consegue atravessar. Às 12:10 a esquadra brasileira concluíra a primeira passagem águas abaixo.

De 12:05 às 13:00. A Jequitinhonha, segundo maior navio da esquadra do Brasil, encalha antes de passar pelo canal, a pouca distância das baterias de terra do Cel. Bruguez, é atacada com vigor pela artilharia das barrancas e responde a altura com os canhões de bombordo, mas não pode mover-se, ainda assim consegue repelir a tentativa paraguaia de abordagem simultânea pela Taquari, do Marques de Olinda'' e da Paraguari. A Parnaíba deixa a formação e vai águas acima em socorro da Jequitinhonha, bate o leme num banco e depois é atingida no leme, o comandante tenta governá-la só com as velas, mas vêm em sua direção o vapor Paraguari pela proa, o Taquari por bombordo e o Salto por estibordo. A situação da esquadra brasileira nesta hora é crítica: A Belmonte e a Jequitinhonha encalhadas fora de combate e a Parnaíba sofre a abordagem e a bandeira brasileira no navio é arriada.

*A luta pela Parnaíba.



Deu-se voz de preparar para abordagem, o comadante mandou tocar a máquina a toda força e foi sobre o Paraguari, este abriu-se quase ao meio, viu-se perdido e só teve tempo de buscar a praia e a tripulação o abandonou. No entanto a capitânea Taquari, o Salto e logo depois pela pôpa o Marques de Olinda realizaram a abordagem. Os paraguaios em luta corpo a corpo tomam o navio desde a pôpa até o mastro grande, nesta luta sobressaem do lado dos brasileiros o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh, o Imperial Marinheiro Marcílio Dias, o Capitão do 9º Batalhão de Infantaria Pedro Afonso Ferreira e o Tenente do mesmo batalhão Feliciano Inácio Andrade Maia mortos na defesa da embarcação e da bandeira. A bandeira brasileira é arriada pelos paraguaios. São 575 os atacantes e 263 os defensores. O comandante da Parnaíba dá ordens de incendiar o paiol de pólvora para que a embarcação não caia em mãos do inimigo. A luta dura uma hora, a esquadra brasileira, a Araguari e a Beberibe fazem águas acima e vêm em seu socorro, neste momento os navios paraguaios abandonam o costado da Parnaíba.

A terceira carga



Jejuí vai a pique

14:00. A batalha está na fase mais crítica e indecisa. A Amazonas tendo descido o rio e completado a volta investe águas acima e sinaliza sustentar o fogo que vitória é nossa e, por ordens de Barroso, joga a proa contra o casco do Jejuí e o põe ao fundo, a seguir joga a proa contra uma das Chatas paraguaias e a afunda. Livre da abordagem a Parnaíba iça novamente a bandeira brasileira. A fragata Amazonas avistando o Salto parado repetiu a manobra afundando-o, a manobra se repete mais uma vez contra o Marques de Olinda que atingido pela proa da Amazonas desce o rio desgovernado à deriva para encalhar mais abaixo. A esquadra paraguaia perde 4 embarcações e 4 chatas, o restante surpreendido pela manobra foge em retirada rio acima perseguida pela Beberibe e pela Araguari que os fustiga com os seus canhões até se distanciarem. Às 17:30 a batalha está terminada com clara vitória da esquadra comandada por Barroso, a Belmonte se acha alagada e inutilizada e a Jequitinhonha encalhada.
A vitória foi decisiva para a Tríplice Aliança, que passou a controlar, a partir de então, os rios da bacia platina até à fronteira com o Paraguai, garantindo todo o apoio logístico às forças de terra e bloqueando qualquer ajuda ou contato de López com o exterior.

Ficaram famosas na História Militar Brasileira as mensagens transmitidas às embarcações brasileiras pelo Almirante Barroso, através da sinalização de bandeiras:
  • "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!"

  • "Sustentar o fogo, que a vitória é nossa!


As Forças Navais envolvidas:

Brasil

A Força Naval Brasileira que bloqueava o rio Paraná estava fundeada ao lado do Chaco, a 25 km ao sul de Corrientes e fronteiro a um monumento denominado A Coluna, ereto na margem esquerda do rio. Era composta de 11 navios, mas no dia da batalha contava só com 9; outros dois: as canhoneiras Itajaí e Ivaí encontravam-se destacadas em ponto distante rio abaixo. A força era formada pela 2ª e 3ª Divisões da Esquadra. A frota composta de nove navios de guerra estava armada com 59 bocas de fogo, levando à bordo 1 113 fuzileiros navais e 1 174 soldados do Exército Imperial. Somavam um total de 2 287 homens. Seu comandante em chefe era o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva.
2ª Divisão Naval: Chefe de Divisão Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva
NavioCascoTon.Poder de fogoPotênciaNotasComandante
1 Fragata "Amazonas"(Capitânia)Aço Couraçado1050 t6
(1 70 £ e 5 68 £)
300 cvCapitão de Fragata
Teotônio Raimundo de Brito
2 Corveta "Parnaíba"Madeira Couraçado637 t7
(1 70 £, 2 68 £ e 4 32 £)
120 cvEncalhada.
Foi Seriamente avariada.
Capitão-Tenente
Aurélio Garcindo Fernandes de Sá
3 Canhoeira "Mearim"Madeira Couraçado415 t7
(3 68 £ e 4 32 £)
100 cvAlarmou a Armada ImperialPrimeiro-Tenente de Marinha
Elisiário José Barbosa
4 Canhoeira "Araguari"Madeira Couraçado400 t5
(3 68 £ e 2 32 £)
80 cvPrimeiro-Tenente de Marinha
Antônio Luís von Hoonholtz
5 Canhoeira "Iguatemi"Madeira400 t5
(3 68 £ e 2 32 £)
80 cvPrimeiro-Tenente de Marinha
Justino José de Macedo
3ª Divisão Naval: Comandante Capitão-de-Mar-e-Guerra José Secundino de Gomensoro
NavioCascoTon.Poder de fogoPotênciaNotasComandante
6 Corveta "Jequitinhonha"Madeira637 t7
(2 68 £ e 5 32 £)
130 cvEncalhada.
Destruída em combate no dia seguinte.
Capitão-Tenente
Joaquim José Pinto
7 Corveta "Belmonte"Aço Couraçado602 t8
(1 70 £, 3 68 £ e4 32 £)
120 cvEncalhada.
Foi Seriamente avariada.
Primeiro-Tenente de Marinha
Joaquim Francisco de Abreu
8 Canhoeira "Beberibe"Madeira560 t7
(1 68 £ e 6 32 £)
130 cvCapitão-Tenente
Joaquim Bonifácio de Santana
9 Canhoeira "Ipiranga"Madeira325 t7
(7 30 £)
70 cvPrimeiro-Tenente de Marinha
Álvaro Augusto de Carvalho



Paraguai

A marinha paraguaia era composta de 8 navios armados com 38 bocas de fogo, contando ainda com sete baterias flutuantes "chatas" comandadas por tenentes de artilharia, montando cada uma um canhão de 68 libras. Estas chatas eram rebocadas ao campo de batalha por um navio à exceção do "Salto Oriental" Entre a tripulação figuravam 400 marinheiros entre os oito navios e outros 72 a bordo das chatas. Somando 472 marinheiros que foram agregados com quinhentos combatentes do 6º Batalhão de Infantaria a bordo. A esquadra guarani era comandada pelo Comodoro Pedro Ignácio Mezza. Foram posicionadas nas barrancas da Foz do Riachuelo 22 peças de artilharia e duas baterias à "Congreve" com 1 200 atiradores do exército paraguaio que estavam posicionados em terra, comandados pelo Tenente-Coronel José María Bruguez. Dois outros navios da esquadra paraguaia não participaram do combate e ficaram fundeados águas acima do rio em razão de avarias, o Vapor Paraná, comandante Gutierres e o Vapor Yberá, sob comando do Tenente Pedro Victorino Gill, teve problemas mecânicos e atrasou a chegada da frota paraguaia ao campo de batalha.
NavioCascoTon.Poder de fogoPotênciaNotasComandante
1 Corveta Tacuarí(Capitânea)Aço730 t8
(2 68 £ e 632 £)
130 cvComodoro
Pedro Ignácio Mezza
2 Corveta "Paraguarí"Aço627 t8
(2 68 £ e 632 £)
120 cvAfundou em combate.Primeiro-Tenente de Marinha
José M. Alonso
3 Vapor "Ygureí"Madeira548 t7
(3 68 £ e 432 £)
130 cvCapitão de Corveta
Remigio Cabral
4 Vapor "Marquês de Olinda"Madeira300 t4
(4 18 £)
80 cvNeutralizado em combate e abordado.
Posteriormente destruído.
Tenente de Navio
Ezequiel Robles
5 Vapor "Salto Oriental"Madeira255 t4
(4 18 £)
70 cvAfundou em combate.Alferes de Marinha
Vicente Alcaraz
6 Vapor "Yporá"Madeira226 t4
(4 32 £)
80 cvCapitão de Fragata
Domingo Antônio Ortíz
7 Vapor "Jejuy"Madeira120 t3
(3 18 £)
60 cvAfundou em combate.Tenente de Marinha
Aniceto López
8 Vapor "Pirabebé"Ferro150 t1
(1 8 £)
60 cvCanhões ficaram indisponíveis.Tenente de Marinha
Toribio Pereira
9 Vapor "Rangel"Madeira90 tDesarmado50 cvRebocado para ser utilizado como navio transportePrimeiro-Tenente
Pedro Victorino Gill


O GBN homenageia nossos herois do passado e do presente, saudando nossa brava Marinha do Brasil por seus feitos e vitórias históricas que nos enchem de orgulho, e a sua disposição em manter-se atual e capaz em face das adversidades para defender e auxiliar nossa nação frente a toda ameaça e catastrofes.  Marinha do Brasil - Vitórias no passado, conquistas para o futuro
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sábado, 1 de junho de 2019

Conexão Itália-Brasil entrevistou Massimo Giuliani, militar italiano da reserva, sobre legítima defesa

1 comentários

O Tenente da Reserva do Exército Italiano (em italiano: Esercito Italiano),Massimo Giuliani, concedeu uma entrevista ao Conexão Itália-Brasil, onde no parceira Sandra Bandeira Nolli entrevistou o oficial da reserva sobre questões inerentes á legitima defesa e as leis que tratam da questão na Itália, o resultado vocês conferem conosco, onde publicamos essa
interessante conversa aqui no GBN News em parceria com o Conexão Itália-Brasil

Sandra Bandeira Nolli: "Ola,Massimo diretamente de Brescia, indicamos seu nome para nos descrever um pouco sobre defesa pessoal, segurança e a atividade militar italiana. Como iniciou sua carreira militar? 

Massimo Giuliani: "Sou reservista do exercito italiano, especificamente um oficial complementar da reserva.No decorrer de minha carreira me formei primeiramente em Ciências da Educação com Especialização em Processos de Treinamento, posteriormente realizei dois mestrados de Mediação Cultural e Gestão de Processos de Treinamento. A paixão pelas artes marciais, em particular pelo karatê, influenciou notavelmente o meu percurso, tanto que me atraiu a ideia de desenvolver uma atividade como treinador de esporte e defesa pessoal. Mas, sobretudo com relação a educação e autodefesa para todos os sexos e idades. 

Sandra Bandeira Nolli- Nós gostaríamos de saber através do teu trabalho como funciona a prevenção, defesa pessoal e a legislação no âmbito da formação e segurança publica na Itália. 

Massimo Giuliani: Na Itália foi recentemente aprovada no Senado a lei relativa a legitima defesa. Em poucas palavras, A REFORMA DA LEI DE LEGITIMA DEFESA. E o que muda... 

Sobretudo, vem introduzida uma nova prerrogativa ao ART 52 do Código Penal Italiano: ”Nao é punivel quem tenha cometido o ato por ter sido forçado pela necessidade de defender um direito próprio ou de outrem contra o perigo de uma infração, desde que a defesa seja proporcional à infraçao”. E com base na qual será sempre considerada em estado de legitima defesa, quem em ato legitimamente presente dentro do proprio domicilio ou do domicilio de outra pessoa (para ser entendido num sentido mais amplo, como em locais de atividade comercial ou profissional), age de modo a reagir á ação levada a cabo pela violência do agressor ou ameaça. 

Sandra Bandeira Nolli: Portanto, assim ficou estabelecida a proporcionalidade entre ofensa e defesa que sempre subsiste. E quais foram as outras mudanças?

Massimo Giuliani: A nova lei intervem ainda no ART 55, Relativo à disciplina excluindo o ato culposo, nas varias hipóteses de legitima defesa domiciliar, neste caso a punição daqueles que estando em condição de defesa em estado de séria perturbação, decorrente da situação de perigo, comete o ato para salvaguardar sua própria segurança ou de outros. O ART 624 do CP italiano recebe a emenda, desde que em casos de condenação por roubo ou furto em domicílio, a suspensão condicional da sentença está sujeita ao pagamento integral do valor devido para a compensação por danos à pessoa lesada. São também mais severas as penalidades para uma série de crimes contra a propriedade: roubo á domicílios, roubo de bagagem e circunstancia agravante de conduta, roubo, hipóteses agravadas e especiais. Em caso de violação do domicilio considera-se agravante quando é cometido com violência contra pessoas ou se o culpado está visivelmente armado. Finalmente, a lei intervém sobre a lei civil de auto defesa e ato culposo, especificando que, nos casos de legitima defesa domiciliar a responsabilidade da pessoa que executou o ato é excluída em qualquer caso, desta forma, o autor do fato, se absolvido em processo penal não é obrigado a compensar o dano resultante do mesmo acontecimento. 

Além disso, espera-se que, em casos de excesso negligente, a pessoa lesada seja reconhecida como tendo direito a uma indenização, calculada pelo juiz com justa apreciação, levando em consideração a gravidade. 

Sandra Bandeira Nolli: E como fica a assistência jurídica? 

Massimo Giuliani: Finalmente a assistência jurídica é garantida pelo estado, e introduzida em favor de alguém que tenha sido absolvido ou cujo processo criminal tenha sido indeferido por fatos cometidos em condição de legitima defesa ou ato culposo. A prioridade aos julgamentos relativos a crimes culposos de homicido, danos corporais culposos que ocorram nas circunstancias de defesa e no âmbito domiciliar. 

Sandra Bandeira Nolli: E sobre a atuação do oficial Massimo Giuliani, como pode ser definida? 

Massimo Giuliani: A vida me levou a representar funções sempre interligadas ao que foi mencionado acima e minha tarefa é basicamente realizada nas salas de aula, onde eu defino o que pode ser feito nestes casos. E possível a auto defesa? Se é possível e como fazer? E possível prevenir? Se é possível então como se prevenir?  Além de tudo isso e de acordo com as responsabilidades recebidas tanto da FIES (Federação Italiana de Educadores Físicos e Desportivos), como pelo louvável pelo CONI (Comite Olimpico Italiano) bem como pelo Centro Nacional contra o BULLYING-BULLI STOP em conjunto com o ARCH CARMEN SANSONETTI, promovemos as praticas certas a serem seguidas em direção a uma correta formação desde a infância. 

Lembramos que violencia é derrotada com a cultura. As boas praticas educativas se aplicam com modéstia, lealdade e transparência. 

Sandra bandeira Nolli: E em Brescia, como são essas praticas? 

Massimo Giuliani: A cidade de Brescia, incluindo a minha pessoa,sempre foi sensivel à auto defesa, especialmente para as mulheres. Mas,temos que fazer mais. Enquanto isso, tornar cultural o conceito de defesa pessoal e transforma-lo em prevenção. Passar mais horas em sala de aula com teoria e menos pratica. Entrar na mente dos participantes conscientizando-os sobre o que eles podem fazer em total tutela da lei e o que não è conveniente fazer, adotando outros comportamentos preventivos. 

Sandra Bandeira Nolli: Além de oficial da reserva do exercito italiano qual é o seu outro cargo de importância? 

Massimo Giuliani: Sou técnico da MGA (Defesa Pessoal Federal) e Comissario do Corpo Militar da Cruz Vermelha Italiana. Missões que devem fluir, propor necessariamente A NAO VIOLÊNCIA e sim a prevenção. Ensinar essa analise mental capaz de avaliar as varias configurações quotidianas em virtude de nossa proteção e destinada a prevenção. Realizamos cursos, seminários esportivos e informativos que visam o aprendizado das boas praticas a serem adotadas para desenvolver perspicácia e intelecto pessoal com o único proposito de modelar o cidadão para uma prevenção saudável e uma caracterização psicológica decisiva para a denuncia e não para a defesa física como recurso extremo. O amor pelos animais, a confiança mutua valorizando a analise das circunstancias, a capacidade de reconhecer através da comunicação não verbal quem pode ser nocivo de quem expressa diferentemente o contrario respeitando sexo, raça, aparência e as funções. 

Sandra Bandeira Nolli: Qual é a sua mensagem final? 

Massimo Giuliani: Confiem na instituição antes de usar a força física resultante da defesa pessoal. É importante catequizar com a formação os jovens. Eliminar o conceito de força representado por realidades não militares, que através de um pseudo mimético ou logos induzem ao conceito de guerra (caveiras,punhais,gladius,capas pretas,etc...) que manifestam violência antes mesmo de ser iniciada e que não transmitem a serenidade da alma. Acima de tudo presente nos locais como academias e outros lugares sendo atribuídas a outras coisas.


Sandra Bandeira Nolli é nossa colaboradora e parceira na Itália, onde desenvolve um trabalho cultural bastante relevante, colunista no jornal italiano "Val Trompia di Brescia", a qual agradecemos esta interessante entrevista que nos autorizou compartilhar aqui no GBN News, agradecemos também ao Comte Mássimo Giuliani pela entrevista e o comentário sobre as questões referentes a defesa pessoal na Itália, assunto bastante oportuno para que possamos alimentar o debate sobre a questão no Brasil, onde tem aumentado a discussão sobre legítima defesa e o porte de armas de fogo.



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