quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Turquia se apresenta como potencial comprador do HMS Ocean

O governo turco está interessado em comprar o HMS "Ocean" do Reino Unido, que já será em breve descomissionado na Royal Navy, caso não seja vendido para o Brasil.
Em resposta a uma pergunta parlamentar, o Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou que a Turquia enviou uma carta de interesse ao Reino Unido sobre a potencial compra do HMS "Ocean".
O HMS "Ocean" está atualmente em sua ultima comissão como navio da Royal Navy, atuando no âmbito da OTAN na "Standing Maritime Group 2" no Mediterrâneo.
O HMS Ocean e sua tripulação devem retornar a Base Naval de Plymouth em dezembro. Comissionado em outubro de 1995, o HMS Ocean substituiu o HMS Bulwark como capitânea da frota em junho de 2015. No papel de porta helicópteros e navio de assalto anfíbio, o HMS Ocean foi projetado para desembarcar tropas por helicóptero ou através de embarcações de desembarque.
Depois que seu descomissionamento foi anunciado, a mídia brasileira divulgou vários rumores nos quais o HMS Ocean poderia ser vendido para a Marinha do Brasil por um "preço razoável". Esse preço, de acordo com relatos, seria de 80 milhões de libras esterlinas.

Segundo transportador de helicóptero para a Turquia
TCG Anadolu
A Turquia já está construindo um porta helicóptero baseada no LHD Juan Carlos I da Marinha Espanhola, projetado pela Navantia. A versão turca do navio será chamada TCG Anadolu e terá o número L-408.
O primeiro porta-aviões leve pelo turco, foi iniciado em maio de 2016, enquanto a entrega está prevista para 2021.


Fonte: Navaltoday.com

Turquia promoveu exercício naval da OTAN

Um exercício naval multinacional no âmbito da Otan terminou nesta quinta-feira (16) no sudoeste da Turquia.
O exercício que teve a duração de 10 dias denominado "Mediterrâneo Oriental 2017" foi organizado pela Turquia na Base Naval de Aksaz, na costa de Marmara, para melhorar a integração no mar entre as marinhas dos EUA, Turquia, Bulgária, Romênia e Grã-Bretanha.
Mais de 20 navios participaram do exercício, além de várias fragatas e submarinos, aviões e helicópteros, mais de 3.000 militares participaram dos exercícios.
Foi a 20ª edição do exercício entre os aliados da OTAN, que primeiro no inicio deste ano recebeu um treinamento abrangente sobre gerenciamento de desastres e emergências.
O treinamento incluiu operações de defesa aérea e marítima, planejamento e gerenciamento de crises e cooperação entre equipes.

GBN News - A informação começa aqui
com agência Anadoulo

Crise no Zimbabwe: a incerteza reina sobre o futuro de Mugabe

Relatos conflitantes sobre a probabilidade de renúncia do presidente Robert Mugabe ter jogado Zimbábue em um novo caos. Os ministros sul-africanos chegaram a Harare para mediar entre o presidente e o exército.
Uma delegação da África do Sul esteve em Harare nesta quinta-feira (16) para discutir uma resolução sobre a crise no Zimbabwe. 
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, disse ao Parlamento que era muito cedo para tomar uma "decisão firme" sobre uma situação política que em breve "ficaria bem clara".
Mugabe está atualmente sob prisão domiciliar depois que os militares tomaram o controle do país.
Depois que o presidente inicialmente resistiu aos esforços de negociações e mediação, o jornal estatal do Zimbabwe publicou fotos no final desta quinta-feira (16), que pretendiam mostrar o encontro do presidente com o comissário militar Constantino Chiweng na Casa do Estado, onde Mugabe também estava se encontrando com diplomatas sul-africanos.
As fotos mostraram que os dois homens se encontraram com o ministro sul-africano da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, e seu homólogo zimbabuense Sydney Sekeramayi.
O presidente da União Africana, Alpha Conde, disse que o exército deveria restaurar a ordem constitucional e que a União "não aceita a tomada do poder pela força". 
O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, pediu a Mugabe que renuncie.
Apesar do caos político, as pessoas em Harare começaram a voltar à sua vida normal nesta quinta-feira (16), enquanto escolas e lojas permaneceram abertas na capital, embora soldados permanecessem fora dos principais edifícios governamentais.
O que aconteceu até agora?
  • No início da quarta-feira (15), os militares anunciaram na televisão estatal que assumiu os escritórios do governo, o parlamento, o aeroporto de Harare e a televisão estatal.
  • O Major General, SB Moyo, insistiu que o movimento não era um golpe, mas sim um ataque direcionado contra "criminosos" no círculo íntimo de Mugabe que seqüestrou a democracia do Zimbábue.
  • Em menos de 36 horas, os sistemas de segurança, inteligência e patrocínio que mantiveram Mugabe por 37 anos no poder observaram à beira do colapso.
  • Veículos blindados e soldados foram vistos em toda a capital enquanto as pessoas se apressavam em retirar dinheiro dos bancos.

A luta pelo poder
O sacerdote católico, Fidelis Mukonori, que havia mediado entre Mugabe e os militares desde quarta-feira (15), pareceu ter avançado pouco, já que o presidente, apesar de alguns relatórios em contrário, não fez nenhum movimento para renunciar.
A crise atual no Zimbábue ocorre após semanas de agitação política depois que Mugabe demitiu seu ex-vice-presidente, Emmerson Mnangagwa, que era extremamente popular nas forças armadas. O movimento tornou tudo certo de que Grace Mugabe, de 52 anos, estava se posicionando para suceder o marido.
Enquanto Mugabe foi fortemente criticado por violações de direitos humanos, para muitos também é o herói da luta de independência do país contra a Grã-Bretanha e um provedor de estabilidade, mesmo que a economia uma vez próspera se desintegrou sob suas políticas financeiras atuais.
Em 2009, a inflação atingiu proporções tão incríveis que a própria moeda do país foi desfeita em favor de concluir transações com o dólar norte-americano.

Fonte: Deutsche Welle

O dedo da China na crise no Zimbábue

Está claro que Pequim observa de perto a tomada de poder em Harare. Mas insatisfação com Mugabe e intercâmbio recente com artífice da intervenção militar sugerem que papel chinês pode não ter sido tão passivo.
á muito, Zimbábue e China mantém uma "amizade à prova de tudo". Ela remonta à época dos movimentos independentistas na África, os quais Pequim apoiou nas décadas de 1960 e 1970, no espírito da ideologia maoísta de libertação e em concorrência com a União Soviética. Na então Rodésia, os chineses colocaram-se do lado do Zanu de Robert Mugabe, o antecessor do atual partido do governo, Zanu-PF.
Apesar das sanções impostas pela União Europeia e os Estados Unidos no início dos anos 2000, a China consolidou suas relações econômicas com o Zimbábue através de investimentos e subsídios, destacando-se em 2015 como principal parceiro comercial do país.
Como lembra o especialista em política de desenvolvimento Wang Xinsong, escrevendo para a revista online para a Ásia-Pacífico The Diplomat, esse entrelaçamento econômico estreito também se expressa na aceitação da moeda chinesa, o renmibi, como meio de pagamento no Zimbábue.
O mal-estar com Mugabe
Recentemente, porém, em face das lutas de poder pela sucessão do nonagenário Mugabe, Pequim começou a se perguntar o que será da estabilidade da nação africana e da segurança de seus próprios investimentos. Essas apreensões já haviam sido apresentadas ao então vice-presidente Emmerson Mnangagwa em junho de 2015, durante sua visita à China.
Segundo o jornal Zimbabwe Independent, os parceiros comerciais chineses alertaram o político sobre a necessidade de cuidar para um "clima de investimentos frutífero" e que se atentasse para os direitos de propriedade.
Ainda assim, em março de 2016 o governo em Harare anunciou a intenção de aplicar uma lei de 2008, para a assim chamada "indigenização e potencialização econômica", colocando a maior parte das firmas estrangeiras em mãos africanas.
O especialista em África Wang Xinsong interpreta o silêncio de Pequim sobre as manifestações de massa contra Mugabe, em abril, como uma crítica indireta à política do líder zimbabuano, especialmente à econômica, mas também a seu aferramento ao poder e ao alastramento da corrupção e do nepotismo no país, em geral.
Para certos observadores, Mnangagwa, deposto por Mugabe como vice-presidente em 6 de novembro, seria o favorito dos chineses como potencial sucessor do líder nonagenário. O político, apelidado "o Crocodilo", é um velho companheiro de luta e confidente próximo de Mugabe.
Só que ele atraiu a ira de Grace, a poderosa esposa do presidente, que tinha ambições de assumir o poder no país, junto a sua facção Geração 40, do Zanu-FP. Nesta quarta-feira (15), contudo, liderados pelo general Constantino Chiwenga, os militares se anteciparam, prendendo os integrantes da G40 e tomando o poder.

Visitas suspeitas à China
As especulações de que a China estaria informada sobre planos de um golpe de Estado foram alimentadas pela visita de Chiwenga ao país, na última sexta-feira, quando se reuniu com o ministro chinês da Defesa, Chang Wanquan. Após os militares assumirem o controle no Zimbábue nesta quarta-feira, mantendo Mugabe sob custódia, o Ministério do Exterior ter-se tratado apenas de um intercâmbio militar normal, por vontade recíproca dos dois países.
Na qualidade de nação amiga, a China acompanha os acontecimentos no Zimbábue com grande atenção, prosseguiu o órgão. "Esperamos que os partidos relevantes lidem de forma apropriada com seus assuntos internos", declarou o porta-voz, indicando que as demais perguntas sobre a visita do general fossem dirigidas ao Ministério chinês da Defesa. Este não se pronunciou, até o momento.
No entanto, as especulações não se referem só ao conteúdo das conversas de Chiwenga em Pequim, mas também a uma possível estada na China do ex-premiê Mnangagwa, aliado dos militares. Segundo meios de comunicação zimbabuanos e zambianos, logo em seguida a sua deposição ele teria viajada para a potência asiática.
Essa afirmação foi desmentida pelo Ministério do Exterior da China na quarta-feira, porém numa declaração tão ambígua, no original em chinês, que não fica claro se o desmentido se refere a uma permanência atual ou passada do ex-vice na China.
A reserva – ou vagueza intencional – dos chineses tem um motivo, escreve Wang Xinsong no The Diplomat: o que quer que Pequim diga sobre o Zimbábue é observado de perto por outras nações africanas, que a partir daí tirarão conclusões sobre seu próprio futuro.

Fonte: Deutsche Welle

Mais de metade dos "Leopard 2" alemães não estão prontos para combate, um dos vários desafios alemães

Mais de metade dos MBTs"Leopard 2" da Bundeswehr não estão operacionais. Dos 244 tanques de batalha do tipo estavam apenas 95 estão prontos para uso., segundo relatório vazado á imprensa. 

Cerca de 53 dessas viaturas estão sendo convertidas, sete serão destinadas a testes, outros 89 foram retiradas de serviço devido a "panes". Eles não podem ser reparados porque faltam peças sobressalentes. Literalmente, o relatório afirma que em muitos casos "a indisponibilidade das peças de reposição necessárias é prejudicial".

"Isso é incrível", comentou o presidente do comitê de defesa, Wolfgang Hellmich. Apesar de todas as declarações feitas pelo chefe do ministério, foram detectados "defeitos profundos" que eram de natureza estrutural.

"Como pode o exército estar pronto para a ação, quando possui apenas um terço do inventário em uso, também em exercício e operações, falham e não podem ser reparados porque faltam peças sobressalentes e estas não podem ser adquiridas?", disse Hellmich e acrescentou: "A pergunta deve ser feita sobre quem é o responsável por este desastre?".

Os soldados não são. Eles dependem de fato que o material necessário seja colocado a disposição em boas condições de funcionamento. "É e continua a ser um assunto para o Ministério da Defesa, que é responsável pela segurança do nosso país", disse Hellmich.
O exército alemão possui uma histórica capacidade de implantar formações de carros de combate com tripulações bem treinadas contra o inimigo a qualquer hora, em qualquer lugar, mas essa tradição parece estar desaparecendo. 

Relatórios anteriores sugerem que o exército alemão tem enfrentando problemas técnicos frequentes na operação dos seus meios de combate. Em abril deste ano, a poeira, estradas pedregosas e temperaturas próximas de 50ºC graus, foram responsáveis por retirar de operação metade dos veículos da Bundeswehr implantados no Mali como parte da missão da ONU, informou o jornal alemão "Die Welt" á época. Os militares não conseguiram enviar as peças de reposição necessárias à base da ONU em Camp Castor no Mali, onde as instalações também não são compatíveis com os padrões alemães de manutenção.


Ainda no Mali, o contingente alemão também registrou problemas com a operação dos seus helicópteros de ataque "Tiger", que não puderam operar devido as altas temperaturas da região, que registram entre 43ºC e 45ºC, o que significou que o Tiger permaneceu no chão a maior parte do tempo ao invés de lançar missões de apoio ás quais era destinado.

Na época, o comandante-adjunto do contingente alemão reconheceu que as tropas operam seus equipamentos no limite. A revelação parecia ser sintoma de um problema maior que os militares alemães enfrentam.

A mídia alemã constantemente tem estampado em suas manchetes notícias relativas a prontidão dos meios de combate alemães. Recentemente, a Deutsche Welle noticiou que apenas 38 das 89 aeronaves Tornado estavam prontas para combate e apenas 25 das 57 aeronaves de transporte C-160 Transall, as quais foram desenvolvidas na década de 60.. O sucessor do Transall deveria ser o Airbus A-400M, que tem adiado por anos após sucessivos atrasos no programa de desenvolvimento.

A porcentagem dos helicópteros de ataque aptos para combate nas Forças Armadas alemãs varia entre 18% e 32%, dependendo do tipo de aeronave, descreveu a Deutsche Welle. 

A frota de helicópteros da Bundeswehr conta com apenas dez dos 31 helicópteros Tiger operacionais e apenas quatro dos 22 helicópteros anti-submarinos Sea Lynx. Os helicópteros de transporte NH90 e CH53 têm taxas de deficiência semelhantes. 

Com relação ao veículos blindados, não são apenas os "Leopard" que apresentam graves problemas de disponibilidade, apenas 70 dos 189 VBTP Boxer estão atualmente disponíveis para fins de treinamento ou operação. Em caso de emergência, a Bundeswehr poderia utilizar cerca da metade dos 406 veículos blindados de transporte "Marder", blindado que opera desde 1971 com a Bundeswehr.

Os Problemas também afetam a esquadra do país. Em dezembro de 2001, a Bundeswehr decidiu comprar cinco corvetas K130, programadas para estar operacionais em 2007. Mas problemas com engrenagens defeituosas, ar condicionado e software foram responsabilizados por um longo atraso. Mesmo depois que os navios foram lançados, apenas dois entraram imediatamente em operação.

A questão dos equipamentos de defesa é a primeira grande crise que Ursula von der Leyen enfrenta desde que assumiu a defesa no final de 2013. Por sua vez, seus predecessores são culpados por reduzir os recursos para compra de peças sobressalentes. Von der Leyen refere-se a atual fase como uma "fase de mudança drástica".

Atualmente não só a Alemanha, como muitos estados europeus, tem enfrentando um grande desafio em relação a sua capacidade militar, tendo em vista a redução dos orçamentos de defesa e o alto custo dos modernos sistemas de combate, problema que tende a se agravar não só no cenário europeu, mas mundial, com a degradação da capacidade militar de vários países, incluindo dos EUA, o qual tem apresentando enorme desgaste em seu arsenal e capacidades de combate.

GBN News - A informação começa aqui
com agências de notícias

Conheça o Calidus/Novaer B-250 "Bader" - Um árabe com gênese brasileira

A Calidus em parceria com a brasileira Novaer e a norte americana Rockwell Collins, apresentaram recentemente sua nova aposta para o mercado de defesa, trata-se do Calidus/Novaer B-250 "Bader", projeto que despertou o interesse de vários países com a proposta de uma aeronave moderna, robusta e capaz de cumprir um variado leque de missões, apresentando um baixo custo de operação, sendo uma aeronave revolucionária para industria aerospacial dos EAU, a qual em grande parte tem conseguido lograr sucesso através da experiência e inovação da parceria com a brasileira Novaer, e que promete disputar uma importante fatia do mercado para este tipo de aeronave, o qual hoje é dominado pelo brasileiro Embraer A-29 "Super Tucano".

O turboélice B-250 "Bader", apresenta-se como uma aeronave robusta, remetendo a gênese das aeronaves brasileiras "Tucano" e "Super Tucano", algo que pode ser explicado pelo fato do projeto ter nascido da mente de Joseph Kovács, designer-chefe do B-250, que é o conhecido criador das bem sucedidas aeronaves turboélice da mesma categoria, o EMB-312 "Tucano" e EMB -314 "Super Tucano" da Embraer, um mestre do design desse tipo de aeronave. Os dois protótipos do B-250 "Bader" apresentados no "Dubai Air Show 2017"apresentam registros brasileiros, tendo a aeronave que se exibiu em voo o registro PR-ZNT e a em exposição estática o registro PR-ZNU, apesar da aeronave estar caracterizada com as cores dos EAU.

O B-250 "Bader" é construído em fibra de carbono, o que permite minimizar o peso da estrutura e otimizar seu processo de fabricação, além de representar um importante ganho na relação peso/potência, equipado com um propulsor Pratt & Whitney Canada PT6A-68 de 1600 cv, que giram um hélice Hartzell de quatro lâminas. O "Bader" conta com 7 estações de armas, as quais podem receber um variado leque de armamentos e sensores de acordo com a missão a qual seja designada a aeronave. Seus sistemas eletro-ópticos estão instalados em uma torre sob a fuselagem, integrada a aviônica Pro Line Fusion fornecida pela Rockwell Collins, que coloca a aeronave em uma posição de destaque frente aos demais concorrentes, com uma arquitetura no "estado da arte". 

O sistema Pro Line Fusion possui interfaces gráficas avançadas integradas com um monitor digital Head-Up Display (HUD), ícones intuitivos, tela sensível ao toque facilmente configurável e janelas de exibição multifunções, que levam a uma maior consciência situacional durante todas as fases do voo e em diferentes condições de voo, sendo flexível o suficiente para otimizar a capacidade multi-função da aeronave, que pode ser empregada no treinamento de voo básico e avançado, contra-insurgência (COIN), apoio aéreo aproximado (CAS) e inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR).

O Calidus/Novaer B-250 "Bader" é uma inovadora plataforma, a primeira do tipo desenvolvida e produzida para atender ao moderno cenário de conflito assimétrico que se apresenta como maior desafio neste século, tendo como função secundária a capacidade de treinador básico e avançado. Essa nova aeronave demonstra características que a colocam em uma posição ímpar no mercado, com desempenho que supera em vários aspectos outros gigantes do mercado, como uma maior capacidade de armas, capacidade de integrar variados tipos de sensores e sistemas, envelope de voo surpreendente, o alcance do B-250 é de 4.445 km, podendo realizar voo de até 12 horas, a velocidade máxima é de 557 km/h, teto de 30 mil pés. O comprimento do "Bader" é de 10,98 m, e sua envergadura é de 12,08 m, superando as dimensões dos T-27 e AT-29 da Embraer . O B-250 possui uma cabine configurada em tandem, apresentando uma boa ergonomia aos tripulantes. Outro atrativo da aeronave é seu custo operacional inferior a US$1.200 por hora de voo.


GBN News - A informação começa aqui







quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Proclamação da República no Brasil - Uma conquista ou um golpe?

Todos os anos nós brasileiros comemoramos em 15 de novembro o Dia da Proclamação da República, mas eu faço a você leitor uma importante pergunta: A república foi uma conquista ou um golpe?

Hoje no Brasil poucos realmente conhecem os fatos que levaram ao ato do Marechal Deodoro da Fonseca a declarar a proclamação da república em 15 de novembro de 1889. Longe de ser um anseio do povo brasileiro, a proclamação da república correspondia aos interesses de uma pequena elite que estava descontente com os rumos dados ao Brasil pelo Imperador D. Pedro II, o qual defendia importantes reformas no Brasil, tendo começado pelo fim da escravidão o país e o qual vislumbrava em seu horizonte promover a até hoje aguardada reforma agrária. Talvez por esse e outros motivos, essa importante página de nossa história seja abordada tão superficialmente e sem receber a detida importância nas instituições de ensino, colaborando para a falsa imagem que hoje temos dos fatos ocorridos nos idos de 1880, década que foi de grande importância aos rumos de nossa nação, com importantes mudanças e a proclamação da república, o que podemos configurar como tendo sido o primeiro golpe brasileiro.

Muito longe do que aprendemos nas salas de aula, as idéias republicanas não tinham popularidade entre os brasileiros, os quais em sua grande maioria, tinham grande estima pelo imperador brasileiro e o tipo de governo que havia no Brasil até então. Para termos idéia deste fato, basta lembrar que em 1884, apenas cinco anos antes da proclamação da república, só havia três republicanos eleitos á Câmara de Deputados, e na eleição posterior esse número se reduziu a apenas um representante, um claro sinal da rejeição brasileira as idéias republicanas.

Mesmo se valendo de grande esforço em propagar os ideais republicanos no Brasil, os defensores dessa causa não lograram qualquer avanço no sentido de conquistar o apoio popular á uma instauração da república no Brasil. Assim sendo os líderes desse movimento chegaram a conclusão que não seria possível instalar a República no Brasil por meios pacíficos, como ocorreu em nossa independência. Então, passaram a conduzir um plano para efetuar um golpe militar. Só que para que isso fosse possível, precisariam do apoio de um líder de prestígio do Exército Brasileiro. Foi ai que resolveram se aproximar do Marechal Deodoro da Fonseca e tentar persuadi-lo em apoiar a causa republicana.

O que poucos conhecem dessa parte de nossa história, é o fato que o Marechal Deodoro era amigo pessoal do Imperador Dom Pedro II e era um dos maiores defensores do Monarquismo no Brasil, algo que exigiu muita articulação e manipulação.
Dom Pedro II, tornou-se imperador aos 5 anos de idade quando seu pai abdicou ao trono e voltou a Portugal, então o novo Imperador brasileiro teve que passar grande parte da sua infância estudando para que fizesse um bom reinado. Como já é de conhecimento geral, um rei é preparado pra reinar desde o momento de seu nascimento, logo as longas horas de estudo e preparação que recebeu o Imperador, resultou em um líder que passou a transformar o Brasil numa grande e potente nação emergente. A estabilidade política do Brasil era notória e o Império brasileiro se destacava em relação as nações vizinhas. Tínhamos liberdade de expressão, respeito aos direitos civis, lembrando que foi durante seu reinado que foi assinada a lei áurea, pela sua filha Princesa Isabel.
Poucos tem conhecimento, mas Dom Pedro II se declarava publicamente contra o regime de escravidão, defendendo as ideias abolicionistas desde 1850. Fato esse corajoso, tendo em vista que poucos brasileiros na época se manifestavam á favor da abolição no Brasil. O nosso Imperador considerava a escravidão uma vergonha nacional e tampouco possuiu escravos.
A escravidão no Brasil foi extinta de forma gradual através de várias medidas. Em 1871 veio a lei do ventre livre que ajudou bastante a diminuir o percentual de população escrava no país. Todos consideravam que esse posicionamento político de Dom Pedro II em relação a escravidão seria suicídio político, pois até os mais pobres no Brasil tinham escravos como propriedade.
Em 1888, um ano antes da proclamação da república, a Princesa Isabel Decretou a Lei Áurea, o que causou indignação dos donos de escravos que sentiram-se traídos pelo regime monárquico e como forma de vingança passaram a apoiar a causa republicana.
Então, os republicanos precisavam de convencer o Marechal Deodoro a dar o golpe militar que daria inicio á tão "desejada" república, e tramaram uma grande rede de intriga e conspiração com a qual acabaram conseguindo levar o Marechal Deodoro a promover o golpe.
No dia 14 de novembro de 1889, os republicanos, num ato muito “honesto” fizeram correr o boato de que o primeiro ministro Visconde de Ouro Preto havia decretado a prisão do Marechal Deodoro e o líder dos oficiais republicanos o tenente-coronel Benjamim Constant. Essa falsa notícia fez com que o Marechal Deodoro decidisse se levantar contra a "ação" do Visconde de Ouro Preto. Na manhã do dia 15, Deodoro reuniu toda a tropa em direção ao centro da cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil Império, com o intuito de decretar a demissão do ministério de Ouro Preto. Porém, ainda não tinha a intenção de proclamar a república.
No calor dos acontecimentos, Marechal Deodoro ocupou a Camara e depôs Ouro Preto, estava iniciado o golpe e os republicanos precisavam pensar em algo rápido para que convencessem de vez o marechal a aderir ao movimento republicano e a fazer a tão arquitetada proclamação. Mais uma vez usaram de falsas notícia e informaram-no então que Dom Pedro II teria nomeado Gaspar Silveira Martins como primeiro ministro. Gaspar era um grande rival de Deodoro, pois os dois já haviam disputado o amor da mesma mulher na juventude. Essa foi a gota d’água para que fosse feito o rompimento total com a monarquia.
Dom Pedro não reagiu ao golpe. Passou os seus últimos dois anos de vida exilado na Europa, vivendo só e com poucos recursos. O primeiro ato de corrupção do regime republicano foi quando os golpistas ao obrigar a família imperial do Brasil ao exílio, retiraram dos cofres públicos 5 mil contos de réis e deram a Dom Pedro II como forma de indenização pelos danos sofridos. O Imperador não só recusou como também exigiu que caso o dinheiro já tivesse sido retirado dos cofres públicos que fosse feito um documento comprobatório no qual ele o estaria devolvendo. Ele citou então a frase: “Com que autoridade esses senhores dispõe do dinheiro publico?”
O povo brasileiro por sua vez acompanhou mais uma vez em sua história todos os fatos a margem das decisões, sem ao menos ser consultado sobre seu desejo de viver ou não sob uma república, sendo o golpe claramente movido pelos interesses de uma elite restrita e com poder de influência econômica e política nas esferas mais abastardas que sofreram um grande prejuízo com as decisões políticas e sociais da monarquia que levava o Brasil á uma nova esfera, mas que teve seu destino selado pela ambição e descontentamento de uma elite rica e mesquinha.
Todas as elites provincianas apoiaram o novo regime, a maioria eram líderes dos partidos monárquicos, agora defensores fervorosos da República. Assim, a República foi estabelecida praticamente sem lutas, salvo no Estado do Maranhão, onde os antigos escravos tentaram reagir ao golpe e foram violentamente dispersos, causando o saldo de três mortos e vários feridos. Os três negros de que a História oficial não guardou os nomes foram os primeiros mortos contra o golpe da Proclamação da República no Brasil. A primeira Constituição republicana foi essencialmente conservadora e elitista, nada de democrático e popular. Quando populações nacionais levantaram-se, confusamente, contra uma ordem que compreendiam ser-lhes absolutamente injusta, como Canudos, Contestado ou na Revolta da Chibata, foram acusadas de atrasados, loucos, etc. e duramente massacradas. 
Lembrando que as primeiras favelas surgiram após a proclamação da República, sendo a primeira a da Providência no centro da cidade do Rio de Janeiro, como resultado da quebra do compromisso dos republicanos com o anteriormente assumido por D. Pedro II de realizar a reforma agrária, a qual visava dar terras aos negros e soldados que retornavam das guerras as quais lutaram pelo Brasil. Começando assim um problema que só tem se agravado ao  longo de décadas de descaso, culminando no que presenciamos hoje na crise de segurança do Rio de Janeiro.
A República era coisa das elites e se mantém até hoje assim, infelizmente tomada pela corrupção, representante de interesses alheios ao verdadeiro interesse nacional, onde salvaguarda com direitos controversos "criminosos" que se dizem representantes da pátria, mas a lesam com desvios de recursos, roubos e diversos crimes dos quais são protegidos pela "imunidade parlamentar".
Então, um viva a República que nasceu de um ato que pode se dizer que foi tudo, menos democrático.


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.




GBN News - A informação começa aqui

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O navio chinês 'criador de ilhas' que pode mudar o mapa do sudeste da Ásia



Um novo navio lançado pela China foi descrito como um "criador mágico de ilhas" - ele pode escavar grandes "pedaços" do fundo do mar e transportá-los por até 15 quilômetros.
A ideia seria criar novas ilhas e explorar ainda mais as disputadas águas do Mar da China Meridional.
A embarcação foi apresentada pelas autoridades na véspera da visita do presidente dos EUA, Donald Trump, ao país.
O Instituto de Estudo e Desenho Marinho de Xangai garante que o barco, chamado Tian Kun Hao, tem o maior cortador da Ásia, capaz de escavar muito fundo e transportar areia por longas distâncias.
A China é acusada de construir ilhas artificiais no Mar da China Meridional para reforçar sua reivindicação pelas águas, hoje disputadas por vizinhos como Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan.

Principais características do navio

Nome: é muito simbólico - Tian Kun Hao é um lendário e enorme peixe que pode se transformar em um pássaro mítico.
Tamanho e potência: com um comprimento de 140 metros, esse é o maior barco desse tipo na China e, segundo os especialistas que o projetaram, em toda a Ásia.
Ele parece ser muito mais poderoso do que as atuais embarcações de dragagem da China, e é capaz de escavar 6 mil metros cúbicos por hora - o equivalente a três piscinas do tamanho padrão - a 35 metros de profundidade abaixo do nível do mar.
Funcionamento: Ele pode escavar qualquer coisa - desde areia e terra até coral. O navio corta material do fundo do mar, suga e transporta tudo isso por até 15 quilômetros de distância do barco para acumulá-lo e formar um novo território "recuperado".
Barcos similares, ainda que menores, foram utilizados para construir ilhas no Mar da China Meridional no início de 2013.

Por que isso importa?

A grande preocupação de pesquisadores é que o uso desse navio para formar novas ilhas possa culminar em novas reclamações por território no Mar da China Meridional.
"O que realmente está no centro de atenção das pessoas é o Arrecife Scarborough. É um território que ainda não foi reivindicado por ninguém, mas há rumores de que isso possa acontecer. Os Estados Unidos veriam o Arrecife Scarborough como uma linha vermelha", pontuou Alex Neill, pesquisador do Diálogo Sangri-La no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos da Ásia, um centro de estudos com sede no Reino Unido.
O momento em que o barco foi apresentado também é interessante, conforme observa Neill - principalmente por causa da tensão que as atividades no Mar da China Meridional têm gerado.
Os Estados Unidos tradicionalmente não tomam partido nas disputas territoriais, mas defendem as chamadas operações de liberdade de navegação, o que significa poder sobrevoar ou navegar perto das ilhas em disputa - algo que costuma irritar a China.
"Esse barco foi lançado com muita festa, chamado de 'criador mágico de ilhas' na imprensa chinesa", conta Neill. "Ele pode ser um sinal de que a China começa a se sentir mais motivada a seguir adiante com suas reivindicações no Mar da China Meridional. A única coisa que os Estados Unidos podem fazer é Trump reafirmar sua preocupação com as atividades."
A China, porém, já desafiou as críticas americanas no passado e continua construindo as ilhas - está inclusive estabelecendo instalações militares nelas.

Outros usos

Os navios de dragagem podem ser usados para várias tarefas - a reivindicação de terras é só uma delas.
Mas o fato de a imprensa chinesa estar chamado esse navio de "criador mágico de ilhas" parece sugerir que esta será, de fato, ao menos uma de suas funções.
Como parte da Iniciativa do Cinturão e Rota da China para construir uma rede global de comércio cujo centro será no país, Pequim está desenvolvendo vários portos na região do Oceano Índico e no Oriente Médio.
O Tian Kun Hao também pode ser utilizado para escavar em portos de águas profundas se Pequim decidir enviá-lo para essa tarefa.

Fonte: BBC Brasil

'Exército é o mesmo de 1964, mas circunstâncias mudaram', diz comandante sobre pedidos de intervenção militar

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante-geral do Exército, é um dos responsáveis por assegurar a defesa do país. Ao mesmo tempo, é um homem que trava uma batalha pessoal com a própria saúde.
Em março deste ano, ele revelou, em um vídeo institucional divulgado no YouTube, estar enfrentando uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. Cinco meses depois, com a mobilidade bastante restrita e a respiração mais ofegante, ele tem participado de eventos usando uma cadeira de rodas.
Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o próprio comandante classificou a situação dele como "inaudita". Mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.
Questionado sobre os pedidos de intervenção militar que surgiram em certos setores nos últimos anos, o Villas Bôas foi categórico em dizer que a própria sociedade brasileira é capaz de encontrar uma solução para a crise sem que isso ocorra. "O Brasil tem um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada", declarou.
O comandante falou também sobre o emprego - e limitações - das Forças Armadas para conter a escalada da violência urbana. Para ele, que mais de uma vez já criticou o uso delas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades, o Exército nas ruas pode melhorar a sensação de segurança apenas de forma passageira.
E chamou ainda de "alarmistas" os críticos do exercício militar que o Exército fez na Amazônia com a participação de representantes de 20 países.

'Comandar o Exército me fortalece'

Villas Bôas, de 66 anos, completou 50 anos de Exército.
Aos 16, entrou na Escola de Cadetes em Campinas, para em seguida ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras. Aspirante da turma de 1973, acumulou na carreira importantes postos de comando, como o da Amazônia, e funções mais políticas como a de adido-adjunto na Embaixada do Brasil na China e chefe da assessoria parlamentar do Exército.
Foi promovido comandante em julho de 2011. Desde então, passou usar as redes sociais para se comunicar com dois públicos diferentes: os militares e entusiastas das Forças e também o público em geral. Ele próprio é ativo no Twitter, mas admite que não posta diretamente. "Mas sempre defino os temas e o espírito da mensagem."
Villas Bôas se diz frustrado por não poder percorrer as unidades do Exército, mas garante que o exercício da função o ajuda a enfrentar a doença.
"Me fortalece e me anima", diz, complementando, no entanto, "que não quer dar um caráter heroico ao que está acontecendo".
O general afirma não ver razão para ir para a reserva e que desde que assumiu publicamente a doença tem recebido "muitas manifestações de solidariedade e apoio".

'Linha-dura' na fila da sucessão do Exército

Após o comandante assumir a doença publicamente, as especulações sobre sua sucessão ganharam corpo.
Há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais "linha-dura" e ícones dos "intervencionistas" - como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército - assumam o comando da Força.
Foi Mourão quem, ao ser questionado sobre intervenção militar em uma palestra promovida pela maçonaria em Brasília em setembro, falou sobre impor uma ação caso a Justiça não aja contra a corrupção.
Mourão, ao lado dos oficiais Juarez Aparecido de Paula Cunha, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, e Gerson Menandro, da representação brasileira na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), são os mais bem colocados no chamado "Almanaque do Exército".
O termo refere-se a um ranking de posicionamento dos militares dentro da linha hierárquica, com base na colocação que eles obtêm no decorrer de sua formação e carreira. A posição dentro do almanaque, atualizado mais de uma vez por ano a cada ciclo de promoções, define hierarquia mesmo entre militares no mesmo posto.
Aspirantes da turma de 1975, os três generais cotados para o lugar do atual comandante vão para a reserva em março do próximo ano.
Segundo Villas Bôas, o Exército tem "como praxe" nomear alguém ainda da ativa.
"Realmente não é uma praxe a escolha de oficiais da reserva para voltar para a Força e assumir o comando. A praxe tem sido sempre no sentido de escolher alguém ainda na ativa porque isso realmente fortalece a coesão", explica.
Mas ele nega estar resistindo no cargo para barrar os colegas.
"Eu diria que especulações nesse sentido estão absolutamente desprovidas de fundamentação. Esses oficiais a que você se referiu, assim como os outros oficiais do Alto Comando do Exército, estão plenamente habilitados a assumir o comando e cumprir um papel tão bom ou melhor que o meu", diz.
O comandante ressalta a proximidade com esses generais. "Eles estão entre os que mais trabalham pela manutenção da coesão e da institucionalidade do Exército."
"Essa preocupação, sinceramente, não está presente", completa.

Perfil para comandar


Villas Bôas também nega ter entre seus nomes preferidos para assumir o comando do Exército o do general Fernando Azevedo e Silva, tido no meio militar como um moderado que desfruta de crédito com a tropa e, ao mesmo tempo, circula bem no meio político.
"O nome do general Fernando surge naturalmente porque ele é o chefe do Estado Maior do Exército. O chefe do Estado Maior é o principal executivo, aquele que implementa as diretrizes político estratégicas que eu, no caso como comandante, formulo. Ele acaba tendo uma visibilidade maior e até, talvez, uma ligação mais estreita comigo", afirma.
"E ele é perfeitamente habilitado a assumir o comando do Exército, assim como os demais integrantes do Alto Comando. Isso não caracteriza uma preferência", completa.
Questionado sobre o perfil de um comandante em tempos de crise política, turbulência econômica e apelos cada vez mais crescentes por intervenção, Villas Bôas diz não ser possível traçar características ideais.
"Com relação ao perfil ideal para comandante do Exército, não se pode traçar um perfil considerado ideal, já que os estilos de liderança são absolutamente individualizados. Cada pessoa estabelece seu estilo de liderança de acordo com as circunstâncias, com sua capacidade, com o ambiente e de acordo com os objetivos que ele estabelece. Não há como traçar um perfil para essa função."

Intervenção militar

Questionado sobre os apelos por intervenção militar agregarem complexidade à missão de comandar o Exército e a tropa de mais de 200 mil homens, Villas Bôas diz que não há nenhuma dificuldade interna e salienta a necessidade de ficar longe das disputas político-partidárias.
"O Exército está coeso e absolutamente consciente de que é uma instituição de Estado e de que não cabe participar de uma dinâmica de caráter político e de caráter partidário", afirma.
Ele próprio cita 1964, ano em que os militares assumiram o comando do Brasil, para salientar quão diferentes eram as circunstâncias daquela época se comparadas com o momento atual.
"Sempre vêm lembranças relativas ao período de 1964... O Exército continua o mesmo daquele período, com os mesmos valores, os mesmos princípios, os mesmos objetivos, mas as circunstâncias mudaram muito", diz.
Segundo o comandante, aqueles foram tempos de Guerra Fria, em que até mesmo a coesão do Exército estava ameaçada. "O Exército estava na eminência de rachar."
Hoje, afirma Villas Bôas, o país tem instituições amadurecidas. "Tanto que a gente vem nessa crise já há algum tempo e as instituições permanecem cada uma cumprindo as suas funções. O Brasil é um país complexo, tem um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Então ela própria, a sociedade, tem que encontrar os caminhos para a superação dessa crise."

Solução para o problema da segurança pública

Além de se posicionar contra a necessidade de intervenção militar para resolver a atual crise, o comandante também tem uma visão crítica em relação ao uso das Forças Armadas para conter a violência urbana.
Apesar de considerar natural a expectativa de ver o Exército atuando para garantir segurança pública, Villas Bôas acredita que o problema é mais complexo - e exige muito mais que soldados nas ruas.
"Quero ressaltar que não se pode esperar que o emprego das Forças Armadas, no nosso caso o Exército, vai resolver o problema de segurança pública. Essa é uma problemática que tem raízes muito profundas e decorre de falência, de não funcionamento ideal de vários outros setores da atuação governamental ou até mesmo de responsabilidade da sociedade", afirma.
"Aí vem o problema da educação e da disciplina social, das quais a nossa sociedade está carente. Vem o problema de falta de alternativa para a juventude e algo que lhes dê uma esperança no futuro."
"Faço questão de ressaltar que o emprego das Forças Armadas simplesmente não vai resolver a problemática de segurança pública. Pode contribuir? Sim para a sensação de segurança da sociedade, mas isso é passageiro."

'Alarmistas' sobre Amazônia

Villas Bôas respondeu às críticas dos que se manifestaram contra um exercício militar inédito, com participação de 20 países, incluindo os EUA, na Amazônia.
"Jamais, jamais tomaríamos uma iniciativa que pudesse colocar em risco a nossa, como você disse, soberania na Amazônia. Estamos realizando um exercício multinacional. É um exercício de caráter humanitário. Visa nos preparar para fazer face a problemas humanitários em áreas remotas com todas as dificuldades logísticas de acesso, por isso foi escolhida a Amazônia", explica.
Segundo o comandante do Exército, a base montada durante a operação, que aconteceu entre os dias 6 e 13 de novembro, é temporária e será desmobilizada.
"Há pessoas com caráter alarmista dizendo que vai permanecer uma base, e isso é absolutamente inverídico", critica.
Ele diz que o exercício envolveu tropas brasileiras, peruanas e colombianas, além de observadores de outros 17 países, entre eles os EUA.
"Cada país possui um tipo de expertise que dependem das suas condições geográficas. Há países que têm problemas de terremoto, de incêndios florestais, outros problemas de inundação... Os EUA estão com a guarda-nacional e aviões que espargem água para o caso de incêndios florestais."

Fonte: BBC Brasil