sábado, 27 de fevereiro de 2021

Comandante da Marinha acompanha acionamento de motores do NPa "Maracanã"

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Na última sexta-feira (26), o Comandante da Marinha, AE Ilques Barbosa Junior, acompanhado do Diretor-Geral de Material da Marinha, do Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais e do Chefe do Gabinete do Comandante da Marinha estiveram a bordo do Navio-Patrulha (NPa) "Maracanã" para acompanhar o primeiro acionamento dos motores do NPa, um importante passo para incorporação e entrega da embarcação ao setor operativo. Ainda na ocasião foi realizada visita as Lanchas "Excalibur", conferindo o adiantado estado dos serviços dos meios. O acionamento pela primeira vez dos motores do NPa confirmaram o desenvolvimento da importante capacidade de construção de meios do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).

Em seguida, O Comandante de Operações Navais e o Comandante do 1º Distrito Naval (Com1ºDN) acompanharam a visita do Comandante da Marinha ao futuro Aviso de Patrulha (AviPa) "Mare Nostrum", previsto para ser subordinado ao Com1ºDN. 


Encerrando o evento, o Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha se juntou à comitiva para uma visita à Fragata "Defensora". A comitiva acompanhou os preparativos finais para a prontificação do navio, o qual deverá em breve retornar ao setor operativo após passar por um extenso processo de modernização. Finalizando sua visita ao AMRJ o AE Ilques Barbosa Junior almoçou com parte da Tripulação na Coberta de Rancho de Suboficiais. 


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com NOMAR

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NPa "Guaíba" intercepta contrabando no "través" de Recife

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Em mais uma ação da Marinha do Brasil (MB), o Navio-Patrulha (NPa) P-41 "Guaíba" realizou na manhã da última quinta-feira (25), a interceptação da embarcação de pesca “Gohan”, carregada de cigarros sem comprovação documental, em águas jurisdicionais brasileiras. 

Durante a ação o Navio-Patrulha (NPa) “Guaíba” interceptou a embarcação a cerca de 90 quilômetros da costa de Recife (PE) quando realizava atividade de inspeção naval na área. Após a interceptação, o NPa “Guaíba” conduziu o barco de pesca até o Porto de Recife (PE), onde atracou na manhã desta sexta-feira (26). 

No interior da embarcação que tinha cinco tripulantes, foi encontrada a quantidade estimada de três mil caixas de cigarros. Esta é mais uma das várias ações de patrulha onde a Marinha do Brasil intercepta embarcações realizando atividades ilícitas em nossas águas jurisdicionais, demonstrando que a MB esta presente e atuante no combate ao crime organizado em nossas águas.

O Navio-Patrulha “Guaíba” é um dos navios subordinados ao Com3ºDN, sendo empregado em missões de socorro e salvamento marítimo, operações navais, patrulha naval e inspeção naval, a fim de contribuir para a salvaguarda da vida humana e para a segurança e controle dos interesses do Brasil no mar. Durante a "Operação Mar Limpo é Vida", o GBN Defense embarcou no P-41 "Guaíba" para acompanhar o trabalho de monitoramento e remoção das manchas de óleo que atingiram o litoral nordeste brasileiro. (Caçada ao óleo no litoral nordestino).


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com Marinha do Brasil


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Marinha do Brasil avança no Projeto de Obtenção do Navio de Apoio Antártico

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A Marinha do Brasil (MB), por intermédio da Diretoria de Gestão de Programas da Marinha, informa que a “Short List” para o Projeto do Navio de Apoio Antártico (NApAnt) está composta pelas seguintes empresas, nomeadas por ordem alfabética: 

·DAMEN SHIPYARDS/ WILSON SONS, ESTALEIROS LTDA.; 

·ESTALEIRO JURONG ARACRUZ LTDA./ SEMBCORP MARINE SPECIALISED SHIPBUILDING PTE. LTDA; e 

·ITAGUAÍ CONSTRUÇÕES NAVAIS S.A./ KERSHIP S.A.S. 

As avaliações das propostas e o processo decisório observaram as boas práticas de governança pública e princípios aplicáveis à Administração Pública, pautando-se nas avaliações globais das propostas com base nos critérios definidos na RFP nº 40005/2020-001, considerando a qualidade técnica e a aderência aos interesses da MB. 

O Projeto de Obtenção do NApAnt, a ser construído no Brasil, visa à seleção da melhor proposta para a aquisição de um navio com capacidades aprimoradas e que atenda aos requisitos de apoio a nova Estação Antártica Comandante Ferraz. Este Projeto, certificado por Sociedade Classificadora, tem como objetivo substituir o Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Ary Rongel, construído em 1981. 

A MB se faz presente na região Antártica desde 1983, com a instalação da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). Em 15 de janeiro de 2020, ocorreu a inauguração das modernas instalações da nova EACF, ampliando sua capacidade de pesquisa, saindo de quatro para dezessete laboratórios. Dessa forma, a estação possibilitará a realização, em média, de 20 projetos científicos anuais nas áreas de oceanografia, biologia marinha, meteorologia, geologia e glaciologia. A manutenção e o abastecimento da EACF, bem como o apoio logístico e operacional aos projetos de pesquisa são realizados, essencialmente, por meio de navios. Atualmente, o Brasil conta com o NApOc Ary Rongel e o Navio Polar Almirante Maximiano (construído em 1990). 


Fonte: Marinha do Brasil

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Sob comando de Biden, EUA lança ataque contra posições na Síria - Entenda os fatos

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Para aqueles que temiam Trump e sua política externa, onde muitas vezes se especulou que este mergulharia os EUA em conflitos mundo afora, parece que o novo ocupante da Casa Branca surpreendeu seus eleitores e os defensores de seu posicionamento "pacifista". Sob o comando de Joe Biden, atual presidente norte americano e sua vice, Kamala Harris, a primeira mulher negra a ocupar um cargo de tamanha importância, forças americanas lançaram um ataque aéreo no leste da Síria contra supostas instalações usadas por milícias apoiadas pelo Irã. 

O bombardeio realizado na última quinta-feira (25) marcou a primeira ação militar ordenada pelo presidente Joe Biden desde que assumiu o poder.

Segundo informações divulgadas pelo Pentágono, os ataques aéreos destruíram várias instalações localizadas num posto de controle fronteiriço próximo ao Iraque e utilizado pelo Kata'ib Hisbolá e outras milícias pró-iranianas.

Porém, não revelaram se houve danos colaterais e vítimas entre civis. Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos 22 radicais foram mortos na ação, além da destruição de três caminhões que transportavam munições e armas que tinham acabado de cruzar a fronteira da Síria com o Iraque na província síria de Deir Zor. 

Segundo o Departamento de Defesa dos EUA, a ação foi uma resposta aos ataques recentes contra tropas americanas e instalações no Iraque. 

Relembrando os fatos

Em janeiro de 2020, os EUA realizaram um ataque cirúrgico que neutralizou um dos líderes militares iranianos mais influentes no Oriente Médio. A morte do general Qasem Soleimani, líder da poderosa Força Quds, e um comandante iraquiano das milícias pró-iranianas num ataque aéreo nas proximidades do aeroporto de Bagdá foi o estopim para escalada nos ataques contra posições dos EUA no Iraque. 

Como resposta ao assassinato de Soleimani, no dia 8 de janeiro de 2020, mísseis balísticos atingiram as bases aéreas de Al Asad e Erbil, no Iraque, na chamada "Operação Mártir Soleimani". Segundo a mídia iraniana, foi relatado que os mísseis foram lançados pelo Irã em retaliação pela morte de Qasem Soleimani no ataque aéreo próximo ao Aeroporto Internacional de Bagdá.

Segundo a Agência de Notícias ISNA, o Irã disparou "dezenas de mísseis" contra as bases americanas em território iraquiano e o governo do país rapidamente assumiu a responsabilidade pelo ataque. As autoridades americanas confirmaram que esses mísseis balísticos foram disparados a partir do território Iraniano contra alvos no Iraque. O primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdul Mahdi, havia sido avisado previamente do ataque pelos iranianos.

Segundo informações, entre 6 e 10 mísseis Fateh-313, de curto alcance, foram disparados pelos iranianos contra as instalações militares na Base aérea de Al Asad e no Aeroporto Internacional de Erbil. Um míssil Qiam 1 atingiu o aeroporto de Erbil mas não detonou, com três outros Qiam 1 falhando no ar e um outro explodiu a cerca de 20 milhas do aeroporto. De acordo com o exército iraquiano, cerca de 22 mísseis balísticos foram disparados de duas localidades entre 01h45 e 02h15 da manhã contra as instalações de al-Asad e Erbil. Eles afirmaram que dezessete foram lançados contra Ayn al-Asad e cinco contra Erbil.

Relatórios iniciais divulgados pelos EUA mostraram que os ataques iranianos em Erbil e na base de Al Asad não causaram baixas ou danos extensos. porém, uma semana após o ataque, foi reportado que mais de 100 militares dos Estados Unidos foram evacuados e tratados com sintomas de concussão e traumatismo cranioencefálico.

Trump diante do cenário optou por não embarcar numa escalada que poderia resultar num conflito direto com o Irã, adotando um discurso mais firme e ampliando a presença militar no Iraque, com adoção de novos sistemas de defesa contra mísseis nas bases situadas no Iraque, além de aumentar o estado de alerta da força na região.

No último dia 15 de fevereiro, um míssil atingiu o aeroporto de Erbil, no Iraque, causando a morte de um prestador de serviços de origem filipina que trabalhava para os EUA, deixando outras seis pessoas feridas (quatro funcionários civis americanos e um membro da guarda nacional dos EUA entre eles).

Uma semana depois no dia 25 de fevereiro, houve um novo ataque com mísseis, esse atingindo a Zona Verde de Bagdá, região onde foi estabelecido o centro do governo no Iraque durante a ocupação do país em 2003, hoje a zona abriga embaixadas e organizações internacionais. O alvo deste ataque era o complexo da embaixada dos EUA. Ninguém ficou ferido.

Embora o Kait'ib Hisbolá não tenha assumido a responsabilidade pelos ataques, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse que Washington "está confiante" de que a organização pró-iraniana está por trás da ação.

Os ataques contra instalações americanas no Iraque tem registrado um aumento desde o assassinato de Soleimani em 2020.

A postura adotada por Joe Biden mostra que seu discurso na prática não é tão "pacifista" como muitos acreditavam, e apontam para o retorno da postura intervencionista e o hipotético aumento nas ações militares norte americanas contra alvos no Oriente Médio, não podendo se descartar que um aumento nas tensões no Mar da China também seja questão de tempo, o que pode elevar o atrito também nas relações com a China.

Por: Angelo Nicolaci


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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

ORIGINAL DO ESQUEMA DE ATAQUE BRASILEIRO NA SEGUNDA GUERRA É ENTREGUE À ECEME

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No dia 18 de fevereiro, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) recebeu, em cerimônia realizada em seu Salão de Honra, o original do Calco de Operações do 5º Ataque a Monte Castelo. O documento, detalhando o esquema de manobra e a organização da operação militar, foi concebido dentro do Estado-Maior da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra para o ataque de 21 de fevereiro de 1945 a Monte Castelo, na Itália. No documento, consta a assinatura do oficial de Operações do Estado-Maior à época, o então Tenente-Coronel Humberto de Alencar Castello Branco.

O Calco ficou guardado por 74 anos pelo ex-combatente e criador do brasão da Força Expedicionária Brasileira, o 3º Sgt Ewaldo Meyer, que manteve o documento como uma lembrança da participação brasileira nos combates da 2ª Guerra Mundial.

O documento histórico foi destinado, primeiramente, ao Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e Colégio Militar de São Paulo (CPOR-CMSP), sendo recebido pelo Curador do Acervo e Presidente da Sociedade Amigos do CPOR-CMSP, Douglas Ramos, e pelo Comandante daquela organização militar, Coronel Maurício Máximo de Andrade. Em 2 de dezembro de 2020, em solenidade reservada, eles repassaram o Calco para a ECEME, estabelecimento de ensino que tem como patrono o Marechal Castello Branco. Recentemente, o Arquivo Histórico do Exército transportou, armazenou e tratou do documento segundo as normas técnicas vigentes.

A solenidade foi presidida pelo Chefe do Departamento de Educação e Cultura do Exército, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e contou com a presença do Diretor de Educação Superior Militar, General de Divisão Jorge Cardoso Martins; do Diretor do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército, General de Brigada Carlos Augusto Ramires Teixeira; e do comandante da ECEME, General de Brigada Márcio de Souza Nunes Ribeiro.

Durante todo o evento, foram observadas as medidas sanitárias preventivas contra a covid-19.


Fonte: Exército Brasileiro

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

76 anos da tomada de Monte Castelo

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No último dia 21 de fevereiro, comemoramos 76 anos de um dos grandes feitos da FEB (Força Expedicionária Brasileira) durante sua atuação no maior conflito que a humanidade experimentou. No teatro de operações europeu, a FEB realizou a sua mais importante conquista aqueles campos de batalha, a tomada do Monte Castelo. 

Uma das batalhas mais sangrentas enfrentadas pela Força Expedicionária Brasileira, a FEB era constituída por oficiais e voluntários que se alistaram com intuito de lutar contra o nazi-fascismo que tomava a Europa, e sacrificaram suas vidas afim de lutar pela liberdade. Os brasileiros, em sua maioria, estavam despreparados para adentrar o conflito, tendo equipamentos em muito inadequados á missão que lhes era delegada, as forças brasileiras receberam treinamento e equipamentos dos norte americanos. Receberam de armamentos á uniformes, pois as tropas brasileiras estavam adequadas a atuação em clima tropical e seus fardamentos não eram adequados para enfrentar o rigoroso inverno europeu.


General alemão negocia sua rendição as tropas da FEB
A FEB estava subordinada ao 4º Corpo do 5º Exército americano e foi enviada para os campos de batalha na Itália para ajudar a conter o avanço das forças alemãs em direção à França. Antes da vitória final, em 21 de fevereiro, ocorreram outras três tentativas. O comando americano definiu que no dia 19 de fevereiro teria início a nova ofensiva que ficou conhecida como "Operação Encore". A missão da FEB era tomar o controle de Monte Castelo, pois representava uma posição estratégica, já que se encontrava no caminho para Bolonha, cidade que representaria uma importante conquista para as forças aliadas. No dia 21, a FEB derrotou os alemães. A tomada do Monte Castelo ficou conhecida como a sua mais importante conquista.

Alguns meses depois, em 8 de maio de 1945, a Alemanha se rendeu e chegou ao fim a Segunda Guerra Mundial na Europa. Os pracinhas da FEB retornaram ao Brasil e aqui foram recebidos com muita festa. A segunda guerra seria totalmente encerrada 4 meses mais tarde, pois os japoneses ainda não haviam aceitado a derrota e lutavam ferozmente, mesmo frente ao avança norte americano no Pacífico. O ataque com atômico a Hiroshima e Nagasaki mostrou ao mundo o poder destrutivo dos EUA e levaram finalmente à rendição dos japoneses em 2 de setembro de 1945.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Iwo Jima valeu a pena?

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A icônica foto dos fuzileiros levantando a bandeira americana sobre o Monte Suribachi, colorida artificialmente pela artista brasileira Marina Amaral

Um observador que avistou um ninho de metralhadora confirma sua localização num mapa para que possam enviar as informações para a artilharia ou morteiros para eliminá-lo. Iwo Jima, fevereiro de 1945. (Arquivos Nacionais)

Na manhã de 19 de fevereiro de 1945, o Tenente da Marinha James Vedder, cirurgião de combate do 27º Regimento, 5ª Divisão do USMC¹, esperou que sua embarcação de desembarque tocasse as areias vulcânicas de Iwo Jima, a ilha que serviria como o primeiro combate real deste médico.

Muito ansioso, ele poderia ao menos consolar-se com o pensamento de que os planejadores esperavam apenas uma ofensiva de dois dias, com um terceiro dia dedicado a acabar com a resistência inimiga.

Os comandantes dos Estados Unidos previram que a força de assalto de 80.000 fuzileiros experientes em combate poderia atravessar rapidamente as defesas da ilha, já neutralizadas por bombardeios, destruindo os japoneses em suas posições defensivas ou derrubando-os em ondas se eles lançassem ataques banzai desesperados.

A Marinha já havia programado que essas mesmas três divisões participariam na invasão de Okinawa, que deveria ocorrer em 30 dias, demonstrando que não considerava a operação muito difícil, pelo menos inicialmente.

Às 08h30, navios de guerra, cruzadores e destróieres apontaram suas armas na cabeça de praia de Iwo Jima e sacudiram a paisagem com um bombardeio maciço.

As violentas explosões em terra rapidamente envolveram a topografia visível da ilha em fumaça e escombros.

Os fuzileiros navais trazem uma vítima para tratamento médico, enquanto o combate terrestre continua em Iwo Jima, março de 1945. (Arquivos Nacionais)

Mal sabia Vedder que os comandantes dos Estados Unidos haviam subestimado imensamente as defesas em Iwo Jima, prevendo incorretamente a estratégia defensiva japonesa e superestimando os efeitos da superioridade numérica e tecnológica americana.

Os homens da 109ª Divisão de Infantaria japonesa, em suas fortificações meticulosamente projetadas, estavam posicionados para defender habilmente a Ilha de Enxofre (a tradução literal do nome japonês "Iwo Jima") da 3ª, 4ª e 5ª Divisões de Fuzileiros, resultando na mais terrível das batalhas da Guerra do Pacífico.

Com apenas 20 meses de experiência militar, o Dr. Vedder estava prestes a enfrentar 33 dias da carnificina mais horrível que se possa imaginar, quando garotos e veteranos americanos das forças anfíbias alimentaram o moedor de carne em Iwo Jima.

Vedder chegou à praia poucos minutos atrás das primeiras ondas de tropas, tentando exercer compaixão naquele inferno.

Em tempos de paz é normal esquecer-se de como os relatos de sofrimento, destruição e morte do tempo de guerra podem ser incrivelmente diretos, detalhados e diversificados.

Na paisagem lunar de Iwo Jima, Vedder tratou feridas que destroçaram rostos, quebraram mandíbulas e racharam crânios.

Ele freqüentemente tentava cuidar de meninos americanos sem membros, com feridas tão devastadoras que nenhuma cura era possível.

Ele testemunhou fuzileiros e marinheiros morrendo violentamente por tiros de artilharia e morteiros, bem como por disparos japoneses inesperadamente precisos.

Ele cuidou dos aspectos de saneamento de centenas de cadáveres em decomposição.

Os mesmos insetos que infestaram os mortos infiltraram-se nos olhos, ouvidos e narinas dos vivos; ou, pior, contaminavam alimentos para consumo humano. Com todo esse horror, seu trabalho se tornou quase rotineiro, permitindo o humor ou mesmo breves momentos de felicidade.

No entanto, em uma narrativa de 220 páginas dedicada à batalha, o cirurgião de combate Vedder não fez menção a uma bandeira americana hasteada no topo do Monte Suribachi.

Talvez esta omissão constitua a evidência mais importante de todas.

Quase todo mundo já ouviu falar de Iwo Jima e reconhece o ícone monumental de militares dos EUA hasteando a bandeira americana no topo do Monte Suribachi em 1945. O público em geral entende que esta imagem simboliza patriotismo e valor, embora a cena pitoresca minimiza muito o terrível sofrimento dos combatentes.

(Arquivos nacionais)

A Operação Detachment (o codinome do plano de guerra dos EUA para invadir Iwo Jima) foi a maior operação do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA já realizada. Custou a vida de mais de 25.000 americanos e japoneses.
 
No entanto, a maioria das pessoas não percebe que, tragicamente, a decisão do Estado-Maior Conjunto em relação a Iwo Jima custou milhares de vidas americanas por um objetivo que nunca cumpriu os propósitos pretendidos - uma verdade que os historiadores em geral deixaram de abordar por mais de seis décadas.

As valiosas lições de Iwo Jima estão cobertas e adormecidas, enterradas sob mitos e lendas.

Um exame mais detalhado do planejamento de Iwo Jima demonstra que a rivalidade entre as Armas, resultante do duplo avanço da Marinha dos EUA e do Exército dos EUA no Pacífico, influenciou fortemente a decisão de iniciar a Operação Detachment.

Em vez de esperar que o Exército concluísse a captura das Filipinas em 1944 e liberasse as forças terrestres necessárias para invadir Formosa, a Marinha fez uma mudança apressada nos planos para tomar Okinawa e, assim, continuar seu avanço para o norte.

Embora Okinawa atendesse aos objetivos da Marinha, o objetivo de capturar Iwo Jima, na verdade, derivou da estratégia da USAAF². A intenção era proteger os B-29 Superfortressz fornecendo apoio de escolta de caça a partir de Iwo Jima.

A combinação dos objetivos de Okinawa e Iwo Jima garantiu a aprovação do Estado-Maior Conjunto. Essa aliança entre a Marinha, que buscava flanquear o exército, e a USAAF, que queria provar o valor do bombardeio estratégico para criar um serviço aéreo independente no pós-guerra, satisfez seus respectivos interesses.

No entanto, o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, que de longe foi quem pagou de o maior preço pela execução da Operação Detachment, permaneceu excluído do processo de tomada de decisão. Quando as operações de caças a partir de Iwo Jima falharam, os militares buscaram razões adicionais para justificar a custosa batalha, e os historiadores em geral perpetuaram essas ilusões.

O combate em Iwo Jima foi talvez o mais brutal, trágico e caro da história americana. Os estudiosos, de modo geral, nunca abordaram suficientemente as decisões estratégicas e as justificativas para a tomada de Iwo Jima.

Duas superfortes Boeing B-29 do XX Comando de Bombardeiros, 486º Grupo de Bombardeio, lançando suas cargas de bombas durante um ataque diurno sobre Rangoon, Birmânia, por volta de fevereiro de 1945. (Museu Nacional do Ar e Espaço, Smithsonian Institution)

A principal fraqueza na condução da Guerra do Pacífico foi a incapacidade do Estado-Maior Conjunto de unificar os esforços do Exército e da Marinha. Consequentemente, o Exército, a Marinha e as Forças Aéreas do Exército conduziram campanhas separadas e concorrentes contra o Japão.

A Operação Detachment derivou da estratégia da USAAF, ocasionada pela8 necessidade de melhorar as decepcionantes operações do B-29, em um ambiente de acirrada competição e com o medo de perder uma potencial autonomia. Ao custo de milhares de vidas, a Operação Detachment forneceu uma base aérea de valor questionável, com um preço que nem o público nem os militares poderiam engolir.

Quase todo livro, artigo de jornal, entrada de enciclopédia e site que aborda a batalha justifica os quase 7.000 americanos mortos com a teoria do “pouso de emergência”. Essencialmente, a teoria argumenta que 2.251 B-29 pousaram em Iwo Jima e cada um carregava onze tripulantes; conseqüentemente, a Operação Destacamento salvou a vida de 24.761 americanos.

No entanto, a teoria do pouso de emergência não resiste a um exame minucioso. O absurdo da afirmação demonstra até que ponto a batalha foi mal compreendida.

Em vez de salvar as vidas dos aviadores americanos, a Operação Detachment pode ter na verdade prejudicado os esforços de guerra dos Estados Unidos para derrotar o Japão. Se virmos a Guerra do Pacífico pelas lentes de Iwo Jima, suas lições mais importantes começam a surgir.

Quatorze dias dispendiosos após os fuzileiros navais pousarem em Iwo Jima, os engenheiros do 2º Batalhão de Engenheiros Separado e do 62º Batalhão de Construção Naval estavam trabalhando ativamente para reparar o Aeródromo No 1.

Japoneses e americanos ainda lutavam ferozmente ao longo da linha de frente da área de batalha e havia uma ameaça constante de fogo indireto aos fuzileiros navais na pista de pouso. Alguns aviões de observação utilizaram Iwo Jima desde o final de março. Conseqüentemente, uma pequena torre de controle de madeira foi construída, alta o bastante para içar um único Fuzileiro, como observador, 6 m acima do campo de aviação.

No rescaldo de 4 de março, o campo de aviação no. 1 recebeu uma mensagem inesperada de um dos navios de apoio naval. Aparentemente, um B-29 tinha ficado sem combustível, estava indo em direção a Iwo e planejava pousar.

A situação deve ter animado a equipe de terra. Não houve tempo para coordenar um cessar-fogo da artilharia ou do tiroteio naval; a silhueta do B-29 podia ser vista se aproximando lentamente no horizonte do Pacífico.

“Limpem a pista!” é o grito que deve ter sido dado às equipes de construção.

Esses veteranos, acostumados a comandos improvisados, provavelmente se esforçaram para remover equipamentos e pessoal. A enorme aeronave avançou no que deve ter parecido um passo de lesma para os aviadores, atraindo o fogo antiaéreo japonês.

Ela continuou em frente e pousou na pista de pouso. Fuzileiros navais e marinheiros assistiram com espanto enquanto a enorme fortaleza voadora reduzia a velocidade até parar.

Um correspondente de combate do USMC descreveu o que passou por sua mente quando o B-29 pousou: “Como um pássaro gigante, pousou no Aeródromo Número Um de Motoyama…. O B-29 pousou em solo sagrado, com cinzas vulcânicas revestidas de argila dura que recentemente se encharcou com o sangue dos fuzileiros navais americanos…. Estes Leathernecks [NT pescoços de couro, um dos muitos apelidos dados aos Marines] da sua e da minha cidade tornaram possível que o B-29 pousasse aqui. Agora, aqueles rapazes estão enterrados na sombra do Monte Suribachi, onde a Velha Glória [NT bandeira americana] flamula da crista, proclamando a todos que os fuzileiros navais americanos conquistaram os japoneses que mantinham a formidável fortaleza do vulcão.”

Quando o primeiro B-29 pousou em Iwo Jima, as tropas em terra não conseguiram conter o entusiasmo. Eles deixaram suas posições cobertas para cercar em massa os tripulantes dos bombardeiros, tornando-se uma fotografia famosa. Os americanos em Iwo Jima consideraram que havia muito o que comemorar neste evento aparentemente trivial.

Esses homens ansiavam por entender o propósito por trás das últimas duas semanas de combate violento. Em meio ao caos de morte e destruição, o bombardeiro subitamente pousou bem na frente deles. Nos primeiros dias da batalha, os homens discutiram se a ilha teria algum significado militar duradouro, mas o aparecimento do B-29 suprimiu tudo isso.

Ao final das hostilidades, 36 B-29 pousaram em Iwo Jima.

A euforia em torno desses eventos teve um impacto imediato nos altos comandos das Forças Aéreas do Exército, Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais.

A mídia também divulgou os pousos do B-29, gerando lendas. Assim como a bandeira sendo hasteada no Suribachi assumiu proporções heróicas, o mesmo aconteceu com o romantismo que justificava a necessidade de Iwo Jima.

Um bombardeiro Boeing B-29 queima em um campo de aviação de Iwo Jima depois que seus freios travaram no pouso e desviou para uma área de estacionamento de aeronaves, em 24 de abril de 1945. O B-29 atingiu e destruiu quatro caças P-51 "Mustang". Um está queimando perto do nariz do bombardeiro, outro na asa direita. (Arquivos Nacionais)

As Ilhas Bonin certamente tinham relevância estratégica.

Eles estão em um caminho direto de bombardeios contra Tóquio. Tripulações de B-29 das Marianas voaram 14 horas diretas sem um único aeródromo amigo entre Tinian e Honshu. O confinamento das pistas de pouso americanas em Tinian, Guam e Saipan restringiu um pouco as operações de resgate aéreo às áreas próximas às Marianas.

Na cadeia de ilhas que vai das Marianas ao Japão continental (Nanpo-Shoto), os japoneses já tinham construído aeroportos em várias ilhas. As Ilhas Bonin ofereciam um dos locais mais adequados para a construção de uma base aérea avançada.

No entanto, apesar dos benefícios de ter Iwo Jima nas mãos dos americanos, havia pelo menos seis outras ilhas no Nanpo-Shoto sob consideração do Estado-Maior Conjunto.

Em dezembro de 1944, estava bastante claro que tomar a 'Ilha do Enxofre' seria difícil. Ao pesar a necessidade da batalha, deve-se determinar se a Operação Detachment cumpriu seu propósito original, se havia maneiras alternativas de atingir os mesmos objetivos e que impacto a apreensão de Iwo Jima teria nas operações futuras.

Parte da dificuldade em investigar as razões dadas para a Operação Detachment é que as fontes são inconsistentes.

Na estratégia aprovada pelo Estado Maior Conjunto, as justificativas para a operação nas Ilhas Bonin foram:

a. Fornecer cobertura de caça para a aplicação de nosso esforço aéreo contra o Japão.

b. Negar esses postos avançados estratégicos ao inimigo.

c. Fornecer bases de defesa aérea para nossas posições nas Marianas.

d. Fornecer campos para o preparo de bombardeiros pesados ​​(B-24 Liberators) contra o Japão.

e. Precipitar um combate naval decisivo.

A poucos metros da praia de invasão de Iwo Jima, fuzileiros navais da 5ª Divisão de Fuzileiros Navais prontos para descer de um LCVP da Guarda Costeira. A data da foto é presumivelmente o Dia D de Iwo Jima, 19 de fevereiro de 1945. (Coleção de James Edwin Bailey, uma doação de 2006 de sua esposa, Helen McShane Bailey, uma fotografia da Guarda Costeira, agora nas coleções do Comando de História e Patrimônio Naval dos EUA)

Após a batalha, o almirante da frota Ernest J. King e o general do exército George C. Marshall continuaram a afirmar que Iwo Jima fornecia cobertura de caça essencial para os Superfortress, mas começaram a mudar a ênfase para os pousos de B-29 em Iwo Jima.

No relatório de Marshall ao Secretário da Guerra Henry L. Stimson, ele declarou: “O aeródromo em Iwo salvou centenas de B-29 danificados pela batalha, incapazes de fazer o voo de retorno completo às suas bases nas Marianas, 1300 km mais ao sul”.

King argumentou que muito mais B-29 teriam sido abatidos sobre o Japão "se Iwo Jima não estivesse disponível para pousos de emergência". Ele estimou que "as vidas [que teriam sido] perdidas no mar apenas por este último fator ... excederam as vidas perdidas na captura em si."

Outras fontes ofereceram justificativas adicionais para tomar Iwo Jima.

Uma publicação da USAAF afirmou que as unidades de resgate ar-mar baseadas na ilha foram essenciais no resgate de tripulações abatidas.

O almirante Raymond A. Spruance apontou que tomar Iwo Jima removeu um sistema japonês de alerta antecipado para bombardeios das Superfortress.

O General de Divisão do Exército Haywood S. Hansell Jr., comandante geral do 21º Comando de Bombardeiros, afirmou que a segurança da ilha melhorou o moral de seus pilotos.

A história oficial da USAAF afirmava que os B-29 precisavam fazer um percurso em L ao redor das Ilhas Bonin por causa da ameaça dos caças japoneses estacionados em Iwo Jima.

E, ao longo dos anos, os estudiosos aceitaram muitos desses argumentos.

Muitos desses argumentos foram levantados pela primeira vez após o término da batalha: Iwo Jima forneceu uma base para operações de resgate ar-mar, a invasão impediu os caças japoneses da ilha de interceptar voos B-29 e a ilha era útil como local de pouso de emergência.

No entanto, a principal razão para a captura de Iwo Jima originou-se dos planos de usá-la como base de caça para escoltar os B-29 que bombardeavam o Japão. Antes da invasão, a Marinha mantinha essa linha de raciocínio, tanto na cadeia de comando militar quanto na imprensa.

Esta foi a única razão que o almirante King mencionou para capturar a ilha em sua proposta ao Estado-Maior Conjunto.

Em 16 de fevereiro, três dias antes do desembarque, o vice-almirante Richmond K. Turner declarou em uma entrevista coletiva que o principal motivo para capturar Iwo Jima era fornecer "cobertura de caça para as operações dos B-29s baseados aqui nas Marianas. ”

Nem King nem Turner fizeram qualquer menção aos B-29s pousando em Iwo Jima.

Fuzileiro ferido na primeira leva de desembarque em Iwo Jima repousa em um leito de salva-vidas a bordo de um LCVP da Guarda Costeira fumando um cigarro fornecido por um membro da tripulação a caminho de um navio-hospital em alto mar. (Da coleção James Edwin Bailey, uma doação de 2006 de sua esposa, Helen McShane Bailey, esta fotografia oficial da Guarda Costeira agora está nas coleções da História Naval e do Comando de Patrimônio dos Estados Unidos)

Após a invasão, as Forças Aéreas do Exército alternaram os esquadrões de caça 45º, 46º, 72º, 78º, 531º, 548º e 549º do VII Comando de Caça na ilha; essas forças chegaram a somar mais de cem caças P-51 Mustang simultaneamente.

Mas este número limitado de caças, em comparação com os quase mil B-29 nas Marianas, tornava a escolta da maioria das missões de bombardeio impossível em caso de operações grandes.

No entanto, o número limitado de caças era o menor dos problemas do VII Fighter Command. O maior problema, na verdade, era a combinação da longa distância até os objetivos, das limitações mecânicas dos P-51s e das condições climáticas adversas no Oceano Pacífico.

O único rádio VHF em cada caça tinha um alcance de 240 km em condições de linha de visão. Os sistemas de navegação do P-51, consistindo em uma bússola, um indicador de velocidade do ar e um relógio, mostraram-se totalmente inadequados para as viagens de 2.400 km sobre o Pacífico. Ironicamente, eram os P-51 que dependiam dos B-29 para escoltá-los de e para os alvos.

Em março de 1945, quando o VII Fighter Command tentou treinar os voos de Iwo Jima para Saipan, percebeu rapidamente que o P-51 não foi projetado adequadamente para a longa viagem sobre o Pacífico (infelizmente, a USAAF não pôde realizar esses voos de treino antes da captura da ilha).

A cabine apertada, fria e despressurizada do P-51 tornou a viagem de ida e volta de nove horas sobre as águas do Pacífico difícil demais para os pilotos. Além disso, ao contrário das Superfortress, os Mustangs muitas vezes não podiam suportar o clima severo. Tempestades causaram a queda de muitos aviões.

O VII Comando de Caças tentou escoltar as Superfortress no início de abril, mas logo percebeu que sua tarefa não era viável. O comando voou apenas três missões de escolta - em 7, 12 e 14 de abril - antes de encerrar os esforços de escolta.

Portanto, a USAAF praticamente não usou Iwo Jima para o propósito original que levou à invasão.

Os pilotos de porta-aviões da Marinha foram informados de seus ataques contra Iwo Jima por meio do uso de mapas detalhados em relevo como este. O Monte Suribachi, no extremo sul da ilha, está no canto inferior direito. A fotografia original veio dos arquivos de trabalho do projeto de história da Segunda Guerra Mundial contra o contra-almirante Samuel Eliot Morison. Foi fornecido a Morison por EJ Long. (US Naval History and Heritage Command)

Iwo Jima era necessária ou era a duplicação de esforços?

Okinawa, por exemplo, tinha capacidade para fornecer dezenas de aeródromos para caças terrestres, e assim o fez. As limitações de alcance não permitiam que os caças baseados em Okinawa viajassem para o Japão, mas o VII Fighter Command teve ainda mais dificuldade em cobrir essa distância a partir de Iwo Jima.

Mais importante ainda era o fato de que os caças baseados em porta-aviões atingiam regularmente seus alvos no Japão.

No final de 1945, os Estados Unidos haviam produzido o número sem precedentes de 30 porta-aviões³ de esquadra e 82 porta-aviões de escolta, a maior frota de poder aeronaval da história mundial. Os porta-aviões da Frota do Pacífico poderiam lançar uma escolta de caça para os B-29s e recuperar suas aeronaves em distâncias muito mais curtas e seguras do que a viagem de 2.400 km de Iwo Jima.

Um porta-aviões pesado poderia lançar tantos aviões quanto os P-51 estacionados em Iwo Jima. Parece irracional pensar que os aeródromos de Iwo, com logística deficiente por não haver instalações portuárias, poderiam fornecer um suporte aéreo que os porta-aviões não podiam.

Inicialmente, quando os B-29 começaram a operar em novembro de 1944, a Marinha concordou em dar apoio de caça à USAAF. Como o poder aéreo da Marinha estava vinculado a outras operações naquele mês, a proposta acabou fracassando. A USAAF decidiu ir sozinha, em vez de esperar pelo apoio dos caças da Marinha.

O conceito de operações aéreas conjuntas nunca mais se materializou. O aumento da cooperação teria se mostrado mais benéfico do que confiar nos P-51s estacionados em Iwo Jima.

Ironicamente, a necessidade de escolta de caças já havia se tornado questionável antes mesmo que a batalha por Iwo Jima atingisse seu clímax.

No início de março, o general Curtis LeMay da USAAF mudou a tática usual do B-29, de bombardeio diurno de precisão em grande altitude para ataques noturnos de baixa altitude contra o Japão.

Segundo o major-general Hansell, isso aumentou a carga de bombas, pois “à luz do dia, a força tinha que voar em formação e operar em grande altitude para se defender dos caças japoneses”, restringindo a tonelagem.

As defesas aéreas noturnas do Japão ofereciam resistência fraca e ineficaz. LeMay estava mais preocupado com os danos do fogo amigo do que com as defesas aéreas japonesas.

Consequentemente, ele retirou as metralhadoras e artilheiros dos B-29, abrindo espaço para cargas úteis maiores. Só mais tarde o general reinstalou uma parte dos sistemas defensivos do B-29, e isso apenas para aumentar o moral.

Inicialmente, LeMay temeu que bombardeios a 5.000 pés aumentassem as perdas das Superfortress, mas os resultados superaram suas expectativas. Não só o bombardeio destruiu os alvos desejados, mas a devastação destruiu grandes porções das cidades japonesas, matando milhares de pessoas.

Com as novas técnicas de bombardeio, a cobertura do caça estacionada em Iwo Jima tornou-se irrelevante.

Os P-51 estacionados em Iwo Jima serviram em outras funções.

Os B-29s guiaram os caças aos aeródromos japoneses em Nagoya, Osaka, Kobe e Tóquio de abril a agosto de 1945. A maioria das missões ocorreu em junho e julho, quando o tempo estava favorável.

No entanto, quando as operações do VII Fighter Command começaram, os americanos já haviam esmagado o poder aéreo japonês. O general Ernest Moore, que chefiou o VII Comando de Caça, lamentou a falta de oposição, afirmando: “Espero que [os caças japoneses] nos dêem pelo menos um pouco de competição, porque não é muito animador voar tão longe na esperança de algum combate e não achar nenhum.”

Durante as primeiras operações de abril a junho, os P-51 da USAAF voaram 832 surtidas, mas apenas 374 foram consideradas bem-sucedidas. O VII Fighter Command alegou que destruiu 74 aviões inimigos e danificou outros 180 no solo.

Os resultados foram, na melhor das hipóteses, fracos. Nas palavras de um historiador da USAAF, “o esforço total do P-51 não foi muito frutífero”.

Um estudo mais recente da Força Aérea concluiu que a contribuição do VII Fighter Command foi supérflua.

Médicos e socorristas atendem fuzileiros navais feridos em um posto de primeiros socorros em 20 de fevereiro de 1945. O capelão da Marinha, tenente John H. Galbreath (centro direito) se ajoelha ao lado de um homem que tem queimaduras graves, recebido em uma bateria de artilharia a aproximadamente 50 metros de distância . (Arquivos Nacionais)

Negar as Ilhas Bonin aos japoneses foi outro motivo dado para a Operação Detachment.

Em 1945, os aeródromos japoneses em Iwo Jima constituíam uma ameaça, mas as forças dos Estados Unidos se esquivaram de muitas ilhas com aeródromos semelhantes enquanto se moviam em direção ao Japão.

O principal exemplo de uma fortaleza inimiga evitada foi a ilha de Truk, no arquipélago Caroline, a sudeste de Guam. Truk ostentava importantes bases aéreas e navais japonesas.

Inicialmente, o Estado-Maior Conjunto designou Truk como o objetivo principal dos Estados Unidos.

No entanto, após consideração, os chefes determinaram que o custo de apreender Truk superava sua utilidade (ou talvez não houvesse forças suficientes disponíveis para seguir essa opção).

As Forças Aéreas do Exército e a Marinha neutralizaram com sucesso a ilha com frequentes bombardeios aéreos e um bloqueio naval.

De maneira semelhante, os planejadores do Estado-Maior Conjunto determinaram em 1943 que as ilhas Bonin poderiam ser neutralizadas e não valiam o custo de apreendê-las.

Neutralizar as Bonins, aliás, não exigia apreender Iwo Jima.

Os estrategistas militares também buscaram reduzir a ameaça de ataques aéreos do inimigo contra as Marianas. Os japoneses haviam lançado vários ataques aéreos a Saipan, usando aviões que provavelmente reabasteceram nas Ilhas Bonin.

No entanto, esses ataques ocorreram com pouca frequência e foram apenas marginalmente eficazes.

Do início de novembro de 1944 ao início de janeiro de 1945, os japoneses lançaram apenas sete ataques. Eles destruíram 11 B-29s e causaram danos substanciais a outros oito.

Os americanos destruíram 37 caças japoneses no processo.

Quando o XXI Comando de Bombardeiros intensificou as missões de bombardeio em Iwo Jima em janeiro, os ataques cessaram.

Operador de lança-chamas da marinha entra em ação, coberto por um par de fuzileiros, fevereiro de 1945. (US Naval History and Heritage Command)

Ou seja, os danos causados ​​aos aeródromos de Iwo e instalações relacionadas por meio de bombardeios aéreos e de superfície, combinados com a crescente escassez de aviões, pilotos e combustível japoneses, garantiram que as pistas de pouso em Iwo Jima daquele ponto tivessem pouca utilidade ofensiva para o Japão.

Considerando as circunstâncias, os japoneses não podiam se dar ao luxo de perder combustível, aviões e pilotos contra alvos de longo alcance nas Marianas. Eles só arriscariam um punhado de voos para Iwo Jima.

Os registros da Força Aérea do Exército indicam que o número médio de aviões inimigos avistados na ilha de janeiro ao início de fevereiro foi de apenas 13, e esses aviões provavelmente estavam entregando suprimentos de última hora para as forças terrestres do general Tadamichi Kuribayashi.

Mesmo se os japoneses pudessem ter continuado os ataques contra Saipan ou Tinian reabastecendo em Iwo Jima, outras ações não teriam sido bem-sucedidas.

Os ataques à luz do dia deram aos americanos um aviso fácil, e os caças japoneses tinham pouca capacidade de combate noturno.

Como havia acontecido em Pearl Harbor, os ataques aéreos às Marianas demonstraram a capacidade japonesa de utilizar a ousadia e a surpresa contra um inimigo distraído. Depois que os japoneses perderam o elemento surpresa, outros ataques tornaram-se irrelevantes.

Em uma carta ao seu comandante, general Henry H. “Hap” Arnold, em novembro, o major-general Hansell disse que os japoneses preferiam atacar sob a lua cheia, exatamente como continuaram a fazer até o início de janeiro.

Hansell não apenas previu os períodos de ataque, mas também entendeu as táticas aéreas atuais do Japão e preparou o XXI Comando de Bombardeiros para enfrentar a ameaça.

Até mesmo a história das Forças Aéreas do Exército concluiu: “Os ataques japoneses contra bases B-29, embora problemáticos, não eram importantes o bastante, por si sós, para justificar o custo de captura de Iwo Jima.”

Em 1945, Iwo Jima tinha pouca relevância ofensiva para os japoneses.

Nas palavras de oficiais japoneses: “Nosso Exército de primeira linha e forças aéreas navais haviam se exaurido na recente Operação nas Filipinas. A expectativa de restaurar nossas forças aéreas, elevando seu número combinado para 3.000 aviões, poderia se concretizar apenas em março ou abril e, mesmo assim, principalmente porque os tipos de aviões e seu desempenho se mostraram impraticáveis ​​para operações que se estendem além do raio de 900 km, poderíamos não ter uso para eles nas operações na área das Ilhas Bonin.”

Soldado japonês morto, parcialmente coberto por areia, perto de uma entrada de casamata em Iwo Jima, 24 de fevereiro de 1945. (Arquivos Nacionais)

Os japoneses queriam defender a Ilha do Enxofre para negar seu uso aos americanos. O general Kuribayashi considerou destruir a ilha por meio de demolições, afundá-la no mar ou cortar a parte central ao meio, para danificar gravemente os aeroportos.

Embora as idéias de Kuribayashi sobre a destruição de Iwo Jima possam ter sido exageradas, ele certamente considerou a ilha mais como um problema do que uma vantagem. Quando a manutenção contínua dos aeródromos de Motoyama prejudicou seus esforços de construção de defesa, um irritado Kuribayashi enviou o seguinte comunicado a Tóquio: “Devemos evitar a construção de aeródromos inúteis.”

Em mãos americanas, Iwo Jima forneceu um campo de aviação intermediário para realizar missões de bombardeio contra o Japão. Os B-29 podiam estender seu alcance e aumentar ligeiramente sua carga útil reabastecendo ali.

No entanto, a grande maioria dos B-29 baseados nas Marianas nunca usou Iwo Jima para esse propósito. Os B-29 já podiam atingir quase todos os alvos desejados dentro do alcance fornecido pelas bases nas Ilhas Marianas.

Além disso, pousar em Iwo Jima para aumentar ligeiramente as cargas úteis não foi crucial. O XXI Comando de Bombardeiros lançou tantas bombas sob a direção de LeMay que esgotou seus estoques de bombas incendiárias. A USAAF teve pouca necessidade de aumentar as cargas úteis com uma parada em Iwo Jima.

Além disso, o tamanho de muitas missões - mais de 500 B-29 às vezes - tornava uma escala em Iwo Jima difícil, senão impossível.

Para complicar as coisas, todos os suprimentos e materiais tinham que ser descarregados em Iwo Jima sem o auxílio de um porto. Isso tornava o transporte de combustível e munição para a Ilha do Enxofre uma tarefa perigosa e pouco produtiva.

Algumas missões usaram a ilha como área de teste, e isso melhorou a eficiência dos bombardeios, mas a área de teste não forneceu ajuda crítica para o esforço de guerra.

Os planejadores dos EUA inicialmente previram que um ataque às Bonins poderia forçar a marinha japonesa a sair do esconderijo e precipitar o combate naval decisivo que a Marinha dos EUA há muito desejava.

No entanto, a situação naval mudou durante o planejamento da Operação Detachment. No final de outubro de 1944, as marinhas japonesa e americana entraram no tão esperado confronto na Batalha do Golfo de Leyte. A Marinha dos Estados Unidos destruiu a maioria dos navios capitais japoneses na série de combates que se seguiram.

Precipitar um combate naval decisivo atacando as Bonins tornou-se então um ponto discutível.

Com uma terrível barragem de artilharia atingindo a praia ao redor, um oficial da Marinha veste um fuzileiro naval ferido enquanto seus amigos ficam abaixados enquanto aguardam o fim da barragem para que possam seguir em frente. (Tirada por Lee Weber, esta foto apareceu nos arquivos de trabalho do projeto de história da Segunda Guerra Mundial contra o almirante Samuel Eliot Morison, agora nas coleções de História Naval e Comando de Patrimônio dos Estados Unidos)

Muito tempo depois da invasão, o almirante Spruance argumentou que capturar Iwo Jima privou o inimigo de um local de alerta antecipado. No entanto, Iwo Jima era apenas uma entre as várias ilhas da cadeia Nanpo-Shoto que podia comunicar ao continente sobre ataques aéreos.

A captura de uma ilha não anulou as capacidades de alerta do Japão nas outras.

A ilha de Rota, controlada pelos japoneses, situada aproximadamente a meio caminho entre Guam e Tinian, forneceu um excelente exemplo do sistema de alerta precoce japonês. A menos de 50 milhas de cada uma das ilhas, a guarnição de Rota coletou e transmitiu ativamente informações de inteligência sobre as missões de bombardeio dos Estados Unidos.

O Estado-Maior Conjunto conhecia essas capacidades, mas nunca achou necessário invadir a Rota.

O relatório do almirante Spruance de 1945 após a ação para seus superiores, almirante Chester W. Nimitz e almirante Ernest J. King, declarou apenas um requisito para a Operação Detachment: “operar com maior eficácia, e com mínimo desgaste, uma cobertura de caças para os bombardeiros de longo alcance os bombardeiros era necessária o mais cedo possível.”

No entanto, quando entrevistado para sua biografia de 1974, Spruance argumentou que a batalha era necessária para anular o sistema de alerta antecipado de Iwo Jima - especificamente, sua instalação de radar. Independentemente de como ele chegou a essa conclusão, a instalação de radar de Iwo Jima, com seu alcance de cerca de 100 km, nunca impediu as operações dos B-29.

Na verdade, a maneira mais eficaz de os japoneses preverem um ataque dos EUA não veio do radar, mas pela interceptação de mensagens de rádio americanas. Este método amplamente praticado deu ao Japão um aviso prévio de quatro a cinco horas de um ataque iminente, cerca de duas a três horas antes do que poderia ter sido retransmitido pelo radar de Iwo Jima detectando os bombardeiros em vôo.

Um historiador afirmou sucintamente a ineficácia de tais contramedidas:

Para os japoneses, mesmo essa margem (cinco horas) não ajudou muito - em parte porque as informações, embora oportunas, eram muito genéricas. A menos que eles pudessem localizar o alvo de um ataque, os comandantes dos caças relutavam em enviar seus aviões para cima; o combustível era tão escasso que cada gota era preciosa. A confirmação do radar e de outros elementos do sistema foi necessária para completar o ciclo de alerta e justificar o envio de aviões. À medida que os invasores B-29 atacavam as ilhas, no entanto, as limitações das instalações de comunicação japonesas combinadas com a geografia atrasaram seriamente a defesa.

Mesmo que o radar primitivo na distante Iwo Jima alertasse o Japão sobre os ataques que se aproximavam, a guarnição não poderia localizar os alvos dos americanos. Conseqüentemente, os japoneses não conseguiram interceptar a maioria dessas missões.

O radar em Iwo Jima se tornou ainda menos significativo em março, quando a fraqueza das defesas aéreas noturnas japonesas levou o General LeMay a tomar a medida drástica de retirar as metralhadoras defensivas dos B-29s para aumentar o peso de suas cargas úteis.

Com as defesas aéreas japonesas já tão ineficazes, desligar a instalação do radar em Iwo Jima não justificava a invasão.

Bombas iluminadoras disparadas de navios de guerra de apoio iluminam a escura terra de ninguém entre as forças japonesas e a 3ª Divisão de Fuzileiros Navais em Iwo Jima. Os obuses eram lançadas de paraquedas do mar a cada minuto ou dois como uma proteção contra a infiltração inimiga. (Sgt. Robert Scheer, dos arquivos de trabalho do projeto de história da Segunda Guerra Mundial do Contra-almirante Samuel Eliot Morison, por meio de EJ Long, Comando de Herança e História Naval dos EUA)

O General das Forças Aéreas do Exército Hansell afirmou que um dos principais benefícios da Operação Destacamento foi melhorar o moral dos pilotos do B-29. Quando as tripulações do XXI Comando de Bombardeiros iniciaram seus primeiros voos em novembro, o fizeram em aviões com os quais tinham pouca experiência.

Os pilotos voaram mais de 5 mil km de ida e volta em algumas das condições climáticas mais adversas do mundo. As tripulações tentaram bombardear de precisão em grandes altitudes sobre a cobertura de nuvens.

Os resultados não foram muito animadores.

O general Hap Arnold temia que as falhas contínuas pudessem colocar em risco seu comando autônomo da USAAF. Consequentemente, ele exerceu uma pressão tremenda sobre o XXI Comando de Bombardeiros para agir, retirando o general Hansell do comando em janeiro de 1945.

Embora o moral nas Marianas provavelmente estivesse baixo em fevereiro, ele deve ter se recuperado novamente em março, depois que LeMay mudou para táticas mais bem-sucedidas e começou a resolver problemas de manutenção da aeronave.

Assegurar uma base aérea intermediária em Iwo Jima certamente aumentou ainda mais a confiança da tripulação - o que é incerto - mas, mesmo assim, uma melhora marginal no moral dos aviadores não justifica as milhares de vidas perdidas em Iwo Jima.

Um benefício inquestionável dos campos de aviação de Iwo Jima foi sua contribuição direta aos esforços de resgate ar-mar, mas isso afetou apenas um pequeno número de tripulações. A USAAF posicionou uma unidade de resgate ar-mar como um dos primeiros destacamentos em Iwo Jima.

A taxa média de resgate de novembro de 1944 a fevereiro foi de cerca de 34%. Após a captura de Iwo Jima, essa taxa subiu para 61%.

No entanto, as unidades de resgate aéreo estacionadas em Iwo Jima tinham apenas um papel secundário no resgate das tripulações do B-29. Embora as Forças Aéreas do Exército tenham estabelecido uma base de resgate aéreo adicional em Okinawa em julho, os esforços navais no Nanpo-Shoto - seus Dumbos, sua nave de superfície e seus submarinos - desempenharam o maior papel de recuperação.

Aplicando a taxa média de resgate antes da captura de Iwo Jima durante todo o período, as operações combinadas de resgate ar-mar salvaram mais 223 aviadores em relação à taxa anterior.

Iwo Jima não foi o único responsável por esse aumento, no entanto. A unidade de resgate ar-mar do VII Fighter Command em Iwo Jima salvou 57 aviadores durante toda a guerra.

Embora a Operação Detachment tenha aumentado o desempenho das operações de resgate, o número de vidas salvas de americanos é quase nada em comparação com o número perdido na captura da ilha. Além disso, a cadeia Bonin ofereceu mais ilhas do que Iwo Jima que poderiam ter servido como base de resgate aéreo.

Em seu relatório ao secretário da Marinha, o almirante King afirmou que Iwo Jima era a única ilha nas Bonin que “se prestava à construção de aeródromos”.

Na história oficial do Corpo de Fuzileiros Navais, Whitman S. Bartley evitou cuidadosamente essa questão, afirmando que Iwo Jima “era a única ilha que podia suportar um grande número de caças”.

Essas declarações falharam em reconhecer que Iwo Jima não era a única ilha nas Bonin que fornecia instalações de pouso.

Tanto Chichi Jima quanto Haha Jima já tinham aeródromos consideráveis ​​construídos - um fato que não recebeu escrutínio histórico suficiente.

Um TBF Avenger danificado em vôo depois que o avião acima dele na formação foi abatido por fogo antiaéreo perto de Chichi Jima e caiu sobre este TBF, quebrando a ponta da asa esquerda e rachando a fuselagem logo à frente da cauda. O avião danificado foi levado por seu piloto cerca de 100 milhas de volta ao seu grupo tarefa, mas teve que pousar na água. Todos os membros da tripulação foram resgatados. O avião era do porta-aviões Bennington (CV-20). Provavelmente tirada entre 18 de fevereiro e 4 de março de 1945. (Cortesia de Robert O. Baumrucker, 1978, agora nas coleções do US Naval History and Heritage Command)

Embora o desnível do campo de aviação de Haha Jima limitasse seu emprego, a ilha de Chichi Jima tinha uma excelente instalação portuária e água doce e estava 240 km mais perto do Japão (820 km de Tóquio, enquanto Iwo Jima estava a cerca de 1.060 km da capital do Japão).

Chichi Jima significa literalmente “ilha pai” e até que Kuribayashi transferisse seu quartel-general para Iwo Jima, os japoneses consideravam Chichi Jima a pedra angular das Ilhas Bonin em termos de utilidade e defesa. O terreno montanhoso, os penhascos íngremes e as áreas de desembarque limitadas ao redor de Chichi Jima tornavam-no um alvo difícil para ataques anfíbios.

A inteligência americana supôs incorretamente que a maior parte da 109ª Divisão de Infantaria japonesa ainda estava estacionada lá mas, na realidade, Kuribayashi já havia transferido a maior parte de sua mão de obra e material para Iwo Jima.

Chichi Jima atuou principalmente como uma instalação de comunicação e logística para apoiar Iwo Jima e as outras ilhas Bonin.

Chichi Jima forneceu uma base válida e útil para apoiar as operações terrestres e marítimas. A ilha montanhosa tinha pesados ​​canhões navais em torno do porto, era crivada de canhões antiaéreos e tinha poucas praias de desembarque. Embora seja difícil imaginar uma defesa mais completamente inexpugnável do que Iwo Jima, as defesas em Chichi Jima eram certamente formidáveis.

No entanto, talvez devido à confiança na geografia da ilha, os 15.000 defensores japoneses de Chichi Jima (6.000 a menos do que em Iwo Jima) não começaram a organizar seriamente suas defesas para repelir uma invasão até julho de 1945, quatro meses após o ataque a Iwo Jima.

Chichi Jima provou-se atraente para a Marinha dos Estados Unidos, e os planejadores criaram uma maneira de tomar a ilha, batizada de Operação Farragut, em junho de 1944.

O maior campo de aviação em Iwo Jima antes de sua captura tinha aproximadamente 1.270 por 128 m, enquanto o de Chichi Jima tinha 870 por 300 m, com água em ambas as extremidades da pista. Esta pista foi construída em um aterro colocado na água entre dois afloramentos rochosos da ilha, o que explica sua largura incomum.

Caças como o P-51 exigiam menos de 300 m para decolar ou pousar, mas os B-29s normalmente usavam mais de 2.400 m de pista. Os planejadores estimaram que seriam necessários dois batalhões de construção de 55 dias para cada extensão de 150 m para permitir que os B-29 usassem a pista de Chichi Jima.

A Marinha formulou um plano para criar uma base naval avançada na ilha em agosto de 1944, que incluía uma pista de caça de 1.300 m e um plano alternativo para um campo de aviação de bombardeiro médio de 1.800 m. (muitos B-29 fizeram pousos de emergência nas pistas muito mais curtas em Iwo Jima.)

Capturar a ilha teria satisfeito vários objetivos dos EUA, incluindo fornecer um campo de aviação para apoio de caça e resgate ar-mar, mas tornar os campos de aviação adequados para B-29 em tempo hábil teria sido difícil.

É difícil especular sobre as opções disponíveis em retrospectiva, mas negar que havia outras instalações de desembarque nas Ilhas Bonin deturpa as opções disponíveis.

Enquanto as balas das metralhadora inimiga chicoteiam os galhos sobre suas cabeças, os fuzileiros navais com uma maca vazia passam por um soldado japonês morto enquanto correm para o próximo pedaço de cobertura. (Fotografado por Charles Jones, dos arquivos de trabalho do projeto de história da Segunda Guerra Mundial contra o almirante Samuel Eliot Morison, agora nas coleções do Comando de História e Patrimônio Naval dos EUA)

Um argumento comum para a invasão afirma que os caças japoneses em Iwo Jima ameaçaram voos do B-29 sobre as Bonin.

Esse raciocínio tem duas fraquezas principais. Primeiro, os japoneses não colocaram caças permanentemente em Iwo Jima. A falta de instalações portuárias na ilha tornava a logística árdua, o que relegava os aeródromos a fins de preparação e reabastecimento. Antes de junho de 1944, os japoneses usavam principalmente os dois campos de aviação de Iwo Jima como um ponto de passagem entre Honshu e as Ilhas Marianas.

Depois que os Estados Unidos tomaram as Marianas em junho de 1944, a utilidade de Iwo Jima para os japoneses diminuiu muito, e os aeródromos da ilha tiveram pouca relevância para defender o Japão dos ataques de B-29.

A distância de Iwo Jima a Tóquio é muito grande, o que tornava impossível, devido às limitações de tempo, levar caças de Honshu a Iwo Jima e interceptar os B-29, mesmo com várias horas de alerta antecipado. Nessas circunstâncias, simplesmente não era possível para os interceptores japoneses reagirem a voos imprevistos sobre as Bonin.

Da mesma forma, o argumento de que o “percurso em L” teve um efeito negativo nas operações de bombardeiros, como alguns historiadores sustentam, tem pouca credibilidade. Os bombardeiros simplesmente voaram em formação até um ponto oposto a Iwo Jima e então seguiram individualmente para as Marianas a partir desse ponto. Embora não voar diretamente sobre Iwo Jima, então em posse dos japoneses, fosse prudente, não foi o suficiente para prejudicar as operações.

Mesmo se os japoneses tivessem conseguido se antecipar a uma missão dos B-29 e enviado alguns caças a Iwo Jima para dali partirem numa emboscada, aqueles Zeros seriam altamente suscetíveis a ataques de bombardeiros das Marianas. Os campos de aviação em Iwo Jima poderiam ser (e foram, a partir de janeiro de 1945) neutralizados por repetidos bombardeios aéreos.

Mais importante, não parece que tenha havido uma ameaça significativa de assédio aos B-29 por causa de Iwo Jima. De agosto de 1944 a fevereiro de 1945, 2.800 surtidas de B-24 Liberator voaram diretamente sobre Iwo Jima para bombardear os campos de aviação, e apenas 9 foram abatidos por um caça inimigo ou fogo antiaéreo.

Considerando que as defesas em Iwo Jima poderiam incapacitar menos de meio por cento dos aviões que a atacaram, simplesmente voar além da ilha a 30.000 pés representava pouco perigo.

A história oficial da USAAF não menciona sequer uma única instância de um B-29 abatido perto da ilha.

Seus autores declararam que “a ideia de tomar a ilha derivava menos de sua ameaça enquanto estava em mãos japonesas do que de seu valor potencial como base avançada para a 20ª Força Aérea”.

Um dos 10 prisioneiros anunciados como capturados em Iwo Jima está sendo trazido de volta à praia por fuzileiros navais da 3ª Divisão. (Arquivos de trabalho do projeto de história da Segunda Guerra Mundial contra o almirante Samuel Eliot Morison, agora nas coleções do Comando de História e Patrimônio Naval dos EUA)

Depois que Iwo Jima falhou em cumprir seu propósito como base de caças de escolta, os militares apresentaram várias outras justificativas para a Operação Detachment.

Algumas dessas razões têm mais validade do que outras; nenhum supera o tremendo custo incorrido na captura da ilha.

Inicialmente, pelo menos, houve críticas públicas sobre a necessidade de Iwo Jima.

Escrevendo na Newsweek , o almirante William V. Pratt, um chefe de operações navais na reserva, resumiu a situação no front doméstico: “Houve uma crítica pública significativa sobre esse gasto em termos de pessoal para adquirir uma pequena ilha, esquecida por Deus, inútil para o Exército como base de preparação e inútil para a Marinha como base de frota. O público quer saber se a ocupação de Iwo Jima foi uma real necessidade militar e se pergunta se o mesmo tipo de base aérea não poderia ter sido alcançado adquirindo outras localidades estratégicas a um custo menor. ”

Essa avaliação soa verdadeira hoje.

Enterro no mar para uma vítima da batalha por Iwo Jima, levado a bordo do transporte de ataque Hansford (APA-106) enquanto evacuava os feridos para Saipan, 25-28 de fevereiro de 1945. (Arquivos Nacionais)


Notas do tradutor:

¹ USMC: Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA

² USAAF: Força Aérea do Exército dos EUA, parte do US Army / Exército dos EUA, e precursora da atual USAF (Força Aérea dos EUA)

³ Aircraft carriers: navios aeródromo (nomenclatura brasileira) ou porta aviões (nomenclatura americana)


Original: Was Iwo Jima worth the cost?. O autor, Robert S. Burrell, era professor de História na US Naval Academy e, na época da publicação, era Capitão do USMC. Tradução e adaptação: Renato Henrique Marçal de Oliveira*

*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel).


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