sexta-feira, 17 de setembro de 2021

50 anos do Lynx - Conheça a história do Lynx na Marinha do Brasil

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Foto: Angelo Nicolaci - GBN Defense

Há 50 anos o primeiro protótipo do helicóptero Westland WG.13 alçava voo pela primeira vez, o protótipo XW835 decolou de Yeovil, no Condado de Somerset na Inglaterra, no dia 21 de março de 1971. O “Lynx” pintado na cor amarela iniciava ali a gênese de uma das mais fantásticas e icônicas aeronaves de asas rotativas, que até hoje continua evoluindo, mantendo suas garras bem afiadas, tornando-se os olhos e ouvidos dos navios de escolta em várias partes do mundo.

O audacioso programa de desenvolvimento buscava atender o nicho de mercado para helicópteros utilitários, com suas características e desempenho chamando a atenção do mercado militar, onde o projeto ganhou notoriedade e se tornou um marco da indústria aeronáutica militar britânica, dando origem a diversas variantes, destinadas a cumprir um grande leque de missões, seja em operações navais ou operações sobre terra, o “Lynx”  atuou em vários teatros de operações ao longo dos mais de 40 anos de serviço com exército britânico e a Royal Navy (Marinha Britânica), com seu batismo de fogo acontecendo aqui no Atlântico Sul, durante a Guerra das Malvinas/Falklands.

O “Lynx” detém ainda hoje o título de helicóptero mais rápido do mundo em sua categoria, sendo extremamente manobrável. A aeronave criada pela britânica Westland Helicopters, superou as expectativas e permanece ainda hoje em sua mais recente versão como uma aeronave naval letal, confiável e no “estado-da-Arte”.

Na Marinha do Brasil o “Lynx” se tornou um ícone inconteste há quase 43 anos, com sua história se fundindo a do esquadrão que foi criado exatamente para operá-lo, o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (EsqdHA-1 “Lince”). 

O Lynx e o Brasil: Conhecendo sua história

A história do “Lynx” no Brasil surgiu no final dos anos sessenta, época em que a Marinha do Brasil passava por um período de renovação da esquadra, e elaborava os requisitos de projeto dos seus novos escoltas, o que resultou nas fragatas da Classe Niterói.

Há época, o “Lynx” estava em fase final de desenvolvimento, sendo parte de uma nova doutrina de emprego, com a Royal Navy começando a introduzir novos conceitos na aviação naval, onde o “Lynx” surgia como aeronave padrão do sistema de armas de seus novos navios de escolta. Dentro da nova doutrina, a aeronave passava a atuar como extensão do sistema de armas do navio, ampliando o alcance dos sensores e a oferecendo maior capacidade de esclarecimento e resposta dos escoltas frente as ameaças no teatro de operações ao qual operava. Este novo conceito em desenvolvimento chamou atenção do Comando da Marinha do Brasil, a qual possui grande similaridade no que diz respeito a doutrina de emprego do poder naval com a britânica Royal Navy.

Assim, uma das exigências colocadas entre os requisitos da nova classe de escoltas Brasileiras, era ter capacidade de operar com helicóptero de pequeno/médio porte que se integrasse ao sistema de armas do navio e que o mesmo tivesse hangar para operar com aeronave orgânica. Após um criterioso estudo, a Marinha do Brasil optou pela aquisição por construção de seis fragatas baseadas no projeto Vosper Mk.10, assinando o contrato com estaleiro Vosper Thornycroft em setembro de 1970, dando origem a Classe Niterói.

Primeiro voo do "Lynx"

Ainda no âmbito da aquisição das novas fragatas, os britânicos atentos as necessidades e requisitos brasileiros, ofertaram através da Westland o Westland WG.13 “Lynx” (Como era denominado o “Lynx” durante o desenvolvimento), como resposta aos requisitos brasileiros, sendo este um dos mais recentes desenvolvimentos de sua indústria.

O “Lynx” ainda nem havia realizado seu primeiro voo, mas as características e capacidades oferecidas pela aeronave despertaram o interesse brasileiro, levando a Marinha do Brasil a apostar no binômio Vosper MK.10/Westland WG.13 “Lynx” como resposta para o reaparelhamento da esquadra e a concepção de uma nova doutrina de emprego que garantiria capacidades inéditas, projetando o poder naval brasileiro a um nível nunca antes alcançado.

SAH-11 "Lynx", a primeira versão operada pela Marinha do Brasil

Juntamente com a definição do projeto que daria forma a classe Niterói, foram encomendados inicialmente nove aeronaves Westland WG-13 Lynx, que a época ainda não havia tido nem o primeiro protótipo construído, o qual só viria a tomar forma e realizar seu primeiro voo no ano seguinte.

Um dos fatores que contribuíram para definição do “Lynx” como aeronave orgânica das novas fragatas brasileiras, era o fato da mesma ter sido projetada exatamente para operar embarcadas em fragatas do projeto Vosper Mk.10 dentre outros projetos britânicos, o que dispensaria qualquer necessidade de adaptações ao projeto do navio para acomodar a nova aeronave, e principalmente a integração aos sistemas do navio. A Marinha do Brasil foi o primeiro cliente de exportação do Lynx, fato que coloca o Brasil como um importante protagonista nesses 50 anos do primeiro voo do Lynx.

A aquisição dos novos meios levou a necessidade de criar uma estrutura para atender o novo conceito de emprego do poder naval através das aeronaves embarcadas nas fragatas da Classe Niterói. Assim, em 15 de maio de 1978 foi criado o 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque Antissubmarino (denominação inicial do EsqdHA-1, a qual foi alterada em 1997 para 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque), que inicialmente estava ocupando as instalações do EsqdHS-1, enquanto as novas instalações do esquadrão, apelidada de “Toca dos Linces”, não ficava pronta. O esquadrão passou a receber os primeiros exemplares do Westland “Lynx” Mk.21 ainda no primeiro semestre daquele ano.

A variante adotada inicialmente pela Marinha do Brasil foi a Mk.21 “Sea Lynx”, denominados aqui como SAH-11 “Lynx”, sendo a versão de exportação que tinha como base a variante britânica HAS Mk.2. Esta variante era a inicial de produção para a Royal Navy (Marinha Real Britânica e a marinha francesa.


Os novos “Lynx” Mk.21 eram capazes de realizar missões de ataque  de superfície (ASuW), equipados com quatro mísseis “Sea Skua”, além da capacidade de guerra antissubmarino (ASW), contando para esta missão com dois torpedos e cargas de profundidade, neste perfil operando vetorados pelos sensores das fragatas.

O Esquadrão foi finalmente ativado em 17 de janeiro de 1979, neste período a esquadra já contava com três fragatas da Classe Niterói incorporadas, porém, ainda sem contar com elemento aéreo orgânico. O primeiro pouso de um “Lynx” a bordo de uma fragata classe Niterói, ocorreria apenas em 20 de março do ano seguinte, no convoo da fragata “Constituição” (F42).

Inicialmente o “Lynx” era operado exclusivamente pelas fragatas Classe “Niterói”, o que perdurou até o princípio da década de noventa, com a chegada das fragatas Type-22, a Classe “Greenhalgh”, o EsqdHA-1 “Lince” passou a operar também a bordo destas fragatas, ampliando o emprego dos “Lynx” a outros navios de escolta, incluindo os saudosos Contra-torpedeiros da Classe “Pará”, além operar a bordo das corvetas Classe “Inhaúma” e a corveta da Classe “Barroso”, representando um desafio superado, com o convoo destas classes sendo os menores no mundo homologados para operar aeronaves da classe do “Lynx”.


O SAH-11 “Lynx” da Marinha do Brasil, foi a primeira aeronave de asas rotativas a introduzir misseis ar-superfície na América Latina, com o míssil “Sea Skua” da MBDA representando uma nova era nas capacidades de combate aeronaval, conferindo uma solução ímpar de ataque às fragatas brasileiras. Como curiosidade, o batismo de fogo do “Lynx” ocorreu com os britânicos durante a Guerra das Malvinas/Falklands, com envio de 24 aeronaves Lynx HAS Mk2 da Royal Navy realizando inúmeras surtidas e ataques contra as forças argentinas, marcando também o primeiro emprego em combate dos mísseis “Sea Skua”, que fizeram naquele conflito suas primeiras vítimas.

O Super Lynx

A Marinha do Brasil nos anos 90 identificou a necessidade de ampliar as capacidades do EsqdHA-1, principalmente após a incorporação de novos navios de escolta, como as fragatas Type-22 adquiridas junto à Royal Navy, e a incorporação das novas corvetas da Classe Inhaúma, entregues entre 1989 e 1994. O aumento da força de superfície, somados as perdas sofridas pelos “Lynx” desde sua entrada em serviço, levaram a decisão de adquirir novos exemplares da aeronave em 1995, desta vez a nova variante denominada Agusta/Westland Mk.21A “Super Lynx”.

O “Super Lynx” era mais avançado que seu antecessor, trazendo importantes inovações, como os novos motores GEM-42 e o radar Seaspray 3000 com cobertura em 360° sob o nariz, dando novas capacidades ao EsqdHA-1, que entre 1992 e 1996 contava apenas com cinco aeronaves remanescentes da primeira variante operada pela MB (os cinco exemplares sob registro N-3021, N-3023, N-3025, N-3026 e N-3027).

Foto: Luiz Padilha

O primeiro AH-11A “Super Lynx”, sob registro N-4001 chegou ao Brasil em 9 de setembro de 1996, seguido pelo segundo lote de duas aeronaves (N-4002 e N-4003) em 27 de janeiro de 1997, o terceiro lote com outro par de aeronaves (N-4004 e N-4005) foi recebido em 26 de fevereiro de 1997, as aeronaves N-4006 e N-4007 foram entregues em 21 de julho de 1997 e os dois últimos exemplares, N-4008 e N-4009 chegaram a Macega no dia 11 de agosto de 1997. Posteriormente, os cinco AH-11 “Lynx” remanescentes foram modernizados, sendo elevados ao padrão AH-11A “Super Lynx”, com EsqdHA-1 passando a contar então com 14 aeronaves do tipo em seu inventário.

Como todo sistema de armas, a plataforma do “Super Lynx” brasileiro (Mk.21A) não parou no tempo, introduzindo diversos melhoramentos ao longo de seu ciclo operacional. Entre essas melhorias implementadas aos AH-11A brasileiros, em março de 2003 foram adquiridos e instalados kits de tanques-suplementares para ampliar a autonomia de voo das aeronaves. O novo sistema aumentou em 300kg a capacidade de combustível do “Super Lynx”, o que representou um ganho de aproximadamente uma hora de voo em sua autonomia.


Em 2009, os “Linces” receberam novas atualizações, passando a contar com uma torreta FLIR Star SAFIRE III na parte superior do nariz. O “Super Lynx” passou a empregar novos armamentos, com variadas configurações. Entre as opções poderia receber duas metralhadoras FN Herstal MAG calibre 7,62 mm ou M3M (GAU-21) calibre 12.7 mm (.50) nas portas laterais para missões de patrulha e interdição, além dos mísseis ar-superfície MBDA “Sea Skua” para emprego contra alvos de superfície. Apesar de não ser sua missão principal, o AH-11A também poderia empregar torpedos e cargas de profundidade para atacar submarinos se vetorados pelas fragatas conforme já citamos anteriormente. O sistema de navegação e busca de alvos era feito pelo radar Marconi Seaspray Mk.3000 instalado na parte inferior do nariz.

“Lince Selvagem” a nova geração Wild Lynx

A última variante do “Lynx” conhecida como “Wild Lynx”, começa esta entrando em operação, com oito células originalmente construídas no padrão “Super Lynx” sendo elevadas a nova variante, a qual introduz diversos melhoramentos e modificações, com as células sendo submetidas a um extenso programa de modernização realizado pela unidade da Leonardo em Yeovil, no Condado de Somerset na Inglaterra, o berço dos Lynx.

WildLynx a mais moderna aeronave de esclarecimento e ataque naval do continente - Foto: Angelo Nicolaci - GBN Defense
 

Os motores LHTEC CTS800-4N representam um importante ganho em termo de confiabilidade, segurança e desempenho. Segundo o Capitão de Fragata Bruno Tadeu Villela, Comandante do EsqdHA-1, a nova motorização adotada pelo “Wild Lynx” representa um ganho de aproximadamente 40% em potência à aeronave, que entrega 1,563hp de potência, além de se tratar de um motor de arquitetura moderna, a qual reduz o trabalho da equipe de manutenção, resultando no menor custo hora/voo e maior índice de disponibilidade da aeronave.

Oito células do AH-11A “Super Lynx” foram selecionadas para passar pelo processo de modernização, fruto do contrato firmado em 2014 com a Agusta/Westland (hoje Leonardo). Dentre os pontos críticos mais relevantes do programa, está a substituição dos motores Rolls-Royce GEM-42 de 1.120hp, pelos motores LHTEC CTS800-4N da joint-venture composta pela Rolls-Royce e Honeywell, uma nova e moderna suíte aviônica baseada na arquitetura de cabine “Full Glass Cockpit”, compatível com Óculos de Visão Noturna (OVN), um novo processador tático, sistema de navegação baseado em satélite, Sistema de prevenção de colisões (TCAS), sistema de identificação automático (AIS), sistema RWR integrado com dispensadores de contra medidas, além de um novo guincho de resgate acionado eletricamente.

Capitão de Fragata Bruno Tadeu Villela, Comandante do EsqdHA-1

A nova cabine “Full Glass Cockpit” traz avanços tecnológicos que reduzem a carga de trabalho para tripulação, e diferente de muitos projetos de modernização ou integração de configurações “Glass Cockpit”, seu layout respeita a disposição de instrumentos encontrada no AH-11A, onde o gráfico e disposição remetem aos mesmo que haviam no “Super Lynx”, com isso reduzindo o tempo necessário para adaptação dos tripulantes na nova aeronave, além de proporcionar melhor interface homem/máquina, com conforto e importante ganho em segurança operacional.

O “Wild Lynx” já vem com a cabine equipada para operar com Óculos de Visão Noturna (OVN), mas o equipamento ainda levará algum tempo até ser objeto de qualificação das equipagens de voo, pois no atual cenário operativo, os navios de escolta hoje em operação, não contam com sistemas de operação noturna com uso de OVN, o que não coloca a qualificação das tripulações em voo com OVN uma prioridade.

No horizonte não muito longínquo, com a construção das novas fragatas da Classe “Tamandaré”, a qualificação em operações noturnas com uso de OVN será uma realidade com a incorporação e entrega das novas fragatas ao setor operativo da Esquadra, tendo em vista que a configuração destas escoltas conta com sistema de operação noturna que possibilita o emprego de óculos de visão noturna.

                                                                                                                                                                                               Foto: Angelo Nicolaci - GBN Defense

As “garras” do Lince continuam afiadas, e devem passar a integrar novos armamentos, com o “Sea Skua” podendo dar lugar aos modernos e letais mísseis israelenses Rafael Spike-ER, com as negociações para aquisição e integração do novo armamento bem adiantadas.

Atualmente já chegaram à Macega quatro exemplares da variante “Wild Lynx”, das quais duas (N-4001 e N-4004) já estão em operação, enquanto o AH-11B N-4005 está na fase final do processo de avaliações e aceitação, e o quarto exemplar (N-4003) em fase final de montagem para iniciar o processo de avaliação e aceitação. Outras quatro células já estão em Yeovil onde estão sendo submetidas ao programa de modernização, devendo em breve concluir o processo previsto pelo programa.

Ainda não há qualquer previsão no horizonte para substituição do “Lynx” como aeronave orgânica da Marinha do Brasil em suas escoltas, com EsqdHA-1 “Lince” no meio do processo de recebimento da mais moderna variante do “Lynx”, a qual continuará sendo os olhos e as garras da força de superfície da Marinha do Brasil.


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN Defense, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio, leste europeu e América Latina, especialista em assuntos de defesa e segurança. Membro honorário da "Ordem do Lince".

MATÉRIA TAMBÉM PUBLICADA NA EDIÇÃO DE "A MACEGA", REVISTA DA FORÇA AERONAVAL BRASILEIRA


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Royal Navy vai desenvolver um substituto para os Astute

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Em seu site oficial, a Royal Navy anunciou que escolheu as empresas para desenvolver a nova classe de submarinos nucleares, SSN-R (SSN-Replacement), que deverão substituir os atuais submarinos da Classe Astute.

BAE Systems, Babcock e Rolls-Royce realizarão trabalhos de concepção e design para os submarinos da Marinha Real.

Foram assinados dois contratos, num total de £170 milhões (cerca de 1 bilhão de reais) para o desenvolvimento da nova geração de submarinos nucleares ingleses.

Com o anúncio de que a Austrália deve adquirir submarinos nucleares junto à Inglaterra e aos EUA, já existem especulações de participação australiana e/ou americana no desenvolvimento do SSN-R, mas ainda não há confirmação oficial de tal acordo.

O desenvolvimento do SSN-R foi anunciado pouco depois do plano de investimentos em Defesa, totalizando mais de £24 bilhões nos próximos anos, o projeto grande aumento após vários anos de cortes nos investimentos.

Por Renato Oliveira

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Argentina vai de JF-17?

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Ao que parece, a Argentina escolheu o JF-17 para ser seu novo caça, algo que o GBN já suspeitava. Resta saber como contornar os embargos britânicos ao negócio; o mais provável é que, assim como foi feito com os JL-8 da Bolívia, seja oferecida uma versão personalizada, sem componentes ingleses, como o assento ejetor.

No dia de ontem, foi publicado que o Congresso argentino recebeu uma solicitação de recursos da ordem de 664 milhões de dólares, dos quais 20 milhões são para infraestruturas, o que provavelmente seria o bastante para adquirir 12 unidades do JF-17, cujo preço unitário médio deve ser da ordem de 50 milhões de dólares.

Como já comentamos no GBN, a situação da Aviação de Caça da Argentina é bastante preocupante, com a FAA (Força Aérea Argentina) dispondo apenas de um punhado de A-4 Skyhawk, e o COAN (Comando Aéreo Naval) dispondo apenas de um punhado de Super Étendard.

Embora a solicitação ao Congresso não signifique, necessariamente, que o negócio foi fechado, é um forte indicador de que a escolha foi feita, e em em vista dos antigos atritos com o Chile voltando à tona, pode-se dizer que o momento é muito propício para a aquisição.

*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel)

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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

FAB vai receber mais quatro caças Gripen este ano

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A sueca Saab anunciou que pretende entregar mais quatro exemplares do F-39E Gripen à Força Aérea Brasileira no final deste ano, evento previsto para novembro. Duas aeronaves já estão prontas e outras duas unidades estão em fase final de produção na unidade da Saab em Linköping, segundo afirmou o vice-presidente de marketing e vendas da área de negócios aeronáuticos da Saab, Mikael Franzén, em entrevista ao Valor.

O primeiro exemplar brasileiro do Gripen E continua em processo de certificação no Brasil, onde desembarcou há quase um ano para o programa de certificação. Os dois exemplares serão transportadas de navio, assim como o primeiro exemplar. Esta opção de translado por via marítima foi definida no fim de novembro entre a FAB e a Saab. Por questões de segurança, o lote de quatro aeronaves virão separadas, com outras duas transladadas numa data posterior.

“Temos um simulador integral de voo em Gavião Peixoto (SP), o único fora da Suécia, e estamos apoiando a FAB na introdução das aeronaves. Um piloto de testes está aqui em Linköping agora mesmo, trabalhando com a nossa equipe, há dois pilotos de testes da FAB e outros dois da Embraer no interior de São Paulo”, disse o executivo, ressaltando que o pacote não envolve apenas a entrega dos equipamentos.

“Quando se fala de um caça, não é exatamente como comprar um carro. Compra-se a manutenção, as armas, os simuladores, o treinamento. Também estão sendo treinados cinco pilotos operacionais.”



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Com informações do "Valor"





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Arábia Saudita está considerando comprar sistemas israelenses de defesa contra mísseis

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A Arábia Saudita está começando a considerar seriamente a compra de um sistema de defesa antimísseis de fabricação israelense, como o Iron Dome. (Foto IDF)

A Arábia Saudita entrou em contato com Jerusalém sobre a possibilidade de adquirir sistemas de defesa antimísseis de fabricação israelense, em um momento em que os sistemas americanos nos quais o Reino confiou por tanto tempo foram removidos, descobriu a Breaking Defense.

Fontes aqui confirmaram um relatório da AP do fim de semana de que as baterias americanas THAAD e Patriot foram discretamente removidas da Base Aérea Prince Sultan, localizada fora de Riyadh. Esses ativos foram transferidos para o Reino após o ataque de 2019 nas instalações de produção de petróleo da Arábia Saudita; embora reivindicado pelas forças Houthi no Iêmen, as autoridades americanas avaliaram que na verdade era o Irã que estava por trás do ataque.

Embora a retirada dos meios de defesa aérea da região fosse esperada há vários meses, não estava claro exatamente quando os meios dos Estados Unidos seguiriam para outro lugar. Agora, dizem fontes israelenses, a Arábia Saudita está considerando seriamente suas alternativas. Entre eles: China, Rússia e, em uma mudança que poderia parecer impossível alguns anos atrás, Israel.

Especificamente, os sauditas estão considerando o Iron Dome, produzido pela Rafael, que é melhor contra foguetes de curto alcance, ou o Barak ER, produzido pela IAI, que é projetado para interceptar mísseis de cruzeiro. Fontes da defesa israelense disseram ao Breaking Defense que tal acordo seria realista, desde que ambas as nações recebessem a aprovação de Washington; uma fonte acrescentou que "o interesse dos sauditas nos sistemas israelenses atingiu uma fase muito prática".

Essas mesmas fontes dizem que os sauditas têm mantido negociações de baixo nível com Israel há vários anos sobre esses sistemas, mas que as negociações começaram a adquirir mais energia assim que ficou claro que os Estados Unidos retirariam seus recursos de defesa aérea do Reino.

O general (res) Giora Elland, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional de Israel e ex-chefe do Departamento de Planejamento das Forças de Defesa de Israel, disse à Breaking Defense que espera "que Washington não se oponha à venda desses sistemas israelenses a países amigos do Golfo".

Embora a Arábia Saudita não tenha feito parte dos Acordos de Abraão, que normalizaram as relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e Bahrein, fontes do governo dizem que mesmo sem relações formais os dois trocaram informações de segurança por alguns anos.

Se os sauditas comprassem os sistemas israelenses, isso poderia abrir a opção de forma mais completa para as nações cobertas pelos acordos de Abraão. Em uma entrevista de novembro para o Defense News, Moshe Patel, chefe da Organização de Defesa de Mísseis de Israel, disse sobre essa possibilidade: “Já que temos os mesmos inimigos, talvez tenhamos alguns interesses mútuos. Acho que há potencial para ampliar nossa parceria de defesa no futuro com países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Acho que isso pode acontecer, claro, no futuro. Haverá mais parcerias militares. Mas, novamente, nada que pudesse acontecer amanhã. É algo que precisa ser processado passo a passo.”

Em resposta a um pedido de informações, um porta-voz do Departamento de Estado disse apenas que “a Arábia Saudita e Israel são importantes parceiros de segurança dos EUA. Nos comunicamos com os respectivos países para comentários sobre seus planos de compras de defesa.”

Ameaças aumentadas

retirada americana do Afeganistão já tem parceiros regionais em estado de alerta, e o movimento de novas forças da região provavelmente fará pouco para acalmar os nervos.

“A retirada dos sistemas de defesa aérea Patriot da Arábia Saudita é algo que não pode ser explicado. Não é apenas mais uma deserção de um país amigo, mas uma cusparada na cara”, disse uma fonte sênior da defesa israelense ao Breaking Defense.

Em um comentário à AP, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, reconheceu “a redistribuição de certos meios de defesa aérea”, mas enfatizou o compromisso “amplo e profundo” com o Oriente Médio.

Sublinhando a questão: as forças Houthi aumentaram seus ataques contra alvos sauditas nas últimas semanas, tanto no Iêmen quanto dentro das fronteiras do Reino, com a mistura de UAVs e mísseis que seriam potencialmente cobertos pela dupla Iron Dome / Barak.

Em 29 de agosto, os Houthis atacaram a base aérea de Al-Anad ao norte de Aden, onde as forças da coalizão lideradas pelos sauditas estão estacionadas. O ataque matou mais de 30 pessoas e feriu mais de 60. Isso foi seguido por um ataque com um 'drone' (VANT) e um míssil contra vários alvos sauditas, incluindo a cidade oriental de Dammam, não muito longe do Bahrein. O alvo era uma instalação do Acampamento Residencial Aramco.

Então, em 11 de setembro, um ataque foi lançado ao recém-reformado e inaugurado porto de Al-Makha, localizado na costa do Mar Vermelho, com cinco drones e um míssil balístico. O ataque danificou a infraestrutura estratégica do porto, bem como armazéns de agências de ajuda internacional. Nenhuma organização assumiu a responsabilidade pelo ataque.

Os Emirados Árabes Unidos estão usando o porto para transportar armas para o Iêmen e, nos dias anteriores ao ataque, os veículos foram transferidos para as forças que lutavam contra os houthis na área de Hadramaute, em Cartum. É possível que o ataque ao porto tenha como objetivo sinalizar aos Emirados Árabes Unidos que seu envolvimento continuado nos combates no Iêmen, apesar da redução de forças, tem um preço.

Em março de 2021, os Houthis introduziram uma grande variedade de armas, incluindo drones, mísseis e foguetes de vários tipos, morteiros, rifles de precisão, minas navais e carga oca e uma carga moldada para a montagem de dispositivos explosivos não tripulados, de acordo com o tenente-coronel. (res) Michael Segal, um especialista militar regional. Essas capacidades, escreve Segal , significam que o Irã transformou o Iêmen em uma força militar eficaz e dissuasora contra a Arábia Saudita.



Observação: o Presidente Joe Biden sinalizou que deseja voltar aos acordos com o Irã, o JCPOA, inclusive retirando os Houthis da lista de organizações consideradas como terroristas. O efeito direto disso é aumentar ainda mais a aproximação dos países árabes do Golfo Pérsico e Israel.

Tradução e adaptação: Renato Henrique Marçal de Oliveira*


*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel)

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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Ares firma parceria com Curso de Material Bélico para criação de espaço de instrução na AMAN

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A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e a Ares firmaram uma parceira com o objetivo de estreitar o processo de transferência de conhecimento, que é extremamente importante para as Forças Terrestres. 
O espaço que está sendo preparado servirá de ambiente de aprendizado, principalmente, para a operação e manutenção do sistema REMAX. 

Essa importante parceria com o Exército Brasileiro vai possibilitar que a empresa tenha uma instalação permanente na AMAN, beneficiando os alunos do curso de Material Bélico. A AMAN tem a responsabilidade de formar os oficiais do Exército Brasileiro.

Com essa instalação, a Ares pretende contribuir com a formação dos cadetes, os quais poderão operar e simular manutenções no sistema REMAX, principal sistema de armas do projeto Guarani. Assim, os futuros oficiais, quando chegarem na tropa com esse conhecimento, poderão colaborar significativamente com suporte ao ciclo de vida do equipamento.

O novo sistema de treinamento da AMAN

O STARMAX é uma suíte de treinamento virtual 3D que permite capacitar os operadores da REMAX para treinar todas as funcionalidades e procedimentos da estação de armas real, em um ambiente virtual 3D controlado. A solução permite alcançar alto nível de capacitação para os operadores da REMAX. 

A interface gráfica permite aos operadores o treinamento de motricidade, treinos de movimento com alvos e cenários que simulam situações reais, garantindo maior controle e avaliação de todos os treinamentos.


Sua operação e integração é feita através de um case de transporte que comporta o sistema e permite sua conexão com o REMAX. A solução é modular e permite que os treinamentos sejam realizados em ambiente imersivo – dentro da viatura ou em salas de aula.

A brasileira ARES é um dos centros de tecnologia da Base Industrial de Defesa, com mais de 50 anos de experiência comprovada no País, atendendo com às Forças Armadas Brasileiras no desenvolvimento, produção, fornecimento e  suporte logístico de produtos que incrementam suas capacidades operacionais. Orientada para inovação, a ARES tem como uma de suas marcas o constante investimento em qualificação e capacitação de seus colaboradores, acrescentando valor e produtividade à força de trabalho.

A empresa estruturou o primeiro Centro de Excelência, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, no desenvolvimento e fabricação de Estações de Armas e Torres no Brasil, mantendo sempre a cooperação no desenvolvimento de novas tecnologias e soluções em conjunto com as Forças Armadas e parceiros.


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com informações da ARES via Rossi comunicação

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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Competição pelo motor do F-35 deve se acirrar nos próximos anos

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Um dos principais fatores nos custos operacionais e na disponibilidade de qualquer aeronave é o motor. Não é possível que uma aeronave obtenha sucesso com motores inadequados.

Não é diferente com o F-35 - boa parte dos altos custos operacionais, e da disponibilidade abaixo do programado, são pelo menos em parte por conta do Pratt & Whitney (PW) F135, o motor mais avançado já instalado em um caça, mas que vem sofrendo com custos acima do esperado.

Uma das formas de solucionar o problema é o programa AETP (Programa de Transição para Motores Adaptáveis), que está perto de entrar em produção seriada.

O AETP tem como objetivo permitir um aumento significativo de performance do motor, e promete aumento de potência, redução de consumo e melhor gerenciamento térmico, ou uma combinação destas melhorias.

Inicialmente, o AETP visa o F-35 e também pode acabar sendo usado no F-22, caso haja uma decisão neste sentido.

Outra solução proposta é o investimento em um motor da General Electric (GE). Isso já aconteceu antes: o motor PW F100, que era o único modelo para o F-15 e o F-16, também apresentou vários problemas durante o início da vida operacional, e decidiu-se por investir em um motor alternativo, o GE F110, e atualmente temos aeronaves com um ou outro modelo de motor.

Entretanto, a aeronave tem que sair de fábrica com um dos motores, não sendo possível mudar - ou seja, se a aeronave sair da fábrica com o F110 não poderá usar o F100, e vice-versa.

Originalmente previa-se que o F-35 teria dois motores, o F135 e o GE F136, mas o Pentágono resolveu cancelar o desenvolvimento do F136, embora o conceito fosse mais refinado que no caso da dupla F100/F110 - qualquer F-35 poderia utilizar qualquer um dos motores, mesmo na linha de frente, sem maiores dificuldades.

Com os problemas do F135, porém, o Pentágono está reavaliando a questão, especialmente porque as duas fabricantes estão com motores AETP prestes a entrar em produção - a GE com o XA100 e a PW com o XA101.
GE XA100

O JPO (Escritório Conjunto do Programa F-35) está definindo os critérios para a adoção das tecnologias AETP no F-35. Até o momento parece que o esperado é uma combinação de 10% a mais de potência e redução de 10% no consumo, junto com uma melhora considerável na gestão térmica do motor.

A PW diz que é possível incorporar os avanços do AETP no F135, o que seria mais econômico, segundo ela, mas não seria surpresa se o Pentágono decidisse abrir caminho para o XA100 ou um derivado.

Ainda não está claro qual será a decisão do JPO, mas uma coisa é certa, o caça de quinta geração em breve terá um motor de sexta geração, o que deve aumentar ainda mais a eficiência do F-35 e (espera-se) reduzir ainda mais seus custos operacionais, que já estão praticamente no mesmo patamar dos atuais caças de quarta geração como o F-15EX.


*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel)

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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

FAB intercepta aeronave que entrou sem autorização no espaço aéreo brasileiro

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Atuação da Força Aérea tem como objetivo defender o espaço aéreo e proteger as fronteiras do país

A Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou por volta das 19 horas (horário de Brasília) desta terça-feira (7), no norte do Mato Grosso, uma aeronave de pequeno porte que entrou no espaço aéreo brasileiro sem autorização. As aeronaves de defesa aérea A-29 Super Tucano dos esquadrões 3º/3º GAV (Esquadrão Flecha, baseado em Campo Grande/MS) e 2º/3º GAV (Esquadrão Grifo, baseado em Porto Velho/RO), e o avião radar E-99 do 2º/6º GAV (Esquadrão Guardião, baseado em Anápolis/GO) foram empregados para monitorar e interceptar o avião. Os pilotos de defesa aérea seguiram o protocolo das medidas de policiamento do espaço aéreo brasileiro, interrogando o piloto da aeronave, mas não obtiveram resposta. Nesse momento, a aeronave foi classificada como suspeita, conforme previsto no Decreto 5.144, de 16 de julho de 2004.

Na sequência, os pilotos da FAB ordenaram a mudança de rota e o pouso obrigatório em aeródromo específico, porém o piloto do avião interceptado não obedeceu. Foi necessário, então, que a defesa aérea comandasse o tiro de aviso. Ainda sem retorno, a aeronave foi considera hostil, e foram realizados os procedimentos de tiro de detenção.


Após a execução do tiro de detenção, a aeronave, que não tinha plano de voo e entrou no espaço aéreo do Brasil pela fronteira da Bolívia, fez pouso forçado no norte do estado do Mato Grosso.  A partir de então a Polícia Federal assumiu as Medidas de Controle de Solo (MCS). O piloto se evadiu antes da chegada dos policiais e na aeronave foram encontrados mais de 200 quilos de cloridrato de cocaína.

De acordo com o Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), os radares identificaram a aeronave entrando no espaço aéreo brasileiro. O avião, sem contato com o controle, descumpriu todas as medidas de policiamento realizadas, mostrando-se hostil.

A ação faz parte da Operação Ostium para coibir ilícitos transfronteiriços, na qual atuam em conjunto a Força Aérea Brasileira e a Polícia Federal, e contou com o apoio do Grupo Especial de Fronteira (GEFRON)/MT, do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER)/MT e das Polícias Militares dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul.

Com informações do CECOMSAER

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sábado, 4 de setembro de 2021

Exército pode comprar novos mísseis "antitanque"

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O Exército Brasileiro (EB), solicitou via Pregão a compra de 100 novos mísseis anticarro ("antitanque") e 2 simuladores.


Trata-se de um acordo entre Brasil e Estados Unidos (EUA), onde será fornecido os 100 mísseis e os 2 simuladores de treinamento para as tropas especializadas.


Ainda não houve decisão sobre qual o míssil escolhido, mas entre os requisitos estão:


  • Alcance de 5km, e compatibilidade com outro míssil com alcance de 10 km
  • Uso em período diurno e noturno
  • Peso de 14kg 
  • Utilização para outras funções, como o emprego contra infantaria e contra estruturas.
  • Capacidade de ser lançado a partir de helicópteros
  • Capacidade 'fire and forget', ou seja, 'dispare e esqueça', além de ser capaz de mudar de alvos durante o voo


Poucos mísseis são compatíveis com as especificações acima. Um destes é o Spike LR, feito pela Rafael israelense, e que já está em operação em diversos países, conforme destacamos neste artigo.



As capacidades anticarro do Exército


Atualmente, o EB opera alguns sistemas portáteis para a guerra anticarro, entre eles, o muito famoso canhão sem recuo Carl Gustaf de 84 mm (Suécia), o AT4 (Suécia) que é um canhão descartável (após o disparo, o canhão é jogado fora)  sem recuo de 84mm, e o ALAC (Arma leve anticarro) também de 84mm desenvolvido nacionalmente, baseado no AT4.


No passado, o EB já operou os mísseis anticarro Eryx e Milan, mas eles já foram retirados do serviço ativo. O MSS 1.2 nacional segue com dificuldades no desenvolvimento e ainda não está operacional.


Como é possível observar, o EB não opera nenhum sistema de mísseis anticarro atualmente, limitando-se a operar canhões sem recuo. Mas com essa possível compra, pode-se mudar este cenário no futuro próximo.



Texto de estreia de Kauê Saviano Fiuza*, 'estagiário' do GBN Defense.

Bem-vindo ao time!


*Kauê Saviano Fiuza é estudante, passou a estudar assuntos militares com seus 12 anos, tendo foco em politica, geopolitica e militarismo mundial. Escreve com maior ênfase sobre as forças armadas brasileiras e sobre veiculos, tendo grande paixão por história e geografia.


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Família Spike - Excelentes opções para o Brasil

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Israel é um país que vive tendo problemas em sua vizinhança, e ao longo do tempo aprendeu a fazer excelentes armas, como a família de mísseis Rafael Spike.

HISTÓRIA

Um dia depois que sua independência foi chancelada pela ONU em 1948, numa sessão presidida pelo chanceler brasileiro Oswaldo Aranha Bandeira de Melo (que até hoje é querido em Israel), estourou a Guerra da Independência, que durou quase um ano.

Depois disso, além das grandes guerras em 1956 (Guerra de Suez), 1967 (Guerra dos Seis Dias) e 1973 (Guerra do Yom Kippur), Israel teve ainda outras, como a prolongada Primeira Guerra do Líbano (1982-2000), a curta mas bastante intensa Segunda Guerra do Líbano (2006), várias batalhas contra o Hamas na Faixa de Gaza (2008, 2009, 2014, 2016, 2021), várias outras operações menores, e ações ousadas como a Operação Ópera, em que a IAF ¹ neutralizou o reator nuclear de Osirak, nos arredores de Bagdá, onde Saddam Hussein preparava material para armas nucleares - as IDF ² têm estado em operações reais quase que continuamente nas últimas sete décadas.

As ações militares de Israel acabaram por resultar em frequentes embargos internacionais, inclusive à venda de armas, o que levou o país a desenvolver uma das mais avançadas indústrias bélicas do mundo.

Uma das famílias de produtos mais populares, com vários milhares sendo vendidos a dezenas de países, e que já viu extenso uso em combates reais, com excelentes resultados, é a Spike, composta por diversas PGM ³, disponíveis em várias versões e que podem ser disparadas de plataformas em terra, ar ou mar.

A família Spike usa tecnologias de guiagem EO ⁴/ IIR ⁵, que podem ser complementadas por sistemas laser, GNSS ⁶ e FOG ⁷. Estão disponíveis em muitas variantes, com dimensões e pesos variados, mas com vários componentes em comum, o que simplificou o desenvolvimento e facilita o treinamento dos operadores.


EPIK (Electro-Optical Precision Integration Kit)

Cabeça de guiagem EPIK instalada em um foguete

O EPIK é um kit, disponível em versões para foguetes de artilharia 'burros' (não guiados) de 122, 160 e 227 mm, transformando-os em PGM. [1] Embora nenhum destes calibres faça parte do sistema ASTROS ⁸ do EB ⁹, a Rafael é conhecida por 'personalizar' seus sistemas às demandas dos clientes, então seria mais uma questão de o EB se decidir por tal capacidade.

Além do sensor EO, que lhe permite atingir alvos pré-programados na base de dados do sistema, também pode ser usado com guiagem a laser, o que lhe permite inclusive atingir alvos móveis. Pesando apenas 6 kg, o sistema permite um CEP ¹⁰ de 3 m. [1]

Além do aumento de precisão, o uso do sistema permite aumentar o alcance dos foguetes em até 50%. [1] Com isto, os alcances máximos dos foguetes do ASTROS passariam dos atuais 40 km (SS-40), 60 km (SS-60) e 90 km (SS-90) para 60, 90 e 135 km, respectivamente, além de um aumento significativo da precisão dos mesmos.


Spike Firefly


O Spike Firefly é bastante compacto

A Spike Firefly é uma arma da categoria 'loitering munition', um termo sem tradução exata para o português, mas que significa algo como 'munição de voo persistente', pois pode permanecer por um bom tempo sobre o campo de batalha, aguardando um alvo para atacar. Outro nome comum é 'drone kamikaze', pois além das funções regulares de um drone ¹¹ (observação e em alguns casos a designação de alvos), as loitering munitions ainda são mísseis.

Pequeno e compacto, o Spike Firefly é transportado num kit com 3 munições, unidade de comando (que parece um iPad) e baterias extras; o peso total é de 15 kg [2]. Cada míssil leva uma ogiva de aproximadamente 350 g [3], e com um alcance máximo de até 1.500 m, inclusive acima ou ao redor de obstáculos como montanhas e edificações, aumentando significativamente a eficiência da Infantaria, especialmente em terrenos complexos como cidades e selvas. [2]


Spike SR

O Spike SR pode ser facilmente carregado por um soldado a pé

O Spike SR é outra opção interessante para a Infantaria, podendo ser bastante letal para alvos fixos, como casamatas, ou móveis, como carros de combate, inclusive em cenários urbanos. Apesar do alcance relativamente curto (50 a 2.000 m), o sistema é bastante compacto e leve, pesando apenas 10 kg, o que lhe permite ser carregado facilmente por soldados a pé, inclusive em ambientes difíceis como cidades. [4]

É um míssil do tipo 'dispare e esqueça', que depois do lançamento não requer atualizações do operador., permitindo que fuja do local imediatamente após o disparo. O tubo de lançamento é descartável, e o curto tempo de preparo do míssil, de apenas 6 segundos após ligar, torna o Spike SR uma opção ideal para emboscadas. [4]


Spike LR

Apesar de relativamente pequeno e leve, o Spike LR II tem um alcance considerável, de até 5,5 km a partir de lançadores em superfície

O Spike LR, atualmente na versão LR II, é a arma mais popular da família Spike, com mais de 27 mil unidades vendidas a quase 30 países. Disponível em versões anticarro e anti-estrutura (que também pode ser usada contra embarcações), o Spike LR já foi extensivamente utilizado em combate, com excelentes resultados. O Spike LR II pode ser controlado a partir de FOG (lançadores em terra) ou de links de rádio (lançadores aéreos). [5]

O míssil em si pesa em torno de 13 kg, com o conjunto completo para lançamento a partir do solo sendo de aproximadamente 26 kg. Apesar de não ser tão leve como o SR, ainda pode ser levado por soldados a pé, mas no caso são necessárias equipes de 2 a 3 soldados. [5; 6]

Seu alcance pode chegar a 5,5 km (disparo a partir da superfície) ou 10 km (disparos a partir de aeronaves), e há versões disponíveis para uso por soldados a pé, a partir de veículos (blindados ou não) [5; 6]. Além de capacidades como AI ¹² para facilitar o reconhecimento de alvos, o Spike LR II pode também usar os modos 'fire and update' ¹³ e 'man in the loop' ¹⁴, tornando-o ideal para cenários complexos como aqueles em que o risco de danos colaterais é elevado. Também tem versões para uso em RWS ¹⁵. [5; 6]


Spike ER

O Spike ER II é um míssil com alcance considerável

O Spike ER II é ainda maior, mais pesado e com maior alcance quando comparado ao LR II, com o míssil em si pesando cerca de 34 kg e seu alcance é de até 10 km (lançado a partir da superfície) ou 16 km (lançado a partir de aeronaves). [7]

Sendo bem maior que as demais versões, o ER é muito menos móvel, com o kit completo para disparo a partir do solo sendo de aproximadamente 92 kg [8], mas o alcance muito superior compensa isto.

Além das versões disparadas a partir de tripé ou de RWS (em que seu grande alcance o torna uma opção muito mais adequada em certos cenários que as demais versões), também está disponível para uso a partir de navios ou helicópteros, sendo que esta versatilidade chamou a atenção de várias Marinhas ao redor do mundo, pois o Sea Venom, míssil da MBDA que ainda está em desenvolvimento, só tem a versão lançada a partir de helicópteros no momento, e esta variante só pode ser utilizada contra navios, sendo que o Spike ER já pode ser usado contra alvos fixos e móveis em terra ou mar. [7; 8; 9; 10]


Spike NLOS

O Spike NLOS é um míssil versátil que pode ser lançado de veículos em terra, mar e ar

O Spike NLOS, originalmente chamado de Tamuz, foi desenvolvido como um FOG com guiagem EO a partir das experiências de combate na Guerra do Yom Kippur de 1973. Está disponível em versões lançadas a partir de aeronaves, veículos em terra e embarcações, sendo adotado pela Inglaterra com o nome de Exactor. [11; 12; 13; 14]

O Spike NLOS pesa em torno de 74 kg, com o seu alcance podendo chegar aos 32 km, com guiagem via link de rádio.

É uma arma muito poderosa e versátil, apresentando excelentes resultados em conflitos, tanto nas mãos de Israel como do Azerbaijão, no recente conflito contra a Armênia. [11; 12; 13; 15]


CONCLUSÃO

A família Spike inclui diversos sistemas, que podem atender muito bem às necessidades não só do EB, mas também da MB ¹⁶ e da FAB ¹⁷.

Os mísseis desta família foram amplamente usados em combates reais, com excelentes resultados, e ajudariam nossas valorosas Forças Armadas no cumprimento da sua missão essencial, a garantiria da soberania do Brasil mesmo em situações difíceis.

Torcemos para que tais capacidades nunca sejam realmente necessárias, mas fazemos nossas as palavras do grande Ruy Barbosa:

O Exército pode passar cem anos sem ser usado, mas não pode passar um minuto sem estar preparado.


REFERÊNCIAS


Siglas, abreviaturas, termos

¹ IAF – Força Aérea Israelense

² IDF – Forças de Defesa de Israel, que englobam a Força Aérea (IAF ou IDFAF), Exército e Marinha

³ PGM – armas guiadas de precisão, popularmente conhecidas como 'armas inteligentes'

⁴ EO – eletro-ótica, que compreende sistemas como TV e TV de baixa luminosidade

⁵ IIR – imagens por infra-vermelho, que distinguem a 'assinatura' de calor do alvo), que podem ser complementadas por sistemas laser,

⁶ GNSS – sistema global de navegação por satélite, como o GPS americano, GLONASS russo e BeiDou chinês

⁷ FOG – guiagem por fibra ótica

⁸ ASTROS – Sistema de Artilharia de Saturação por Foguetes

⁹ EB – Exército Brasileiro

¹⁰ CEP – erro circular provável, uma forma padronizada de medir a precisão de um sistema de armas ou de navegação

¹¹ Drone – nome comum para aeronaves remotamente pilotadas, conhecidas pelas siglas VANT e ARP (português) ou UAV e RPA (inglês)

¹² AI – Inteligência artificial

¹³ 'fire and update' – dispare e atualize, modo de guiagem em que o operador pode refinar a pontaria do míssil ou até mesmo designar um alvo diferente após o disparo

¹⁴ 'man in the loop' – homem no controle, modo de guiagem em que o operador permanece no controle do míssil até o impacto

¹⁵ RWS – estação remota de armas, uma torre controlada remotamente para controle e disparo de armas. É um sistema que vem ganhando popularidade para uso em blindados

¹⁶ MB – Marinha do Brasil

¹⁷ FAB – Força Aérea Brasileira


*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel)

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