sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Mesmo diante de crise Paquistão mantém investimentos em defesa

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Apesar do desafios econômicos enfrentados pelo Paquistão, o país conseguiu manter o desenvolvimento dos seus programas de modernização que tem por objetivo fortalecer as capacidades de suas forças militares armadas. Recentemente foi revelado um relatório sobre o progresso dos seus programas de defesa.

Assim como no Brasil, o Paquistão enfrenta uma crise financeira, onde o mesmo possui uma dívida externa crescente, o que se soma ao aumento no custo das importações, e a baixa arrecadação de impostos e tarifas pelo governo daquele país. Tais causaram impacto diretamente sobre os programas de modernização em andamento, algo que não difere muito do que se passa aqui no Brasil. Mas diferente do "case" brasileiro, o Paquistão ainda enfrenta o desafio representado pela reestruturação econômica imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a desvalorização da sua moeda, o que levou a busca por uma solução domestica para as necessidades das forças armadas do país. De acordo com os relatórios divulgados sobre os programas de modernização e aquisições, se destaca a priorização de plataformas blindadas e a renovação do poder aéreo.

Os esforços para melhorar as capacidades blindadas incluem encontrar soluções nacionais para substituir componentes importados, dentre estes estão listados os seguintes itens:

  • A fabricação de unidades de força auxiliar para os blindados "Al-Zarrar" e "T-80 UD".
  • O desenvolvimento e testes de munição perfurante de blindagem SABOT FSDS-T.
  • O desenvolvimento do periscópio de imagem térmica e visão noturna para condutos dos MBTs.
  • Montagem de motores para os MBts Al-Khalid e T-80UD.
  • Atualização de 160 MBTs Type-85 II-AP de origem chinesa.
  • Atualização do T-80UD.
  • Atualização dos VBTP M113.
  • A atualização do MBT type-59 para a versão "Al-Zarrar".
  • A produção de 20 blindados "Al-Khalid I", além do desenvolvimento final do "Al-Khalid II" (com um pacote de força aprimorado e sistema de controle de fogo / controle de armas novo).
O Paquistão também desenvolve sua própria VBCI (Viatura Blindada de Combate de Infantaria, ou IFV no inglês), o qual está sendo desenvolvido pela estatal HIT, denominado "Viper", tendo como plataforma o M-113O protótipo foi exibido durante a IDEAS2018, onde se apresentava armado com uma torre não tripulada Slovak Turra 30 de 30mm.

A infantaria recebeu um importante incremento em suas capacidades antitanque, onde o Paquistão comprou um lote do sistema de mísseis guiados antitanque Kornet-E da Rússia, além de adquirir um lote do sistema antitanque espanhol Alcotán-100. 

No campo aéreo, o Paquistão manteve investimento principalmente no programa JF-17assinando um acordo para produção da variante biposto avançada do Block III em maio do ano passado. O programa também manteve a integração de melhorias nas versões anteriores do caça JF-17 paquistanês, as quais passaram a contar com a capacidade de reabastecimento em voo (REVO) e a integração e compra de mísseis anti-navio supersônicos CM-400AKG chineses, o que conferiu maior capacidade de atuação na defesa marítima.

Novos mísseis ar-ar e bombas inteligentes estão sendo integrados ao JF-17, que tem registrado um aumento no ritmo de produção,  qual passou de 16 aeronaves por ano, para 24 aeronaves por ano, ritmo que deve ser mantido com a entrada em produção do Block III, variante mais moderna que esta equipado com radar AESA. Segundo fontes, a produção pode ser ampliada para atender possíveis exportações do JF-17, o qual tem sido avaliado em diversos países como provável novo vetor.

Há relatos que mesmo diante dos desafios econômicos e orçamento arrochado, o Paquistão estaria planejando inserir modernizações em sua frota de JF-17 Block I e II, dentre essas melhorias, estaria a integração do radar AESA nestas aeronaves, o que deve ocorrer após a conclusão de entrega das aeronaves Block III.

O relatório também aponta investimentos no desenvolvimento de novos VANT com capacidade de longo alcance, demonstrando ainda o investimento no projeto de uma nova aeronave de 5ª Geração, a qual já teria concluído a "fase de projeto conceitual", denominado "Projeto AZM". Neste campo há especulações sobre a possibilidade do Paquistão embarcar no desenvolvimento da nova aeronave de 5ªG da Turquia, o TF-X, no entanto sem qualquer declaração de ambas as partes sobre essa possibilidade, ou mesmo sobre qualquer conversa a respeito.

É importante notarmos que um país com limitações maiores que o Brasil, consegue manter investimentos em pesquisa e desenvolvimento de soluções para suas forças armadas, sem falar no andamento dos seus programas de modernização e aquisição de capacidades militares.

No Brasil hoje assistimos preocupados o andamento de programas estratégicos, os quais não representam só a capacidade de garantir nossa soberania, mas que representam um importante retorno financeiro ao Brasil, onde o desenvolvimento e produção de aeronaves e meios como o KC-390, podem representar um importante ganho em nossa balança comercial, tendo em vista principalmente o vasto mercado que se descortina para essa aeronave, que é ímpar em sua categoria e chega em momento oportuno para sanar a lacuna que se abre em diversas forças ao redor do mundo. Isso sem mencionar o desenvolvimento do MANSUP, o qual pode representar um significativo numero de exportações, tendo em vista a capacidade de emprego do mesmo com console do consagrado Exocet, o qual possui muitos usuários no mundo inteiro e que podem facilmente passar a adotar a solução brasileira.

Assisto aos exemplos de nações como o Paquistão e tantas outras e me pergunto, quando vamos ter uma visão empreendedora e ter real compromisso com a defesa de nossa soberania? Quando vamos nos ater a importância que representa a defesa, quer seja no campo industrial e econômico, ou mesmo de garantia de nossa soberania sobre nosso vasto território?

É preciso refletirmos sobre nossas prioridades e os valores de nossa sociedade, principalmente sobre nosso Estado e como este funciona e emprega os recursos obtidos com nosso trabalho e suor, pois somos o Brasil e cabe a nós dirigir os rumos dessa enorme nação.


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com agências
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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Nova classe de corvetas finlandesas serão equipadas com sistema de combate 9LV da SAAB.

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De acordo com a proposta do Ministério da Defesa da Finlândia, o governo finlandês selecionou hoje (19) a SAAB como a fornecedora e integradora dos sistemas de combate para as quatro novas corvetas classe "Pohjanmaa" que serão incorporadas à Marinha finlandesa, dentro do programa Squadron 2020.

A Saab ainda não firmou contrato nem recebeu qualquer pedido referente ao Squadron 2020. O Ministério da Defesa da Finlândia declarou que o contrato deve ser assinado em 26 de setembro de 2019 e que o valor do pedido será de 412 milhões de euros.

“Esse anúncio consiste em um grande marco no relacionamento da Saab com o governo finlandês, por isso, estamos ansiosos para continuar a apoiar os recursos da Marinha finlandesa com nossa solução em sistemas de combate líder no mundo", afirma Anders Carp, vice-presidente sênior e head da Área de Negócios Surveillance da Saab. 
   
A vigência do contrato será de 2019 a 2027 e o escopo vai contemplar uma gama de soluções, incluindo o Sistema de Gerenciamento de Combate 9LV da Saab, sensores relacionados e outros sistemas.

A classe "Pohjanmaa" faz parte do programa de reaparelhamento da esquadra finlandesa, Programa Squadron 2020, tendo iniciado as pesquisas e planejamento em 2008, porém, só atingiu a fase de projeto em 2015, com a construção prevista para começar no final de 2019 ou inicio de 2020. Segundo o cronograma do programa, o último dos quatro navios deverá atingir o status operacional pleno em 2028.

As embarcações devem ser construídas no estaleiro Rauma Marine Constructions em Rauma, FinlândiaAs corvetas da classe "Pohjanmaa" serão as maiores embarcações já operadas pela Marinha Finlandesa, ultrapassando os históricos navios "Ilmarinen" e "Väinämöinen" construídos em 1939, com 93 metros de comprimento, embora apresentassem um deslocamento maior.

comprimento total das corvetas da classe Pohjanmaa é de 105 m e 15 m de Boca, com deslocamento na faixa de 3.300 toneladas, contando com uma tripulação de até 120 homens. As corvetas terão capacidades de prover defesa aérea, contando com VLS de 32 mísseis RIM-162 Evolved SeaSparrow Missile (ESSM) produzidos pela norte-americana Raytheon, para defesa de superfície as novas corvetas irão contar com sistema de misseis antinavio Gabriel V produzidos pela israelense IAI, e no combate ASW contará com o sistema de torpedos leves "Torped 47" sueco, além da capacidade de lançamento de minas marítimas.

Todas as embarcações da Marinha finlandesa utilizam, ao menos, um sistema da Saab, sendo que a maioria delas opera diversos sistemas da companhia sueca, sendo a SAAB um importante parceiro do setor de defesa naquele país.


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com informações da SAAB
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Por uma intervenção na Venezuela?

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As ameaças discursivas e algumas ações, como o envio de tropas para a fronteira, que o governo venezuelano historicamente realizou contra a Colômbia, não foram, nem parecem ser agora, mais do que recursos para o próprio tributo e seus seguidores fanáticos na Colômbia, a esquerda latino-americana. No entanto, há um aspecto que vem mudando nos últimos tempos e que torna a ameaça à Colômbia não apenas mais real, mas muito mais séria. E esse é o apoio cada vez mais direto que o governo chavista oferece aos grupos narcoterroristas das FARC e ELN, não apenas aceitando o uso da Venezuela como seu santuário, mas agora treinando e associando-os aos negócio do narcotráfico, mineração ilegal e outras atividades criminosas.

Por sua vez, o que já era visível quando os acordos de paz entre as FARC e o governo de Juan Manuel Santos foram assinados, mas muitos, em seu idealismo, preferiram ignorar, são claramente evidentes: As FARC nunca quiseram a paz, mas ganhar tempo para se reorganizar, reconstruir seu poder e ganhar espaço político, numa época em que foram dizimadas. Agora, que já estavam reorganizados, a maioria de seus líderes foi à clandestinidade para retomar o comando de suas tropas, que nunca terminaram de desarmar.

Chavismo sempre fez vista grossa para a presença de guerrilheiros em seu território, mas nos últimos tempos eles começaram a vê-los como aliados, tanto em seus negócios quanto no apoio ao próprio chavismo na Venezuela e enfraquecer seu principal rival, o Governo colombiano de Iván Duque. Isso foi evidenciado nos documentos obtidos recentemente pela Colômbia e publicados pela revista colombiana Semana (), que detalha não apenas a relação entre o governo venezuelano e os terroristas, mas também a atividade e alguns planos conjuntos que eles desenvolveram, principalmente contra o estado colombiano.

Os guerrilheiros na Colômbia recuperaram força, principalmente devido ao completo fracasso do processo de paz e ao crescente financiamento por meio de atividades criminosas. Por sua vez, ela foi formada como parceira do governo Chavista em alguns desses negócios, encontrando na Venezuela uma saída mais segura para a droga e o produto da mineração ilegal.

Por outro lado, o problema humanitário causado pelo êxodo dos venezuelanos, principalmente para a Colômbia, longe de ser resolvido, continua a piorar e ameaça ser fonte de conflitos em toda a região. Já no Peru, Equador, Panamá e Brasil, houve diferentes tipos de conflitos com imigrantes, em muitos casos porque muitos venezuelanos acabaram no crime. Na ausência de oportunidades nesses países e na Colômbia, muitos imigrantes acabam sendo presas fáceis de organizações criminosas, tanto para adicioná-las às suas fileiras quanto para serem exploradas.

Em 2 de agosto de 2019, estima-se que haja mais de 4 milhões de migrantes venezuelanos, dos quais 1,4 milhões estão na Colômbia e 768.000 no Peru, os países que mais receberam. Esse número cresce de forma alarmante desde 2015, quando pouco mais de 600.000 venezuelanos deixaram seu país, embora os anos com mais movimentos tenham sido 2016 (com um milhão de pessoas deixando o país) e 2017 (mais de um milhão e meio) .

Isso gera nos países receptores uma demanda crescente para que a situação na Venezuela seja resolvida e o êxodo alcançado seja revertido, uma vez que é difícil prever a dimensão dos problemas sociais que podem levar a uma maior migração.

Enquanto isso, esse relacionamento cada vez mais estreito entre o governo chavista e os guerrilheiros, em um momento de ressurgimento do conflito interno colombiano, é acrescentado o anúncio do governo chavista para enviar 150.000 soldados à fronteira com a Colômbia, para o exercício “Soberania e Paz”, justificado por Maduro, alegando uma suposta ameaça colombiana contra a Venezuela. Isso justificou a invocação, pelo governo da Colômbia, e com o apoio do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que aumenta a assistência dos Estados americanos quando um estado do continente é atacado.

Em 11 de setembro, a Organização dos Estados Americanos aprovou, por 12 votos a favor, 5 abstenções e 2 ausentes, a aplicação do TIAR, cujo progresso será feito atualmente na definição de quais medidas podem ser tomadas contra o governo de Venezuela. Por sua vez, o governo colombiano denuncia à ONU esse apoio do Chavismo a grupos terroristas.

Ao longo do tempo, especialmente nos últimos anos, tem havido conversas crescentes sobre uma possível intervenção militar na Venezuela, a aprovação da aplicação do TIAR, como também pode ser a aceitação pela ONU da reclamação colombiana, dar apoio legal a uma ação militar contra o governo chavista. Este ponto é um passo fundamental em direção a essa possibilidade e abre, pela primeira vez, o jogo para um passeio militar com apoio internacional.

Embora a saída militar nunca seja a melhor opção e possa levar a uma perda significativa de vidas, além de maiores danos à infraestrutura já agredida e à economia venezuelana, hoje você pode ver que todas as tentativas de uma saída sem sangue e negociada da ditadura chavista ocorreram sem resultado, sendo completamente inútil. Por outro lado, a possibilidade de que haja uma ação interna contra o Chavismo já está praticamente descartada, devido ao forte controle exercido pelo regime sobre os oponentes e sobre qualquer dissidência em suas Forças Armadas, o que levou à captura e tortura de milhares de cidadãos e a morte extrajudicial de pelo menos 6700 pessoas apenas entre 2018 e o primeiro semestre de 2019, de acordo com o relatório divulgado pela Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

A Colômbia tem principalmente o apoio dos Estados Unidos e do Brasil, embora grande parte do resto da América, como visto na votação do TIAR, mantenha sua posição. No caso do Brasil, o presidente Bolsonaro sempre foi um fervoroso oponente do governo chavista, embora tenha sido negado por seus porta-vozes, várias vezes ele indicou que seria a favor de uma intervenção militar. O resto dos governos pretende continuar tentando encontrar uma saída pacífica, mas parecem ser declarações de boas intenções que não têm efeito.

Por outro lado, o Chavismo continuou com sua retórica de que lutaria contra qualquer invasão, embora a realidade indique que, embora as Forças Armadas Bolivarianas pudessem exercer resistência contra um ataque das forças latino-americanas, não poderiam fazê-lo no caso de uma intervenção dos Estados Unidos, um país que tem capacidade para suprimir todo o sistema defensivo, de comando, controle e comunicação, em questão de minutos e com um mínimo de perdas próprias.

Acredito que uma ação militar direta somente pelos Estados Unidos é improvável, mas vejo mais provável a possibilidade de apoiar uma ação da Colômbia, possivelmente com a participação do Brasil e talvez de outros países, além do apoio interno da Venezuela.

Por outro lado, como indicado pelos documentos citados pela revista colombiana Semana, o Chavismo planeja, antes de uma possível intervenção, empregar grupos terroristas das FARC e ELN para executar ações na Colômbia, gerando ali uma frente interna que força a distração das forças na fronteira com a Venezuela. Nesses documentos, fica claro que o Chavismo tem essas organizações como parte integrante de seu esquema militar, fornecendo treinamento, ao mesmo tempo em que recebe informações de inteligência, como o referido documento indica, os terroristas teriam a missão de “Destruir, capturar ou neutralizar unidades, meios ou instalações do FF.MM. com a capacidade de neutralizar nossas ações estratégicas ofensivas e, ao mesmo tempo, realizar ações estratégicas ofensivas contra a RBV (República Bolivariana da Venezuela). ”

Militarmente, embora as Forças Armadas colombianas tenham se concentrado ao longo do tempo na guerra contra a insurgência, na última década isso mudou para uma abordagem que inclui a guerra convencional, prevendo a possibilidade de um conflito com a Venezuela. Embora tenha como objetivo principal ter capacidade defensiva diante de um ataque venezuelano, muitos elementos das Forças Armadas colombianas são úteis no caso de uma ação ofensiva ser necessária.

Por mar, é improvável que haja alguma ação, deixando os teatros terrestres e aéreos como os eixos de qualquer ação militar. No ar, embora nominalmente a aviação militar venezuelana esteja melhor equipada, principalmente com o Sukhoi Su-30 e o F-16, a operacionalidade de ambos é muito reduzida, além de que seus equipamentos e armamentos eletrônicos estão desatualizados e seus pilotos mantêm um nível muito baixo de treinamento, de modo que sua real capacidade de enfrentar o Kfir colombiano, equipado com sistemas e armas mais modernos e com equipes muito melhor treinadas, é muito duvidosa. O mesmo vale para a aviação de transporte, helicópteros e outros segmentos.

Em terra, o exército venezuelano é o local onde está melhor equipado com relação a seus vizinhos, mas o nível de preparação de seu pessoal e o grau de aderência que ele teria antes da possibilidade de ter que travar uma guerra em defesa do Chavismo é desconhecido.

De qualquer forma, é improvável que uma ação contra a Venezuela leve a um conflito prolongado e em larga escala, mas que seja tomada uma ação rápida para destruir seu sistema defensivo, ataques específicos contra o chefe do regime e o estabelecimento de Guaidó, como único governo da Venezuela, protegido pelas nações envolvidas, além de algum apoio local de unidades militares.

Da mesma forma, é difícil prever o que poderia acontecer e a possibilidade de uma intervenção depende além do possível apoio da OEA e até da ONU, da posição de outros países, especialmente a Rússia, que apóia abertamente o governo Maduro e a queda dele pode significar um revés em sua projeção para ganhar espaço na América Latina.



Por: Santiago Rivas - Jornalista e Fotógrafo renomado no campo de Defesa, articulista de inúmeras publicações especializadas, Argentino e grande conhecedor do cenário geopolítico Latino Americano. Jornalista responsável na Pucará Comunicações. Autorizou ao GBN Defense News a traduzir e publicar sua interessante análise. Conheça o trabalho do nosso parceiro clicando aqui


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Armas Houthis - Mais que apenas AKs e RPGs

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Na madrugada de sábado (14), um ataque bastante ousado e eficiente abalou o mundo, duas das principais instalações da ARAMCO, uma petrolífera saudita que figura entre as maiores do mundo, foram destruídas pelo que foi inicialmente descrito como sendo um ataque de drones dos Houthis, insurgentes muçulmanos xiitas que controlam parte do Iêmen, e atualmente a principal facção da terrível guerra civil que assola o país desde 2015 e que já causou a morte de dezenas de milhares de pessoas, incluindo um grande número de civis, além de milhões de refugiados.

A Arábia Saudita (muçulmanos sunitas) é um dos países envolvidos neste sangrento conflito; os Houthis são apoiados pelo Irã (também muçulmanos xiitas). Vários outros países estão envolvidos neste conflito, à semelhança da Guerra Civil da Síria.

Não vamos aqui debater a origem dos ataques, que ainda não foi oficialmente confirmada. Além dos próprios Houthis (que alegam serem os autores da ação), suspeitas também recaem sobre milícias iraquianas e sobre o próprio Irã.

Neste texto, vamos discorrer sobre algumas das armas dos Houthis. Por incrível que possa parecer, eles têm armas tão ou mais sofisticadas do que as disponíveis a muitos exércitos. O que lhes falta, no momento, são Forças Aéreas e navais dignas de nota, o que não os impede de possuir sistemas A2AD (Anti-Acesso / Negação de Área) também nestes dois domínios.

Ao contrário dos sauditas e aliados como os Emirados Árabes Unidos, que vêm demonstrando uma incapacidade quase patológica em termos de obter o máximo potencial de suas armas extremamente avançadas, os Houthis tem, vez após vez, obtido sucessos impressionantes com suas armas consideravelmente menos modernas que as da coalizão árabe.




CLASSES DE ARMAS

Reforçando o que foi afirmado anteriormente, os Houthis não dispõe de uma Força Aérea ou de uma Marinha propriamente ditas, mas tem um Exército muito bem organizado.

Além das armas leves e improvisadas, as armas dos Houthis podem ser classificadas em:

  • Drones (VANT / UAV: Veículos Aéreos Não Tripulados ou ARP / RPA: Aeronaves Remotamente Pilotadas) de várias categorias, usados principalmente em missões de reconhecimento e ‘drones suicidas’, que carregam uma carga explosiva e que fazem uma missão suicida, detonando sobre um alvo de interesse, de maneira similar a mísseis de cruzeiro
  • Mísseis balísticos táticos (TBM)
  • Mísseis de cruzeiro de ataque a alvos em terra (LACM)
  • Mísseis de cruzeiro anti-navio (ASCM)
  • Mísseis superfície-ar (SAM)
  • Mísseis guiados anti-tanque (ATGM)

Neste artigo vamos comentar sobre algumas delas, já que nem todas são conhecidas. Outro ponto a se lembrar é que muitas das armas foram ‘herdadas’ das FFAA (Forças Armadas) iemenitas. De uma forma ou de outra, boa parte das informações disponíveis vem de fontes pouco confiáveis e até contraditórias, então por favor lembre-se disto ao analisar as informações.

É interessante notar também que boa parte destas armas são as mesmas, ou bastante parecidas, com aquelas usadas pelo Irã ou seus ‘proxies’ (‘procuradores’) como o Hizballah. Os Houthis são também um proxy importante para o Irã.

DRONES

Além dos diversos drones comerciais (‘tipo DJI’) que praticamente qualquer pessoa pode comprar nos dias de hoje, os Houthis utilizam drones militares iranianos e outros que foram ‘herdados’ das FFAA iemenitas.

Os ‘drones suicidas’ são muito similares a mísseis de cruzeiro em muitos aspectos, e a distinção entre as categorias é mais acadêmica que baseada em outros fatores.

A suspeita de que alguns destes drones foram utilizados para atacar a ARAMCO é difícil de sustentar, já que os drones dos Houthis são de alcance relativamente curto, e o principal reduto Houthi ao redor de Sanaa, capital do Iêmen, fica a mais de 1000 km das instalações atacadas recentemente.




HESA ABABIL

Um UAV Ababil do Hizballah em exposição em seu museu em Mleeta, Lebanon. (obs: descrito na placa como sendo o drone"Mirsad-1".) Frode Bjorshol/Wikimedia Commons

O Ababil (‘engolir’) é fabricado pela HESA do Irã. Disponível em diversos modelos, é usado primordialmente para reconhecimento, mas seu derivado Qasef 2K é um drone suicida, com uma ogiva que detona a uma altura de 20 m.

É um drone relativamente pequeno, com um alcance da ordem de 100 km, e que tem sido intensamente utilizado em locais mais próximos a áreas controladas pelos Houthis; um Qasef 2K foi utilizado em um ataque contra a Base Aérea de Al Anad, na fronteira entre Arábia Saudita e Iêmen.

Outras versões deste drone podem ter alcances maiores, mas é improvável que chequem aos mais de 1.000 km necessários para os ataques.




AEROVIRONMENT RQ-11 RAVEN

O Sgt. Dane Phelps, do 2º Batalhão, 27º Regimento de Infantaria, 25ª Divisão de Infantaria, se prepara prepares para lançar o UAV Raven durante uma operação conjunta de busca entre EUA e Iraqy na província iraquiana de Patika, em 22/11/2006. Sgt. 1st Class Michael Guillory, US Army

O AeroVironment RQ-11 Raven, um pequeno drone lançado manualmente, é conhecido como ‘Raqeep’ entre os rebeldes. Eles ‘herdaram’ os drones das FFAA iemenitas, que tinham comprado dos EUA.

É muito pequeno e portátil, é de uso fácil por tropas a pé. O bom uso deste drone garante vantagens consideráveis a tropas equipadas com eles.Seu alcance chega a 10 km.




MÍSSEIS BALÍSTICOS TÁTICOS (TBM)

Além de mísseis ‘herdados’ das FFAA, os Houthis adaptaram alguns mísseis para uso como TBM. Os Houthis tem sido muito eficientes nos usos de TBM, atacando inclusive Riad, capital da Arábia Saudita.

Os TBM tem a vantagem de uma enorme velocidade terminal, que dificulta sua interceptação, mas tem a desvantagem que sua trajetória e altitude de voo facilitam sua detecção.

KOLOMNA OTR-21 TOCHKA (Nome OTAN: SS-21 Scarab)

Sistemas de mísseis Tochka-U no ensaio do desfile em Ecaterimburgo. Foto de Vladislav Fal'shivomonetchik, CC BY-SA 3.0

O OTR-21 Tochka é um TBM móvel, lançado a partir de TEL (Transportador-Eretor-Lançador), desenvolvido pela URSS na década de 1970, e amplamente usado em guerras ao redor do mundo.

O alcance, conforme a versão, varia entre 70 a 185 km. Carrega uma ogiva de 500 kg, conforme a versão, e pesa em torno de 2 toneladas, o que o torna de fácil locomoção. Seu motor foguete de combustível sólido lhe garante um tempo de pré-lançamento quase nulo, tornando-o bastante eficiente para ataques surpresa.

Há suspeitas de que os Houthis já utilizaram todos os Tochka ‘herdados’ das FFAA iemenitas.




KOROLYEV R-11 ZEMLYA / R-17 ELBRUS (OTAN: SS-1 Scud)

Míssil SS-1 Scud no seu veículo TEL MAZ-543P, Museu nacional de História Militar, Bulgária. David Holt, CC BY-SA 2.0

Os SS-1 Scud, em suas diversas versões, derivados e cópias, são presença frequente em guerras ao redor do mundo desde sua introdução nos anos 1950.

Ao que parece, além dos próprios Scud, os Houthis também usam derivados e cópias como o Hwasong, Qiam e Borkan. Embora as versões mais antigas tenham um CEP (Erro Circular Provável, vulgarmente chamado de ‘precisão’) limitado a centenas de metros, o que não era problema com a ogiva nuclear.

As versões e derivados mais recentes (como o Qiam  iraniano) podem acrescentar outros modos de guiagem ao INS (Sistema de Navegação Inercial) utilizado nos mísseis originais e em derivados mais simples. O Scud-D, além de ser um míssil de dois estágios, também pode receber um sistema de guiagem próprio, melhorando consideravelmente o CEP, que pode chegar a 50 m, ou a 10 m no Qiam.

Apesar de antigo, o alcance superior a 700 km de algumas versões do Qiam lhe posibilitam atingir Riad, que fica a cerca de 720 km da fronteira com o Iêmen. Além disso, a enorme ogiva dos Scud, que pode chegar a 1 tonelada, que lhe possibilita causar enormes estragos.

Suspeita-se que a tentativa de atingir Riad em 04/11/2017 utilizou um Qiam, mas o míssil foi abatido por um Patriot, e não chegou a atingir nenhum alvo.

Uma desvantagem dos Scud é que são movidos por um motor foguete a combustível líquido que, por sua natureza tóxica / corrosiva só pode ser abastecido no míssil pouco antes do lançamento. Foi durante o abastecimento que a maioria dos Scud do Iraque foram destruídos na Guerra do Golfo. Entretanto, assim que dispara o míssil, o TEL pode evadir a área de lançamento muito rapidamente.

É um míssil muito maior e mais pesado que o Tochka, mas seus maiores alcance e carga explosiva o tornam uma arma bastante útil.

Além dos Houthis, o Hizballah também tem alguns destes mísseis, mas até o momento não o utilizaram contra Israel.

Não se suspeita destes mísseis no ataque à ARAMCO, pois o alcance é insuficiente.




Nome código OTAN
Scud-A
Scud-B
Scud-C
Scud-D
Qiam 1*
Entrada em serviço
1957
1964
1965
1989
2010
Comprimento
10,70 m
11,25 m
11,25 m
12,29 m
11,50 m
Diâmetro
88 cm
88 cm
88 cm
88 cm
88 cm
Peso inicial
4.400 kg
5.900 kg
6.400 kg
6.500 kg
6.155 kg
Alcance
180 km
300 km
600 km
700 km
750 km
Carga útil
950 kg
985 kg
600 kg
985 kg
750 kg
‘Precisão’ (CEP)
3.000 m
450 m
700 m
50 m
10 m
*O Qiam 1 ainda não tem nome código da OTAN


QAHER

Um míssil superfície-ar SA-2 egípcio durante o exercício conjunto multinacional joint Bright Star '85 (Staff Sgt. David Nolan), domínio público

Os sistemas mísseis superfície-ar (SAM) soviéticos S-75 Dvina (OTAN: SA-2 Guideline) são obsoletos já faz um bom tempo, além de não serem móveis (o que os torna bastante vulneráveis), mas os mísseis S-750 continuam sendo grandes e potentes.

Os houthis adaptaram estes mísseis para uso como TBM, com alcance de 250 km, e os denominaram Qaher. Tem 11 m de comprimento, e carregam uma ogiva de cerca de 200 kg.




MÍSSEIS DE CRUZEIRO DE ATAQUE A ALVOS EM TERRA (LACM)

Os LACM são, de certa forma, o oposto dos TBM - voam a baixa altitude e a velocidade subsônica, e aproveitam este perfil de voo para dificultar ao máximo sua detecção. Para dificultar mais ainda o trabalho das defesas, muitos LACM tem a capacidade de voar rotas pré-programadas e complexas, o que significa que podem ‘dar voltas’ até mesmo ao redor de montanhas, ao contrário dos TBM, cuja trajetória simples facilita muito o trabalho de descobrir o ponto de lançamento.

Conforme os acontecimentos recentes mostraram, a Arábia Saudita é mais eficiente combatendo TBM do que LACM, e isso não é nenhuma surpresa - um bom LACM, com um perfil de lançamento e voo bem planejados, realmente é bem difícil de conter.


QUDS-1

LACM Quds-1, principal suspeito do ataque à ARAMCO, durante exibição pelo Escritório de Imprensa Houthi, em data não especificada; esta foto foi repassada à Reuters, que a publicou

Suspeita-se que o Quds-1 seja apenas uma cópia do Soumar iraniano (por sua vez uma cópia dos Kh-55 ex-ucranianos), ou então uma versão derivada do mesmo.

Há poucas informações disponíveis sobre o míssil, mas destroços recolhidos na Arábia Saudita não deixam dúvidas que ele foi utilizado no ataque, só não se sabe ainda se em conjunto com outras armas, nem de onde foram lançados. Além do Soumar e do Quds, há também outros derivados do Kh-55, como o Hoveyzeh e o Meshkat, e é muito difícil diferenciar estes modelos apenas por fotos.

Em comum com o Kh-55, os iranianos alegam o alcance superior a 2000 km e a ogiva de 400 kg ou maior. Embora seja difícil comprovar ou desmentir tais afirmações, é inegável que tais capacidades estão dentro das possibilidades do Irã, cujo parque aeronáutico é relativamente bem desenvolvido.

Ademais, o perfil de voo a baixa altitude e através de rotas complexas dificulta bastante o trabalho de determinação do ponto de lançamento. Junte-se isto ao enorme alcance dos mísseis e o resultado é que eles podem ter sido lançados de boa parte do território da Síria, do Iraque, do Irã ou do Iêmen e ainda assim teriam a possibilidade de atingir as instalações da ARAMCO.




MÍSSEIS DE CRUZEIRO ANTI-NAVIO (ASCM)

O Iêmen fica num lugar bastante estratégico, na junção do Mar da Arábia e do Mar Vermelho, incluindo aí o Estreito de Bab el Mandeb, de passagem obrigatória para quem queira utilizar o Canal de Suez para acessar o Golfo Pérsico.

Tal localização faz com que o país seja um local excelente para o lançamento de ASCM. E, de fato, os Houthis atacaram navios com tais armas.




AL MANDAB 1

O al Mandab 1 é basicamente o míssil chinês C-801 (OTAN: CSS-N-4 Sardine), que por sua vez é uma cópia do Exocet MM-38. A partir do C-801, a China desenvolveu outros mísseis, mas até o momento não há provas de que os Houthis utilizaram algum deles que não o al Mandab.

Considerando-se que o estreito homônimo tem uma largura entre os 26 e 50 km, o alcance de 42 km é o bastante para colocar praticamente todo o Estreito sob ameaça, especialmente se o lançador sobre um caminhão estiver em locais como a Península de Ras Menheli ou a Ilha Perim. A ogiva do míssil é equivalente à do Exocet, ou seja, 165 kg, grande o bastante para causar grandes estragos.




MÍSSEIS SUPERFÍCIE-AR (SAM)

Poucos vetores são mais importantes na guerra moderna que as aeronaves. Os Houthis contam com diversos SAM, alguns deles adaptados a partir de mísseis ar-ar capturados da Força Aérea do Iêmen.

Todos eles são bastante móveis, o que dificulta bastante sua destruição. Várias aeronaves da Coalizão Árabe já foram atingidos por estes SAM, o que mostra que os Houthis são muito bem treinados no seu uso.

Ao que parece, os Houthis valorizam bastante a guiagem por infravermelhos; por serem passivos, tais sensores não emitem alertas para os alvos antes do lançamento.




KOLOMNA 9K32 STRELA-2 / 9K338 IGLA-S (OTAN: SA-7 GRAIL / SA-24 GRINCH)

Igla-S
O Strela-2 e o Igla-S são dois dos membros mais ilustres e numerosos da família de MANPADS (SAM portáteis) soviéticos Strela, que entrou em serviço na década de 1960 e foram amplamente exportados. Embora similares externamente, ambos são bastante diferentes internamente, com o Igla sendo consideravelmente mais avançado e resistente a ECM (Contra-Medidas Eletrônicas), como os flares.

A similaridade externa leva a uma grande confusão em termos de versões, portanto vamos supor aqui que falamos do Strela-2 e do Igla-S, e não de outras versões. O míssil mais moderno da família é o 9K333 Verba, mas até o momento ele não foi encontrado no Iêmen.

Ambos são mísseis leves, com o conjunto completo pesando entre 15-20 kg. Os mísseis tem um teto de serviço da ordem de 1500-3500 m e alcance máximo da ordem de 3700-6000 m, atingindo seus alvos com ogivas de 1,15-3,5 kg e a Mach 2.

Embora seus alcances e velocidades não sejam tão impressionantes quanto o de outros SAM, deve-se lembrar que, uma vez que o alvo esteja em seu envelope, o tempo de voo é extremamente curto, por vezes inferior a 10 segundos; a baixa altitude e/ou velocidade do alvo no momento do impacto dão poucas opções ao piloto. Com isto, o tempo de reação é muito reduzido, e os MANPADS tem feito muitas vítimas em conflitos recentes.




OKB-16 9K31 STRELA-1 (OTAN: SA-9 Gaskin)

Inicialmente, o Strela-1 deveria fazer parte da família Strela de MANPADS, mas suas dimensões e pesos o tornavam mais adequado a um uso em um veículo. Desta forma, o míssil foi montado em veículo baseado no BDRM-2, com um radar de curto alcance, e carregando 4 mísseis. Entrou em serviço também na década de 1960, e também foi muito exportado.

O míssil pesa 32 kg e carrega uma ogiva de 2,6 kg. As fontes são um tanto confusas em termos de desempenho, mas sugere-se um alcance de 8 km e um teto de 3500 m, com uma velocidade de Mach 1,8, ou seja, mais ou menos o mesmo desempenho de um Igla-S 40 anos mais recente.

As mesmas observações se aplicam - apesar do desempenho limitado, um alvo em seu envelope dificilmente conseguirá reagir a tempo.




VYMPEL R-60M (OTAN: AA-8 Aphid)

Os Houthis não tem uma Força Aérea, então os AAM (mísseis ar-ar) capturados foram convertidos para uso como SAM, não muito diferente do que os EUA fizeram ao converter o AIM-9 Sidewinder em MIM-72 Chaparral.

Embora os dados para o R-60M como SAM não estejam disponíveis, baseando-se na redução de desempenho de outros mísseis ao ser usado nesta função ao invés de AAM, é de se supor que terá um desempenho semelhante ao Strela-1, ou seja, um alcance máximo em torno de 8 km e um teto máximo em torno de 4 km. Sua ogiva é de 3 kg.

Foi aposentado pelo R-73, mas grandes estoques do míssil ainda se encontram espalhados em diversos países, principalmente para uso em treinamento.




VYMPEL R-73 (OTAN: AA-11 Archer)

O R-73 surgiu com um novo conceito de míssil de incrível agilidade, e com desempenho bastante superior ao do R-60, que ele substituiu na URSS. Há diversas versões do míssil, e as fontes não indicam qual delas está em serviço com os Houthis, então vamos supor que é a versão básica.

Considerando-se que mesmo o AAM R-73 básico tem desempenho bastante superior ao R-60, mas é difícil saber quanto deste desempenho vai aparecer na função SAM. Ele tem uma ogiva de 7,4 kg e velocidade máxima de Mach 2,5. Supor um alcance / teto máximos da ordem de 10-20 km (equivalente ao Sea Sparrow) é bastante razoável.




VYMPEL R-27T (OTAN: AA-10 Alamo-B)

O R-27 foi lançado como um complemento mais pesado e mais veloz do R-73, mas sem a mesma agilidade. Seu alcance é parecido com o do R-73, mas sua velocidade máxima é de Mach 4,5 e a ogiva é de 39 kg, o que significa que uma aeronave, por maior que seja, teria poucas chances de sobreviver a um impacto deste míssil.

Além disso, sua grande velocidade, mais o fato de ser guiado por infravermelhos (como todos os anteriores), significa que os sistemas de alerta dos alvos terão pouca chance de detectá-lo antes que seja tarde demais.




MÍSSEIS GUIADOS ANTI-TANQUE (ATGM)

Insurgentes, via de regra, não dispõe de MBT (Carros de Combate, CC, ‘tanques’), o que significa que precisam de um meio para neutralizá-los com eficiência, e os ATGM são essenciais para isto.




KOLOMNA 9M14 Malyutka (OTAN: AT-3 Sagger)

O Malyutka foi o primeiro ATGM soviético, e foi produzido em enormes quantidades, além de fabricado (com ou sem licenças) por diversos países. Foi usado em inúmeros conflitos ao redor do mundo e, embora seja obsoleto para uso contra os MBT mais modernos, continua sendo bastante eficiente contra veículos menos blindados, casamatas e outros alvos em campo de batalha. O Irã fabricou um derivado do Malyutka, o Raad.

A versão inicial era dependente de guiagem manual CLOS (Comando à Linha de Visão), mas versões mais recentes são mais automatizadas. A velocidade é relativamente baixa (abaixo de 500 km/h), com ogivas relativamente pequenas (2,6-3,5 kg) mas o alcance efetivo é relativamente bom (500-3.000 m), e é praticamente imune a ECM (embora atingir o lançador seja eficiente no sentido de quebrar a guiagem).

Além do baixo custo e ampla disponibilidade, o Malyutka é bastante compacto, com o conjunto completo pesando em torno de 30 kg e tendo cerca de 1 m de comprimento. Tal compacidade lhe garante uma grande mobilidade, mesmo se empregado por tropas a pé, e como tal segue em uso ao redor do mundo.




TULA 9K111 FAGOT (OTAN: AT-4 Spigot)

O 9K111 Fagot representa a próxima geração de mísseis soviéticos do tipo CLOS guiado por fios. É menor que o Malyutka, mas sendo 10 anos mais novo consegue igualar sua performance. A velocidade varia entre 290-670 km/h, com ogiva de 1,7 kg, e alcance de 70-2500 m, o que o torna ainda mais adequado que o Malyutka para guerra urbana.

É obsoleto contra MBT atuais, mas continua eficaz contra outros alvos no campo de batalha.




TULA 9M113 KONKURS (OTAN: AT-5 Spandrel)

O 9M113 Konkurs foi desenvolvido lado a lado com o Fagot, mas é maior, mais pesado e mais potente, sendo por isso geralmente utilizado a partir de veículos. Foi construído sob licença no Irã com o nome Tosan-1.

Alcance efetivo 70 m - 4 km, velocidade de 750 km/h, ogiva de 2,7 kg. Como seu calibre é maior que do Fagot, é também mais eficiente contra MBT, e com exceção de blindados relativamente recentes, ainda é bastante letal; mesmo blindados mais recentes podem ser destruídos pelo Konkurs caso atingidos por trás. Também tem guiagem por fios tipo CLOS.




9K115 METIS (OTAN: AT-7 Saxhorn) E 9K115-2 METIS-M (OTAN: AT-13 Saxhorn 2)

O 9K115 Metis e o 9K115-2 Metis-M são bastante parecidos externamente, embora o Metis-M tenha um diâmetro maior (130 mm contra 94 mm do Metis), o que lhe garante maior eficiência contra MBT.

Mais um míssil soviético CLOS guiado por fios, o Metis tem um alcance de 40-1000 m, peso de míssil de 6,5 kg e velocidade de 720 km/h. O Metis-M tem um alcance de 80-2000 m, peso de 13 kg e a mesma velocidade de 720 km/h. A grande vantagem do Metis-M, além do alcance, é a maior eficiência contra blindagens, podendo derrotar blindagens de até 1.000 mm de RHA, contra 500 mm de RHA do Metis.

Ou seja, mesmo blindados modernos podem ser derrotados pelo Metis-M em algumas situações, até mesmo frontalmente.




KBP 9M133 KORNET (OTAN: AT-14 Spriggan)

O Kornet é um dos mais modernos e letais ATGM disponíveis no mercado. Também tem guiagem CLOS, mas por laser (Laser Beam Rider). O Irã produziu-o sob licença como Delavieh.

Devido ao elevado custo, não chegou a substituir completamente o Konkurs e o Metis-M, mas seu desempenho é superior em todos os aspectos. A velocidade varia entre 900-1200 km/h, a ogiva de 4,5 kg lhe permite derrotar blindagens RHA de até 1.300 mm, mesmo em blindados com proteção ERA (Blindagem Reativa Explosiva). Estima-se que nenhum blindado é capaz de sobreviver ao Kornet, mesmo em impactos frontais, especialmente contra as versões mais modernas, a menos que utilize proteção reativa como o Trophy israelense.




RAYTHEON M47 DRAGON

O M47 Dragon é um míssil CLOS guiado por fios, assim como o Konkurs, e tem desempenho semelhante, exceto pelo alcance bastante menor, no máximo até 1.000 m.

O Irã comprou tais mísseis antes da Revolução Islâmica, e produz um derivado dele, o Saeghe-1.





TOOPHAN

O Irã foi um dos primeiros países a adquirir o BGM-71 TOW dos EUA (também CLOS guiado por fios), já em 1971, mas a Revolução Islâmica de 1979 e a subsequente Guerra Irã-Iraque (1980-1988) rapidamente exauriram os estoques do míssil.

Como o Iraque era um grande operador de MBT, o Irã acabou por criar o Toophan por engenharia reversa. O míssil hoje é um projeto genuinamente iraniano, e algumas versões, como o Toophan 5, inclusive dispõem de guiagem laser beam riding, coisa que nenhum TOW tem.

A versão encontrada com os Houthis, já desde 2015, é o Toophan 4, que emprega uma ogiva termobárica (anti-estrutura e não anti-tanque), mas outras versões (como o Toophan 2M) podem derrotar até 900 mm de blindagem RHA.




CONCLUSÃO




Como se pode ver, os Houthis dispõe de armas bastante avançadas, e muitas delas seriam mais que bem-vindas até mesmo em exércitos regulares.

Mais importante que os armamentos, entretanto, é o fato que os Houthis são bastante aguerridos, e também estão mostrando ser muito bem treinados. Com isso, eles têm obtido vitórias significativas contra inimigos muito melhor equipados, mostrando mais uma vez que os equipamentos, por si só, não são o bastante para vencer uma guerra.



Por: Renato Henrique Marçal de Oliveira - Químico, trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel), estreante no GBN Defense News.




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