segunda-feira, 30 de maio de 2011

Urânio empobrecido, uma estranha forma de proteger os civis líbios

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Nas primeiras 24 horas de bombardeios a Libia, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Trata-se de um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares, sendo uma substância muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Esse urânio empobrecido pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos em bebês e síndromes de imunodeficiência, entre outras doenças.

“Os mísseis que levam pontas dotadas de urânio empobrecido se ajustam à perfeição à descrição de uma bomba suja...Eu diria que é a arma perfeita para assassinar um monte de gente”.
Marion Falk, especialista em física e química (aposentada), Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia (EUA).

Nas primeiras vinte e quatro horas do ataque contra a Líbia, os B-2 dos EUA lançaram 45 bombas de 2 mil libras de peso cada uma (um pouco menos de uma tonelada). Estas enormes bombas, junto com os mísseis de cruzeiro lançados desde aviões e navios britânicos e franceses, continham ogivas de urânio empobrecido.

O DU (urânio empobrecido, na sigla em inglês) é um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares. Trata-se de uma substância muito pesada, 1,7 vezes mais densa que o chumbo, muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Quando uma arma que leva uma ponta de urânio empobrecido golpeia um objeto sólido, como uma parte de um tanque, penetra através dele e depois explode formando uma nuvem quente de vapor. Esse vapor se transforma em um pó que desce ao solo e que é não só venenoso, mas também radioativo.

Um míssil com urânio empobrecido quando impacta algo sólido queima a 10.000°C. Quando alcança um objetivo, 30% dele fragmentam-se em pequenos projéteis. Os 70% restantes se evaporam em três óxidos altamente tóxicos, incluído o óxido de urânio. Este pó negro permanece suspenso no ar, e dependendo do vento e das condições atmosféricas pode viajar a grandes distâncias. Se vocês pensam que Iraque e Líbia estão muito distantes, lembrem-se que a radiação de Chernobyl chegou até Gales.

É muito fácil inalar partículas de menos de 5 micra de diâmetro, que podem permanecer nos pulmões ou em outros órgãos durante anos. Esse urânio empobrecido inalado pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos, síndromes de imunodeficiência e estranhas enfermidades renais e intestinais. As mulheres grávidas expostas ao urânio empobrecido podem dar à luz a bebês com deformações genéticas. Uma vez que o pó se vaporiza, não cabe esperar que o problema desapareça. Como emissor de partículas alfa, o DU tem uma vida média de 4,5 milhões de anos.

No ataque da operação “choque e pavor” contra o Iraque foram lançadas, somente sobre Bagdá, 1.500 bombas e mísseis. Seymour Hersh afirmou que só o terceiro comando de aviação dos Marines dos EUA lançou mais de “quinhentas mil toneladas de munição”. E tudo isso carregava pontas de urânio empobrecido.

A Al Jazeera informou que as forças invasoras estadunidenses dispararam 200 toneladas de material radioativo contra edifícios, casas, ruas e jardins de Bagdá. Um jornalista do Christian Science Monitor levou um contador Geiger até zonas da cidade que sofreram uma dura chuva de artilharia das tropas dos EUA. Encontrou níveis de radiação entre 1.000 e 1.900 vezes acima do normal em zonas residenciais. Com uma população de 26 milhões de habitantes, isso significa que os EUA lançaram uma bomba de uma tonelada para cada 52 cidadãos iraquianos, ou seja, uns 20 quilos de explosivos por pessoa.

William Hague, Secretário de Estado de Assuntos Exteriores britânico, disse que estávamos indo a Líbia “para proteger os civis e as zonas habitadas por civis”. Vocês não têm que olhar muito longe para ver a quem e o que está se “protegendo”.

Nas primeiras 24 horas, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Um informe sobre controle de armamento realizado na União Europeia afirmava que seus estados membros concederam, em 2009, licenças para a venda de armas e sistemas de armamento a Líbia no valor de 333.357 milhões de euros. A Inglaterra concedeu licenças às indústrias bélicas para a venda de armas a Líbia no valor de 24,7 milhões de euros e o coronel Kadafi pagou também para que a SAS (sigla em inglês do Serviço Especial Aéreo) para treinar sua 32ª Brigada.

Eu aposto que nos próximos 4,5 milhões de anos, William Hague não irá de férias ao Norte da África.

Fonte: Carta Maior
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Obama nomeia Martin Dempsey como chefe do Estado-Maior dos EUA

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O presidente Barack Obama nomeou nesta segunda-feira o general Martin Dempsey, que comandou uma divisão armada no Iraque, como chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos.

Obama pediu ao Senado que confirme a indicação o mais rápido possível, durante um discurso na Casa Branca. Se a indicação for confirmada pelo Senado, Dempsey irá substituir Mike Mullen, que deixa o cargo em 1º de outubro.

Em cerimônia na Casa Branca, Obama disse que Dempsey é um dos "mais respeitados e experientes" generais dos EUA.

A escolha ocorre em meio à pressão crescente pela aceleração da retirada das tropas americanas do Afeganistão, e enquanto os EUA se preparam para uma retirada completa do Iraque.

Atualmente, Dempsey é chefe do comando central do Exército, e deve ser sucedido pelo general Raymond Odierno.

Fonte: France Presse
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Alemanha promete parar de usar energia nuclear até 2022

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A Alemanha vai desligar todas as usinas nucleares do país até 2022 e planeja reduzir o uso de energia em 10% até 2020, após acordo da coalizão liderada pela chanceler Angela Merkel.

A decisão pode ser até mais ambiciosa do que a saída da energia nuclear planejada pela coalizão entre sociais-democratas e verdes quando estavam no poder em 2000, pois desativa oito das 17 usinas nucleares do país imediatamente e outras seis em 2021, mas ainda pode enfrentar oposição de empresas do setor.

Há apenas nove meses, Merkel anunciou uma ampliação da utilização das usinas nucleares em 12 anos em média. Em março, após o terremoto e tsunami que provocaram um acidente na usina nuclear japonesa de Fukushima, no Japão, Merkel reverteu a decisão e colocou a política para energia nuclear do país sob revisão.

"Nosso sistema energético tem de ser mudado fundamentalmente, e pode ser mudado. Queremos que a eletricidade do futuro seja segura e, ao mesmo tempo, confiável e econômica", disse Merkel a jornalistas nesta segunda-feira.

A decisão dos partidos da coalizão dirigida por Merkel supõe um retorno à decisão tomada no ano de 2000 pela então coalizão de social-democratas e verdes comandada por Gerhard Schröeder que tinha aprovado por lei o fim da era nuclear em 2021.

Merkel e sua equipe se retratam assim da lei que aprovaram no ano passado para prolongar a vida das usinas nucleares em uma média de 14 anos e que atrasava para 2036 o fechamento da última usina atômica no país.

Além de parar de usar a energia nuclear, a Alemanha também planeja reduzir o uso de eletricidade em 10% até 2020 e dobrar a participação de fontes renováveis de energia para 35 % no mesmo período, segundo um documento do governo obtido pela Reuters.

Merkel não deu mais detalhes do plano, mas o documento afirma que a meta alemã de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em 40%o até 2020 está mantida.

A maioria dos eleitores na Alemanha é contra a energia atômica, que fornecia 23% da energia do país antes de sete unidades antigas serem fechadas em março.


PROTESTOS

No sábado (28), milhares de pessoas participaram de protestos em 21 cidades da Alemanha, exigindo que o governo acelerasse o processo de abandono da energia nuclear.

Cerca de 160 mil pessoas saíram às ruas em 21 cidades alemãs. Na capital Berlim e em Munique o número de manifestantes ficou em torno de 25 mil, enquanto que em Hamburgo quase 20 mil aderiram ao protesto, de acordo com os organizadores. A polícia de Berlim estimou uma presença de 20 mil pessoas.

O encerramento em definitivo dos 17 reatores nucleares alemães até o ano de 2021 atenderia a um pedido feito no início deste milênio por um grupo formado por políticos sociais-democratas e ecologistas.

Na sexta-feira (27), os ministros do Meio Ambiente dos Estados alemães aprovaram o fim das atividades dos sete reatores nucleares mais antigos do país, paralisados desde março.

Fonte: Reuters
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O poderoso coronel Oliva

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Em quase qualquer lugar do mundo a indústria de defesa tem apenas dois tipos de clientes: o Estado ou grupos que querem tomar o controle do Estado. Em qualquer lugar do mundo, também, leva a melhor nesse mercado quem decifra os caminhos do poder, conhece quem tem o controle da chave do cofre e é capaz de influir na elaboração das políticas de regulação do setor. No Brasil, poucas pessoas reúnem esses requisitos como o coronel da reserva Oswaldo Oliva Neto. Desde que deixou o governo o coronel passou a atuar na iniciativa privada, como consultor na área militar, que hoje é alvo de uma plêiade de grupos internacionais – interessados, claro, em abocanhar uma fatia dos bilionários contratos de reaparelhamento das Forças Armadas e de fortalecimento da segurança pública. Em pouco menos de três anos, Oliva Neto foi o responsável pela intermediação dos dois maiores contratos no setor de defesa realizados no Brasil nas últimas décadas – a compra dos helicópteros franceses EC-725 e dos submarinos, também franceses, Scorpéne. Os dois negócios movimentaram mais de R$ 20 bilhões.

Agora Oliva Neto girou suas baterias para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Seu lance mais recente foi unir a consultoria de sua família, a Penta Prospectiva Estratégica, ao grupo Odebrecht, dono da maior empreiteira do País, a Construtora Norberto Odebrecht. Juntas, as duas empresas criaram a Copa Gestão em Defesa. O primeiro objetivo da nova companhia é entrar na briga pelo fornecimento dos sistemas de inteligência e comunicação militar para a Copa de 2014, um pacote que deve superar facilmente os R$ 2 bilhões. “A ideia é desenvolver um sistema nacional, pois os de fora não atendem às nossas necessidades”, disse o ex-coronel à ISTOÉ.

Oliva Neto, para quem não sabe, é irmão do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Seu pai, o general Oswaldo Muniz Oliva, desfruta da amizade de Lula e atuou como uma espécie de fiador do ex-presidente junto à caserna no início do governo petista, em 2003. E foi justamente a chegada do PT ao poder que garantiu a ascensão de Oliva Neto fora dos quartéis. Dentro deles, a verdade é que ele não chegou a se destacar muito. Foi um aluno regular na Academia Militar das Agulhas Negras, viveu praticamente toda a sua vida em São Paulo e só ocupou um posto de comando, atingindo a patente de coronel.

Oliva começou a crescer em 2004, depois de uma rápida passagem pelo gabinete do comandante do Exército. Foi nomeado secretário executivo do antigo Núcleo de Assuntos Estratégicos (depois transformado em secretaria) e elaborou o projeto “Brasil 3 Tempos”, um plano de metas estratégicas até 2022. Com a queda, por conta do mensalão, do ministro-chefe do Núcleo, Luiz Gushiken, em 2007, Oliva Neto assumiu a pasta interinamente, mas deixou o cargo meses depois e se afastou do governo definitivamente em 2008.

Doutor em planejamento militar pela Escola Superior de Guerra e dono de um MBA executivo na Fundação Getulio Vargas, Oliva Neto refugiou-se na pequena consultoria fundada pelo pai, a Penta, logo após deixar o governo. Até então, a consultoria vinha conseguindo um sucesso modesto na busca de mercado externo para pequenos e médios produtores nacionais. Com a chegada de Oliva Neto, a empresa começou a decolar.

Com Oliva Neto, a Penta foi uma das responsáveis por garantir o contrato de construção do estaleiro em que serão montados os submarinos Scorpéne comprados da França (quatro convencionais e um nuclear), além de uma nova base naval no Porto de Sepetiba. A Odebrecht foi escolhida pela marinha e terá 59% do estaleiro por meio de uma sociedade de propósito específico, a Itaguaí Construções Navais. “A escolha da Odebrecht ocorreu sem transparência, na brecha da lei de licitações para questões de segurança nacional. Mas tenho dúvidas se o estaleiro se enquadra nisso”, afirma o procurador junto ao TCU, Marinus Marsico. Ao todo foram firmados com a França cinco contratos, um deles para a transferência de tecnologia e outro para fornecimento de mísseis. O investimento será superior a R$ 17 bilhões. Sempre discreto, Oliva Neto também trabalhou ativamente no contrato de R$ 5 bilhões para a compra dos helicópteros EC-725 para marinha, Exército e Aeronáutica.

O último negócio do coronel foi a parceria com a Odebrecht na Copa Gestão em Defesa, cujo capital inicial é de R$ 1 milhão. O negócio mudou o perfil familiar da antiga consultoria. “Agora estamos trabalhando com gente grande, como Microsoft, IBM e Icon”, comemora Oliva Neto, que também ocupa o cargo de diretor de integração de projetos, na Odebrecht Defesa e Tecnologia. O próximo movimento do consultor é conseguir a aprovação da nova Política Nacional de Indústria de Defesa, que define os parâmetros para o desenvolvimento do parque industrial militar e apresenta o conceito de “empresa estratégica de defesa”. Dentre outras exigências, deve ter sede e administração no País, ser aprovada pelo Ministério da Defesa, além de assegurar a participação de representantes da administração pública em seus órgãos consultivos. O texto teve contribuição de Oliva Neto. Mas não agradou a todos. “O Brasil precisa de uma agência reguladora. O Ministério da Defesa não pode fazer esse papel”, diz o consultor em segurança nacional Salvador Raza. Ao que parece, o futuro dessa iniciativa será a prova de fogo do poder do coronel Oliva Neto.

Fonte: Isto É
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domingo, 29 de maio de 2011

O cinismo ocidental e Muamar Kaddafi

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O que se passa na Líbia e ao redor dela mostra convincentemente que a comunidade internacional movimenta-se a uma reconstrução dos antigos métodos fascistas de conduzir os assuntos e processos internacionais, e isso de uma maneira sem precedentes e limites. Nunca na história da humanidade a idéia das normas dos direitos humanos se virou contra ela própria. Apresentar bombardeios aniquiladores como ação humanitária é cinismo. Os antecedentes da história, a adoção e a aplicação da resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, é alge e cúmulo do que pode ser entendido por cinismo. Em vez de garantir apoio à comunidade dos povos, o Conselho de Segurança (e já não é a primeira vez) sanciona o armamento de bandidos, redistribui propriedade nacional em favor de companhias e bancos ocidentais, aniquila a soberanidade de uma nação e bombardeia, num exercício de exterminação, o próprio povo que ele diz querer salvar de males piores.

A comunidade mundial tem o direito de na Assembléia Geral da ONU levantar a questão da legalidade ou criminalidade das ações do Conselho de Segurança. O levantamento dessas questões pode basear-se em:

1): O artigo 2 da Carta Magna da ONU diz: -“Nada dentro da presente Carta autoriza as Nações Unidas intervir em casos que estejam essencialmente dentro da jurisdição nacional de cada Estado, nada há que requeira os Membros das Nações Unidas a subjugar esses aspectos nacionais à ONU, baseando-se na presente Carta; mas esse princípio que não prejudique a aplicação ou enforcamento de medidas abaixo do capítulo VII”, o qual estabelece muito claramente que o Conselho de Segurança não tem absolutamente nenhum direito de nem mesmo falar de sanções contra a Líbia. Tudo o que o Conselho de Segurança poderia fazer sem ultrapassar os limites dos direitos autorizados seria sondar a possibilidade de intervir na situação criada pelos revoltosos na Líbia. Portanto, os membros do Conselho de Segurança que tomaram parte em preparar e passar a Resolução 1973 deveriam ser responsabilizados por excederem sua autoridade e isso onde havia finalidades criminosas. Em concordância com o fato deveriam enfrentar justiça em Corte Criminal internacional.

(2): Mesmo a extensão da ilegal Resolução 1973 é limitada à imposição de uma zona de trafego aéreo proibido, “no-fly zone”, o que de maneira alguma dá autorização a fazer a infra-estrutura civil do país, as forças armadas, ou grupos residenciais de Kadafi como alvo de ataque. A Resolução 1973 também não autoriza o apoiar militarmente a oposição armada da Líbia. Conseqüentemente, os atuais passos da OTAN, a justo título, merecem uma investigação criminal.

3): O Conselho de Segurança tem uma Comissão Militar própria, que é suposta de organizar as ações militares da ONU. Ela deveria analisar as situações em que a ONU tem intenção de intervir, planejar os aspectos técnicos da operação e sugerir a emissão de um mandato para uma eventual missão. Porque os Estados Unidos e a OTAN tomam a si mesmos o monopólio de interpretar realizar ou implementar a Resolução do Conselho de Segurança? Só isso já constitui um crime contra o Direito Internacional.

Nas ações do Conselho de Segurança e da OTAN manifesta-se uma finalidade criminosa contra os direitos humanos. O próprio Conselho de Segurança assim como a OTAN deveriam cair abaixo da jurisdição “Organização de Crimes Contra a Humanidade.” Cairia bem organizar um novo processo do tipo do processo de Nuremberg num futuro próximo. Seria muito possível e desejável. Hitler e seu círculo começaram suas atividades no desassossego junto ao Tratado de Versailles, as quais foram seguidas nas agitações contra as normas dos direitos humanos e culminaram nos históricos crimes contra a humanidade. A lição deveria nos ter ensinado que atrás de cada pessoa morta, seja essa um soldado, um oficial, um elemento da oposição ou um cidadão qualquer do mundo, o culpado tem que se submeter à processo criminal e responder perante a ele.

Os americanos organizaram o processo contra S. Milosevic [Slobodan] e Saddam Hussein e a conseqüência foi à execução dos dois. O do segundo mencionado foi um ato aberto, o do primeiro, um ato às penumbras. Entretanto, em primeiro lugar não se apresentaram provas jurídicas convincentes quanto às alegações de culpa e em segundo lugar aquilo a que foram acusados nem de longe chega aos pés dos massivos crimes perpetuados pelos Estados Unidos e a OTAN.

Que é que se poderia acrescentar quanto a não envolvimentos em assuntos internos de outros países? Quanto à criminalidade da instigação à violência e resistência às autoridades poderíamos por ex. perguntar-nos como reagiriam as autoridades americanas se Kadafi assediasse os manifestantes em Visconsin, estado norte-americano onde não há muito tempo iam demonstrações massivas contra o governo, e através de seus representantes oficiais líbios oferece-se aos revoltosos financiamento e armas para serem usadas contra Washington.

De que é que Kadafi é acusado? De ter regido a Líbia por mais de 40 anos? De ter usado de violência contra insurgentes armados, entre os quais se encontravam Al-Qaeda membros, alguns traidores agora contratados, assim como representantes da polícia secreta do bloco ocidental? A autodenominada maior democracia do mundo- América, já há muito é governada, e isso de forma absoluta, por oligarquias do grande capital, muitos, verdadeiros mafiosos.

Quanto a isso se podia ler já no tempo de Kennedy, que foi assassinado conquanto tentando tirar da Reserva Federal (que se constitui por 12 bancos particulares da Wall Street) o direito do monopólio na impressão do dólar. Nessa ocasião ele também olhava em seu meio à procura de apoio para seu projeto para a construção de um sistema mínimo de controle das atividades dos bancos e comunidades bancárias.

Também podemos lembrar-nos aqui que mafiosos saqueiam e pilham não só outros povos, mas a sua própria sociedade e caso se queira levar o princípio da democracia ocidental sem limites a todos com mais de vários decênios de anos no poder, então é de urgência começar com as monarquias da Europa e Oriente Médio. Uma tal proposta iria provavelmente causar uma imensa confusão na Inglaterra. Na Jordânia uma proposta semelhante é só para esquecer, já para não se mencionar outras mais.

Em seu longo termo no poder Kadafi levou a nação à não dependência na esfera da politica-economia- e finanças, assim como trabalhou para colocar os recursos do país à favor de seus cidadãos, com a finalidade de desenvolvê-lo para bem de todos.

Hoje a Líbia é o país mais próspero do norte da África. No seu testamento, datado 5 de abril 2011, Moamar Kadafi fala sobre o porquê dos representantes dos interesses ocidentais quererem matá-lo:- “Eles compreendem que nosso país, independente e livre não está abaixo das rédeas coloniais, que a minha visão, a minha revolução foi e continua sendo clara para o meu povo. E eu lhes asseguro que vou lutar até meu ultimo suspiro para a nossa independência. Então nos ajudem todos que confiem no justo e na liberdade.”

Ve-se que a democracia liberal não tem por onde acusar o líder da Líbia pelo que ele fez para seu país, que tornou o mais próspero do continente africano, com excelente gratuito serviço de saúde, um sistema de grandes subvenções com muitos elementos gratuitos na área da habitação, alta segurança social, um elevado numero de cidadãos abastados ou vivendo confortavelmente. Pode-se dizer que a Europa ou os Estados Unidos supera essa abastança para a maioria dos seus cidadãos?

Falando dos seus oponentes internos Kadafi diz que “relacionando-se com americanos e visitantes de outros países eles podem falar que se precisa de “liberdade” e “democracia.” O que absolutamente não é compreendido é que estariam frente à lei da selva, onde todos são sujeitos aos mais fortes… Kadafi aponta para o fato que muitos ainda não compreenderam que na América não haveria serviço médico de qualidade que fosse gratuito, que não haveria hospitais que fossem gratuitos e que estivessem abertos para eles, que também não haveria educação que fosse gratuita, nem habitação que se pudesse conseguir sem muito dinheiro, assim como não haveria segurança social digna do nome” E continuando Kadafi apontou também para o fato que “fazia o que podia para seus irmãos africanos, que ele fazia pelos países da União Africana tudo que estava em seu poder para ajudar as pessoas compreenderem a idéia de uma verdadeira democracia onde, como em seu país, quem tinha o poder de governar era a organização popular.”

Acrescentou que na Líbia a democracia tinha se realizado com órgãos como os Conselhos e as Confederações onde os chefes das tribos e as pessoas podiam discutir e decidir as grandes decisões para o país. Por ex. ressaltou que todas as pessoas podiam tomar parte na discussão da realização do mais grandioso projeto no continente africano. Projeto esse que foi desenvolvido para dar à sociedade da Líbia água proveniente de lagos subterrâneo. Apesar da realidade do caráter do território do país e do calor do clima africano, na Líbia não há falta d água. Vias de transporte, portos, terminais, aeroportos são modernos e efetivos. Acrescentou que, no entanto para os Estados Unidos isso não seria visto como democracia porque o que gostariam de ver seria uma democracia à americana.

Democracia à americana sendo o imenso sistema capitalista, esse modelo fascista de governo de povos e processos, onde os mais ricos pegam todos os principais- internos e externos- postos de decisão e onde os presidentes e parlamentos são como marionetes, dando a impressão de que falam e agem pelo país, mas na realidade não tem esse poder real, porque o poder real está nas mãos de quem controla o dinheiro, ou em outras palavras no círculo da Wall Street.

O que é que Obama prometeu aos eleitores se não o acabar com as guerras? Mas, o presidente não pode conduzir o país contrariamente as decisões tomadas atrás das culissas. As decisões tomadas nas culissas determinam o caminho a ser tomado e essas decisões, elas sim vêem do poder real, dos que para começar agiram para que ele, Obama, se tornasse presidente e incondicionalmente e em primeiro lugar, defendesse os interesses deles mesmos. [Obama, assim como todos os outros antes dele, foi por assim dizer escolhido de antemão e, depois de provas de fogo, promovido ao posto.]

Por outras palavras quem manda é a coerção que controla o dinheiro. A divisa “o que é bom para a General Motors também é bom para a América” à já muito tempo cedeu lugar ao moto o que é bom para “Goldman Sachs” também é bom para a América. É a crença que pensam adequadas, mas não se contentam em tê-la só para a América. Estão determinados a forçá-la a toda humanidade. [A divisa “da General Motors” refere-se à economia baseada na produção industrial que hoje, por assim dizer, já não existe na América. A divisa “Goldman Sachs” refere-se à especulação financeira, que hoje é à base da economia americana, sendo o ex. maior do sistema de especulação financeira o que levou ao colapso de 2008.]

O que é com Kadafi que enraivece tanto a oligarquia financeira colonial-imperialista? Em primeiro lugar a sua independência, assim como a da Líbia. Num mundo unipolar isso não poderia acontecer, e se acontece não poderia ser aceito, porque isso faria que a realidade já não seria unipolar, com um único centro de poder absoluto, ou seja, o colonial-imperialista.

Em segundo lugar está a realização e desenvolvimento da idéia socialista. Até mesmo a denominada “Dzjamaria,” o socialismo líbio, os oligarcas do mundo vêem como um perigo e uma idéia inaceitável, e esse perigo para eles é duplo. Toda a África do Norte e o Oriente Médio. Todo o mundo Islâmico parece estar à procura de um modelo para desenvolvimento e Líbia como um país Islâmico de grande prosperidade pode ser visto como um atraente e ótimo modelo a ser seguido. Principalmente se ela se mostrar à altura de vencer as admoestações do bloco colonial-imperialista na região. Daí se compreende todos os esforços e gastos para desacreditar e liquidar os resultados socialistas da Líbia.

Em terceiro lugar, o líder líbio no ano passado trabalhou muito ativamente na União Africana e entre os países pertencentes à OPEC (na sigla inglesa, os países produtores de petróleo) para persuadi-los a promover o “ouro-negro” ou o “dinheiro-ouro”. Uma forma de pagamentos e trocas em ouro por ouro. Por ex. ouro por petróleo.

Tudo isso leva o bloco colonial-imperialista à decisão de “democratizar” a Líbia. Sem nos aprofundarmos no assunto do padrão concreto da democracia nos países árabes, compreendemos que tudo isso leva ao modelo de “democratização” tipo ao do empregando no Iraque. Democratizar, quer dizer, liquidar a Líbia. Na arena mundial “a democratização” é para ser continuada com a Síria, Irã, com os escombros do Iraque, com o Paquistão, com a construção Curda, com o Yemem, na Caucásia e na Ásia Central. Todos na lista como potenciais alvos de “democratização.” E isso ainda não é tudo…


Fonte: Patria Latina

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EUA gastaram US$ 32 bilhões em projetos militares inacabados

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O Pentágono gastou mais de US$ 32 bilhões desde 1995 em 22 programas de armamentos que foram cancelados ou abandonados, segundo um relatório elaborado pelo Exército americano publicado nesta sexta-feira pelo The Washington Post. Os cortes orçamentários e as duas guerras nas quais os Estados Unidos se encontra imerso levaram o Pentágono a suspender vários projetos de modernização militar que já tinham sido iniciados.

Um dos principais programas afetados foi o Sistema Futuro de Combate (FCS), que de acordo com o relatório significou uma perda de US$ 19 milhões após estar operacional de 2000 a 2009, e que buscava integrar todos os elementos bélicos para oferecer uma melhor visão do campo de batalha. “Desde o 11 de Setembro (de 2001), o Pentágono dobrou seus programas de modernização – mais de US$ 700 bilhões na última década – que resultou em avanços relativamente modestos em capacidade militar efetiva”, disse nesta semana Robert Gates, secretário de Defesa dos EUA, ao reconhecer este fracasso.

No início do ano, Gates informou que o Pentágono teria que cortar US$ 23 bilhões de seu orçamento neste ano, dentro do plano de redução de despesa proposto pelo Governo do presidente Barack Obama. No entanto, os analistas sublinharam que além destes cortes, os motivos que se encontram detrás da suspensão destes programas avançados é que não são facilmente aplicáveis à realidade das guerras que mobilizaram soldados americanos no Afeganistão e Iraque, com grande parte da população civil implicada.

Além disso, Washington precisa de material bélico de maneira imediata e constante, e os projetos de pesquisa exigem tempo, algo que o Exército americano não aguentaria. O The Washington Post põe como exemplo o projeto de desenvolvimento do helicóptero Comanche, que, após quase duas décadas em andamento e uma despesa de US$ 6 bilhões, foi fechado em 2004.

O Pentágono decidiu então sacrificar o dinheiro já gasto e aproveitar os restantes US$ 15 bilhões orçados para realizar compras de helicópteros que já estavam sendo fabricados, como os Apache e Black Hawk e reparar velhos Chinnok.

Fonte: EFE
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Britânicos usarão bombas de uma tonelada para atacar Gaddafi

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O Reino Unido vai acrescentar as chamadas bombas "bunker-busting" ao arsenal que os seus aviões estão usando sobre a Líbia. A arma, conforme foi dito neste domingo, enviaria uma mensagem clara a Muammar Gaddafi de que é hora de desistir.

As "bunker-bustings" (destruidora de edificações, numa tradução literal) pesam uma tonelada cada uma e podem penetrar no interior de prédios. Elas já teriam chegado na base italiana de onde os aviões britânicos partem para a Líbia.

Os britânicos e outros países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) intensificam a ação militar contra a Líbia para tentar terminar com o impasse atual, pelo qual Gaddafi se mantém no poder apesar de semanas de ataques aéreos e ações de rebeldes.

"Não estamos tentando atingir fisicamente pessoas do círculo de Gaddafi, mas estamos enviando mensagens cada vez mais claras", disse em comunicado o ministro da Defesa britânico, Liam Fox.

"Gaddafi pode não ser capaz de ouvir, mas os que estão em volta dele podem ser sábios o suficiente para isso", afirmou.

A aliança militar diz que atua sob mandato das Nações Unidas para proteger civis de ataques das forças de segurança de Gaddafi. No entanto, as táticas mais agressivas podem causar divisões na coalizão e também acabar empurrando a Otan para algo próximo a uma intervenção terrestre, algo que ela busca evitar.

FORÇAS ESTRANGEIRAS?

A rede de TV Al Jazeera transmitiu imagens do que, segundo ela, eram forças estrangeiras, possivelmente britânicas, perto da cidade de Misrata, reduto rebelde na Líbia. Os homens estavam armados, com óculos escuros e cobriam a cabeça ao estilo árabe.

Para intensificar os ataques, britânicos e franceses disseram que usarão helicópteros, que, no entanto, são mais vulneráveis a artilharia terrestre do que os aviões.

Gaddafi nega que ataca civis e diz que a intervenção da Otan é uma agressão colonial para capturar o petróleo líbio.

Jacob Zuma, líder sul-africano, é esperado em Tripoli nesta segunda-feira, sua segunda visita desde que o conflito começou, para tentar um acordo de cessar-fogo. Ele negocia em nome da União Africana.

Fonte: Reuters
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Liga Árabe vai pleitear assento para Estado palestino na ONU

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A Liga Árabe decidiu, no sábado, pleitear uma participação plena como membro da ONU para um Estado palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como a sua capital, ignorando a oposição dos EUA e de Israel.

O comitê do processo de paz da Liga Árabe, reunido em Doha, disse que vai solicitar o reconhecimento do Estado da Palestina como membro na reunião da Assembléia Geral da ONU, em Nova York, em setembro.

"O comitê decidiu ir às Nações Unidas solicitar a adesão plena para a Palestina nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como a sua capital", disse em um comunicado.

As fronteiras de 1967 fazem referência às fronteiras de Israel, como elas eram na véspera da Guerra de 1967, em que tomou a Faixa de Gaza do Egito e da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, da Jordânia.

A liderança palestina começou conversações de paz com Israel há quase duas décadas, com o objetivo de fundar um Estado, ao lado de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Israel diz que as conversações de paz e um acordo são a única maneira para que os palestinos alcancem seu objetivo de ter uma nação.

Mas com o processo de paz paralisado, a liderança palestina tem procurado novas maneiras de avançar na sua causa. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, se opõe ao uso da violência.

O movimento da Liga Árabe na ONU parece fadado ao fracasso, por causa da oposição dos EUA, que têm poder de veto no Conselho de Segurança. Mas Israel teme que a manobra o faça parecer vulnerável no terreno da diplomacia.

O presidente dos EUA, Barack Obama, em um discurso no dia 19 de maio, condenou o que ele descreveu como "ações simbólicas para isolar Israel nas Nações Unidas", uma referência ao plano dos palestinos de forçar o seu reconhecimento durante a reunião de setembro.

Atualmente, os palestinos têm o status de observadores da ONU, sem direito a voto.

Fonte: Reuters
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

G8: internet, mundo árabe, África e energia na agenda

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Controle dos direitos autorais na internet, definição e gestão dos sistemas econômicos dos regimes saídos da “Primavera Árabe”, aposta a fundo no desenvolvimento e exploração do mercado africano, relançamento da energia nuclear e apropriação das questões ambientais como barreira às estratégias com base em energias alternativas e poupança de energia são os pontos essenciais da agenda.

Todos os habitantes das zonas residenciais de Deauville incluídas no “perímetro de segurança” da cimeira do G8 foram identificados, fichados e as suas privacidades passadas a pente fino para proteção de Nicolas Sarkozy e hóspedes chegados dos Estados Unidos da América, Canadá, Japão, Reino Unido, Alemanha, Itália, Rússia e também em representação da União Europeia.

Uma consulta do site oficial da cúpula de Deauville reflete a grande preocupação das principais potências econômicas e militares mundiais (onde ainda não figura a China) com o controle da evolução das preocupações ambientais no mundo e com o enriquecimento do grande mercado mundial agora através do desenvolvimento do mercado africano. “O desenvolvimento do setor privado é o motor do crescimento na África”, sublinha a agenda da cúpula.

As questões ambientais, uma das grandes preocupações gerais no mundo, mobilizam os dirigentes do G8 nesta reunião no sentido de reforçarem o controle sobre o modelo em que tais assuntos devem ser inseridos. Os materiais da cúpula permitem perceber a marginalização das estratégias relacionadas com as energias alternativas e a poupança de consumo em contraste com a aposta nas energias convencionais.

O relançamento da energia nuclear depois da tragédia de Fukushima é uma das preocupações da cúpula dentro do quadro da apresentação desta fonte energética como segura, a mais limpa e a mais importante das “alternativas”. Numa reunião que se realiza no país que é o maior produtor mundial de energia nuclear o relatório sobre segurança nuclear será apresentado pela Rússia 25 anos depois da tragédia de Tchernobyl, central então sob controle de Moscou.

A “Primavera Árabe” está na agenda do G8, encarada numa perspectiva de evitar que os regimes em formação optem por modelos econômicos que não sejam compatíveis com a “economia de mercado” tal como é entendida pelos membros do G8. O exemplo é dado pela presença em Deauville de 21 economistas de renome mundial que irão apresentar as bases de desenvolvimento da economia da Tunísia.

Os chefes do G8 farão igualmente um balanço das guerras do Afeganistão, do Iraque e da Líbia, esta desencadeada pelo próprio grupo durante a sua reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros realizada em março. Na ordem do dia estarão os meios econômicos e militares para sustentar o regime de Benghazi depois de a senhora Ashton, alta comissária da União Europeia para a Política Externa e de Segurança, ter declarado o “apoio incondicional” a essa facção da luta interna pelo poder.

Altos responsáveis de impérios da internet como o Facebook e a Amazon serão recebidos pelo G8 no âmbito de uma previsível tentativa de controle do funcionamento da rede, neste caso à luz do argumento da proteção dos direitos de autor.

Apesar de alguns analistas citados na comunicação social francesa considerarem que Sarkozy dará grande importância à reunião do G20 em novembro no âmbito da sua campanha de recandidatura à presidência, a reunião do G8 é, de fato, a que marca a agenda e toma as decisões estratégicas para a ordem mundial.

Fonte: Carta Maior
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O presente do general Amidror: as fronteiras “indefensáveis” de Israel

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O general Yaakov Amidror, chefe do Conselho Nacional de Segurança do governo de Israel não é uma pessoa particularmente inteligente. De que outra maneira pode-se explicar seu excelente argumento sobre a defesa das fronteiras de Israel de 1967, em um artigo onde sustenta que essas fronteiras são indefensáveis? O argumento de Amidror baseia-se na ideia de que Israel precisa proteger suas fronteiras mediante a “defesa em profundidade”, uma expressão adotada pelos estrategistas ocidentais na Europa da Guerra Fria.

Yaakov Amidror é um general israelense aposentado que hoje é chefe do Conselho Nacional de Segurança, de Benjamin Netanyahu. É algo surpreendente, ainda que não pelos pontos de vista políticos de Amidror: ele se opôs, por exemplo, à retirada de Gaza e defendeu que Israel deveria reconquistá-la. É surpreendente porque Amidror não é particularmente inteligente. De que outra maneira pode-se explicar seu excelente argumento sobre a defesa das fronteiras de Israel de 1967, em um artigo onde sustenta que essas fronteiras são indefensáveis?

O argumento de Amidror baseia-se na ideia de que Israel precisa proteger suas fronteiras mediante a “defesa em profundidade”. Que profundidade é bastante profunda. Ele só nos oferece um número:

“Na Europa da Guerra Fria, os estrategistas militares ocidentais acreditavam que o decisivo não é a ‘fronteira’, mas sim a ‘profundidade defensiva’. Na Europa, isso incluía toda a extensão da Alemanha até o Reno (mais de 200 quilômetros)”.

Ah, sim, e nos diz que com as novas tecnologias militares esses cálculos “quase duplicaram nos últimos anos”. E acrescenta que, em 1967, o Estado Maior conjunto dos EUA recomendou que Israel conservasse um pedaço dos territórios ocupados com propósitos defensivos, a fim de “controlar a posição elevada que vai de Norte a Sul”.

É difícil ver o que ele quer dizer. Controlar uma certa posição elevada não assegura a Israel nada que se pareça a 200 quilômetros, no entanto esse cálculo da Guerra Fria deveria ser duplicado agora? De algum modo, Israel é menos vulnerável que a Europa? Alguém poderia pensar que é o contrário. E “controlar a posição elevada” soa meio medieval considerando os foguetes do Hezbollah, para não falar de material muito superior em mãos de todos os demais países árabes da região. Alguém poderia chegar à conclusão de que a posse total dos territórios ocupados não serviria para nada porque, é óbvio, não asseguraria nada parecido com a profundidade defensiva prescrita pelas autoridades militares de Amidror.

A coisa é ainda pior, porque, se prestamos atenção à autoridade militar, os vizinhos de Israel também necessitam de profundidade defensiva, que segundo qualquer medida comparável incluiria, bem, todo o Estado de Israel. A história recente não sugere exatamente que os vizinhos de Israel devam estar menos preocupados com a defesa de suas fronteiras do que o próprio Israel.

Mas tudo isso não é nada em comparação com a tremenda batata quente que Amidror nos oferece:

“Se é verdade que uma política de ataque preventivo poderia criar em tese a profundidade necessária para a defesa, caso a ameaça a Israel emanar de Estados formalmente signatários de tratados de paz, as probabilidades de que um governo israelense não violasse tais tratados com um ataque preventivo seriam nulas”.

Como dizem os nerds: ROTFL (sigla em inglês para “é de se revirar no chão de tanto rir”). Amidror não tem nenhuma competência profissional na política e sua declaração mostra que tampouco é um amador talentoso. Temo estar insultando a inteligência do leitor ao esclarecer o que isso significa, mas não se impacientem comigo.

Israel é o país da “Opção Sansão”, um nome atribuído a vários primeiros ministros israelenses. Na sua forma moderada, prevê represálias nucleares massivas contra qualquer ataque que ameace a existência de Israel. Sua versão menos moderada é articulada por Martin van Creveld, professor de história militar da Universidade Hebreia de Jerusalém e, ocasionalmente, professor na Academia Naval da Guerra dos EUA. Van Creveld diz que “temos a capacidade de levar o mundo conosco. E posso assegurá-los que é o que acontecerá antes que Israel afunde”.

Agora o mundo, como eu o vejo, contem muitos civis desarmados (para não falar de menores de idade) cujas nações são grandes parceiras de Israel, para não mencionar todas essas pessoas de “Estados que oficialmente firmaram tratados de paz”. Israel afirmou quase com grande deleite, mais de uma vez, sua determinação férrea de não se deter por nada no exercício de seu generosamente concebido direito de autodefesa. A probabilidade de que deixe que suas cidades ardam e seus cidadãos morram nas ruas por escrúpulos relativos a signatários de um tratado de paz é...nula. Mais do que isso, toda a estratégia de dissuasão de Israel depende de sugerir que, como declarou brilhantemente Moshe Dayan: “Israel deve ser como um cão raivoso, demasiado perigoso para ser incomodado”. A declaração de Amidror é exatamente o tipo de coisa com as quais Israel não se compromete e, na sua visão estratégica, não deve se comprometer.

Em resumo, Amidror nos deu um motivo decisivo para pensar que as fronteiras de 1967 são certamente defensáveis. E então fez uma piada pesada. O resultado é um argumento pela defesa das fronteiras de Israel de 1967, proveniente nada mais nada menos do que do atual chefe do Conselho Nacional de Segurança de Israel.

Fonte: Carta Maior
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Forças Armadas apresentam plano para aumentar segurança nas fronteiras

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Representantes das Forças Armadas apresentaram, nesta quarta-feira, aos deputados da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional os planos do governo para aumentar a segurança nas fronteiras.

Segundo o coordenador da Estratégia Nacional de Fronteiras (Enafron), José Altair Benites, o projeto do governo para coibir a criminalidade nas áreas limítrofes com os países vizinhos integra ações das Forças Armadas e da Polícia Federal (PF).

A Enafron prevê melhorias na vigilância na Amazônia por meio de patrulhamento aéreo, terrestre e nos 9.523 quilômetros de rios e canais que separam o País dos vizinhos. O projeto conta ainda com postos de bloqueio nas calhas dos rios e nas principais rodovias para realização de blitzen.

A fronteira do Brasil tem 16.686 quilômetros de extensão, dos quais 7.000 são de fronteira seca, por onde passa com mais facilidade contrabando de armas, explosivos e drogas como cocaína, maconha e crack. Outros crimes ocorrem graças a falhas de vigilância na fronteira: trânsito de veículos roubados, imigração ilegal, tráfico de pessoas e crimes ambientais como a biopirataria.

Policiais desmotivados
Um dos problemas apontados pelo coordenador é a falta de motivação dos policiais para trabalhar na região. "Um policial, quando é lotado nessas regiões em cidade inóspita, não tem imóveis para alugar”, explica Benites. “Quando consegue [imóveis], eventualmente são de pessoas investigadas pela própria PF.”

Benites informou que, na Estratégia Nacional de Fronteiras, estão previstas construções de residências para a PF em locais onde não há possiblidade de residir com as famílias.

Para motivar os agentes que trabalham nas fronteiras, a Enafron propõe gratificação para esses policiais, além da reposição anual do efetivo por meio de concurso público. Segundo o coordenador, a demora de reposição dos policiais, em razão das aposentadorias coletivas, inviabiliza operações de grande porte.

Maioria do Exército
Entre os militares da zona de fronteira, a Marinha conta com 7.000 homens, o Exército com 31.000 e a Aeronáutica com pouco mais de 2.500. O subchefe de operações da Chefia de Preparo e Emprego do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, major-brigadeiro Gerson de Oliveira, explica que a parceria com a Polícia Federal é fundamental, pois as Forças Armadas são voltadas para a inteligência militar, para o combate ao inimigo externo, e não para enfrentar a criminalidade.

Gerson Oliveira ressalta que, “na maioria das operações de fronteira, é primordial a participação da Polícia Federal, que é quem detém as informações com relação às organizações criminosas."

Subcomissão
A Comissão de Relações Exteriores instalou na semana passada uma subcomissão para acompanhar as ações de proteção das fronteiras brasileiras. O presidente é o deputado Roberto de Lucena (PV-SP). O deputado George Hilton (PRB-MG) foi escolhido relator.


Fonte: Jornal da Câmara

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Ditador do Iêmen bombardeia opositores com aviões de caça

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O ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, usou pela primeira vez aviões de caça para bombardear para bombardear combatentes de milícias opositoras ao regime.

O alvo dos bombardeio foram milicianos da tribo Hashed (tribo à qual Saleh pertencia, mas que se voltou contra ele no início dos protestos, em março), liderada por Sadiq al Ahmar.

As tropas de Ahmar, lideradas pelo xeque Ali Saif, tentavam tomar uma base da Guarda Republicana a 80 km a nordeste de Sanaa.

Os objetivos deles eram impedir que a instalação fornecesse reforços para o ditador na capital e capturar um grande depósito de armas.

Ao tentar atacar a base com metralhadoras pesadas e foguetes, os milicianos foram alvo de bombardeios de helicópteros de ataque e caças MIG, de fabricação russa.

Ao menos três milicianos foram mortos no bombardeio. Membros da milícia disseram que, apesar dos ataques aéreos, a base foi tomada e seu comandante assassinado.

A informação não foi confirmada por fontes independentes. Caso se concretize, a perda da base da Guarda Republicana pode ser um golpe pesado contra as forças do ditador.

Os ruídos de mais bombardeios e de aviões de caça rompendo a barreira do som foram ouvidos por testemunhas na capital Sanaa.

Após cinco dias de combates, a cidade está dividida por meio de barricadas entre o sul governista e o norte controlados por líderes tribais e militares desertores contrários a Saleh.

Milhares de moradores tentam fugir da capital, mas encontram estradas bloqueadas por forças do governo, que também querem impedir a chegada de reforços de tribos inimigas sediadas no interior do país.

Fonte: Folha
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Rússia aceita mediar conflito líbio, mas descarta Gaddafi como interlocutor

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A Rússia se mostrou nesta sexta-feira disposta a mediar na Líbia a pedido da comunidade internacional, mas descartou que o interlocutor possa ser o ditador desse país norte-africano, Muammar Gaddafi.

"A Rússia não bombardeou a Líbia, não retirou sua embaixada, por isso poderia exercer o papel de mediador", afirmou Mikhail Margelov, representante especial do Kremlin para a África e o Oriente Médio, citado pelas agências russas.

O diplomata ressaltou na cúpula do G8 na cidade francesa de Deauville que a única forma de encontrar "uma saída para a atual situação" no país árabe é através de "um acordo político".

Ao mesmo tempo, considera muito difícil encaminhar negociações com o ditador líbio, quem se autoproclama "messias de Deus", apontou.

"É preciso falar com as pessoas de seu entorno. Possivelmente, seus filhos. Esses contatos já ocorrem", disse Margelov, que mencionou ao Catar e à Arábia Saudita entre os países onde poderia exilar-se Gaddafi após deixar o poder.

Segundo informou nesta sexta-feira o Kremlin, os líderes do G8 pediram na véspera ao presidente russo, Dmitri Medvedev, a mediar para encontrar uma regra ao conflito armado na Líbia.

Por outra vez, o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Riabkov, afirmou nesta sexta-feira em entrevista coletiva na cidade francesa que Moscou está disposto a apoiar a saída do poder de Gaddafi.

"É preciso encontrar uma fórmula pela qual Gaddafi deixe o cargo", assinalou o diplomata russo, que considera que esse passo facilitaria o fim do conflito entre as autoridades de Trípoli e os insurgentes de Bengazi.

Até agora, a Rússia havia assegurado que não assumiria funções de mediador na Líbia e só respaldaria os trabalhos de mediação da União Africana e da ONU.

Fonte: EFE
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Rússia aceita mediar conflito líbio, mas descarta Gaddafi como interlocutor

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A Rússia se mostrou nesta sexta-feira disposta a mediar na Líbia a pedido da comunidade internacional, mas descartou que o interlocutor possa ser o ditador desse país norte-africano, Muammar Gaddafi.

"A Rússia não bombardeou a Líbia, não retirou sua embaixada, por isso poderia exercer o papel de mediador", afirmou Mikhail Margelov, representante especial do Kremlin para a África e o Oriente Médio, citado pelas agências russas.

O diplomata ressaltou na cúpula do G8 na cidade francesa de Deauville que a única forma de encontrar "uma saída para a atual situação" no país árabe é através de "um acordo político".

Ao mesmo tempo, considera muito difícil encaminhar negociações com o ditador líbio, quem se autoproclama "messias de Deus", apontou.

"É preciso falar com as pessoas de seu entorno. Possivelmente, seus filhos. Esses contatos já ocorrem", disse Margelov, que mencionou ao Catar e à Arábia Saudita entre os países onde poderia exilar-se Gaddafi após deixar o poder.

Segundo informou nesta sexta-feira o Kremlin, os líderes do G8 pediram na véspera ao presidente russo, Dmitri Medvedev, a mediar para encontrar uma regra ao conflito armado na Líbia.

Por outra vez, o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Riabkov, afirmou nesta sexta-feira em entrevista coletiva na cidade francesa que Moscou está disposto a apoiar a saída do poder de Gaddafi.

"É preciso encontrar uma fórmula pela qual Gaddafi deixe o cargo", assinalou o diplomata russo, que considera que esse passo facilitaria o fim do conflito entre as autoridades de Trípoli e os insurgentes de Bengazi.

Até agora, a Rússia havia assegurado que não assumiria funções de mediador na Líbia e só respaldaria os trabalhos de mediação da União Africana e da ONU.

Fonte: EFE
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EUA e França estão unidos para "acabar o trabalho" na Líbia, diz Obama

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assegurou nesta sexta-feira que seu país e a França estão unidos em sua determinação de "acabar o trabalho" na Líbia e alcançar a queda de Muammar Gaddafi.

Obama se reuniu hoje com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no segundo e último dia da cúpula do G8 na cidade francesa de Deauville.

Em breves declarações conjuntas ao término de seu encontro, Sarkozy indicou: "compartilhamos a mesma análise: Gaddafi deve deixar o poder", pois "o povo líbio tem direito a um futuro democrático".

Obama, por sua vez, assinalou que os dois líderes concordam que foram obtidos progressos na campanha da Otan na Líbia para proteger a população civil, mas que o objetivo desta missão não poderá ser cumprido totalmente se Gaddafi permanecer no poder.

"Estamos de acordo que alcançamos progressos em nossa campanha na Líbia, mas não se pode cumprir o mandato da ONU de proteger os civis enquanto Gaddafi permanecer na Líbia dirigindo suas forças rumo a atos de agressão contra o povo líbio", explicou Obama.

Os dois presidentes também analisaram em seu encontro os movimentos civis no mundo árabe para exigir mudanças políticas e as vias mais adequadas para apoiá-los.

O G8 deve abordar o apoio a estes movimentos em suas sessões desta sexta-feira e dar seu respaldo ao plano proposto por Obama para assistir economicamente os processos de transição no Oriente Médio e no norte da África de modo que estes países possam reformar suas finanças, criar postos de emprego e se integrar ao comércio mundial.

Obama e Sarkozy falaram ainda sobre a guerra no Afeganistão, o programa nuclear iraniano e o desempenho da economia mundial.

Após o encerramento da cúpula do G8, Obama partirá rumo à Polônia, a última etapa de uma viagem de seis dias pela Europa que o levou também a Dublin e Londres.

Fonte: EFE
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Países do G8 querem a Rússia como mediadora do conflito na Líbia

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A Rússia afirmou nesta quinta-feira durante a cúpula do G8 em Deauville que França, Reino Unido e Estados Unidos pediram que o país atue como mediador no conflito da Líbia e ajude a negociar um cessar-fogo, segundo uma porta-voz do presidente russo, Dmitri Medvedev.

"Foi pedido à Rússia que assuma o papel de mediadora para solucionar a situação na Líbia", indicou a porta-voz do presidente russo, Natália Timakova.

A mesma fonte informou que esses pedidos de Estados Unidos, França e Reino Unido ocorreram durante as reuniões bilaterais que Medvedev realizou com seus colegas Barack Obama, Nicolás Sarkozy e o premiê britânico, David Cameron.

Esses três países lideraram a resolução adotada pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) autorizando os ataques militares lançados em 19 de março contra as forças do ditador Muammar Gaddafi. Desde o fim de março esses ataques estão sob o comando da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

A Rússia criticou os bombardeios, mas se absteve de vetar essa resolução que autorizou o uso da força para proteger civis.

O ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, falou nesta quinta-feira por telefone com o primeiro-ministro de Gaddafi, Al Baghadadi al Mahmudi, que também lhe pediu uma mediação para chegar a um cessar-fogo, indicou a Chancelaria russa.

Fonte: France Presse
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Brasil sobe nove posições e ultrapassa EUA em ranking global da paz

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O Brasil é o 74º país mais pacífico do mundo, de acordo com o Índice Global de Paz (GPI, sigla em inglês) de 2011. O país subiu nove posições em relação a 2010 e superou os Estados Unidos.

O estudo foi divulgado pelo Instituto pela Economia e pela Paz, um centro de pesquisas internacional sobre as relações entre desenvolvimento econômico e paz no mundo.

O índice, que está em sua quinta edição, classifica os países de acordo com sua pontuação em uma escala de um a cinco. O número 1 representa mais proximidade do estado de paz e o número 5, mais distanciamento.

Para avaliar a ausência de violência nos países, uma equipe de acadêmicos, empresários, filantropos e membros de organizações pela paz analisa indicadores como relações com os países vizinhos, instabilidade política, número de homicídios para cada 100 mil pessoas, número de população encarcerada, gastos com a militarização e facilidade de acesso a armas.

A Islândia ocupa o primeiro lugar no ranking de 2011, seguida por Nova Zelândia, Japão, Dinamarca e República Tcheca.

Já a Somália foi considerada o país menos pacífico, substituído o Iraque, que foi para o penúltimo lugar. Acima deles estão Sudão, Afeganistão e Coreia do Norte.

MENOS PACÍFICO

Em 2011, o Brasil subiu da 83ª para a 74ª posição e ultrapassou os Estados Unidos, que está em 82º lugar, devido principalmente ao envolvimento em conflitos internacionais, à exportação de armas e aos gastos com a militarização do país.

Na América do Sul, o Brasil é o nono país mais pacífico, atrás do Uruguai, que ocupa o primeiro lugar, e de países como Costa Rica, Panamá, Chile e Cuba. Em 2010, o Brasil ocupava a décima posição, atrás da Bolívia.

No entanto, a pesquisa mostra que o Brasil apresenta níveis de crimes violentos, desrespeito aos direitos humanos, número de população encarcerada e número de homicídios por 100 mil pessoas iguais ou maiores do que os níveis da Colômbia e do México, respectivamente o primeiro e o quarto país menos pacíficos do continente.

O Instituto pela Economia e pela Paz, que organiza a avaliação, diz que o mundo está menos pacífico pelo terceiro ano consecutivo.

Em 2011, a pontuação geral média dos países ficou em 2,05 (em uma escala de 1 a 5, em que 5 representa mais violência). Em 2010, o índice global era de 2,02 e em 2009, de 1,96.

"A deterioração no índice entre 2009 e 2010 parece ter sido reflexo dos conflitos que eclodiram em diversos países, estimulados pelo rápido aumento nos preços de alimentos e combustível em 2008 e pela crise econômica", diz a pesquisa.

Outro fator, de acordo com a instituição, teria sido o aumento do risco de ataques terroristas em 29 países.

No entanto, a pesquisa também atribui a melhora no índice de paz de alguns países a uma diminuição nos gastos com a defesa nacional, forçada pela crise econômica que afetou o mundo em 2008.

ORIENTE MÉDIO

Os levantes populares e conflitos nos países do Oriente Médio contribuíram para deteriorar os índices de paz de alguns países da região, como Bahrein, Egito e Tunísia, de acordo com a pesquisa.

A Líbia, palco de enfrentamentos entre rebeldes e forças favoráveis ao líder Muammar Gaddafi desde fevereiro, caiu 83 posições e está entre os países 20 menos pacíficos do mundo.

O Qatar, que está 12ª posição no ranking global, é o país mais bem colocado da região.

De acordo com a pesquisa, a violência custou mais de US$ 8 trilhões (R$ 13 trilhões) à economia mundial em 2011.

Além disso, o GPI também identificou um aumento da possibilidade de manifestações violentas em 33 países do mundo.

O índice, que engloba 153 países e 99% da população mundial, foi o primeiro criado para classificar as nações do mundo de acordo com seus níveis de paz.

Para fazer a classificação dos países, a equipe de avaliação utiliza dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, do Banco Mundial, de agências da ONU (Organização das Nações Unidas), de institutos de paz e do centro de pesquisas econômicas da revista britânica "The Economist".

Fonte: BBC Brasil
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No G8, Reino Unido promete US$ 175 mi em ajuda aos países árabes

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O Reino Unido prometeu £ 110 milhões (US$ 175 milhões) para impulsionar reformas nos países árabes que passam por uma transição democrática, indicou nesta quinta-feira um porta-voz do primeiro-ministro David Cameron em Deauville (noroeste de França), onde se realiza a cúpula do G8.

A promessa foi feita pouco depois de o premiê britânico ter afirmado que, apesar de seus problemas econômicos, as nações mais industrializadas do mundo devem ajudar o Oriente Médio e o Norte da África, ou ficarão expostas a uma propagação do "extremismo venenoso".

Entre os países que serão beneficiados por esta ajuda estão Tunísia e Egito, onde as revoltas populares derrubaram no início de 2011 regimes autoritários no poder há décadas durante a chamada "Primavera Árabe", assim como Marrocos e Jordânia, disse o porta-voz de Cameron, que participa da cúpula.

Cerca de £ 40 milhões serão destinadas à promoção de reformas políticas enquanto os outros £ 70 milhões ficarão concentrados no desenvolvimento econômico, indicou.

"Este apoio aos povos do mundo árabe está no coração de nosso interesse nacional. Uma incapacidade de atuar poderá provocar instabilidade na porta da Europa, um retorno a regimes autoritários, conflitos e terrorismo", acrescentou o porta-voz.

Fonte: France Presse
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Patriota ironiza declaração de Obama sobre países emergentes

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O ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) ironizou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que minimizou ontem o peso dos países emergentes no declínio da influência dos EUA e Europa no mundo.

"Não deixa de ser interessante que o presidente Obama e o primeiro-ministro David Cameron se sintam na obrigação de explicar que existem outros atores como China, Índia e Brasil no cenário internacional, que desempenham um papel importante na busca de soluções para desafios globais", afirmou Patriota nesta quinta-feira (26) em coletiva de imprensa, após reunião com a chanceler espanhola, Trinidad Jiménez.

Em visita a Londres, o presidente americano reconheceu o crescimento dos países emergentes, mas ressaltou que EUA e Europa continuam desempenhando papel de liderança.

"Dizem que essas nações representam o futuro e que o tempo de nossa liderança já passou. Esse raciocínio está errado. O tempo para a nossa liderança é agora", disse o americano.

Patriota afirmou que a declaração de Obama "não deixa de ser um reconhecimento, ainda que indireto", à importância dos emergentes.

FMI

Questionado sobre a representação dos países emergentes em organismos internacionais como o FMI (Fundo Monetário Internacional), que elege um novo diretor no próximo mês, Patriota citou as declarações do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do ministro Guido Mantega (Fazenda), que defendem uma escolha baseada no mérito e não apenas na origem europeia de um determinado candidato.

"Nós estamos engajados numa busca de consenso que prepare o FMI para desempenhar [o seu papel] de maneira equilibrada e mais sintonizada com os desafios contemporâneos."

Fonte: Folha
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Centésimo Typhoon do Reino Unido

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A BAE Systems comemorou a conclusão da 100a aeronave Typhoon, produzida na linha de montagem final de Warton, em Lancashire (Reino Unido). O caça Typhoon é a aeronave de combate multiemprego mais avançada do mundo, desempenhando um papel fundamental na manutenção de importantes competências de fabricação no país.

Como integrante do consórcio Eurofighter Typhoon, a BAE Systems é responsável pela produção de importantes peças da aeronave, inclusive da fuselagem dianteira, planos dianteiros, para-brisa e canópia, bem como pela execução da montagem final de todos os caças Typhoons destinados ao Reino Unido. As atividades de projeto, desenvolvimento e fabricação deste caça sustentam mais de 100 mil empregos, englobando 400 empresas em toda a Europa.

De acordo com Tom Fillingham, Diretor de Programas Aeronáuticos da BAE Systems: “É com grande prazer que estabelecemos este importante marco em nossa trajetória. Junto com o Ministério da Defesa do Reino Unido e a Real Força Aérea (RAF) continuamos firmes em nosso compromisso de aprimorar e modernizar a capacidade desta aeronave. Este trabalho, conhecido como o programa de Modernização da Capacidade Futura do Typhoon, é vital para o sucesso futuro do caça, tanto no Reino Unido como para nossos clientes existentes e futuros, em todo o mundo”.

Gary Moore da área de Suporte e Equipamentos de Defesa do Ministério da Defesa do Reino Unido recebeu a aeronave em nome da RAF, declarando: “Tenho grande orgulho em receber o 100o caça Typhoon. Trabalho no programa há mais de 14 anos em atividades que vão desde projeto e desenvolvimento até aceitação da primeira aeronave biposto produzida em 2003”.

Curiosidades:

A Eurofighter Jagdflugzeug GmbH administra o programa Typhoon em nome das Empresas Parceiras Eurofighter na Espanha e Alemanha: Alenia Aeronautica, BAE Systems e Cassidian, as principais empresas aeroespaciais da Europa.

Mais de 260 aeronaves já foram entregues às forças aéreas das quatro nações parceiras e a outros clientes, acumulando, no total, mais de 110 mil horas de voo. Existem também instalações de montagens finais em Manching (Alemanha), Getafe (Espanha) e Turim (Itália).

No Reino Unido, a RAF trabalha com o apoio da BAE Systems garantindo que o Typhoon esteja sempre 100% disponível operacionalmente na proteção e na defesa do espaço aéreo nacional, 24 horas por dia, sete dias na semana. O papel desta aeronave inclui defesa aérea e interceptação aérea.

A RAF opera os caças Typhoon de suas bases de Coningsby (Lincolnshire), Leuchars (Escócia) e Mount Pleasant (nas Ilhas Falkland). Atualmente, estes caças se encontram em atuação na Líbia.

O voo de estreia do primeiro caça britânico Typhoon de produção ocorreu em 14 de fevereiro de 2003. Em 2004, o Typhoon entrou em serviço nos quatro países integrantes do consórcio – Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido.

Fonte: Bae Systems ao GeoPolítica Brasil
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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mais um evento Apoiado pelo GeoPolítica Brasil

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geopoliticabrasil@hotmail.com
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Programa JSF um grande problema, mas existe alternativa?

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Ao longo de toda a história do desenvolvimento do F-35 Joint Strike Fighter (JSF), com seus altos e muitos, comentaristas e analistas têm sempre sido absolutamente unânimes em um ponto central: o programa é "um grande fracasso", e nem a descoberta repetida de graves problemas técnicos, nem os aumentos contínuos de custos , vieram a ameaçar seriamente a sua viabilidade.

Mas então, os auditores do Lehman Brothers, também. E neste contexto, pode-se começar agora a se perguntar se a auditoria sobre o programa F-35 que iniciou dia 19 de Maio virá a representar uma espécie de divisor de águas, o momento em que tem que começar a pensar o impensável, ou seja, considerando as possíveis alternativas para o JSF.

Pessoas como o senador Carl Levin, presidente SASC; Ashton B. Carter, o subsecretário de Defesa para Aquisição, Tecnologia e Logística; H. Christine Fox, o diretor do Escritório de Custo de Avaliação do Programa (o escritório CAPE), Michael J. Gilmore , Diretor Operacional e Teste de Avaliação, o Sr. David M. Van Buren, Serviço de Aquisição e execução do programa JSF, o vice-almirante David Venlet, Executivo para o programa JSF, Michael Sullivan, diretor de aquisição e gestão de Sourcing (GAO); e o senador John McCain não abrem suas bocas em público apenas para ventilar suas amígdalas respectivos.

Afirmações como:

• "Esta Comissão tem sido um forte apoio ao programa JSF desde o início. No entanto, as pessoas não deveriam concluir que estaremos dispostos a continuar esse tipo de apoio, sem respeito ao aumento dos custos resultantes da falta de foco na acessibilidade "(Levin);

• "Os fatos sobre este programa são verdadeiramente preocupantes [...] depois de quase 10 anos no desenvolvimento e quatro anos de produção, o projeto da aeronave ainda não é estável, processos de produção ainda precisam melhorar e o sistema de armas em geral ainda não tenha sido comprovado ser confiável. Nenhum programa deve esperar para ser continuado com esse tipo de trajetória - especialmente em nosso clima fiscal atual"(McCain);

• "A acessibilidade para os EUA e os parceiros é desafiada por uma quase duplicação do preço unitário médio desde o início do programa e maiores custos estimados do ciclo de vida [...] testes de desenvolvimento mostram que ainda é cedo para demonstrar que a aeronave irá funcionar como pretendido e atender aos requisitos de combate" ( Sullivan);

• Os custos previstos para o programa são "inaceitaveis e insustentável [...] Nós queremos, mas tem que ser acessível. No momento em suas projeções, não é "(Carter, falando junto com Van Buren e Venlet);

e outras emissões para o mesmo efeito não podem ser julgadas, mas uma espécie de preleção. O programa JSF está em grandes apuros, não há como negar as coisas ou tentar varrer para debaixo do tapete.

Embora as questões relacionadas com a imaturidade técnica e os atrasos são sérios o suficiente, não há dúvida de que nas atuais circunstâncias financeiras dos EUA a explosão dos custos é de longe o elemento mais importante para ameaçar o futuro do programa. O financiamento do desenvolvimento total está estimado em 56,4 bilhões dólares para encerrar em 2018, um aumento de custos de 26% e uma alteração de cronograma de cinco anos a partir da linha de base atual do programa (que já está bem acima das previsões iniciais "). O custo médio de um F-35 aumentou para 95 milhões cada em 2002 para 133 milhões de dólares em 2011, contra uma estimativa inicial de 80 milhões. E, as novas estimativas de "ciclo de vida" do F-35 custa, incluindo o funcionamento, desenvolvimento e manutenção, agora 1 trilhão de dólares.

Como e por que o programa chegou em tal situação completamente preocupante no final, e o que poderia ser feito para tentar salvá-la?

A maioria, quando nem todos os participantes da audiência juntaram-se em apontar o dedo direto para a Lockheed Martin (LM). De acordo com o senador McCain, a empresa "tem feito um trabalho abismal em relação ao objetivo do contrato original". Paradoxalmente, ele realmente deve ser esperado que este é realmente o caso, e que a gestão malfeita da LM e o sobreaquecimento são os únicos culpados. Se a LM é responsável, então ele pode ser razoavelmente esperado que após ter recebido tal aviso de popa, a empresa irá mudar seus caminhos e apressar os trabalhos para trazer rapidamente o programa de volta aos trilhos. A LM pode ceder à sugestão do senador McCain para o efeito que ela deva absorver pelo menos parte dos aumentos de custo, e mesmo a meta altamente preocupante dos custo do programa e do ciclo de vida em pelos "20% a 50%", isso pode começar a soar viável.

É claro que tal previsão otimista implica necessariamente que se a Lockheed Martin pode agora salvar o programa, então eles poderiam ter feito isto de uma forma melhor e mais rentável desde o início, mas ignoraram isso enquanto Departamento de Defesa mantinha um alto investimento no programa. O Pentágono e o seu fornecedor monopolista da nova geração de aviões de combate, e à evolução futura de tais relações, mas nunca mente.

De longe o pior é a hipótese alternativa de que a LM realmente fez o melhor que podia, e todo o bafafá, na audiência, nada mais é do que a busca frenética por um bode expiatório conveniente. E se os problemas do JSF não são provenientes de uma má gestão industrial, mas sim ainda mais grave de problemas estruturais, por exemplo, tecnológicos e as necessidades operacionais a serem estabelecidas em níveis ambiciosos demais, as novas tecnologias sendo imposta sobre o programa, que são muito menos maduras do que se assumiu?

É assustadoramente claro que se este é realmente o caso, então, nenhuma quantidade de pressão a ser aplicada na Lockheed Martin poderia trazer o tão esperado resultado. A LM certamente poderia tentar definir o programa em um ritmo de desenvolvimento acelerado, mas isso inevitavelmente implica em custos mais elevados, que são por definição não aceitáveis. Se a LM não pode realmente ser culpada de ter sobrecarregado o DoD, reduções significativas de custos, só poderiam ser obtidas através de um cronograma que amplia ainda mais o tempo de desenvolvimento, ou inferiorizar as especificações, que também não é aceitável.

E depois? Carter afirmou que "não há alternativas ao JSF", e isso é realmente muito verdadeiro em relação ao desempenho esperado da aeronave , e o previsto no total da frota de aviões de combate da Força Aérea. Mas enquanto verdade, a declaração de Carter também é totalmente irrelevante. A questão não é se os EUA e sua Força Aérea poderiam encontrar uma alternativa válida para o F-35, mas sim saber se podem pagar nas circunstâncias atuais.

A resposta não é tão simples e intuitiva como pode parecer.

Fonte: Defense & Professional
Tradução e Adaptação: Angelo D. Nicolaci
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A expansão da OTAN na Ásia e suas implicações (Rússia, China e Índia)

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), constituída em 1949 com o objetivo de garantir segurança e defesa, foi edificada através de um pacto entre doze nações que visava principalmente à assistência mútua entre todos os membros, com intuito de fazer frente ao risco representado pela União Soviética, bem como a possibilidade de controle nas zonas do leste da Europa.

Como o mundo encontra-se em permanente mudança, o propósito inicial para a criação da OTAN já não se apresenta como uma ameaça aos países-membros. Dessa forma, a organização iniciou um processo de mudança de suas políticas e condicionalmente passa a ser uma instituição que visa uma parceria global em prol da segurança internacional e dos países pertencentes a esta.

O Secretário Geral da OTAN, Anders Rasmussen, afirmou em Fevereiro de 2010 que o novo ponto chave da aliança é assumir um papel de segurança global e através disto conseguir novas parcerias e acordos estratégicos para além da sua zona natural de influência, como China e Índia, e também reforçar acordos de cooperação anteriormente elaborados para discussão do seu papel juntamente com a Rússia. O mesmo secretário ressaltou ainda a necessidade que a OTAN tem em defender os próprios membros e que, devido a todas as mudanças (desenvolvidas após 11 de Setembro de 2001) e novas ameaças inseridas no contexto internacional, a organização sente-se obrigada a ampliar sua zona de atuação preventiva, pois os novos riscos fragilizam a segurança internacional.

Com a intervenção no Afeganistão, que culminou com a queda do regime talibã e que trabalha no apoio ao estabelecimento de um governo nacional democrático, a organização tem-se utilizado de diversos argumentos envolvendo o caso para justificar a sua expansão. Deste modo, é possível estabelecer uma conexão com o que seria a justificativa da organização com tendências das “Novas Geopolíticas”, que voltadas para o ser humano e segurança, torna então plausível o argumento de que, muitas vezes, conflitos locais tendem a se tornar globais, visto que no mundo contemporâneo a distância entre os Estados e fronteiras já não são tão relevantes quanto antes.

Aliança com as grandes potências emergentes da Ásia:

Conforme analisado anteriormente, a OTAN tem-se esforçado no diálogo de cooperação entre nações a fim de construir uma instituição de confiança e força para os países-membros. Após algumas décadas desde o fim da União Soviética e a bipartição que deram origem a diversos Estados, a Rússia, no entanto continuou a se afirmar como grande potência do leste.

Atualmente a OTAN enxerga a Rússia como uma grande parceira em sua empreitada e, devido a isto, promove diversas políticas em comum desde que esta deixou de ser uma ameaça para a organização. Em 1997, a cooperação entre ambos os atores foi formalizada através da assinatura dos acordos bilaterais entre OTAN e Rússia, dando origem ao Conselho Conjunto Permanente OTAN-Rússia.

Devido a meios de cooperação e diálogo com a Rússia, o novo foco da OTAN tem se direcionado rumo às grandes potências da Ásia, não se limitando apenas à gigantesca Rússia, mas também a outros grandes “tigres” como China e Índia. O mar tem sido o principal meio estratégico utilizado para a sua política de expansão, pois o controle do alto-mar e do comércio possibilita uma linha de ataque adicional que envolve gigantes da Europa e Ásia.

Uma aliança com as potências emergentes da Ásia possibilitou a criação de uma força naval global que possui como comando os EUA e com diversos objetivos a cumprir no âmbito da economia. Em questões de domínios navais a China está muito mais comprometida do que a Rússia, que é um gigante continental. Esta rede naval que está a ser criada começa a emergir com o “indireto” intuito de ameaçar o fornecimento energético chinês e, devido a esta situação, dúvidas surgem em muitos olhares: seria a OTAN o instrumento de uma política de coerção para impedir a expansão das grandes potências asiáticas ou o oposto? Seria a República Popular da China um risco para os Estados Unidos da América ou estes um risco para a República Popular da China? São diversas questões que possuem diversas maneiras de serem interpretadas e defendidas a depender do ponto de vista de ambos.

O caso da China e Índia:

A política da China tem-se voltado cada vez mais para o estreitamento de laços com seus vizinhos (Rússia e Índia), porém não se trata de uma tarefa fácil para o governo chinês. No âmbito económico, a China tem possibilitado trocas comerciais e petrolíferas bem como a viabilização de energia para o interior do país, caso haja bloqueio naval por parte dos Estados Unidos.

Devido a fortes ligações contra a China, Taiwan uniu-se aos Estados Unidos com o intuito de fornecer um “escudo” logístico para o envolvimento militar. Para os Estados Unidos, Taiwan é geo-estrategicamente uma ilha importante, pois sua localização está inserida no eixo de rotas marítimas que abastecem a China com o transporte de petróleo e outros recursos. Caso um bloqueio fosse concretizado, a China passaria por diversos problemas, pois o fornecimento de energia está intimamente ligado à segurança nacional, ao desenvolvimento e à potência militar dos chineses. Ou seja, caso os fornecimentos de petróleo para a China fossem cortados, esta estaria completamente vulnerável aos Estados Unidos, bloqueada e sufocada. Estrategicamente, um cordão marítimo que isolasse a China serviria como tal objetivo para a influência norte-americana na Ásia e controle da expansão chinesa.

Em relação aos seus vizinhos, a China mudou a postura adotada no passado, na qual reivindicava territórios e procurava manter o sentimento de afirmação do poderio chinês na Ásia. Porém, mesmo utilizando uma política mais subtil e menos coerciva, esta ainda possui diversos pontos divergentes com a Índia, provocados principalmente pelos Estados Unidos. Os pontos que mais se destacam para que a OTAN esteja interessada em se expandir para o centro e o sul da Ásia são que China e Índia possuem um denominador comum: além de serem potências emergentes, possuem conflitos internos étnico-religiosos mal solucionados e, por não permitirem ingerência externa nestes assuntos, tais conflitos podem tomar proporções indesejáveis.

A Índia, por ser um país descolonizado recentemente possui alguns problemas militares. O Paquistão é o principal aliado norte-americano em sua intervenção no Afeganistão bem como na sua luta contra o terrorismo. Porém a relação amistosa que China tem com Paquistão e Bangladesh termina por coagir a Índia naquilo que seria uma política de “cerco” do país e expansão da China no sul asiático. Da mesma maneira, a China também se sente acuada pela Índia, pois esta possui uma diplomacia muito forte com os Estados Unidos e países da Europa, principalmente no que se trata de parcerias estratégicas e nucleares, caracterizando-se também como um cerco.

Aspectos comuns entre China e Índia são fáceis de serem identificados, pois ambas não permitem a inserção de norte-americanos em terrenos de situação delicada como a Caxemira. Por isto a ocupação nesta região da Ásia está cada vez mais dificultada. Contudo, a Índia não é conhecida como uma potência expansiva, tampouco possui características para tal. Esta se comporta estrategicamente como um Estado que foi coagido no passado e que se sente na obrigação de se armar e se proteger, com intuito de garantir a segurança interna numa região de alta instabilidade, onde também ocorre uma disputa territorial e concorrência atómica com o vizinho Paquistão. Porém, com toda esta situação o país desenvolve poderio militar e tecnologia de ponta, como o sofisticado sistema atómico e, por possuir um dos exércitos mais bem treinados e sofisticados de toda a Ásia, torna-se um país extremamente viável na cooperação para a nova política de expansão da OTAN.

Objetivo final da OTAN: Cercar a Rússia, a China e os seus aliados?

Durante sua declaração no Congresso Americano em 7 de fevereiro de 2007 o Secretário de Estado da Defesa, Robert Gates, apresentou um orçamento militar para o Pentágono e no mesmo afirmava-se que China e Rússia são potenciais adversários dos Estados Unidos por terem políticas incertas e duvidosas a respeito dos sofisticados programas de modernização militar.

Os russos têm-se tornado cada vez mais agressivos e defensivos devido às estratégias aplicadas pelos EUA, que fragilizam muito suas relações com a OTAN. O Ministro Russo dos Negócios Estrangeiros, juntamente com o governo, declaram que país vai começar a mudar as suas políticas à medida que estão se sentindo cercados. Desde tempos, a Rússia, a China e seus aliados vêm sendo pressionados por influências norte-americanas, bem como a própria da OTAN: a China enfrenta problemas com suas fronteiras orientais extremamente militarizadas na Ásia, enquanto o Irão ficou virtualmente cercado e fronteiras ocidentais (Europa) da Rússia tem sido infiltradas pela OTAN.

No momento, bases militares, fronteiras militarizadas, instalação de mísseis cercam a China, Irão e a Rússia, bem como a política de bloqueio naval que torna possível uma cadeia vigiada em volta da China, capaz de bloquear as principais frotas marítimas e impossibilitando assim o tráfego nas rotas marítimas estratégicas do petróleo.

Considerações finais:

Como evidenciado ao longo do texto, o fim da Guerra Fria e as mudanças no comportamento do sistema internacional trouxeram não apenas novos riscos, como também novas abordagens às políticas de segurança da OTAN. Suas atuais políticas se focam de maneira constante em aspectos como cooperação e diálogo, a fim de estabelecer parcerias que viabilizem a melhoria da organização e expansão de sua área de atuação.

A expansão da OTAN consegue ser justificada por diversos fatores encontrados ao longo do presente trabalho e por isto conclui-se que existe uma grande necessidade de foco em problemas relacionados à segurança. Porém, não é evidente até que ponto a preocupação com novas ameaças e políticas de expansão faz-se realmente necessária ou que isto apenas justifique uma expansão de domínio norte-americano, que possui a OTAN como instrumento de proliferação de suas políticas.

A expansão para a Ásia pode ser interpretada como benéfica para a segurança, visto que em um terreno de tanta instabilidade, nada melhor do que a cooperação ampla entre os Estados para garantir a paz, permitindo desta maneira que problemas regionais não se alastrem. Contudo, isto também implica em um meio de fazer política coerciva em relação a Estados que fogem das normas do modelo-padrão ocidental ditado pelos Estados Unidos e Europa. A OTAN desde a sua criação serviu como instrumento de política e imposição dos ideais ocidentais e principalmente relacionados aos Estados Unidos da América, assim garantido a sua supremacia perante os Estados menos favorecidos militarmente e economicamente. Atualmente, em um momento no qual o poder marítimo é decisivo para ascensão de possíveis novas potências, todo o pensamento geo-estratégico é voltado para o bloqueio desta ascensão pois, caso contrário, fica evidente a fragilidade norte-americana.


Fonte: Jornal Defesa & Relações Internacionais
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