segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Fabricantes demitem e país perde especialistas

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Depois de investir em mão de obra, inclusive com treinamentos e especialização no exterior, o setor aeroespacial e de defesa no Brasil está demitindo para fazer frente ao corte de investimentos do governo. Além do custo da demissão, essas pessoas levam boa parte do conhecimento das empresas. Segundo dados da AIAB (Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil), o setor aeroespacial e defesa emprega hoje 24 mil pessoas, sendo que a maior parte, cerca de 19 mil pessoas, trabalha na Embraer. Mas a área espacial é a mais atingida.
A falta de novos projetos e contratos, além da restrição orçamentária, ameaça a sobrevivência dessas empresas e de suas equipes. A produção da área espacial da Mectron, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia e responsável pelo desenvolvimento de mísseis, torpedos, radares e sistemas espaciais, foi fechada no primeiro semestre e 32  pessoas foram demitidas. Os cinco funcionários que ficaram, de nível gerencial, estão tocando alguns projetos ainda em andamento, segundo o presidente da Odebrecht Defesa, André Amaro. No total, a Mectron tinha 500 funcionários no começo do ano e agora tem 360.
Formado em engenharia eletrônica pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) Arnaldo Wowk, com quase 40 anos de experiência no setor de defesa e espaço, foi um dos profissionais demitidos da Mectron. Com passagem pela Embraer e especialização na Agência Espacial Francesa (CNES), Wowk disse que está desiludido e teme pelo futuro dos projetos queainda estão em andamento na área espacial.
"Perdemos a capacitação técnica que permitia dar continuidade a projetos como o do foguete VLS. O contrato das redes elétricas do foguete, que teve 70% do seu desenvolvimento feito pela Mectron, será transferido para o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Ele, no entanto, não tem corpo técnico para terminar os trabalhos", afirmou.
A Opto Eletrônica, de São Carlos, atualmente em processo de recuperação judicial, também dispensou suas equipes técnicas ao reduzir de 85 para apenas 18 o núcleo de engenheiros e técnicos que atuavam na área de optrônica (único núcleo no Brasil).
Foi com este grupo que a empresa desenvolveu a câmera de alta resolução do satélite Brasil-China (considerado um marco para o programa espacial brasileiro) e o projeto do míssil A-Darter, feito com a África do Sul. Segundo o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Opto, Mário Stefani, 40% dos profissionais que saíram da empresa foram trabalhar em universidades e 20% estão sendo absorvidos por empresas e universidades estrangeiras.
Para formar um doutor em óptica, segundo Stefani, o tempo médio pode chegar a 17 anos. A Opto Eletrônica investiu inclusive na formação complementar de vários dos seus profissionais em universidades fora do Brasil.
"Pessoas com nível de qualificação sênior se movem pelo desafio. Quando não vêm perspectiva ficam desmotivadas", afirma. Por serem muito qualificados, explica o executivo, esses profissionais dificilmente ficam desempregados, mas os projetos estratégicos do país acabam não tendo continuidade porque as equipes se dispersam.
Uma das principais cientistas à frente do desenvolvimento da câmera espacial da Opto, a física Érica Gabriela de Carvalho, de 38 anos, atualmente é professora de física no ensino médio de uma escola privada de São Paulo e dá aula cálculo e física na Universidade de São Paulo (USP).
Com mestrado em óptica e especialização na International Society for Optics and Photonics (Spie) e um curso de formação complementar em software de desenho óptico na Zemax, dos Estados Unidos, Érica conta que decidiu deixar a área espacial e de defesa, após ser demitida, porque não via nenhuma perspectiva de poder aplicar seu conhecimento em outra empresa ou instituição.
"O Brasil fez um investimento muito alto para o desenvolvimento da tecnologia das câmeras de alta resolução no país. A primeira opção era comprar isso fora, como aconteceu nos dois primeiros satélites feitos com a China", diz. Para a cientista, o país perdeu a oportunidade de continuar evoluindo na aplicação desse conhecimento para o desenvolvimento de outros tipos de câmeras e equipamentos ópticos avançados.
A Orbital, especializada no desenvolvimento de painéis solares para satélites, reduziu em 50% o número de funcionários, dos quais 80% altamente qualificados, e hoje tem 21 funcionários. Parte dessa redução ocorreu por demissão e parte por falta de motivação. "A maior parte das pessoas saiu porque perdeu a motivação e por isso decidiu trabalhar em outro setor menos demandante de tecnologia", afirmou o presidente da empresa, Célio Vaz.
Na Helibras a saída para manter os profissionais foi exportar serviços de engenharia para o grupo Airbus Helicopters. Considerado o quarto pilar de engenharia da matriz, junto com a França, Alemanha e Espanha, a Helibras no Brasil estava sendo capacitada para projetar um helicóptero totalmente nacional num prazo de cinco anos, mas com a crise o projeto foi adiado.
O centro de engenharia da empresa em Itajubá conta hoje com 73 especialistas. A empresa começou com sete pessoas em 2009. "Alguns aderiram ao plano de demissões voluntárias, mas as competências técnicas mais importantes e estratégicas para o grupo nós estamos conseguindo manter", afirma Walter Filho, diretor do centro de engenharia da Helibras.
A estratégia para segurar essa mão de obra, segundo Filho, envolve além da venda de serviços internacionais para as filiais da Airbus Helicopters no mundo, o desenvolvimento de soluções diferenciadas que melhorem a competitividade dos produtos da marca no mercado brasileiro e também na América Latina. "Um exemplo recente é o interior vip do helicópopters no mundo, o desenvolvimento de soluções diferenciadas que melhorem a competitividade dos produtos da marca no mercado brasileiro e também na América Latina. "Um exemplo recente é o interior vip do helicóptero H130, que foi inteiramente feito pela Helibras no Brasil. O produto tem potencial para ser exportado para outros países da região", disse.

Fonte: Valor Econômico 
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O polêmico grupo que poderia ajudar a derrotar o 'Estado Islâmico' na Síria

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Um grupo de entre 10 a 20 mil combatentes na Síria tem despontado como um "aliado" involuntário do Ocidente.
Trata-se do Ahrar al Sham (Homens Livres da Síria), que luta contra o presidente Bashar al-Assad e o autoproclamado Estado Islâmico (EI) e que pode ter um papel-chave na sangrenta guerra que já dura quatro anos no país.
Segundo analistas, o grupo se tornou uma das organizações mais poderosas em combate na Síria.
"Desde que surgiram em 2011 no noroeste do país, conseguiram ter um enorme impacto no campo de batalha", diz a revista The Economist. "E logo outros grupo queriam se unir a eles."

Influência

O Ahrar al Sham não apenas se estabeleceu como força militar importante, como também uma força política organizada com aliados-chave na região – Turquia e Catar.
Mas os Estados Unidos e seus aliados se recusam a dialogar com eles, argumentando que o grupo é baseado na militância islâmica e que seus líderes tiveram vínculos com a Al-Qaeda.
"O Ahrar al Sham faz parte de uma ampla coalizão síria de grupos da oposição, a Frente Islâmica. E dentro dela é a força mais poderosa e mais bem organizada", explica o correspondente da BBC no Oriente Médio, Jim Muir.
"O grupo quer ver a lei islâmica estabelecida na Síria, mas deixou claro que seus objetivos são muitos diferentes dos do 'EI', a quem considera inimigo."
Image copyrightReuters
Image captionO grupo tomou o controle da cidade de Idlib, no noroeste do país
Em abril, o porta-voz do Departamento de Estado John Kirby disse que os Estados Unidos "não trabalharam nem ofereceram nenhum ajuda ao Ahrar al Sham".
"Os Estados Unidos apoiam grupos de oposição sírios moderados. Ainda que os EUA não tenham designado o Ahrar al Sham como uma organização terrorista estrangeira, seguimos tendo preocupações com as relações do grupo com organizações extremistas", disse Kirby.

Apelos

Recentemente o Ahrar al Sham tem feito apelos, sem sucesso, a Washington e a Londres para considerarem uma aproximação na luta contra o 'EI' e encontrar uma solução para a Síria.
Em julho, tanto o Washington Post (EUA), como o Daily Telegraph (de Londres) publicaram longos artigos opinativos assinados por Labib al Nahhas, "diretor de Relações Exteriores" do grupo.
Em seus artigos, Al Nahhas fala do "grande fracasso" dos governos britânico e americano em tomar ações militares contra Assad e das consequências dessa indecisão.
"O resultado: um número de mortos que se calcula entre 200 mil e 300 mil pessoas, mais de 11 milhões de deslocados e inúmeras cidades em ruínas", disse Nahhas em seu artigo, intitulado "As consequências letais de rotular erroneamente os revolucionários da Síria", para o Washington Post.
Image copyrightReuters
Image captionO grupo tem entre 10 mil e 20 mil combatentes
"Não se determinou uma estratégia clara, as chamadas 'linhas vermelhas' do governo de Obama não foram cumpridas. As medidas de curto prazo baseadas nas experiências no Iraque e no Afeganistão, juntamente com o ruído gerado por veículos obcecados com o 'EI', ganharam prioridades sobre objetivos a serem alcançados a longo prazo."
"Em nenhum momento, esse fracasso é mais claro do que na consequência de rotular de forma errada os revolucionários sírios como 'moderados' ou 'extremistas'", afirma.

Aproximação

Nem Londres nem Washington atenderam ao chamado de Nahhas.
Mas diante da realidade síria, com uma guerra civil cada vez mais complexa, com refugiados sírios chegando às fronteiras europeias e com avanços do 'EI', alguns analistas se perguntam se não chegou o momento de unir forças com o Ahrar al Sham.
Robert Ford, que foi embaixador dos EUA na Síria entre 2010 e 2014 e agora é membro do Middle East Institute (centro de estudos especializado no Oriente Médio baseado em Washington), acredita que "sim, chegou o momento de falar com o Ahram al Sham".
"O Ahrar é uma força-chave no campo de batalha, mas eles tem tido pouco espaço nos meios (de comunicação) ocidentais, e são descritos como 'linha dura' ou 'jihadista'", escreveu Ford em um artigo para o instituto.
Image captionEm setembro de 2014, Hassan Abboud, líder do grupo, foi assassinado em um atentado que pode ter sido cometido pelo EI
O ex-diplomata deixou claro que não defende dar apoio material ou militar ao grupo, mas que "dada sua proeminência no campo de batalha no norte e no centro, terá um papel muito importante em qualquer negociação de paz".
"Deveríamos encontrar um canal para começar a falar com eles. O atual enfoque do governo (americano) em relação à Síria está fragmentando o país."
Tudo indica que a Síria não enfrenta apenas uma batalha entre Assad e o 'EI'. Também está em jogo quem, entre as centenas de grupo da oposição, pode ganhar apoio do Ocidente.
Como disse um ativista sírio ao New York Times: "Nós costumávamos buscar os melhores aliados possíveis. Mas agora temos os extremistas islâmicos (EI) e o Ahrar al Sham. Assim, elegemos o Ahrar."

Fonte: BBC Brasil
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Caças F-22 dos EUA chegam à Polônia como parte de missão europeia de treinamento

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Dois avançados jatos de combate F-22 dos Estados Unidos chegaram à Polônia nesta segunda-feira para uma visita de trabalho de um dia, segundo o Exército polonês, como parte dos esforços de Washington para tranquilizar aliados preocupados com as ações russas na Ucrânia.
A visita é parte do primeiro posicionamento de F-22 na Europa, onde quatro desses caças invisíveis a radares irão participar de treinamento com forças aéreas aliadas e unidades dos EUA até meados de setembro. Os quatro aviões chegaram na sexta-feira à base aérea de Spangdahlem, na Alemanha.
"Os EUA estão realizando reconhecimento de habilidades de operar esse tipo de aeronave em um aeroporto aliado", disse o porta-voz do Exército polonês, Artur Golawski, à Reuters. Os aviões aterrissaram em uma base aérea militar em Lask, no centro da Polônia.
No início deste mês, o chefe da Força Aérea do Estado-Maior dos EUA, general Mark Welsh James, disse que o posicionamento dos F-22 na Europa permitiria que as forças norte-americanas treinassem com parceiros da Otan em todo o continente, testando a capacidade dos jatos para se comunicar e lutar ao lado do Eurofighter e outros aviões de guerra avançados.

James disse que o posicionamento também daria aos pilotos dos F-22 mais experiência com o terreno europeu. A Força Aérea tinha enviado anteriormente esse tipo de jato para o Japão e a Coreia do Sul, mas não na Europa.

Fonte: Reuters
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Egito acerta a compra de helicópteros de ataque russo Ka-52 Alligator

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A delegação egípcia que participou do Salão Aeroespacial Internacional de Moscou (MAKS) 2015, encerrado no domingo (30), acertou a compra de helicópteros Ka-52 fabricados pela Rússia, segundo informou uma fonte militar russa. O prazo de entrega, o valor e a quantidade de aeronaves, porém, foram mantidas em sigilo.


No último final de semana, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, esteve em Moscou neste final de semana e se reuniu com o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, eles conversaram sobre a extensão do fornecimento de grãos da Rússia para o Egito e também sobre o uso do rublo como moeda nas transações de turismo entre o país. A convite do ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, o líder africano visitou o Centro Nacional de Gestão de Defesa.

O helicóptero de ataque Ka-52 foi projetado para destruir alvos sob quaisquer condições meteorológicas de dia ou de noite. O Alligator, como foi batizado, possui um sistema de rotor coaxial que permite alta manobrabilidade. A máquina é capaz de voar para trás a uma velocidade de 130 km/h e lateralmente a uma velocidade de 100 km/h, bem como executar acrobacias.

O Ka-52 Alligator leva uma arma automática de 30 mm e o míssil guiado Vikhr. Este helicóptero está em serviço nas Forças Armadas russas desde 2011. Mais de 70 máquinas foram produzidas.

Fonte: Sputnik News
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Especialista questionam misseis Hipersônicos

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A próxima geração de mísseis hipersônicos será de acordo com os fabricantes de armas um equipamento que não vale a pena investir.

Aviões hipersônicos podem ser uma proposta viável, mas mísseis hipersônicos não são. De acordo com John Mecklin, o editor do Bulletin of the Atomic Scientists and Mark Gubrud, um físico e professor adjunto na Paz, guerra e currículo em Defesa na Universidade da Carolina do Norte, eles são altamente visíveis, deixando um rastro de partículas ionizadas em sua fuga, e mais lento do que os mísseis balísticos. Eles são um sistema de armas em busca de um propósito, como John Mecklin coloca.

Eles não são ainda mais preciso do que os mísseis balísticos, que era a idéia original de tais sistemas. Para identificar um alvo eles teriam que diminuir para que um sensor possa trabalhar, o que frustra o objetivo do ataque que é a furtividade.

Como Mark Gubrud explica, após a Segunda Guerra Mundial, temos vindo a desenvolver aviões e mísseis mais rápidos. A corrida armamentista realmente nunca terminou. Mas há um limite para o quão rápido esses objetos podem viajar e ainda ser eficazes mesmo com todo avanço na tecnologia. Cerca de $ 200 milhões foram gastos nestes sistemas nos EUA, frente ao que está sendo gasto em outras armas. Seja como for, as empresas de armamento de todo o mundo vão se beneficiar do desenvolvimento e produção destes mísseis, que pode ser mais fácil de detectar do que os mísseis balísticos. O público está sendo informado que eles representam uma ameaça. Mark Gubrud propõe uma proibição de testes, o que parece ser uma solução viável, como testar essas armas em segredo é impossível. Há também que estabelecer proibições de ensaio de uma série de outros novos sistemas de armas.

Fonte: Sputnik News
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OTAN ativa seu potencial nuclear em manobras junto às fronteiras com a Rússia

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Foram apenas recém concluídas na Romênia as manobras mais significativas da OTAN desde o fim da Guerra Fria, e a aliança já organiza novos exercícios militares na região próxima às fronteiras com a Rússia, segundo afirma a mídia do país.


Tratam-se das manobras "Brisa Marinha", as quais terão início oficialmente nesta segunda-feira (31), não sendo em princípio muito grandes numericamente, (envolvendo cerca de 2.500 soldados, dos quais 1.000 são norte-americanos e por volta de igual número seria de marinheiros ucranianos), no entanto, constituindo uma série de exercícios extremamente abrangente do ponto de vista do alcance territorial.

No que diz respeito ao território da Crimeia, cerca de 400 km de comprimento cujas manobras devem abarcar, não será esperado nenhum perigo ou incidente, contudo, a mídia ressaltou com preocupação o destino da Transnístria, na região.

Sabe-se que tomará parte nos exercícios o destróier Donald Cook, embarcação capaz de interceptar qualquer míssil balístico e transportar mísseis de cruzeiro Tomahawk, os quais às vezes são equipados com ogivas nucleares.

O Donald Cook será acompanhado de vários aviões Lockheed P-3 Orion-C, projetados especificamente para operações de inteligência, podendo também transportar bombas com ogivas nucleares.


Em ambos os casos, são equipamentos considerados "suficientemente" ameaçadores, especialmente para uma região que já sofreu mais de uma tentativa de bloqueio da porção de seu território que faz fronteira com a Rússia, cujo elemento causador, infelizmente,  foi a própria Ucrânia.

A Transnístria, região onde pessoas de etnia russa e ucraniana representam cerca de 60 porcento da população, tentou se separar da Moldávia durante os últimos anos de existência da União Soviética, temendo que ânimos nacionalistas empurrassem Chisinau para participar da Romênia.

A Moldávia perdeu o controle sobre o território a leste do rio Dniester em 1992, após uma tentativa frustrada de resolver a questão pela força.

Atualmente a Transnístria representa um território fora do controle de Chisinau, com todos os atributos de um Estado, incluindo a sua própria moeda. A língua oficial da República, onde cerca de 200.000 cidadãos russos vivem, é o russo.

Em 2006 a Transnístria realizou um referendo no qual 97,2 porcento dos eleitores posicionaram-se a favor da união com a Federação Russa.


Fonte: Sputnik Brasil 
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sábado, 29 de agosto de 2015

PIB recua 1,9% no 2º trimestre, e país entra em recessão técnica

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O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,9% no segundo trimestre de 2015, em relação aos três meses anteriores, e o país entrou na chamada "recessão técnica", que ocorre quando a economia registra dois trimestres seguidos de queda. De janeiro a março deste ano, o PIB teve baixa de 0,7% (dado revisado).   
Os números foram divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa retração de 1,9% é a maior desde o primeiro trimestre de 2009, quando a economia também registrou o mesmo recuo.
Neste trimestre, contribuíram para o desempenho negativo da economia a queda dos investimentos (-8,1%) e do consumo das famílias (-2,1%). Em contrapartida, o consumo do governo registrou alta de 0,7%.
Na análise dos setores, todos registraram queda, puxada pela indústria, que teve retração de 4,3%, pela agropecuária, de 2,7%, e pelos serviços, de 0,7%.
Em relação ao segundo trimestre de 2014, a baixa foi ainda mais profunda, de 2,6%, a maior desde o primeiro trimestre de 2009, quando o recuo também foi de 2,6%. Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre do ano alcançou R$ 1,43 trilhão.
O resultado do PIB foi pior que o esperado pelo mercado, indicando que a retração da economia em 2015 poderá ser maior do que a queda de 2,06% projetada pelos economistas e analistas, segundo a última pesquisa do Banco Central.
Recessão técnica

O Brasil voltou a ter dois trimestres seguidos de queda no PIB e, por isso, entrou em “recessão técnica”. Na prática, essa classificação serve como uma espécie de “termômetro” para medir o desempenho da economia. Isso porque, de acordo com economistas, não são apenas dois resultados negativos seguidos que indicam a recessão, mas sim um conjunto de indicadores negativos, como aumento do desemprego, queda na produção e falência de empresas.

O Brasil também havia registrado uma recessão técnica no último trimestre de 2008 e primeiro de 2009, durante a crise econômica mundial.
“Várias coisas voltam lá para 2009. Na época, em 2008 e 2009, o consumo das famílias não tinha sido tão afetado [pela crise], existiam medidas para tentar reduzir o efeito [sobre o consumo das famílias]. São momentos um pouco diferentes [2015 e 2009], mas ambos com turbulências internacionais. Isso é um fato similar, no caso", analisou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Palis.
Arte PIB - indústria 2º tri 2015 VALE (Foto: Arte/G1)
Segundo ela, tanto a turbulência política quanto econômica estão afetando todas as atividades. "É um movimento que está afetando a economia toda”, disse.
No ano, de janeiro a junho, a economia registra contração de 2,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o IBGE, esse resultado é o pior desde o primeiro semestre de 2009, quando caiu 2,4%.

O que aconteceu em cada setor

De acordo com o IBGE, a queda registrada na indústria – frente ao primeiro trimestre – foi puxada principalmente pelo desempenho negativo da construção civil, que recuou 8,4%. Na sequência, a aparece a indústria de transformação, que também sofreu forte queda de 3,7%.

Arte PIB - agropecuária 2º tri 2015 (Foto: Arte/G1)
No caso do setor serviços, o que mais influenciou foi o movimento do comércio, que vem mostrando seguidamente resultados desanimadores. Neste segundo trimestre, a queda foi de 3,3%, seguida pelo recuo de 2% em transportes, armazenagem e correio.
“Tanto pela ótica da produção quanto pela da despesa, a gente tem que os três principais setores do PIB apresentaram queda em relação ao trimestre anterior”, apontou Rebeca.

Consumo e investimentos

No segundo trimestre, em relação ao primeiro, os investimentos registraram o oitavo trimestre seguido de baixa, chegando a 8,1% e arrastando o PIB para baixo, assim como a despesa de consumo das famílias, que  recuou 2,1%, pelo segundo trimestre seguido. Já a despesa de consumo do governo cresceu 0,7% na mesma base de comparação.

Arte PIB - serviços 2 tri 2015 (Foto: Arte/G1)
Quanto ao setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 3,4%, e as importações, por outro lado, recuaram 8,8%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2014, os investimentos sofreram uma queda ainda maior, de 11,9% - a maior desde o primeiro trimestre de 1996, quando o indicador recuou 12,7%.
"Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações e da produção interna de bens de capital, e também pelo desempenho negativo da construção civil."
Nessa base de comparação, a despesa de consumo do governo caiu 1,1%, e os gastos das famílias, que também entram no cálculo do PIB, recuaram 2,7% - a segunda baixa seguida.
Arte PIB - consumo das famílias 2 tri 2015 (Foto: Arte/G1)
De acordo com o IBGE, essa retração de 2,7% é a maior queda o quarto trimestre de 1997, quando caiu 2,8%.
"O resultado pode ser explicado pela deterioração dos indicadores de inflação, juros, crédito, emprego e renda ao longo do período", informou o IBGE.
Também entram no cálculo do PIB as exportações de bens e serviços, bem como as importações feitas pelo país. Nesse caso, as vendas tiveram expansão de 7,5%, e as compras caíram 11,7%, "ambas influenciadas pela desvalorização cambial de 38% registrada no período".
Poupança e taxa de investimento

No segundo trimestre, a taxa de investimento foi de 17,8% do PIB. No segundo trimestre de 2014, o índice havia atingido percentual maior, de 19,5%.

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Arte PIB - investimentos 2º tri 2015 (Foto: Arte/G1)
A taxa de poupança recuou em relação ao ano passado, passando de 16% no segundo trimestre de 2014 para 14,4%, nos mesmos meses de 2015.
Expectativas negativas confirmadas
A expectativa do Banco Central era de que o PIB tivesse mesmo recuado de abril a junho deste ano. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que é uma espécie de "prévia do PIB", indicava uma retração de 1,89% no segundo trimestre deste ano, frente aos três meses anteriores. Com isso, quando foram divulgados, em meados de agosto, os números já apontavam que a economia brasileira entraria em recessão técnica.

Já a estimativa do mercado financeiro para o ano todo, apresentada no início da semana pelo boletim Focus do Banco Central, indicava que a economia deverá ter uma retração de 2,06%, seguida por uma queda de 0,24% em 2016.
Dois anos seguidos de recessão

A expectativa dos economistas dos bancos é que a queda do PIB neste ano seja seguida por uma retração em 2016, de 0,24%.

Se confirmada a previsão, será a primeira vez que o país registrará dois anos seguidos de contração na economia, pela série do IBGE iniciada em 1948.  Todas as seis vezes em que o país fechou o ano com PIB negativo foram sucedidas por uma rápida recuperação nos anos seguintes.
O cenário atual é bem diferente, segundo o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE) Paulo Picchetti. “A recessão começou sem ser possível enxergar os mecanismos que vão levá-la ao fim. Não há instrumentos de política econômica capazes de reverter esse quadro num futuro razoavelmente rápido.”
PIB dos países - arte (Foto: Arte/G1)
Ranking de países

O resultado do 2º trimestre colocou o Brasil na 33º posição em uma lista de 35 países, segundo ranking elaborado pela agência de classificação de risco brasileira Austin Rating,à  frente somente da Rússia e a Ucrânia.

Como um país sai de uma recessão?

O fim de uma recessão só é constatado quando existe um movimento consistente de retomada em todos os indicadores econômicos, segundo o economista Paulo Picchetti. Dados como taxa de desemprego, vendas no comércio, produção industrial e outros precisam mostrar de forma clara e conjunta que estão em recuperação.

Fonte: G1 Notícias

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Dilma diz que não haverá retrocesso na democracia brasileira

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A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira que não permitirá retrocesso na democracia e que o país sabe superar suas dificuldades.
Alvo de pedidos de impeachment entregues à Câmara, alguns já recusados e outros ainda sob análise do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Dilma e seu governo têm sofrido críticas e enfrenta período de baixa popularidade, o que alimenta a tese de setores favoráveis ao afastamento.
"Nós temos muito o que preservar, nós conquistamos muita coisa. Não vamos deixar haver retrocesso neste país nem no que se refere aos programas nem no que se refere à questão da democracia", disse a presidente durante cerimônia de entrega de residências do programa Minha Casa Minha Vida no Ceará.
Dilma, que foi presa e torturada durante a ditadura militar, lembrou que todos sofreram "as consequências de ter um país que não era democrático", acrescentando que o Brasil hoje tem a "garra" para superar suas dificuldades.
A presidente aproveitou o evento para dizer ainda que seu governo se concentra em aumentar o emprego e reduzir a inflação. Não comentou, no entanto, a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) nesta sexta-feira, que apontou uma recessão na economia brasileira.
"Eu quero dizer para vocês que o meu governo pensa em duas coisas: em como aumentar o emprego, garantir que o país volte a crescer, primeira coisa", afirmou Dilma.
"Segunda coisa, em reduzir a inflação, porque nós sabemos como a inflação corrói a renda do trabalho, a renda do empreendedor."

Entre abril e junho, o PIB encolheu 1,9 por cento sobre os três meses anteriores e caiu 2,6 por cento na comparação anual, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Fonte: Reuters
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