quinta-feira, 31 de maio de 2012

Paquistão testa míssil com capacidade nuclear de curto alcance

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O Exército do Paquistão realizou nesta quinta-feira um "bem-sucedido lançamento" para testar um míssil de cruzeiro de produção própria com capacidade nuclear, o Hataf-8, com alcance de 350 quilômetros.

Em comunicado, o comando paquistanês explicou que o míssil pode levar armas nucleares e convencionais e tem uma "precisão milimétrica".

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, e o presidente, Asif Ali Zardari, parabenizaram os cientistas pelo sucesso do teste, de acordo com a nota.

O arsenal do Paquistão inclui os mísseis balísticos Hataf e Ghaznavi, os mísseis de médio alcance Ghauri e Shaheen, os mísseis de cruzeiro Babur e o míssil antitanque Baktar-Shikan, a maioria deles desenvolvida com a ajuda da China.

O Paquistão e a Índia, vizinhos rivais que travaram três guerras desde sua independência do Império Britânico, em 1947, costumam produzir rotineiramente testes com mísseis nucleares.

Em meados de abril, a Índia produziu um lançamento para testar do Agni-5, um míssil de cinco mil quilômetros de alcance e capacidade nuclear, e o Paquistão aumentou desde então a frequência de seus próprios ensaios.

Fonte: EFE
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Rússia: Defesa do país leva a sucessos políticos, afirma projetista de Iskander–M

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O projetista-chefe dos sistemas de mísseis Okae Iskander-M, Serguei Nepobedimy, entrevistado pela emissora Voz da Rússia, realçou que um elevado nível de habilitações académicas e o trabalho competente com os especialistas jovens constituem uma condição sine qua nonpara o desenvolvimento de tecnologias de armamentos e o reforço da defesa nacional.

Convém assinalar que ao longo da carreira profissional no período soviético o nome de Serguei Nepobedimy era  mais do que confidencial. Foi-lhe proibido sair do país. As suas fotos nunca apareceram em edições periódicas especializadas. Até eram cortadas das fotografias coletivas. Corriam rumores de que fosse um alvo de perseguições da parte da CIA que tinha organizado a caça ao engenheiro lendário, procurando conhecer, ao menos, as suas aparências.

Serguei Nepobedimy é autor dos complexos de mísseis Maliutka, Igla, Tochka e Oka que eram muito popular em vários países sem ceder em popularidade à famosa submetralhadora AKM. Todavia, foi impossível, por razões óbvias, pôr em relevo o nome do projetista.
 
Serguei Nepobedimy nasceu em 1921 na cidade russa de Riazan. Enquanto jovem, tomou interesse pelos equipamentos técnicos, percorrendo, de mãos dadas à ciência nacional, um longo e difícil caminho do seu desenvolvimento. Começou trabalhar em oficinas e ferrarias rurais, acabando por chefiar prestigiados Centros de Projeção.

“Tinha cinco anos quando comecei a trabalhar em ferrarias locais. Gostava de contemplar o processo de forjadura e soldagem. O ferreiro forja peças de ferro quente que depois se juntam como que soldadas. Com o andar do tempo, à nossa aldeia chegaram primeiros tratores que, verdade seja dita, me impressionaram muito ao ponto de eu começar a projetar e montar alguns utensílios e veículos.”

Ao terminar o curso de escola secundária em 1938, Nepobedimy ingressa na Escola Técnica Superior N.E. Bauman. Quando deflagrou a Grande Guerra Pátria, decide ir defender o país. Todavia, a intenção terá sido impedida pela portaria governamental a proibir o serviço militar dos alunos de 3º, 4º e 5º anos, encarados como uma elite intelectual indispensável para garantir a vitoria.

Não obstante, como os outros companheiros, Nepobedimy foi enviado para a zona próxima à frente da batalha a fim de abrir trincheiras para destacamento de infantaria. Mas não chegou a participar em ações militares, tendo visto na realidade carros blindados e aviões em ação. Até hoje, considera ser a sua principal invenção o complexo de mísseis Oka, posto em serviço em 1980.

“O lança-granadas tem um alcance de tiro limitado. Disparando gasta toda a energia. A granada se lança com a determinada velocidade, perdendo-a devido à frenagem. Por isso, se torna impossível aumentar o alcance. Decidi experimentar um mecanismo diferente em que o míssil se lança, mas o movimento de propulsão se efetua no processo de voo, o que permite aumentar o raio de alcance. Então, foi assim que acabei por inventar o Oka, considerado-o melhor sistema de mísseis sem análogos com o alcance de tiro igual a 400 km.”

Em 1989, no âmbito da implementação do START, os complexos Oka foram desmantelados embora, em termos formais, não tivessem sido abrangidos pelo Tratado. Foi naquela altura que Nepobedimy tomou a decisão de abandonar o cargo de projetista-chefe do Centro de Projeções de Máquinas (KBM). Todavia, antes de sair, criou projeto de um sistema de mísseis Iskander-Mque veio substituir o Oka e ganhou fama em todo o mundo.

Os círculos políticos não deixam de apontar para o imperativo de desarmamento. Dizem que o século XXI deve vir a ser uma época de paz. Serguei Nepobedimy se manifesta menos otimista. Acredita que as reduções devem ser realizadas, antes de mais, no domínio de armamentos ofensivos sem afetar os sistemas de defesa. Sendo uma pessoa que se dedicou à criação de um escudo seguro que proteja o seu país, continua convencido que tal proteção poderá garantir êxitos na arena política internacional.

Fonte: Voz da Rússia
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Os projetos prioritários da Marinha

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A Marinha do Brasil tem a missão de preparar e empregar o Poder Naval a fim de contribuir para a defesa da Pátria e de atender as suas atribuições subsidiárias previstas em Lei, com ênfase naquelas relacionadas à Autoridade Marítima.

Para cumprir essas tarefas, a Força vem se empenhando em defender e monitorar as fronteiras marítimas e fluviais do Brasil e em manter a segurança da navegação. Para tal, deve atuar na “Amazônia Azul”, que engloba um litoral de 8.500 km, com cerca de 40 portos, e dimensões da ordem de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, além de uma extensa malha hidroviária, com 40.000 km de rios navegáveis, dos quais 20.000 km na Bacia Amazônica; bem como uma imensa área de busca e salvamento marítimo, que corresponde a uma vez e meia o nosso território.

Portanto, as responsabilidades são imensas, que incluem a vigilância dessas águas, a segurança da navegação e a segurança da vida humana no mar.

Para dar continuidade a essas ações, estão sendo desenvolvidos os projetos prioritários, abaixo elencados, que permitirão que a Marinha disponha de meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais que assegurem a indispensável proteção das porções marítima e fluvial de interesse para o País:

- O Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) serão abordados em artigos separados, atendendo à solicitação da editoria da revista;

- Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER) - contempla a obtenção de cinco navios escolta, cinco navios-patrulha de 1800 toneladas e um navio de apoio logístico, que deverão ser construídos no Brasil, por meio de uma associação entre o estaleiro projetista internacional com um ou mais estaleiros brasileiros, em contratos comerciais amparados por Acordos Governamentais, nos quais se estima que sejam gerados empregos diretos e indiretos, além da capacitação dos estaleiros nacionais e da transferência de tecnologia;

- Programa de Obtenção de Navios-Patrulha - abrange a construção de quatro navios-patrulha de 200 toneladas que terão capacidade de operar na área marítima e nos rios da Amazônia; de quarenta e seis navios-patrulha de 500 toneladas para o apoio às atividades de Inspeção Naval, de fiscalização no Mar Territorial, Zona Contígua e Zona Econômica Exclusiva, em conformidade com a legislação brasileira; e de doze navios-patrulha oceânicos de 1800 toneladas, que são navios de maior porte e de maior capacidade de permanência no limite das Águas de Jurisdição Brasileiras, que inclui a zona de explotação de petróleo da camada do “Pré-Sal”.

Desse modo, a Força poderá dispor de meios apropriados em apoio aproximado à segurança de grandes eventos internacionais, que serão sediados em nosso País, destacando-se: a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (RIO + 20), este ano; a Jornada Mundial da Juventude Católica, em 2013; a Copa do Mundo de Futebol, em 2014; e os Jogos Olímpicos Mundiais, em 2016, uma vez que os navios terão a capacidade de receber um helicóptero de médio porte e duas lanchas rápidas, para interceptação de embarcações;

- Sistema de Gerenciamento da “Amazônia Azul” (SisGAAz) - para o monitoramento e o controle de nossas águas jurisdicionais e a realização de operações de Socorro e Salvamento, a Marinha está desenvolvendo o Sistema de Gerenciamento da “Amazônia Azul” (SisGAAz), que será um integrador de vários sistemas, proporcionando uma modernização da atual estrutura de Comando e Controle e provendo uma complexa e abrangente vigilância, proteção e defesa, composto por meios operacionais e por diversos tipos de sensores que integrarão as redes de informação e de apoio à decisão.

Todos os dados reunidos nos vários níveis de atuação contribuirão para a obtenção de uma acurada compilação situacional da área marítima coberta por esse sistema. Isso possibilitará à Força uma rápida reação a eventuais ameaças detectadas e identificadas, contribuindo para a proteção e a defesa dessa nossa imensa área marítima; - Projeto “Amazônia Segura” - o incremento do Poder Marítimo observado nos últimos anos, decorrente do desenvolvimento do comércio exterior brasileiro, das atividades de pesquisa e exploração de petróleo e gás, do turismo náutico e da pesca gera, na mesma proporção, a ampliação dos serviços exigidos das Organizações Militares componentes do Sistema de Segurança do Tráfego Aquaviário (SSTA), isto é, as Capitanias, Delegacias e Agências. Para fazer frente a esse aumento, foi desenvolvido o Projeto “Amazônia Segura”, que consistirá em uma ampliação das atividades nas regiões Amazônica e Centro-Oeste, adensando a presença nas fronteiras e nas grandes bacias fluviais dos rios Amazonas e Paraguai-Paraná, empregando, para isso, navios-patrulha e navios-transporte, ambos com capacidade de operação com helicópteros e adaptados ao regime das águas, priorizando a mobilidade e a logística nessas singulares regiões.

Desse modo, serão necessárias a criação e a elevação de categoria de Capitanias, Delegacias e Agências Fluviais; a construção de navios apropriados; e a criação de batalhões de operações ribeirinhas. - 2ª Esquadra e a 2ª Força de Fuzileiros da Esquadra - não só por razões históricas, a nossa Esquadra foi instalada no Rio de Janeiro, mas também, em face à concentração do poder econômico do País junto ao litoral das regiões Sudeste e Sul, bem como em razão da proximidade com as maiores bacias petrolíferas marítimas.

Com a ampliação dos meios e a crescente importância estratégica das regiões Norte e Nordeste, foi visualizada a necessidade da Força possuir uma 2ª Esquadra e uma 2ª Força de Fuzileiros da Esquadra que seriam responsáveis pela proteção da foz do rio Amazonas.

A implantação desse Projeto necessitará de apoio dos setores governamentais Federal, Estadual e Municipal, por se tratar de um objetivo de magnitude estratégica, com a necessidade de se obter, também, a parceria de empresas privadas que permitam alavancar recursos para implantação das obras civis no prazo de 10 anos.

Com isso, a Força estará contribuindo, também, para a geração de empregos e o aumento da arrecadação; o desevolvimento da construção civil; e o desenvolvimento da indústria e do setor do comércio. Ao abordar esses projetos considerados prioritários, é possível constatar que a Marinha está buscando atingir metas ambiciosas, tendo sido tomadas medidas, com vistas à consolidação de uma Força equilibrada e balanceada, à altura de suas atribuições constitucionais e da crescente relevância político-estratégica do Brasil no cenário internacional.

Fonte: NOMAR
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Expansão da EuroDAM e o seu perigo potencial para a Rússia

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A primeira fase de instalação da EuroDAM terá provavelmente um caráter preparatório. Nesta fase, o primeiro objetivo será a preparação do sistema de aviso e de deteção de alvos e o afinamento das relações entre as instâncias de comando. A terceira e a quarta fases da instalação do sistema de defesa anti-mísseis na Europa serão as mais perigosas.

Um reforço gradual

Na segunda etapa de instalação do sistema EuroDAM não se esparam mudanças radicais. O centro de gravidade continuará a ser o flanco Sul com o aumento no Mediterrâneo do grupo de navios do sistema Aegis, adaptados para intercetar mísseis balísticos. Além disso, até 2015, está planejada a instalação da primeira bateria móvel terrestre com mísseis SM-3 Block I e um radar SPY-1. Esta ficará estacionada na base de Devesolu na Roménia.

Nesta fase, também está planejada a instalação da versão mais evoluida do míssil SM-3, o Block Ib, que será equipado com uma cabeça de busca por infra-vermelhos modernizada. Nesta versão, o sistema DAM, utilizando um radar na Turquia, será capaz de intercetar lançamentos singulares de mísseis de médio alcance a partir do território do Irã contra alvos na Europa Central e de Leste. No caso de um potencial conflito, os alvos poderão ser as bases militares da OTAN.

Um salto qualitativo

Espera-se um grande incremento das capacidades do sistema DAM após 2015. Durante a terceira fase, planeja-se a instalação de mísseis SM-3 Block IIA navais e terrestres, assim como o complexo terrestre de mísseis SM-3 com um radar SPY-1 na Polónia junto à costa do mar Báltico.

A potencial instalação de complexos de mísseis e radares do sistema Aegis no Norte da Europa, e especialmente de navios equipados com esse sistema nos mares setentrionais, Báltico, da Noruega e de Barents, poderá constituir já uma ameaça às forças estratégicas nucleares russas.

Os navios e complexos terrestres do sistema Aegis deslocados para o Norte poderão, em determinadas condições, intercetar mísseis lançados a partir de bases das tropas de mísseis estratégicos, localizadas na parte europeia da Rússia, e de submarinos da Frota do Norte contra o território dos EUA. Essas capacidades irão aumentar ainda mais depois da instalação, durante a quarta fase, dos mísseis SM-3 Block IIB e do aumento para 20 do número de navios do grupo do sistema Aegis no Atlântico. Esses navios terão bases em Espanha e na Grã-Bretanha e, neste último caso, poderão ser rapidamente transferidos para os mares de Barents e da Noruega.

O perigo das ilusões

Há que ter em conta, no entanto, que mesmo na sua versão completa, com a base na Polônia e navios nos mares setentrionais, o sistema EuroDAM terá uma capacidade extremamente limitada para intercetar mísseis russos. Também é preciso considerar que os navios localizados nos mares nórdicos por princípio não poderão funcionar como escudo contra o Irã. Mesmo que o Irã conceba um míssil balístico intercontinental para atingir alvos no território dos EUA, a sua trajetória sobre a Escandinávia e águas adjacentes será a uma altitude superior a mil quilómetros, o que exclui a sua interceção por mísseis SM-3. Já os mísseis russos lançados, por exemplo, de bases nos distritos de Kaluga e de Tver, e ainda mais os de submarinos da Frota do Norte, não terão tempo de atingir uma altitude elevada.

A reação possível

Por enquanto, grande parte do sistema EuroDAM continua no papel e mesmo o destino da base na Polônia ainda não foi decidido. Em caso de vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos EUA, não é de excluir que essa decisão, assim como a localização de navios do sistema Aegis nos mares do Norte da Europa, seja cancelada e o centro de gravidade do sistema EuroDAM continue no Sul. Nesse caso os novos lançadores e radares poderão aparecer, por exemplo, na Bulgária. Essa decisão iria garantir a proteção contra o Irã e não iria ameaçar o potencial das forças nucleares estratégicas da Federação Russa.

Mas se os acontecimentos tomarem outro rumo e a transferência da atividade para o Norte se tornar realidade, será perfeitamente normal a respetiva resposta da Rússia. A instalação dos complexos Iskander é apenas uma das medidas possiveis. Se não se chegar a acordo com os EUA, a nova realidade será a completa revisão do atual sistema de segurança na Europa, incluindo, talvez, a saída definitiva da Rússia do acordo sobre forças convencionais na Europa (Tratado FCE), cujo cumprimento neste momento está sujeito a moratória. Como medida extraordinária é possível a saída da Rússia do tratado de desmantelamento de mísseis de médio e curto alcance e do tratado de redução das armas estratégicas (START-3).

Fonte: Voz da Rússia
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Coreia do Norte proclamou-se estado nuclear

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A Coreia do Norte aprovou várias emendas constitucionais, proclamando-se um estado nuclear, anunciou hoje a agência noticiosa Tesen Tsushin, com sede em Tóquio, que apoia a Coreia do Sul .

Os analistas da agência relacionam as emendas na Constituição com o desejo da Coreia do Norte de ser reconhecida internacionalmente como um estado nuclear. A Constituição fora emendada ainda em abril na reunião da Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte. Lembramos que a Constituição norte-coreana foi aprovada em dezembro de 1972 e desde então foi emendada apenas uma vez.

Fonte: Voz da Rússia
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Novo caça da Mitsubishi: o Espírito Divino que defende o Japão

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Após os EUA, a Rússia e a China, o Japão pode se tornar o quarto país a ter seu próprio caça de quinta geração. O novo caça, relativamente pequeno em tamanho e peso, será o primeiro avião de combate desenvolvido independentemente no Japão nas últimas sete décadas.

A alternativa japonesa

No início de maio, o Japão encomendou os primeiros quatro caças F-35 norte-americanos. Nesta década, o Japão pretende comprar 42 máquinas deste tipo, continuando após 2020, mas esses planos podem mudar em caso de êxito no desenvolvimento de seu próprio caça japonês, que promete superar o F-35 no conjunto de características.

O novo avião japonês, desenvolvido no âmbito do programa ATD-X (Advanced Technology Demonstrator-X), é relativamente pouco conhecido, e até recentemente sua realização na prática era posta em questão.

O projeto de desenvolvimento foi iniciado em 2004, e ao mesmo tempo foi atribuído ao programa o código ATD-X: o novo avião era considerado um demonstrador de tecnologia, e não se falava da sua utilização prática.

Os voos do novo caça russo T-50 em janeiro de 2010 e do chinês J-20 um ano depois, deram um novo impulso ao trabalho dos japoneses. A incapacidade de adquirir caças F-22 junto com as perspectivas indefinidas (até agora) do F-35 e as capacidades limitadas dessa máquina, levaram as autoridades japonesas a aumentar o financiamento do projeto ATD-X.

Em março de 2012, a fábrica da Mitsubishi em Tobishima, perto da cidade de Nagoya, começou a montagem do primeiro protótipo do ATD-X para testes estáticos. No ano seguinte deve começar a construção de três protótipos voadores, e o primeiro voo do novo caça Mitsubishi, apelidado de Shinshin (a tradução mais próxima do sentido dos hieróglifos 心神 que compõem seu nome é “espírito divino”), é esperado em 2014.

Como ultrapassar as limitações?

O caça F-35A que o Japão pode (e planeja) comprar nos EUA tem algumas limitações significativas. Em particular, ele não tem alta capacidade de manobra, tem uma velocidade de cruzeiro subsônica, não tem radar lateral. Em conjunto, isso leva muitos especialistas a avaliar o potencial do F-35 como menor mesmo em comparação com as atuais máquinas de série da geração 4++, como o Su-30MKI e o Su-35S, e como significativamente menor que o F-22 e, potencialmente, o T-50.

Entretanto, os adversários mais prováveis do Japão – a China e a Rússia – estão atualmente rearmado sua aviação com máquinas avançadas de quarta geração, e deverão receber aviões de quinta geração já nos próximos 10 anos. O potencial do projeto chinês J-20, por enquanto, é questionável, mas a probabilidade da força aérea chinesa de obter caças de quinta geração é uma ameaça bastante grande.

Assim, o projeto ATD-X deve dar à força aérea japonesa um novo avião que não terá as limitações do F-35 causadas pelo desejo de construir uma plataforma versátil que atenda aos requisitos de todos os tipos de aviação. Restrições financeiras e tecnológicas não têm muita importância – o Japão é um país bastante rico para poder se permitir até mesmo um caça muito caro, e seu nível tecnológico torna possível desenvolver em um período razoável de tempo todo o equipamento necessário para as novas máquinas, incluindo o motor.

Futuro provável

Tendo em conta o tempo que todos os estados com aviação geralmente levam para desenvolver equipamento militar, o novo caça japonês, se o primeiro voo for realizado em 2014, entrará em série limitada não antes de 2017-18, e em produção em massa – mais próximo de 2020-21. Por esta altura, o Japão irá receber caças F-35 de combate, que entrarão em serviço da força aérea em 2016. Se as características do “Espírito divino” forem bastante altas, no futuro, o Japão poderá deixar de comprar F-35 em larga escala, fazendo uma aposta em sua própria indústria aeronáutica.

Além disso, se o Japão conseguir desenvolver seu próprio motor e tornar o projeto totalmente independente do fornecimento de peças críticas, será possível também sua exportação – pelo menos para diminuir o preço de uma unidade com o aumento dos volumes de produção.

Fonte: A Voz da Rússia
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Os desafios da Petrobras para se manter na liderança regional

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Na lista dos problemas domésticos citados pelos analistas, estão desde as perdas registradas recentemente pela petrolífera até o aumento da interferência política por parte do governo.

Maior empresa brasileira, a Petrobras tem sofrido com a queda no valor de suas ações a tal ponto de ter perdido neste mês o posto de maior empresa latino-americana em valor de mercado para a petrolífera colombiana Ecopetrol, segundo informou a consultoria Economática.

Para analistas, a variação negativa no preço dos papéis da companhia refletem um pessimismo do mercado sobre a atual condução do modelo de negócios da estatal brasileira.

Segundo eles, os custos operacionais aumentaram quando a empresa decidiu não repassar ao consumidor a alta no preço dos combustíveis, resultado da apreciação do dólar no exterior, seguindo uma política do governo de controle da inflação.

Além disso, na opinião dos especialistas, a companhia teria sofrido outro baque com a recente desvalorização do câmbio, uma vez que suas dívidas na moeda americana acabaram aumentando.

Como resultado, nos três primeiros meses deste ano, o lucro da Petrobras caiu 16% em relação a igual período do ano anterior, segundo o balanço divulgado pela companhia.

Pré-sal

Especialistas dizem que o maior desafio da estatal será cumprir as metas estabelecidas, entre as quais dobrar a capacidade de produção até 2020, para 6 milhões de barris por dia.

Para isso, dizem, a empresa conta com o início da exploração comercial na camada pré-sal, localizada a mais de 6 mil metros de profundidade e a 300 quilômetros da costa brasileira.

Segundo o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), foi a partir do descobrimento das reservas que, paradoxalmente, os grandes problemas e desafios da Petrobras surgiram.

“A partir de 2007, com o anúncio do pré-sal, o modelo não foi mais exportável”, disse. “A Petrobras passou a ser uma empresa que se voltou novamente para o mercado interno e o próprio Estado brasileiro se tornou mais intervencionista”, acrescentou.

Anunciadas com pompa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as grandes reservas do pré-sal são estimadas em, pelo menos, 50 bilhões de barris de petróleo, o que poderia elevar o Brasil à condição de um dos cinco maiores produtores de petróleo do mundo na próxima década.

Por outro lado, há um longo caminho até explorá-lo comercialmente, afirmam os especialistas ouvidos pela BBC.

Além da barreira geológica, composta por grossas camadas de rocha e sal, serão necessários vultosos investimentos para retirar o petróleo do fundo do mar.

Para atingir tal objetivo, a Petrobras realizou em 2010 uma venda de ações de US$ 67 bilhões (R$ 134 bilhões), considerada na ocasião a maior ampliação de capital da história.

Liderança

Embora ainda tenha imensos desafios pela frente, a Petrobras continua bem avaliada por alguns analistas e governantes latino-americanos, ora por sua importância ora por sua trajetória de sucesso quando comparada a outras empresas estatais da região.

Além disso, com a descoberta do pré-sal, as perspectivas sobre o desempenho da petrolífera tendem a ser mais otimistas.

O êxito da estatal brasileira foi um dos recursos utilizados pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, para nacionalizar, no mês passado, a petrolífera YPF, então sob o controle da espanhola Repsol.

Mais recentemente, a candidata à Presidência do México Josefina Vázquez, do governista Partido de Ação Nacional (PAN), lembrou que a Petrobras é um “modelo muito inspirador” para a petrolífera mexicana Pemex.

“(A Petrobras) tem sido um exemplo muito importante de como uma empresa deficitária (…), vulnerável e debilitada se tornou uma instituição sólida”, disse dias atrás.

Segundo Tony Volpon, analista do banco de investimento Nomura Securities, “como qualquer empresa petrolífera estatal, a Petrobras alinha suas metas com as necessidades do desenvolvimento do país”, disse à BBC.

“Mas isso não é necessariamente destrutivo do ponto de vista do valor acionário”, acrescentou. “Em geral, acredito que a Petrobras continua sendo uma companhia bem administrada e líder em seu segmento, além de permanecer na dianteira ao construir uma cadeia de produção e distribuição em torno das reservas do pré-sal”, afirmou.

Histórico

Criada em 1953 como um monopólio estatal durante o governo de Getúlio Vargas, a Petrobras atravessou ao longo de sua história períodos de altos e baixos, assim como importantes transformações.

Um das principais mudanças ocorreu com a lei de 1997, promulgada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, que acabou com o monopólio da estatal afim de atrair investimentos privados para o mercado de hidrocarbonetos no Brasil.

O fim do monopólio representou uma virada histórica para a companhia, que conseguiu se internacionalizar e ser alçada ao topo da lista das empresas latino-americanas.

“Essa lei transformou a Petrobras num caso de sucesso”, disse Adriano Pires.

Ainda que sempre tenha se mantido sob controle estatal, a Petrobras abriu seu capital ao mercado e se expandiu. Atualmente, suas ações são negociadas nas Bolsas de São Paulo e Nova York e a empresa está presente em 24 países de cinco continentes.

Fonte: BBC Brasil
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EMBRAER e TeleBrás se unem em programa de satélite brasileiro

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A Embraer S.A. e a Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras) assinaram hoje o acordo de acionistas para constituição da Visiona Tecnologia Espacial S.A., empresa cujo capital social será 51% da Embraer e 49% da Telebras. A Visiona participará do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), conforme Memorando de Entendimento anunciado em novembro de 2011.

O objetivo inicial da empresa é atuar no Satélite Geoestacionário Brasileiro, que visa atender às necessidades de comunicação satelital do Governo Federal, incluindo o Programa Nacional de Banda Larga e um amplo espectro de transmissões estratégicas de defesa.

A Visiona terá sede no Parque Tecnológico de São José dos Campos, São Paulo, onde também assumirá o papel de líder do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Espaciais, atuando em parceria com as mais relevantes entidades de ensino e pesquisa aeroespacial do País e acelerando a capacitação do setor espacial brasileiro.

“Este projeto representa um passo histórico para o avanço da prontidão tecnológica e industrial do setor espacial no Brasil, e a Embraer tem satisfação e orgulho de ser a parceira estratégica da Telebras e do Estado Brasileiro nesse importante desenvolvimento para nossa nação”, disse Frederico Curado, Diretor-Presidente da Embraer.

Para o presidente da Telebras, Caio Bonilha, “o satélite brasileiro permitirá a ampliação do acesso à internet a milhões de lares brasileiros. Além disso, a posse e a operação de um satélite através do Brasil propiciará não somente a segurança necessária às transmissões de informações das redes estratégicas do Governo Federal, mas também a autonomia do processo de desenvolvimento tecnológico aeroespacial”.

Fonte: Embraer
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Nenhum país à espera está pronto para se juntar ao euro

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Nenhum dos oito países na lista de espera para se juntar ao euro atende aos padrões exigidos no momento, de acordo com relatório do Banco Central Europeu (BCE) divulgado nesta quarta-feira.

Antes da crise de dívida, membros da União Europeia que ainda não faziam parte da união monetária fizeram fila para se juntar ao bloco, mas o interesse diminuiu desde então e no momento apenas Letônia está no caminho para se juntar à moeda única nos próximos dois anos.

"Em nenhum dos oito países avaliados as bases legais são totalmente compatíveis com todas as exigências da adoção do euro como determinado no Tratados e Estatuto do Sistema Europeu de Bancos Centrais e do BCE", disse o BCE.

"Continua havendo incompatibilidade em relação à independência do banco central", completou o banco, referindo-se aos países em avaliação - Bulgária, República Tcheca, Letônia, Lituânia, Hungria, Polônia, Romênia e Suécia.

Dinamarca e Reino Unido não fazem parte da avaliação já que negociaram uma exclusão da moeda única quando ela foi instituída.

Letônia e Lituânia são os únicos dois países em avaliação que fazem parte do mecanismo de câmbio II (ERM II) há mais de dois anos, um pré-requisito para se juntar ao euro.

Letônia espera adotar o euro em 2014, mas a Lituânia ainda não deu um prazo.

Fonte: Reuters
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Itamaraty diz que Brasil não vai expulsar diplomatas sírios

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O ministro de Relações Exteriores Antônio Patriota afirmou nesta terça-feira que o Brasil não pretende, pelo menos por enquanto expulsar diplomatas sírios, a exemplo de países ocidentais como EUA, Alemanha e Reino Unido.

Patriota afirmou que o país se "associa integralmente" à declaração dada pelo Conselho de Segurança da ONU no domingo à noite, repudiando os ataques. Ele manifestou "preocupação com esses desenvolvimentos que são obviamente inaceitáveis".

O ministro afirmou que pretende aguardar as declarações do enviado especial do conselho a Damasco, Kofi Annan para saber quais serão as estratégias adotadas. "O Brasil sempre se pauta pelas decisões adotadas em âmbito multilateral pelo Conselho de Segurança, estando nele ou não", afirmou.

De acordo com o porta-voz da chancelaria brasileira, Tovar Nunes, o "diálogo com a Síria tem que ser mantido". "Se expulsarmos os diplomatas sírios do país, não vai ter mais diálogo", afirmou.

Patriota se encontrou hoje com Uri Rosenthal, ministro dos negócios estrangeiros da Holanda. Rosenthal afirmou que os Países Baixos seguem a posição da União Europeia, que está mandando os diplomatas de volta para a Síria. Como o país não pode expulsar o embaixador sírio em Haia (que tem residência no território), declarou-o como "persona non grata".

O ministro holandês disse ainda que "a época [do ditador sírio Bashar al] Assad já foi" e que os europeus esperam que agora ele tenha "entendido a mensagem". "A responsabilidade básica do que aconteceu e do que está acontecendo na Síria é desse regime", afirmou.

EXPULSÃO

Nove países ocidentais --EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Alemanha, Itália, Espanha e Bulgária-- anunciaram a expulsão de representantes diplomáticos sírios, como manifestação de repúdio pelo massacre deste final de semana na cidade de Houla.

A Holanda, a Béligica e a Suécia não expulsaram diplomatas, mas os declararam 'persona non grata'.
Israel, que não tem relações diplomáticas com a Síria, comemorou a decisão dos países ocidentais.

"A expulsão dos embaixadores da Síria é um novo passo no caminho para derrotar o regime da família
Assad. Outros governos do mundo deveriam agir de maneira similar", disse o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, em um discurso em seu Ministério.
Assad, acrescentou Barak, "não pode continuar fazendo parte da comunidade das nações".

O grupo oposicionista CNS (Conselho Nacional Sírio) também congratulou a comunidade internacional pela expulsão dos representantes diplomáticos.

"O CNS dá apoio total a essas medidas" e "convoca a comunidade internacional a romper todos os laços diplomáticos com o regime sírio", declarou o grupo oposicionista, em comunicado oficial.

MASSACRE

Antes do massacre em Houla e após o acordo de cessar-fogo, quase 2.000 já morreram por conta da repressão do regime sírio e de confrontos com os movimentos insurgentes.

No episódio, mais 87 pessoas morreram somente no domingo, além de outras 41 nesta segunda. Relatos iniciais da oposição apontam outras dezenas nesta terça-feira.

A sucessão de episódios violentos parece ter afetado até mesmo os poucos aliados que Assad ainda tinha junto à comunidade internacional.

Ontem, até mesmo a Rússia, uma das vozes isoladas em defesa de Assad, apontou a culpa (parcial) do regime sírio no massacre de Houla.

Fonte: Folha
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Entenda quem é quem no conflito na Síria

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Quando se trata das forças do governo sírio, existe uma relação muito complexa e pouco clara entre os militares, as milícias, as agências de inteligência e os vários centros de poder que os controlam.

Esta é uma das razões pelas quais é tão difícil determinar responsabilidades por massacres como o que ocorreu na última sexta-feira, em Houla, e porque o ditador da Síria, Bashar al-Assad, tem sido capaz de manter uma aparência de respeitabilidade enquanto nega qualquer culpa pelas atrocidades recentes.

Veja quem é quem no conflito sírio:

MILITARES

A Síria tem um Exército poderoso, equipado com armamentos fornecidos principalmente pela Rússia e o Irã.

Quando uma área civil - como Baba Amr, em Homs - é atacada, é mais provável que seja pelo Exército sírio, agindo sob as ordens de uma cadeia de comando militar.

Drones, ou aviões comandados por controle remoto, fornecidos pelo Irã desde o início da revolta contra o governo de Assad, há 15 meses, têm sido amplamente utilizados para guiar unidades de artilharia sobre que alvos atacar.

Também há relatos de que a Rússia tem enviado grandes carregamentos de armas à Síria - um antigo aliado -, incluindo milhares de rifles usados por franco-atiradores membros das forças do governo, posicionados no alto de prédios, para atingir ativistas nas ruas.

Assim como a maioria dos países, a Síria tem um Exército, uma Marinha e uma Aeronáutica. Dois terços dos cerca de 200 mil integrantes do Exército convencional são da minoria alauíta, como o presidente Assad.

Desde o início dos protestos contra o regime de Assad, tanques e armamentos pesados se tornaram uma visão constante em áreas de manifestações.

A retirada desses armamentos pesados das ruas é um dos pontos do plano de paz proposto pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan.

Mas como isso ainda não aconteceu, os rebeldes estão tentando adquirir o mesmo tipo de armamentos anti-tanque que causaram danos em tanques israelenses durante a invasão do Líbano, em 2006.

Com a ajuda da Rússia, a Síria tem uma ampla rede de defesa aérea, que poderia tornar difícil a manutenção de uma zona de exclusão aérea, caso uma fosse implementada no futuro.

AGÊNCIAS DE INTELIGÊNCIA

A Síria tem uma rede de 17 agências de inteligência que se dividem em quatro categorias amplas, todas com o objetivo principal de manter o regime no poder.

A inteligência militar, conhecida como al-Mukhabarat, está sob o controle do presidente e se concentra em monitorar dissidentes.

A inteligência da Aeronáutica é um dos ramos da segurança do Estado mais profundamente estabelecidos e com maior penetração. Foi responsável pela tentativa mal-sucedida de colocar uma bomba a bordo de uma aeronave israelense que partia do aeroporto britânico de Heathrow em 1986.

O Diretório Geral de Segurança é ligado ao Ministério do Interior, enquanto o Diretório de Segurança Política é talvez o mais enérgico de todos na perseguição de opositores do regime dentro do país.
Calcula-se que pelo menos 150 mil pessoas trabalhem na inteligência síria, e os informantes estão por toda parte, relatando --por uma módica recompensa-- comentários considerados críticos ao presidente ou a seu regime.

Tais comentários, se inventados, podem levar a meses de tortura em centros de detenção, às vezes acabando em morte.

Os centros de detenção estão espalhados pelo país, e alguns dos abusos cometidos neles são bem documentados por organizações de defesa dos direitos humanos

MILÍCIAS

Conhecidas como shabiha, que significa "os fantasmas", elas são sem dúvida responsáveis por algumas das maiores atrocidades já cometidas.

São basicamente criminosos de rua, geralmente com ficha policial, e alguns com conexões com máfias de contrabando.

Sem status oficial ou uniformes - além de sua preferência por jaquetas de couro pretas - eles são matadores de aluguel, que abundam em determinadas regiões para onde são enviados, especialmente às sextas-feiras, que se tornaram o dia tradicional de protestos no mundo árabe.

A shabiha opera em um nível bem local, o que torna difícil rastrear seus crimes até encontrar alguma conexão com altos funcionários do governo em Damasco.

Muitos, mas não todos, são alauítas, como o presidente. Mas sua lealdade parece ser oferecida a quem quer que pague, e não a etnias ou religiões específicas.

No caso do massacre de Houla, é bem possível que, após os bombardeios, tenham sido enviados por alguém em nível local, para "terminar o serviço", cortando as gargantas de sobreviventes ou atirando à queima-roupa.

Fontes locais dizem que eles também podem ter sido cotratados para levar adiante atos de vingança contra sunitas da aldeia, depois que os rebeldes do Exército Sírio Livre atacaram aldeias alauítas na vizinhança.

A shabiha não aparece em nenhuma estrutura de comando oficial, mas analistas afirmam que eles são "uma ferramenta útil para o governo" para levar a cabo atos de repressão.

O governo sírio continua a negar que seja responsável por repressão ou tortura.

Fonte: BBC Brasil
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Ocidente expulsa diplomatas sírios, mas Assad resiste

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As potências ocidentais expulsaram diplomatas da Síria nesta terça-feira por indignação com o massacre de 108 pessoas, quase metade delas crianças, mas o presidente Bashar al Assad, apoiado pela Rússia, não mostrou nenhum sinal de ceder à pressão.

Os assassinatos na cidade de Houla atraíram um coro de condenação de todo o mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que famílias inteiras foram mortas em suas casas na sexta-feira.

"Bashar al Assad é o assassino de seu povo", disse o chanceler francês, Laurent Fabius, ao jornal Le Monde. "Ele deve abdicar ao poder. Quanto antes, melhor."

O chanceler australiano, Bob Carr, afirmou que o "massacre de mais de 100 homens, mulheres e crianças em Houla é um crime hediondo e brutal".

Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Canadá, Alemanha, Itália, Espanha, Austrália, Holanda e Bulgária deram algumas horas ou dias para os diplomatas sírios deixarem suas capitais, em um movimento coordenado que reforçou o isolamento diplomático de Assad.

Alguns já haviam expulsado embaixadores ou reduzido os laços diplomáticos e, assim como os Estados Unidos, expulsado diplomatas de menor escalão.

A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Victoria Nuland chamou o ataque em Houla de "a mais inequívoca acusação até hoje" da recusa de Damasco em implementar as resoluções da ONU.

"Nós consideramos o governo sírio responsável por esse massacre de vidas inocentes", disse ela.

O mediador internacional Kofi Annan, que está em Damasco para tentar salvar um plano de paz de seis semanas de duração que não conseguiu conter o derramamento de sangue na Síria, disse a Assad sobre a "grande preocupação da comunidade internacional com a violência na Síria", especialmente em Houla, disse seu porta-voz Ahmad Fawzi após duas horas de conversações em Damasco.

Mas o governo de Assad negou ter algo a ver com as mortes, ou até mesmo ter armas pesadas na área, apesar da evidência contrária encontrada por monitores da ONU.

O próprio Assad repetiu para Annan a frase da Síria de que "grupos terroristas" --termo do governo para os rebeldes-- intensificaram assassinatos e sequestros em todo o país.

Países ocidentais que pediram para Assad renunciar esperam que os assassinatos em Houla coloquem a opinião global --notadamente a da Rússia, principal protetor da Síria-- mais próxima de uma ação mais eficaz contra Damasco.

Carr disse que o charge d'affaires sírio em Canberra recebeu ordens para "transmitir uma mensagem clara para Damasco de que os australianos estão consternados por este massacre e vamos buscar uma resposta unificada internacional, para fazer os responsáveis pagarem".

GRANADAS E RASTROS DE TANQUES

Monitores da ONU encontraram granadas usadas e rastros recentes de tanques em Houla, provas do uso no local de armamento que os rebeldes sírios não têm em seu arsenal.

Mas o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU em Genebra disse que a maior parte dos 108 civis mortos principalmente em Houla tinha sido executada à queima-roupa. A maioria havia sido baleada.

Sobreviventes disseram a investigadores da ONU que os assassinos eram milicianos "shabbiha" (pró-Assad), que no passado agrediram e intimidaram focos de oposição ao presidente.

"O que está muito claro é que este foi um evento absolutamente abominável que aconteceu em Houla, e pelo menos uma parte substancial disso foi de execuções sumárias de civis - mulheres e crianças", disse Rupert Colville, porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU em Genebra.

Ele disse que havia 49 crianças e 32 mulheres entre as vítimas. "Parece que famílias inteiras foram baleadas em suas casas."

O relatório contradiz uma carta aberta enviada pela Síria ao Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira que disse: "Nem um único tanque entrou na região e o Exército sírio estava em situação de auto-defesa".

"Os grupos terroristas armados... entraram com o propósito de matar e a melhor prova disso é a morte por facas, que é a assinatura de grupos terroristas que massacram de acordo com a maneira islâmica."

Imagens de vídeo distribuídas por ativistas da oposição ajudaram a agitar a opinião pública mundial de crescente indiferença a um conflito no qual mais de 10.000 foram mortos, a maioria partidários da oposição deles por forças de segurança.

Fontes da oposição disseram que rebeldes mataram 20 soldados em confrontos violentos perto da fronteira com a Turquia nesta terça. Elas disseram que seis civis e seis rebeldes, incluindo dois comandantes, também morreram nas últimas 24 horas em combates que começaram quando o Exército lançou uma ofensiva com taques e helicópteros para retomar a região ao redor de Atareb.

Fonte: Reuters

Nota do Blog: Este conflito ainda demonstra que perdurará por um tempo significativo, não trata-se de uma rebelião, mas sim de uma sangrenta guerra civil.

Tal massacre parece ter autoria de grupos interessados em influênciar a opinião internacional contra Assad, tendo o claro intuito de mover a pesada mão das potências contra o governo de sírio.

Ao meu entendimento, tal situação agravada na Síria se deve principalmente devido ao interesse das grandes potências em varrer da região regimes que possam se manifestar pró - Irã no caso de uma eventual operação contra aquela nação. Além da onda que tem varrido desta região os regimes autoritários, substituindo-os por pseudo democracias, onde a influência externa é melhor potencializada.
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terça-feira, 29 de maio de 2012

Azul Trip será 2º maior operador de jatos regionais da Embraer

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A fusão anunciada nesta segunda-feira transforma o grupo Azul Trip no segundo maior operador de jatos regionais da Embraer, atrás apenas da americana Republic e à frente da também americana Jetblue, empresa criada pelo fundador da Azul David Neeleman, americano nascido no Brasil.

São 62 aviões da Embraer, dos quais 32 do modelo 195, 21 do 190 e nove 175.

As duas empresas operam ainda mais 50 turboélices ATRs, totalizando 112 aviões. Até o fim do ano, a frota aumentará para 122 aviões.

"A Embraer saúda a união dos nossos maiores clientes da aviação comercial no Brasil - Azul e Trip. Esta parceria consolida a caminhada de sucesso de duas empresas vitoriosas que, temos certeza, oferecerão serviços ainda melhores aos clientes, e reforça o sucesso das aeronaves E-Jets na América Latina", disse Paulo Cesar de Souza e Silva, Presidente da Embraer, Aviação Comercial.

Após a fusão, que ainda tem que ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômico), Azul e Trip vão controlar 15% do mercado de aviação do país e 29% das partidas realizadas, com pelo menos 837 voos diários em 316 rotas.

A sobreposição de voos das duas empresas atinge cerca de 15 cidades, de um total de 96 de destinos atendidos pelas duas empresas juntas.

Fusão entre Azul e Trip não prejudica consumidor, diz especialista

A fusão da Azul com a Trip não deve gerar concentração no mercado regional a ponto de prejudicar o consumidor. A avaliação é do professor e diretor do Núcleo de Economia dos Transportes, Antitruste e Regulação (Nectar) do ITA, Alessandro Oliveira.

"O mercado regional não tem muita concorrência naturalmente. São sempre uma ou duas empresas nas cidades de pequeno porte. Mas o modelo de negócios da Azul não é de ficar fazendo reserva de mercado. Eles cresceram criando demanda e abrindo novos mercados."

A sobreposição de voos da Azul e Trip atinge cerca de 15 cidades, de um total de 96 de destinos atendidos pelas duas empresas juntas.

Com a incorporação da Trip, em uma operação de troca acionária, a Azul acelera seu plano de crescimento e se fortalece para enfrentar a concorrência com a Gol e com a TAM.

Juntas, Azul e Trip detêm 15% do mercado (passageiros transportados) e 29% das partidas realizadas no país.

"Hoje a Azul atende a demanda do interior de São Paulo. Mas com a previsão de expansão e de melhorias em Viracopos (Campinas), você cria um terceiro eixo de concorrência para o paulistano."
Trip e Azul anunciaram a fusão nesta segunda-feira. Após aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o nome da nova empresa será Azul Trip SA. O executivo David Neeleman, da Azul, será o presidente do conselho de administração.

Após fusão, Azul Trip vai controlar 15% da aviação no país

As companhias aéreas Azul, terceira maior do país, e Trip, maior empresa aérea regional da América, acertaram hoje a fusão de suas operações no Brasil.

O nome da nova empresa será Azul Trip SA. O executivo David Neeleman, da Azul, será o presidente do conselho de administração.

O negócio foi fechado hoje por Neeleman e por José Mário Caprioli, presidente-executivo da Trip, e Renan Chieppe, presidente do conselho da companhia.

Com a união, a nova empresa vai atender 15% do mercado doméstico de transporte aéreo. No total, ela vai possuir 112 aeronaves (62 jatos Embraer e 50 turboélices ATR) e operar pelo menos 837 voos diários em 316 rotas. Até o fim do ano, a frota deve aumentar para 120 aeronaves, segundo a empresa.

"Juntos, formaremos um grupo com possibilidades ainda maiores de continuar prestando serviços de transporte aéreo cada vez mais acessíveis e de alta qualidade", disse Neeleman, em nota.

"Enxergamos na Azul uma parceira que tem os mesmos ideais e visão de negócios. Buscaremos disseminar as melhores práticas entre as empresas, visando ampliar nossa competitividade no mercado, mantendo o DNA de alto serviço de ambas", disse, também em nota, Caprioli, Trip.

Os atuais donos da Azul --o americano naturalizado brasileiro Neeleman e oito fundos, entre eles Gávea, TPG e Bozano-- ficarão com 67% da nova empresa, enquanto os grupos Caprioli e Águia Branca, donos da Trip, terão o restante.

Para concretizar a operação, os donos da Trip recompraram, há uma semana, a participação de 26% que havia sido vendida para a americana Skywest.

A operação não envolve pagamentos. O valor das empresas usado para definir as participações não foi divulgado.

CONCORRÊNCIA

A operação dá às empresas um porte para enfrentar as líderes TAM e Gol. O faturamento conjunto deve chegar a R$ 4,2 bilhões este ano. No ano passado, a Gol faturou R$ 7,4 bilhões e a TAM, R$ 13 bilhões.

Com uma frota de 112 aviões e 837 voos diários, o grupo Azul Trip é responsável por 29% das partidas realizadas no país. Elas atendem 96 cidades, de um total de 108 cidades do país que recebem voos regulares.

A operação transforma o grupo Azul Trip no segundo maior operador de jatos da Embraer no mundo. São 62 jatos, de uma frota de 112 aviões.

Para ser concretizado, o negócio ainda precisa ser aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Até lá, as duas empresas --bem como suas divisões de carga-- vão continuar operando separadamente.

RAIO-X DA NOVA EMPRESA



EMPRESA CONTROLADORA Azul Trip S.A.

FUNCIONÁRIOS 8.700

PARTICIPAÇÃO DE MERCADO 15%

DESTINOS 96 das 108 cidades com serviço aéreo regular no Brasil

VOOS DIÁRIOS 837

ROTAS 316

FROTA
112 aeronaves, sendo:
- 32 jatos Embraer 195 (118 assentos)
- 21 jatos Embraer 190 (106/110 assentos)
- 9 jatos Embraer 175 (86 assentos)
- 12 turboélices ATR 72-600 (68/70 assentos)
- 15 turboélices ATR 72-500 (68 assentos)
- 6 turboélices ATR 72-200 (68 assentos)
- 9 turboélices ATR 42-500 (48 assentos)
- 8 turboélices ATR 42-300 (48 assentos)

HUBS (centros de distribuição de voos)

Campinas, Belo Horizonte (Confins), Belo Horizonte (Pampulha), Cuiabá, Curitiba, Guarulhos, Manaus, Porto Alegre, Salvador e Rio de Janeiro.

Fonte: Folha

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EUA tiraram 'lições duras' da Guerra do Vietnã, diz Obama

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, homenageou nesta segunda-feira os veteranos da Guerra do Vietnã (1959-1975), dizendo que seu país aprendeu "lições duras" naquele conflito, entre as quais a de não colocar soldados em risco sem uma missão e uma estratégia claras.

Em discurso a veteranos e familiares de militares no Dia da Memória, Obama não citou as atuais tensões com o Irã ou a Síria, nem outras potenciais ameaças. O foco foi no esvaziamento das guerras do Iraque e Afeganistão, iniciadas por seu antecessor, George W. Bush.

O presidente observou que muitos veteranos do Vietnã foram a aeroportos para cumprimentar pessoalmente soldados que voltavam do Iraque e do Afeganistão, muitos dos quais se alistaram nas Forças Armadas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, estopim das agora impopulares guerras.

"Em toda a América, as comunidades recepcionam nossas forças vindas do Iraque, e quando nossas tropas retornarem do Afeganistão, a América dará a toda essa geração do 11/9 a recepção que ela merece. Isso aconteceu em parte por causa de vocês", disse no Memorial dos Veteranos do Vietnã, em Washington.

DESPREZO
Nas décadas de 1960 e 70, muitos sobreviventes dos brutais combates no Sudeste Asiático eram recebidos com desprezo nos Estados Unidos, como resultado da repulsa da opinião pública a um conflito causado pela Guerra Fria e que matou 58 mil norte-americanos.

Para efeito de comparação, as guerras do Iraque e Afeganistão mataram respectivamente 4.000 e 2.000 norte-americanos, aproximadamente.

Acabar com essas guerras foi uma promessa de campanha de Obama em 2008, e seu governo tem dado grande apoio aos veteranos. Obama disse que várias das suas iniciativas são "um verdadeiro legado do Vietnã".

"Por causa das lições duras do Vietnã, por causa de vocês, a América está mais forte do que antes. Quando a América enviar seus filhos e filhas para o perigo, sempre lhes daremos uma missão clara, sempre lhes daremos os equipamentos necessários para a tarefa. Vamos resolver que os líderes sejam francos sobre os riscos e os progressos e tenham um plano para trazer nossas tropas para casa com honra."

Fonte: Reuters
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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rússia diz não acreditar que massacre foi obra do governo sírio

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O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu neste domingo para discutir o recente massacre na cidade síria de Houla. A ONU culpa o governo sírio pelo ocorrido, mas Damasco e Moscou sugerem que poderia ter sido uma ação rebelde.

Pelo menos 116 pessoas, incluindo muitas crianças, foram mortas no ataque, segundo disse o líder da missão de observadores da ONU na Síria, general Robert Mood, ao Conselho de Segurança. A informação veio de um diplomata que estava na reunião a portas fechadas. O diplomata pediu que o seu nome não fosse revelado.


O vice-embaixador russo na ONU, Alexander Pankin, disse à imprensa que o seu país estava cético em relação às sugestões de que o massacre era obra do governo sírio. Segundo ele, parecia que a maioria das vítimas foram mortas com facas e tiros de curta distância.


O embaixador britânico, Mark Lyall Grant, no entanto, discordou.


"Parece bem claro que o massacre foi causado por bombardeio pesado de artilharia e tanques do governo", disse ele, antes da reunião.


Os diplomatas afirmaram que esperam chegar a um acordo sobre algum tipo de condenação ao massacre, apesar de Moscou, aliada do presidente sírio, Bashar al-Assad, ter mostrado um discurso distinto do das potências ocidentais.


A reunião de emergência do Conselho de Segurança foi convocada depois de os russos rejeitarem a proposta de um comunicado, feita pela França e o Reino Unido, para condenar o massacre, disseram diplomatas, sob condição de anonimato.

Fonte: Reuters
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Bope faz a sua versão de "Tropa de Elite" para a TV

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Depois do sucesso de "Tropa de Elite", o Bope (Batalhão de Operações Especiais), do Rio de Janeiro, resolveu abrir seus bastidores para as câmeras.

A produtora Medialand, que já trabalha com programas policiais na TV, vai acompanhar a rotina das operações do Bope, em um documentário idealizado pela própria corporação.

A Folha apurou que pela primeira vez uma equipe de TV terá acesso ao material registrado por câmeras dos próprios policiais do Bope durante as operações.

As imagens são captadas como em um reality show. Haverá também imagens do "arquivo secreto" do Bope, de operações mais antigas.

A ideia da produção é mostrar reuniões de planejamento, imagens de bastidores do batalhão e de seu treinamento intenso.

Batizada de "Bope - Muito Mais que Uma Tropa de Elite", a atração exibirá um pouco da intimidade desses policiais e contará com depoimentos de comandantes e de gente ligada à equipe.

O que se pretende é desmistificar a corporação, que ganhou notoriedade depois dos filmes "Tropa de Elite".

As gravações começam em julho e devem terminar em setembro. O documentário, que vai participar de festivais, já despertou o interesse das TVs paga e aberta.

Fonte: Folha
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Mathias Rust: o piloto alemão que invadiu a União Soviética em um Cessna

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Há 25 anos o piloto alemão, Mathias Rust invadia o espaço aéreo da União Soviética em um Cessna e pousava na praça vermelha!

Durante toda a Guerra Fria, as superpotências mundias, Estados Unidos e União Soviética, se orgulhavam de possuírem espaços aéreos inexpugnáveis, e faziam questão de fazer enorme propaganda disso, como demonstração de poder.

O espaço aéreo da União Soviética era tão bem defendido que, dentro da doutrina militar americana, as possíveis missões contra alguns alvos específicos, em caso de guerra aberta, eram considerados, praticamente, como missões suicidas. Particularmente, a cidade de Moscou era considerada como uma das cidades melhor defendidas no mundo contra um ataque aéreo direto.

Todavia, nenhuma defesa é perfeita, e sempre haverá algum ponto vulnerável. De fato, um piloto ocidental conseguiu burlar todas as defesas russas, e não somente conseguiu sobrevoar boa parte da União Soviética e de Moscou, como também pousou lá, em pleno coração da cidade, na Praça Vermelha.
Esse piloto não operava, no entanto, uma sofisticada aeronave invisível militar. Ele nem sequer era militar, era civil, e pilotava um simples e pacato Cessna 172 Skyhawk. Mathias Rust era um piloto amador alemão, e tinha então apenas19 anos de idade. Rust alugou o Cessna para fazer a mais extraordinária aventura da sua vida: invadir o espaço aéreo da União Soviética e pousar em Moscou, em uma missão idealista de “promover a paz”.

Mathias Rust, na sua “missão”, demonstrou uma boa dose de coragem, sangue frio, capacidade de planejamento e… ingenuidade. Era evidente que se tratava de uma aventura extremamente arriscada: durante a Guerra Fria, qualquer avião vindo do Ocidente sem o conhecimento e autorização dos soviéticos era considerado hostil, e estava a sujeito a destruição sem aviso prévio. Mas Rust resolveu desafiar abertamente os soviéticos, sem apoio e nem conhecimento de mais ninguém. Era uma aventura particular de adolescente.

Sua jornada começou no Aeroporto de Uetersen, perto de Hamburgo, na então Alemanha Ocidental, em 13 de maio de 1987. Tinha como destino o Aeroporto Helsinki-Malmi, na Finlândia. Quinze dias depois, na manhã de 28 de maio, após encher os tanques do avião, e com uma generosa quantidade de combustível extra a brodo, Rust fez um plano de voo para Stockholm, na Suécia. Após fazer uma última comunicação com o Controle de Tráfego Aéreo finlandês, mudou o rumo para Sudeste e voou em direção à Estônia, na então União Soviética.

O Cessna de Rust sumiu dos radares finlandeses quando sobrevoava Sipoo, no litoral do Golfo da Finlândia. Como Rust deixou de se comunicar pelo rádio, seu Cessna foi considerado desaparecido, e provavelmente acidentado, no mar. Uma missão de busca e salvamento foi organizada. Os barcos de patrulha da Finnish Border Guard encontraram uma mancha de óleo no mar, que presumiram se tratar de vestígios do Cessna, mas não conseguiram confirmar, obviamente, pois Rust ainda estava voando.

Após cruzar a linha de costa da Estônia, Rust tomou uma proa para Moscou. Voando baixo, mas sem se preocupar em voar rente ao solo, foi interceptado pelos radares do PVO (ProtivoVozdushnoy Oborony – Forças de Defesa Aérea), pela primeira vez, às 14 horas e 29 minutos, hora local. Sem nenhuma identificação como aeronave amiga e em silêncio de rádio, o Cessna foi declarado invasor. O PVO declarou alerta vermelho, colocando mísseis antiáreos em prontidão e despachou dois caças para interceptar o intruso.

Os mísseis não foram disparados, pois era necessário obter autorização superior para isso, e tal autorização nunca foi concedida. Um dos dois caças fez contato visual com o Cessna de Rust, às 14 horas e 48 minutos, perto de Gdov, na Estônia, e identificou seu alvo como um pequeno avião branco, similar a um avião leve russo Yakovlev Yak-12, de asa alta. Pediu para engajar o alvo, mas tal autorização foi negada.

É de se duvidar que os caças, ou mesmo os mísseis antiaéreos, pudessem destruir o pequeno Cessna. O avião de Rust era tão pequeno, manobrável e lento que tornaria o seu abate uma proeza equivalente a caçar pardais com canhão.

Pouco tempo depois, os caças perderam o contato com o Cessna. Quando sobrevoava a região de Starava Russa, já na Rússia, o avião também sumiu dos radares. Especulou-se que Rust talvez tivesse pousado em algum lugar dessa região, para trocar de roupas, descansar um pouco e, possivelmente, reabastecer os tanques com a gasolina extra que carregava a bordo, mas isso nunca foi confirmado.

O PVO ainda conseguiu detectar o avião várias vezes, mas, contando com uma sorte incrível, Rust e seu avião foram confundidos com aeronaves russas. Próximo a Pskov, foi confundido com aeronaves de treinamento que usavam o local como área de manobras, e cujos inexperientes pilotos frequentemente se esqueciam dos códigos IFF (Identification Friend or Foe – Identificação de Amigo ou Inimigo) corretos. Em consequência, todos os aviões na área foram considerados “amigos”, inclusive Rust.

Quando sobrevoava Torzhok, o Cessna foi confundido com um dos helicópteros que faziam uma missão de busca e salvamento de um acidente aeronáutico ocorrido no dia anterior. Depois, sempre contando com uma sorte incrível, Rust continuou sendo confundido com aeronaves russas de treinamento e continou seu voo sem ser perturbado.

Embora voando sobre a superdefendida União Soviética, que enchia de temores qualquer piloto militar americano, Rust só passou medo real por uma única vez, quando percebeu a aproximação dos caças sobre a Estônia. Procurou espantar o medo recordando do incidente do voo KAL 007, um Boeing 747 civil coreano que foi abatido, cheio de passageiros, em espaço aéreo soviético, alguns anos antes, e que provocou protestos do mundo inteiro. Julgou que os soviéticos não iriam se arriscar a novos protestos por causa de um simples monomotor civil. Mas Rust manteve-se tenso durante o voo inteiro, e não era para menos.

Sem ser incomodado, Rust começou a sobrevoar os arredores de Moscou no final da tarde. Sua intenção era pousar dentro do Kremlim, mas pensou melhor e mudou seu objetivo para a Praça Vermelha. Afinal, o Kremlim era um local fechado ao público em geral, e a KGB poderia muito bem eliminá-lo lá dentro, sem chamar a atenção de mais ninguém, e ocultar o incidente do resto do mundo. Já a Praça Vermelha era um lugar público, tinha turistas estrangeiros, o que tornaria o incidente imediatamente conhecido.de todos e da imprensa. Isso poderia protegê-lo de ser simplesmente executado.

Pouco antes da 19 horas, Rust sobrevoava a Praça Vermelha, procurando um local para pousar. Não era fácil, pois a praça sempre tem intenso tráfego de pedestres. Afinal, encontrou um espaço livre na ponte próxima à Catedral de São Basílio, e lá pousou sem maiores dificuldades, às 19 horas. Ainda era céu claro, nessa época do ano. Taxiou como se fosse um carro de passeio na avenida, parou ao lado da Catedral, a 100 metros da Praça Vermelha, desligou o motor e desceu do avião.

Sua extraordinária sorte o protegeu até esse instante: a ponte era protegida contra pousos de aeronaves por cabos de aço, que foram removidos para manutenção justamente na manhã daquele mesmo dia. Seriam reinstalados no dia seguinte.

Os transeuntes perplexos não foram hostis com Rust e até o cumprimentaram. Mas não demorou muito para a polícia chegar e prender o audacioso piloto.

O julgamento de Rust pela Justiça Soviética começou no dia 2 de setembro de 1987. Ele foi sentenciado a 4 anos de prisão por baderna, infração às regras de tráfego aéreo e invasão de fronteira, e enviado à Prisão Lefortovo em Moscou. Foi uma sentença relativamente leve, pois, em outros tempos, talvez fosse mandado para a Sibéria pela KGB por espionagem e nunca mais saísse de lá, vivo.

Não chegou a cumprir a pena integralmente. Dois meses depois de Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan assinarem um tratado de eliminação de mísseis nucleares de médio alcance instalados na Europa, o Soviete Supremo, em um gesto de boa vontade, mandou libertar Rust, que foi deportado para a Alemanha, Ocidental. Desembarcou naAlemanha Ocidental no dia 3 de agosto de 1988.

A aventura pessoal de Mathias Rust teve consequências inimagináveis na História. Naquela época, Mikhail Gorbachev defendia uma ampla reforma e uma abertura do regime soviético, a Perestroika e a Glasnost, que tinham, no entanto, grande oposição por parte dos militares russos. O incidente de Rust, no entanto, desmoralizou e humilhou os militares russos no mundo inteiro. Afinal, um simples avião civil, com um piloto amador quase adolescente, passou por todas as defesas e pousou sem oposição no centro da capital soviética, ao lado do Kremlin.

Gorbachev soube aproveitar muito bem o incidente: demitiu o Ministro da Defesa Soviético, Serguei Sokolov, o Chefe de Defesa Aérea, Alexander Koldunov e centenas de outros oficiais. Com a desmoralização dos militares, Gorbachev conseguiu implantar as reformas que queria, que acabaram criando um caos econômico que desembocou na queda do Muro de Berlim, no fim da Guerra Fria e no fim da União Soviética, em dezembro de 1991. Pequenas causas criaram grandes efeitos.

Do jovem idealista Mathias Rust, que queria, com seu voo épico, fazer um gesto em favor da paz, sobrou pouco. Depois de voltar à Alemanha Ocidental, recusou-se a fazer o Serviço Militar Obrigatário, por razões de consciência, pois era a favor da paz. Provou isso com o seu voo. Suas razões foram aceitas, e, em alternativa, teve que prestar serviços comunitários em um hospital alemão.

Enquanto estava no hospital, apaixonou-se perdidamente por uma enfermeira que, no entanto, não correspondeu ao seu amor. Acabou esfaqueando a enfermeira, e recebeu uma sentença de 4 anos de prisão por tentativa de homicídio. Foi libertado depois de 15 meses.

Depois disso, casou-se, divorciou-se e voltou a casar. Cometeu vários pequenos delitos, como roubar um casaco de cashemira em uma loja, não pagar dívidas e cometer pequenas fraudes. O Governo da Finlândia apresentou-lhe uma conta de 100 mil dólares pela missão de busca e salvamento levada a cabo no dia do seu voo histórico. Graças à fama que ganhou com a sua “missão” a Moscou, conseguiu amealhar uma pequena fortuna e fundou uma organização dedicada à paz, denominada Orion and Isis, que, todavia, nunca fez nada muito relevante, até hoje.

Hoje, aos 42 anos de idade, Mathias Rust é sócio de uma empresa de investimentos na Estônia, mas sobrevive mesmo como jogador profissional de poker. Parece que sua sorte ainda não o abandonou, pois consegue grandes lucros com isso.

O avião que Rust usou para chegar a Moscou, um Cessna F172P, fabricado sob licença pela Reims, da França, em 1983, foi matriculado na Alemanha como D-ECJB, e ficou apreendido na Rússia durante algum tempo, até ser devolvido para a sua proprietária, a Atlas, de Ganderkesee, Alemanha. Foi posteriormente exportado para o Japão. mas, provavelmente, nunca recebeu uma matrícula japonesa. Em 2008, o Deustches Technikmuseum Berlin levou o avião do Japão de volta para a Alemanha (foto acima, ainda com a matrícula original), onde está hoje em exibição pública, totalmente restaurado (foto abaixo). O Cessna de Rust é uma aeronave histórica, pois chegou onde nenhum avião militar ocidental jamais conseguiu sequer se aproximar, durante a Guerra Fria.

Mesmo sendo um típico anti-herói, Mathias Rust teve um papel desproporcionalmente grande na história, pois o seu voo provocou uma desmoralização geral nos militares soviéticos, que perderam poder e acabaram cedendo às reformas de Gorbachev. Em última análise, Mathias Rust e seu pequeno Cessna podem ter precipitado o fim da União Soviética, do Muro de Berlim e da Guerra Fria.

Fonte: Cultura Aeronáutica
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sábado, 26 de maio de 2012

Político islâmico e ex-militar farão 2o turno no Egito

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Resultados preliminares da eleição presidencial egípcia divulgados na sexta-feira indicam que o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, irá enfrentar o brigadeiro da reserva Ahmed Shafiq no segundo turno, em 16 e 17 de junho.

Os resultados oficiais estão previstos apenas para terça-feira, mas um juiz envolvido na totalização disse que, com 90 por cento das urnas apuradas, Mursi e Shafiq lideram. O esquerdista Hamdeen Sabahy aparece em terceiro, segundo essa fonte.

Funcionários da Irmandade Muçulmana disseram que seu candidato teve 25 por cento dos votos, e que Shafiq ficou em segundo lugar. De acordo com essa versão, porém, Sabahy ficou em quarto lugar, atrás do candidato islâmico independente Abdel Moneim Abol Fotouh.

O primeiro turno, realizado na quarta e quinta-feira desta semana, polarizou os egípcios entre aqueles que desejam evitar a eleição de um político religioso e os que temem a volta de políticos ligados ao deposto regime de Hosni Mubarak - de quem Shafiq foi o último premiê.

Shafiq, conhecido por seu jeito direto de falar, era o azarão numa disputa em que o ex-chanceler Amr Moussa e o ex-membro da Irmandade Abol Fotouh despontavam como favoritos.

Sua ascensão reflete a preocupação de muitos egípcios com a desordem e com a violência política que assola o país desde a deposição de Mubarak.

A eleição, que pela primeira vez na história egípcia representa uma disputa real, marca o apogeu de uma turbulenta transição desde a revolta que derrubou Mubarak, há 15 meses. Mas o segundo turno pode motivar mais distúrbios, pois adversários de Shafiq prometem sair às ruas se ele for eleito.

Já a vitória de Mursi, da Irmandade, pode agravar as tensões entre os políticos islâmicos, que são maioria no Parlamento, e as Forças Armadas, que há 60 anos dominam a política do país, e devem manter forte influência depois que a junta militar empossar o novo presidente, em 1o de julho.

Cristãos e liberais laicos, preocupados com suas próprias liberdades e com o futuro do vital setor turístico egípcio, veem com temor as propostas da Irmandade para a adoção de uma legislação islâmica.

"Agora os egípcios vão ter de escolher entre a revolução e a contrarrevolução. A próxima votação será o equivalente a um referendo sobre a revolução", disse à Reuters Mohamed Beltagy, dirigente da Irmandade.

Mas os políticos islâmicos demoraram a aderir à revolução que derrubou Mubarak no ano passado, e alguns jovens envolvidos naquele movimento ficaram indignados com o resultado do primeiro turno, que lhes privou de uma opção mais liberal.

"Estou chocado", disse o taxista Tareq Farouq, 34 anos, no Cairo. "Como isso pôde acontecer? As pessoas não querem Mursi nem Shafiq. Estamos fartos de ambos. Eles estão levando as pessoas de volta à praça Tahrir", afirmou, numa alusão ao local do Cairo que foi o epicentro da revolta contra Mubarak.

A direção da Irmandade disse que vai se reunir "para galvanizar os eleitores islâmicos e egípcios para enfrentar o bloco dos 'feloul'", termo pejorativo que alude a remanescentes do regime de Mubarak.

O partido convidou políticos de outras correntes, inclusive Abol Fotouh e Sabahy, para discutir uma futura coalizão, segundo Yasser Ali, dirigente do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade.

Fonte: Reuters
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