A confirmação da captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos abre um período de profunda incerteza política, militar e institucional na Venezuela. A ausência do principal centro de poder do regime altera o equilíbrio interno e coloca o país diante de diferentes caminhos possíveis. A seguir, são apresentados os principais cenários em avaliação.
Cenário 1 – Colapso rápido do regime e transição forçada de poder
Probabilidade: média
Neste cenário, a retirada de Maduro provoca uma ruptura imediata na cadeia de comando político e militar. Setores das Forças Armadas, diante da ausência de liderança clara e da pressão externa, optam por não resistir e passam a negociar uma transição de poder.
Um governo provisório, possivelmente apoiado ou reconhecido pelos Estados Unidos e aliados, seria instalado com o objetivo de estabilizar o país, reorganizar instituições e convocar eleições sob supervisão internacional.
Do ponto de vista militar, haveria redução rápida da violência, com foco em controle de pontos estratégicos, proteção de infraestruturas críticas e garantia da produção e escoamento de petróleo. Este é o cenário preferido por Washington, por reduzir custos políticos e militares no médio prazo.
Cenário 2 – Fragmentação do poder e resistência interna
Probabilidade: média a alta
A captura de Maduro não garante, por si só, o fim do regime. Neste cenário, setores do alto comando militar, milícias e forças de segurança permanecem leais ao chavismo e passam a atuar de forma descentralizada.
O país poderia entrar em um período de instabilidade prolongada, com focos de resistência armada, confrontos localizados e disputas internas pelo controle de regiões estratégicas, especialmente áreas produtoras de petróleo e zonas de fronteira.
Militarmente, isso exigiria operações contínuas de contenção e estabilização, elevando o risco de escalada da violência e ampliando o impacto humanitário. Este cenário dificulta qualquer transição rápida e mantém a Venezuela em um estado de crise prolongada.
Cenário 3 – Consolidação do poder por uma liderança chavista alternativa
Probabilidade: média
Mesmo sem Maduro, o chavismo pode tentar se reorganizar sob uma nova liderança política ou militar. Figuras como membros do alto escalão do governo, dirigentes do partido ou chefes militares poderiam assumir o controle, buscando preservar o sistema e resistir à influência externa.
Nesse caso, o discurso de “agressão imperialista” tende a ser intensificado, com tentativas de mobilização popular e apelos à soberania nacional. A crise se tornaria menos personalista e mais institucional, prolongando o impasse entre o novo governo de fato e a comunidade internacional.
Do ponto de vista estratégico, esse cenário mantém a tensão regional e dificulta acordos rápidos sobre sanções, petróleo e ajuda humanitária.
Cenário 4 – Escalada regional e envolvimento indireto de potências externas
Probabilidade: baixa a média
Embora menos provável no curto prazo, não pode ser descartada uma escalada indireta. Potências com interesses estratégicos na Venezuela, como Rússia e China, podem intensificar apoio diplomático, econômico ou logístico a setores do regime remanescente.
Mesmo sem intervenção militar direta, esse apoio pode dificultar a consolidação de um novo governo alinhado aos Estados Unidos e prolongar a crise. No plano regional, isso aumenta a pressão sobre países vizinhos e pode gerar impactos em fluxos migratórios e segurança de fronteiras.
Impactos diretos para o Brasil e a América do Sul
Os desdobramentos da captura de Nicolás Maduro extrapolam as fronteiras da Venezuela e geram efeitos imediatos e potenciais riscos estratégicos para o Brasil e para toda a América do Sul. A instabilidade em um país central do norte sul-americano afeta diretamente segurança, economia e equilíbrio político regional.
Para o Brasil, o impacto mais sensível ocorre na faixa de fronteira com a Venezuela, especialmente no estado de Roraima. Um cenário de instabilidade prolongada tende a provocar novos fluxos migratórios, ampliando a pressão sobre estruturas de acolhimento, saúde e segurança pública.
Do ponto de vista militar, as Forças Armadas brasileiras podem ser chamadas a reforçar a vigilância e o controle de fronteiras, intensificando operações de presença, logística e inteligência para conter atividades ilícitas, como tráfico de drogas, armas e garimpo ilegal, que costumam se expandir em contextos de colapso estatal.
Além disso, qualquer prolongamento do conflito eleva a importância do Brasil como ator de estabilidade regional, exigindo equilíbrio entre a defesa da soberania nacional, o respeito ao direito internacional e a necessidade de evitar o transbordamento da crise para o território brasileiro.
No plano regional, a crise venezuelana pode gerar um efeito de contágio, afetando países vizinhos como Colômbia, Guiana e países do Caribe. A presença militar ampliada dos Estados Unidos no entorno da Venezuela altera o equilíbrio estratégico sul-americano e reacende debates sobre soberania, alinhamentos políticos e autonomia regional.
O risco de instabilidade prolongada também impacta diretamente a segurança marítima e energética, especialmente no Caribe e no norte da América do Sul, regiões estratégicas para o escoamento de petróleo e comércio internacional.
Politicamente, a operação tende a aprofundar divisões na América Latina, com governos adotando posições distintas diante da ação norte-americana. Essa fragmentação dificulta respostas regionais coordenadas e enfraquece mecanismos multilaterais sul-americanos.
A Venezuela ocupa posição central no setor energético regional. Qualquer interrupção prolongada na produção ou no escoamento de petróleo pode gerar impactos nos mercados, afetando preços, cadeias logísticas e interesses de países sul-americanos direta ou indiretamente ligados ao setor.
Ao mesmo tempo, o controle ou a reestruturação do setor petrolífero venezuelano sob influência externa pode redesenhar o mapa energético regional, com efeitos estratégicos de longo prazo.
Para o Brasil e a América do Sul, a crise venezuelana entra em uma fase crítica, na qual segurança de fronteiras, estabilidade política e equilíbrio estratégico regional passam a ser fatores centrais. Independentemente do desfecho imediato, os próximos meses exigirão atenção redobrada, coordenação diplomática e preparo militar para lidar com possíveis efeitos colaterais de um cenário ainda altamente volátil.
No contexto regional, a Venezuela deixa de ser apenas uma crise interna e passa a representar um vetor de instabilidade estratégica com impactos diretos sobre a segurança sul-americana.
Considerações finais
A captura de Nicolás Maduro representa um ponto de inflexão, mas não uma solução automática para a crise venezuelana. O fator decisivo nos próximos dias será o comportamento das Forças Armadas e das estruturas de segurança internas.
Se houver coesão militar em torno de uma transição, o país pode caminhar para uma reorganização relativamente rápida. Caso contrário, a Venezuela corre o risco de entrar em um período de instabilidade prolongada, com impactos diretos para a segurança regional, o mercado energético e a geopolítica sul-americana.
Para os analistas de defesa, o cenário venezuelano passa agora da esfera política para uma fase essencialmente estratégica, onde controle territorial, comando militar e legitimidade internacional serão os principais vetores de poder.
por Angelo Nicolaci
GBN Defense - A informação começa aqui




























.jpg)

