terça-feira, 4 de agosto de 2026

Análise - Mais do que uma frase de efeito: o que a declaração de José Múcio revela sobre os desafios da Defesa brasileira

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Ao afirmar que "abriria o portão" diante de uma hipotética invasão dos Estados Unidos, o ministro da Defesa, José Múcio, utilizou uma comparação extrema para defender o aumento dos investimentos nas Forças Armadas brasileiras. A declaração gerou repercussão, mas também abre espaço para uma discussão que o Brasil adia há décadas: qual é o nível da capacidade de defesa que um país com dimensões continentais e interesses estratégicos deve possuir?

As declarações do ministro da Defesa, José Múcio, durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), rapidamente ganharam destaque ao afirmar que caso os Estados Unidos decidissem invadir o Brasil, a melhor alternativa seria "abrir o portão", justificando que o país não possui equipamentos nem recursos financeiros para enfrentar uma potência militar dessa dimensão.

Como era esperado, a frase provocou reações políticas e repercutiu intensamente nas redes sociais. No entanto, concentrar o debate apenas na forma como a declaração foi feita significa deixar de lado a questão mais importante levantada pelo ministro: o Brasil investe o suficiente para garantir a proteção de seus interesses estratégicos?

É importante observar que a comparação feita por José Múcio não deve ser interpretada como uma avaliação de um cenário realista. Não existe qualquer indicativo de uma hipótese de conflito entre o Brasil e os Estados Unidos. Os dois países mantêm relações diplomáticas, comerciais e de cooperação militar consolidadas ao longo de décadas. A referência foi utilizada como um recurso para ilustrar a enorme diferença de capacidades militares entre as duas nações e defender a necessidade de ampliar os investimentos em Defesa.

Essa diferença, aliás, não surpreende. Os Estados Unidos destinam anualmente centenas de bilhões de dólares ao setor de Defesa e possuem a maior estrutura militar do mundo, com capacidade de projeção global. Comparações diretas entre os dois países, portanto, não refletem o ambiente estratégico em que o Brasil está inserido.

O verdadeiro debate está em outro ponto. Nenhuma Força Armada é estruturada partindo do pressuposto de que vencerá isoladamente uma superpotência militar. O conceito moderno de Defesa está fundamentado na capacidade de dissuasão, ou seja, na existência de meios suficientes para proteger a soberania nacional, elevar o custo de qualquer agressão e garantir liberdade de decisão ao Estado brasileiro.

Essa capacidade não depende apenas da quantidade de militares ou de equipamentos disponíveis. Ela envolve planejamento de longo prazo, continuidade de programas estratégicos, domínio tecnológico e uma Base Industrial de Defesa capaz de desenvolver, produzir e sustentar sistemas críticos ao longo do tempo.

Nesse aspecto, o Brasil possui ativos importantes. Programas como o PROSUB, responsável pela construção dos submarinos da Classe Riachuelo e pelo futuro Submarino com Propulsão Nuclear, o Programa Fragatas Classe Tamandaré, a incorporação dos caças F-39 Gripen pela Força Aérea Brasileira e a entrada em operação do KC-390 Millennium representam investimentos que fortalecem capacidades estratégicas e impulsionam a indústria nacional de defesa.

Ao mesmo tempo, esses programas também evidenciam um desafio recorrente: a dificuldade de manter previsibilidade orçamentária. Historicamente, projetos estratégicos brasileiros convivem com contingenciamentos, atrasos e oscilações de recursos que impactam cronogramas, aumentam custos e reduzem a capacidade de planejamento das Forças Armadas e da própria Base Industrial de Defesa.

Essa realidade afeta diretamente empresas nacionais, centros de pesquisa e universidades que participam do desenvolvimento de tecnologias críticas. A ausência de estabilidade orçamentária não compromete apenas a aquisição de novos meios, mas também a retenção de conhecimento, a formação de mão de obra altamente especializada e a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Nos últimos dias, o próprio presidente Lula defendeu a necessidade de ampliar a atenção dada ao setor de Defesa, destacando a extensão das fronteiras terrestres brasileiras, a Amazônia, a Amazônia Azul e a importância estratégica dos recursos naturais do país. Independentemente do debate político, esse diagnóstico encontra respaldo na realidade geográfica inquestionável: o Brasil possui responsabilidades compatíveis com sua dimensão continental.

São mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, cerca de 7,4 mil quilômetros de litoral, uma extensa área marítima sob jurisdição nacional (5,7 milhões de km²), grandes reservas de água doce, vastos recursos minerais e a maior floresta tropical do planeta. Proteger esse patrimônio exige muito mais do que efetivos militares. Exige tecnologia, inteligência, logística, presença permanente e capacidade de resposta.

Por essa razão, investir em Defesa não deve ser interpretado como um indicativo de intenções ofensivas. Países investem em suas capacidades militares para preservar a paz, garantir sua soberania e proteger seus interesses nacionais. Da mesma forma que uma sociedade espera não precisar utilizar determinados instrumentos de segurança, mas compreende sua importância, a Defesa Nacional funciona como uma política de Estado voltada à prevenção e à estabilidade.

A frase utilizada por José Múcio certamente continuará sendo objeto de debate político. No entanto, seu maior valor talvez esteja justamente em recolocar a Defesa Nacional no centro de uma discussão que o Brasil frequentemente evita.

O país não precisa construir capacidades militares para enfrentar uma superpotência em um conflito convencional. Essa nunca foi a lógica da estratégia brasileira. O verdadeiro desafio é garantir que as Forças Armadas disponham de meios compatíveis com as responsabilidades constitucionais de proteger a soberania, o território, a população e os interesses estratégicos nacionais.

Mais importante do que responder a uma hipótese improvável é assegurar que programas estratégicos tenham continuidade, que a Base Industrial de Defesa disponha de previsibilidade para investir e inovar, e que o conhecimento desenvolvido ao longo de décadas seja preservado.

A soberania de um país não se mede apenas pelo tamanho de seu território ou pela riqueza de seus recursos naturais. Ela também depende da capacidade de proteger esses ativos, de desenvolver tecnologia própria e de manter uma estrutura de Defesa preparada para responder aos desafios do presente e do futuro.

Nesse contexto, a declaração do ministro deixa uma reflexão que vai além da polêmica: o Brasil está disposto a tratar a Defesa Nacional como uma política estratégica de longo prazo ou continuará discutindo sua importância apenas quando uma frase de impacto ocupar as manchetes?


Por Angelo Nicolaci


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Do sonho de Casimiro Montenegro ao protagonismo da Embraer: como o ITA construiu a base do poder aeroespacial brasileiro

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A visão de um oficial da Força Aérea Brasileira transformou uma área ainda vazia em um dos mais importantes polos tecnológicos do Hemisfério Sul, unindo conhecimento, pesquisa e indústria para construir uma capacidade estratégica nacional

Grandes capacidades nacionais raramente surgem de forma imediata. Elas são resultado de decisões tomadas décadas antes, quando líderes e instituições conseguem enxergar necessidades futuras e compreender que o domínio do conhecimento é uma das principais dimensões da soberania.

A história de São José dos Campos representa um dos exemplos mais emblemáticos dessa realidade no Brasil. No momento em que o Brasil ainda buscava consolidar sua industrialização e dependia fortemente de tecnologia estrangeira, uma visão pioneira começou a mudar o destino da aeronáutica e industria brasileira.

O então oficial da Força Aérea Brasileira, Casimiro Montenegro Filho, compreendia que a construção de uma capacidade aeroespacial nacional não poderia depender exclusivamente da aquisição de equipamentos produzidos no exterior. Para alcançar autonomia, o Brasil precisaria formar seus próprios engenheiros, desenvolver pesquisa aplicada e criar um ambiente onde ciência e indústria pudessem caminhar juntas.

Essa percepção deu origem a um projeto que ultrapassava a criação de uma instituição de ensino. O objetivo era estabelecer uma base tecnológica capaz de gerar conhecimento, transformar esse conhecimento em soluções práticas e posteriormente, criar uma indústria nacional competitiva.

Décadas depois, aquela visão se materializaria no complexo formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e pela indústria aeronáutica instalada em São José dos Campos, tendo na Embraer o maior símbolo dessa trajetória.

Uma visão de futuro antes da existência do próprio polo tecnológico

Um dos episódios mais conhecidos sobre a visão estratégica de Casimiro Montenegro Filho ajuda a compreender a dimensão do projeto que estava sendo construído.

Segundo relatos históricos, durante uma visita ao terreno onde seria implantado o futuro complexo aeronáutico de São José dos Campos, o oficial da Força Aérea Brasileira conduziu uma comitiva por uma área que ainda não apresentava as estruturas que hoje representam um dos maiores polos tecnológicos do país.

Naquele momento, havia apenas um espaço aberto. Não existiam os laboratórios, os centros de pesquisa, as salas de aula e as instalações industriais que posteriormente transformariam completamente aquela região.

Entretanto, para Montenegro Filho, aquele terreno já representava o início de uma nova fase para o Brasil. Diante daquela área, ele apresentou sua visão sobre o futuro do complexo, indicando onde seriam instaladas as estruturas destinadas ao ensino, à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.

O episódio demonstra uma característica fundamental de grandes projetos estratégicos: antes da construção física, existe uma construção intelectual. Antes dos laboratórios e das aeronaves, existe uma ideia capaz de mobilizar pessoas, instituições e recursos em torno de um objetivo nacional.

O que naquele momento parecia apenas um terreno vazio se transformaria, décadas depois, em um dos mais importantes ambientes de inovação tecnológica da América Latina.

O ITA e a construção de uma cultura tecnológica nacional

A criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica representou uma mudança profunda na forma como o Brasil enxergava a formação de profissionais para setores estratégicos.

Inspirado no modelo do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o ITA foi concebido para ser muito mais do que uma escola tradicional de engenharia. A proposta era criar uma instituição capaz de formar profissionais preparados para atuar na vanguarda tecnológica, combinando conhecimento acadêmico, pesquisa e aplicação prática.

A aproximação com centros internacionais de excelência, incluindo a colaboração com pesquisadores como Richard Harbert Smith, contribuiu para estabelecer uma cultura baseada na busca por excelência, inovação e desenvolvimento de soluções próprias.

O grande diferencial estava justamente na integração entre ensino e realidade operacional. Os engenheiros formados pelo ITA não seriam apenas profissionais preparados para ocupar posições técnicas, mas agentes capazes de participar da criação de novas capacidades tecnológicas nacionais.

Essa visão ajudou a estabelecer uma mentalidade tecnológica que se tornaria fundamental para o desenvolvimento posterior da indústria aeronáutica e espacial brasileira.

DCTA: transformando pesquisa em capacidade estratégica

A criação do Centro Técnico de Aeronáutica, posteriormente consolidado como Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), completou a estrutura idealizada por Casimiro Montenegro.

A instituição passou a concentrar atividades fundamentais para o desenvolvimento tecnológico nacional, incluindo pesquisa, ensaios, validação e desenvolvimento de soluções aeronáuticas.

A proximidade entre ITA e DCTA criou um ambiente singular, no qual formação acadêmica e pesquisa aplicada se complementavam. Estudantes, pesquisadores, engenheiros e militares passaram a compartilhar desafios e buscar soluções dentro de uma mesma estrutura.

Ao longo das décadas, esse modelo permitiu avanços em áreas essenciais para o setor aeroespacial, como aerodinâmica, estruturas aeronáuticas, materiais avançados, sistemas embarcados, certificação e engenharia de produção.

Mais do que criar instalações físicas, o Brasil construiu uma capacidade humana e tecnológica que permitiria posteriormente transformar conhecimento em produtos e sistemas de alto valor estratégico.

Da formação de engenheiros ao nascimento da Embraer

O passo decisivo dessa trajetória ocorreu em 1969, com a criação da Embraer.

A empresa representou a transformação do conhecimento acumulado no ambiente de São José dos Campos em uma capacidade industrial concreta. Profissionais formados nesse ecossistema, entre eles Ozires Silva, engenheiro graduado pelo ITA e um dos principais nomes ligados à criação da companhia, tiveram papel fundamental nesse processo.

A trajetória da Embraer demonstraria que o Brasil poderia desenvolver aeronaves próprias, dominar processos complexos de engenharia e certificação e competir em um mercado altamente sofisticado.

O sucesso internacional alcançado pela empresa não pode ser analisado apenas como uma conquista empresarial. Ele representa o resultado de uma estratégia construída ao longo de décadas, baseada na formação de recursos humanos, no investimento em pesquisa e na aproximação entre Estado, academia e indústria.

A Embraer tornou-se o símbolo mais conhecido desse processo, mas sua existência está diretamente ligada ao ecossistema criado anteriormente.

São José dos Campos e a Base Industrial de Defesa brasileira

A evolução desse polo tecnológico ultrapassou os limites da aviação e transformou São José dos Campos como um dos principais centros de desenvolvimento tecnológico do Brasil.

Ao redor do ITA, do DCTA e da Embraer consolidou-se uma cadeia formada por empresas, centros de pesquisa e profissionais especializados que atuam em diferentes áreas estratégicas, incluindo defesa, espaço, sistemas embarcados, eletrônica, inteligência artificial e tecnologias de alta complexidade.

Essa concentração de conhecimento transformou a cidade em um dos principais núcleos da Base Industrial de Defesa brasileira.

Uma BID forte não representa apenas a capacidade de fabricar equipamentos militares. Ela envolve todo um ecossistema de engenharia, pesquisa, inovação e formação profissional capaz de sustentar projetos estratégicos ao longo do tempo.

Nos últimos anos, o GBN Defense tem buscado ampliar a divulgação da importância da Base Industrial de Defesa brasileira, acompanhando de perto empresas e instituições que fazem parte dessa cadeia tecnológica.

Nesse contexto, São José dos Campos ocupa uma posição especial, não apenas pela presença de organizações de referência, mas pelo papel histórico que desempenha na construção da capacidade tecnológica nacional.

As visitas realizadas pelo editor do GBN Defense, Angelo Nicolaci, a empresas que integram esse polo reforçam a importância de mostrar ao público a dimensão desse patrimônio tecnológico brasileiro, revelando os profissionais, processos e conhecimentos que estão por trás das capacidades desenvolvidas no Brasil.

O desafio de preservar uma capacidade construída ao longo de décadas

O cenário tecnológico mundial passa atualmente por uma transformação acelerada. Inteligência artificial, sistemas autônomos, veículos não tripulados, novas tecnologias espaciais e materiais avançados estão modificando profundamente a forma como as nações desenvolvem suas capacidades estratégicas. Nesse ambiente, possuir conhecimento próprio tornou-se um dos principais elementos de poder.

A história de São José dos Campos demonstra que capacidades dessa magnitude não são construídas rapidamente. Elas exigem planejamento, continuidade institucional e investimentos consistentes ao longo de gerações.

O desafio brasileiro para o futuro será preservar e ampliar esse patrimônio, fortalecendo a integração entre universidades, centros de pesquisa, Forças Armadas e indústria.

Análise do GBN Defense

A trajetória que conecta Casimiro Montenegro Filho, ITA, DCTA e Embraer representa uma das maiores demonstrações brasileiras de que tecnologia também é uma dimensão do poder nacional.

O desenvolvimento de uma indústria aeronáutica reconhecida mundialmente não aconteceu por acaso. Ele foi resultado de uma decisão estratégica que compreendeu, ainda décadas atrás, que conhecimento e formação de pessoas seriam os fundamentos para construir autonomia.

O maior legado desse projeto não está apenas nas aeronaves produzidas ou nas empresas que surgiram a partir dele, mas na capacidade tecnológica criada ao longo de gerações.

São José dos Campos tornou-se a prova de que uma visão de longo prazo pode transformar a realidade de um país.

A história iniciada por Casimiro Montenegro Filho demonstra que a soberania tecnológica começa muito antes da entrega de um equipamento. Ela nasce nos laboratórios, nas universidades, nos centros de pesquisa e nas pessoas que dedicam suas carreiras a transformar conhecimento em capacidade nacional.

É essa trajetória que mantém o Brasil entre os poucos países capazes de projetar, desenvolver e produzir aeronaves competitivas no cenário mundial, e que faz do polo tecnológico de São José dos Campos um dos mais importantes patrimônios estratégicos do país.


Por Angelo Nicolaci


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Marinha, Embraer e INPE defendem salvaguardas técnicas em consulta da Anatel sobre uso da Banda S pela Starlink

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As contribuições apresentadas pelas instituições brasileiras destacam oportunidades para ampliar a segurança marítima, mas também alertam para a necessidade de proteger sistemas críticos utilizados pela aviação e pelo programa espacial brasileiro

A consulta pública aberta pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para avaliar a utilização da Banda S pela Starlink ganhou novos contornos com a participação de três instituições que desempenham papel estratégico para a soberania nacional: a Marinha do Brasil, a Embraer e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Embora as discussões em torno da autorização solicitada pela empresa de Elon Musk tenham sido inicialmente acompanhadas principalmente pelas operadoras de telecomunicações, as manifestações apresentadas por esses órgãos evidenciam que a decisão da Anatel ultrapassa o universo das comunicações comerciais e envolve diretamente atividades relacionadas à defesa, à segurança da navegação, ao desenvolvimento aeronáutico e ao programa espacial brasileiro.

Cada instituição apresentou preocupações específicas, mas todas convergem para um ponto em comum: a expansão dos serviços via satélite deve ocorrer sem comprometer sistemas já consolidados e considerados essenciais para o país.

Marinha propõe contrapartida para fortalecer operações de busca e salvamento

Entre as contribuições apresentadas à Consulta Pública nº 29, a Marinha do Brasil propôs que uma eventual autorização para utilização da Banda S pela Starlink seja condicionada à implementação de uma funcionalidade considerada estratégica para as operações de Busca e Salvamento (Search and Rescue – SAR).

A proposta prevê que os serviços de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis (Direct-to-Device – D2D) permitam o encaminhamento gratuito de mensagens de emergência para o número 185, canal utilizado pelo Serviço de Busca e Salvamento da Marinha.

Segundo a Força, o sistema atualmente empregado para o roteamento das chamadas depende da identificação do código de área (DDD) ou da estação rádio-base utilizada pelo usuário, um modelo que deixa de ser eficiente em regiões oceânicas, justamente onde inexistem redes terrestres de telefonia e onde as operações de busca e salvamento frequentemente acontecem.

Na avaliação da Marinha, a conectividade direta entre satélites e telefones móveis poderá representar um avanço importante para a segurança da navegação, permitindo que embarcações, pescadores e pessoas em situação de emergência consigam acionar o serviço mesmo em áreas completamente desprovidas de cobertura celular convencional.

Além disso, a instituição propôs que a futura infraestrutura também seja utilizada para a transmissão georreferenciada de alertas marítimos, avisos rádio-náuticos, previsões meteorológicas e comunicados de mau tempo, aproveitando uma capacidade semelhante à empregada pelo sistema Defesa Civil Alerta.

Caso implementada, essa funcionalidade ampliaria significativamente a capacidade de disseminação de informações críticas para embarcações e pessoas que navegam em regiões afastadas da costa brasileira.

Embraer alerta para riscos à telemetria utilizada em ensaios de voo

Enquanto a Marinha concentrou sua manifestação nas possibilidades operacionais oferecidas pela nova tecnologia, a Embraer direcionou sua contribuição para a preservação das condições técnicas necessárias ao desenvolvimento e certificação de aeronaves.

A fabricante destacou que a faixa imediatamente adjacente à Banda S pretendida pela Starlink, compreendida entre 2.200 MHz e 2.290 MHz, possui utilização consolidada para sistemas de telemetria empregados em ensaios de voo.

Esses sistemas são responsáveis pela transmissão, em tempo real, de dados fundamentais sobre o comportamento da aeronave durante campanhas de desenvolvimento e certificação, permitindo que engenheiros monitorem parâmetros críticos de desempenho e segurança.

Por trabalharem com sinais de baixa potência captados por receptores de elevada sensibilidade instalados em estações terrestres, esses sistemas podem ser particularmente suscetíveis a interferências provenientes de operações em frequências próximas.

Em sua manifestação, a Embraer defende que qualquer autorização concedida à Starlink preserve integralmente as condições operacionais atualmente existentes, evitando que novos serviços imponham limitações técnicas ou operacionais às atividades aeronáuticas já autorizadas.

A empresa ressalta que o avanço das comunicações via satélite não pode ocorrer em detrimento de sistemas considerados essenciais para a pesquisa, desenvolvimento e certificação de novas aeronaves.

INPE busca proteger comunicações com satélites brasileiros

Preocupação semelhante foi apresentada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável por parte significativa das atividades espaciais brasileiras.

O instituto alertou para a necessidade de proteger as operações das estações terrenas de rastreio, telemetria e comando (TT&C), utilizadas para controlar satélites nacionais.

Segundo o INPE, dependendo da posição definitiva do bloco de frequências que venha a ser destinado à Starlink, poderá haver redução ou até mesmo ausência de margem de separação em relação às faixas empregadas pelo Serviço de Operação Espacial.

Na prática, isso poderia aumentar o risco de interferências sobre sistemas responsáveis pela comunicação entre os satélites e as estações de controle instaladas em solo.

Por essa razão, o instituto solicitou que a Anatel avalie cuidadosamente a posição final do bloco destinado à operadora e estabeleça requisitos técnicos, como máscaras de emissão e critérios de rejeição de canais adjacentes, capazes de garantir a proteção das comunicações espaciais brasileiras.

Uma decisão que vai além das telecomunicações

A consulta pública da Anatel demonstra que a expansão dos serviços de conectividade via satélite envolve desafios muito mais amplos do que a oferta de internet ou telefonia em áreas remotas.

A definição sobre o uso da Banda S exigirá o equilíbrio entre inovação tecnológica, ampliação da conectividade e preservação de serviços considerados críticos para setores estratégicos do Estado brasileiro.

A própria proposta da Starlink prevê a utilização de uma parcela dessa faixa para a oferta de serviços D2D, tecnologia que permite a comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis compatíveis, eliminando, em determinadas situações, a necessidade de infraestrutura terrestre convencional.

Embora essa capacidade possa ampliar significativamente a cobertura em regiões isoladas, ela também exige cuidados para evitar impactos sobre sistemas que operam em frequências adjacentes e desempenham funções essenciais para a segurança operacional.



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Fundação Corpo de Fuzileiros Navais nasce com a missão de ampliar capacidades em treinamento, inovação e transformação social

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A nova instituição criada pela Marinha do Brasil busca fortalecer a formação dos combatentes anfíbios, apoiar pesquisa tecnológica e ampliar projetos culturais, esportivos e ambientais ligados ao Corpo de Fuzileiros Navais

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil deu um novo passo no fortalecimento de suas capacidades institucionais com a inauguração da Fundação Corpo de Fuzileiros Navais (FCFN), realizada no dia 30 de julho, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Mais do que a criação de uma estrutura administrativa, a Fundação representa uma iniciativa voltada a ampliar o suporte às atividades de formação, treinamento, pesquisa, inovação e desenvolvimento de projetos com impacto social, consolidando uma nova ferramenta para fortalecer uma das forças de elite da Marinha brasileira.

A cerimônia marcou o início de uma nova etapa na relação entre o Corpo de Fuzileiros Navais, a sociedade e os diferentes setores envolvidos no desenvolvimento tecnológico e humano.

A programação de inauguração contou com uma apresentação da Banda Marcial dos Fuzileiros Navais no calçadão de Copacabana e nas proximidades do MIS, seguida pela solenidade oficial no terraço do museu, que teve como destaque a apresentação da Banda Sinfônica dos Fuzileiros Navais.

O concerto, além de celebrar a criação da Fundação, reforçou a dimensão cultural da nova instituição, apresentando um repertório que conectou diferentes expressões musicais brasileiras e internacionais, simbolizando a aproximação entre tradição, cultura e inovação.

A participação de crianças integrantes do Programa Forças no Esporte (PROFESP), desenvolvido pelo Batalhão Naval, também evidenciou uma das vertentes centrais da iniciativa: utilizar projetos sociais, esportivos e educacionais como instrumentos de transformação e inclusão.

Uma nova ferramenta para fortalecer a capacidade dos Fuzileiros Navais

A criação da Fundação Corpo de Fuzileiros Navais está inserida em uma visão mais ampla de fortalecimento institucional, buscando ampliar mecanismos de apoio ao desenvolvimento profissional dos militares, ao aprimoramento da educação e ao incentivo à inovação.

O Corpo de Fuzileiros Navais possui uma característica singular dentro da estrutura da Marinha do Brasil, sendo responsável por operações anfíbias, ações de segurança marítima, operações ribeirinhas, defesa de instalações estratégicas e diversas missões que exigem elevado nível de preparo, mobilidade e integração operacional.

Nesse contexto, a FCFN surge como uma ferramenta complementar para apoiar iniciativas relacionadas ao treinamento, educação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

A proposta é criar condições para transformar conhecimento em capacidades, fortalecendo áreas consideradas fundamentais para a evolução dos combatentes anfíbios e para a manutenção da prontidão operacional.

Três eixos de atuação para ampliar capacidades

A Fundação terá sua atuação organizada em três grandes áreas estratégicas.

O primeiro eixo está relacionado ao treinamento e educação, com foco no apoio à formação e ao aperfeiçoamento profissional dos integrantes do Corpo de Fuzileiros Navais.

A evolução dos conflitos contemporâneos demonstra que a preparação militar depende cada vez mais de treinamento contínuo, atualização doutrinária e acesso a novos métodos de ensino e capacitação.

O segundo eixo envolve pesquisa e inovação, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções aplicadas às necessidades dos Fuzileiros Navais.

Em um ambiente operacional marcado pelo avanço de sistemas autônomos, inteligência artificial, guerra eletrônica e novas tecnologias de combate, a capacidade de inovar tornou-se um elemento essencial para qualquer força militar moderna.

Já o terceiro eixo está voltado aos projetos socioculturais, esportivos e ambientais, ampliando a conexão entre os Fuzileiros Navais e a sociedade.

Essa vertente busca apoiar iniciativas capazes de gerar impacto social positivo, utilizando valores tradicionalmente associados à formação militar, como disciplina, responsabilidade, cooperação e liderança.

Cultura, tradição e inovação como elementos estratégicos

A escolha do Museu da Imagem e do Som como palco da inauguração também reforça um aspecto simbólico da nova Fundação.

O Corpo de Fuzileiros Navais possui uma forte tradição histórica, construída ao longo de mais de dois séculos de atuação, mas também enfrenta o desafio permanente de acompanhar a transformação tecnológica e operacional dos conflitos modernos.

A FCFN representa justamente essa conexão entre passado e futuro.

De um lado, preserva valores institucionais ligados à cultura, tradição e identidade dos Fuzileiros Navais. De outro, busca criar instrumentos para apoiar inovação, pesquisa e desenvolvimento de novas capacidades.

Essa combinação é cada vez mais relevante em um cenário no qual forças militares modernas precisam equilibrar excelência operacional, domínio tecnológico e integração com a sociedade.

Impacto estratégico para o Corpo de Fuzileiros Navais

A criação da Fundação ocorre em um momento em que as Forças Armadas brasileiras buscam ampliar mecanismos de cooperação com diferentes setores da sociedade, aproximando instituições militares, academia, empresas e centros de pesquisa.

Para o Corpo de Fuzileiros Navais, uma estrutura dedicada ao apoio de projetos estratégicos pode representar uma oportunidade para acelerar iniciativas relacionadas à capacitação, inovação e desenvolvimento humano.

Ao estimular pesquisas, apoiar programas educacionais e fomentar projetos tecnológicos, a Fundação pode contribuir para fortalecer uma força que tem como característica principal a capacidade de operar em ambientes complexos e multidomínio.

Análise do GBN Defense

A criação da Fundação Corpo de Fuzileiros Navais demonstra uma tendência observada nas principais forças militares do mundo: a busca por novos modelos capazes de integrar treinamento, conhecimento, inovação e relacionamento com a sociedade.

Mais do que uma instituição voltada apenas ao apoio administrativo, a FCFN representa uma ferramenta estratégica para ampliar a capacidade de desenvolvimento do Corpo de Fuzileiros Navais.

No cenário atual, em que tecnologia, preparo humano e capacidade de adaptação definem vantagens operacionais, iniciativas que aproximam educação, pesquisa e inovação tornam-se fundamentais.

Os Fuzileiros Navais brasileiros possuem uma longa tradição de excelência operacional. O desafio agora é garantir que essa tradição continue evoluindo diante das novas demandas do ambiente de segurança e defesa.

A Fundação Corpo de Fuzileiros Navais nasce justamente com esse propósito: transformar conhecimento, recursos e oportunidades em capacidades que fortaleçam o combatente anfíbio brasileiro e ampliem a contribuição da instituição para o país.


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SARP Harpia amplia capacidade de monitoramento aéreo da Segurança Pública do Amazonas

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A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), por meio do Departamento Integrado de Operações com Veículos Aéreos Não Tripulados (DIOVANT), segue ampliando o emprego de tecnologias avançadas para fortalecer as ações de prevenção e combate à criminalidade no estado. Entre os sistemas utilizados destaca-se o SARP Harpia, que proporciona monitoramento aéreo em tempo real e amplia significativamente a capacidade de consciência situacional das forças de segurança.

Em vídeo divulgado pela SSP-AM, o DIOVANT destacou que o investimento em tecnologia tem como objetivo manter as equipes "um passo à frente" dos desafios enfrentados diariamente na segurança pública. Na ocasião, o SARP Harpia foi empregado em uma operação de monitoramento preventivo realizada na região da Cidade Universitária, demonstrando sua capacidade de apoiar as forças de segurança.

Durante a operação, o sistema realizou o acompanhamento aéreo da área, fornecendo uma ampla visão do terreno e transmitindo imagens de alta resolução em tempo real para os operadores. Essa capacidade permite maior agilidade na tomada de decisões e no planejamento, aumentando a eficiência das operações e reduzindo o tempo de resposta diante de ocorrências.


Segundo a SSP-AM, o monitoramento tem como foco a identificação e o mapeamento de áreas de risco e regiões com maior incidência de atuação do crime organizado. As informações obtidas pelo SARP Harpia subsidiam o planejamento das operações integradas envolvendo a Polícia Militar, a Polícia Civil e demais órgãos da Secretaria de Segurança Pública, permitindo direcionar de forma mais eficiente o policiamento ostensivo e as ações de inteligência, contribuindo para o fortalecimento da segurança da população amazonense.

O emprego de sistemas de aeronaves remotamente pilotadas tornou-se um importante multiplicador de capacidades para as forças de segurança pública, especialmente em estados com características geográficas complexas como o Amazonas. A combinação entre monitoramento persistente, transmissão de imagens em tempo real e elevada autonomia operacional amplia a cobertura das equipes em solo, aumenta a consciência situacional e eleva a efetividade das ações de prevenção e repressão ao crime.

O sistema empregado pela SSP-AM é o SARP Harpia, uma aeronave remotamente pilotada de fabricação nacional, produzido na sede da ADTECH-SD, em São José dos Campos (SP). Inicialmente, o Governo do Amazonas adquiriu duas aeronaves Harpia para reforçar as capacidades operacionais do DIOVANT, consolidando o emprego de tecnologia nacional de alta performance.

Projetado para missões de longa duração, o Harpia pode ser preparado para voo em até de 20 minutos e operar a partir de locais sem qualquer infraestrutura aeroportuária, característica que lhe permite atuar com elevada flexibilidade em regiões remotas e de difícil acesso. O sistema possui autonomia de até 10 horas de voo, consumindo apenas cinco litros de gasolina comum, combinando baixo custo logístico, elevada disponibilidade operacional e grande capacidade de permanência sobre a área de interesse.

Além da elevada autonomia, o SARP Harpia transmite imagens de alta resolução em tempo real para os centros de comando e controle, fornecendo informações essenciais para o planejamento das operações e o emprego coordenado das equipes em solo. Essas capacidades fazem do sistema uma importante ferramenta para missões de vigilância, monitoramento, inteligência e reconhecimento.

O emprego do SARP Harpia pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas evidencia a crescente incorporação de soluções tecnológicas desenvolvidas pela Base Industrial de Defesa brasileira. Ao reunir elevada eficiência operacional, simplicidade logística e tecnologia nacional, o sistema contribui para ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança e reforça o potencial da indústria brasileira no desenvolvimento de plataformas aéreas voltadas às demandas dos órgãos de segurança e defesa.

Sobre a ADTECH

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira, reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas de alta performance para segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico.

Com sede em São José dos Campos (SP), a empresa reúne profissionais com décadas de experiência no setor aeronáutico e atua no desenvolvimento e operação de sistemas avançados de aeronaves não tripuladas, além de soluções integradas de vigilância e inteligência.
Seus sistemas são concebidos com foco em alta autonomia, modularidade e adaptabilidade, atendendo às demandas de missões críticas em ambientes complexos e de elevada exigência operacional.



Fonte: ADTECH-SD via GBN Media Solutions 
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Guerra com o Irã expõe vulnerabilidade dos estoques de mísseis de precisão dos Estados Unidos

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Os cinco meses de operações militares dos Estados Unidos contra o Irã revelaram um desafio que vai muito além do campo de batalha. Segundo informações obtidas pela Reuters junto a fontes familiarizadas com dados internos do governo norte-americano, o conflito consumiu grande parte dos estoques de mísseis de longo alcance de alta precisão do Exército dos EUA, levantando preocupações sobre a capacidade de Washington sustentar uma guerra prolongada e simultaneamente, manter seu poder de dissuasão diante de adversários como China e Rússia.

De acordo com as fontes, os militares americanos utilizaram praticamente todo o estoque disponível de mísseis ATACMS (Army Tactical Missile System) e uma parcela significativa dos mais modernos Precision Strike Missile (PrSM). Essas armas, capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância com elevada precisão, tornaram-se um dos principais instrumentos da campanha contra o Irã por permitirem ataques sem a necessidade de expor aeronaves tripuladas às sofisticadas defesas antiaéreas iranianas.

A redução dos estoques ocorre justamente em um momento de transição tecnológica. O ATACMS, amplamente empregado pelo Exército dos EUA e também fornecido à Ucrânia, está sendo gradualmente substituído pelo PrSM, que oferece maior alcance, melhor precisão e arquitetura preparada para futuras evoluções. No entanto, como o novo míssil ainda se encontra em fase de expansão da produção, os volumes disponíveis permanecem relativamente limitados, tornando seu consumo em larga escala um fator de preocupação para o Pentágono.

O impacto da guerra também se estende a outras capacidades estratégicas. Segundo o Center for Strategic and International Studies (CSIS), cerca de 65% dos interceptores Patriot foram empregados entre fevereiro e julho, enquanto os estoques do sistema THAAD sofreram uma redução estimada em pelo menos 38%. Além disso, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que quase metade dos mísseis de cruzeiro Tomahawk disponíveis globalmente também foi utilizada durante as operações, demonstrando a intensidade do esforço militar norte-americano.

Embora a Casa Branca tenha minimizado as preocupações, afirmando que os Estados Unidos possuem mais munições do que qualquer outro país e que a indústria de defesa está ampliando sua capacidade produtiva em níveis recordes, especialistas alertam que aumentar a produção de armamentos dessa complexidade não é um processo imediato. Mísseis como o PrSM, Tomahawk, Patriot e THAAD exigem cadeias industriais altamente especializadas, componentes eletrônicos sofisticados e ciclos de fabricação que podem levar meses ou até anos para atender plenamente à demanda.

Outro aspecto que chama atenção é o impacto estratégico dessa redução sobre o planejamento militar americano. A disponibilidade de mísseis de longo alcance constitui um dos pilares da estratégia dos Estados Unidos para enfrentar adversários dotados de sistemas avançados de defesa aérea, como China e Rússia. Em um eventual conflito no Indo-Pacífico, por exemplo, essas armas seriam fundamentais para neutralizar radares, centros de comando, sistemas antiaéreos e bases militares sem expor pilotos e aeronaves a elevados riscos.

A guerra contra o Irã evidencia um problema que vem sendo discutido há alguns anos entre analistas militares: mesmo a maior potência militar do mundo encontra dificuldades para sustentar um conflito de alta intensidade por um período prolongado. As campanhas na Ucrânia e, agora, no Oriente Médio demonstram que o consumo de munições de precisão supera, em muitos casos, a capacidade da indústria de defesa de repor rapidamente os estoques.

Esse cenário reforça uma tendência observada em diversas potências militares: o fortalecimento da base industrial de defesa passou a ser tão estratégico quanto o desenvolvimento de novos sistemas de armas. Mais do que possuir equipamentos tecnologicamente avançados, a capacidade de produzi-los em grande escala e de forma contínua tornou-se um fator decisivo para sustentar operações prolongadas. Para os Estados Unidos, a rápida expansão da produção de mísseis como o PrSM, Tomahawk, Patriot e THAAD será determinante não apenas para recompor seus estoques, mas também para preservar sua capacidade de dissuasão em um ambiente internacional marcado pela competição simultânea com Rússia, China e outros atores estratégicos.


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F-16 poloneses voltam a interceptar aeronave de inteligência russa sobre o Mar Báltico

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A Força Aérea Polonesa voltou a ser acionada para interceptar uma aeronave de inteligência eletrônica russa que operava nas proximidades do espaço aéreo da OTAN sobre o Mar Báltico. O incidente ocorreu na segunda-feira (3), apenas três dias após uma operação semelhante, evidenciando a continuidade das missões de coleta de informações conduzidas pela aviação russa junto ao flanco leste da Aliança Atlântica.

Segundo o ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, dois caças F-16 foram acionados para identificar uma aeronave de reconhecimento Ilyushin Il-20 que voava aproximadamente 60 quilômetros a noroeste da cidade costeira de Łeba. Embora o voo tenha permanecido em espaço aéreo internacional, a proximidade com o território polonês exigiu a aplicação dos procedimentos de policiamento aéreo da OTAN.

O episódio repetiu praticamente o mesmo padrão observado em 31 de julho, quando outro Il-20 foi interceptado a cerca de 40 quilômetros ao norte de Kołobrzeg. Em ambos os casos, as aeronaves russas operavam sem plano de voo apresentado às autoridades civis de controle de tráfego aéreo, com os transponders desligados e sem manter comunicações por rádio, procedimento que dificulta sua identificação pelos sistemas civis e aumenta os riscos para a segurança da navegação aérea.

Diante desse cenário, os F-16 poloneses executaram os protocolos previstos para missões de Quick Reaction Alert (QRA), realizando a identificação visual da aeronave por meio de sensores embarcados e contato direto antes de acompanhá-la até que deixasse a área considerada de interesse operacional para a defesa aérea da Polônia.

A aeronave interceptada, o Ilyushin Il-20, desempenha um papel estratégico dentro da estrutura de inteligência das Forças Aeroespaciais Russas. Derivado da plataforma da aeronave de transporte Il-18, o modelo é dedicado a missões de Inteligência Eletrônica (ELINT) e Inteligência de Sinais (SIGINT), sendo equipado para interceptar emissões de radares, comunicações militares e outros sinais eletromagnéticos produzidos pelos sistemas de defesa de potenciais adversários.

Essas missões possuem um objetivo bem definido. Ao operar próximo às fronteiras da OTAN, a Rússia busca induzir a ativação dos radares terrestres, centros de comando e aeronaves de alerta da Aliança. Cada interceptação permite registrar assinaturas eletrônicas, frequências de radares, protocolos de comunicação e, principalmente, medir o tempo necessário para que toda a cadeia de defesa aérea, da detecção inicial ao acionamento dos caças interceptadores, entre em funcionamento. Essas informações são posteriormente utilizadas para aperfeiçoar bancos de dados de guerra eletrônica e planejamento operacional.

Os incidentes registrados nas últimas semanas indicam que essas operações não são eventos isolados, mas parte de uma campanha sistemática de coleta de inteligência conduzida pela Rússia sobre o Mar Báltico. Além dos Il-20, a Polônia já relatou a presença de caças Su-30SM2 realizando voos próximos a exercícios militares da OTAN, evidenciando o interesse russo em monitorar a atividade militar da Aliança na região e ampliar seu conhecimento sobre os sistemas de defesa do flanco oriental.


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Colômbia confirma aquisição do KC-390 Millennium

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A Embraer anunciou nesta terça-feira (4) a assinatura do contrato para o aquisição de duas aeronaves multimissão KC-390 Millennium para Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC), consolidando um dos mais importantes programas de modernização da aviação militar colombiana dos últimos anos. Com a decisão, a Colômbia torna-se o primeiro país da América Latina, além do Brasil, a incorporar o KC-390 à sua frota e o 13º operador da aeronave a nível mundial.

O contrato vai além do fornecimento das aeronaves, contemplando equipamentos de missão, um pacote integrado de suporte logístico e manutenção, além de um programa de cooperação industrial desenvolvido para atender às exigências regulatórias colombianas. A aquisição amplia significativamente a capacidade estratégica da FAC, que passará a contar com uma plataforma capaz de executar tanto missões militares quanto operações de apoio à população em situações de emergência.

Projetado para atender às demandas operacionais do século XXI, o KC-390 Millennium reúne em uma única plataforma capacidades de transporte de tropas e cargas, lançamento aeroterrestre de pessoal e equipamentos, evacuação aeromédica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios, ajuda humanitária e resposta a desastres naturais. Quando equipado com o sistema de reabastecimento em voo (REVO), a aeronave também pode atuar como avião-tanque, além receber combustível em voo, ampliando consideravelmente seu alcance e flexibilidade operacional.

Um dos aspectos estratégicos da aquisição é a plena interoperabilidade entre o KC-390 e os caças Saab Gripen recentemente adquiridos pela Colômbia. A capacidade de realizar missões de reabastecimento em voo permitirá ampliar o raio de ação da aviação de combate colombiana, aumentando a permanência das aeronaves em operação e fortalecendo a capacidade de resposta da FAC em diferentes cenários.

Segundo Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, a escolha representa mais um passo na sólida relação entre a empresa brasileira e a Colômbia. A parceria teve início há mais de três décadas, com a incorporação do EMB-312 Tucano, posteriormente ampliada com a aquisição do A-29 Super Tucano, e agora alcança um novo patamar com a introdução da aeronave de transporte militar mais avançada já desenvolvida pela Embraer.

Com capacidade para transportar até 26 toneladas de carga útil, velocidade de cruzeiro de aproximadamente 470 nós e operação em pistas semipreparadas ou não pavimentadas, o KC-390 vem se consolidando como uma alternativa moderna para substituir aeronaves de transporte de gerações anteriores. Sua elevada disponibilidade operacional, aliada aos menores custos de operação e manutenção quando comparado a concorrentes da mesma categoria, tem sido um dos principais fatores para seu crescente sucesso no mercado internacional.

Além da Força Aérea Brasileira, o KC-390 já foi selecionado por Portugal, Hungria, República da Coreia, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia, Lituânia e, agora, pela Colômbia. A ampliação contínua da base de operadores fortalece a interoperabilidade entre forças aéreas parceiras e consolida a aeronave como uma das principais referências mundiais no segmento de transporte militar tático e estratégico.

A aquisição do KC-390 representa mais do que a substituição de uma capacidade de transporte aéreo para a Colômbia. A combinação da nova aeronave com a futura frota de Gripen cria uma estrutura operacional moderna, capaz de ampliar significativamente a projeção de poder, a mobilidade estratégica e a capacidade de resposta da FAC em missões militares e humanitárias. Para a Embraer, o contrato reforça a posição do KC-390 como um dos principais produtos de defesa do Brasil e consolida sua presença na América Latina, abrindo espaço para futuras oportunidades de exportação na região.


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Visita da Ambipar Robotics à ARES levanta especulações sobre um futuro SVTRP armado com a SARC REMAX 4

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A recente visita de representantes da Ambipar Robotics às instalações da ARES Aeroespacial e Defesa chamou a atenção. Embora nenhuma parceria ou novo produto tenha sido anunciado oficialmente, o encontro alimentou especulações sobre uma possível evolução dos sistemas terrestres não tripulados desenvolvidos no país.

A hipótese não surge por acaso. Recentemente, o Exército Brasileiro apresentou um veículo terrestre não tripulado (UGV) desenvolvido sobre uma plataforma da Ambipar Robotics, equipado com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2 AC, da SIATT. O demonstrador, fruto da cooperação entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx), a Ambipar Robotics e a SIATT, evidenciou a capacidade da indústria nacional de integrar plataformas robóticas com sistemas de armas de alta tecnologia.

Ao mesmo tempo, a ARES consolidou a SARC REMAX 4 como uma das mais modernas estações de armas remotamente controladas produzidas no Brasil. O sistema já foi adotado pelo Exército Brasileiro e foi concebido para equipar diferentes plataformas, proporcionando maior proteção ao operador e elevada consciência situacional.

Nesse contexto, a visita da Ambipar Robotics à ARES naturalmente desperta uma pergunta: seria possível vermos, em um futuro próximo, um Sistema de Veículo Terrestre Remotamente Pilotado (SVTRP) equipado com uma torre SARC REMAX 4?

Do ponto de vista técnico, essa evolução parece plausível. Se a integração de um lançador de mísseis anticarro ao UGV já foi demonstrada, a incorporação de uma estação de armas remotamente controlada representa um passo lógico dentro da evolução dessas plataformas. Um sistema dessa natureza poderia desempenhar missões de reconhecimento armado, proteção de instalações estratégicas, segurança de fronteiras, escolta de comboios e apoio a tropas em áreas de elevado risco, reduzindo significativamente a exposição direta dos militares.

Naturalmente, a integração de um armamento desse porte exige a solução de diversos desafios técnicos, como gerenciamento de energia, estabilização da plataforma, integração entre sensores e sistemas de comando e controle, além dos aspectos doutrinários relacionados ao emprego de veículos terrestres armados não tripulados.

É importante destacar que, até o momento, não existe qualquer anúncio oficial indicando que a Ambipar Robotics e a ARES estejam desenvolvendo um UGV equipado com a SARC REMAX 4. A análise apresentada baseia-se exclusivamente em fatos públicos, como a apresentação do UGV armado com o míssil MAX 1.2 AC e a recente visita institucional à ARES, e na avaliação das capacidades tecnológicas já demonstradas pelas empresas envolvidas.

Se essa convergência vier a se confirmar no futuro, o Brasil poderá dar mais um passo importante na consolidação de uma capacidade nacional em sistemas terrestres não tripulados armados, reunindo em uma única plataforma tecnologias desenvolvidas por empresas da própria Base Industrial de Defesa.


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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

GSI abre licitação para aquisição de oito drones destinados à segurança presidencial

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O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) abriu um processo licitatório para a aquisição de oito sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (drones), que serão empregados pela Secretaria de Segurança Presidencial em missões de proteção, monitoramento e apoio às operações de segurança.

O aviso do Pregão Eletrônico nº 90005/2026 foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (3), prevendo o registro de preços para a compra dos equipamentos, classificados como bens permanentes. A licitação será realizada por meio do Portal de Compras do Governo Federal e está dividida em três itens.

As propostas poderão ser enviadas a partir desta segunda-feira (3), enquanto a abertura da sessão pública está marcada para o dia 13 de agosto, às 9h30.

Embora o edital não detalhe, no aviso de licitação, os modelos ou especificações técnicas dos drones, a aquisição faz parte do processo de modernização dos recursos empregados pela Secretaria de Segurança Presidencial, responsável pela proteção do Presidente da República, do Vice-Presidente, de autoridades nacionais e estrangeiras, além da segurança das instalações da Presidência.

Drones ampliam capacidade de vigilância

Nos últimos anos, os sistemas aéreos não tripulados passaram a desempenhar papel cada vez mais importante nas atividades de segurança institucional. Além de fornecerem imagens em tempo real, esses equipamentos permitem ampliar a consciência situacional das equipes em solo, realizar reconhecimento de áreas, monitorar deslocamentos e apoiar o planejamento de operações com menor exposição dos agentes.

Dependendo da configuração adotada pelo órgão, os drones podem ser equipados com câmeras de alta resolução, sensores térmicos, sistemas de transmissão de vídeo em tempo real e recursos de navegação autônoma, tornando-se importantes multiplicadores de força em operações de proteção de autoridades e grandes eventos.

Processo de aquisição

De acordo com o aviso publicado pelo GSI, o processo tramita sob o número 00185.006186/2025-56 e será conduzido na modalidade de pregão eletrônico, por meio do sistema Compras.gov.br.

O edital completo, que reúne as especificações técnicas, requisitos operacionais e demais condições da contratação, está disponível para consulta no Portal Nacional de Compras Públicas e na página oficial de licitações da Casa Civil.

A aquisição reforça a tendência de ampliação do emprego de sistemas não tripulados por órgãos federais brasileiros, acompanhando um movimento observado tanto nas áreas de defesa quanto de segurança pública, onde drones passaram a desempenhar funções essenciais de vigilância, reconhecimento e apoio operacional.


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KAI oferece T-50 à Royal Air Force e propõe produção da aeronave no Reino Unido

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A Korea Aerospace Industries (KAI) confirmou que está oferecendo a aeronave de treinamento avançado T-50 Golden Eagle à Royal Air Force (RAF) para o programa que substituirá a atual frota de BAE Hawk T1 e T2. A proposta sul-coreana vai além do fornecimento da aeronave e inclui a possibilidade de produção local no Reino Unido, em parceria com a indústria britânica.

Segundo Shin Dong-Hak, vice-presidente de Negócios Internacionais da KAI, o T-50 reúne características que atendem aos requisitos operacionais da RAF, incluindo versões dedicadas ao treinamento de pilotos, combate leve e demonstrações aéreas.

"O T-50 já possui diferentes variantes, incluindo uma configuração voltada para treinamento e outra utilizada por uma equipe de demonstração aérea", destacou o executivo, em referência ao T-50B empregado pela equipe acrobática Black Eagles, da Força Aérea da República da Coreia.

Produção local fortalece proposta

Um dos principais diferenciais da proposta da KAI é a possibilidade de estabelecer uma linha de produção no Reino Unido. A empresa afirmou estar buscando um parceiro industrial britânico para viabilizar a fabricação das aeronaves no país, estratégia que pode atender às exigências do governo britânico de fortalecimento da base industrial de defesa.

A expectativa da fabricante é que a RAF adquira entre 40 e 50 aeronaves, enquanto um novo pedido de informações (Request for Information – RFI) deverá ser emitido em 2027, dentro do Plano de Investimentos em Defesa do Reino Unido.

Além de substituir os Hawk, o futuro treinador avançado também deverá assumir as missões da tradicional equipe acrobática Red Arrows, um dos principais "embaixadores" da aviação militar britânica.

Concorrência reúne fabricantes internacionais

A disputa pelo futuro treinador da RAF deverá ser uma das mais concorridas dos próximos anos. Entre os principais candidatos estão o Boeing T-7A Red Hawk, desenvolvido em parceria com a BAE Systems, o Leonardo M-346 Master, o Hürjet, da Turkish Aerospace Industries (TAI), além do Freedom Trainer, desenvolvido pela norte-americana Sierra Nevada Corporation (SNC).

A KAI também mantém conversas com a Lockheed Martin para ampliar a cooperação internacional envolvendo o programa T-50/FA-50, especialmente em campanhas de exportação como a britânica. Paralelamente, a empresa acompanha futuras oportunidades na Austrália, que também deverá substituir sua frota de Hawk.

Evolução do FA-50 amplia capacidades

Enquanto busca novos clientes para a família T-50, a KAI segue investindo na evolução do caça leve FA-50. A empresa confirmou que trabalha no desenvolvimento de uma versão monoposto com maior alcance, cuja conclusão está prevista para o final de 2028. Segundo a fabricante, um país asiático já demonstrou interesse no novo modelo.

Outra evolução importante é a integração do radar AESA PhantomStrike, desenvolvido pela Raytheon. A Malásia será o primeiro operador a receber aeronaves equipadas com o novo sensor, com as entregas iniciais previstas para outubro. A Polônia também receberá o radar em seus 36 FA-50PL.

Além disso, cresce o interesse internacional pela integração do sistema APKWS (Advanced Precision Kill Weapon System), da BAE Systems. O armamento transforma foguetes não guiados de 70 mm em munições guiadas de precisão, oferecendo uma solução de baixo custo para missões de ataque e, principalmente, para o enfrentamento de drones, capacidade cada vez mais relevante nos conflitos contemporâneos.


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MK1 DART: a munição vagante da Modirum Gespi voltada para o combate anticarro

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O MK1 DART, desenvolvido pela Modirum Gespi, é um sistema aéreo não tripulado lançado por tubo (Tube-Launched Unmanned Aerial System – TLUAS) concebido para missões de ataque de precisão contra carros de combate e outros veículos blindados. Integrando a nova geração de munições vagantes (loitering munitions), o sistema combina mobilidade, rapidez de emprego e elevada precisão, oferecendo às forças terrestres uma capacidade de ataque além da linha de visada.

Durante a DroneShow Robotics 2026, o GBN Defense teve a oportunidade de conhecer de perto o MK1 DART e conhecer suas características operacionais. O sistema chamou a atenção pela simplicidade de emprego e pela proposta de oferecer uma solução compacta para o combate anticarro, reunindo mobilidade, precisão e recursos avançados de controle e navegação.

O conjunto é composto pela aeronave de asas dobráveis, tubo lançador, software de planejamento de missão, procedimentos operacionais e um pacote completo de treinamento destinado aos operadores.

Após o lançamento, o drone desdobra automaticamente suas asas e superfícies de controle quando alcança os parâmetros ideais de voo. A propulsão elétrica reduz a assinatura acústica e térmica, favorecendo operações discretas em ambientes de combate.

Operador no controle durante toda a missão

Um dos principais diferenciais do MK1 DART é a arquitetura Human-in-the-Loop (HITL), que permite ao operador manter o controle da missão do início ao fim. Embora o voo possa ser realizado de forma autônoma, é possível assumir o controle manual em qualquer momento, inclusive durante a fase terminal do ataque.

Essa capacidade permite corrigir a trajetória, selecionar um novo alvo ou abortar a missão caso o cenário operacional seja alterado, aumentando a precisão do engajamento e reduzindo o risco de danos colaterais.

O sistema também incorpora link de comunicação seguro, protocolos automáticos para perda de sinal e função de cancelamento da missão, ampliando a segurança operacional.

Projetado para derrotar blindados

O MK1 DART utiliza uma ogiva do tipo HEAT (High-Explosive Anti-Tank) com capacidade de até 5 kg, desenvolvida para neutralizar carros de combate e outros veículos blindados.

Entre suas principais características estão:

  • Alcance de até 40 km;

  • Velocidade de cruzeiro de 120 km/h;

  • Autonomia de voo de aproximadamente 30 minutos;

  • Operação em altitudes de até 3.400 metros sem degradação de desempenho e entre 3.400 e 4.000 metros com redução de performance;

  • Lançamento por meio de um tubo portátil.

Uma solução alinhada aos conflitos modernos

O emprego de munições vagantes tornou-se uma das principais tendências dos conflitos contemporâneos, permitindo que pequenas unidades neutralizem blindados, posições fortificadas e outros alvos de alto valor com precisão e menor exposição ao fogo inimigo.

Nesse contexto, o MK1 DART reúne características que refletem essa evolução tecnológica, combinando lançamento por tubo, propulsão elétrica, controle permanente do operador e capacidade de ataque de longo alcance em um sistema compacto, voltado para ampliar a capacidade operacional das forças terrestres.

Com alcance de 40 quilômetros, controle do operador durante todas as fases da missão e uma ogiva especializada para o combate anticarro, o MK1 DART posiciona-se como uma solução moderna para operações de precisão, acompanhando a evolução das doutrinas militares e o crescente protagonismo dos sistemas não tripulados nos cenários de combate atuais.


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