segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Marinha do Brasil intensifica treinamento da tripulação do futuro Navio Doca Multipropósito Oiapoque

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Em meio ao processo de comissionamento do futuro Navio Doca Multipropósito (NDM) Oiapoque, a Marinha do Brasil (MB) avança na capacitação da tripulação que será designada para operar a nova unidade, com envio do segundo grupo de militares que receberão treinamento. Atualmente, os militares estão sendo treinados na Base Naval de Plymouth, no Reino Unido, em um programa de cooperação técnica que inclui transferência de conhecimentos, certificações e treinamentos essenciais para garantir a plena prontidão operacional do navio.

O NDM Oiapoque, ex-HMS Bulwark, é um navio de assalto anfíbio de grande porte, com 176 metros de comprimento, 28 metros de boca e 18.500 toneladas de deslocamento. Projetado para operações anfíbias de larga escala, o navio possui capacidade para transportar até 710 pessoas, incluindo tropas de assalto, pessoal de apoio e equipe de comando, além de operar múltiplos helicópteros de grande porte, como UH-15 "Super Cougar" e SH-16 Seahawk, simultaneamente a partir de seu convés de voo.

Histórico como HMS Bulwark

O navio foi originalmente construído para a Marinha Real Britânica e comissionado como HMS Bulwark em 2001. Durante sua carreira no Reino Unido, destacou-se em operações de assalto anfíbio, exercícios conjuntos com aliados da OTAN e missões humanitárias em áreas afetadas por desastres naturais. O HMS Bulwark combinava capacidade de transporte de veículos, tropas e helicópteros, além de servir como plataforma de comando e controle, coordenando operações complexas de assalto e evacuação.

Ao longo de sua carreira britânica, o navio provou ser altamente versátil, capaz de atuar tanto em conflitos convencionais quanto em operações de assistência humanitária, reforçando sua reputação como um dos mais modernos e completos navios anfíbios da época.

Capacidade operacional e técnica

O Oiapoque é projetado para transportar e operar:

  • Até 710 pessoas, incluindo forças de assalto, tripulação e equipes de apoio.

  • Veículos anfíbios e blindados leves, garantindo capacidade de projeção rápida de força em áreas costeiras.

  • Helicópteros de grande porte, permitindo suporte aéreo direto às operações terrestres e missões de transporte de tropas e suprimentos.

  • Sistemas de comando e controle integrados, que permitem coordenação de múltiplas unidades durante operações complexas.

Com essas características, o Oiapoque se posiciona como um ativo estratégico da Marinha do Brasil, apto para operações de projeção de força, resposta a crises humanitárias e apoio emergencial em desastres naturais, ampliando significativamente a capacidade operacional da Força Naval.

Treinamento e prontidão

O envio do segundo grupo de militares para o Reino Unido reforça o compromisso da MB em assegurar tripulação plenamente treinada, capacitada para operar sistemas complexos, coordenar logística, transporte de tropas e aeronaves, além de atuar em missões conjuntas internacionais.

A preparação inclui:

  • Treinamento em manutenção preventiva e corretiva dos sistemas do navio.

  • Operação do convoo e coordenação de helicópteros.

  • Simulações de assalto anfíbio e desembarque de tropas e veículos.

  • Exercícios de comando e controle, logística e comunicação em operações conjuntas.

Impacto estratégico

A incorporação do NDM Oiapoque representa um salto significativo na capacidade operacional da Marinha do Brasil, alinhando-se à estratégia de modernização da frota anfíbia e fortalecimento da projeção de poder. Diferente de possuir apenas equipamentos, a MB assegura manutenção adequada, disponibilidade real do navio e tripulação adestrada, garantindo que o NDM Oiapoque esteja pronto para responder rapidamente a crises nacionais ou internacionais.

Com isso, o Brasil amplia sua presença estratégica na região, garantindo capacidade de resposta rápida, coordenação de operações complexas e atuação em apoio à população, consolidando o NDM Oiapoque como um pilar da força naval brasileira para as próximas décadas.


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domingo, 4 de janeiro de 2026

A guerra antes da guerra: inteligência, soberania e as lições da operação na Venezuela

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A captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos não foi fruto de improviso, nem de uma simples demonstração de poder militar. O que ocorreu na Venezuela expôs, de forma quase pedagógica, uma realidade incontornável dos conflitos modernos: a guerra começa muito antes do primeiro tiro, e o fator decisivo raramente está no campo de batalha visível.

O êxito rápido da operação, a ausência de baixas e a capacidade de localizar, capturar e extrair o chefe de Estado em poucas horas indicam que o território, o ambiente político e as estruturas de poder venezuelanas já estavam profundamente mapeados e fragilizados. Isso não se constrói em dias, mas em meses, às vezes até anos de trabalho silencioso de inteligência.

Esse tipo de operação só é possível quando o Estado-alvo já foi exaustivamente estudado em suas camadas formais e informais: cadeias de comando oficiais e paralelas, disputas internas, lealdades reais versus aparentes, rotinas pessoais, falhas de segurança, vulnerabilidades psicológicas e dependências logísticas. A ação militar, nesse contexto, é apenas o momento final de um processo muito mais longo e complexo.

Inteligência como o verdadeiro centro de gravidade do conflito moderno

No século XXI, a superioridade militar deixou de estar exclusivamente ligada ao número de soldados, tanques ou aeronaves. Hoje, quem vence é quem possui informação de qualidade, antecipada e confiável. Inteligência humana, interceptação de comunicações, análise de redes sociais, mapeamento de rotinas, estudo de cadeias de comando e identificação de fissuras institucionais são elementos tão ou mais decisivos do que o emprego direto da força.

O conceito clássico de centro de gravidade, desenvolvido por Clausewitz, deslocou-se progressivamente do campo físico para o campo informacional e cognitivo. O alvo prioritário já não é apenas a força inimiga, mas sua capacidade de decidir, reagir e manter coesão interna. Quando a inteligência funciona, o combate se transforma em formalidade. O inimigo já está identificado, isolado, monitorado e, muitas vezes, neutralizado psicologicamente e politicamente antes mesmo de perceber que está sob ataque.

O caso venezuelano ilustra isso com clareza. Não houve surpresa estratégica por parte dos executores da operação, apenas a materialização de um cenário que já estava, na prática, decidido.

Venezuela: um Estado que perdeu o controle de si mesmo

A ausência de uma resposta coordenada das forças venezuelanas sugere um Estado que já não controlava plenamente suas próprias engrenagens. A localização precisa do presidente, a previsibilidade de seus deslocamentos e a incapacidade de reação indicam falhas graves de contrainteligência, segurança institucional e comando.

Mais do que falhas pontuais, o que se observou foi a perda de controle sistêmico. Um Estado funcional é aquele capaz de proteger informações sensíveis, manter compartimentação, garantir lealdade institucional e detectar anomalias em seus próprios fluxos de poder. Quando isso não ocorre, a estrutura passa a operar de forma transparente para o adversário, e opaca para si mesma.

Não se trata apenas de superioridade externa, mas de colapso interno. Um Estado que permite infiltração, vazamento de informações e cooptação de quadros estratégicos torna-se vulnerável por definição. Nesse estágio, a soberania já está comprometida antes mesmo de qualquer ação militar aberta.

Expurgos, aparelhamento e a erosão silenciosa da defesa

Um dos fatores centrais para essa fragilidade foi o processo prolongado de aparelhamento ideológico das instituições venezuelanas. Ao longo dos anos, expurgos e promoções baseadas em lealdade política corroeram a profissionalização das Forças Armadas e dos órgãos de segurança.

Quando a meritocracia é substituída por alinhamento ideológico, a competência dá lugar à desconfiança interna, a iniciativa é sufocada e a contrainteligência se enfraquece. Oficiais e agentes passam a operar mais preocupados em demonstrar fidelidade política do que em cumprir sua função institucional. O resultado é a quebra do espírito crítico, a redução da capacidade de antecipação e a paralisia decisória.

A defesa nacional deixa de ser uma política de Estado e passa a ser um instrumento de governo, e isso historicamente cobra um preço alto. Estados que trilham esse caminho tornam-se previsíveis, penetráveis e, em última instância, descartáveis do ponto de vista estratégico.

Soberania não é discurso, é capacidade real

A Venezuela demonstra que soberania não se sustenta em retórica. Soberania exige capacidade concreta de detectar ameaças, reagir a elas e negar acesso ao adversário. Quando um país não consegue identificar infiltrações, proteger seus centros decisórios e garantir o funcionamento de suas instituições em crise, sua soberania existe apenas no papel.

No mundo contemporâneo, a violação da soberania raramente ocorre por meio de invasões clássicas. Ela se dá pela captura de processos decisórios, pela manipulação de elites, pelo controle indireto de informações e pela erosão da confiança interna. Quando o Estado percebe, o dano já está feito. Essa é uma lição dura, mas necessária.

O alerta para o Brasil: inteligência como política de Estado

O caso venezuelano deve servir de alerta direto para o Brasil. Apesar de sua dimensão continental e relevância regional, o país ainda apresenta fragilidades importantes em sua estrutura de inteligência estratégica e contrainteligência.

A defesa do espaço aéreo, marítimo, cibernético e de infraestruturas críticas depende menos de discursos e mais de informação qualificada, integrada e antecipada. Sem inteligência eficaz, qualquer capacidade militar torna-se reativa, limitada e vulnerável. Grandes plataformas, armamentos modernos e efetivos numerosos perdem valor quando operam às cegas.

Nesse contexto, o fortalecimento da Agência Brasileira de Inteligência é fundamental. A ABIN precisa ser pensada como um instrumento de Estado, não de governo, com autonomia técnica, visão estratégica e foco na proteção dos interesses nacionais, independentemente de ideologias, ciclos eleitorais ou pressões conjunturais.

Uma agência de inteligência só cumpre sua função quando consegue dizer verdades desconfortáveis ao poder político, e sobreviver institucionalmente a isso.

Concurso é necessário, mas não é suficiente

Uma agência de inteligência moderna pode sim contar com quadros concursados, especialmente nas áreas analíticas e administrativas. No entanto, a experiência internacional mostra que isso é insuficiente para a construção de uma capacidade real de inteligência operacional.

Ativos estratégicos e agentes de campo não surgem apenas de provas teóricas. Eles exigem vivência, discrição, capacidade de leitura de ambientes complexos, habilidade de adaptação e acesso natural a círculos de poder e informação. Esses perfis são raros e, muitas vezes, não se encaixam em modelos burocráticos tradicionais.

Por essa razão, serviços de inteligência maduros combinam diferentes formas de recrutamento e seleção, incorporando profissionais oriundos da diplomacia, das forças armadas, do setor empresarial estratégico, da indústria de defesa, da tecnologia, da comunicação e das relações internacionais.

Inteligência se faz com pessoas, não apenas com organogramas, normas e carimbos.

Ativos não óbvios: onde está a informação hoje

No mundo contemporâneo, informação sensível não circula apenas em quartéis ou gabinetes oficiais. Ela transita por embaixadas, empresas de tecnologia, indústrias de defesa, organismos internacionais, ambientes acadêmicos, círculos empresariais e no ecossistema da comunicação e redes sociais.

Pessoas com acesso legítimo a esses ambientes, que dialogam regularmente com diplomatas, empresários, políticos, militares, adidos, gestores públicos e formadores de opinião, possuem uma capacidade única de percepção de tendências, mudanças de humor político, alinhamentos internacionais e riscos emergentes.

Quando devidamente selecionadas, treinadas e enquadradas dentro de parâmetros legais e éticos, essas pessoas podem tornar-se ativos estratégicos de altíssimo valor. Não se trata de espionagem indiscriminada, mas da construção de redes de percepção, antecipação e compreensão profunda de cenários.

Inteligência moderna é, acima de tudo, a capacidade de entender o que está mudando antes que todos percebam.

Meritocracia acima de rótulos

O ponto central é que a seleção desses quadros deve ser feita por mérito, perfil e capacidade real, não por origem institucional, filiação política ou alinhamento ideológico. Civis e militares podem desempenhar funções estratégicas, desde que possuam preparo técnico, equilíbrio emocional, ética sólida e compromisso inequívoco com o Estado e a nação.

Quando a inteligência se submete a disputas políticas, interesses de partidos políticos ou modelos excessivamente burocráticos, ela deixa de ser instrumento de proteção nacional e passa a ser apenas mais uma repartição administrativa, inofensiva para o adversário e perigosa para o próprio país.

A lição silenciosa da Venezuela

A operação que resultou na captura de Nicolás Maduro deixa uma mensagem inequívoca. No mundo atual, guerras não são vencidas por quem grita mais alto, faz discursos inflamados ou desfila mais tropas, mas por quem enxerga antes, entende melhor e age com precisão cirúrgica.

Países que negligenciam inteligência, contrainteligência e profissionalização institucional descobrem tarde demais que a guerra já foi decidida, e não a seu favor.

Para o Brasil, a escolha é clara. Investir seriamente em inteligência, tecnologia e capital humano não é uma opção ideológica, é uma necessidade estratégica. Soberania real só existe quando o Estado é capaz de se proteger por dentro, antecipar ameaças e agir como nação, e não como projeto de poder temporário.


por Angelo Nicolaci


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Jogos de Espiões: como o Mossad derrotou o Hizballah

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A evolução dos conflitos contemporâneos no horizonte atual revela uma transformação profunda na natureza da guerra assimétrica, onde a fronteira entre o domínio digital e a integridade física dos combatentes tornou-se quase inexistente.

No centro desse turbilhão geopolítico, a infiltração do Hizballah e outros inimigos de Israel pelo Mossad surge não apenas como uma série de sucessos táticos isolados, mas como um novo paradigma de análise militar estratégica.

O que se testemunhou nos últimos anos foi o colapso de décadas de protocolos de segurança de um dos atores não estatais mais armados do mundo, expondo vulnerabilidades que ressoam globalmente, inclusive em nações geograficamente distantes dos centros de tensão do Oriente Médio, como o Brasil.

A compreensão desse cenário exige uma imersão na complexidade inerente à segurança global e nas rivalidades militares que moldam a ordem internacional.

Enquanto as atenções das grandes potências se voltam para as rivalidades militares EUA-China e os desdobramentos de conflitos internacionais na Europa e na Ásia, as operações de inteligência no Levante oferecem lições cruciais sobre a fragilidade das cadeias de suprimentos globais e a necessidade premente de investimentos em contrainteligência.

Para o Brasil, o reflexo dessas operações não é meramente acadêmico; a presença de células de apoio e redes de financiamento em solo nacional, aliada à vulnerabilidade das infraestruturas digitais frente a agências estrangeiras, impõe um debate urgente sobre a proteção da soberania nacional diante de interferências externas.

Gênese e Metamorfose da Ameaça: A Falha dos Protocolos Analógicos

A trajetória do Hizballah, desde sua consolidação como braço de influência iraniana no Líbano até sua transformação em uma força militar híbrida capaz de desafiar exércitos convencionais, foi pautada por um culto ao segredo e pela disciplina operacional.

No entanto, o ano de 2024 marcou o início de uma erosão sistêmica dessa suposta invulnerabilidade. O ponto de inflexão ocorreu quando o grupo, sob ordens diretas de seu então secretário-geral Hassan Nasrallah, decidiu abandonar o uso de telefones celulares, classificando-os como “dispositivos de escuta” que facilitavam a geolocalização e o monitoramento contínuo por parte da inteligência israelense. Essa decisão, embora fundamentada na lógica de segurança cibernética, empurrou a organização para uma armadilha meticulosamente preparada ao longo de uma década.

Ao migrar para tecnologias consideradas “obsoletas” ou de baixa emissão de rádio, como pagers e walkie-talkies, o Hizballah acreditava estar criando uma barreira adicional de proteção contra a superioridade técnica de Israel em inteligência de sinais (SIGINT).

Contudo, o que se seguiu foi uma demonstração de que a infiltração humana (HUMINT) e a sabotagem da cadeia de suprimentos podem neutralizar qualquer vantagem tecnológica aparente. O Mossad não apenas interceptou as comunicações; ele se infiltrou na própria essência material da comunicação do grupo através de uma operação de longo prazo que envolveu a criação de um “mundo fingido”.

Relatórios de inteligência revelam que a operação, apelidada de “Operação Grim Beeper”, foi planejada ao longo de dez anos. O Mossad estabeleceu empresas de fachada na Europa, como a BAC Consulting na Hungria, que serviram como intermediárias para a venda de dispositivos sabotados ao Hizballah. A infiltração ocorreu no nível da produção, onde cerca de 3 gramas de explosivos plásticos (PETN) foram integrados às baterias de lítio de forma tão avançada que eram indetectáveis por scanners convencionais ou inspeções manuais, resistindo inclusive a exames de raios-X em aeroportos.

A Anatomia da Infiltração: Manipulação e Dano Psicológico

A sofisticação da operação não residia apenas no explosivo, mas na engenharia social e técnica aplicada. Para garantir que o Hizballah comprasse os dispositivos, o Mossad criou um ecossistema completo de credibilidade, incluindo anúncios falsos no YouTube e showrooms fictícios que promoviam os aparelhos como resistentes à poeira e com bateria de longa duração. Mais insidioso ainda foi o mecanismo de detonação: as mensagens enviadas simulavam ordens da liderança do Hizballah e faziam os aparelhos emitirem bipes por vários segundos, induzindo o usuário a segurar o dispositivo com as duas mãos para ler a mensagem, o que maximizava as lesões oculares e nas mãos no momento da explosão.

Em meados de setembro de 2024, a detonação simultânea de milhares de dispositivos em todo o Líbano e partes da Síria desencadeou o que analistas descreveram como o “11 de setembro libanês” para o Hizballah. O impacto militar foi imediato e devastador: cerca de 1.500 combatentes foram retirados de ação devido a ferimentos graves, gerando um gargalo crítico nos hospitais e, mais importante, um colapso psicológico na estrutura de comando que preparou o terreno para a fase subsequente de decapitação da liderança.

Reconstituição Sob Fogo

Ao entrarmos no final de 2025, o Hizballah encontra-se em um estado de transição forçada. Apesar do cessar-fogo estabelecido em novembro de 2024, a organização luta para se reconstituir enquanto enfrenta uma pressão militar incessante e um governo libanês cada vez mais pressionado a desarmar a milícia.

A morte de Haitham Ali Tabatabai em 23 de novembro de 2025, um oficial de alta patente encarregado da regeneração das forças do grupo, exemplifica o compromisso de Israel em impedir que o Hizballah recupere sua capacidade ofensiva pré-guerra.

Tabatabai era uma figura central, um veterano com vasta experiência desde 1982, que entendia intimamente as linhas de suprimento entre a Síria e o Líbano. Sua eliminação demonstra que, mesmo em 2025, o Mossad mantém uma rede de informantes e uma capacidade de monitoramento que atinge o coração dos esforços de reconstrução. A estratégia israelense atual foca em degradar o Hizballah até um ponto em que as Forças Armadas Libanesas (LAF) tornem-se militarmente superiores, permitindo que o Estado exerça sua soberania e cumpra o plano de desarmamento aprovado em setembro de 2025.

Dinâmicas Militares e a Ordem Regional Desestruturada

A análise da situação atual no Líbano revela uma multipolaridade desequilibrada. O Hizballah, outrora o exército não estatal mais armado do mundo, agora enfrenta um declínio na confiança pública, com cerca de 55% dos libaneses não expressando nenhuma confiança na organização, de acordo com pesquisas recentes. Ainda assim, o grupo mantém sua base de apoio na população xiita e tenta utilizar ataques simbólicos em áreas despovoadas para manter sua imagem de resistência sem provocar uma resposta israelense de escala total que interromperia seus esforços de reconstrução.

Israel, por sua vez, intensificou suas operações aéreas e de drones no final de 2025, concentrando-se em infraestruturas de produção de armas e centros de inteligência que o Hizballah tentava reativar, como as unidades da Radwan Force. O governo de Jerusalém considera inclusive uma nova escalada, uma vez que a regeneração das capacidades do Hizballah parece estar superando os esforços de desarmamento por parte do governo libanês, criando um dilema de segurança que mantém a região à beira de um novo conflito aberto.

Geopolítica das Rivalidades e o Papel do Irã

O papel do Irã neste tabuleiro é de crescente ambiguidade e vulnerabilidade. Enquanto o regime em Teerã continua a ser o principal financiador do Hizballah, destinando cerca de 100 milhões de dólares anualmente, sua própria estabilidade de comando está sendo questionada. Relatórios de inteligência atribuídos ao Mossad em outubro de 2025 sugerem uma luta de poder no seio do regime iraniano, onde comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) estariam tomando decisões de forma independente, à margem da autoridade do Líder Supremo Ali Khamenei.

Essa desarticulação no Eixo da Resistência tem implicações diretas para a segurança global. O Hizballah, enfraquecido em sua base territorial e perdendo o apoio logístico que o regime sírio outrora fornecia — especialmente após a queda de Bashar al-Assad e a repressão ao contrabando na fronteira pela nova administração em Damasco —, é forçado a buscar fontes alternativas de financiamento e influência em outras partes do globo.

É aqui que o foco estratégico se desloca de forma crítica para a América Latina e, especificamente, para a Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

O Nexo Crime-Terror e a Tríplice Fronteira

Em 2025, o Hizballah enfrenta uma grave escassez de recursos, exacerbada pela destruição de seus sistemas financeiros tradicionais no Líbano e pelo banimento de sua instituição financeira, a al-Qard al-Hassan, pelo Banco Central libanês em julho de 2025.

Como resposta, o grupo tem “dobrado a aposta” em suas redes criminosas na América Latina, especializando-se na lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico e na exploração de zonas de livre comércio, como a de Ciudad del Este.

A Tríplice Fronteira permanece como um centro lucrativo onde o grupo opera utilizando o comércio de eletrônicos falsificados e vestuário, como o notório hub na Galería Page, para financiar atividades militantes no exterior. Operativos seniores, como Amer Mohamed Akil Rada, continuam a coordenar a transferência de lucros comerciais para a organização libanesa, frequentemente utilizando exportações de carvão como fachada para o tráfico de cocaína para a Europa.

A preocupação das autoridades é que essas redes logísticas possam ser ativadas para facilitar ataques de represália contra alvos ocidentais ou israelenses na região, transformando a América Latina em um teatro secundário de conflitos internacionais.

O Brasil como Alvo de Infiltração e Espionagem Estrangeira

A infiltração de inimigos de Israel pelo Mossad possui ramificações que atingem diretamente a soberania brasileira. O Brasil tornou-se um campo de batalha silencioso para agências de inteligência estrangeiras devido à sua importância geopolítica e infraestrutura digital.

A Operação Trapiche, deflagrada pela Polícia Federal com o auxílio do Mossad, revelou que o Hizballah tentou recrutar brasileiros para realizar ataques contra sinagogas e edifícios da comunidade judaica em território nacional. Investigações apontaram que quantias em dinheiro, como os 5 mil dólares apreendidos com um dos suspeitos, seriam destinadas ao financiamento dessa célula terrorista nascente.

Embora o sucesso da operação tenha neutralizado uma ameaça iminente, o episódio gerou um intenso debate sobre a interferência externa. Durante sessões parlamentares em 2025, o diretor-geral da Polícia Federal afirmou que, embora existam investigações sobre atividades ilícitas, a conexão direta entre facções criminosas brasileiras e grupos terroristas internacionais nem sempre se confirma de maneira concreta, sendo por vezes utilizada como um fator de pressão geopolítica por potências externas.

Esse cenário destaca a complexidade de manter a neutralidade diplomática enquanto se lida com a pressão de agências como a CIA e o Mossad para adotar agendas de segurança estrangeiras.

Israel e Irã não são os únicos países com agentes infiltrados no Brasil - EUA, Rússia, China e tantos outros têm redes de espionagem no Brasil.

Desafios de Inteligência e a Ameaça das Big Techs

O relatório estratégico “Desafios de Inteligência – 2026”, publicado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) em dezembro de 2025, apresenta um diagnóstico sobre como a interferência externa tornou-se estrutural. A agência destaca que o Brasil é alvo prioritário para a experimentação de estratégias de manipulação informacional e guerra cognitiva, impulsionadas pela dependência tecnológica e pela polarização interna.

De acordo com o documento, as Big Techs estrangeiras representam uma ameaça direta à soberania digital. A concentração de dados sensíveis em infraestruturas privadas sujeitas a legislações estrangeiras permite que decisões estratégicas brasileiras sejam influenciadas de maneira indireta e contínua.

Além disso, a possibilidade de interferência externa no processo eleitoral de 2026, utilizando agentes de inteligência artificial generativa para criar desinformação em larga escala, é considerada um risco nevrálgico. Integrantes da ABIN chegam a apontar, em diagnósticos internos, que a principal ameaça à soberania nacional em termos de pressão econômica e jurídica provém de potências ocidentais que controlam essas infraestruturas digitais e financeiras.

O Imperativo do Investimento em Contrainteligência

Diante de um cenário onde a infiltração pode ocorrer tanto fisicamente quanto digitalmente, o Brasil enfrenta a necessidade imperiosa de investir em contrainteligência. O Estudo Técnico Preliminar 10/2025 da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN) detalha as necessidades estratégicas para proteger a segurança orgânica das instituições. O foco reside na aquisição de equipamentos avançados que permitam identificar e bloquear tentativas de espionagem e sabotagem por agências estrangeiras e organizações criminosas.

O investimento necessário para garantir a segurança global interna do país inclui tecnologias como analisadores de espectro portáteis, capazes de detectar emissões de rádio não autorizadas e monitorar atividades Wi-Fi suspeitas, e detectores de junção não linear, essenciais para encontrar componentes eletrônicos ocultos em dispositivos de escuta, mesmo que estes estejam desligados. Além disso, a transição para a criptografia pós-quântica é vista como uma prioridade para proteger segredos de Estado contra a capacidade futura de quebra de códigos por supercomputadores estrangeiros.

Equipes Volantes e a Cultura de Inteligência

Além dos equipamentos, a estratégia brasileira deve enfatizar a formação de equipes volantes de inspeção técnica e a obrigatoriedade de treinamento contínuo para os servidores. O objetivo é reduzir a dependência estrutural de tecnologias externas e fortalecer a cultura de inteligência no Brasil, promovendo a integração entre órgãos federais e estaduais sob a égide do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). Somente através de uma autonomia técnica e operacional o país poderá garantir que suas decisões soberanas não sejam comprometidas por infiltrações estrangeiras similares às que devastaram a estrutura de seus vizinhos globais.

Conclusão Reflexiva: O Caminho para a Autonomia Estratégica

infiltração do Hizballah e outros inimigos de Israel pelo Mossad serve como um lembrete de que, na era da informação, o segredo é a primeira linha de defesa e a sua perda é frequentemente fatal. O colapso da segurança do grupo libanês e as dificuldades de sua reconstrução em 2025 demonstram que a superioridade tecnológica, quando aliada a uma infiltração humana profunda e sabotagem logística, pode paralisar as estruturas de comando de qualquer organização.

Para o Brasil, a trajetória a seguir deve ser a de um fortalecimento vigoroso da contrainteligência e da soberania digital. A dependência de infraestruturas estrangeiras é uma vulnerabilidade que agências externas não hesitarão em explorar.

As implicações militares da infiltração do Hizballah e outros inimigos de Israel pelo Mossad são um chamado à ação para que o Estado brasileiro invista na proteção de seus dados e de suas instituições.

O futuro da segurança nacional será decidido nos laboratórios de criptografia e nas auditorias rigorosas de cada componente tecnológico que entra em nosso território, garantindo que a sombra da infiltração estrangeira não comprometa o futuro da democracia brasileira.

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A soberania no papel e a guerra na prática: o que a Venezuela ensina ao Brasil

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A operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano expôs, de forma contundente, fragilidades estruturais profundas no sistema de defesa do país. Independentemente de ideologia, alinhamento político ou da figura de Nicolás Maduro, o episódio deve ser analisado como um estudo de caso militar sobre o que ocorre quando um Estado perde sua capacidade real de dissuasão, comando e controle.

Um dos aspectos mais reveladores foi o custo operacional praticamente nulo para os Estados Unidos. Não houve registro de baixas, aeronaves abatidas, navios danificados ou resistência capaz de impor qualquer tipo de desgaste relevante. Do ponto de vista militar, a operação ocorreu em ambiente quase totalmente permissivo. Em poucas horas, forças americanas ingressaram no país, executaram a captura de um alvo de altíssimo valor estratégico, o chefe de Estado, e se retiraram sem necessidade de ocupação territorial ou confronto prolongado.

Esse dado, por si só, já indica um colapso severo da capacidade defensiva venezuelana. Em operações modernas, mesmo contra forças muito superiores, espera-se ao menos a imposição de custos mínimos ao agressor. Quando isso não ocorre, a dissuasão simplesmente inexiste.

A comparação com a Operação Just Cause, no Panamá, em 1989, é inevitável. À época, os Estados Unidos levaram dias para capturar Manuel Noriega, enfrentando resistência localizada, combates urbanos e baixas, mesmo tratando-se de um país muito menor, menos militarizado e com forças armadas significativamente mais limitadas do que as da Venezuela atual. No caso venezuelano, o contraste é evidente: território maior, efetivos superiores, sistemas de defesa aérea mais modernos no papel e, ainda assim, uma reação praticamente inexistente.

O primeiro ponto crítico foi o controle do espaço aéreo. Apesar de a Venezuela dispor de sistemas de defesa aérea de origem russa, como o S-300VM e o Buk-M2, esses meios só são eficazes quando integrados a uma rede funcional de sensores, comando e controle, doutrina clara e operadores treinados. O que se observou foi a incapacidade de detectar, rastrear e neutralizar aeronaves operando em baixa altitude e com elevada coordenação. Isso indica falhas na cobertura radar, na integração entre sistemas e, possivelmente, na cadeia decisória para autorização de engajamento.

A ausência de superioridade aérea agravou ainda mais o cenário. A Força Aérea Venezuelana opera uma frota limitada de caças Su-30MK2, afetada por restrições logísticas, baixa disponibilidade operacional, escassez de peças e treinamento comprometido. Aeronaves que não decolam não produzem dissuasão. Sem prontidão real, o país perdeu a iniciativa desde os primeiros momentos da operação.

No domínio marítimo, a situação foi semelhante. A Venezuela não possui uma marinha capaz de negar o uso do mar a uma potência naval. A carência de meios de vigilância marítima eficazes, a baixa operacionalidade de navios de superfície e submarinos e a ausência de integração com sistemas de defesa costeira permitiram que forças externas operassem com ampla liberdade no entorno estratégico do país.

A vulnerabilidade de infraestruturas críticas também ficou evidente. Bases aéreas, centros de comando, instalações militares e sistemas elétricos foram rapidamente afetados. Isso revela falhas graves em proteção passiva, redundância, dispersão de meios e defesa de pontos sensíveis. Em conflitos contemporâneos, neutralizar energia, comunicações e comando é tão decisivo quanto destruir meios militares convencionais.

No entanto, talvez o fator mais determinante para o colapso defensivo venezuelano esteja na degradação institucional de suas Forças Armadas ao longo dos últimos anos. Desde a ascensão do chavismo ao poder, o Exército venezuelano passou por sucessivos expurgos, perseguições internas e substituição de critérios técnicos por alinhamento ideológico. Oficiais experientes foram afastados, presos ou marginalizados, enquanto promoções passaram a privilegiar lealdade política em detrimento de mérito, competência e preparo profissional.

Esse processo comprometeu profundamente a cadeia de comando, a confiança interna, a moral da tropa e a capacidade de planejamento e execução de operações complexas. Forças armadas ideologicamente aparelhadas tendem a perder eficiência, iniciativa e autonomia tática. A defesa nacional deixa de ser uma função de Estado e passa a servir a um projeto de poder, o que, invariavelmente, enfraquece ambos.

A captura rápida do chefe de Estado também indica falhas graves nos protocolos de proteção do alto comando. Em um sistema de defesa minimamente funcional, a neutralização de um alvo dessa importância exigiria múltiplas camadas de segurança, redundância, dispersão e capacidade de reação escalonada. Nada disso se materializou de forma efetiva.

O caso venezuelano deixa uma lição clara e incômoda: soberania não se sustenta em discurso, narrativa ou alinhamento ideológico. Ela depende de capacidades reais, continuamente mantidas, baseadas em profissionalismo, meritocracia, integração operacional e autonomia tecnológica. Dissuasão não exige paridade absoluta, mas exige credibilidade. E credibilidade se constrói com prontidão, treinamento e instituições sólidas.

Para o Brasil, o episódio serve como alerta estratégico. Um país de dimensões continentais, com vastas fronteiras, extensa área marítima e recursos estratégicos críticos, não pode permitir que suas instituições de defesa sejam fragilizadas por aparelhamento político, cortes estruturais ou abandono da meritocracia. A politização excessiva de instituições de Estado não apenas compromete a defesa, como representa um risco direto à democracia.

A Venezuela tornou-se um exemplo claro do fiasco de substituir profissionalismo por ideologia. Quando a defesa nacional é tratada como instrumento político, o resultado não é soberania, mas vulnerabilidade. E a geopolítica não pune discursos, ela explora fraquezas.

Em defesa, a regra é simples e implacável: quem não impõe custo, perde relevância. Quem não reage, perde controle. E quem abre mão da meritocracia, abre mão da própria soberania.

O caso venezuelano não deve ser observado pelo Brasil com conforto ou distância analítica. Ao contrário, ele expõe vulnerabilidades que, em diferentes proporções, também estão presentes na realidade brasileira. A diferença é que o Brasil ainda preserva instituições profissionais e não passou por um processo sistemático de expurgos ideológicos nas Forças Armadas. Isso, no entanto, não compensa lacunas estruturais graves em capacidade de defesa.

O Brasil não possui hoje capacidade efetiva de controle e defesa de seu espaço marítimo em toda a extensão da chamada Amazônia Azul. A Marinha opera com número limitado de meios de superfície, muitos deles envelhecidos, com restrições de disponibilidade e cobertura insuficiente para uma área marítima que abriga rotas comerciais vitais, reservas energéticas estratégicas e infraestrutura crítica. A capacidade de vigilância, negação de área e resposta rápida é claramente aquém das necessidades de um país com pretensões de soberania plena.

No domínio aéreo, a situação é igualmente preocupante. Embora o Brasil disponha de um sistema de controle do espaço aéreo reconhecido pela sua eficiência no gerenciamento do tráfego, não se pode confundir com capacidade de defesa aérea. Controlar não é o mesmo que defender. A frota de caças é numericamente limitada, concentrada em poucas bases e insuficiente para garantir presença contínua em todas as regiões estratégicas do território nacional. Superioridade aérea regional, em um cenário de crise, não é garantida.

Mais crítica ainda é a quase inexistência de uma defesa antiaérea de médio e longo alcance. O Brasil carece de um sistema integrado de defesa antiaérea capaz de proteger centros de comando, bases militares, infraestrutura energética, polos industriais e áreas sensíveis contra ameaças modernas, como aeronaves de ataque, mísseis de cruzeiro e sistemas não tripulados. Sem essa camada de proteção, qualquer estrutura crítica se torna vulnerável desde os primeiros momentos de um conflito.

Esse conjunto de limitações significa, na prática, que o Brasil não possui hoje uma capacidade robusta de dissuasão. Dissuasão não se constrói com boa vontade diplomática, tradição pacífica ou discurso de neutralidade. Ela depende da capacidade concreta de impor custos inaceitáveis a qualquer agressor potencial. Sem isso, a soberania passa a depender mais da percepção externa de baixo risco do que de poder real.

O exemplo venezuelano deixa claro onde esse caminho pode levar. Quando um país não consegue proteger seu espaço aéreo, seu litoral, suas infraestruturas críticas e seu alto comando, a decisão de intervir deixa de ser política e passa a ser operacional. A ausência de capacidade defensiva transforma qualquer crise em oportunidade para atores externos mais bem preparados.

Para o Brasil, o alerta é estratégico e urgente. Investimento em defesa não é gasto supérfluo, nem projeto ideológico. É política de Estado. Envolve planejamento de longo prazo, fortalecimento da indústria nacional de defesa, domínio tecnológico, integração entre forças e garantia de prontidão real. Sem tecnologia própria, não há autonomia. Sem autonomia, não há soberania.

A manutenção da meritocracia, do profissionalismo e da despolitização das Forças Armadas é condição necessária, mas não suficiente. Sem meios, sem sistemas integrados, sem capacidade antiaérea, sem presença marítima consistente, até instituições sólidas ficam expostas.

A Venezuela mostrou o que acontece quando a defesa é negligenciada, ideologizada e tratada como acessório. O Brasil ainda tem tempo de escolher outro caminho. Mas soberania não se improvisa. Ou se constrói com investimento, tecnologia e planejamento, ou se perde no silêncio, até o dia em que a realidade cobra a conta.

Como nota final, a ironia histórica é inevitável. Nos anos 1990, durante a Operação Serpente Gótica, os Estados Unidos tentaram uma ação de extração de lideranças na Somália, um Estado falido, sem forças armadas convencionais, sem defesa aérea, sem marinha e praticamente sem estrutura estatal. O resultado foi resistência urbana, baixas americanas, helicópteros derrubados e uma retirada sob pressão, episódio que entrou para a história e para o cinema. Três décadas depois, na Venezuela, um país com forças armadas formais, sistemas antiaéreos modernos no papel e discurso constante de soberania, a mesma lógica de operação ocorreu como um "passeio no parque": sem perdas, sem resistência relevante e com o alvo principal removido em poucas horas. Quando até a Somália impõe mais custos do que um Estado organizado, o problema não é externo, é estrutural. E essa é a lição mais dura que a Venezuela deixa para quem ainda confunde soberania com retórica.


por Angelo Nicolaci


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sábado, 3 de janeiro de 2026

Análise de Cenários: O que pode acontecer na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro

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A confirmação da captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos abre um período de profunda incerteza política, militar e institucional na Venezuela. A ausência do principal centro de poder do regime altera o equilíbrio interno e coloca o país diante de diferentes caminhos possíveis. A seguir, são apresentados os principais cenários em avaliação.

Cenário 1 – Colapso rápido do regime e transição forçada de poder

Probabilidade: média

Neste cenário, a retirada de Maduro provoca uma ruptura imediata na cadeia de comando político e militar. Setores das Forças Armadas, diante da ausência de liderança clara e da pressão externa, optam por não resistir e passam a negociar uma transição de poder.

Um governo provisório, possivelmente apoiado ou reconhecido pelos Estados Unidos e aliados, seria instalado com o objetivo de estabilizar o país, reorganizar instituições e convocar eleições sob supervisão internacional.

Do ponto de vista militar, haveria redução rápida da violência, com foco em controle de pontos estratégicos, proteção de infraestruturas críticas e garantia da produção e escoamento de petróleo. Este é o cenário preferido por Washington, por reduzir custos políticos e militares no médio prazo.

Cenário 2 – Fragmentação do poder e resistência interna

Probabilidade: média a alta

A captura de Maduro não garante, por si só, o fim do regime. Neste cenário, setores do alto comando militar, milícias e forças de segurança permanecem leais ao chavismo e passam a atuar de forma descentralizada.

O país poderia entrar em um período de instabilidade prolongada, com focos de resistência armada, confrontos localizados e disputas internas pelo controle de regiões estratégicas, especialmente áreas produtoras de petróleo e zonas de fronteira.

Militarmente, isso exigiria operações contínuas de contenção e estabilização, elevando o risco de escalada da violência e ampliando o impacto humanitário. Este cenário dificulta qualquer transição rápida e mantém a Venezuela em um estado de crise prolongada.

Cenário 3 – Consolidação do poder por uma liderança chavista alternativa

Probabilidade: média

Mesmo sem Maduro, o chavismo pode tentar se reorganizar sob uma nova liderança política ou militar. Figuras como membros do alto escalão do governo, dirigentes do partido ou chefes militares poderiam assumir o controle, buscando preservar o sistema e resistir à influência externa.

Nesse caso, o discurso de “agressão imperialista” tende a ser intensificado, com tentativas de mobilização popular e apelos à soberania nacional. A crise se tornaria menos personalista e mais institucional, prolongando o impasse entre o novo governo de fato e a comunidade internacional.

Do ponto de vista estratégico, esse cenário mantém a tensão regional e dificulta acordos rápidos sobre sanções, petróleo e ajuda humanitária.

Cenário 4 – Escalada regional e envolvimento indireto de potências externas

Probabilidade: baixa a média

Embora menos provável no curto prazo, não pode ser descartada uma escalada indireta. Potências com interesses estratégicos na Venezuela, como Rússia e China, podem intensificar apoio diplomático, econômico ou logístico a setores do regime remanescente.

Mesmo sem intervenção militar direta, esse apoio pode dificultar a consolidação de um novo governo alinhado aos Estados Unidos e prolongar a crise. No plano regional, isso aumenta a pressão sobre países vizinhos e pode gerar impactos em fluxos migratórios e segurança de fronteiras.

Impactos diretos para o Brasil e a América do Sul

Os desdobramentos da captura de Nicolás Maduro extrapolam as fronteiras da Venezuela e geram efeitos imediatos e potenciais riscos estratégicos para o Brasil e para toda a América do Sul. A instabilidade em um país central do norte sul-americano afeta diretamente segurança, economia e equilíbrio político regional.

Para o Brasil, o impacto mais sensível ocorre na faixa de fronteira com a Venezuela, especialmente no estado de Roraima. Um cenário de instabilidade prolongada tende a provocar novos fluxos migratórios, ampliando a pressão sobre estruturas de acolhimento, saúde e segurança pública.

Do ponto de vista militar, as Forças Armadas brasileiras podem ser chamadas a reforçar a vigilância e o controle de fronteiras, intensificando operações de presença, logística e inteligência para conter atividades ilícitas, como tráfico de drogas, armas e garimpo ilegal, que costumam se expandir em contextos de colapso estatal.

Além disso, qualquer prolongamento do conflito eleva a importância do Brasil como ator de estabilidade regional, exigindo equilíbrio entre a defesa da soberania nacional, o respeito ao direito internacional e a necessidade de evitar o transbordamento da crise para o território brasileiro.

No plano regional, a crise venezuelana pode gerar um efeito de contágio, afetando países vizinhos como Colômbia, Guiana e países do Caribe. A presença militar ampliada dos Estados Unidos no entorno da Venezuela altera o equilíbrio estratégico sul-americano e reacende debates sobre soberania, alinhamentos políticos e autonomia regional.

O risco de instabilidade prolongada também impacta diretamente a segurança marítima e energética, especialmente no Caribe e no norte da América do Sul, regiões estratégicas para o escoamento de petróleo e comércio internacional.

Politicamente, a operação tende a aprofundar divisões na América Latina, com governos adotando posições distintas diante da ação norte-americana. Essa fragmentação dificulta respostas regionais coordenadas e enfraquece mecanismos multilaterais sul-americanos.

A Venezuela ocupa posição central no setor energético regional. Qualquer interrupção prolongada na produção ou no escoamento de petróleo pode gerar impactos nos mercados, afetando preços, cadeias logísticas e interesses de países sul-americanos direta ou indiretamente ligados ao setor.

Ao mesmo tempo, o controle ou a reestruturação do setor petrolífero venezuelano sob influência externa pode redesenhar o mapa energético regional, com efeitos estratégicos de longo prazo.

Para o Brasil e a América do Sul, a crise venezuelana entra em uma fase crítica, na qual segurança de fronteiras, estabilidade política e equilíbrio estratégico regional passam a ser fatores centrais. Independentemente do desfecho imediato, os próximos meses exigirão atenção redobrada, coordenação diplomática e preparo militar para lidar com possíveis efeitos colaterais de um cenário ainda altamente volátil.

No contexto regional, a Venezuela deixa de ser apenas uma crise interna e passa a representar um vetor de instabilidade estratégica com impactos diretos sobre a segurança sul-americana.

Considerações finais

A captura de Nicolás Maduro representa um ponto de inflexão, mas não uma solução automática para a crise venezuelana. O fator decisivo nos próximos dias será o comportamento das Forças Armadas e das estruturas de segurança internas.

Se houver coesão militar em torno de uma transição, o país pode caminhar para uma reorganização relativamente rápida. Caso contrário, a Venezuela corre o risco de entrar em um período de instabilidade prolongada, com impactos diretos para a segurança regional, o mercado energético e a geopolítica sul-americana.

Para os analistas de defesa, o cenário venezuelano passa agora da esfera política para uma fase essencialmente estratégica, onde controle territorial, comando militar e legitimidade internacional serão os principais vetores de poder.


por Angelo Nicolaci


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EUA realizam operação militar de grande escala na Venezuela e capturam Nicolás Maduro

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Uma operação militar de grande envergadura conduzida pelos Estados Unidos atingiu a Venezuela na madrugada deste sábado (3), com impactos diretos na capital Caracas e em instalações estratégicas do país. Segundo declaração do presidente norte-americano Donald Trump, forças americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que teria sido retirado do território venezuelano por via aérea, acompanhado de sua esposa.

De acordo com Trump, a ação foi conduzida por forças de segurança dos Estados Unidos, sem detalhamento oficial sobre os meios empregados ou o local de destino do líder venezuelano. Até o momento, Washington não apresentou imagens ou provas públicas da custódia de Maduro.

Durante a madrugada, moradores de Caracas relataram múltiplas explosões, tremores e intenso movimento de aeronaves voando em baixa altitude. A agência Associated Press informou que ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de aproximadamente 30 minutos. Houve interrupções no fornecimento de energia elétrica em diferentes bairros, com maior impacto nas proximidades da Base Aérea de La Carlota, considerada um ponto estratégico na defesa da capital.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando a cidade, indicando uma operação com emprego coordenado de poder aéreo e ações de precisão contra alvos sensíveis.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou não saber onde Maduro se encontra e exigiu do governo norte-americano a apresentação de uma prova de vida. Em comunicado oficial, o governo venezuelano declarou que o país estava sob ataque e acusou os Estados Unidos de promover uma agressão direta ao Estado venezuelano.

Segundo o texto divulgado por Caracas, Nicolás Maduro teria assinado um decreto declarando “estado de Comoção Exterior” em todo o território nacional, convocando forças políticas, sociais e militares para ativar planos de mobilização e resistência. O governo classificou a operação como uma “agressão imperialista” e afirmou que o objetivo dos Estados Unidos seria assumir o controle de recursos estratégicos, especialmente petróleo e minerais.

A Venezuela também declarou que se reserva o direito à legítima defesa e convocou países da América Latina e do Caribe a se posicionarem em solidariedade ao país.

A escalada que levou à operação militar vinha sendo construída ao longo dos últimos meses. Em agosto, os Estados Unidos elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro, reforçando simultaneamente a presença militar no Mar do Caribe. Oficialmente, a justificativa inicial foi o combate ao narcotráfico internacional.

Com o passar do tempo, no entanto, autoridades americanas passaram a indicar que o objetivo final seria a remoção do governo venezuelano. Em novembro, Trump e Maduro mantiveram contatos telefônicos, mas as negociações não avançaram. No mesmo período, Washington classificou o chamado Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando diretamente Maduro de liderar a estrutura.

Ainda em novembro, a imprensa internacional indicou que os Estados Unidos se preparavam para uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela. Além disso, reportagens apontaram o interesse norte-americano nas reservas de petróleo venezuelanas, consideradas as maiores do mundo. Nas últimas semanas, navios petroleiros da Venezuela foram apreendidos por forças americanas, e Trump determinou bloqueios a embarcações sob sanções.

Análise do cenário

A operação conduzida pelos Estados Unidos marca uma mudança significativa na condução da crise venezuelana, elevando o confronto de um longo embate político-diplomático para uma ação militar direta de alto impacto. A captura de um chefe de Estado em exercício, se confirmada de forma independente, representa um evento raro e de grande peso estratégico no cenário internacional.

Do ponto de vista militar, os relatos indicam uma operação cuidadosamente planejada, com forte emprego de poder aéreo, ações de precisão e provável neutralização prévia de sistemas de defesa e comando. O foco em áreas próximas a bases aéreas e instalações militares sugere o objetivo de paralisar a capacidade de resposta do regime e garantir controle rápido da situação em pontos-chave.

Estratégicamente, Washington parece buscar três efeitos principais: desarticular a liderança política venezuelana, enfraquecer estruturas ligadas ao narcotráfico e ampliar sua influência sobre uma região considerada vital do ponto de vista energético. A Venezuela ocupa posição central no tabuleiro energético global, e o controle ou reorientação de seu setor petrolífero tem implicações diretas para os mercados internacionais.

Para a América do Sul, o episódio eleva o nível de instabilidade regional. Mesmo países que não apoiam o governo Maduro tendem a observar com cautela uma intervenção militar direta de uma potência externa, dada a sensibilidade histórica do tema na região. Ao mesmo tempo, a capacidade de resposta efetiva dos governos latino-americanos é limitada, o que deve resultar, no curto prazo, em manifestações políticas mais do que em ações concretas.

No plano militar interno, a ausência pública de Maduro cria um cenário de incerteza. A coesão das Forças Armadas venezuelanas será um fator decisivo para os próximos desdobramentos. Fragmentação, disputas internas ou resistência localizada podem prolongar a instabilidade, enquanto uma rápida reorganização política poderia abrir caminho para uma transição forçada de poder.

Em síntese, a operação dos Estados Unidos redefine o conflito venezuelano, introduzindo um novo patamar de confronto e reposicionando a América do Sul no centro das atenções estratégicas globais. Os próximos dias serão decisivos para entender se a ação resultará em uma mudança rápida de regime ou em um período prolongado de instabilidade política e militar.


por Angelo Nicolaci


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com agências de notícias

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Alistamento Militar 2026 tem início em todo o país e amplia participação feminina

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Teve início ontem, 1º de janeiro, o período de Alistamento Militar 2026, etapa fundamental para a renovação anual dos efetivos das Forças Armadas. O prazo segue até 30 de junho, e a inscrição é obrigatória para os homens que completam 18 anos em 2026. Pelo segundo ano consecutivo, o processo também está aberto às mulheres, de forma voluntária, reforçando a ampliação da presença feminina nas fileiras militares.

As inscrições podem ser realizadas de forma online, por meio da página oficial do Alistamento Militar, inclusive por brasileiros que residem no exterior. A partir desta quinta-feira, também é possível se alistar presencialmente em uma Junta de Serviço Militar (JSM) próxima à residência do candidato ou candidata.

Criado pelo Ministério da Defesa em 2024, o Serviço Militar Feminino chega ao seu segundo ano com números mais robustos. Para 2026, estão disponíveis 1.467 vagas, sendo 1.010 destinadas ao Exército Brasileiro, 300 à Força Aérea Brasileira e 157 à Marinha do Brasil. A expectativa é de que esse quantitativo seja ampliado de forma gradual nos próximos anos.

Outro destaque desta edição é a expressiva expansão geográfica do programa. Em 2025, as vagas estavam distribuídas em 28 municípios, em 13 estados e no Distrito Federal. Para 2026, esse número salta para 145 municípios, abrangendo 21 estados e o DF, evidenciando o compromisso institucional de ampliar o acesso e a participação feminina. No primeiro ano do programa, 33.721 mulheres realizaram o alistamento.

Mais do que uma obrigação legal, o Serviço Militar representa uma oportunidade de formação cidadã, desenvolvimento de competências e preparo técnico. Durante o período de incorporação, os jovens têm contato com diferentes áreas de atuação, adquirindo experiência profissional relevante, em muitos casos o primeiro emprego formal, além de valores como disciplina, responsabilidade e espírito de serviço à Pátria.

Após a incorporação, é obrigatório o cumprimento do Serviço Militar Inicial por 12 meses, com possibilidade de prorrogação anual por até oito anos, desde que haja vagas, interesse do militar temporário e aprovação da Força Armada correspondente. Aqueles que se alistarem em 2026 serão incorporados no início de 2027.

O processo de seleção inclui as etapas de seleção geral, designação, seleção complementar e incorporação ou matrícula. Importante destacar que o alistamento não configura ingresso automático na carreira militar. Ao término do serviço obrigatório, o vínculo é encerrado, sendo necessário participar de concursos ou cursos específicos para quem deseja seguir carreira nas Forças Armadas.

O não cumprimento das obrigações militares acarreta uma série de restrições legais, conforme previsto no Decreto nº 57.654/1966, incluindo impedimentos para obtenção de passaporte, matrícula em instituições de ensino, registro profissional, posse em cargo público e assinatura de contratos com órgãos governamentais.

Com o início do Alistamento Militar 2026, as Forças Armadas reforçam seu papel estratégico não apenas na defesa nacional, mas também na formação de uma reserva humana qualificada, pronta para atuar tanto em situações de defesa quanto em ações subsidiárias de apoio à sociedade brasileira.


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SEJUSP/AC emprega VANT HARPIA no monitoramento de áreas alagadas e amplia capacidade de resposta a desastres naturais

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A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (SEJUSP/AC) empregou nesta terça-feira (30), o Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) HARPIA, desenvolvido pela brasileira ADTECH-SD, em missões de monitoramento das áreas afetadas pelos alagamentos causados pelas fortes chuvas que atingem o estado.

A aeronave foi utilizada para acompanhar, em tempo real, regiões críticas da capital e áreas ribeirinhas, com foco na identificação de vítimas, avaliação da extensão dos alagamentos e apoio direto ao planejamento e à condução das ações de resposta e resgate. O emprego do HARPIA demonstrou, na prática, a versatilidade do sistema e o significativo ganho de capacidade operacional proporcionado ao Estado do Acre com a incorporação da plataforma.

Projetado para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR), o HARPIA se destaca pela autonomia estendida e alcance operacional de mais de 218 quilômetros, sensores de alta performance e operação simplificada, características essenciais em cenários de crise que exigem vigilância contínua, rapidez na tomada de decisão e coordenação eficiente entre diferentes órgãos. Durante a operação, o VANT forneceu imagens aéreas em tempo real das áreas alagadas, permitindo uma visão ampla e precisa da situação no Rio Acre, no Igarapé São Francisco e em outros pontos sensíveis.

Entre os principais diferenciais do HARPIA estão a autonomia de voo de doze horas, superior às soluções do tipo VTOL da mesma categoria, garantindo longos períodos de vigilância sem a necessidade de pousos frequentes; o baixo custo operacional, significativamente inferior ao de aeronaves tripuladas ou drones de decolagem vertical; a simplicidade logística, que possibilita iniciar sua operação em poucos minutos, com equipe reduzida e sem infraestrutura complexa; e a capacidade de captação e transmissão de imagens em tempo real, integradas aos centros de comando e controle, ampliando o alcance da inteligência e a coordenação das ações em campo.

A operação integrou esforços da SEJUSP, do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) e da Polícia Militar. Segundo o comandante operacional do CBMAC, coronel Francisco Freitas, o uso do VANT representa um avanço relevante na integração entre os órgãos e no emprego da tecnologia como aliada no enfrentamento de desastres naturais. “Os voos de monitoramento fornecem imagens em tempo real das áreas alagadas, facilitando a tomada de decisão e permitindo direcionar nossos recursos para onde realmente há necessidade”, destacou.

Durante os sobrevoos, o HARPIA identificou pontos críticos, auxiliando na definição de rotas seguras, no direcionamento das equipes de resgate e na priorização das áreas que demandam maior atenção do poder público. As imagens captadas foram acompanhadas em tempo real por equipes da SEJUSP, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, reforçando a atuação integrada das forças estaduais.

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Américo Gaia, ressaltou que a tecnologia amplia significativamente a capacidade do Estado tanto no monitoramento preventivo quanto na resposta a emergências. “O VANT pode ser empregado no monitoramento de fronteiras e na prevenção de delitos, mas também em situações como esta, de desastre natural, apoiando diretamente o Corpo de Bombeiros e a defesa civil”, explicou.

O Acre tornou-se pioneiro no Brasil ao adquirir e colocar em operação o HARPIA, já empregado em missões de monitoramento, apoio às forças de segurança, vigilância de áreas sensíveis e agora na resposta a desastres naturais. A iniciativa reforça o protagonismo do estado na adoção de tecnologia de ponta, ampliando sua capacidade de atuação tanto no combate ao crime organizado quanto na vigilância de fronteiras e no apoio à defesa civil.

O emprego operacional do VANT HARPIA evidência de forma concreta, o valor estratégico da tecnologia nacional desenvolvida pela ADTECH SD, comprovando que soluções brasileiras são capazes de atender, com elevado nível de desempenho, às demandas mais complexas da segurança pública e defesa civil. Na prática, trata-se de um multiplicador de forças que reforça a soberania tecnológica, otimiza recursos públicos e eleva o padrão de proteção à população, consolidando o uso de meios aéreos não tripulados como ferramentas essenciais para a segurança em todas as suas dimensões.

Sobre a ADTECH

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada em soluções tecnológicas de alta performance voltadas à segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico. Com foco em inovação, confiabilidade e conformidade regulatória, a ADTECH consolida-se como uma referência nacional no desenvolvimento e na operação de aeronaves não tripuladas de última geração.



Fonte ADTECH-SD

imagens SEJUSP/AC


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