sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

MBDA consolida parceria estratégica com o Brasil em novo ciclo de fortalecimento da defesa nacional

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A MBDA vive um momento estratégico singular no Brasil, marcado por avanços institucionais relevantes, resultados operacionais de alto impacto e pelo fortalecimento de sua estrutura de governança regional. Com mais de cinquenta anos de relacionamento com o País, o grupo multinacional europeu reafirma seu compromisso de longo prazo com a defesa nacional brasileira, combinando liderança tecnológica global, parcerias industriais locais e soluções alinhadas às necessidades das Forças Armadas.

Reconhecida como líder europeia em sistemas complexos de defesa, a MBDA construiu uma trajetória baseada em excelência em engenharia avançada, inovação contínua e domínio de tecnologias críticas. Seu portfólio abrange mísseis e sistemas para emprego terrestre, naval e aéreo, o que a posiciona como parceira estratégica em projetos de alta complexidade, diretamente relacionados à soberania e à proteção do espaço nacional.

Presença local e cooperação industrial

No Brasil, essa parceria atingiu um novo patamar com a criação da MBDA Brasil, a primeira subsidiária do grupo na América Latina. Sediada no Rio de Janeiro, a unidade representa a consolidação da presença local da empresa e o fortalecimento da cooperação tecnológica e industrial com companhias nacionais. Essa estrutura possibilita o desenvolvimento de soluções sob medida para a Marinha do Brasil, a Força Aérea Brasileira (FAB) e o Exército Brasileiro, além de viabilizar iniciativas consistentes de transferência de conhecimento e capacitação técnica.

Esse movimento é reforçado pela nomeação, em junho de 2025, de Ricardo Mantovani como Vice-Presidente de Vendas para as Américas. A nova liderança integra a estratégia de expansão regional da MBDA e contribui para o aprofundamento do diálogo institucional e comercial com parceiros governamentais e industriais, ampliando a presença do grupo no continente.

Avanços no domínio aéreo

Os resultados dessa cooperação tornaram-se especialmente visíveis no domínio aéreo. Em novembro de 2025, durante a Operação BVR-X, realizada pela FAB na Base Aérea de Natal (RN), foram efetuados com sucesso os primeiros lançamentos do míssil Meteor a partir do caça F-39E Gripen. Os disparos contra alvos aéreos que simulavam perfis de voo de caças em cenários altamente desafiadores confirmaram o desempenho do mais avançado míssil ar-ar além do alcance visual atualmente em operação.

Equipado com propulsão ramjet, elevada manobrabilidade na fase final de engajamento, sensores avançados e alta resistência a contramedidas eletrônicas, o Meteor amplia significativamente a capacidade de dissuasão da Força Aérea Brasileira. Além do êxito operacional, a operação evidenciou a profundidade da parceria entre a MBDA e a FAB, incluindo ações de compartilhamento de conhecimento e transferência de tecnologia conduzidas em cooperação com o Instituto de Aplicações Operacionais, fortalecendo competências estratégicas no País.

Defesa antiaérea terrestre e integração conjunta

No campo da defesa terrestre, a MBDA também ocupa posição central em um projeto estruturante para o Exército Brasileiro. Em 9 de janeiro de 2026, foi publicada a Portaria nº 1.686–EME/CEx, que aprova a diretriz de obtenção do Sistema de Artilharia Antiaérea de Média Altura / Médio Alcance (EB20-D-04.022). A diretriz estabelece não apenas a aquisição de sistemas capazes de assegurar a defesa antiaérea do território nacional, mas também planos de curto, médio e longo prazo voltados à adequação de infraestrutura, capacitação de operadores, suporte logístico integrado e programas de modernização de meia-vida.

Dentro desses parâmetros, o Sistema EMADS, da MBDA, destaca-se por suas características técnicas e operacionais. Trata-se de uma solução de arquitetura aberta, capaz de integrar radares de diferentes origens, o que garante flexibilidade doutrinária e segurança para futuras evoluções do projeto, incluindo a incorporação de sensores nacionais em etapas posteriores. Essa característica já foi comprovada em experiências internacionais no Reino Unido, na Polônia e na Itália.

Outro aspecto relevante é a interoperabilidade proporcionada pelo uso dos mísseis CAMM-ER (Common Anti-air Modular Missile – Extended Range), pertencentes à mesma família dos mísseis CAMM recentemente entregues às Fragatas da Classe Tamandaré da Marinha do Brasil. Essa convergência tecnológica favorece a padronização logística, a racionalização de estoques, o compartilhamento de procedimentos e a redução de custos ao longo do ciclo de vida, fortalecendo a atuação conjunta das Forças Armadas.

Com elevado desempenho, pleno atendimento aos requisitos operacionais do Exército Brasileiro e contribuição direta para o fortalecimento da postura dissuasória nacional, o Sistema EMADS se alinha de forma consistente à diretriz estabelecida pela Portaria nº 1.686–EME/CEx, reforçando o papel da MBDA como fornecedora de soluções integradas e alinhadas aos interesses estratégicos do Brasil.

Um ciclo de consolidação e projeção

A combinação entre liderança global, presença local por meio da MBDA Brasil, cooperação industrial, resultados operacionais concretos, como o sucesso do míssil Meteor no Gripen, e o avanço institucional representado pela nova diretriz do Exército evidencia que a MBDA atravessa um ciclo de consolidação e projeção no País. A chegada do novo Vice-Presidente de Vendas simboliza a continuidade de uma parceria sólida e estratégica, orientada para o fortalecimento da soberania, da dissuasão e da autonomia tecnológica brasileira.

Segundo Ricardo Mantovani, “a MBDA tem sido pioneira no estabelecimento de parcerias sólidas com a indústria brasileira, estruturando colaborações estratégicas que asseguram participação relevante de conteúdo nacional em sistemas de mísseis em operação no país. Essa trajetória demonstra o compromisso da empresa com a excelência tecnológica e com o desenvolvimento de uma presença industrial local sólida e sustentável. A continuidade de soluções já adotadas e a cooperação com empresas nacionais reafirmam uma relação construída com base na confiança mútua e em uma visão de longo prazo, elementos essenciais para o fortalecimento da base industrial de defesa brasileira.


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O mundo redescobre a guerra industrial e expõe a fragilidade das grandes potências

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Durante décadas, a guerra foi tratada por muitas potências como um evento limitado, rápido e tecnologicamente controlável. Conflitos seriam vencidos por precisão, informação e superioridade tecnológica, enquanto a dimensão industrial da guerra parecia um conceito do passado. Os acontecimentos recentes no cenário internacional desmontaram essa ilusão. O mundo redescobriu a guerra de atrito, e com ela veio uma constatação incômoda: as grandes potências não estavam preparadas para sustentar um conflito prolongado.

A guerra na Ucrânia acelerou esse choque de realidade. O consumo diário de munições de artilharia, mísseis, foguetes e sistemas antiaéreos atingiu níveis que excedem em muito a capacidade de reposição da maioria dos países ocidentais. Estoques considerados suficientes para meses mostraram-se adequados apenas para semanas. Linhas de produção, antes dimensionadas para tempos de paz, revelaram-se lentas, caras e excessivamente dependentes de cadeias globais frágeis.

Esse cenário desencadeou uma corrida silenciosa, porém intensa, por rearmamento e reindustrialização militar. Países europeus passaram a revisar doutrinas, contratos e modelos de aquisição. Os Estados Unidos, mesmo com a maior base industrial de defesa do mundo, enfrentam gargalos na produção de munições críticas. A Rússia, por sua vez, reorientou sua economia para um modelo de esforço de guerra prolongado, priorizando volume, simplicidade e rapidez na produção.

O ponto central desse debate não é apenas quantidade, mas sustentabilidade. A guerra moderna mostrou que tecnologia de ponta não elimina a necessidade de massa. Sistemas avançados são essenciais, mas eles falham, são abatidos e precisam ser substituídos. Mísseis de alto valor unitário não podem ser a única resposta quando o adversário aceita perdas e opera com lógica de desgaste.

A crise de munições revelou também um problema estrutural: a terceirização excessiva da soberania industrial. Muitos países descobriram que dependem de poucos fornecedores, localizados fora de seu território, para itens críticos de defesa. Em um cenário de conflito ampliado, essas cadeias se tornam vulneráveis a pressões políticas, sanções, bloqueios logísticos e simples incapacidade de atender à demanda simultânea de vários clientes.

Esse movimento está redefinindo prioridades estratégicas no mundo. Fábricas estão sendo reabertas, contratos de longo prazo assinados e legislações revistas para permitir produção acelerada. A lógica da eficiência econômica cede espaço à lógica da resiliência estratégica. Produzir mais caro dentro de casa passa a ser visto como um seguro nacional, não como desperdício.

A discussão também expõe uma mudança doutrinária profunda. Durante anos, forças armadas foram moldadas para operações expedicionárias, intervenções limitadas e conflitos assimétricos. Hoje, o foco retorna para a defesa territorial, a capacidade de absorver choques prolongados e a manutenção do poder de combate ao longo do tempo. Quem não consegue sustentar o esforço perde relevância estratégica, independentemente da sofisticação inicial de seus meios.

Para países fora do centro dos grandes conflitos, essa transformação não é um problema distante. Ela redefine alianças, fluxos de tecnologia, preços e disponibilidade no mercado internacional de defesa. A competição por munições, sistemas e componentes tende a se intensificar, deixando países sem base industrial própria em posição ainda mais vulnerável.

O caso brasileiro se insere nesse contexto de forma quase automática. O Brasil não enfrenta hoje uma ameaça militar convencional imediata, mas vive em um mundo onde a capacidade de dissuasão voltou a ser medida também pela prontidão industrial. A dependência externa para munições, componentes críticos e sistemas estratégicos expõe fragilidades que só se manifestam plenamente em momentos de crise, quando já é tarde para reagir.

A guerra industrial voltou ao centro do tabuleiro global. Não como um resquício do passado, mas como uma realidade incontornável do presente. Ignorar esse movimento é apostar que os conflitos do futuro seguirão regras que já deixaram de existir. Em um mundo cada vez mais instável, quem não produz, não sustenta e não se adapta rapidamente corre o risco de descobrir sua fragilidade apenas quando for colocado à prova.

Nesse cenário, o debate brasileiro sobre defesa precisa amadurecer com urgência. O Brasil é uma potência regional, detém uma das maiores economias do mundo e possui um território vasto, rico em minérios estratégicos, recursos energéticos, água doce e biodiversidade. Esses ativos não apenas sustentam o desenvolvimento nacional, como também despertam crescente interesse e cobiça no cenário internacional, especialmente em um mundo pressionado por escassez, transição energética e disputas geopolíticas.

Apesar disso, a capacidade nacional de defesa permanece aquém da responsabilidade estratégica que o país carrega. Investir na Base Industrial de Defesa não é um luxo nem uma escolha ideológica, mas uma necessidade estrutural. Ampliar a capacidade de produção de munições, sistemas, sensores e plataformas, fortalecer cadeias produtivas nacionais e garantir autonomia mínima em itens críticos é parte essencial da soberania.

A ausência de investimentos consistentes cria uma contradição perigosa: um país com enorme relevância geopolítica, vastos recursos estratégicos e influência regional, mas com capacidade limitada de proteger seus próprios interesses em um ambiente internacional cada vez mais competitivo e imprevisível. Defesa não se constrói em ciclos eleitorais, nem se improvisa em momentos de crise. Ela exige planejamento de longo prazo, continuidade e compreensão de que dissuasão começa muito antes do conflito.


por Angelo Nicolaci


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Colômbia aposta no escudo antidrone e expõe a nova face da guerra criminal na América Latina

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A Colômbia decidiu tratar uma realidade incômoda de frente: o espaço aéreo de baixa altitude deixou de ser um vazio estratégico e passou a ser um campo de batalha. O anúncio de um amplo programa nacional de defesa antidrone não é apenas uma resposta tática a ataques recentes, mas um sinal claro de que Bogotá compreendeu algo que muitos países da região ainda relutam em aceitar, drones baratos, improvisados e facilmente adaptáveis mudaram definitivamente o equilíbrio entre o Estado e grupos criminosos organizados, incluindo redes transnacionais ligadas ao narcotráfico e a outras economias ilícitas.

Nos últimos anos, essas organizações passaram a empregar aeronaves não tripuladas não apenas para vigilância, mas como vetores de ataque. Drones comerciais adaptados, municiados com explosivos e operados à distância, tornaram-se ferramentas eficazes contra bases militares, patrulhas, forças de segurança e instalações críticas. O custo é baixo, o risco para o operador é mínimo e o impacto psicológico e operacional é alto. Para um país com décadas de experiência no enfrentamento de estruturas criminosas armadas, a Colômbia percebeu que ignorar essa evolução significaria aceitar uma vulnerabilidade estrutural.

O programa colombiano vai além da simples aquisição de equipamentos. Trata-se de uma arquitetura de defesa em camadas, integrando sensores, sistemas de guerra eletrônica, meios de neutralização física e centros de comando capazes de operar de forma conjunta entre Forças Armadas, polícia e agências civis. O objetivo não é apenas derrubar drones, mas detectar padrões, antecipar ameaças e negar o uso do espaço aéreo a atores hostis que operam à margem do Estado, mas com capacidades cada vez mais sofisticadas.

Esse movimento coloca a Colômbia em uma posição singular na América Latina. Enquanto muitos países ainda tratam drones como um problema pontual de segurança pública, Bogotá os reconhece como um desafio direto à soberania e à defesa nacional. É uma mudança conceitual importante. O drone deixa de ser visto como uma exceção tecnológica e passa a ser tratado como parte do ambiente operacional moderno, assim como já ocorre em cenários de conflito onde organizações criminosas assumem métodos típicos de forças insurgentes.

O debate, no entanto, vai além das fronteiras colombianas. A iniciativa expõe uma lacuna regional evidente: a ausência de sistemas robustos de defesa antidrone e de controle efetivo do espaço aéreo de baixa altitude. Em um continente marcado por extensas fronteiras terrestres, áreas de selva, regiões pouco povoadas e intensa atuação de organizações criminosas transnacionais, a proliferação de drones tende a crescer, não a diminuir.

É nesse ponto que o caso colombiano deveria acender um alerta estratégico no Brasil. O país possui mais de 16 mil quilômetros de fronteiras terrestres, grande parte em regiões de difícil acesso, além de infraestrutura crítica espalhada por um território continental. Ainda assim, o Brasil dispõe hoje de um número reduzido de drones de monitoramento de longa permanência efetivamente empregados de forma contínua, tanto no âmbito militar quanto na segurança pública.

Essa limitação chama ainda mais atenção quando se observa que o país possui uma base industrial capaz de desenvolver tecnologias próprias. Empresas nacionais já projetaram e produzem sistemas não tripulados voltados justamente ao monitoramento persistente de grandes áreas, como o drone Harpia da ADTech, concebido para vigilância de fronteiras, áreas remotas e missões prolongadas. Apesar disso, a incorporação desses meios ainda ocorre de forma pontual, sem uma estratégia nacional integrada.

No campo da segurança pública, poucas forças estaduais utilizam drones de permanência de maneira sistemática. Estados como Acre e Amazonas despontam como exceção, operando o Harpia e outros sistemas em missões de vigilância de áreas extensas, especialmente em regiões de selva, rios e fronteiras porosas. Em outros estados, iniciativas ainda se encontram em fase de estudo ou avaliação, com análises envolvendo soluções nacionais e estrangeiras, incluindo projetos de aeronaves remotamente pilotadas de longa autonomia desenvolvidas no Brasil.

O Brasil já emprega drones para vigilância e reconhecimento, mas de forma fragmentada e, muitas vezes, restrita a operações específicas. Falta uma estratégia nacional clara que integre esses meios ao monitoramento permanente de fronteiras e, simultaneamente, ao desenvolvimento de capacidades efetivas de defesa antidrone. Não se trata apenas de adquirir plataformas, mas de estruturar doutrina, treinamento, integração entre Forças Armadas, forças policiais e agências civis, além de fortalecer a indústria nacional como parte do esforço estratégico.

Ignorar essa realidade também significa evitar um debate incômodo: o caráter narco-terrorista de organizações criminosas que controlam territórios, impõem regras próprias, utilizam armamento pesado e agora incorporam meios aéreos não tripulados às suas operações. A negação política desse fenômeno não reduz sua gravidade operacional nem seus efeitos sobre a segurança nacional.

A experiência colombiana mostra que o custo da adaptação é alto, mas o custo da inação é ainda maior. Drones não respeitam limites geográficos, não precisam de pistas e não dependem de grandes estruturas logísticas. Ignorá-los é abrir mão do controle sobre uma dimensão cada vez mais decisiva da defesa contemporânea.

Se a Colômbia está desenhando hoje a nova fronteira da defesa na América Latina, o Brasil precisa decidir se continuará observando à distância ou se assumirá o protagonismo que seu tamanho, suas responsabilidades e seus interesses estratégicos exigem. Investir em defesa antidrone e em monitoramento persistente de fronteiras com drones, especialmente aproveitando capacidades já existentes na indústria nacional, não é mais uma opção tecnológica, é uma necessidade estratégica diante da evolução do crime organizado em direção a métodos cada vez mais próximos do terrorismo.


por Angelo Nicolaci


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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Albatroz Vortex realiza voo inaugural com turbina a jato nacional e marca novo patamar da indústria de drones no Brasil

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A indústria aeroespacial brasileira alcançou um marco relevante com a realização do primeiro voo do Albatroz Vortex, aeronave não tripulada de alta performance desenvolvida integralmente no país e equipada com uma turbina a jato também de concepção nacional. O ensaio foi conduzido na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e representa a primeira operação em voo, no Brasil, de um drone nacional utilizando propulsão a reação desenvolvida internamente.

O teste simboliza um avanço concreto no domínio de tecnologias críticas, ao integrar uma plataforma aérea da Stella Tecnologia com um sistema propulsivo a jato desenvolvido pela AERO Concepts. A operação contou com o apoio do Ministério da Defesa e da Força Aérea Brasileira, no âmbito do Acordo de Cooperação e Parceria para Desenvolvimento Tecnológico firmado em novembro de 2025, voltado à pesquisa, desenvolvimento e produção de sistemas de propulsão de até 5.000 newtons para veículos aéreos não tripulados, atendendo a demandas estratégicas da FAB.

Realizado em 17 de dezembro, o voo teve como foco a validação da turbina em condições reais de operação e a verificação da integração entre o sistema propulsivo e a aeronave, um dos principais desafios técnicos no desenvolvimento de drones dessa categoria. O sucesso do ensaio confirma a maturidade do projeto e abre caminho para a ampliação do envelope de voo da plataforma.

O Albatroz Vortex é uma aeronave não tripulada com peso máximo de decolagem em torno de 150 kg, derivada de uma família de drones já consolidada tecnologicamente pela Stella Tecnologia. A adoção da propulsão a jato amplia significativamente suas capacidades, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes mais elevadas e novas possibilidades de emprego, tanto em aplicações civis quanto militares.

Segundo Gilberto Buffara Jr., presidente da Stella Tecnologia, o voo representa a evolução natural de um trabalho iniciado com o desenvolvimento do Atobá, hoje a maior plataforma não tripulada criada no hemisfério sul, e do Albatroz convencional. A introdução da propulsão a reação amplia de forma substancial o horizonte tecnológico dessas aeronaves, posicionando a empresa em um patamar mais avançado no desenvolvimento de sistemas não tripulados.

A escolha do Albatroz como plataforma de ensaios reflete o nível de maturidade e confiabilidade alcançado pelos drones da Stella. A turbina integrada faz parte de um projeto inovador de propulsão híbrida conduzido pela AERO Concepts, com apoio da FINEP, reforçando a cooperação entre as duas empresas no desenvolvimento contínuo de tecnologias voltadas às necessidades nacionais e a oportunidades no mercado internacional.

A aeronave foi propulsionada pela ATJR 15-5, turbina a jato desenvolvida integralmente pela AERO Concepts, empresa sediada em São José dos Campos. Com empuxo de 500 newtons, a ATJR 15-5 torna-se a primeira turbina de reação projetada e fabricada no Brasil a operar em voo integrada a um drone, após completar todas as etapas de desenvolvimento, incluindo projeto, fabricação de protótipos, ensaios em bancada e validação em voo.

Esse resultado insere o Brasil em um grupo restrito de países capazes de desenvolver e integrar motores a jato a sistemas aéreos não tripulados. Em um cenário internacional marcado por restrições tecnológicas e cadeias de suprimento cada vez mais sensíveis, essa competência assume caráter estratégico, contribuindo para a autonomia tecnológica e ampliando o potencial de parcerias e aplicações em diferentes mercados.

De acordo com Alexandre Roma, diretor de Operações e Engenharia do Grupo AERO Concepts, a empresa foi criada com o objetivo de desenvolver propulsão a reação nacional com aplicação prática. O voo da turbina em uma plataforma robusta como o Albatroz Vortex confirma a maturidade da engenharia envolvida e valida uma família completa de turbinas com empuxo entre 500 e 5.000 newtons, voltadas a diferentes classes de aeronaves não tripuladas.

Além do avanço tecnológico, o uso de turbinas a jato oferece vantagens operacionais em relação a motores convencionais, como maior desempenho em altas velocidades e altitudes elevadas, elevado empuxo e menor nível de vibração, fatores que impactam diretamente a eficiência, o alcance e a durabilidade estrutural das aeronaves.

A integração da turbina ao Albatroz Vortex foi viabilizada pelo elevado grau de maturidade técnica da plataforma e pela cooperação estreita entre as equipes da Stella e da AERO Concepts, formalizada em 2024 durante a feira FIDAE. Desde então, os trabalhos se concentraram na definição da estratégia de ensaios e na adaptação do sistema propulsivo à aeronave, culminando no voo inaugural.

Após essa etapa inicial, o programa segue para uma fase de ensaios progressivos, com foco na expansão do envelope de voo, avaliação de desempenho e consolidação do sistema integrado. Paralelamente, a AERO Concepts avança na estruturação de seus processos produtivos, com o objetivo de dominar integralmente as tecnologias de fabricação de turbinas a jato no país, reduzir dependências externas e atender às demandas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

A Stella Tecnologia, por sua vez, prossegue com os ensaios em voo do Albatroz Vortex, buscando amadurecer a aeronave como uma solução de alta performance, com sistemas embarcados cada vez mais refinados e alinhados às necessidades estratégicas nacionais.

O voo do Albatroz Vortex evidencia a capacidade da indústria brasileira de integrar plataformas aéreas não tripuladas com propulsão a jato, consolidando competências industriais estratégicas e reforçando a soberania tecnológica do país em um segmento considerado crítico para o futuro das operações aéreas e de defesa.


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com informações Rossi Comunicação

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Elbit Systems consolida presença no Reino Unido e reforça polo europeu de sistemas aéreos não tripulados

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A consolidação dos sistemas não tripulados como um dos pilares da guerra moderna segue impulsionando movimentos estratégicos na indústria de defesa europeia. Nesse contexto, a Elbit Systems UK concluiu a aquisição total da UAV Tactical Systems Ltd. (UTACS), após a aprovação de todos os trâmites regulatórios e governamentais, reforçando de forma direta a posição do Reino Unido como um centro relevante no desenvolvimento e suporte de tecnologias aéreas não tripuladas voltadas ao ambiente europeu e da OTAN.

A UTACS não é um ativo novo ou experimental. Ao longo de quase vinte anos, a empresa construiu uma trajetória sólida no fornecimento de sistemas aéreos não tripulados táticos para o Exército Britânico, além de operar com clientes internacionais de alto perfil, incluindo missões das Nações Unidas e forças armadas de países membros da Aliança Atlântica. Essa experiência operacional acumulada é um dos principais vetores que motivaram a incorporação plena da empresa à estrutura da Elbit Systems.

Com a aquisição integral, a Elbit Systems passa a ter maior liberdade para integrar a UTACS à sua cadeia global de desenvolvimento, engenharia e suporte de UAS, transformando a unidade britânica em um hub regional de inovação. A iniciativa permitirá acelerar ciclos de desenvolvimento, adaptar soluções às necessidades específicas de clientes europeus e ampliar a capacidade de suporte local, um fator cada vez mais valorizado em contratos de defesa no continente.

Do ponto de vista industrial, a operação reforça a base de defesa do Reino Unido ao preservar e ampliar uma força de trabalho altamente especializada, mantendo no país competências críticas em engenharia, integração de sistemas e suporte logístico. Em um cenário de crescente preocupação com autonomia estratégica europeia, esse tipo de investimento ganha peso não apenas econômico, mas também político e militar.

A movimentação também se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento das capacidades da OTAN no domínio dos sistemas não tripulados, considerados hoje essenciais para missões de vigilância, reconhecimento, aquisição de alvos e apoio às operações terrestres. A capacidade de projetar, fabricar e sustentar esses sistemas em território aliado reduz vulnerabilidades e aumenta a prontidão operacional das forças envolvidas.

Para a Elbit Systems, a aquisição da UTACS representa mais um passo em sua estratégia de expansão sustentada na Europa. Segundo o presidente e CEO da empresa, Bezhalel Machlis, o objetivo é atender à crescente demanda por soluções não tripuladas avançadas, ao mesmo tempo em que se ampliam as capacidades industriais e tecnológicas no continente, consolidando um compromisso de longo prazo com o Reino Unido e com a indústria de defesa europeia como um todo.

O movimento confirma uma tendência clara no setor: a consolidação de capacidades críticas em polos regionais, capazes de responder rapidamente às exigências operacionais atuais e futuras, em um ambiente de segurança cada vez mais complexo e tecnologicamente orientado.


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O Emprego de Drones Estratégicos na Segurança Pública.

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A atividade de segurança pública no Brasil é um grande desafio. Existe a sensação de que os Órgãos de Segurança Pública (OSP) estão sempre a um passo atrás da criminalidade. Uma das soluções para auxiliar os OSP a reverter esse quadro se encontra no uso na tecnologia, basicamente no segmento de drones estratégicos de alta performance.

O que são drones de alta performance? São equipamentos que possuem capacidade de permanecer mais de 10 (dez) horas no ar com alcance superior a 100 (cem) km e a capacidade de carregar equipamentos de Inteligência.

No Brasil, a oferta desses drones ainda é limitada. Poucas empresas podem disponibilizar esse equipamento ao mercado nacional e devido às dificuldades da legislação brasileira no tocante à certificação e ao uso do espaço aéreo, no curto prazo esse quadro não será alterado.

No entanto, essas poucas empresas têm muito a oferecer no combate à criminalidade. Os drones estratégicos representam um salto tecnológico na vigilância, no monitoramento e no levantamento de dados de inteligência que podem ser utilizados pelos OSP, produzindo excelentes resultados que outro meio tecnológico não consegue alcançar.

Essas aeronaves remotamente pilotadas (ARP) oferecem capacidades de monitoramento persistente e de longo alcance que transformam a atuação das Forças Policiais federais e estaduais em regiões de fronteira, em áreas urbanas críticas e em cenários complexos.

Tais aeronaves possuem autorização para voar além de 200 km de distância da estação de pilotagem, permitindo cobrir vastas extensões territoriais sem necessidade de múltiplos pontos de controle. Qualquer demanda de vigilância, inclusive o patrulhamento rotineiro, pode ser solucionada por uma ARP, gerando economia de meios e tempo.

Essas aeronaves são equipadas com câmeras de alta definição, o que proporciona a capacidade de monitoramento a grande altitude, sendo invisível e inaudível ao alvo terrestre. A capacidade de sobrevoo silencioso permite coletar evidências de ilícitos nacionais e transnacionais sem alertar os suspeitos, facilitando prisões em flagrante e mapeamento de esconderijos de armas e drogas.

Além disso, algumas aeronaves possuem outras cargas pagas (payloads) que foram projetadas especificamente para a atividade de Inteligência, para interceptar sinais de telefonia celular (monitoramento sem escuta) e de rádios transmissores. Tais sistemas concedem aos OSP uma vantagem significativa sobre a criminalidade.

A utilização desses payloads permite a identificação em uma comunidade, em tempo real, de todos os meliantes que se utilizam de um rádio transmissor ou de um telefone celular, plotando sua localização em um mapa. Essa capacidade dá uma vantagem significativa ao Estado, pois permite localizar em uma comunidade onde estão os criminosos, assim, facilitando o planejamento, preservando a vida dos agentes e limitando danos colaterais.

A utilização desses drones em prol da segurança pública já está ocorrendo em estados do sul e do norte do Brasil e está, cada vez mais, se tornando peça fundamental nas ações de inteligência e repressão ao crime regional, nacional e transnacional.

Tais equipamentos são extremamente eficazes e aptos para patrulhar zonas de fronteira seca e ribeirinha, fornecendo dados às equipes policiais em solo, proporcionando uma melhor consciência situacional, o que vai auxiliar ao combate ao tráfico de drogas e armas em locais de difícil acesso terrestre. Podem também ser usados para detectar desmatamento e garimpo ilegal em tempo real, integrando a segurança pública com a fiscalização ambiental.

A adoção de drones estratégicos pelas polícias estaduais e federais, além das Forças Armadas, oferece muitos benefícios diretos:

 Tais aeronaves podem substituir ou complementar o uso de helicópteros tripulados, que possuem custos de hora-voo e manutenção significativamente superior, além de preservar a vida das tripulações ao sobrevoar áreas conflagradas;

 Permitem, também a exploração visual de áreas de alto risco antes da entrada de equipes táticas, minimizando a exposição de agentes e a ocorrência de confrontos diretos, reduzindo o dano à população;

 Realizam o monitoramento de alvos ou áreas por muitas horas e até mesmo por dias, sem o emprego de forças policiais terrestres e longe do ponto de lançamento;

 Facilitam o compartilhamento de dados em tempo real entre diferentes órgãos, otimizando a resposta a incidentes e melhorando a coordenação em operações conjuntas;

 Possibilitam o emprego de tecnologia nacional, sem a reserva de mercado de outros governos, garantindo autonomia ao Brasil na manutenção e evolução dos sistemas de defesa, sem dependência exclusiva de fornecedores estrangeiros;

 Oferecem resultados por meio de tecnologias desenvolvidas especificamente para a área de inteligência, que não poderiam ser obtidos de outra forma, determinando, com relativa precisão, a posição de meliantes por meio do uso de seus celulares e de seus rádios.

Para a operação de drones estratégicos no Brasil, é necessário um longo caminho para a certificação (em torno de cinco anos) junto à ANAC e ANATEL. Isso exclui a inserção de aeronaves fabricadas fora do Brasil que não possuem certificações em seu país de origem, limitando o mercado interno a aeronaves produzidas por poucas empresas.

Mas, além das certificações, outro limitador à inserção de aeronaves não nacionais em nosso mercado é o uso do espaço aéreo. Drones estratégicos necessitam usar o espaço aéreo simultaneamente a aeronaves tripuladas. Apesar das operações de segurança pública possuírem prioridade, é necessário seguir regras específicas para missões estratégicas.

Para autorizar uma aeronave remotamente pilotada a utilizar o espaço aéreo brasileiro, a ANAC exige a análise de Risco Operacional denominada SORA. É uma metodologia estruturada para avaliar e classificar os riscos de segurança em operações com drones (RPAS/UAS) que não se enquadram nas regras simples de voo recreativo.

Por exemplo, voos próximos a aeródromos ou em áreas densamente povoadas exigem análise de impacto no tráfego aéreo e, frequentemente, a emissão de um NOTAM (Aviso aos Aeronavegantes). Ou, para voar a longas distâncias, o DECEA exige a segregação do espaço aéreo ou o uso de tecnologias “Detect and Avoid” (Detectar e Evitar) para prevenir colisões com aeronaves tripuladas.

Ao utilizar drones nacionais como o Harpia, a elaboração da SORA é facilitada pela proximidade com a ADTECH, que fornece os dados técnicos e ensaios de voo necessários para preencher os requisitos de integridade exigidos pela ANAC.

Em 2026, as forças de segurança federal e estadual irão se beneficiar de Cenários Padrão (Standard Scenarios) definidos pela ANAC, que simplificarão o processo de autorização para missões de emergência ou patrulhamento de rotina em áreas de fronteira.

Como uma das fabricantes de drones estratégicos nacionais, A Advanced Technologies conclama os OSP e as Forças Armadas a conhecerem as vantagens do uso dessas aeronaves sobre outras tecnologias. São veículos aéreos com tecnologia nacional, fabricados por empresas nacionais que nada deixam a desejar em relação aos concorrentes internacionais. Além de possuir uma relação custo-benefício bem mais vantajosa.

Temos certeza de que os ganhos serão muitos e que nossa população é quem mais irá se beneficiar com isso.


Autor: Coronel (R1) Marcos Venício Mendonça – Diretor e Sócio Fundador da ADTECH-SD


Sobre a ADTECH

A Advanced Technologies Security & Defense (ADTECH-SD) é uma empresa brasileira reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), especializada em soluções tecnológicas de alta performance voltadas à segurança pública, defesa territorial e monitoramento estratégico. Com foco em inovação, confiabilidade e conformidade regulatória, a ADTECH consolida-se como uma referência nacional no desenvolvimento e na operação de aeronaves não tripuladas de última geração.



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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Drones ucranianos colocam à prova a defesa aérea russa e expõem limites de sistemas

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Ao longo dos últimos meses, a guerra aérea entre Rússia e Ucrânia entrou em uma nova fase, marcada pelo uso crescente de drones ucranianos de longo alcance contra alvos estratégicos em profundidade. Informações divulgadas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia indicam que essa campanha resultou na destruição ou neutralização de sistemas de defesa aérea russos avaliados em cerca de quatro bilhões de dólares, atingindo diretamente alguns dos meios mais sofisticados do arsenal de Moscou.

Segundo o SBU, foram afetados sistemas considerados pilares da defesa aérea russa, como os complexos S-300, S-350 e S-400, além dos sistemas Buk-M1, Buk-M2, Pantsir-S1 e Pantsir-S2. Também teriam sido registradas perdas relevantes em radares de vigilância, aquisição e guiagem, componentes essenciais para o funcionamento integrado do sistema antiaéreo multinível da Federação Russa.

De acordo com a avaliação ucraniana, os ataques tiveram um efeito que vai além da destruição pontual de baterias e sensores. A neutralização seletiva desses meios teria aberto brechas no dispositivo defensivo russo, permitindo a criação de corredores aéreos explorados por drones de longo alcance. Esses vetores passaram a alcançar bases militares, aeródromos, depósitos logísticos e outras instalações sensíveis em áreas sob controle russo.

Até o momento, Moscou não apresentou resposta oficial às informações divulgadas por Kiev. O silêncio ocorre em um contexto no qual a Ucrânia busca ampliar o uso de capacidades de ataque à distância como forma de compensar sua desvantagem numérica e material no combate terrestre, apostando na combinação entre tecnologia, inteligência e ações assimétricas.

A real dimensão do impacto desses ataques, no entanto, é difícil de ser confirmada de forma independente. Relatos do SBU sobre operações conduzidas tanto na Crimeia ocupada quanto no interior da Rússia são recorrentes, mas a verificação externa permanece limitada. Ainda assim, a constância das ações e a variedade de alvos sugerem uma campanha estruturada voltada a enfraquecer a espinha dorsal da defesa aérea russa.

Paralelamente, a ofensiva ucraniana também tem mirado a base industrial de defesa da Rússia. Uma operação conjunta do SBU com a Marinha da Ucrânia atingiu instalações industriais na cidade de Taganrog, onde funcionava a fábrica Atlant Aero. O complexo produzia componentes e drones completos, incluindo o Molniya, uma munição de asa fixa de baixo custo amplamente empregada pelas forças russas na linha de frente. Autoridades ucranianas afirmam que o ataque comprometeu de forma significativa a capacidade produtiva da instalação.

O conjunto desses episódios reforça uma tendência já perceptível no conflito: sistemas caros, complexos e tecnologicamente avançados estão cada vez mais expostos a vetores relativamente baratos, flexíveis e difíceis de interceptar. Caso as perdas relatadas se confirmem, o impacto não se limita ao campo material, mas atinge também o conceito operacional da defesa aérea russa, tradicionalmente apresentada como um de seus principais trunfos estratégicos.

Nesse cenário, a guerra no ar segue em transformação acelerada. A disputa deixa claro que, mais do que a posse de plataformas sofisticadas, a capacidade de adaptação, saturação e ataque em profundidade passou a ser um fator decisivo no equilíbrio militar entre Rússia e Ucrânia.


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domingo, 18 de janeiro de 2026

Iraque e Paquistão discutem aquisição do caça JF-17 e expansão de cooperação aérea

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O Iraque manifestou interesse na compra de caças JF-17 Thunder, fabricados pelo Paquistão, após reuniões de alto nível entre comandantes das forças aéreas dos dois países. O Marechal de Campo Zaheer Ahmed Babar Sidhu, do Paquistão, reuniu-se com o Tenente-General Muhannad Ghalib Muhammad Radhi Al-Asadi, Comandante da Força Aérea Iraquiana, no quartel-general do Comando da Força Aérea do Iraque, onde discutiram o fortalecimento da cooperação militar bilateral, com ênfase em treinamento conjunto, capacitação e interoperabilidade operacional.

Durante o encontro, Sidhu reafirmou o compromisso do Paquistão em apoiar a Força Aérea Iraquiana no desenvolvimento institucional e em programas de treinamento avançado. O comandante iraquiano elogiou os avanços tecnológicos do Paquistão e destacou o interesse em se beneficiar de programas de formação de classe mundial. Segundo o departamento de relações públicas das forças armadas paquistanesas, foi demonstrado interesse não apenas nos caças JF-17 Thunder, mas também nas aeronaves de treinamento Super Mushshak.

O JF-17 Thunder, desenvolvido em parceria com a China, é projetado para ser econômico e versátil. Com velocidade máxima de 1,6 Mach, altitude operacional de até 17 mil metros e alcance superior a 900 km, o caça apresenta radar AESA KLJ-7A, capaz de rastrear múltiplos alvos com alta precisão e resistência a interferências. A aeronave transporta mais de 3.600 kg de armamento distribuído em sete pontos, incluindo mísseis ar-ar de longo alcance PL-15E e mísseis de curto alcance PL-10, bombas guiadas e mísseis antinavio, contando ainda com avançados sistemas de guerra eletrônica. A variante Block III adiciona visor montado no capacete e aprimoramentos nos sistemas de defesa eletrônica, posicionando o JF-17 na categoria de geração 4.5, com custo unitário estimado entre 25 e 35 milhões de dólares.

Além do interesse do Iraque, a Arábia Saudita conduz negociações para adquirir o JF-17, em um possível contrato estimado em 6 bilhões de dólares, que inclui caças, armamento, equipamentos, treinamento e manutenção. A decisão saudita se insere em uma estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo dependência de plataformas ocidentais, especialmente os F-35 americanos, e refletindo uma reconfiguração tática e política no Oriente Médio. O acordo sinaliza o fortalecimento da posição do Paquistão como fornecedor regional confiável, cuja aeronave já demonstrou desempenho em confrontos recentes com a Índia.

A expansão da cooperação paquistanesa inclui ainda Bangladesh, que busca apoio na manutenção de sua frota obsoleta e na integração de sistemas de radar de defesa aérea. A perspectiva de aquisição de JF-17 e aeronaves Super Mushshak, somada ao suporte técnico de longo prazo, reforça o papel do Paquistão como hub regional de treinamento, desenvolvimento e coordenação de capacidades aéreas.

O interesse do Iraque e de outros países no JF-17 destaca tendências estratégicas mais amplas no Oriente Médio e no Sul da Ásia, envolvendo diversificação de fornecedores, modernização de frotas e fortalecimento da interoperabilidade regional. Para o Brasil, que acompanha atentamente o desenvolvimento de caças leves e médios em mercados internacionais, o cenário demonstra a importância de monitorar os fluxos de tecnologia, alianças estratégicas e a evolução das capacidades aéreas em regiões geopolíticas sensíveis, especialmente considerando a crescente competição entre blocos e fornecedores de armamento.


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Projeto de Revitalização dos Leopard 1A5 garante longevidade e capacidade de combate ao Exército Brasileiro

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O Exército Brasileiro deu um passo estratégico para a manutenção e modernização de sua frota de blindados com a conclusão da revitalização das duas primeiras unidades do Leopard 1A5, em janeiro de 2026. Integrado ao Programa Estratégico Forças Blindadas, lançado em 2025, o Projeto de Revitalização visa prolongar a vida útil dos carros de combate e assegurar a projeção de poder do Exército até 2040. Segundo o Coronel Idunalvo Mariano, diretor do Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar, responsável pela execução do programa, “a revitalização do Leopard vai fazer com que o Exército ganhe uma sobrevida do seu poder de combate, por mais 15 anos, favorecendo a capacidade de atuação em operações convencionais e a segurança nacional.”

Localizado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, o Parque Regional de Manutenção da 3ª Região Militar concentra equipes especializadas, formadas por militares e engenheiros do Instituto Militar de Engenharia, para conduzir um trabalho minucioso que vai além da manutenção preventiva e corretiva. “A revitalização pretende dar longevidade ao carro de combate, garantindo que cada veículo esteja apto a operar em plena capacidade por muitos anos”, explica o Subtenente Luciano Rauber, integrante da equipe de manutenção.

O processo de revitalização é dividido em duas etapas principais: chassi e torre. Cada blindado passa por diagnósticos detalhados, identificando peças e componentes que precisam ser substituídos ou modernizados. A 2ª Tenente Letícia Moreira, chefe do Pavilhão de Manutenção, destaca que, após os testes iniciais, o trabalho é direcionado à substituição de sistemas críticos, incluindo eletrônicos e de controle de tiro, seguido de testes finais rigorosos, que englobam arranque, aceleração, frenagem e estabilização da torre e do armamento. Apenas após aprovação em todos os critérios, o veículo retorna à unidade militar pronto para emprego operacional.

Para reduzir custos e aumentar a eficiência, o Parque mantém uma seção de Estudos e Projetos, onde engenheiros desenvolvem componentes nacionais para os blindados, nacionalizando partes essenciais e garantindo autonomia tecnológica ao Exército. Essa integração entre manutenção e desenvolvimento de tecnologia própria reforça a capacidade brasileira de manter sistemas avançados de combate sem depender integralmente de fornecedores externos.

Em 2026, a previsão é de que cinco Leopard 1A5 sejam revitalizados, totalizando 52 unidades ao longo de dez anos. Cada blindado exige cerca de dois meses de trabalho intenso, refletindo a complexidade e o rigor do projeto. Os Leopard 1A5 revitalizados pertencem majoritariamente ao Comando Militar do Sul, responsável por aproximadamente 80% da frota, consolidando a região como núcleo central do combate convencional brasileiro.

O Leopard 1A5, de origem alemã, combina mobilidade, poder de fogo e proteção blindada. Com 42 toneladas, motor de 830HC e autonomia de até 600 quilômetros, a viatura possui avançado sistema de controle de tiro e visão térmica, permitindo precisão noturna. Seu canhão de 105 mm, aliado à possibilidade de acoplar metralhadoras antiaéreas e MG3, mantém o blindado como referência em combate terrestre, apto a enfrentar cenários complexos de guerra convencional.

Paralelamente à revitalização, o Exército conduz estudos estratégicos voltados à futura substituição do Leopard 1A5 por um carro de combate moderno, capaz de atender às demandas da guerra contemporânea e integrar tecnologias nacionais e internacionais. Entretanto, esses estudos não eliminam a necessidade de manter e modernizar os Leopard 1A5 até a incorporação de novos blindados, garantindo que a capacidade de combate terrestre seja preservada sem lacunas estratégicas.

A revitalização do Leopard 1A5, portanto, representa mais do que a manutenção de uma frota: é um investimento em prontidão, autonomia tecnológica e projeção de poder. Ao combinar manutenção de alta complexidade, nacionalização de componentes e testes operacionais rigorosos, o Exército Brasileiro assegura que seus blindados continuem aptos a atuar em defesa da soberania nacional, contribuindo para o equilíbrio estratégico regional e fortalecendo a capacidade do país de reagir a ameaças convencionais.


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Drone MQ-9B SeaGuardian avança na guerra antissubmarino com balizas multiestáticas

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A General Atomics Aeronautical Systems (GA-ASI) anunciou em 13 de janeiro de 2026 a conclusão bem-sucedida de um teste prolongado das capacidades de guerra antissubmarino do drone MQ-9B SeaGuardian. A demonstração, realizada em 17 de dezembro de 2025 com o apoio da Marinha dos EUA, marcou a primeira vez em que um veículo aéreo não tripulado lançou balizas acústicas ativas multiestáticas de forma operacional, abrindo novas possibilidades para vigilância marítima e controle de ameaças submarinas. O local exato do teste não foi divulgado.

O programa AIRWorks, que supervisionou a avaliação, tinha como objetivo certificar operacionalmente o Sistema de Dispensação de Sonoboias (SDS) do MQ-9B. Segundo a GA-ASI, o teste expandiu a capacidade do sistema, utilizando pelo menos dois módulos SDS, cada um capaz de transportar 10 balizas do tipo A ou 20 do tipo G. Em plena configuração, o SeaGuardian poderia transportar até quatro módulos, chegando a 40 balizas A ou 80 balizas G, um avanço relevante para uma plataforma não tripulada.

Embora o SeaGuardian não substitua plataformas dedicadas como o P-8A Poseidon ou o helicóptero MH-60R Seahawk, que podem lançar um volume muito maior de balizas, ele oferece vantagens estratégicas claras: longo alcance, baixo custo operacional e capacidade de manter vigilância prolongada sobre vastas áreas oceânicas. Essa flexibilidade posiciona os drones como ferramentas essenciais para monitoramento de submarinos modernos, especialmente aqueles projetados para operar de forma silenciosa e evasiva.

O investimento da Marinha dos EUA reforça essa tendência: 20.000 sistemas AN/SSQ-125 foram encomendados em contrato de cerca de US$ 101,7 milhões, indicando que a adoção de drones e sistemas multiestáticos é parte de uma estratégia de longo prazo. O objetivo é criar uma capacidade de guerra antissubmarino distribuída, capaz de cobrir áreas extensas e reduzir zonas mortas que os sistemas clássicos monoestáticos não conseguem eliminar.

As balizas acústicas multiestáticas representam um salto tecnológico em relação aos sistemas convencionais. Enquanto os faróis tradicionais emitem e recebem sinais no mesmo ponto, os sistemas multiestáticos se distribuem em rede: um ou mais faróis emitem o pulso acústico e outros, posicionados a distância, recebem os ecos. Esse método gera múltiplos ângulos de varredura, dificultando que o submarino detecte a fonte do sonar e realize manobras evasivas efetivas. Além disso, a cooperação entre os sensores reduz a quantidade de balizas necessárias para cobrir grandes áreas, tornando o sistema mais eficiente e menos vulnerável.

Essa evolução reflete uma mudança na guerra antissubmarino, que passa a privilegiar plataformas aéreas não tripuladas, sistemas distribuídos e interoperáveis, capazes de enfrentar submarinos silenciosos e tecnologicamente sofisticados. O MQ-9B SeaGuardian, ao integrar lançamentos de balizas multiestáticas e vigilância de longo alcance, torna-se uma peça estratégica na proteção de rotas marítimas vitais e no controle de áreas oceânicas críticas.

Para países com interesses em segurança marítima e monitoramento de regiões estratégicas, como o Atlântico Sul, o avanço do SeaGuardian demonstra que sistemas não tripulados podem complementar forças tradicionais, oferecendo persistência, rapidez e economia operacional. A tendência é que plataformas desse tipo sejam cada vez mais incorporadas a redes de vigilância e inteligência, conectadas a navios, aeronaves tripuladas e centros de comando, ampliando a capacidade de resposta a ameaças submarinas em tempo real.

O teste da GA-ASI confirma que drones de grande porte podem desempenhar funções tradicionalmente reservadas a plataformas caras e limitadas em alcance, abrindo espaço para uma nova abordagem na guerra antissubmarino global, mais ágil, distribuída e resiliente. Para o Brasil, com sua extensa zona econômica exclusiva e interesse estratégico no Atlântico Sul, investir em soluções desse tipo se mostra essencial. Empresas nacionais como ADTech, XMobots e Stella possuem capacidade tecnológica para desenvolver plataformas e sistemas de monitoramento semelhantes, fortalecendo a soberania marítima e ampliando a presença nacional em um cenário de segurança regional cada vez mais complexo.


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Somalilândia, Israel e o novo tabuleiro estratégico do Chifre da África

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O reconhecimento oficial da Somalilândia por Israel em dezembro de 2025 representa um ponto crítico de tensão no Chifre da África, com repercussões profundas sobre a segurança regional, as rotas marítimas estratégicas e a configuração das alianças globais. A medida de Tel Aviv, inédita, não apenas legitima uma região autoproclamada independente, mas também estabelece uma base estratégica para projeção de poder em uma das áreas mais sensíveis do comércio internacional e do transporte de energia. A ação cria um dilema imediato para Mogadíscio e seus aliados, ao mesmo tempo em que redesenha o mapa de influência de atores externos na região.

Historicamente, a Somalilândia declarou independência em 1991, após o colapso do Estado somali e uma guerra civil devastadora. Apesar de possuir instituições próprias, moeda, bandeira e parlamento, nenhum país-membro da ONU havia formalmente reconhecido sua soberania até Israel. A visita do ministro israelense Gideon Sa’ar e o subsequente reconhecimento conferem à Somalilândia não apenas visibilidade internacional, mas também acesso potencial a investimentos, tecnologia e cooperação em segurança marítima. Para Israel, o ganho estratégico é direto: controle indireto sobre portos próximos ao Estreito de Bab el-Mandeb, ponto crítico de passagem entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden, por onde circula parte significativa do comércio de petróleo e gás do Oriente Médio para a Europa e Ásia.

A reação da Somália foi imediata e firme. O ministro da Defesa, Ahmed Moallim Fiqi, apelou à Arábia Saudita para intervir militarmente, traçando paralelos com a campanha saudita no Iêmen, sinalizando que Mogadíscio não pretende aceitar um precedente que fragilize sua soberania. O governo somali denuncia o reconhecimento israelense como “agressão” e ameaça usar todos os meios diplomáticos disponíveis para contestá-lo. O Egito, observando a situação com atenção, reafirma apoio à unidade somali, preocupando-se com efeitos dominó em outras regiões africanas e com movimentos separatistas que poderiam ameaçar a estabilidade do Chifre da África.

O contexto estratégico da região é complexo. O Chifre da África é historicamente uma encruzilhada de rotas comerciais e militares. Países do Golfo, potências africanas e atores globais veem na região oportunidades para projeção de poder, controle de fluxos energéticos e influência sobre cadeias de suprimento críticas. A presença de Israel na Somalilândia adiciona uma camada de complexidade à dinâmica local. A cooperação com Hargeisa permite a Tel Aviv estabelecer inteligência avançada, logística e monitoramento marítimo, criando uma plataforma que poderia ser utilizada para influenciar diretamente o tráfego de mercadorias e energia através do Mar Vermelho.

Essa mudança afeta o equilíbrio de poder regional. A Somália, apoiada por aliados árabes e africanos, enfrenta um adversário estratégico que, embora menor em população e território, recebe suporte internacional que multiplica sua capacidade de resistência e projeção. Riad pode se ver pressionada a agir para manter a unidade do bloco árabe e garantir que o precedente não se espalhe para outras regiões com movimentos separatistas. Por outro lado, a Somalilândia fortalece sua posição, recebendo legitimidade política e abertura para investimentos e parcerias de defesa com Israel e potenciais aliados externos.

O impacto geopolítico também se estende ao controle de recursos e cadeias de suprimento críticas. A Somalilândia e o Chifre da África possuem acesso a portos vitais, rotas de energia e proximidade com áreas de produção de petróleo, gás e minerais estratégicos. Um alinhamento sólido com Israel pode permitir monitoramento avançado, pressão econômica e influência sobre fluxos de recursos, enquanto a Somália, apoiada por blocos regionais e internacionais, busca assegurar sua soberania e evitar precedentes separatistas.

No médio e longo prazo, o reconhecimento israelense pode criar um novo equilíbrio multipolar no Chifre da África. Cenários prováveis incluem aumento de presença militar externa, fortalecimento de alianças bilaterais entre estados árabes e israelenses, e pressão diplomática sobre países africanos que considerem reconhecer entidades separatistas.

Para o Brasil, o cenário impõe atenção estratégica, sobretudo em razão da conexão indireta entre o Chifre da África e o Atlântico Sul. O controle e a estabilidade das rotas marítimas do Mar Vermelho afetam fluxos globais de energia e comércio, que têm reflexos diretos sobre o abastecimento de insumos estratégicos e transporte marítimo internacional. Acompanhar o desenrolar dessa crise permite ao Brasil antecipar riscos, planejar contingências e fortalecer sua presença em fóruns multilaterais e mecanismos de cooperação em segurança marítima.

A situação também reforça a necessidade de inteligência estratégica voltada a regiões de importância global, monitoramento de alianças militares e avaliação de impactos sobre o equilíbrio entre blocos de poder. A Somalilândia, embora distante, demonstra como decisões de reconhecimento e alinhamentos internacionais podem criar precedentes e alterar a dinâmica de influência em áreas críticas para o comércio e a segurança internacional, tornando essencial que o Brasil acompanhe de perto os desdobramentos no Chifre da África, garantindo que seus interesses estratégicos e de soberania estejam protegidos frente a um cenário global cada vez mais competitivo e multipolar.


por Angelo Nicolaci


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Acordo UE‑Mercosul: Implicações Geopolíticas, de Defesa e Estratégicas para o Brasil

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O acordo UE‑Mercosul não é apenas um tratado comercial, é um instrumento de projeção de poder e influência estratégica, capaz de redefinir o papel do Brasil no cenário global. Ao unir duas regiões com complementaridade econômica, tecnológica e militar, o pacto transforma relações comerciais em relações estratégicas, criando interdependências que impactam alianças, fluxos de energia e a segurança do Atlântico Sul.

A Europa busca acesso seguro a recursos críticos para sua transição energética e tecnológica, como lítio, níquel, cobre e minério de ferro, essenciais para baterias, veículos elétricos e sistemas de defesa avançados. O Brasil, detentor de reservas estratégicas, assume um papel central na cadeia global de suprimentos críticos, reforçando sua influência geopolítica e capacidade de negociação diante de potências externas.

O Mercosul, por sua vez, ganha não apenas acesso a mercados, mas também investimento e tecnologia europeia, fortalecendo a industrialização local, agregando valor aos recursos naturais e promovendo empregos qualificados. Essa base econômica sólida é simultaneamente um instrumento de segurança nacional, pois garante resiliência frente a pressões externas e cria capacidade tecnológica que pode ser aproveitada em setores estratégicos de defesa.

Defesa, vigilância e poder regional

O acordo cria oportunidades de integração tecnológica e militar. A colaboração com a UE pode permitir acesso a sensores avançados, sistemas de vigilância aérea e marítima, plataformas de inteligência e comunicações seguras, aumentando a capacidade do Brasil de monitorar e controlar o Atlântico Sul, onde rotas comerciais e de energia são vitais.

Essa integração fortalece a interoperabilidade com aliados europeus, amplia a capacidade de dissuasão do Brasil e protege a soberania sobre recursos estratégicos e áreas marítimas. A cooperação tecnológica dual, civil e militar, amplia a prontidão e a resiliência das Forças Armadas brasileiras, permitindo respostas mais rápidas a ameaças externas e maior presença em exercícios conjuntos internacionais.

Rivalidade entre blocos e influência global

O acordo também posiciona o Brasil de forma estratégica em um mundo cada vez mais polarizado entre Estados Unidos, China e Rússia. Ao consolidar relações com a UE, o Brasil obtém autonomia estratégica: mantém liberdade de decisão em acordos bilaterais e multilaterais, fortalece sua posição no Atlântico Sul e equilibra pressões externas.

No âmbito do Mercosul, o pacto fortalece o bloco como ator estratégico, capaz de negociar com múltiplos parceiros e proteger interesses regionais. A integração econômica e tecnológica cria interdependência confiável com a Europa, enquanto reduz vulnerabilidades frente a potências externas.

Projeções estratégicas

  • Curto prazo: aumento da cooperação tecnológica, industrial e de vigilância, com maior capacidade de monitoramento do Atlântico Sul e segurança das rotas de energia e minerais estratégicos;

  • Médio prazo: consolidação de setores industriais críticos e integração tecnológica com a UE, criando maior resiliência e interoperabilidade em defesa;

  • Longo prazo: Brasil como pivô estratégico regional e global, capaz de influenciar negociações comerciais, energéticas e de defesa, projetando poder de forma autônoma e preservando soberania diante de blocos globais rivais.

Riscos e desafios

Apesar do potencial estratégico, o acordo exige gestão cuidadosa de soberania, autonomia tecnológica e segurança nacional. É necessário equilibrar o acesso a tecnologia europeia com proteção de dados sensíveis, garantir independência em setores estratégicos e harmonizar interesses econômicos e estratégicos. Além disso, o Brasil precisa permanecer vigilante frente à competição de blocos globais, usando o pacto para reforçar sua capacidade de dissuasão regional e projeção estratégica.

O acordo UE‑Mercosul vai muito além do comércio. Ele posiciona o Brasil como ator central em um Atlântico Sul estratégico, garante acesso a recursos críticos, fortalece a capacidade de defesa e amplia a influência geopolítica do país. Em um cenário de rivalidades crescentes, o pacto permite ao Brasil projetar poder, proteger sua soberania e consolidar sua relevância internacional, integrando economia, defesa e estratégia em um modelo coerente de autonomia e influência global.


por Angelo Nicolaci


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