sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

ABIMDE na Índia: missão do governo do Brasil resultará em novos negócios para empresas brasileiras da área de Defesa

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A missão do governo brasileiro à Índia garantiu a assinatura de 15 acordos comerciais entre os dois países. A ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança) está acompanhando a visita oficial, que vai gerar novas oportunidades de negócios para as indústrias brasileiras da BID (Base Industrial de Defesa).

No último sábado, os governos do Brasil e da Índia anunciaram a assinatura de 15 acordos comerciais. A expectativa é que as exportações em armamentos do Brasil para a Índia aumentem para US$ 1 bilhão em cinco anos. Hoje, a participação do Brasil é de US$ 427 mil. A Índia é o segundo maior importador do mundo de produtos de Defesa do planeta, atrás apenas da Arábia Saudita, e tem o quarto maior orçamento militar do mundo.

A comitiva que acompanha o presidente Jair Bolsonaro é composta por empresários de oito grandes empresas associadas (Atech, Avibras, CBC, Condor, Embraer, MacJee, Omnisys e Taurus).  Os representantes do governo e das indústrias brasileiras têm realizado reuniões com autoridades e lideranças da área de Defesa e Segurança da Índia e com CEOs de indústrias do setor naquele país.

Nesta segunda-feira (27), ocorre o evento denominado Business Day Brasil-Índia, com a presença de autoridades dos dois países, empresários e investidores brasileiros e indianos. Na programação do evento, há seminário setorial sobre Defesa, que conta com a presença de Rodrigo Modugno, que é representante da Omnisys e um dos diretores do Conselho Diretor da ABIMDE.

Durante o seminário, Modugno destacou o papel da ABIMDE no fomento da BID no Brasil. Ele lembrou que a entidade possui mais 200 associadas e há 34 anos trabalha para disseminar o valor da indústria de defesa brasileira. “Um dos nossos principais papéis é o de promover a integração entre indústrias, centros de pesquisa, universidades e associações de defesa ao redor do mundo, o que demonstra a relevância deste evento dentro de nossa missão como associação”, afirmou.

O diretor ressaltou ainda o constante apoio recebido pela ABIMDE por parte da APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), uma parceira estratégica na promoção internacional dos produtos de defesa brasileiros. “A indústria de defesa brasileira hoje exporta para 117 países, sendo que do volume total exportado, aproximadamente 98% são de empresas associadas à ABIMDE, o que reforça sua total representatividade junto ao setor.”

Nesta terça-feira (28), a programação da visita inclui ainda visitas técnicas e eventos de networking entre empresários brasileiros e estrangeiros no dia 28.

Novos negócios a caminho

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o Secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Marcos Degaut, disse que o Brasil está na fase final de negociação de dois acordos com a Índia, que serão assinados nos próximos meses pelo ministro da pasta, Fernando Azevedo. Um dos acordos é para a criação de um fundo para financiar projetos estratégicos, produção e exportação de produtos de defesa e o outro é para cooperação no desenvolvimento e comercialização de equipamentos no setor.

Nesta segunda-feira, Degaut esteve ao lado do Secretário da Defesa da Índia, Ajay Kumar, na abertura do Primeiro Diálogo da Indústria de Defesa Brasil-Índia.

A missão do governo brasileiro à Índia faz parte de um acordo fechado durante encontro do presidente Bolsonaro com os membros do Brics – além do Brasil, o bloco é formado por Rússia, Índia, China e África do Sul, no ano passado, e está sendo organizada pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério das Relações Exteriores, com apoio da Apex-Brasil e da ABIMDE.

Fonte: Rossi comunicação
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domingo, 26 de janeiro de 2020

Análise: Conflito entre EUA e o Irã, uma nova "Tempestade no Deserto"?

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Em Bagdá ás 2:40 da manhã do dia 17 de janeiro, completaram-se 29 anos do início da Operação Tempestade no Deserto. Um momento decisivo na mudança dos conceitos de condução da guerra, surgindo as condições que originaram a concepção de guerra moderna.
As recentes hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos reforçam a importância de investir em capacidades militares pelos EUA, tendo em vista que vislumbramos um mundo cada vez mais perigoso e incerto. A principal entre as capacidades almejadas pelos EUA, são realizar a tão esperada transição da espinha dorsal de sua aviação de combate para aeronaves de quinta geração, com F-35 passando a ocupar grande parte de seu inventário, assim somado ao F-22  e eventualmente ao futuro bombardeiro B-21, fornecer a base da vantagem militar assimétrica dos Estados Unidos, mantendo à sua capacidade de projetar rapidamente força sem projetar a vulnerabilidade inerente qualquer outro meio militar de gerações anteriores. 
As capacidades militares iranianas apresentam um conjunto complexo de circunstâncias operacionais. Embora o Irã nunca possa vencer um confronto militar direto com uma grande potência, eles investiram na ampla gama de capacidades para aumentar ao máximo as baixas contra possíveis oponentes. Isso inclui um grande estoque de mísseis balísticos de alcance intermediário, capazes de atingir alvos em toda a região, mísseis de cruzeiro, aeronaves pilotadas remotamente (ARP), uma variedade de aeronaves de combate tradicionais e operações cibernéticas ofensivas. O Irã também investiu significativamente em defesas, com avançados mísseis superfície-ar, e tentou diversificar seus principais centros de gravidade militares, como centros de comando e controle, instalações de pesquisa nuclear e centros de lançamento de mísseis. 
Veículos iraquianos na “Rodovia da Morte” em 1991
Deve haver clareza sobre o caráter de um possível conflito com o Irã. As estratégias falhas aplicadas nos últimos 19 anos no Afeganistão e no Iraque, não são a resposta para uma hipotética guerra contra o Irã. Essas estratégias envolviam o envio de centenas de milhares de forças terrestres na região para conduzir operações prolongadas de ocupação, construção de nação e contra-insurgência, nenhuma das quais seria aplicável ao Irã. Em vez disso, qualquer ação contra o Irã deve ser modelada após a tomada decisiva do Iraque, aplicada na "Operação Tempestade no Deserto" em 1991, quando  a força aeroespacial foi usada por 43 dias. Apenas quatro dias dessa operação usaram forças terrestres para retomar o Kuwait, e isso não seria necessário em um esforço iraniano. Temos que parar de equiparar estratégia com o número de militares no terreno. Um grande número de forças terrestres dos EUA no Oriente Médio esta nas mãos do Irã e pode levar a "guerras sem fim" desnecessárias e indesejadas. A rápida realização dos efeitos desejados deve ser o objetivo. 
A segurança dos Estados Unidos deve ir além das convenções militares anacrônicas que associam a guerra a um grande número de soldados no terreno como seu principal elemento. Com a aplicação adequada, os efeitos da força letal baseada no  poder aéreo moderno, complementado por operações cibernéticas ofensivas, podem resultar no colapso da economia do Irã, na negação de seus militares, na negação de seus programas nucleares e no engasgo de sua influência regional. A capacidade crítica de refino de petróleo, a rede de distribuição e a rede de energia do Irã podem ser ineficazes por esses meios em pouco tempo, sem a necessidade de militares americanos no Irã. 
No entanto, o Irã possui a capacidade de lançar um grande volume de mísseis contra seus vizinhos, além de defender seu espaço aéreo. Isso gera desafios operacionais distintos. As forças dos EUA teriam de impor um resposta as ameaças, negando a capacidade ao Irã de atacar seus vizinhos, enquanto atingiam alvos relacionados às facetas mais perigosas da guerra. Isso requer inteligência significativa sobre possíveis alvos iranianos, conhecimento atualizado em tempo real para orientar a tomada de decisão. Além disso, a força precisaria sobreviver dentro de um ambiente avançado de ameaças e executar um nível de efeitos necessários para alcançar um amplo número de objetivos simultâneos. Este último ponto é especialmente importante, uma vez que uma parcela significativa da estratégia do Irã se concentra em infligir o máximo de danos aos seus oponentes regionais. 
Este nexo de requisitos é melhor atendido com aeronaves de combate de quinta geração e suas armas avançadas. Aeronaves como o F-22, F-35 e o B-21 são descritas como mais precisão e as capacidades de suas avançada tecnologia stealthNão são simplesmente novas versões de caças e bombardeiros do século passado. Integrados ao seu design estão os sensores, o poder de processamento e os recursos de fusão de dados que oferecem uma consciência situacional do ambiente operacional em tempo real, que tornar possível discernir as melhores maneiras de produzir os efeitos desejados, protegendo-os contra ameaças. Seus recursos inerentes de formação de equipes em vários domínios também permitem a parceria com outros ativos da missão de maneira altamente colaborativa e multiplicadora de forças. Todos esses recursos são apresentados em projetos furtivos e ou pouco observáveis, com opções de guerra eletrônica para proteger-se contra a ameaça representada pelos sistemas de defesa aérea inimigos. 
O que é único nessas aeronaves é que elas integram todos esses atributos em uma única estrutura. Isso contribui para uma abordagem altamente eficaz e interdependente. A tecnologia furtiva e de guerra eletrônica aumenta drasticamente a probabilidade de sucesso em ambientes de defesa aérea altamente hostis. Sensores de informação e poder de processamento criam consciência situacional em tempo real que aumenta a probabilidade de atingir a missão desejada. Essas são características especialmente importantes ao segmentar destinos dinâmicos, móveis e passageiros.
B-21 o futuro bombardeiro stealth dos EUA
Os links de dados seguros permitem que essas aeronaves se juntem a outros ativos que estejam no ar, no mar, em terra ou em qualquer outro lugar. Aeronaves não furtivas não possuem capacidade de sobrevivência por muito tempo contra as defesas aéreas modernas. As armas auxiliares teriam dificuldade em aferir eficácia sem a cobertura oferecida pelas aeronaves que operam dentro do ambiente de ameaças. 
Embora as opções oferecidas pelas aeronaves de quinta geração sejam claras, atualmente os líderes precisam lidar com a realidade de que os EUA tem muito poucas destas. A compra do F-22 foi interrompida prematuramente, chegando ao número de 187 aeronaves, menos da metade da projeção inicial do programa para atender as necessidades da USAF. O aumento no volume total de produção do F-35 foi frustrado por várias razões, e o B-21 não estará disponível para emprego operacional até a segunda metade da década de 2020, devido principalmente a decisões equivocadas no Departamento de Defesa na década de 2000. Os B-2, apesar de furtivos, possuem tecnologia anterior à tecnologia de quinta geração, oferecendo utilidades distintas, principalmente devido ao seu design furtivo, longo alcance e grande carga útil. No entanto, existem apenas 20 destas aeronaves em operação. 
A solução para isso é clara. Enquanto as linhas de produção do F-22 e B-2 estão fechadas, o F-35 está começando a sair das linhas de montagem e o B-21 está programado para ter iniciada sua produção em meados da década de 2020. Esses programas devem ser priorizados para garantir que sejam rapidamente adquiridos em número suficiente. Com os preços do F-35 caindo abaixo de US $ 80 milhões por aeronave naos contratos mais recentes, e o desempenho da aeronave começa a atingir um nível de maturidade, o programa está sendo executado a partir de uma posição de força. Quanto ao B-21, embora detalhes específicos não sejam conhecidos devido à natureza classificada do programa, todos os indicadores sugerem que ele está indo bem em sua fase de desenvolvimento. 
O ponto principal é que uma força aérea moderna fornece opções assimétricas, que permitirão aos Estados Unidos conseguir enfrentar situações desafiadoras de segurança. Quando circunstâncias perigosas se desenrolam, como mais recentemente evidenciado com o comportamento do Irã, os cursos de ação disponíveis para os líderes são governados pelo que está em seu kit de ferramentas. Garantir que possuam vantagem desproporcional em sua defesa exige uma preparação sábia. As soluções na era moderna são complexas e levam um tempo significativo para serem geradas. As decisões tomadas hoje para aumentar rapidamente os estoques do F-35 e B-21 moldarão opções de segurança vantajosas para os Estados Unidos no futuro. 

Por David Deptula - membro do Conselho de Contribuintes da Defesa e oficial da reserva da USAF, com mais de 3.000 horas de voo, planejou a campanha aérea da "Operação Tempestade no Deserto", orquestrou operações aéreas no Iraque e Afeganistão e é reitor do Mitchell Institute for Aerospace.
Artigo originalmente publicado no site Breaking Defense, traduzido e adaptado por Angelo Nicolaci - GBN Defense

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sábado, 25 de janeiro de 2020

Formatura de Oficiais das Marinhas Amigas.

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Em solenidade presidida pelo Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, Diretor Geral do Pessoal da Marinha, oito militares das Marinhas de Cabo Verde, Paraguai, Timor Leste e Guiana, concluiram o Curso de Formação de Oficiais das Marinhas Amigas (CFOMA), no último dia 24 de janeiro de 2020. 

A solenidade contou com a presença do Diretor de Ensino da Marinha, Vice-Almirante Henrique Renato Baptista de Souza; Comandante do Centro de Instrução Almirante Alexandrino, Contra-Almirante Renato Garcia Arruda, e do Comandante do Centro de Instrução Almirante Wandenkolk, Contra-Almirante Ricardo Pereira da Silva. 

A SOAMAR-RIO, prestigiou o evento com a presença do Presidente José Antônio de Souza Batista e da Diretora Anete Gomide Pimenta. 

Na ocasião cada formando recebeu um placa comemorativa personalizada da SOAMAR-RIO, comemorativa ao evento.


Por José Antonio Batista - Presidente da SOAMAR-Rio


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Como o Kevlar evoluiu e protege quem nos protege

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Diariamente, as forças policiais brasileiras estão expostas a uma série de riscos. Pesquisa recente do Monitor da Violência, parceria do Núcleo de Estudos da Violência da USP com o portal de notícias G1, aponta que 85 policiais da ativa morreram no país, no primeiro semestre de 2019, em situações de confronto – uma morte a cada dois dias, aproximadamente.



Homens e mulheres que atuam na polícia enfrentam diariamente ameaças em confrontos armados, ataques perfuro-cortantes e mesmo fogo. Em situações que muitas vezes levam frações de segundos, a blindagem de veículos policiais pode ser o diferencial entre a vida e a morte desses agentes. Por isso, eles merecem a melhor proteção possível.

A inovadora fibra de aramida DuPont™ Kevlar® tem sido componente de equipamentos de proteção de forças policiais e militares - como capacetes, coletes e blindagem de veículos há décadas.

Kevlar® é uma fibra polímerica leve e extremamente resistente inventada em 1965 pela pesquisadora da Estação Experimental da DuPont (Delaware, Estados Unidos), Stephanie Kwolek, a partir da extrusão de uma solução líquido-cristalina do polímero de Kevlar® (poli-para-fenileno-tereftalamida, PPTA) em ácido sulfúrico.


Mas afinal, como após mais de cinco décadas esse material continua sendo considerado inovador? A resposta está na sua trajetória: Kevlar® nunca parou de evoluir. A DuPontTM, empresa presente em mais de 90 países e com know-how de mais de 200 anos em segurança, tem investido continuamente em tecnologia e inovação para oferecer soluções de acordo com os novos riscos que surgem à vida de agentes policiais.

Dessa forma, Kevlar® continua se reinventando e evoluindo. O material, cinco vezes mais resistente que o aço, tem mais de 10 sub-tipos, voltados a atender de maneira otimizada às mais diferentes aplicações. Um dos exemplos é o Kevlar® 29, que protege de pessoas a veículos em situações de confronto. O Kevlar® KM2 e KM2 Plus também foram criados para oferecer proteção balística de alto desempenho em transportes policiais.

É importante destacar que a versatilidade de Kevlar® possibilita a blindagem de pontos específicos em veículos, o que permite a cada força policial definir o ganho em segurança para se adequar a seus objetivos.

Neste link, é possível ver um teste de um veículo blindado com Kevlar®. Foram efetuados 230 disparos e nenhum projétil ultrapassou a blindagem. É essa proteção que oferecemos às forças policiais brasileiras, sempre tendo em mente o objetivo principal de nossos esforços: proteger vidas.



Por Marcelo Fonseca - Líder do Negócio de Defesa DuPont para América Latina

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ASPIRANTEX 2020 - Operações Aéreas, Leap Frog, Killer Tomato e muito mais na segunda etapa de nossa missão

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foto: Angelo Nicolaci - GBN Defense

Após suspendermos do Porto de Maceió na última segunda-feira (20), retornamos a rotina de intensos exercícios e qualificação e adestramento. Nesta segunda etapa de nossa comissão, realizamos uma série de operações aéreas, garantindo a qualificação de nossos pilotos e tripulantes. Nesta etapa foram realizados uma série de pousos e decolagens com o SH-16, tendo acompanhamento de um grupo de Aspirantes que revezaram nos circuitos de voo, conhecendo um pouco das particularidades do Esquadrão. O C.Alte Paulo Renato Rohwer Santos embarcou no "Guerreiro 34" e acompanhou parte dos voos com os Aspirantes. Nesta semana, ainda no contexto de emprego de meios aéreos, o VF-1 participou mais uma vez com duas aeronaves AF-1 (A-4KU) "Skyhawk", atuando como "agressores" no cenário de navegação sob ameaça aérea, além de realizar posteriormente missões de reconhecimento vetorados pela equipe do PHM "Atlântico", o qual conta com o poderoso radar ARTISAN 3D Type 997, capaz de cobrir uma área superior as 120 Milhas náuticas, realizando acompanhamento de múltiplos contatos, os classificando e monitorando, orientando a intercepção dos hipotéticos alvos. 

Foto: Angelo Nicolaci - GBN Defense
Mesmo com chuva e teto baixo, o EsqdHU-2 "Pégasus" estava pronto para cumprir sua missão voando suas aeronaves UH-15 "Super Cougar", mostrando a capacidade e preparo de meios e tripulações. 

foto Angelo Nicolaci - GBN Defense

Durante a segunda etapa, também foram realizados novos exercícios de Leap Frog e Light Line, dessa vez entre o PHM Atlântico e os navios de escolta, Corveta V-32 "Julio de Noronha"  e a Fragata F-43 "Liberal", enquanto o Navio Tanque (G-23) "Almirante Gastão Motta" realizava a faina de Transferência de Óleo no Mar (TOM) com as fragatas (F-45) "União" e (F-42) "Constituição". Concluindo o adestramento das tripulações nesta importante faina, tendo em vista a importancia da logística e abastecimento dos meios no mar, sendo o Leap Frog e Light Line parte importantíssima para doutrina de TCL e TOM.

Aspirantes acompanharam o exercício de tiro real
Mas foi na quarta-feira (22) que aconteceu um dos exercícios mais esperados, o Tiro Real sobre "Killer Tomato", que consiste no lançamento de um alvo flutuante dentro de um perímetro seguro previamente estabelecido para o exercício, onde os navios que fazem parte do Grupo Tarefa (GT) realizam disparos com seus armamentos. No caso do "Dragão", como é carinhosamente chamado o "Atlântico", realizamos disparos com nosso canhões DS-30M de 30mm de bombordo, os quais realizaram um par de disparos singelos para aferição dos parâmetros de disparo, para então dar autorização para salva de 22 disparos contra o objetivo. Algo que chama atenção é a precisão do sistema, o qual possui sensores eletro-ópticos que fazem a aquisição, acompanhamento e travamento do alvo, um sistema que pode ser operado na estação local ou ainda no Centro de Operações de Combate (COC), conferindo grande precisão e simplicidade de operação do sistema, o qual pode contrapor ameaças de superfície e aéreas ao redor do "Atlântico", com cadência de 200 disparos por minuto, oferece uma significativa proteção ao mais moderno navio da esquadra.

Ontem pela manhã (23), os Aspirantes tiveram um dos momentos mais importantes de sua carreira, a escolha do "Corpo" ao qual irão integrar na Marinha do Brasil, momento muito importante e de grande tensão entre os alunos da Escola Naval, onde após preencher o formulário, os dados destes são enviados à Escola Naval, com a divulgação do resultado na próxima fase desta comissão.

Na tarde de ontem o "Grupo de Vistoria e Inspeção" (GVI) da Fragata "União" realizou uma demonstração da abordagem, simulando cenário de suspeita de ilícitos a bordo, onde o navio mercante (representado pelo "Atlântico") inicialmente se recusara a parar ao comando da Fragata, onde após uma escalada progressiva de força através de alertas pelo rádio, o "mercante" atendeu as ordens de parada total para o embarque do GVI. Dois Aspirantes foram incorporados a equipe e acompanharam o desafio de abordar um navio com emprego de uma lancha. Após cruzar a distancia entre a "União" e o "cargueiro", a equipe embarcou e rapidamente tomou o passadiço, realizando a inspeção dos tripulantes e verificação da documentação. Nesta fase, foi notada a ausência de dois tripulantes, os quis segundo relato do comandante, estariam na sala de maquinas, o que fez com que após dominar a situação no passadiço, parte da equipe realizasse uma varredura rumo a sala de maquinas, onde os dois membros da tripulação ofereceram uma breve resistência e logo foram dominados. Após finalizado o exercício, a equipe regressou ao "navio mãe" a Fragata (F45) "União". 

Ainda na tarde desta quinta-feira (23), os Aspirantes realizaram o Treinamento Físico Militar (TFM) no convoo, sendo importante aos futuros oficiais manter a forma e o preparo físico para exercer suas funções. Nesta manhã (24), durante a chegada à salvador, foi tocado exercício de navegação em canal varrido, onde a "Dragão", a "Liberal" e "União" formaram uma coluna guiada por um navio varredor que nos guiou em meio a uma fictícia zona minada. 

Atracamos no Porto de Salvador, onde neste final de semana o público poderá conhecer o maior e mais moderno navio da Marinha do Brasil. 

Prepare-se o GBN Defense esta preparando uma série de matérias e vídeos que irão trazer um conteúdo exclusivo, você terá acesso a mais completa cobertura de uma operação naval, conhecendo suas particularidades e facetas, com os principais exercícios e atividades durante essa edição da ASPIRANTEX 2020.


Abaixo você confere algumas imagens capturadas durante essa segunda etapa da ASPIRANTEX 2020.












Texto e imagens: GBN Defense - Angelo Nicolaci


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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

"Ghibli em Ação!": O AMX em Combate

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O AMX é uma aeronave de ataque ao solo que foi produzida pelo consórcio internacional AMX International, uma joint venture formada no início dos anos 1980 entre as empresas aeronáuticas italianas Alenia (46,5%) e Aermacchi (23,8%), juntamente com a empresa aeronáutica brasileira Embraer (29,7%). Cerca de 200 unidades foram construídas e parte delas ainda equipam tanto a Força Aérea Italiana (Aeronautica Militare Italiana – AMI) quanto a Força Aérea Brasileira (FAB), desde o final da década de 1980, com a expectativa de serem desativadas no início da década de 2020 (caso da Itália) ou no início da década de 2030 (caso do Brasil).

Enquanto que a versão brasileira (também chamada de A-1 “Centauro” – nome pouco usado) participou de diversos exercícios e operações simuladas de combate, como a “Red Flag”, nos Estados Unidos, e a CRUZEX, no Brasil, por exemplo, a versão italiana (chamada de A-11 “Ghibli” – nome de um forte vento existente na África do Norte) – que possui diferenças em relação à versão brasileira em armamentos e sensores – já participou de algumas operações reais, com resultados bastante expressivos, demonstrando a capacidade operacional dessa aeronave, que às vezes é subestimada pelos céticos e desinformados, mais pelo fato dela não ter a capacidade de atingir velocidades supersônicas.
 
Uma das diferenças mais visíveis entre os AMX brasileiros e italianos é a presença desse último do canhão M61 Vulcan, de 20 mm, de origem norte-americana (essa arma foi vetada  para os AMX brasileiros, que usam no lugar uma versão do canhão DEFA, de 30 mm, de origem francesa).
O primeiro esquadrão operacional da AMI, o 103° Gruppo do 51° Stormo, foi formado em novembro de 1989. Em fevereiro de 1992 tanto os AMX italianos e brasileiros foram “groudeados” (aterrados ou mantidos em solo), após o acidente de um AMX italiano devido a falha do motor, o turbofan Rolls Royce Spey 807 (provavelmente um estol do compressor). As operações foram autorizadas a reiniciar em maio daquele ano, após a inspeção e as devidas modificações dos motores.

A Itália enviou seis AMX do 103° Gruppo para cumprirem operações na Bósnia em 1995, como parte da “Operação Deny Flight”, seguida por um deslocamento semelhante em apoio às forças de manutenção de paz da IFOR na Bósnia. Esse deslocamento foi interrompido por outro aterramento, novamente devido a outro acidente devido a falha do motor, entre janeiro e março de 1996, após o qual as aeronaves cumpriram sua missão e retornaram a Itália no final do mesmo ano.

As aeronaves AMX italianas foram usadas mais uma vez em 1999 na guerra do Kosovo (“Operação Allied Force”), onde cumpriram mais de 250 missões. Em vez de usar bombas mais tradicionais, a Força Aérea Italiana usou dezenas de bombas Mk 82 equipadas com kits de orientação israelenses Opher, da Elbit, convertendo efetivamente as bombas “burras” em uma bomba guiada por infravermelho. Bombas guiadas a laser GBU-13 também foram utilizadas no conflito.

Em 2005, a Força Aérea Italiana lançou um programa de atualização (ACOL Aggionamento Capacità Operative e Logistiche – Upgrade de Capacidade Operacional e Logística) para 55 de seus AMX, adicionando um novo sistema INS a laser, novos displays no cockpit e permitindo que a aeronave lançasse bombas orientadas por GPS, como a GBU-31 JDAM, por exemplo. Tais modificações ampliaram a capacidade operacional da aeronave, sendo a mesma considerada um “Mini-Tornado” pelos italianos, que operam a versão Panavia Tornado IDS.
 
Um AMX sendo reabastecido em algum lugar do Afeganistão, em 2009.
Em novembro de 2009, quatro AMX italianos foram enviados para efetuarem operações no Afeganistão, substituindo o mesmo número de Tornados italianos na função de reconhecimento e ataque. Destaca-se a capacidade da aeronave de compartilhar informações dos sensores eletro-ópticos e infravermelhos digitais com as tropas terrestres em tempo real, fornecendo informações valiosas de reconhecimento e ajudando a minimizar a exposição às ameaças inimigas. Até o final de 2010, mais de 700 missões de combate haviam sido executadas no teatro afegão. No dia 28 de maio de 2014, o AMX realizou sua última missão no teatro de operações afegão e, em 20 de junho de 2014, todos os demais AMX foram retirados do Afeganistão.

Em 2011, aeronaves AMX italianas foram empregadas durante a intervenção militar de 2011 na Líbia. Aviões militares italianos usaram 710 bombas guiadas e mísseis durante missões: os Tornados e os AMX da AMI usaram 550 bombas e mísseis, enquanto as aeronaves V/STOL McDonnell Douglas AV-8B Harrier II da Marinha Italiana usaram 160 bombas guiadas. O conflito viu o primeiro uso pelas aeronaves AMX do pod Rafael Litening III usados no lançamento de bombas guiadas Paveway e JDAM. No início de 2016, devido à instabilidade da Líbia, a Itália optou por estacionar aeronaves de alerta, em caso de necessidade, incluindo quatro caças AMX, na Base Aérea de Bassi, na Sicília.
 
Sobrevoo de aeronaves AMX em comemoração aos seus 30 anos da entrada em serviço, em 2019. 
Hoje a AMI opera apenas 35 A-11B (originalmente AMX ACOL) e 5 TA-11B (originalmente AMX-T ACOL), de quatro protótipos, 110 monoplaces (depois chamados de A-11A) e 26 biplaces (depois chamados de TA-11A) entregues. O 101º Gruppo do 51º Stormo e o 103º Gruppo do 51º Stormo foram dissolvidos e a única unidade ainda a operar o AMX é o 132º Gruppo do 51º Stormo (Esquadrão de Reconhecimento e Ataque ao Solo, com os A-11B capacitados a operar o pod Rafael RecceLite).

A AMI pretende desativar todos os AMX até o final de 2020-21 e o seu substituto será o Lockheed Martin F-35A Lightning II. Rumores apontam que os italianos podem vender para outros países as células desativadas (dependendo do aval dos Estados Unidos, pois muitos componentes da aeronave são de origem norte-americana). Depois de mais de três décadas a serviço italiano, o “Ghibli” logo encerrará o seu honroso serviço na Itália, mas com o seu irmão brasileiro ainda servindo a FAB por mais alguns anos.
Três vistas do AMX International A-11B "Ghibli" da AMI.



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Por Luiz Reis, Professor de História da Rede Oficial de Ensino do Estado do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza, Historiador Militar, entusiasta da Aviação Civil e Militar, fotógrafo amador. Brasiliense com alma paulista, reside em Fortaleza-CE. Luiz colaborou com o Canal Arte da Guerra e no Blog Velho General e atua esporadicamente nos blogs da Trilogia Forças de Defesa, também fazendo parte da equipe de articulistas do GBN Defense. Presta consultoria sobre Aviação. Contato: lcareis@gmail.com


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O F/A-18 Hornet em Serviço Pelo Mundo

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Recentemente um famoso e prestigiado blog sobre Defesa noticiou que a Marinha do Brasil (MB) está cogitando adquirir algumas unidades do caça embarcado multifunção McDonnell Douglas (Boeing) F/A-18 Hornet (a matéria fala em até 12 células dos modelos C e D) no lugar das veteranas aeronaves McDonnell Douglas A-4KU Skyhawk (na MB chamados de AF-1 Falcão) que estão passando por um lento processo de modernização pela Embraer. Seriam adquiridas células recém-desativadas da Marinha dos Estados Unidos, com isso a modernização dos Skyhawks seria interrompida e as aeronaves já prontas retiradas de serviço.

Tal informação ainda não foi confirmada e nem desmentida pela MB e muitos leitores e fãs desse blog inclusive questionaram a real capacidade dessa aeronave, pois nos Estados Unidos essa aeronave esteve em serviço por mais de três décadas na Marinha norte-americana (dando baixa em dezembro de 2019) e ainda está em serviço na aviação do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC), pelo menos até o início da próxima década (2030). Ambos os serviços aéreos operaram de forma embarcada e em terra (no caso da USMC) tal aeronave, com excelentes níveis de operacionalidade e segurança, nos vários conflitos que os Estados Unidos se envolveram ao longo dos últimos anos.

Entretanto, podemos verificar também que muitos países ao redor do mundo operam essa aeronave há muitos anos em várias forças aéreas estrangeiras. Os Hornets de exportação geralmente são semelhantes aos modelos norte-americanos com uma data de fabricação semelhante. Como nenhum dos clientes opera porta-aviões, todos os modelos de exportação foram vendidos sem o sistema de aterrissagem automática, e a Real Força Aérea Australiana (RAAF) ainda removeu o acessório da catapulta na engrenagem do nariz. Com exceção do Canadá, todos os clientes de exportação compraram seus Hornets através da Marinha dos EUA, por meio do programa de vendas militares estrangeiras dos EUA (Foreign Military Sales – FMS), onde a Marinha atua como gerente de compras, mas não gera ganhos ou perdas financeiras. O Canadá é o maior operador de Hornet fora dos EUA. Vamos então detalhar como cada país opera sua frota de Hornets.


AUSTRÁLIA  (confira "Vespas na terra dos cangurus")

 
F/A-18 da RAAF decolando
A Real Força Aérea Australiana comprou 57 caças F/A-18A e 18 treinadores de dois lugares F/A-18B para substituir seus veteranos caças Dassault Mirage IIIO. Várias opções foram consideradas para a substituição, principalmente o F-15A Eagle, o F-16 Fighting Falcon e o então novo F/A-18 Hornet. O F-15 foi descartado porque a versão oferecida aos australianos não tinha capacidade de ataque ao solo. O F-16 foi considerado inadequado em grande parte devido a ter apenas um motor. A Austrália selecionou o F/A-18 em outubro de 1981.

As diferenças originais entre o F/A-18 da Real Força Aérea Australiana e o da Marinha dos EUA foram a remoção da barra de amarração da roda do nariz para o lançamento da catapulta (posteriormente recolocada uma falsa versão para diminuir a vibração da roda do nariz), além de um rádio de alta frequência, um sistema de análise de dados de fadiga de origem australiana, um gravador de vídeo e voz aprimorado e o uso do alcance omnidirecional do sistema de aterrissagem por instrumentos/VHF em vez do sistema de aterrissagem original para operações embarcadas.

As duas primeiras aeronaves foram produzidas nos EUA, com o restante montado na Austrália nas fábricas de aeronaves do governo. As entregas de F/A-18 à RAAF começaram em 29 de outubro de 1984 e continuaram até maio de 1990. Em 2001, a Austrália enviou quatro aeronaves para a base de Diego Garcia, cumprindo papel de defesa aérea, durante operações de coalizão contra o Taliban no Afeganistão. Em 2003, a RAAF enviou 14 F/A-18 para o Qatar como parte da Operação Falconer e essas aeronaves entraram em ação durante a invasão do Iraque.

A frota foi aprimorada a partir do final dos anos 1990 para estender sua vida útil até 2015. Esperava-se que eles fossem aposentados e substituídos pelo Lockheed Martin F-35A Lightning II. Vários dos Hornets australianos foram retrofitados para prolongar sua vida útil até a data planejada para a aposentadoria, prevista para o início da década de 2020. A Austrália também comprou 24 Super Hornets F/A-18F, sendo entregues a partir de 2010, substituindo as veteranas aeronaves de ataque General Dynamics F-111C/G.

Em março de 2015, seis F/A-18A da RAAF foram enviadas para o Oriente Médio como parte da Operação Okra, substituindo um destacamento de Super Hornets, também da RAAF. A Austrália tinha 71 Hornets em serviço em 2016, depois de quatro terem sido perdidos por acidentes. A Austrália vendeu 25 células de F/A-18A/B para o Canadá, com os dois primeiros entregues à RCAF em fevereiro de 2019.


CANADÁ
 
CF-18A da RCAF
O Canadá foi o primeiro cliente de exportação do Hornet, substituindo três modelos de aeronaves: o Lockheed CF-104 Starfighter (reconhecimento aéreo e ataque), o McDonnell CF-101 Voodoo (interceptação aérea) e o Northrop CF-116 Freedom Fighter (ataque ao solo). O então Comando Aéreo das Forças Canadenses (hoje Real Força Aérea do Canadá - RCAF) encomendou 98 modelos A (designação canadense CF-188A/CF-18A) e 40 modelos B (designação CF-188B/CF-18B). O CF-18 original entregue era quase idêntico aos modelos F/A-18A e B, com exceção da simplificação de alguns de mecanismos para operação naval, não necessários no Canadá, e a colocação de um potente farol para auxiliar em interceptações visuais noturnas.

Em 1991, o Canadá enviou 26 CF-18 na Guerra do Golfo, com sede no Catar. Essas aeronaves forneciam principalmente funções de Patrulha Aérea de Combate, embora, no final da guerra aérea, começaram a realizar ataques aéreos contra alvos terrestres iraquianos. Em 30 de janeiro de 1991, dois CF-18 detectaram e atacaram um barco-patrulha iraquiano TNC-45. O navio foi atingido e danificado repetidamente por disparos de canhões de 20 mm, mas uma tentativa de afundar o navio com mísseis ar-ar falhou. O navio foi posteriormente afundado por aeronaves norte-americanas, mas os CF-18 canadenses receberam crédito parcial por sua destruição. Em junho de 1999, 18 CF-18 foram enviados para a Base Aérea de Aviano, na Itália, onde participaram das funções ar-solo e ar-ar na ex-Iugoslávia.

Em 2001, 62 aeronaves CF-18A e 18 CF-18B foram selecionadas para um programa de modernização, que foi concluído em duas fases. A última aeronave atualizada foi entregue em 2010. Os objetivos do programa eram melhorar as habilidades de combate ar-ar e ar-solo, atualizar sensores, aumentar a capacidade defensiva e substituir os sistemas de dados e comunicações a bordo do CF-18, do padrão dos antigos modelos F/A-18A/B para o padrão dos modelos mais atuais F/A-18C/D.

Em julho de 2010, o governo canadense anunciou planos para substituir a frota restante do CF-18 por 65 aeronaves F-35A, com entregas programadas para começar em 2016 (seriam chamadas localmente CF-35). Em novembro de 2016, o Canadá anunciou planos para comprar 18 Super Hornets como uma solução provisória ao revisar seu pedido do F-35. O plano para o Super Hornets foi suspenso mais tarde, em outubro de 2017, devido a um conflito comercial com os Estados Unidos sobre o Bombardier C-Series (hoje família Airbus A200). Em vez disso, o Canadá estava tentando comprar Hornets excedentes da Austrália ou do Kuwait. O Canadá então adquiriu 25 F/A-18A/B ex-australianos, os dois primeiros entregues em fevereiro de 2019. Dezoito dessas células serão colocadas em serviço ativo e as sete restantes serão usadas para peças de reposição e testes.


ESPANHA
 
EF-18A+ do Exército do Ar
A Força Aérea Espanhola (Exército do Ar) encomendou 60 modelos novos EF-18A e 12 modelos EF-18B Hornets (o “E” significa “España” – Espanha), nomeados localmente como C.15 e CE.15, respectivamente. A entrega dos novos caças espanhóis começou em 22 de novembro de 1985 até julho de 1990. Esses caças foram atualizados para o padrão F-18A+/B+, próximo ao F/A-18C/D (a versão plus inclui novos computadores de missão, ampliação do banco de dados, conjunto de armazenamento de dados, nova fiação, modificações no software de armamentos, adição de novos equipamentos como o pod FLIR AN/AAS-38B NITE Hawk).

Em 1995, a Espanha adquiriu 24 F/A-18A Hornets dos estoques da Marinha dos EUA. Tais aeronaves foram entregues entre dezembro de 1995 a dezembro de 1998. Antes da entrega, eles foram modificados para o padrão EF-18A+. Esta foi a primeira venda de Hornets excedentes da USN.

O Hornet espanhol opera como interceptador de defesa aérea para qualquer clima 60% do tempo e como uma aeronave de ataque dia/noite para qualquer clima pelos outros 40%. Em caso de guerra, cada um dos esquadrões da linha de frente teria um papel principal: o 121 é encarregado de apoio aéreo tático e operações marítimas; o 151 e o 122 são designados para interceptação para qualquer clima e funções de combate aéreo; e o 152 é designado para a missão SEAD. O reabastecimento aéreo é fornecido pelos KC-130H e Boeing 707TT. A conversão piloto em EF-18 está centralizada no esquadrão 153 (Ala 15). O papel do esquadrão 462 é a defesa aérea das Ilhas Canárias, sendo responsável pelas missões de caça e ataque da Base Aérea de Gando.

Os Hornets EF-18 da Força Aérea Espanhola realizaram missões de combate ao Ataque Terrestre, SEAD, de patrulha aérea de combate (CAP) na Bósnia e Kosovo, sob comando da OTAN, no destacamento de Aviano (Itália). Eles compartilharam a base com Hornets canadenses e norte-americanos (USMC). Seis Hornets espanhóis foram perdidos em acidentes até 2013.

Na Iugoslávia, oito EF-18, baseados em Aviano, participaram de bombardeios na Operação Allied Force em 1999. Sobre a Bósnia, eles também realizaram missões de patrulha aérea de combate (PAC) ar-ar, apoio aéreo próximo, apoio ar-terra, reconhecimento fotográfico, controlador aéreo avançado no ar e controlador aéreo tático no ar. Sobre a Líbia, quatro Hornets espanhóis participaram da imposição de uma zona de exclusão aérea.


FINLÂNDIA
 
Hornets da FiAF em voo
A Força Aérea Finlandesa (FiAF) encomendou 64 F-18C/D (57 modelos C e sete modelos D). Todos os F-18D foram construídos em St. Louis e, em seguida, todos os F-18C foram montados na Finlândia. A entrega da aeronave começou em novembro de 1995 e terminou em agosto de 2000. O Hornet substituiu o MiG-21bis e o Saab 35 Draken no serviço finlandês. Os Hornets finlandeses inicialmente deveriam ser usados apenas para defesa aérea, daí a designação do F-18. O F-18C finlandês foi equipado com o pod de interferência eletrônica ASPJ (Airborne-Self-Protection-Jammer) ALQ-165. Mais tarde, a Marinha dos EUA implantou o ALQ-165 para ser usado nos F/A-18E/F Super Hornet.

Um caso interessante ocorrido na Finlândia foi a reconstrução de um caça que foi destruído em uma colisão no ar em 2001. Um F-18C danificado, apelidado de “Frankenhornet”, foi reconstruído em um F-18D usando a seção dianteira de um desativado CF-18B canadense, comprado pelos finlandeses. O caça modificado caiu durante um voo de teste em janeiro de 2010, devido a um defeito nos comandos de voo.

A Finlândia atualizou sua frota de F-18 com novos aviônicos, incluindo mira montada em capacete (HMS), novos displays de cabine, sensores e link de dados padrão da OTAN no início da década de 2010. Vários dos Hornets restantes serão montados para transportar armamento ar-terra, como o GBU-31 JDAM e o AGM-158 JASSM por exemplo, retornando à configuração original multifunção F/A-18. A atualização inclui também a aquisição e integração dos novos mísseis ar-ar AIM-9X Sidewinder e AIM-120C-7 AMRAAM. Estima-se que este upgrade de meia-idade (MLU) custou entre 1 e 1,6 bilhão de euros com a conclusão das ultimais células realizada em meados de 2016. Após as atualizações, a aeronave permanecerá em serviço ativo até 2020-2025.

Mais da metade da frota foi aprimorada até 1º de junho de 2015. Durante um exercício, a Força Aérea Finlandesa lançou suas primeiras bombas (JDAM e JASSM) em 70 anos, desde a Segunda Guerra Mundial.

O Ministério da Defesa finlandês iniciou seu programa de substituição do Hornet em junho de 2015 e o nomeou de “Programa HX Fighter”, sendo os concorrentes, até o momento: Boeing F/A-18E/F Super Hornet Block III (A Boeing oferece o EA-18G Growler em seu pacote), Dassault Rafale D/E, Eurofighter Typhoon Tranche 3A, Lockheed Martin F-35 Lightning II, SAAB JAS 39 Gripen E/F (A SAAB oferece duas aeronaves Globaleye AEW & C em seu pacote).


KUWAIT
 
F/A-18s do Kuwait
A Força Aérea do Kuwait (Al Quwwat Aj Jawwaiya Al Kuwaitiya) encomendou 32 F/A-18C e oito Hornets F/A-18D em 1988. A entrega começou em outubro de 1991 (após a Guerra do Golfo) e duraram até agosto de 1993. Os Hornets substituíram o A-4KU Skyhawk (que foram vendidos para a Marinha do Brasil em 1998). Os Hornets da Força Aérea do Kuwait voaram em missões sobre o Iraque durante a Operação Southern Watch, nos anos 1990. Eles também participaram de exercícios militares com as forças aéreas de outras nações do Golfo.

O Kuwait tinha 39 Hornets F/A-18C/D em serviço em 2008. O Kuwait também participou da coalizão liderada pela Arábia Saudita na Guerra Civil do Iêmen (2015 – presente). Em fevereiro de 2017, o comando da Força Aérea do Kuwait revelou que os F/A-18 da Base Aérea King Khalid haviam realizado aproximadamente 3.000 missões no Iêmen. Hoje os kuwaitianos pensam em substituir suas aeronaves pelo F/A-18E/F Super Hornet ou pelo F-35A, e planejam oferecer seus antigos Hornets à venda no mercado internacional.

MALÁSIA
 
F/A-18D da TUDM
A Real Força Aérea da Malásia (Tentera Udara Diraja Malaysia – TUDM) possui oito F/A-18D, encomendados em 1995. A entrega da aeronave durou de março a agosto de 1997. A Malásia planejava adquirir mais versões monoplace, mas posteriormente optou por comprar caças russos Sukhoi Su-30MKM.

Três Hornets, juntamente com cinco BAE Hawk 208 monoplace fabricados no Reino Unido, foram lançados em um ataque aéreo de bombardeio contra os terroristas das “Forças Reais de Segurança do Sultanato de Sulu e Bornéu do Norte” em 5 de março de 2013, pouco antes das forças conjuntas do Exército Real da Malásia e da Royal Os comandos da Polícia da Malásia lançaram um ataque total durante a Operação Daulat. Os Hornets foram encarregados de fornecer apoio aéreo próximo à zona de exclusão aérea em Lahad Datu, Sabah.


SUÍÇA
 
F/A-18 suíço em voo
A Força Aérea Suíça comprou 26 modelos C e oito modelos D. As aeronaves foram entregues de janeiro de 1996 a dezembro de 1999. Foram os últimos Hornets novos exportados, antes do fechamento da linha de produção, em 2000. Três modelos D e um modelo C foram perdidos em acidentes até o ano de 2016. No dia 14 de outubro de 2015, um F/A-18D caiu na França durante o treinamento com mais dois Northrop F-5 da Força Aérea Suíça; o piloto ejetou com segurança.

No final de 2007, a Suíça solicitou sua inclusão no Programa “Hornet Upgrade 25”, para prolongar a vida útil de seus F/A-18C/D. O programa inclui atualizações significativas no sistema de aviônicos e de missão, doze pods de vigilância e direcionamento ATFLIR e 44 conjuntos de equipamentos de ECM AN/ALR-67v3. Em outubro de 2008, a frota de Hornets suíços alcançou o marco de 50.000 horas de voo.

A Força Aérea Suíça também recebeu dois modelos de F/A-18C em escala real para uso como simuladores de treinamento interativo da equipe de terra. Construídas localmente pela Hugo Wolf AG, são cópias exatas do caça original e foram registradas como aeronaves Boeing F/A-18C (Hugo Wolf) com os números de cauda X-5098 e X-5099. Tais aeronaves possuem muitos componentes e instrumentos originais do cockpit do caça real, permitindo a simulação de panes, incêndios, vazamentos de combustível, colapso do trem de pouso e outros cenários de emergência. O X-5098 está permanentemente estacionado na Base Aérea de Payerne, enquanto o X-5099, o primeiro construído, é movido entre as bases aéreas de acordo com as demandas de treinamento.

CONCLUSÕES

Muitos outros países consideraram adquirir o F/A-18, mas por vários motivos não conseguiram efetuar a compra da aeronave. Os F/A-18C e F/A-18D foram considerados pela Marinha Francesa (Marine Nationale) durante a década de 1980 para serem utilizados em seus então porta-aviões Clemenceau e Foch e novamente na década de 1990 para o mais tarde Charles de Gaulle, devido aos atrasos do Rafale M.

Áustria, Chile, República Tcheca, Hungria, Filipinas, Polônia, e Cingapura avaliaram o Hornet, mas não o adquiriram. A Tailândia encomendou quatro Hornets modelo C e quatro D, mas a crise financeira asiática no final dos anos 90 resultou no cancelamento do pedido. Os Hornets foram concluídos como modelos F/A-18D para o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.

A versão terrestre do F/A-18A, o F-18L (uma versão comercializada pela Northrop que não obteve vendas e foi cancelada) competiu numa seleção na Grécia na década de 1980. O governo grego optou por escolher o F-16 e o Mirage 2000.

Pelo que foi relatado pelo seu uso operacional em vários países, o Hornet seria uma boa aquisição (de oportunidade) para a Marinha do Brasil, pois é uma aeronave que pode servir bem para a função de Defesa da Frota, mesmo no momento a nossa Marinha não possuindo mais um porta-aviões no qual o F/A-18 poderia operar, tendo que então operar de bases em terra. O que for decidido que seja o melhor para nossa Marinha.


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Por Luiz Reis, Professor de História da Rede Oficial de Ensino do Estado do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza, Historiador Militar, entusiasta da Aviação Civil e Militar, fotógrafo amador. Brasiliense com alma paulista, reside em Fortaleza-CE. Luiz colaborou com o Canal Arte da Guerra e o Blog Velho General e atua esporadicamente nos blogs da Trilogia Forças de Defesa, também fazendo parte da equipe de articulistas do GBN Defense. Presta consultoria sobre História da Aviação. Contato: lcareis@gmail.com




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