sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Marinha do Brasil adquire novo Navio de Socorro Submarino

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Após quase 30 anos singrando os mares, o Navio Socorro Submarino (NSS) "Felinto Perry" esta prestes a ser substituído pelo DSV “Adams Challenge”, recentemente adquirido pela Marinha do Brasil, a qual assinou o contrato na última quarta-feira (23).

O K-11 "Felinto Perry" foi construído na Noruega pela Smedevik Mekaniske Verksted em 1979 e incorporado pela Marinha do Brasil em 1988. Porém, antes de servir à Marinha do Brasil, o navio atuou entre 1979 e 1986 sob o nome DSV "Wildrake", realizando suporte a mergulhadores com seu sistema de mergulho com "sino", tendo o mesmo sido protagonista de um acidente que resultou na perda de dois mergulhadores, posteriormente rebatizado como "Holger Dane" até 1988, quando finalmente foi incorporado pela Marinha do Brasil, sendo batizado como "Felinto Perry", nome que homenageia o Alte Felinto Perry, oficial que participou ativamente na criação da Força de Submarinos (ForSub), sendo seu primeiro comandante.

O K-11 "Felinto Perry" prestou excelente serviço á esquadra brasileira, onde atuou mais recentemente nas buscas ao caça AF-1 (A-4KU) perdido durante exercícios sobre o mar na região de Saquarema, no Rio de Janeiro em 2016, e participou também das buscas ao submarino argentino ARA "San Juan" em 2017.

O DSV “Adams Challenge” que irá substituir o NSS "Felinto Perry". foi construído em 2009 pelo estaleiro espanhol Balenciaga S.A, incorporando novas tecnologias, oferecendo novas capacidades á Marinha do Brasil. Dentre as quais o novo navio incorpora o posicionamento dinâmico, sistema que controla automaticamente a posição e aproamento da embarcação por meio de propulsão ativa, sistema muito utilizado na exploração de petróleo em águas profundas, que vem a somar uma importante capacidade ao resgate de submarinos sinistrados. O "Adams Challenge" é capaz de cumprir com missões de suporte a mergulho, operações com ROV, além de prestar suporte a pesquisa dentre outras missões.

Uma característica do novo NSS da Marinha do Brasil é o “Moon Pool”, que trata-se de uma abertura no casco permitindo acesso à água, o que garante a capacidade de operar com mergulhadores ou sistemas ROV em ambiente seguro mesmo sob intempéries e condições extremas encontradas em alto-mar. Assim como o veterano "Felinto Perry", nosso futuro Navio de Socorro Submarino também possui um sistema de mergulho saturado e mergulho com sino de profundidade, este com a capacidade para até 12 pessoas. Para operações aéreas, o novo navio possui um heliponto na proa, similar ao encontrado no "Felinto Perry", este possui capacidade de operar com asas rotativas de médio porte.

O navio é movido por sistema diesel-elétrico, que conta com quatro motores diesel Wartsila BL26 com 2.600Kw cada, os quais alimentam dois motores elétricos de propulsão azimutal de 2.050Kw cada, possuindo sistema de propulsão com hélices duplos na popa e sistemas thruters na proa, além de um sistema thruster azimutal retrátil, capaz de atingir os 15 nós de velocidade máxima, navegando com 10 nós em velocidade de cruzeiro.

O navio conta com uma moderna suíte eletrônica que oferece á Marinha do Brasil um navio extremamente moderno e capaz de cumprir com sua missão, e abaixo você pode conferir um pouco mais das características desse novo meio de nossa Marinha.


O navio encontra-se em Abu Dhabi (Estados Árabes Unidos) e o trânsito para o Brasil ficará sob a responsabilidade da empresa vendedora. Durante esse período, o Grupo de Recebimento da MB, composto de 12 Oficiais e 23 Praças,estará embarcado para acompanhamento e familiarização da operação dos sistemas e equipamentos do Navio. A partir da atracação no Rio de Janeiro, prevista para o mês de dezembro, serão iniciadas as atividades para a cerimônia de Incorporação à MB.



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domingo, 20 de outubro de 2019

Apoio aéreo aproximado, mitos e realidades

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Como continuação do artigo "Apoio aéreo aproximado no século XXI e o Pucará", onde Santiago Rivas realizou uma breve análise sobre apoio aéreo aproximado no século XXI e o argentino "Pucará", tendo como enfoque especialmente o emprego em cenários de guerra assimétrica ou não convencional. Este novo trabalho de nosso amigo Santiago Rivas, visa levantar alguns pontos de vista entre o seu ponto de vista em geral, e muitos do que se toca no assunto baseiando-se no que alguns meios de comunicação publicam e no que é percebido, analisando em profundidade a diversidade de conflitos atuais e a experiência compartilhada por aqueles em nossa região latino-americana que hoje participam de conflitos locais.
"Quando se trata de elevar a realidade das aeronaves de apoio aéreo aproximado, três declarações são geralmente realizadas de maneira absoluta, que eu acho que tem pouco realismo e cujo valor é muito relativo, e são elas:
1) Hoje, aeronaves de apoio aéreo aproximado são muito vulneráveis ​​a mísseis antiaéreos portáteis.
2) Os drones cumprem a tarefa de aeronaves de apoio aéreo aproximado.
3) Apenas armas guiadas ou inteligentes são usadas em missões de ataque e não canhões, foguetes e bombas convencionais.
Acredito que essas propostas se baseiam basicamente no que muitas publicações repetem até ficarem cansadas, mas não em uma análise em primeira mão das informações que podem ser coletadas, pelo menos, nos conflitos atuais na América Latina, especialmente nas experiências na Colômbia e Peru, onde a guerra não convencional continua com variações de intensidade e tipos de guerra."
Aeronaves x mísseis em ambientes de selva e montanha
Quanto ao primeiro ponto, devemos começar com o fato de que nenhuma arma jamais foi invulnerável. Se um conceito de armamento ou uma arma específica for abandonada apenas por ter alguma vulnerabilidade, não haveria armas no mundo que pudessem ser usadas. A vulnerabilidade de uma arma deve ser comparada à sua eficácia no cumprimento do objetivo para o qual se destina o seu emprego e se isso justifica o nível de baixas que elas podem sofrer. Por exemplo, quase metade dos bombardeiros Boeing B-17 Flying Fortress usados ​​na Segunda Guerra Mundial foram perdidos em combate, mas o efeito que a aviação de bombardeio estratégico teve sobre o mecanismo de guerra alemão justificou tais perdas, dado que até o final da guerra na Europa, nenhuma outra alternativa foi encontrada (o uso da bomba atômica gerou uma mudança nesse tipo de operação). Em todas as guerras em que a aviação participou centralmente (dos anos 30 em diante), as aeronaves que operam mais perto do inimigo, como helicópteros e aeronaves de apoio aéreo aproximado, geralmente são as que mais sofrem, por estar mais expostos ao fogo inimigo. Como exemplo, na Guerra do Vietnã, foram perdidos cerca de 3.500 helicópteros da família Huey (quase um por dia durante o conflito, aos quais centenas de helicópteros de outros modelos devem ser adicionados), mas isso não invalidou o uso do helicóptero em missões de ataque aéreo e hoje o Huey e seus derivados permanecem entre os helicópteros mais usados ​​no mundo.
Por outro lado, indo para o cenário latino-americano, temos dois eixos de possíveis conflitos: convencional e não convencional. O primeiro caso é o menos provável no momento e é onde uma aeronave de apoio aéreo aproximado se torna muito vulnerável a armas antiaéreas, o uso de armas guiadas lançadas a uma grande distância deve ser preferido. Além disso, em geral, é possível que os alvos atacados possam ser facilmente identificados a longa distância e vale a pena o uso de armas guiadas para neutralizá-los.
Mas no caso de guerra não convencional, que é a mais provável hoje, o cenário é completamente diferente. O inimigo geralmente não possui uma capacidade antiaérea muito sofisticada e mísseis portáteis podem ser a coisa mais poderosa com a qual eles podem contar. No entanto, vários pontos devem ser analisados ​​a esse respeito. Como para qualquer força convencional que se opõe a grupos terroristas ou guerrilheiros, a capacidade do inimigo de contar com mísseis é considerada uma ameaça significativa, o esforço de inteligência para saber se o inimigo os possui e onde está, é muito grande. A isto se acrescenta que um míssil portátil é uma grande arma para ser carregada por uma pequena unidade de guerrilha, já que não é algo que possa simplesmente ser carregado no ombro, mas em caixas onde vão o lançador e os mísseis. Isso implica ter um certo número de pessoas que formam a unidade antiaérea ou possuem veículos (algo impossível em muitas áreas de selva e montanhosas da América Latina, o que exige movimentação a pé), o que implica que, em cenário de guerra assimétrica, onde o inimigo se move em unidades muito pequenas, a presença de um grupo maior para poder operar mísseis dá aos serviços de inteligência a indicação de que eles deveriam prestar mais atenção à unidade e permitiriam detectar antecipadamente a presença dessas armas.
Outro aspecto a considerar é que a cabeça do míssil precisa ser refrigerada para manter sua capacidade de detectar o calor de um motor e diferenciá-lo de outras fontes de calor. Em geral, o nitrogênio é usado com uma pureza que deve ultrapassar 99%, para que a cabeça seja mantida nas melhores condições. Obter esse nitrogênio não é fácil em áreas isoladas e seu manuseio não é simples, enquanto sua eficácia dura com o tempo e depois é perdida. Além disso, o propulsor de mísseis é afetado em cenários de alta umidade, especialmente se exceder 80%. Isso também acontece com seus circuitos elétricos. Embora seja possível manter o míssil em condições enquanto ele é preservado, isso requer alguma infraestrutura e capacidade. Assim, uma organização guerrilheira que obtém mísseis portáteis, deve tentar usá-los a curto prazo para ser eficaz. Em cenários onde a mobilidade é bastante reduzida, devido à falta de rotas de comunicação, como na selva, isso é complicado, pois o míssil pode levar vários dias para chegar à área de operações e sua transferência é facilmente exposta e localizada por forças do governo.
Outro ponto é a necessidade de uma área aberta para disparar o míssil, pois não pode ser lançado por baixo da vegetação, o que também implica que o lançador esteja exposto a ser localizado.
Na Colômbia, até agora se sabe de uma única tentativa de abater um helicóptero AH-60L Harpy da Força Aérea Colombiana, usando um míssil SA-7 de origem russa, mas não atingiu o alvo e o lançamento falhou. Estima-se que o lançador do míssil não estivesse em boas condições, devido justamente às dificuldades em mantê-lo. Embora o vídeo do lançamento em si mostre a existência de pelo menos outro lançador, não houve mais tentativas de derrubar helicópteros colombianos com mísseis pelos guerrilheiros.
Em geral, o que acontece na Síria ou no Afeganistão, onde existem muitos vídeos publicados de abates com mísseis portáteis, não existem dados estatísticos sobre a eficácia dos mísseis. É importante ter em mente que os vídeos publicados como propaganda, mostram apenas ações bem-sucedidas, mas hoje não é possível ter dados sobre quantos mísseis eles obtiveram, quantos poderiam lançar e quantos alcançaram o objetivo, e isso que importa. Além disso, não há estatísticas sobre quantos abates houveram e o número de missões realizadas pela aviação, para saber se essas perdas realmente têm um impacto importante no desenvolvimento das operações.
Como outro exemplo, na guerra das Malvinas, os dois lados usaram mísseis portáteis e vários lançamentos foram feitos, embora sua eficácia fosse limitada e não alterasse o desenvolvimento das operações. As forças argentinas só conseguiram derrubar um Harrier GR.Mk.3 no dia 21 de maio, usando um míssil Blowpipe, enquanto os britânicos abateram um Pucará com um míssil Stinger e um Aermacchi MB-339, resultado de todos os outros lançamentos ou tentativas de ambos os lados.
No conflito do Cénepa entre o Peru e Equador em 1995, a única aeronave equatoriana atingida por um míssil desse tipo, um Cessna A-37B, conseguiu retornar à sua base e retornar ao serviço após ser reparada, enquanto a Força Aérea do Peru perdeu um helicóptero MiL Mi-25 e o Exército peruano perdeu um MiL Mi-8T atingidos por mísseis Igla, enquanto outro Mi-8T foi abatido, de acordo com algumas versões, por míssil, e outras versões dão como por armas de tubo.
Em outro conflito em que esses mísseis foram usados ​​na região, foi em El Salvador, onde os guerrilheiros da FMLN abateram um Cessna A-37B, um Basler BT-67, um UH-1M, embora eles representem apenas 30% da aeronave abatida ( o resto por canhões).
Assim, o uso de mísseis portáteis não tem sido até agora uma mudança radical no uso de meios aéreos em missões de apoio aéreo aproximado, apesar do fato de que há cerca de cinquenta anos eles estão presentes nos conflitos, mas simplesmente aumentam a variedade de armas antiaéreas já disponíveis, com uma desvantagem em relação às armas de cano, onde a aeronave pode detectar a presença do míssil e lançar contra-medidas para evitar o impacto, o que não pode ser feito contra uma metralhadora ou antiaérea. Isso não os afasta, mas o ponto é que eles não são armas infalíveis ou facilmente empregáveis ​​em alguns cenários de guerra assimétrica; portanto, não devem receber maior relevância do que realmente são.
UAV (Drones)
Embora hoje ninguém duvide que o uso de drones ou VANTs (UAV) seja cada vez mais difundido e sua eficácia esteja aumentando para uma variedade crescente de missões, também é verdade que ainda falta um longo caminho para substituir aeronaves tripuladas em muitas delas. Por enquanto, os VANTs disponíveis têm uma capacidade de arma muito limitada, o que os torna úteis para atacar alvos específicos, sendo principalmente usados ​​para empregar estas armas durante missões de reconhecimento, ao detectar alvos de oportunidade. Mas os VANTs capazes de realizar missões de apoio aéreo as tropas que estão lutando em terra ainda estão longe, onde é necessário grande poder de fogo e saturação de área. É certo que em algum momento eles estarão disponíveis, mas ainda há, pelo menos, uma geração de aeronaves de ataque tripuladas para enfrentar os conflitos atuais e de curto prazo. Um ponto essencial do sucesso de uma missão de apoio aéreo é a identificação de forças aliadas e inimigas, que podem estar a curta distância e a avaliação do piloto sobre onde lançar suas armas, para causar o maior dano ao inimigo sem causar baixas ou danos colaterais. Para isso, ainda é essencial que o piloto esteja a bordo da aeronave.
Armamento
Hoje, ninguém duvida do desenvolvimento de armas guiadas, muito eficazes para não expor a aeronave ao fogo inimigo durante o ataque e contando com maior precisão. Mas vários pontos devem ser levados em consideração quando se trata de uma missão de apoio aéreo aproximado contra uma força irregular. Esse tipo de força normalmente opera em grupos muito pequenos, às vezes se movendo de maneira dispersa e também muitas vezes protegida pela cobertura das árvores. Usar armas guiadas contra esses tipos de alvos, para neutralizá-las individualmente, não é uma boa ideia, começando com a dificuldade em apontar as armas se não houver contato visual com o inimigo e o custo delas. Usar uma bomba guiada por laser ou um míssil contra cada guerrilha que compõe uma força faz pouco sentido.

Hoje, esses tipos de armas são usados ​​quase exclusivamente contra alvos de alto valor estratégico ou tático, quando o alvo justifica seu uso e requer um bom trabalho de inteligência, o que não é fácil em áreas de selva. Por exemplo, na Colômbia, bombas guiadas a laser foram usadas para neutralizar os líderes da guerrilha, mas normalmente não são usadas quando as operações terrestres do Exército são apoiadas, uma vez que o inimigo está em constante movimento, disperso em pequenos grupos e não oferece alvos atraentes para emprego dessas armas. O mesmo se aplica ao uso de mísseis como o Spike (usado pelas forças colombianas), que é empregado contra construções, veículos ou outros tipos de alvos, mas não contra pequenos grupos de combatentes espalhados na selva.
Voltando ao exemplo das Malvinas, quando em 28 de maio, os Pucará da Força Aérea Argentina e o Aermacchi MB-339 do Comando de Aviação Naval realizaram missões de apoio aéreo, encontraram a falta de alvos importantes na maioria dos casos, já que as forças britânicas avançaram em pequenos grupos muito dispersos. A única maneira de tentar neutralizá-los era usar armas que possam varrer uma área e não um alvo específico. Por isso, foi priorizado o uso de metralhadoras, canhões e foguetes.
No caso do Peru, foram realizados ataques com bombas e com contato visual com o inimigo, empregaram canhões e foguetes.
O mesmo me indicou na época os operadores do Fantasma Basler BT-67 da Força Aérea Colombiana. Sua missão é disparar em uma área e não em um alvo específico, para que eles não tenham um sistema de mira de muita precisão (uma visão antiga do T-33) é o conceito desta arma (saturação do alvo e cobrir uma área e não tantas metas específicas). Neste tipo de missão, além da neutralização do inimigo, o objetivo é manter fogo em uma posição no solo e permitir que a tropa em si tome uma posição mais vantajosa no terreno.
Assim, bombas convencionais, metralhadoras, canhões e foguetes continuam sendo as armas mais eficazes (no passado, também eram armas incendiárias, agora proibidas) quando se trata de neutralizar pequenos grupos irregulares e apoiar forças terrestres. Quanto às bombas convencionais, deve-se ter em mente que os computadores de tiro dos modernos sistemas de tiro permitem que sejam lançados com grande precisão no alvo, mesmo a longas distâncias e seu custo é muito menor que um míssil ou um kit de orientação por laser ou GPS para uma bomba.
Uma realidade atual
O cenário com esse tipo de conflito não está apenas em vigor, mas há muitas indicações de que pode se tornar mais agudo em várias regiões do mundo, principalmente na América Latina, com o crescimento das quadrilhas criminosas e terroristas, com maior poder de fogo, então esse é um dos tipos de guerra em que as forças aéreas regionais devem se concentrar mais, levando em conta as experiências dessas forças envolvidas nesse tipo de conflito. É essencial analisar os fatos de maneira objetiva, separando-os do que é visto à primeira vista, apenas o que é publicado em algumas mídias, especialmente nas redes sociais, sem estatísticas ou análises sobre o efeito real de alguns armamentos ou modos de emprego.
Agradeço ao Brigadeiro Mario Roca, da Força Aérea Argentina, ao Major Alex Martínez, da Força Aérea Colombiana, e ao Capitão Renzo Papi, da Força Aérea Peruana, por sua ajuda na elaboração deste artigo.


Por: Santiago Rivas - Jornalista e Fotógrafo renomado no campo de Defesa, articulista de inúmeras publicações especializadas, Argentino e observador do cenário geopolítico Latino Americano. Jornalista responsável na Pucará Comunicações. Autorizou ao GBN Defense News a traduzir e publicar esta análise sobre o IA-58 "Pucará" e uma hipotética inserção deste no atual mercado de aeronaves COIN. Conheça o trabalho do nosso parceiro clicando aqui

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Participação da Marinha do Brasil no Incidente de Poluição Ambiental no Litoral do Nordeste do Brasil

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Desde o início de setembro, o Brasil combate uma nova ameaça, a contaminação por óleo no litoral do Nordeste. O evento é inédito na história do País, pela extensão geográfica da incidência e pela duração no tempo. Cerca de 2.250 km de extensão de nossas costas foram atingidas, em algum momento nesse período. O óleo cru, que sabemos não ser produzido ou 
processado no Brasil, causa grande impacto em nossa biodiversidade e traz prejuízos socioeconômicos às localidades atingidas. 

Os incidentes de poluição por óleo no litoral do Nordeste foram acompanhados pela Autoridade Marítima desde o início, por intermédio da Diretoria de Portos e Costas e dos Comandos do 2º, 3º e 4º Distritos Navais, em particular pelas Capitanias dos Portos, Delegacias e Agências. Navios e aeronaves da Marinha do Brasil foram direcionados ao esforço de busca das manchas ainda no mar, para prevenir a chegada ao continente, mesmo sabendo da dificuldade da missão, pois a poluição se difunde abaixo da superfície do mar e não é detectável por imageamento satélite e esclarecimento visual, aflorando apenas muito próxima à costa. Os diversos esclarecimentos aéreos realizados pela sempre presente Força Aérea Brasileira, IBAMA e a própria Marinha assim têm demonstrado. 

A Marinha do Brasil tem consciência de sua responsabilidade e da importância da sua contribuição. A instituição está integrada ao Grupo de Acompanhamento e Avaliação, ora estabelecido no Comando do 2º Distrito Naval, somando esforços com o IBAMA, ANP e a Defesa Civil, desempenhando as atribuições de Coordenador Operacional, por intermédio do Comando de Operações Navais. 

Em 18 de outubro, após um dia intenso de muito trabalho, conseguimos recuperar importantes praias turísticas do litoral pernambucano, minimizando os danos ao meio-ambiente. Agentes do IBAMA, ICMBio, PETROBRAS, dos estados e municípios, voluntários, marinheiros e fuzileiros navais integraram-se no esforço de limpeza de praias nos litorais da Bahia, Alagoas e Pernambuco, 
desde o alvorecer até depois do pôr do Sol. O esforço coordenado desses órgãos, a despeito das dificuldades, e a ação de voluntários já recuperaram a maioria das praias, coletando mais 525 toneladas de resíduos, os quais precisarão ser adequadamente destinados, conforme a orientação técnica da 
Autoridade Ambiental. 

Paralela e simultaneamente à coordenação e execução das ações de resposta, a Autoridade Marítima brasileira também trabalha para elucidação dessa grave ocorrência, mobilizando seus especialistas na Diretoria de Portos e Costas, no Centro Integrado de Segurança Marítima, no Centro de Hidrografia da Marinha e no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira. A investigação em andamento também conta com imprescindível 
colaboração de universidades, centros de pesquisa, Polícia Federal, além de instituições estrangeiras, como a Organização Marítima Internacional, a Guarda Costeira dos EUA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica do Departamento de Comércio dos EUA, dentre outras. Apesar de toda a complexidade que caracteriza esses terríveis incidentes – verdadeira agressão criminosa ao País, a Marinha está inteiramente comprometida com a elucidação dos fatos. 

No momento,em todo o litoral brasileiro, registra-se apenas a região de Cabo de Santo Agostinho-PE com resíduos de óleo, com ações de resposta em andamento.Pelo desconhecimento da origem do incidente, não se pode determinar por quanto tempo ainda persistirão as ocorrências de manchas no litoral do Nordeste, apesar de todo o esforço desenvolvido nesse sentido. Por isso, é fundamental que as equipes mobilizadas permaneçamalertas, para a pronta atuação. 

A Marinha do Brasil e seus integrantes seguem firmes no propósito de cumprir suas obrigações e conscientes da importância de sua contribuição para a sociedade brasileira.

Fonte: Marinha do Brasil
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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Venezuela perde SU-30 durante treinamento

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A Venezuela perdeu uma de suas aeronaves Sukhoi SU-30 nesta quarta-feira (16) durante uma missão de treinamento. Segundo informações do Ministério da Defesa venezuelano, os dois tripulantes morreram no acidente.

O SU-30 tripulado pelo brigadeiro-general Virgilio Raúl Márquez Morillo, membro do Corpo Geral da Aviação Militar Bolivariana e o capitão Nesmar José Salazar Nuñez, piloto do Grupo Aéreo Caça No. 11, tendo decolado da base de Capitán Manuel Rios rumo a Base Aérea Tenente Luis del Valle García, caindo às 14h46 pouco tempo após decolar. Especulasse que teria sofrido uma pane, porém, ainda não foram confirmadas as causas. Segundo o comunicado, as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) ativaram o conselho de investigação de acidentes aéreos para determinar as possíveis causas que causaram o incidente.

O brigadeiro-general Virgilio Márquez era comandante da Base Aérea Capitán Manuel Ríos e foi durante anos comandante do Grupo de Caça Nº 11 chamado "Diablos". Um experiente piloto que já operou aeronaves OV-10 "Bronco" e Lockheed Martin F-16,  tendo recebido intrução na Rússia para voar o Sukhoi SU-30.


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Com agências.


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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Programa de Pool da Embraer tem adesão de 100% das operadoras de E-Jets na Ásia-Pacífico

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A Embraer anunciou hoje no MRO Europa, um dos principais eventos de manutenção aeronáutica do mundo, que todas as operadoras de E-Jets na região Ásia-Pacífico aderiram ao seu Programa Pool de suporte, depois que a Myanmar National Airlines se tornou a mais recente companhia aérea a assinar um contrato para suporte à sua frota de jatos E190.

Atualmente, há um total de 60 E-Jets operados por seis companhias, incluindo a Japan Airlines, em quatro países espalhados pelas sub-regiões da Ásia-Pacífico (exceto a China).

“Em uma região onde nossos operadores de E-Jets têm constantemente um elevado desempenho operacional, a adesão de 100% ao Programa Pool é reflexo da confiança de nossos clientes em nosso excelente suporte”, disse Johann Bordais, Presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte. “A gestão de custos é essencial para as companhias aéreas e estamos comprometidos em entregar valor aos nossos clientes, em qualquer lugar e a qualquer momento.”

O Programa Pool de suporte da Embraer oferece cobertura total de manutenção de componentes e peças, reparo de fuselagem e acesso ilimitado a um grande estoque de componentes nos centros de distribuição da Companhia. Os resultados para as operadoras são uma significativa economia nos custos de reparo e estoque, redução no espaço necessário para armazenamento e nos recursos necessários para gestão de consertos, garantindo, assim, níveis de desempenho. Singapura abriga o centro de distribuição da Embraer na região Ásia-Pacífico.

A TechCare, que reúne todo o portfólio de serviços e suporte da Embraer, oferece um amplo conjunto de soluções efetivas, eficientes e competitivas pensadas para cada cliente a fim de dar suporte à crescente frota mundial de aeronaves Embraer e proporcionar a melhor experiência no pós-venda na indústria aeroespacial global.

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Com Embraer
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domingo, 13 de outubro de 2019

LAV II afunda durante exercícios no Peru e deixa dois desaparecidos

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Neste sábado (12), a Marinha do Peru realiza buscas após um de seus blindados anfíbios LAV II, pertencente ao Corpo de Fuzileiros Navais, naufragar durante o “Solidarex 2019”, exercício multinacional que tem como cenário a resposta à desastres naturais.
Segundo o informe oficial emitido pela Marinha do Peru, o acidente teria ocorrido durante manobra de desembarque anfíbio na praia de Colán, no distrito de Piura, durante as manobras da "Solidarex 2019". O fato ocorreu aproximadamente às 13h30, após uma anomalia que causou o naufrágio do veículo anfíbio do tipo LAV II, ocasionando no desaparecimento de dois ocupantes do veículo.

Estão sendo utilizados todos os meios disponíveis na operação de busca e resgate. O comunicado identifica os dois desaparecidos, sendo o comandante da Brigada de Anfíbios do Corpo de Fuzileiros Navais, Capitão Mirko Paccini Vega e o funcionário civil do serviço de comunicação social, Marlon Chavarry Bardales.

A Marinha do Peru deu inicio as investigações para determinar as causas do acidente e está fornecendo instalações às autoridades competentes para que sejam realizadas as investigações legais. As buscas continuarão na área do acidente, às quais serão adicionados maiores recursos logísticos e humanos, para localizar o pessoal desaparecido.


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Com informações da Marina del Peru
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Porque o mundo deve apoiar o plano da Turquia para o nordeste da Síria?

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Durante um telefonema com o Presidente Recep Tayyip Erdogan no domingo (6), o Presidente Trump concordou em transferir a liderança da campanha contra o Estado Islâmico para a Turquia. Os militares turcos, juntamente com o Exército Livre Sírio, atravessarão a fronteira turco-síria em breve.

George Washington disse que a América deve "ficar longe de alianças permanentes". Os oficiais americanos têm dito durante anos que sua parceria com a organização terrorista afiliada síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, Unidades de Proteção do Povo (ou YPG), na luta contra o Estado Islâmico era "tática". A última decisão de Trump reflete essa visão.

Assim como os Estados Unidos, a Turquia não vai ao exterior em busca de monstros para destruir. Mas quando monstros tentam bater à nossa porta e prejudicar nossos cidadãos, temos que responder. Enviar jovens homens e mulheres para a batalha nunca é uma decisão fácil. Como disse uma vez o fundador da Turquia, Mustafa Kemal Ataturk: "A menos que a vida de uma nação corra perigo, a guerra é assassinato. Infelizmente, encontramo-nos hoje precisamente nessa situação.

A Turquia não tem ambição no nordeste da Síria, exceto neutralizar uma ameaça de longa data contra os cidadãos turcos e libertar a população local do jugo de bandidos armados.
Tendo sofrido dezenas de baixas em ataques do Estado Islâmico, a Turquia foi o primeiro país a destacar forças de combate para lutar contra os terroristas na Síria. Nosso país também ajudou o Exército Livre Sírio a manter milhares de militantes do Estado Islâmico atrás das grades por anos. É do nosso interesse preservar o que os Estados Unidos conseguiram e assegurar que a história não se repita.

Resta saber se os militantes do YPG concordarão com a mudança na liderança da campanha. Na verdade, eles têm duas opções: Se estiverem genuinamente interessados em combater o Estado Islâmico, podem desertar sem demora. Ou podem ouvir os seus comandantes, que dizem que irão combater as forças turcas - nesse caso, não teremos outra alternativa senão impedi-los de atrapalhar os nossos esforços contra o Estado islâmico.

O mundo está interessado no êxito da luta contra o Estado Islâmico sob a liderança da Turquia. Os conselheiros militares americanos, que estão no terreno há anos, merecem regressar às suas casas. Os habitantes locais, muitos dos quais foram forçados ao exílio quando o YPG assumiu o comando, regressam às terras dos seus antepassados. A zona de segurança proposta é boa para a Europa porque vai abordar o problema da violência e da instabilidade na Síria - as raízes da imigração ilegal e da radicalização. Finalmente, o plano ajuda a Turquia a proteger pessoas inocentes de uma organização terrorista conhecida.

Erdogan revelou os detalhes do plano da "zona de segurança" da Turquia na Assembléia Geral das Nações Unidas no mês passado. A Turquia estima que até 2 milhões de refugiados sírios irão se voluntariar para viver em uma área segura de 20 milhas que se estende do Rio Eufrates até a fronteira entre a Síria e o Iraque. Se a fronteira sul da zona de segurança chegar à linha Deir ez Zor-Raqqa, esse número poderá atingir 3 milhões, incluindo os refugiados atualmente na Europa.

A Turquia basear-se-á nas suas experiências passadas no norte da Síria para manter a zona segura e estável. Acreditamos que o povo sírio está melhor equipado para governar a si próprio através de conselhos locais eleitos. É crucial apoiar e promover a representação política local, a fim de evitar o ressurgimento do Estado Islâmico no nordeste da Síria. Em zonas predominantemente curdas, como Afrin, a Turquia supervisionou a criação de órgãos diretivos locais com maioria curda. O mesmo se aplica às partes predominantemente curdas do nordeste da Síria. Nosso objetivo é complementar esses passos com investimentos internacionais em infraestrutura para escolas, hospitais e habitação.

A América tem suportado o peso da campanha contra o Estado Islâmico por muito tempo. A Turquia, que tem o segundo maior exército da OTAN, está disposta e é capaz de assumir agora a liderança e levá-la para casa, trazendo milhões de refugiados de volta à Síria durante o  processo. Nesta conjuntura crítica, a comunidade internacional deve apoiar os esforços de reconstrução e estabilização da Turquia para Síria.


Fonte: Washington Post

colaboração Embaixada da Turquia no Brasil
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

PROSUB - Fomos à Itaguaí conferir os progressos no programa

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Nesta segunda-feira (7), fomos convidados pela Marinha do Brasil para visitar as instalações do PROSUB, e nosso editor Angelo Nicolaci foi conferir o programa que objetiva construir quatro novos submarinos convencionais, onde esta envolvida a transferência de tecnologias, as quais serão aplicadas ao futuro Submarino Nuclear BRasileiro (SNBR), o qual esta previsto no âmbito do programa para ter inicio de sua construção nos meados da próxima década, onde serão construídas seções de controle e certificação da capacidade técnica. O principal objetivo da visita as instalações de Itaguaí, é nos apresentar os progressos do programa e o segundo submarino convencional (SBR) da classe "Riachuelo", o S-41 "Humaitá", que se encontra na fase de finalização da junção das seções de casco, passando a fase de integração de sistemas e finalização. Nossa visita antecede a cerimônia que ocorrerá no próximo dia 11 de outubro, quando será simbolicamente finalizada a junção das seções, onde contará com a presença da presidência da república, ministros, representantes das forças armadas brasileiras e convidados.

O convite veio em momento muito oportuno, principalmente para sanar algumas questões levantadas pelo nosso público sobre o S-40 "Riachuelo" e o andamento do programa em face aos contingenciamentos de recursos do Ministério da Defesa, o que vem a criar desafios às três forças para manter o andamento de seus programas estratégicos de defesa.

Após uma curta viagem entre o 1º Distrito Naval no Centro do Rio de Janeiro, chegamos as instalações da UFEM (Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas), onde fomos recebidos pelo C.Alte Koga, engenheiro naval e responsável pela gerência do programa de construção de submarinos convencionais no PROSUB. O C.Alte Koga nos deu um breve briefing sobre os progressos do programa e respondeu algumas perguntas da mídia especializada e imprensa presentes à visita.

O "Humaitá" (SBR-2) teve a transferência de suas seções realizadas em meados deste ano, onde após um intenso e preciso trabalho de integração das seções, terá a última seção simbolicamente unida em cerimonia na próxima sexta-feira (11). Fomos informados que a NUCLEP já finalizou a produção e entrega de todas as partes dos dois últimos submarinos convencionais a serem construídos (SBR-3 "Tonelero" e SBR-4 "Angostura"), esta previsto que a cerimonia de integração das seções do "Tonelero" (SBR-3) ocorra em meados de 2020 e no ano seguinte o "Angostura" (SBR-4), enquanto o lançamento do "Humaitá" deve ocorrer em data próxima a cerimonia de integração do "Tonelero" e a deste próxima a data de integração do "Angostura", porém, as datas de lançamento ficam muito a critério do governo federal, que pode definir uma data específica para que ocorra este importante cerimonial.

Como já citado, a NUCLEP finalizou a construção de todo casco resistente e os componentes previstos para os submarinos convencionais do PROSUB, já tendo entregue essas partes à UFEM, onde conferimos o avançado estágio em que se encontra a montagem das seções do "Tonelero" e do "Angostura", ambos construídos em simultâneo, onde recebem os cabeamentos, tubulações e todos acessórios e equipamentos previstos em cada seção do submarino.

Como esta finalizada a construção das partes resistentes do casco dos SBR, a Marinha deve iniciar a construção da seção de qualificação, para manter a capacitação do pessoal técnico envolvido na construção de submarinos, para não perder essa capacidade, onde tem por objetivo ser o corpo de prova e testes para certificar o material, pessoal e equipamentos destinados a construção do casco para o SNBR, homologando toda metodologia do processo, equipamentos e procedimentos envolvidos no programa.


Um ponto interessante que nos foi esclarecido durante a visita, é que a Marinha do Brasil tem conseguido superar a problemática do contingenciamento de recursos através de manobras no próprio programa, onde nos foi dito que o contrato com a Naval Group tem marcos e datas para que seja realizado o pagamento, enquanto as obras de infraestrutura realizadas pela Odebrecht são pagas no momento da entrega das edificações, com isso se cria a possibilidade de priorizar a alocação de recursos à construção dos submarinos, uma vez que a infraestrutura para o mesmo já se encontra pronta, estando em fase de construção as instalações destinadas ao SNBR, o que dá a Marinha do Brasil tempo hábil para se contornar a prorrogação da entrega das obras destinadas a infraestrutura do SNBR. Assim é possível se manter o ritmo previsto no cronograma sem que haja impacto direto sobre o PROSUB.

Saindo do auditório, fomos acompanhar os trabalhos realizados na montagem das seções dos submarinos "Tonelero" (SBR-3) e "Angostura" (SBR-4), onde nos deparamos com um trabalho bastante acelerado, com as instalações sendo ocupadas por seções de ambos navios, onde presenciei um frenético e coordenado ritmo de trabalho, com inúmeros técnicos trabalhando na soldagem e montagem dos futuros submarinos.

S-40 "Riachuelo"


Deixando a UFEM, fomos até o cais onde se encontra o S-40 "Riachuelo", que teve divulgado o inicio de provas de mar, quando na verdade estava realizando a manobra de desdocagem, conforme esclarecemos ao nosso público tendo informações oficiais da Marinha do Brasil à respeito. O submarino encontrasse alimentado por fonte em terra, onde esta tendo carregada suas baterias, sendo marcante a presença de muitos técnicos que ainda trabalham na finalização da montagem de sistemas. A "vela" encontra-se ainda aberta, com pessoal trabalhando nela. 

O submarino passará por um extenso programa de avaliações e testes, cumprindo uma série de protocolos de avaliação previamente definidos afim de atestar que o mesmo entrega as capacidades previstas na fase de projeto. Neste processo, o qual foi iniciado há uma semana com os testes de estanqueidade e flutuabilidade, onde passou a ser guarnecido por sua tripulação, onde estão sendo realizados testes de bombas e sistemas, concomitante se realizam os últimos ajustes nos sistemas e sensores, para de fato ser levado as provas de mar propriamente ditas, onde terá avaliada suas capacidades de navegação, imersão e sistemas táticos e de armas. Após ser avaliado tudo aquilo que estava previsto no contrato e estiver em acordo e certificado, devendo ser entregue em outubro de 2020, mas isso vai depender das performances obtidas durante as provas de mar.

Capacidades do SBR

Depois de conferir o progresso do "Riachuelo" e realizar uma breve passagem no Departamento de Treinamento e Simulações, mais uma vez conferindo alguns dos sistemas de simulação empregados no preparo dos tripulantes dessa nova classe de submarinos, e nos cabe aqui destacar alguns pontos importantes. Dentre estes estão algumas característica inovadoras que traz o SBR.

O que chamou bastante a atenção, é o grande índice de automatização do submarino, o qual possui um índice superior aos 90%, sendo possível controlar praticamente todo navio a partir do seu "Centro de Operações de Combate" e "Centro de Comando", o qual apesar de toda essa automação ainda garante a possibilidade de acionamento manual dos sistemas em caso de pane, uma importante redundância. 

Na reprodução do "COC" é marcante a presença de apenas um periscópio, o qual é optrônico e oferece a opção de projetar a imagem capturada nas telas dos operadores, e ou, utilizar o retículo óptico convencional. Ressalto aqui, que este é o único senso penetrante no submarino, com todos demais sensores e antenas externos, o que garante maior espaço para tripulação.

A mesa de cartas também surpreende, é digital, sendo um grande ganho em termos de agilidade e precisão, apesar de ser mantida a carta de papel, como é feito em todas as principais marinhas que operam com cartas eletrônicas como os nossos submarinos da classe "Riachuelo". Há inúmeras inovações que serão abordadas em matéria específica sobre o SBR e suas capacidades. 


S-41 "Humaitá"

Finalizando nossa visita, fomos ao ESC (Estaleiro de Construção), onde conferimos pela primeira vez o "Humaitá" após a integração de quase todas as seções, já apresentando sua forma imponente. Realmente é algo emocionante como brasileiro ver o futuro de nossa Marinha sendo construído diante de nossos olhos, um momento histórico que nos faz pensar na responsabilidade que carregamos enquanto jornalistas especializados, sendo importante nosso papel de fomentar o debate acerca do campo de defesa, mostrando ao público nossa realidade e a importância que tem o investimento em novas tecnologias e meios para manutenção de nossa soberania e riquezas.

Nós temos ainda muito material e em breve vocês irão conferir muito mais sobre o PROSUB, mas um ponto que é importante reforçar, a Marinha do Brasil tem feito um trabalho fantástico, mesmo diante de tantas adversidades, te mantido o rumo em seus programas, e dentro em breve teremos novos meios e capacidades, porém, nós como brasileiros, contribuintes e eleitores, temos de cobrar mais seriedade do governo para com as questões de defesa nacional, a qual necessita de recursos e investimentos, não apenas para compra de meios, mas para fomentar nossa industria de tecnologia, a qual beneficia não apenas o mercado de defesa, mas toda uma vasta gama de setores, e isso movimenta nossa economia, gerando emprego, renda e principalmente nos garantindo independência e capacidades estratégicas.


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio, leste europeu e América Latina, especialista em assuntos de defesa e segurança.


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sábado, 5 de outubro de 2019

Lockheed-Martin F-21: O que é isso?

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No dia 19 de fevereiro de 2019, a norte americana Lockheed-Martin (LM), anunciou o F-21 como proposta para a Índia.

E não, não era o F-21 "Lion" empregado pela US Navy no final dos anos 1980, mas uma versão do F-16 Fighting Falcon. Mas como assim? E por que não apenas ‘F-16’?

F-21 "Lion" da US Navy
Recapitulando, a Índia tem um passado nebuloso em relação a seus programas militares. Programas como a substituição do fuzil de assalto padrão INSAS, o substituto do MiG-21 (voltaremos a esse tópico…) e muitos outros levam muitos anos e acabam cancelados antes da compra de todos os itens pedidos.

Entretanto, os fabricantes de armas sempre acabam competindo na Índia, pois, devido a sua vizinhança hostil, o país compra grandes quantidades de sistemas de defesa.


MMRCA

Um dos muitos programas militares indianos que tem dado problemas na IAF (Força Aérea Indiana) é o Tejas LCA (Aeronave Leve de Combate), cujo desenvolvimento se arrasta desde a década de 1980, mas que somente atingiu a IOC (Capacidade Operacional Inicial, ou reduzida) em 2013, e a FOC (Capacidade Operacional Plena) em 2019.

A demora na entrada em serviço do Tejas, mais a grande idade de diversas aeronaves em seu inventário, levou à necessidade de uma aeronave intermediária entre o Tejas e o Su-30MKI (que, além de outros fatores, apresenta baixa disponibilidade devido aos problemas com o fornecimento de peças de reposição por parte dos russos).

Para atender a esta necessidade foi criado em 2008 o programa MMRCA, também conhecido como MRCA (Aeronave de Combate Multifunção / Média). Os principais concorrentes do MRCA eram o Rafale (que acabou ‘ganhando’), Eurofighter, F-16, F-18, Gripen e Mig-35.

O vencedor deveria produzir 126 aeronaves, com ToT (Transferência de Tecnologia), um modelo parecido com o FX2 vencido pelo Gripen E/F no Brasil. Em 2012 foi anunciado que o Rafale era o vencedor, mas após uma série de problemas, o MRCA acabou, na prática, sendo cancelado em 2015, com apenas 36 Rafale sendo comprados, sem ToT e com a opção de compra para mais 18 aeronaves do modelo.

Embora a Marinha indiana (que opera navios-aeródromo) tenha sido direcionada a aproveitar o máximo que pudesse da logística e outros meios da IAF em relação ao Rafale (que tem uma versão embarcada), não houve confirmação formal de aquisição.


F-16IN F-16V

O modelo do F-16 que a LM propôs para a IAF no âmbito do MRCA foi o F-16IN, que seria uma versão especial do F-16C/D, com diversas melhorias, o qual como sabemos, não logrou sucesso naquela concorrência.

F-16 IN apresentada pela LM
A derrota no MRCA, entretanto, não foi o fim para o F-16IN. A LM continuou trabalhando no modelo, e em junho/2018 anunciou o F-16V ‘Viper’, que incluía não apenas as tecnologias pensadas para o F-16IN, mas também tecnologias desenvolvidas para o F-22 e o F-35, ambos da LM.

O F-16V já foi vendido para diversas forças aéreas, tanto como aeronaves novas como opções de upgrades para operadores do F-16C/D.


MMRCA 2?

A lacuna deixada pelo cancelamento do MRCA permanece, além da grande taxa de acidentes envolvendo os vetustos MiG-21, faz com que uma aeronave dessa categoria seja ainda mais urgente.

Os Mig-21 indianos estão no limite do seu ciclo de vida
Para complicar ainda mais a situação, a Índia abandonou o programa PAK-FA, pois o Su-57 resultante não atingiu os objetivos prometidos à IAF.

Embora a Índia não tenha lançado formalmente nenhuma competição visando a aquisição de novos caças ao estilo ‘MRCA 2’, os fabricantes estão atentos, e vários deles já ‘ofereceram sua solução’ para a IAF. Há fortes rumores de que um projeto destes é iminente, e ninguém quer perder tempo.


Lockheed-Martin F-21


Um destes fabricantes é a própria LM, que ofereceu o ‘F-21’ para a IAF. E embora, na prática, o F-21 seja pouco mais que um F-16V com algumas adaptações para a IAF (inclusive fabricação de diversos componentes na Índia), o simbolismo do nome não pode ser perdido.

Embora o F-16 fosse, tecnicamente, um dos melhores candidatos para o MRCA, suspeita-se que foi derrotado por dois fatores principais.

O Paquistão, vizinho e grande rival da Índia, já opera o F-16 faz tempo, e há o temor de que o risco de ‘fogo amigo’ restrinja seu uso; isso inclusive aconteceu com os Mirage F1 na Guerra do Golfo em 1991, onde tanto a França quanto o Iraque operavam o modelo.

Outro motivo é que o F-16 original é considerado antigo, pois é um projeto da década de 70, e a IAF queria uma aeronave moderna.

Não se sabe se o segundo motivo realmente teve influência (não saiu em nenhum documento oficial), mas ao que parece a LM não quer arriscar, e resolveu ‘renomear’ seu caça para a IAF.

Com isto eles conseguem duas coisas de uma só vez, ofertam um caça “diferente” do F-16 paquistanês, ao mesmo tempo que é um caça do “século 21”, tal como o nome.

Além disto, como o nome “deixa claro”, é uma aeronave inferior ao F-22 e ao F-35, já que não se pode ignorar a possibilidade do F-35 ser ofertado à Índia, caso haja uma competição formal.

Comparado aos F-16 “normais”, o F-21 inclui as modernizações do F-16V com a adição de um sistema de REVO (Reabastecimento em Voo) do tipo ‘haste e funil’, já que os F-16 dispõem apenas do sistema ‘lança e receptáculo’, e a IAF não dispõe de nenhuma aeronave cisterna com tal sistema; algo que já tinha sido proposto para o F-16IN.


CONCLUSÃO

Concepção do "novo" F-21
A LM é uma empresa bastante consolidada no mercado internacional, e por isso entende a importância de algo aparentemente tão banal como nome.

O fato é que a história do F-21, na verdade, começou na Índia em 2008. É uma aeronave bastante moderna, e oferece muitas partes ‘Make in India’, e tal índice de nacionalização pode ajudar bastante em uma concorrência futura.

Será que é ‘karma’ que seja escolhido nos próximos anos, e uma ‘infelicidade’ em 2012 se torne ‘alegria’ nos próximos anos?



Por: Renato Henrique Marçal de Oliveira - Químico, trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel), articulista e colaborador no GBN Defense News.




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