quarta-feira, 8 de julho de 2020

Gripen - SAAB dá inicio a produção no Brasil

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A Saab Aeronáutica Montagens (SAM), fruto do compromisso da sueca SAAB, que trouxe para São Bernardo do Campo a primeira fábrica de aeroestruturas da Saab fora da Suécia, sendo parte do acordo de transferência de tecnologia no âmbito do Programa FX-2, onde venceu o contrato para inicialmente fornecer 36 aeronaves Gripen E/F á Força Aérea Brasileira, atingiu outro marco importante com o início da produção no Brasil de seções da aeronaves. 


Em 9 de maio de 2018, o GBN Defense esteve presente na apresentação da nova unidade da Saab (SAAB Aeronáutica Montagens - O GBN esteve na apresentação da SAM), local onde vão ser construídas as seções do Gripen que serão entregues para a montagem final do caça na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP) em Linköpingna Suécia.

Cronologia do Programa Gripen BR

Após ser selecionada como vencedora na disputa para fornecer o novo caça da FAB, a Saab assinou um contrato com o governo brasileiro para o desenvolvimento e produção de 36 aeronaves Gripen E/F em 2014. Após a fase de desenvolvimento e o voo dos primeiros protótipos do Gripen E, em setembro do ano passado, a primeira aeronave brasileira Gripen E foi entregue para dar inicio ao programa de ensaios em voo. Agora, outro marco é alcançado quando a produção do Gripen começa na fábrica da SAM, localizada em São Bernardo do Campo (SP), sendo prevista a chegada do primeiro Gripen E ao Brasil ainda este ano, este exemplar destinado aos ensaios em voo e certificações.


O cone de cauda e a fuselagem dianteira da versão monoposto do Gripen são as primeiras aeroestruturas a entrarem em produção na SAM. Posteriormente,os freios aerodinâmicos, a fuselagem traseira, o caixão das asas e a fuselagem dianteira para a versão biposto, a qual esta sendo desenvolvida para o Brasil, serão fabricados na SAM.

Esse é outro resultado da Transferência dTecnologia do Programa Gripen. Com base no treinamento prático e teórico de engenheiros e montadores brasileiros na Saab em Linköping, conseguimos estabelecer uma linha de produção altamente qualificada na SAM, seguindo os mesmos padrões que temos em nossa fábrica na Suécia”, diz Jonas Hjelm, head da área de negócios da Saab Aeronautics.


Atualmente, a SAM conta com mais de 70 funcionários altamente qualificados, sendo que a metade já participou ou está participando do programa de Transferência de Tecnologia, na Suécia. Parte desses funcionários concluiu o treinamento e voltou para iniciar a produção no Brasil.

O GBN Defense espera em breve novo convite da Saab para visitar as instalações da SAM e de Gavião Peixoto, afim de trazer ao nosso público um pouco mais dessa bem sucedida parceria.

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Com Saab

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Esquadrão HU-2 "Pégasus" e o Corpo de Fuzileiros Navais realizam adestramento com emprego de Visão Noturna (OVN)

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No período de 1 a 3 de julho, o 2° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (EsqdHU-2) e o Corpo de Fuzileiros Navais realizaram uma série de treinamentos com o objetivo de aprimorar a capacidade operacional das unidades envolvidas, como treinamento de transporte de carga, transporte de tropa com desembarque por fast rope e rapel, além do primeiro adestramento de operações aéreas assistidas por óculos de visão noturna (OVN) na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia-RJ.
Destaca-se o pioneirismo do transporte de tropa do CFN pelo EsqdHU-2, utilizando OVN, além do balizamento da Zona de Desembarque empregando configuração infravermelha o que representa um incremento da capacidade operacional conjunta entre o CFN e a Aviação Naval.

Participaram dos treinamentos militares dos 1° e 2° Batalhões de Infantaria de Fuzileiros Navais, do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais e da Companhia de Apoio ao Desembarque. Foram realizadas operações aéreas com a aeronave UH-15 Super Cougar do EsqdHU-2 e UH-12 Esquilo do EsqdHU-1. Os voos com o emprego do OVN contaram com a participação do Comandante da Divisão Anfíbia, Contra-Almirante Pilar, e dos comandantes das unidades envolvidas, embarcados no UH-15.


Durante o adestramento, foram cumpridos os procedimentos de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus, estabelecidos pelo Comando em Chefe da Esquadra, com base nas diretrizes do Ministério da Saúde e da Diretoria de Saúde da Marinha.


Vale ressaltar que todas luzes observadas nas imagens que ilustram esta matéria, desde o balizamento até mesmo os faróis das aeronaves, foram concebidas por infravermelho em completa ausência de luz, sendo imperceptíveis aos olhos humanos sem o emprego de sistemas de visão noturna, como os Óculos de Visão Noturna.

A Marinha do Brasil vem ampliando suas capacidades operativas nos mais adversos cenários de emprego, inserindo novas tecnologias e mantendo um alto nível de eficiência e qualificação de seus meios e pessoal, mesmo diante dos desafios impostos pela pandemia do Covid-19, temos acompanhado o continuo trabalho de nossa Marinha, a qual continua qualificando seus profissionais e se colocando sempre pronta para cumprir com sua missão, onde e quando se faça necessário.

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Com Marinha do Brasil e imagens da Força Aeronaval.
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sábado, 4 de julho de 2020

Pequenas e letais - a revolução das 'mini PGM'

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As primeiras PGM (munições guiadas de precisão, 'armas inteligentes') surgiram na Segunda Guerra Mundial, mas dificuldades técnicas impediram seu uso generalizado até a Guerra do Vietnã.


Entretanto, foi na Guerra do Golfo de 1991 que as PGM tiveram impacto realmente decisivo. Armas como a monstruosa Paveway GBU-28 de 5 mil libras (cerca de 2.260 kg) foram essenciais na destruição das forças iraquianas.





 A monstruosa GBU-28 é uma bomba de mais de 2 toneladas e 5,7 metros de comprimento; mesmo o grande F-111 só podia carregar duas dessas armas

As PGM cresceram tanto de importância, especialmente nas guerras modernas onde reduzir o dano colateral é cada vez mais importante, que em operações recentes as PGM foram usadas em quase 100% das missões. [1]



O IMPACTO DOS DRONES


Os 'drones' (VANT - Veículos Aéreos Não-Tripulados, ARP, RPA, UAV) surgiram mais ou menos na mesma época que as PGM, e foi também na Guerra do Vietnã que começaram a ter maior impacto, sendo que, atualmente, o uso maciço de drones é feito até por players como o Houthis.


No começo do Século 21, os EUA estudavam formas de usar os drones mais extensivamente, e um dos primeiros obstáculos encontrados foi justamente armar as pequenas aeronaves - de modo geral, os drones são menores e mais leves que as aeronaves táticas, o que impõe sérias restrições às cargas que podem levar.


A USAF se deparou com este problema ao fazer testes com o drone RQ-1 Predator - a menor PGM no seu inventário era a GBU-12, uma LGB (bomba guiada a laser) de 500 libras (cerca de 227 kg) da família Paveway (feitas pela Raytheon), que ainda assim era mais que o Predator podia carregar.


Uma rápida busca nos inventários dos demais ramos das FFAA (Forças Armadas) americanas apontou para o AGM-114 Hellfire, um ATGM (míssil guiado antitanque) já em uso pelo US Army (Exército dos EUA) e USMC (Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA).





 Soldados do US Army carregando um Lockheed Martin AGM-114 Hellfire num AH-64 Apache; o AH-64 pode levar até 16 dos pequenos mísseis. Observe-se o pequeno tamanho (1,8 m de comprimento e 18 cm de diâmetro) e pequeno peso (cerca de 45 kg) do míssil

O Hellfire usa guiagem SAL (laser semi-ativo), como as Paveway, mas pesa apenas 100 libras (cerca de 45 kg), permitindo que o MQ-1 Predator (RQ-1 modificado para carregar armas) leve um Hellfire sob cada asa. O Hellfire tem um alcance de cerca de 8 km.





 General Atomics RQ-1 Predator com um míssil AGM-114 Hellfire sob cada asa. Esta combinação se provou bastante eficiente em lugares como Afeganistão e Iraque

A combinação Predator + Hellfire chegou bem a tempo de ser amplamente utilizada na GWOT (Guerra Mundial Contra o Terror) que se seguiu ao 11 de setembro (ataques terroristas de 2001). 


Mas isso era apenas o começo.



OUTRAS MINI PGM


Embora o Hellfire ainda seja importante como arma de drones, outras mini-PGM vem ganhando espaço, inclusive em aeronaves 'tradicionais'.





 Uma das vantagens das mini PGM é o aumento do poder de fogo - um Boeing F-15E, limitado a 5 GBU-31 de 2 mil libras (alto), pode levar pode levar 20 SDB + 2 drop tanks (baixo) permitindo que mais alvos sejam atacados na mesma missão

Algumas PGM muito avançadas foram introduzidas nas últimas décadas, e outras seguem em desenvolvimento.


Uma dessas é a Boeing GBU-39 SDB (bomba de pequeno diâmetro), uma pequena bomba de 1,8 m de comprimento, 18 cm de diâmetro (tal como o Hellfire) e peso de 250 libras (cerca de 113 kg), mas ainda tem um alcance superior a 70 km, graças a suas asas integradas. A SDB foi desenvolvida especificamente para uso a partir do pequeno paiol interno de armas do F-22, junto com um suporte quádruplo ('quad pack') BRU-61. A SDB foi desenvolvida para igualar a capacidade perfurante da BLU-109 de 2 mil libras (cerca de 907 kg) dos anos 1980.





Apesar de pequena, a SDB tem excelente capacidade perfurante



Um BRU-61 carregado com 4 SDB pesa 1460 libras (cerca de 670 kg), comparável às 1013 libras (cerca de 460 kg) da Boeing GBU-32, uma JDAM (munição conjunta de ataque direto) que usa o mesmo sistema de guiagem EGI (INS / sistema de navegação inercial combinado com GNSS / sistema de navegação global com satélites). A GBU-32 é a maior arma que pode ser levada no paiol de armas do F-22.





 GBU-39 SDB e o quad pack no suporte BRU-61




A 'irmã' da SDB é a Raytheon GBU-53 SDB2 Stormbreaker. Ela emprega uma configuração diferente da SDB - corpo e ogiva sem as mesmas capacidades perfurantes, mas ainda eficientes, e um sistema de guiagem que combina EGI com um sensor triplo - SAL, IIR (imagens infra vermelhas) e MMW (radar de onda milimétrica). É compatível com o BRU-61.





 Raytheon GBU-53 Stormbreaker

O Hellfire está sendo substituído pelo Lockheed Martin AGM-179 JAGM (míssil ar-solo conjunto), de dimensões e pesos semelhantes, mas que usa um sensor triplo como o do SDB2. O JAGM pode alcançar alvos a mais de 20 km.





 Maquete do Lockheed Martin AGM-179 JAGM



Não são só os EUA que desenvolvem mini PGM. O Reino Unido desenvolve o MBDA Brimstone, parecido com o JAGM, mas com guiagem apenas SAL e MMW.


A MBDA também desenvolve o SPEAR 3 (efeitos selecionados de precisão a longo alcance), combinando o sensor do Brimstone com um motor turbojato, permitindo-lhe atingir alvos a mais de 100 km. Uma versão EW (guerra eletrônica) está em desenvolvimento.





 O míssil de cruzeiro MBDA SPEAR 3 (alto) é parecido, externamente, com a GBU-53; uma variante de EW (baixo) está nos planos da MBDA



Mas mesmo armas como JAGM, Brimstone, Stormbreaker e SPEAR 3 são relativamente grandes para vários drones, o que levou ao desenvolvimento de PGM ainda menores.



PGM CADA VEZ MENORES


Quando a USAF procurou por armas ainda menores, tanto para armar drones como para aumentar o poder de fogo das plataformas atuais, voltou-se a programas como o Raytheon AGM-176 Griffin. O Griffin é um míssil bastante pequeno e compacto, pesando 15 kg e 1,10 m de comprimento. O Griffin é lançado a partir de um CLT (tubo comum de lançamento), que também pode ser usado para disparar outras armas. Seu alcance é comparável ao do JAGM [15]





 O Griffin é tão compacto que 4 deles podem ser facilmente lançados a partir de um Humvee



O CLT é compatível não apenas com o Griffin, mas com diversas outras armas. Uma delas, que está ganhando admiração pelas Forças Especiais dos EUA, é a Dynetics GBU-69 SGM (munição planadora compacta). Apesar de pesar cerca de metade do Hellfire, facilitando assim seu uso a partir de drones, a SGM tem alcance superior e ogiva maior, respectivamente 16 kg e 40 km.





 Dynetics GBU-69 SGM

Outra arma em desenvolvimento na Europa, e cuja foto já apareceu na abertura deste artigo, é a LMM (munição leve multifunção), que é desenvolvida pela Thales e Leonardo, e que conta com apoio americano da Textron. A versão com motor foguete é a Martlet, com dimensões semelhantes aos foguetes Hydra.





 O LMM é tão pequeno que até um drone leve como o Schiebel Camcopter S-100 pode levar um de cada lado



Uma versão do Martlet sem propulsão é oferecido pela Textron, o Fury, que é uma bomba planadora. 3 Fury podem ser instaladas num suporte para 1 Hellfire.





 Três bombas Textron Fury podem ser levadas num sporte triplo, ocupando o mesmo espaço e peso que um Hellfire



Mas a mini PGM que parece ter maior potencial é a Northrop Grumman Hatchet, ainda em desenvolvimento. Ela é tão pequena que é possível levar 3 Hatchet em um único CLT, ou 12 mesmo espaço de um Hellfire, ou 54 no mesmo espaço de uma GBU-12!

Northrop Grumman Hatchet





Maquetes da Northrop Grumman, mostrando como é possível carregar 54 Hatchet num pod rotativo com dimensões e pesos equivalentes a uma GBU-12 (esquerda) ou 12 num pod fixo com dimensões e pesos equivalentes a um Hellfire (direita)



Outra mini PGM já em uso é o BAE Systems APKWS (sistema letal avançado e preciso), que modifica os foguetes Hydra, os quais os EUA e aliados dispõem em grandes quantidades, com guiagem SAL, a um custo relativamente baixo. Um pod com 19 APKWS tem dimensões e pesos semelhantes a 4 Hellfire. [20]





 APKWS. 1) kit de guiagem com aletas estendidas; 2) ogiva; 3) detonador; 4) motor foguete com aletas estendidas; 5) conjunto completo com aletas dobradas

Outros países, além de EUA e Reino Unido também desenvolvem armas compactas. Um destes é Israel, do qual já destacamos algumas de suas PGM em outro artigo. 


Israel já opera, sabidamente, duas armas similares à APKWS, ambas da Elbit (GATR e STAR), uma semelhante à Stormbreaker (IMI SPICE 250), e outra semelhante às Paveway (Elbit Lizard).


Mas duas das armas israelenses, ambas feitas pela IMI, merecem destaque especial - a Delilah e a Fastlight



 A Fastlight tem um peso aproximado de 50 kg (quase o mesmo que o Hellfire), mas carrega uma ogiva de 35 kg!



 O Delilah é um míssil da mesma categoria do SPEAR 3; peso de 187 kg, ogiva de 30 kg e alcance de 250 km



A MBDA SmartGlider está sendo desenvolvida pela França. É uma arma da mesma categoria da Stormbreaker, e um suporte para 6 bombas, o Hexabomb Smart Launcher (HSL), também está sendo desenvolvido. O conjunto completo terá aproximadamente o mesmo peso e tamanho de uma bomba de 2 mil libras (cerca de 1 tonelada)





 Conjunto de 6 MBDA SmartGlider num HSL



A Turquia também fabrica diversas PGM, como os Cirit (foguetes guiados similares aos APKWS), UMTAS (similares aos Hellfire), e o MAM-L, um míssil equivalente ao Hellfire em alcance mas à SGM em dimensões e pesos.





 Concepção artística de um drone TAI Anka-S com 4 Rocketsan MAM-L



A Turquia, inclusive, tem usado seus drones e PGM com grande eficiência na Síria e na Líbia.


China, Rússia e Paquistão estão entre os países que também desenvolvem mini PGM e drones, muitos com características semelhantes às dos sistemas apresentados até o momento. Estes drones tem sido usados com grande eficiência na Líbia, Síria e outros lugares.



CONCLUSÃO


A 'revolução das mini PGM' está apenas no seu começo, e sem dúvidas ainda tem muito para crescer.


Conforme apontamos no artigo 'Qual será o substituto do A-10', drones e outras aeronaves leves com essas mini PGM terão aplicação crescente no campo de batalha.





Super Tucano lançando uma GBU-12 durante testes. A GBU-12 foi bastante eficiente contra diversos tipos de alvos na Guerra do Golfo e outras operações militares





Por: Renato Henrique Marçal de Oliveira - Químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel).

REFERÊNCIAS





























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sábado, 27 de junho de 2020

PARA ATENDER NOSSAS NECESSIDADES NO SÉCULO XXI: A FORÇA AÉREA BRASILEIRA E O GRIPEN

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O Gripen está chegando! Para muitos entusiastas e fãs da aviação, é uma excelente notícia, após vivermos tempos difíceis por causa da Pandemia do Novo Coronavírus e seus efeitos para nossa sociedade. A primeira célula da Força Aérea Brasileira (FAB), o FAB 4100, chega ainda esse ano, mas sua entrada em serviço deverá ser apenas no ano que vem. Sua entrada em serviço transformará a FAB numa força aérea realmente capaz de cumprir com sua missão de proteger e defender o nosso espaço aéreo. Nesse artigo, vamos ver um pouco da História do Gripen e sua aquisição pelo Brasil.

DO “GRIPEN DEMO” AO “GRIPEN NG”

O F-39E/F Gripen é um significativo avanço do já conhecido caça JAS 39 Gripen, fabricado pela Saab da Suécia desde meados dos anos 90, operado inicialmente pela Força Aérea Sueca (nas versões JAS 39 A/B/C/D e futuramente a E/F) e posteriormente exportado para vários países, como a África do Sul, Hungria, República Tcheca e Tailândia (na versão JAS 39 C/D). O Reino Unido, através da sua Escola de Pilotos de Teste (ETPS, em inglês) operam o JAS 39D.

Em 2007, um avião de dois lugares, designado pela SAAB de “Gripen Demo”, foi construído englobando várias atualizações e melhorias para o Gripen. Essa nova aeronave, que seria inicialmente um demonstrador de tecnologia da empresa, estava alimentada pela mais poderosa turbina General Electric F414G, um desenvolvimento do motor do Boeing F/A-18E/F Super Hornet. O peso máximo de decolagem (PMD) do Gripen Demo foi aumentado de 14.000 para 16.000 kg, a capacidade interna de combustível foi aumentada em 40% ao reposicionar o trem de pouso, o que também permitiu a adição de mais dois pontos duros na parte inferior da fuselagem. Seu raio de combate era de 1.300 quilômetros (810 mi) quando carregava seis AAMs e tanques ejetáveis O radar PS-05/A foi substituído pelo novo radar ativo de varredura eletrônica (AESA) Raven ES-05, que é baseado na família de radar Vixen AESA da Selex ES (desde 2017 Leonardo SpA). O voo inaugural do Gripen Demo foi realizado no dia 27 de maio de 2008. Em 21 de janeiro de 2009, o Gripen Demo voou a Mach 1.2 sem uso do pós-combustor para testar sua capacidade de Supercruise (voo supersônico sem o uso de pós-combustor). O Gripen Demo serviu de base para o Gripen E/F, também chamado de Gripen NG.

O Gripen Demo (NG) em voo. Observe a capacidade bélica da aeronave, carregando duas bombas guiadas de manejo nos pilones centrais e mais mísseis AAM e tanques externos nas asas. (Foto: Poder Aéreo)

A SAAB estudou uma variante do Gripen capaz de operar a partir de porta-aviões nos anos 90. Em 2009, lançou o projeto "Sea Gripen" em resposta ao pedido da Índia de informações sobre uma aeronave capaz de operar em porta-aviões. O Brasil também demonstrou interesse nesse tipo de aeronave. Após uma reunião com funcionários do Ministério da Defesa inglês (MoD) em maio de 2011, a SAAB concordou em estabelecer um centro de desenvolvimento no Reino Unido para ampliar o conceito do Sea Gripen. Em 2013, executivos da SAAB afirmaram que o desenvolvimento de uma versão opcionalmente tripulada do Gripen E, capaz de operar operações não tripuladas, estava sendo explorado pela empresa; um maior desenvolvimento das versões opcionalmente tripuladas e transportadoras exigiria o compromisso de um cliente. Em setembro de 2015, foi anunciado pela SAAB que uma versão de guerra eletrônica (EW) do Gripen F de dois lugares estava em desenvolvimento.

Maquete do Sea Gripen apresentada durante a LAAD em 2015. (Foto: Poder Naval)
Em 2010, a Suécia concedeu à SAAB um contrato de quatro anos para melhorar o radar e outros equipamentos do Gripen, integrar novas armas e reduzir seus custos operacionais. Em junho de 2010, a Saab declarou que a Suécia planejava encomendar o Gripen NG, designado JAS 39E/F, e entraria em serviço em 2017 ou antes, dependendo das ordens de exportação. Em 25 de agosto de 2012, após a intenção da Suíça de comprar 22 das variantes E/F, a Suécia anunciou que planejava comprar 40-60 Gripen E/F. O governo sueco decidiu comprar 60 Gripen E em 17 de janeiro de 2013, abandonando a compra da versão F.

Em julho de 2013, a montagem começou na primeira aeronave de pré-produção. Originalmente, 60 JAS 39C da Força Aérea Sueca deveriam ser convertidos para o modelo E até 2023, mas isso foi modificado para a construção de aeronaves novas, com apenas poucas partes reutilizáveis das antigas. A primeira aeronave de produção será entregue em 2018. Em março de 2014, a Saab revelou o projeto detalhado e indicou que planejava receber a certificação de tipo militar no início de 2018. O primeiro Gripen E foi lançado em 18 de maio de 2016. A Saab adiou o primeiro voo de 2016 para 2017 para se concentrar na certificação do software, mas os testes de táxi de alta velocidade começaram em dezembro de 2016. Em 15 de junho de 2017, a SAAB completou o primeiro voo do Gripen E.

O PROGRAMA FX-2 E A COMPRA DO GRIPEN PELA FAB

Em outubro de 2008, o Brasil selecionou os três finalistas ("short list") para o seu programa de caça F-X2: o Dassault Rafale B/C, o Boeing F/A-18E/F Super Hornet e o JAS 39E/F Gripen NG (Next Generation – Próxima Geração). Inicialmente, a Força Aérea Brasileira planejava adquirir pelo menos 36 e possivelmente até 120 células posteriormente, para substituir suas aeronaves Northrop F‐5EM/FM e Dassault Mirage 2000B/C. Em fevereiro de 2009, a Saab apresentou uma licitação para 36 Gripen NGs. Em janeiro de 2010, relatos afirmaram que o relatório final de avaliação da Força Aérea Brasileira colocava o Gripen à frente de outros concorrentes; o fator decisivo foi o custo unitário e os custos operacionais menores. Em meio a atrasos devido a restrições financeiras, houve relatos em 2010 da seleção do Rafale e em 2011 da seleção do F/A-18 (segundo rumores, por razões políticas, e não técnicas). No dia 18 de dezembro de 2013, a então presidente Dilma Rousseff anunciou a seleção do Gripen NG.

Os principais fatores de decisão pela aeronave, que ainda estava sendo desenvolvida, foram as oportunidades domésticas de fabricação, participação no desenvolvimento do Gripen, ampla possibilidade de Transferência de Tecnologia (ToT, em inglês) para o Brasil e potenciais exportações para África, Ásia e América Latina; Argentina e Equador demonstraram interesse adquirir Gripens do ou através do Brasil, e o México. é considerado uma meta de exportação. Mesmo sendo um produto da indústria sueca, o Gripen não está imune à pressão externa: o Reino Unido pode usar sua porcentagem de 30% de componentes no Gripen para vetar uma venda para a Argentina devido à disputa nas Ilhas Falklands; assim, a Argentina desistiu do Gripen e hoje está considerando adquirir aeronaves russas, chinesas ou coreanas, como o KAI T-50 Golden Eagle. Até o início das entregas do Gripen E, o Brasil pretendia alugar várias aeronaves Gripen C, principalmente para apoiar os grandes eventos aqui sediados, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. Posteriormente essa ideia acabou sendo abandonada.

No dia 24 de outubro de 2014, o Brasil e a Suécia assinaram um contrato de SEK 39,3 bilhões (US$ 5,44 bilhões, ou R$ 13 bilhões na cotação da época) para a compra de 28 aeronaves Gripen E e 8 Gripen F a serem entregues na época entre 2019 a 2024 e mantidas até 2050; o governo sueco fornecerá um empréstimo subsidiado de 25 anos e taxa de juros de 2,19% para a compra. Pelo menos 15 aeronaves serão montadas no Brasil, e as empresas brasileiras devem estar envolvidas na produção completa; a aeronave Gripen F, de dois assentos, deve ser entregue mais tarde (ela será exclusiva da FAB, não sendo produzida para os suecos). Um aumento de preço de quase US$ 1 bilhão desde a seleção deve-se a desenvolvimentos solicitados pelo Brasil, como o “Wide Area Display” (WAD), uma tela panorâmica de 19 por 8 polegadas com a tecnologia “touchscreen”, exclusivo para a FAB até o momento (os suecos hoje cogitam instalar o WAD em suas células). O pacote de compensação é estabelecido em US$ 9 bilhões, ou 1,7 vezes o valor do pedido. Dois pilotos brasileiros foram treinados na Suécia entre novembro de 2014 e abril de 2015. A Força Aérea Brasileira tem uma exigência para 108 Gripens, a serem entregues em três lotes. A Marinha do Brasil demonstrou interesse no Sea Gripen (uma versão navalizada do Gripen) para substituir seus caças aeronavais Douglas A-4KU Skyhawk (AF-1 Falcão), mas com a baixa do NAe São Paulo (A-12), essa ideia foi abandonada. Em 2015, o Brasil e a Suécia finalizaram o acordo para o desenvolvimento do Gripen F, que foi designado F-39 pelo Brasil. De acordo com executivos da SAAB, o primeiro F-39E será entregue no final de 2020 e o primeiro F-39F em meados de 2023 ou 2024.


Painel de instrumentos do Gripen E (F-39E) da FAB, com a presença do WAD. (Fonte: Pinterest)

AFINAL, POR QUE O GRIPEN PARA A FAB?

Como observamos, o Gripen da FAB é uma aeronave nova, com grande potencial de desenvolvimento e atualizações. O projeto do Gripen, apesar de ser dos anos 80, foi pensado visando o futuro, pois já estava no horizonte os cortes dos orçamentos militares pós-Guerra Fria e as limitações operacionais como consequência desses cortes. Algumas características da simplicidade operacional do Gripen e sua praticidade foram bastante apreciadas pelos militares da Força Aérea Brasileira, como por exemplo a capacidade de decolar em pistas curtas e a fácil manutenção.

Durante a Guerra Fria, as Forças Armadas da Suécia estavam prontas para se defender contra uma possível invasão. Isto exigiu que os aviões de combate se espalhassem para manter uma capacidade de defesa aérea. Assim, um dos principais objetivos durante o desenvolvimento do Gripen foi a capacidade do avião de decolar de pistas de pouso cobertas de neve em apenas oitocentos metros. Além disso, o tempo no qual uma equipe pode rearmar, reabastecer e realizar inspeções básicas e serviços gerais para o avião retornar ao voo é de dez minutos.

Durante o processo de desenvolvimento, outro objetivo foi fazer com que a aeronave tivesse uma manutenção simples e com poucos custos. As aeronaves estão equipadas com um sistema de monitoramento de uso e danos, que monitora o desempenho de vários sistemas e fornece informações aos técnicos para auxiliar na manutenção. O fabricante opera um programa de melhoria contínua do avião, utilizando as informações deste e de outros sistemas. De acordo com a SAAB, o Gripen fornece custos de operação 50% menores do que o seu principal concorrente (o F-16).

Um estudo de 2012 da “Jane's Aerospace and Defense Consulting” comparou os custos operacionais de uma série de aviões de combate, mostrando que o Gripen tem o custo mais baixo de operação por hora de voo, melhor eficiência em relação ao consumo de combustível, preparações e reparos antes do voo e manutenção programada para o aeroporto, com os custos de equipe. O Gripen tem um custo por hora de voo estimado de 4.700 dólares, enquanto seu concorrente direto, o Lockheed Martin F-16, tem um custo cerca de 49% maior, de 7 mil dólares.

Além da economia e da praticidade, o Gripen também é uma excelente aeronave de caça, no tocante à sua manobrabilidade e sobrevivência em combate aéreo. Seu peso máximo de decolagem (PMD) é cerca de 30% menor do que o do F-16 (um projeto dos anos 70, que está no limite do seu desenvolvimento, assim como o F/A-18), devido principalmente ao amplo uso de material composto. Por isso a versão NG da aeronave, com uma turbina bastante potente (o GE F414G) é capaz de Supercruise, enquanto o F-16, que é equipado com um motor da mesma categoria do Gripen, o F110-GE-129, não é capaz de Supercruise.

Seu pacote de armamento também é muito diversificado: opera o canhão Mauser BK-27 de 27 mm (apenas a versão E) e uma gama de mísseis ar-ar, ar-terra e ar-mar. Pode ser integrado com qualquer equipamento ocidental e padrão OTAN, pois opera o mesmo barramento e está certificado adequadamente para o uso desses armamentos. A FAB vai utilizar no F-39E/F o A-Darter como míssil ar-ar de curto alcance (WVR) e o poderoso Meteor como míssil ar-ar de longo alcance (BVR). O Gripen também vai poder operar o poderoso míssil ar-mar Exocet AM-39 também sua futura versão nacionalizada, e além disso deve operar os mesmos sistemas de armas que a FAB já opera, como a bomba Lizard e seu sistema de navegação e orientação Litening, por exemplo, mas com capacidade de operar outros sistemas futuro, pois a aeronave está ainda em franco desenvolvimento, com grande capacidade de atualização.

O Gripen é uma aeronave monomotor, pois opera apenas uma turbina GE F414G, baseada na turbina do Super Hornet, como já foi colocado, O F414G é uma turbina altamente confiável, com uma grande capacidade de absorção de danos e de fácil manutenção. O Gripen pode trocar uma turbina em terra em poucas horas e por uma equipe simples, sendo isso também um dos fatores positivos da aeronave. A confiabilidade do Gripen é bastante alta, sendo em alguns casos até maior do que aeronaves bimotoras como o Eurofighter Typhoon e o Dassault Rafale (pois geralmente quando uma aeronave dessas perde um motor ela pode ficar bastante instável e muitas vezes difícil de pilotar, com o piloto optando por ejetar). O registro de acidentes e incidentes do Gripen, desde sua entrada em serviço nos anos 90, prova bem isso, pois o modelo sofreu apenas 11 acidentes, com dez perdas da aeronave, e apenas uma morte.

Muito se fala a respeito de nossos vizinhos na América do Sul, especialmente os “temidos” Sukhoi Su-30 MKV da Venezuela, os Mig-29 do Peru e os F-16 chilenos. No caso particular dos Su-30, que a Força Aérea Venezuelana (AMV) opera em razoável quantidade, podemos até admitir sua letalidade, mas devemos questionar que a mesma possa estar sofrendo restrições operacionais, pela crise que o país está passando, e a falta de um parque industrial que apoie essa aeronave, fator que afeta também os peruanos e chilenos. Para nossa realidade e contexto na América do Sul (e também na América Latina), a entrada em serviço do F-39 dará um salto operacional à FAB, tornando-a a mais letal do continente, devido principalmente ao suporte de nossa indústria e a aeronave vir adicionada do vasto pacote de armas que já foi citado.

Foi noticiado que ainda nesse ano a Saab enviará a primeira célula do F-39E produzida para a FAB ao Brasil, para testes de integração do sistema pela Embraer, coprodutora do Gripen. O cronograma financeiro-orçamentário estabelecido até o momento prevê a entrega de 4 aeronaves em 2021, 7 em 2022, 6 em 2023, 8 em 2024, 9 em 2025 e duas em 2026. Eventuais atrasos de pagamento ou problemas técnicos podem levar a uma replanejamento, porém, desde a assinatura do contrato o prazo inicial para o recebimento das aeronaves pela FAB era em 2021.

Em resumo, economia operacional, resistência, desempenho e custo-benefício foram os fatores da compra do F-39E/F pela FAB. Aguardamos ansiosamente sua entrada em serviço em 2021, no 1º GDA (Grupo de Defesa Aérea) e no 1º/16º GAv (Grupo de Aviação), que será reativado, ambas unidades situadas na atual Ala 2, em Anápolis-GO. Será o nosso caça para a primeira metade do século XXI e para nossas necessidades, a realidade em que vivemos e a capacidade que o vetor demonstra, está de bom tamanho para o Brasil.


FOTO DE CAPA: Foto do primeiro voo do Gripen E da Força Aérea Brasileira, o FAB 4100. (Fonte: Saab)

Com informações retiradas da Wikipedia.


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Por Luiz Reis, Professor de História da Rede Oficial de Ensino do Estado do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza, Historiador Militar, entusiasta da Aviação Civil e Militar, fotógrafo amador. Brasiliense com alma paulista, reside atualmente em Fortaleza-CE. Luiz colaborou com o Canal Arte da Guerra e o Blog Velho General e atua esporadicamente nos blogs da Trilogia Forças de Defesa, também fazendo parte da equipe de articulistas do GBN Defense e do Canal Militarizando no Youtube. Presta consultoria sobre História da Aviação, Aviação Militar e Comercial. Contato: lcareis@gmail.com


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