domingo, 20 de setembro de 2020

O sonho começa a se tornar realidade - Primeiro Gripen-E desembarca no Brasil

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Após realizar a primeira etapa dos voos de testes e certificações na Suécia, desembarcou neste domingo (20) em Itajaí o primeiro exemplar da mais moderna aeronave da América Latina, trata-se do Gripen-E matrícula FAB4100 pertencente a Força Aérea Brasileira, o qual será conduzido ao aeroporto de Navegantes, de onde seguirá em seu primeiro voo em céus brasileiros até Gavião Peixoto, onde dará prosseguimento no programa de certificações e testes do novo vetor brasileiro.

Fruto do Programa FX/FX-2, o qual se arrastou por décadas até a definição e assinatura do contrato, a qual ocorreu em 2014, o SAAB Gripen E/F será o mais moderno vetor operado na América Latina, contando com uma avançada e moderna aviônica e sensores de última geração, projetando a Força Aérea Brasileira no século XXI, cobrindo uma enorme lacuna tecnológica, tendo em vista décadas sem o devido investimento federal na aquisição de meios modernos para equipar nossa aviação de caça.

A aeronave foi transladada por via marítima, primeiro para evitar o pedido de uma série de autorizações de sobrevoo de espaço aéreo ao longo do caminho entre a Suécia e o Brasil, segundo os custos da operação e a necessidade de envio de todo aparato de apoio da aeronave, sendo a escolha acertada. O Gripen-E, denominado F-39 no Brasil, embarcou em 29 de agosto chegando neste domingo 20 de setembro.

O primeiro dos 36 exemplares adquiridos pelo Brasil, no entanto não será entregue imediatamente a Força Aérea Brasileira, sendo este exemplar destinado primeiramente para o cumprimento das etapas de avaliações e certificações em voo, mas no próximo ano os primeiros exemplares deverão ser entregues ao setor operativo da FAB, onde iniciarão sua carreira sob o nosso "cocar" e ganhando os céus do Brasil. Os primeiros exemplares serão certificados IOC (Initial Operation Capability), assim como ocorre com os novos KC-390 Millennium. Ao todo o primeiro lote será composto por 28 exemplares monoposto (Gripen-E) e 8 exemplares da variante biposto (Gripen-F) esta sendo desenvolvida especialmente para atender a demanda brasileira, onde participam muitos engenheiros e técnicos brasileiros no desenvolvimento.

É provável que em breve o Brasil assine a aquisição de um segundo lote de aeronaves F-39 Gripen, porém, ainda não há definições sobre quando e quantos exemplares de cada variante estarão envolvidos neste novo contrato, deixando espaço para muita especulação nas redes sociais e fóruns. Porém, dada as necessidades apresentadas pela FAB e a idade avançada de grande parte de seus vetores, a decisão não deve tardar muito.

A programação aponta que o primeiro voo do F-39 Gripen-E FAB4100, deverá ocorrer na próxima sexta-feira (25), quando deverá seguir para as instalações da Embraer e Saab em Gavião Peixoto após ter sua montagem e check-list concluídos.

Em breve lançaremos uma série de matérias especiais sobre o programa FX, aquisição e desenvolvimento do Gripen-BR.


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"Praia Limpa, Mar Limpo" - Evento em Rio das Ostras com apoio da Marinha do Brasil marca último dia da "Semana de Combate ao Lixo no Mar"

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Na última semana, foi promovida pela Marinha do Brasil entre os dias 14 e 19 de setembro a "Semana de Combate ao Lixo no Mar", evento que devido as restrições impostas pela pandemia do Covid-19, teve grande parte das atividades realizadas virtualmente. 

Porém, em Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro, o editor do GBN Defense e sua filha, Bibi Nicolaci, promoveram no último sábado (19) com apoio da Marinha do Brasil a primeira edição do "Praia Limpa, Mar Limpo", que reuniu um várias pessoas na Praia do Centro, uma das mais importantes do município, realizando a retirada de vários sacos de lixo, além de distribuir várias máscaras, panfletos e sacolas de lixo para as famílias que curtiam o sábado ensolarado.

A ação que ocorreu no último dia da "Semana de Combate ao Lixo no Mar", recolheu muitos copos descartáveis, embalagens plásticas e garrafas de plástico e vidro deixados na praia por banhistas. Tais objetos acabam parando no mar com a alta da maré ou com os fortes ventos, prejudicando a vida marinha. A pequena Bibi de apenas 4 anos, já aprendeu desde cedo e ajudou na distribuição do material e conscientização do público, explicando que lugar de lixo é na lixeira e não na areia da praia ou nas ruas.

"É muito importante nosso engajamento nesta ação, pois não basta apenas reclamar do problema e esperar pelas autoridades competentes, é preciso agir, se cada um fizer sua parte teremos praias mais limpas e preservaremos a biodiversidade de nossa "Amazônia Azul. Não é difícil estabelecer parcerias como a que fechamos com a Marinha do Brasil e comerciantes da cidade, o difícil é colocar na cabeça das pessoas que um simples copo plástico pode causar dano ambiental  por muitos anos, e não custa nada coletar o lixo que geramos, e vou até mais longe, se todos quando formos as praias, rios e lagoas retirarmos o lixo ao nosso redor, já é um grande passo, pratico isso há muitos anos e a Gabrielly (Bibi) desde bebê vê essa minha atitude e assimilou ao ponto de todas as vezes que vamos a praia, ela recolhe comigo bastante plástico ao nosso redor", disse Nicolaci.

O evento que contou com adesão de moradores da cidade e teve o importante apoio da Força Aeronaval, sob o comando do Contra-Almirante Paulo Renato Rohwer Santos, que disponibilizou material para ação, com máscaras produzidas na BAeNSPA pelas oficinas do CIAAN, além do engajamento de comerciantes e empresários de Rio das Ostras, como a Elvira Boutique, Decorplaster e a LorenClin. A divulgação foi realizada com poucos dias do evento pelas redes sociais e o Canal Militarizando, o que levou ao baixo número de voluntários, com a presença do pessoal da Equipe Efatá de Paintball nesta edição.

"No próximo mês pretendemos divulgar a segunda edição do "Praia Limpa, Mar Limpo" com maior antecedência, definindo a ação no fim da tarde para que possamos ampliar o número de voluntários e realizar a varredura por uma área mais extensa de nossa orla, mantendo atenção aos procedimentos de segurança contra o Covid-19, com nosso pessoal usando máscara, luvas e álcool gel, além de manter a distancia de segurança durante a progressão no terreno. O GBN Defense abraça essa missão", divulgou Nicolaci.

A Amazônia Azul é responsabilidade de todos, a Marinha do Brasil e diversos institutos tem realizado uma série de ações na preservação de nosso mar, o GBN Defense mais uma vez se engaja na luta pela preservação ambiental, onde também é um dos signatários da Carta de Compromisso pela Preservação e Despoluição da Baía de Guanabara, assinada em 16 de fevereiro de 2019.


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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Comandante da Marinha entrega o Plano Estratégico da Marinha ao Presidente da República e ao Ministro da Defesa (clipping)

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 Presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo, recebem o PEM 2040

Presidente da República, Jair Bolsonaro, e o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo, recebem o PEM 2040

O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, realizou, em 10 de setembro, a entrega do Plano Estratégico da Marinha (PEM 2040) ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, e ao Ministério da Defesa, Fernando Azevedo, por ocasião da Cerimônia de Encerramento do Curso Especial de Habilitação para Promoção a Sargento, no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA). Nessa data, o PEM 2040 foi formalmente divulgado.
 
O PEM 2040 é um documento de alto nível, elaborado para orientar o planejamento de médio e longo prazo da Marinha do Brasil (MB), detalhando Objetivos Navais e suas decorrentes Ações Estratégicas Navais, norteados pela “Visão de Futuro da MB”, e que contribuirão para o cumprimento da missão da Força.
O plano foi elaborado após período de amplas discussões e trabalhos, com a participação de militares e civis, formadores de opinião e representantes das comunidades científica e acadêmica, considerando, dentre outros parâmetros, as capacidades que a MB deve adquirir e manter, a necessidade de constantemente ampliar a interação do planejamento estratégico ao Plano Plurianual, além de fortalecer, ainda mais, a aproximação com a sociedade e órgãos governamentais.

Comandante da Marinha apresenta o PEM 2040 ao Presidente da República, Jair Bolsonaro

Comandante da Marinha apresenta o PEM 2040 ao Presidente da República, Jair Bolsonaro

O PEM 2040 é, também, excelente instrumento para consolidar uma gestão eficaz de ameaças e oportunidades para a MB; está condicionado pelos documentos de alto nível da Defesa, como a Política Nacional de Defesa, a Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco de Defesa Nacional, além da plena consonância com a Constituição Federal e as atribuições legais da MB.
 
Acesse o Plano Estratégico da Marinha por meio do link: PEM - 2040

PEM 2040 é um documento de alto nível, elaborado para orientar o planejamento de médio e longo prazo da Marinha

O PEM 2040 é um documento de alto nível, elaborado para orientar o planejamento de médio e longo prazo da Marinha
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terça-feira, 15 de setembro de 2020

Acordos entre Israel e países árabes - 72 anos em 1 mês

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Cartum em um jornal dos Emirados Árabes Unidos, representando os acordos de paz assinados entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, mediados pelos EUA


Em 15/09/2020, aconteceu em Washington DC um evento sem precedentes na História - Israel assinou os Acordos de Abraão (referência a Abraão, patriarca dos judeus e dos árabes, tanto na Bíblia como no Corão), que são acordos de paz com dois países árabes (EAU - Emirados Árabes Unidos, e Bahrein) no mesmo dia. Até julho de 2020, ao longo dos seus 72 anos, Israel só tinha fechado outros dois acordos de paz com países árabes: Egito em 1979 e Jordânia em 1994. Os acordos com EAU e Bahrein foram anunciados com menos de 30 dias entre eles - 13 de agosto foi anunciado o acordo com os EAU e 11 de setembro foi anunciado o acordo com o Bahrein.

Ou seja, em 1 mês Israel dobrou os acordos de paz com países árabes dos últimos 72 anos.

Esses acordos, que vêm sendo costurados pelos EUA desde que o Presidente Trump assumiu o governo em 2018, marcam mudanças profundas nos paradigmas não apenas na diplomacia americana, mas também em como inimigos históricos se veem em uma região tão conturbada do nosso globo.

Vamos analisar, brevemente, como essas mudanças se desenrolaram.



A AMEAÇA IRANIANA

O Irã era um forte aliado dos países ocidentais depois do golpe que instituiu o Xá Reza Pahlavi como governante em 1953. Em 1979, por meio da Revolução Islâmica, o Irã se tornou uma teocracia que se opõe ferozmente ao Ocidente, em especial EUA, Inglaterra e Israel, e até hoje é governada pelo Conselho Revolucionário. Sua política expansionista e de apoio a diversos grupos terroristas fez com que já em 1984 o Irã entrasse na lista americana de países que apoiam o terrorismo, começando assim uma série de sanções contra o país.

Como parte de sua política expansionista, e como forma de se contrapor às sanções, o Irã anunciou em 2002 que desenvolveria pesquisas em energia nuclear, de forma contrária ao NPT (Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares), que o país tinha assinado em 1970.

Após idas e vindas, incluindo revelações de que, ao contrário do alegado pelo Conselho Revolucionário, o Irã está de fato buscando armas nucleares, em 14/07/2015 foi anunciada a assinatura do JCPOA (Plano de Ação Conjunto Global), em que o Irã se comprometia a encerrar quaisquer atividades militares relacionadas à energia nuclear. O Presidente Obama assinou o JCPOA em nome dos EUA, apesar da forte oposição do Congresso, que se recusou a endossar o Acordo. O então empresário Donald Trump protestou vigorosamente contra o acordo, assim como vários aliados dos EUA, que temiam que o Irã usasse o dinheiro para apoiar grupos terroristas.

A iminente assinatura do JCPOA, inclusive, levou a alguns fatos praticamente inéditos.

O GCC (Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, constituído por países árabes do Golfo Pérsico como EAU, Bahrein e Arábia Saudita) e também Israel estavam de acordo sobre o mesmo assunto.

O PM (Primeiro Ministro) israelense, Benjamin Netanyahu, inclusive, chegou a tomar atitudes muito antagônicas ao Presidente Obama, inclusive discursando no Congresso sem o convite ou presença do Presidente. Israel sofreu retaliações americanas na forma de embargos temporários à venda de armas e resoluções na ONU que não foram barradas pelos EUA, algo também extremamente raro.

Após o JCPOA, com o alívio das sanções e a entrada de vultosos recursos, e exatamente como temiam os críticos ao acordo, o Irã aumentou seu apoio a grupos terroristas como Hizballah, Hamas e insurgentes no Iêmen, além de ameaças aos vizinhos. Isso aumentou ainda mais a oposição do GCC ao acordo e, de forma ainda tímida, começou a facilitar os contatos destes países com Israel.

Estes contatos foram, aos poucos, se intensificando e se tornando mais públicos, especialmente depois do começo do governo do Presidente Trump em 2016.

Como era de se esperar, Trump agiu contra o JCPOA na primeira oportunidade após sua eleição, em maio de 2018, reimpondo sanções contra o Irã.

O imbróglio continua até hoje, com o Irã ameaçando os vizinhos, Israel e os EUA. 



A AMEAÇA TURCA

A Turquia, país que surgiu das cinzas do outrora poderoso Império Otomano, é um dos poucos países muçulmanos com o sistema jurídico totalmente laico.

Entretanto, desde que o ex prefeito de Istambul, Recep Tayyip Erdogan, subiu ao poder como PM da Turquia em 2003, começou uma nova fase da política externa turca.

As ações turcas, cada vez mais assertivas e agressivas, complicaram suas relações exteriores na região:

 

  • Turquia rompeu com Israel em 2010 após o incidente com o Mavi Marmara
  • Turquia tinha invadido o Chipre em 1974, ainda ocupa metade do país, e conversas de paz dão um passo pra frente e dois pra trás desde então; fronteiras terrestres e marítimas são parte do problema. França pende para o lado do Chipre
  • Grécia e Turquia são inimigas a séculos; até hoje há disputas em relação a fronteiras terrestres e marítimas. França pende para o lado da Grécia
  • Israel e Chipre descobriram reservas consideráveis de gás natural, algumas das quais estão em áreas reivindicadas pela Turquia. Além das reservas em si, há planos para gasodutos, que também passam por áreas reivindicadas pela Turquia (gasodutos devem passar pela Itália também)
  • guerra civil da Síria: Turquia invadiu a Síria, supostamente para combater terroristas curdos; com isso, arrumou tretas com Rússia e Síria
  • guerra civil da Líbia: Turquia apoia o grupo GNA (apoiado pela ONU), enquanto que Egito, Emirados Árabes Unidos e outros países (veladamente a França também) apoiam o grupo LNA. Rússia parece apoiar os dois lados

Como se pode observar na longa lista de desavenças da Turquia, os EAU têm na Turquia outro inimigo comum com Israel. Outros países do GCC também não estão felizes com as ações turcas, o que pode facilitar outros acordos entre Israel e países árabes.



A "QUESTÃO PALESTINA"

Quando Israel declarou, após um hiato de milênios, seu renascimento e independência em 1947, reconhecida formalmente pela ONU em 1948, começou uma longa história de conflitos com os países árabes.

No dia seguinte ao reconhecimento da independência pela ONU, vários países árabes atacaram Israel, e o que seriam dois países acabaram virando Israel, com a Faixa de Gaza ocupada pelo Egito e a Cisjordânia ocupada pela Jordânia, situação que, apesar de não ser reconhecida pela comunidade internacional, persistiu até a Guerra dos Seis Dias.

A vitória estonteante na Guerra dos Seis Dias de 1967, seguida pela vitória apertada na Guerra do Yom Kippur de 1973, consolidaram as fronteiras israelenses, especialmente após os acordos de paz com Egito e Jordânia, seguidos pela trégua mediada pela ONU com o Líbano em 2000, que validaram quase todas as fronteiras israelenses.

Desta feita, as fronteiras israelenses são reconhecidas internacionalmente, com exceção de contenciosos na fronteira com a Síria (resquícios da Guerra dos Seis Dias) e nas fronteiras internas com a PA (Autoridade Palestina), reconhecida internacionalmente como governo interino dos palestinos, um povo de ascendência árabe, na ausência de um acordo de paz formal com Israel, após o colapso dos Acordos de Oslo assinados em 1993

A "Questão Palestina", como é geralmente chamada, persiste sem uma solução que satisfaça a ambas as partes, Israel e PA.

Até muito recentemente, era tido como "senso comum" que Israel não poderia normalizar suas relações com os países árabes sem antes resolver a "Questão Palestina".

Entretanto, desenvolvimentos relativamente recentes, como a Primavera Árabe (que começou em 2011), a ascensão de ameaças como o grupo terrorista ISIS (Estado Islâmico), as ameaças iraniana e turca, entre outras, levaram os países árabes a rever muitos dos seus conceitos, inclusive a normalização de relações com Israel.

Provas contundentes destas mudanças foram vistas em agosto e setembro de 2020.

Assim como Irã e Turquia (que não são países árabes), a PA reagiu de forma imediata e vigorosa ao anúncio do acordo entre Israel e EAU, pedindo uma reunião extraordinária da Liga Árabe para repudiar o acordo, tal como aconteceu na época do acordo entre Israel e Egito; na época, o Egito chegou a ser expulso da Liga Árabe, situação que persistiu por quase 10 anos.

Qual não foi a surpresa da PA quando, além de rejeitar o pedido de repúdio, a Liga Árabe declarou que os países membros têm total liberdade de conduzir suas relações externas da forma que acharem melhor!

Além desta declaração bastante incisiva, países árabes têm, repetidamente, declarado que as atitudes da PA não são as melhores para os palestinos, mostrando assim que a "Questão Palestina" não é tão central como o "senso comum" queria fazer parecer - ou que, no mínimo, eles não veem com bons olhos a PA, especialmente o Presidente Mahmoud Abbas, cujo mandato deveria ter encerrado em 2009, mas que permanece no poder porque barrou todas as tentativas de eleições desde então.

Mas as facções palestinas não vão aceitar tranquilamente esta mudança, tanto que o Hamas atacou Ashdod mais ou menos no horário da cerimônia de assinatura dos acordos em Washington.



CONCLUSÃO


Assinatura dos Acordos de Abraão. Da esquerda pra direita: Ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif Al Zayani; Primeiro Ministro de Israel, Binyamin Netanyahu; Presidente dos EUA, Donald Trump; Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Abdullah bin Zayed




Como toda mudança de paradigmas, há grande incerteza sobre o futuro, além de ceticismo e oposição às mudanças.

Tal ceticismo e oposição não vêm apenas de lugares já esperados, como Irã, Turquia e PA, mas também da Europa.

A União Europeia persiste no “senso comum” que pouco ou nada melhorou a situação dos palestinos nas últimas décadas. Apenas o representante da Hungria esteve presente na cerimônia de assinatura dos acordos.

O tempo dirá quem está com a razão, mas tudo indica que a prática de atrelar acordos entre Israel e países árabes à "Questão Palestina" está com os dias contados.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

198 Anos da Independência do Brasil, Que país é esse?

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Neste dia 7 de Setembro, comemoramos 198 anos da Independência do Brasil, sendo o maior país da América Latina e o quinto maior do mundo, somos uma nação que possui muitas riquezas, as quais nos colocam em destaque no cenário mundial, considerada uma nação emergente com grande potencial econômico e industrial, porém, diversas vezes experimentamos sem sucesso ascender economicamente e conquistar uma posição mundial de grande solidez e relevância, mas repetidamente nos deparamos com frequentes casos de corrupção na esfera pública e instituições do Estado, quando não em obstáculos ideológicos e jogos de interesses dentro do Congresso e Senado, sem mencionar as recentes disputas entre os três poderes e o papelão orquestrado frequentemente pela grande mídia que tenta impor uma agenda de interesses políticos e sociais manipulando a opinião pública ao seu bel prazer, se valendo de fake news ou materias e artigos tendenciosos e desprovidos de argumentos sólidos e críveis. Somando a todos estes fatores acima, ainda temos o grande inimigo representado pela corrupção arraigada a nossa política e cultura.

Apesar de contarmos com mercado interno forte, vislumbramos políticas fiscais míopes que travam o potencial de crescimento do país. Temos todos elementos para nos tonar um novo e poderoso player no cenário geopolítico internacional, mas infelizmente ainda vivemos o julgo das más tradições e erros históricos que se repetem vez após vez.

O GBN Defense mantendo sua tradição de apresentar ao nosso público um conteúdo qualitativo e esclarecedor ao seus leitores, resolveu neste dia importante em nossa história, fazer uma releitura sobre os melhores artigos que abordam importantes aspectos de nossa independência, resultando em uma releitura especial que tem por objetivo abrir a visão de nossos compatriotas e abrir o debate e a reflexão a respeito de quem somos, o que devemos ser e como iniciar uma real mudança, tornando nossa nação finalmente "independente", não apenas no sentido político, mas econômico, tecnológico, ideológico e principalmente de nossos arcaicos e prejudiciais costumes e postura. 

Para começar a falar da “Independência”, vamos detalhar um pouco sobre o processo de reconhecimento desta, abordando nossa raiz cultural, o que influi de forma ainda muito forte nossa política e sociedade.

O Brasil foi a única monarquia a existir no continente americano e sua economia baseava-se no trabalho escravo, mantida pela exportação de suas riquezas, como o ouro, diamantes, madeiras, açúcar, tabaco, algodão, café e couros, mantendo uma matriz econômica colonial, postura que mantida por muito tempo, resultou em atraso e prejuízos ao país, uma vez que a Europa e América do Norte experimentavam e investiam nos avanços representados pela revolução industrial, o Brasil se mantinha relativamente estagnado, o que levou ao surgimento do abismo tecnológico e economico em relação aos demais países, tendo em vista que os mesmos mantinham uma taxa de desenvolvimento tecnológico alta, como os americanos que mergulharam no investimento em tecnológia e se mantiveram entre os players da primeira revolução industrial. A postura brasileira sempre foi conservadora e retrógrada, optando por manter-se com uma matriz agrícola e exportadora de insumos, o que resultou em um grande erro que atinge o país ate os dias atuais, 198 anos após sua "Independência".

Em 25 de março de 1824, foi promulgada a primeira Carta Magna do Brasil, que se manteve quase inalterada até 1891. A Constituição de 1824 estabeleceu um governo monárquico, hereditário e constitucional representativo. O imperador, não estava sujeito a responsabilidade legal alguma, exercia o Poder Executivo com os ministros, que eram pessoas escolhidas por ele e também atuava como moderador com seus conselheiros.

Os EUA foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil em 1824. Depois veio o reconhecimento do México e da Argentina em 1825. A França foi o primeiro país da Europa a reconhecer a independência do Brasil. Portugal não queria aceitar a independência do Brasil. No entanto, com ajuda da Inglaterra, os dois países chegaram a um pacto: Portugal reconheceria a independência, em troca o governo britânico exigiu que o Brasil pagasse um débito de 2 milhões de libras que Portugal devia a Inglaterra. Além disso, para pagar uma indenização para Portugal, o Brasil pediu crédito à Inglaterra. Iniciando nossa caminhada indeendente já com uma enorme dívida externa, onde nossa "amiga" Inglaterra conseguiu lucros altos com esse acordo.

Depois do reconhecimento da independência pelos portugueses, veio o reconhecimento oficial da Inglaterra e dos demais países Europeus. A Independência do Brasil foi resultado de um acordo político, armado por um grupo de representantes das classes dominantes da época, que manteve a monarquia, a escravidão e o latifúndio. No dia 12 de outubro, D. Pedro I foi proclamado “Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil”. Sendo José Bonifácio de Andrada e Silva (ministro dos Negócios do Interior, da Justiça e dos Estrangeiros), que com suas artimanhas políticas conseguiu a Independência do Brasil, proclamada em sete de setembro, e nada mais foi que uma atitude de cima para baixo, sem nenhuma alteração social.

A população brasileira foi desde os primórdios de sua independência mantida fora das decisões sobre o futuro do país, não muito diferente dos dias atuais em que vivemos uma "democracia" onde os poderes tentam se sobrepor e defendem interesses alheios aos anseios de nossa nação, com fatigantes disputas e tentativas de desestabilizar o executivo. Sendo nossa independência muito diferente de nossos hermanos das Américas, que partiram da posição de colônia para república, onde houve espaço para participação ativa no processo pelas diversas camadas da sociedade, algo que jamais existiu de fato no Brasil, sendo um ponto negativo em nossa independência, onde a participação no processo pelas classes de base de nossa sociedade foi nula, imprimindo desde então uma postura passiva e omissa da grande parcela de nosso povo, algo que perdura até os dias de hoje na república, onde ainda muitos preferem futebol e carnaval á se importar em debater as questões de interesse público, econômico e social. Contribuindo assim para que tenhamos ainda hoje em nosso governo, muitos corruptos e políticos sem preparo ocupando cadeiras no Congresso, Senado e mesmo em instituições como o Superior Tribunal Federal (STF), aversos a um projeto real de interesse nacional, buscando em sua grande maioria defender interesses de elites minoritárias e até os próprios.

Nossa cultura desde então foi a de buscar lá fora as tendências, ignorando desde o inicio a cultura nacional, um mal que ainda é bem presente, embora nos últimos anos tenha notado um tímido movimento de valorização do nacional, o que tem surtido um efeito muito distante do que se espera de um povo comprometido com seu bem estar como nação.

Nossa economia se manteve estagnada por muitos anos, até mesmo após a transição para república, mantivemos uma postura atrasada, e muito se deveu à falta de Política e a predominância do coronelismo, que usou de sua influência e força para manter o poder nas mãos da elite, com isso hoje ainda é comum ver a “politicagem” presente em nosso meio, um mal que só será dissipado com o engajamento do povo, principalmente quando houver real interesse nas políticas públicas e uma educação política livre da ideologização e partidarismos.

Até o fim da Segunda Guerra Mundial, o Brasil praticamente importava todos os artigos industrializados, sendo basicamente uma economia agrícola, o que só começou a mudar com o acordo feito por Getúlio Vargas, que trouxe investimento para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, Conselho Nacional de Petróleo, Companhia Vale do Rio Doce, Hidroelétricas e promulgou as leis trabalhistas, tendo marcado uma virada em nossa história com tamanho investimento nas industrias de base e energia. Apesar disso as nossas exportações continuaram a se manter basicamente de insumos, acarretando um tímido acúmulo de divisas. A matéria-prima nacional substituiu em parte a importada.

Ao final da Segunda Guerra já existiam indústrias com capital e tecnologia nacionais, como parte da indústria de autopeças.

No segundo governo Vargas (1951-1954), os projetos de desenvolvimento baseados no capitalismo de Estado, através de investimentos públicos no extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC, em 1951), BNDES, dentre outros, forneceram importantes subsídios para Juscelino Kubitschek lançar seu Plano de Metas, ainda que a um elevado custo de internacionalização da economia brasileira. Algo que será abordado futuramente em uma nova série do GBN Defense sobre a indústria nacional.

Durante os anos que se seguiram, o Brasil migrou de uma política colonial atrasada para uma nova postura industrial que demonstrava inclinada a dar largos passos, embora se mantivesse ainda dependente e muito da tecnologia externa, o que em determinados momentos nos travou em importantes programas estratégicos e nos limitou no desenvolvimento de nossa industria e cultura.

Outra marca que ainda carregamos em nossa sociedade é a característica “síndrome do viralatismo”, onde ainda há a postura de se torcer o nariz para as conquistas e desenvolvimentos nacionais em prol da valorização do que vem de fora.

Hoje devido a importantes avanços e conquistas em diversos setores científicos e econômicos, o povo brasileiro timidamente tem mudado um pouco essa postura, passando a reconhecer, ainda que de foma limitada, o valor da “prata da casa”, investindo embora ainda timidamente, na modernização de nossa industria e economia, com base na educação e formação de núcleos de estudo e pesquisa, bem como assistimos alguns ensaios do governo tentando criar mecanismos para que se dê continuidade aos projetos de desenvolvimento do país, embora grande parte dessas medidas, tenham sido alvo de esquemas sórdidos de corrupção e desvio de bilhões dos cofres públicos, o que resultou numa devastadora crise politico-econômica sem precedentes na história de nossa nação, o que afetou diretamente os investimentos que cresciam exponencialmente em nossa economia e industria, abalando seriamente a imagem de nosso país e impactando em nossa gigante petrolífera, a Petrobras, deixando um grande desafio para o atual governo, que além de lidar com a herança "maldita" do endividamento e uma grave crise economica interna, ainda se viu confrontado no início de 2020 pela pandemia do Covid-19, representando um grande desafio em todas as esferas de nossa sociedade, o qual já não bastasse sua complexidade, ainda se viu como objeto de uma verdadeira "guerra" ideologica entre oposição e o governo, com a participação irresponsável da grande mídia, a qual deixou de lado sua missão e valores, para atuar como "panfletário" e na tentativa de desestabilizar e derrubar o governo, inclusive repetidamente atacando instituições de grande prestígio e reputação, como tem sido feito contra nossas Forças Armadas.

A industria pesada, a qual apresentou sinais claros de recuperação e pesados investimentos, em especial a industria naval, que há alguns anos apresentou destaque e grande crescimento, tendo inclusive sido alvo de especulação para sua alavancada ao seu desempenho de outrora, quando a mesma era forte no mercado mundial, a qual sofreu um processo de sucatização e já era quase inexistente na década de 90, foi impactada nos meados da última década por escandalosos casos de desvio de recursos públicos, superfaturamentos e corrupção, levando mais uma vez o setor a beira do colapso, com fechamento de vários estaleiros e industrias. 

Mesmo com os investimento em DEFESA e a implantação da Estratégia Nacional de Defesa (END), que a principio busca reequipar nossas forças armadas de acordo com a necessidade que se faz diante da posição do Brasil no mundo e recuperar o núcleo da industria de defesa nacional, que nos anos 80 participou fortemente dos programas de defesa nacional e participou de forma representativa do mercado internacional, mesmo que com apenas 2% do mercado, mas movimentando de forma considerável nossa economia e desenvolvendo novas tecnologias e capacitações, trazendo o país a um novo patamar de capital industrial, científico e intelectual, mas se viu perdida em meio aos sucessivos cortes de orçamento e disputas ideológicas, criando inúmeras fake news envolvendo o setor de defesa, tentando cavar "escândalos" com denúncias e críticas vazias de fundamento ou base real, o que em certo ponto busca afetar diretamente não só a economia e os diversos setores ligados a defesa, mas impactar a credibilidade e confiança da sociedade como um todo.

De 1822 até os dias de hoje, infelizmente pouco mudou, a base de nossa sociedade ainda mantém a mesma postura nula, com a grande maioria ainda assistindo a tudo calada e de camarote, enquanto grupos "políticos" tentam guinar a nação a rumos sem destino, á bel prazer de seus interesses, o que em nada beneficia nosso povo, sendo mais uma vez a repetição das velhas políticas históricas, apesar do aumento da participação popular em manifestações e apoio as reformas apresentadas.

Finalizando o Brasil se tornou “Independente” em 7 de setembro de 1822, mas ainda esta caminhando para a conquista real de nossa independência.

Como todo brasileiro que se orgulha de sua nação saúdo a todos nós brasileiros por nossas conquistas e lutas, e neste 7 de setembro faço votos de que possamos no próximo ano comemorar novas conquistas e contar com uma postura madura e engajada de nossa sociedade nas decisões do rumo de nosso país.

Viva ao Brasil, Viva ao povo brasileiro, Viva a nossa “Independência”!!!!

Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN Defense, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.


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domingo, 6 de setembro de 2020

Acordo da Ásia: é assim que Tanner quer se livrar do Eurofighter

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Nosso objetivo declarado é sair do sistema Eurofighter.
Ministra da Defesa Klaudia Tanner

Pela primeira vez, a Ministra da Defesa Klaudia Tanner (ÖVP) comentou oficialmente sobre o interesse da Indonésia em comprar nossos 15 Eurofighters - e deseja entrar em negociações de vendas específicas com seu homólogo Prabowo Subianto. No fundo, no entanto, o Estado-Maior Geral está examinando como o acordo surpresa com a Indonésia poderia prosseguir.

O que começou há dois meses com uma carta misteriosa da Indonésia está agora se transformando na melhor chance da Áustria de realmente se livrar dos não amados Eurofighters: a Ministra Klaudia Tanner agora respondeu ao seu homólogo indonésio Prabowo Subianto pela primeira vez e anunciou que deseja entrar em negociações de vendas específicas com ele . Ao mesmo tempo, ela ordenou que seu Estado-Maior preparasse tudo para a venda recomendada. Na direção da Indonésia, foi dito: "Estamos felizes em aceitar seu interesse em adquirir os quinze Eurofighters austríacos para modernizar sua frota aérea."

Em comparação com o “Krone”, Klaudia Tanner confirmou a sua vontade de se livrar do Eurofighter após apenas 15 anos de operação : “Após um exame intensivo, o Estado-Maior confirmou a autenticidade da carta e recomendou que aproveitássemos qualquer opção de venda”, disse Tanner. “Agora estamos informando a Indonésia que examinaremos a venda legalmente e manteremos conversas com todos os envolvidos. Essa é nossa responsabilidade para com todos os contribuintes - e a saída do sistema Eurofighter é o nosso objetivo declarado. No entanto, também está claro que qualquer venda é muito complexa e difícil devido ao acordo gag de Darabos. "

Alguns obstáculos

Porque o pré-requisito para a Áustria poder repassar o equipamento militar para a Indonésia seria não apenas o consenso político doméstico, mas também a aprovação de todos os quatro países fabricantes e dos EUA, já que equipamentos americanos como o GPS também estão instalados no Eurofighter. Dois cenários são concebíveis aqui. A Airbus emite um novo certificado de usuário final para uso de jato na Indonésia com a aprovação da Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e Espanha, e a Áustria vende diretamente ao país. Ou a Airbus poderia comprar de volta os jatos da Áustria, atualizá-los e entregá-los à Indonésia. O Ministério da Defesa disse ao "Krone" que tipo de venda faria mais sentido no momento.

O negócio já está instável

Embora o ministro da Defesa da Indonésia tenha sinalizado grande interesse em comprar nossos jatos, o negócio na Ásia não é uma estrela particularmente boa. Porque o presidente da Indonésia, Joko "Jokowi" Widodo, emitiu uma diretiva há poucos anos que aconselha as forças armadas a não comprarem nenhum equipamento usado. Isso foi precedido por uma longa série de acidentes envolvendo aeronaves usadas da Força Aérea da Indonésia.

 “As vidas dos pilotos estão em risco”

Como um lembrete: os Eurofighters austríacos são tudo menos novos. Eles pousaram em Zeltweg pela primeira vez em 2007 e têm cerca de um terço de sua vida útil para trás. As ondas no parlamento indonésio já estão altas. Representantes dos partidos da oposição acusaram o ministro da Defesa, Subianto, de violar a lei e de pôr em perigo a vida de pilotos se comprasse Eurofighters usados ​​da Áustria. Há muita polêmica política aqui, os jatos da Áustria estão entre os mais bem conservados do mundo. 

Contratações com a Indonésia?

Além disso, outra lei de defesa da Indonésia com o número 16/2012 prevê que todos os sistemas de armas recém-adquiridos sejam produzidos no país. As únicas exceções: existem muitas contra-negociações ou componentes para a aeronave são fabricados na Indonésia. No caso dos Eurofighters austríacos, isso parece difícil ou mesmo impossível. A Indonésia comercializa principalmente óleo de palma, arroz, amendoim e gás natural liquefeito, principalmente na Ásia. A Airbus, por outro lado, poderia ter peças de jato fabricadas para seu avião de passageiros A320 na Indonésia e, assim, chegar a um contra-acordo. 

A saída para o dilema de Tanner com a Airbus

Airbus tem tentado ganhar uma posição com seu Eurofighter na Ásia, especialmente na Indonésia. Naquela época, a Indonésia buscava novos jatos, a escolha recaiu sobre o russo Su-35. Mas o acordo com a Rússia está suspenso há dois anos. As sanções dos EUA, que são eficazes na compra de equipamento militar russo, impedem isso até hoje. De repente, o Eurofighter estava de volta ao jogo. A Áustria quer se livrar deles, a Indonésia gostaria deles - isso se encaixa. Nos próximos dias, a carta de Tanner escrita na sexta-feira será traduzida e entregue à embaixada da Indonésia. Então, os moinhos da diplomacia começam a funcionar.

(Fonte: https://www.krone.at/2223112, tradução automática) 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Embraer adota medidas para lidar com desafio imposto pelo Covid-19 e cancelamento da fusão com a Boeing

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A Embraer anunciou na última quinta-feira (3), a adoção de medidas que incluem um ajuste de 4,5% do seu efetivo total, o que corresponde a cerca de 900 colaboradores no Brasil. A medida decorre dos impactos causados pela pandemia do Covid-19 que causou grande impacto na economia global, além do cancelamento da parceria com a Boeing. O objetivo é assegurar a sustentabilidade da empresa e sua capacidade de engenharia.


A pandemia afetou particularmente a aviação comercial da Embraer, que no primeiro semestre de 2020 apresentou redução de 75% das entregas de aeronaves, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Além disso, a situação se agravou com a duplicação de estruturas para atender a separação da aviação comercial, em preparação à parceria não concretizada por iniciativa da Boeing, e pela falta de expectativa de recuperação do setor de transporte aéreo no curto e médio prazo.

Desde o início da pandemia, a Embraer adotou uma série de medidas para preservar empregos como férias coletivas, redução de jornada, lay-off, licença remunerada e três planos de demissão voluntária (PDV). Também reduziu o trabalho presencial nas plantas industriais com o objetivo de zelar pela saúde dos colaboradores e garantir a continuidade dos negócios. Os três PDVs registraram adesão voluntária de cerca de 1,6 mil colaboradores no Brasil.

Em nota emitida pela Embraer, a gigante brasileira fez um agradecimento aos seus colaboradores: "A companhia reconhece e agradece o empenho sempre demonstrado pelos profissionais que deixam a organização neste momento. E conta com o engajamento de todos para atravessar a grave crise atual e manter a empresa competitiva no mercado global."

O momento economico é delicado e desafiador para diversos setores da industria e comercio, onde a Embraer em especial já lidava com cancelamento da fusão de sua linha comercial com a norte americana Boeing. Tais medidas adotadas tem o intuito de manter a industria em operação e minimizar o impacto negativo da Covid-19 no mercado de aviação em suas finanças.

Lembrando que a empresa mantém uma matriz diversificada, a qual atende vários nichos de mercado, sendo no momento o mais marcante o setor de defesa, onde sua nova aeronave, o KC-390 Millennium tem atraido atenção de potenciais clientes, atuando ativamente na missão de combate ao Covid-19 no Brasil, e recentemente levando apoio ao Libano após a catastrófica explosão no Porto de Beirute.

A Embraer também apoiou os esforços contra o Covid-19, produzindo componentes para respiradores hospitalares.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

GRUMMAN E-2C HAWKEYE CAI DURANTE TREINAMENTO

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Uma aeronave Grumman E-2C Hawkeye foi perdida na última segunda-feira (31), operada pelo Esquadrão de Comando e Controle Aerotransportado (VAW) 120 Fleet Replacement Squadron, partiu do Norfolk-Chambers Field para cumprir um vôo de treinamento. À tarde, a tripulação encontrou uma situação inesperada, com a perda total de controle da aeronave a opção foi abandonar a aeronave.


Fora de controle, a aeronave entrou em um mergulho e caiu em um campo localizado perto da Ilha Wallops. Todos os quatro ocupantes saltaram de páraquedas e estão em segurança, enquanto a aeronave foi totalmente destruída após a queda e um incêndio pós-colisão.


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domingo, 30 de agosto de 2020

Saab revela novo míssil despistador para o Gripen

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A oferta da Saab à Finlândia para a aquisição do caça HX, inclui o caça Gripen E/F e o GlobalEye, uma aeronave de Alerta e Controle Aéreo Antecipado e Controle (Airborne Early Warning and Control - AEW&C).

Como parte das capacidades de Guerra Eletrônica do Gripen E/F, a Saab revela um novo sistema: o Míssil Despistador Leve (Lightweight Air-launched Decoy Missile). O míssil despistador e o novo Pod de Interferência para Ataque Eletrônicoque iniciaram os ensaios em voo na Saab em 2019, garantirão que os pilotos finlandeses estejam protegidos de radares e mísseis inimigos.

O novo míssil despistador será um jammer substituto altamente capacitado a realizar as missões mais exigentes. Ele atuará como um multiplicador de força, pois reduz o número de mísseis e aeronaves necessários para completar uma missão. O novo míssil pode obstruir ou criar alvos falsos para radares de aquisição, rastreamento, controle de disparo e aerotransportados.

“Nossa oferta para a Finlândia, combinando o Gripen E/F e o GlobayEye, como multiplicadores de força, protegerá a nação e as fronteiras da Finlândia, proporcionando uma consciência situacional abrangente e um verdadeiro efeito de dissuasão”

“O míssil despistador, que apresentamos hoje, constituirá um grande acréscimo às capacidades de ataque eletrônico integradas ao Gripen E/F. A carga útil do novo míssil é, em grande parte, desenvolvida na Finlândia, e isso fortalecerá ainda mais a nossa oferta ao país”, disse Jonas Hjelm, vice-presidente sênior e Head da área de negócios Aeronautics da Saab.




O desenvolvimento do novo míssil despistador significa que a Saab expandirá seu Centro de Tecnologia em Tampere, Finlândia, com mais funcionários qualificados. A Saab já estabeleceu uma parceria técnica com a Aalto University, da qual mais de dez projetos de pesquisa estão em andamento nas áreas de sensores avançados e inteligência artificial.

 

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Com release SAAB

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sábado, 15 de agosto de 2020

Conheça o único homem que companhou todas as 3 explosões atômicas na Segunda Guerra Mundial

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Lawrence Johnston segurando o complexo conjunto detonador da Fat Man, em Tinian


Mais de 600 mil pessoas trabalharam no Projeto Manhattan, mas apenas um deles testemunhou as 3 grandes explosões atômicas que levaram ao fim da Segunda Guerra Mundial.


Lawrence Johnston estava a bordo de um B-29, cuidando dos instrumentos que mediriam a potência da primeira explosão atômica da história, o Teste Trinity, no Novo México, e cumpriu a mesma função quando as bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, forçando o Japão a se render e terminando a Segunda Guerra Mundial.


Quando nos aproximamos do 75º aniversário da rendição japonesa, em 15 de agosto de 1945, em que o Imperador Hirohito anunciou no rádio que chegou o tempo de “suportar o insuportável” e aceitar os termos Aliados para a rendição incondicional, a história peculiar de Johnston chama a atenção.


Um jovem físico, filho de pais missionários na China, Johnston fez um trabalho revolucionário no complexo mecanismo de detonação das bombas atômicas.


Quando a bomba Little Boy detonou sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945, sua primeira reação ao ver o poderoso flash e o cogumelo atômico foi: “Deus seja louvado, meus detonadores funcionaram”


Ele estava bem ciente do imenso poder destrutivo e da carnificina que a bomba infringiria na cidade após testemunhar o Teste Trinity mas — como a maioria dos cientistas em Los Alamos que criaram a arma — via seu uso horrendo como a única forma de acabar uma guerra que estava causando muito mais destruição e carnificina.


Embora o total de mortes da Little Boy talvez nunca seja conhecido, as estimativas são de que pelo menos 80 mil pessoas morreram em função da onda de choque e tempestade de fogo em Hiroshima; muitos foram vaporizados instantaneamente, deixando apenas suas silhuetas nas paredes. O total de mortes provavelmente chegou a 135 mil.


Johnston disse que sabia que “Todas aquelas pessoas seriam mortas — eu orei por elas… Eu orei a Deus que nos ajudasse a trazer um fim à guerra”


“Tantas pessoas sendo mortas a cada dia, tantos japoneses sendo mortos a cada dia pelos bombardeios” com armas convencionais, ele disse


Johnston refletiu sobre seu papel no surgimento da “Era Atômica” em relatos orais para o Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial de Nova Orleans antes de falecer aos 93 anos, em 2011, na sua casa em Moscow, Idaho.


Rob Wallace, da equipe educacional do Museu, disse que Johnston “foi a única pessoa a testemunhar as 3 explosões atômicas em 1945. Ele estava presente no Teste Trinity, e foi parte da equipe científica que acompanhou os lançamentos sobre Hiroshima e Nagasaki”.


Ele estudou Física no Colégio Comunitário de Los Angeles e se formou em 1940 na Universidade da Califórnia em Berkeley, na época um centro para o estudo da estrutura atômica e o processo de transformação da matéria em energia.


Foi em Berkeley que conheceu o brilhante cientista, e futuro ganhador do Nobel, Luis Alvarez, que se tornaria seu mentor, Wallace disse.


Reconciliação com a filha pacifista


Nos anos após a guerra, a maior crítica de sua participação nas armas nucleares foi sua própria filha, Mary Virginia, Johnston disse.


“Minha filha era pacifista, e me criticou muito”, ele disse. “Ela foi muito dura comigo, mas hoje em dia nos damos muito bem”.


Mary Virginia “Ginger” Johnston se tornaria pastora no Oregon, Johnston disse.


Depois de se graduar em Berkeley em 940, Johnston disse que esperava continuar seus estudos ali para um doutorado sob orientação de Alvarez, mas ele foi chamado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), no Laboratório de Radiação, para trabalhar num radar de aproximação baseado em terra.



Ele levou Johnston, pela sua experiência em eletrônicos, que ele observou em uma das suas conversas.


Em determinado momento, Alvarez lhe perguntou: “O que você gosta de fazer?”


Johnston lhe respondeu: “Eu gosto de brincar com rádios”, e isso foi o bastante para Alvarez.


Alvarez foi convocado logo a seguir para trabalhar com a equipe de grandes mentes e egos ainda maiores reunidos pelo físico teórico Julius Robert Oppenheimer, cientista chefe do Projeto Manhattan, em Los Alamos.


O projeto ganhou o nome do edifício que ainda existe na Broadway 270, em Manhattan, em frente ao Paço Municipal, onde o planejamento original começou.


Alvarez convocou Johnston a trabalhar com ele outra vez. Chegando ao deserto do Novo México, “Eu não tinha ideia do que estavam fazendo, apenas que era muito importante para o esforço de guerra”, ele disse.


Alvarez “me colocou para trabalhar nos detonadores”, Johnston disse, sendo necessário criar uma detonação de explosivos convencionais muito bem cronometrada, que seria o gatilho da reação em cadeia do núcleo da bomba atômica.


Ele inventou o “detonador de fios em ponte”, uma série de 32 detonadores ao redor do núcleo que explodiriam com uma diferença de milissegundos entre si. Os princípios do detonador de fios em ponte são usados nos air bags automotivos, Johnston disse.


Três voos históricos dos B-29


Nas primeiras horas da manhã de 16 de julho de 1945, a primeira bomba atômica da história tinha sido colocada no topo de uma torre no então Campo de Bombardeio e Artilharia da Força Aérea do Exército de Alamogordo, atual Campo de Mísseis de White Sands, no teste que Oppenheimer batizou de “Trinity”.


Oppenheimer estava com um grupo seleto num bunker a cerca de 8 km de distância, e ordenou que os demais ficassem a no mínimo 40 km de distância, inclusive Johnston e Alvarez. Ninguém sabia com certeza qual seria a força da explosão.


Alvarez ficou “fulo da vida com aquilo”, Johnston disse. Ele convenceu Oppenheimer a deixá-lo voar com Johnston num B-29 para trabalhar nos instrumentos que mediriam a força da explosão.


“Nós vimos aquele enorme flash, e depois vimos aquela imensa coluna subir ao céu, o primeiro cogumelo atômico”, ele disse. “Eu desenvolvi todos os equipamentos que registraram a onda de pressão”.


Pouco tempo depois os dois partiram para a Ilha Tinian, nas Marianas do Norte, para preparar os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki.


Eles estavam a bordo do B-29 “Grand Artiste”, que voou com a formação liderada pelo “Enola Gay”, o B-29 que lançou a bomba atômica Little Boy sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945.


Johnston estava novamente a bordo do Grand Artiste quando a bomba “Fat Man” foi lançada sobre Nagasaki em 9 de agosto, mas Alvarez não estava naquele voo.


“Alvarez me disse ‘Você será o único a ver as 3 bombas atômicas explodindo’. Fiquei muito feliz”, Johnston disse.


Ele voltou aos EUA e completou seu doutorado em Física em 1950. Ele se tornou Professor Associado na Universidade de Minnesota, Minneapolis, e depois trabalhou no Centro do Acelerador Linear em Stanford como chefe do departamento de Eletrônica.


Depois disso ele foi professor na Universidade de Idaho em Moscow, Idaho, até se aposentar. Ele faleceu em Idaho em 2011.



Reflexões sobre Hiroshima


Johnston e Alvarez voaram por mais de 2 mil km entre Tinian e a área do alvo em Hiroshima.


Foi neste longo voo que ele parou para pensar: “Rapaz, eu não sei quão grande esta explosão vai ser”, Johnston disse. Alvarez estava cochilando no túnel entre o cockpit e a posição do artilheiro de cauda.


“Eu decidi então que era melhor eu falar com ele sobre o equipamento de registro. Ele me disse ‘Eu não ligo, ajuste como quiser’”, Johnston disse.


No caminho de volta a Tinian, Alvarez tentou conciliar seus pensamentos com a imensidade do que ele tinha acabado de testemunhar. Ele escreveu tudo numa carta ao seu filho menor, com o cabeçalho “6 de agosto — a 15 km da costa japonesa, 28 mil pés”


“A história de nossa missão provavelmente será conhecida por todos… mas no momento, apenas as tripulações de nossos três B-29 e os desafortunados moradores do distrito japonês de Hiroshima sabem da revolução na guerra aérea”, Alvarez diz na carta, que agora está nos Arquivos Nacionais.


“Quaisquer arrependimentos que eu tenha por fazer parte da mutilação e morte de milhares de pessoas são compensados com a esperança de que a terrível arma que criamos possa trazer os países mais próximos uns dos outros e evitar guerras futuras”, ele escreveu.


Originalmente publicado em Meet the Only Man to Witness All 3 WWII Atomic Bomb Blasts.


Tradução e adaptação: Renato Henrique Marçal de Oliveira. Químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel).

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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

20 anos depois: A verdadeira história do desastre do submarino russo Kursk

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20 anos atrás, em 12 de agosto de 2000, um exercício da frota naval se tornou uma corrida desesperada para recuperar sobreviventes dezenas de metros debaixo do mar.

Submarino nucear K-141 Kursk, da classe Antey (Oscar II para a OTAN)

Em 2000, um dos piores desastres acidentais com submarinos em tempos de paz de todos os tempos aconteceu na costa da Rússia. Uma enorme explosão afundou o gigantesco submarino Kursk de propulsão nuclear, matando quase toda sua tripulação e deixando quase duas dúzias de sobreviventes a dezenas de metros de profundidade. Uma operação internacional de resgate foi montada, mas não chegou a tempo de salvar os marinheiros.

O filme Kursk - a última missão, lançado em 2018, estrelando Colin Firth, conta a história do submarino. Neste artigo, contaremos o que realmente aconteceu.

 

Caçadores de Navios-Aeródromo


Uma das maiores preocupações da URSS durante a Guerra Fria era a frota americana de navios-aeródromo (NAe, "porta aviões"). Os soviéticos viam os NAe americanos tanto como plataformas capazes de lançar bombas termonucleares contra a "Mãe Rússia" e como caçador da frota soviética de mísseis balísticos. A URSS gastou vastas somas de dinheiro em sistemas de armas para caçar os NAe americanos em tempos de guerra.


Fotografia de 19/10/1999:  o oficial comandante do Kursk, Capitão de Primeira Classe Gennady Petrovich Lyachin, prestando continência depois de uma patrulha no Mediterrâneo

Uma destas soluções eram os submarinos da classe Antey. Conhecidos na OTAN pela designação “Oscar II”, eram uma casse de enormes submarinos de propulsão nuclear, desenhados para abater navios grandes – especialmente os NAe americanos. Os Oscar II tinham 154 m de comprimento, boca de 18,2 m e calado de 9 m, e deslocava 19.400 toneladas, o dobro de um destroier. Para conseguir acompanhar os NAe nucleares americanos, os submarinos soviéticos eram propulsados por dois reatores nucleares OK-650, com uma potência combinada de 98 mil cavalos-vapor. Tamanho poder lhes permitia alcançar 33 nós quando submersos.

Os Oscar II eram grandes porque precisavam carregar mísseis grandes. Cada submarino carregava 24 mísseis 3M45 P-700 Granit (OTAN: SS-N-19 Shipwreck); cada míssil tem o tamanho de um avião pequeno – 10 m de comprimento e peso de 7 toneladas. Têm uma velocidade máxima de Mach 1,6, alcance de 625 km e usavam o (agora aposentado) Legenda, um sistema de pontaria por satélite, cuja função principal era o ataque aos NAe. A ogiva do Granit podia ser de 750 kg de explosivos (o bastante para causar danos graves ao NAe) ou nuclear de 500 kiloton (o bastante para vaporizar um NAe).

 

Uma mulher ajusta uma coroa de flores num memorial do Kursk.

 

Treze submarinos Oscar I e II foram construídos, incluindo o K-141 – também conhecido como Kursk.

 

O torpedo que falhou


O Kursk foi completado em 1994 e designado para a Frota Russa do Norte. Em 12 de agosto de 2000, o Kursk fazia parte de um grande exercício da frota, juntamente com o NAe Almirante Kuznetsov e o cruzador de batalha Pyotr Velikiy. O Kursk estava com o armamento total, incluindo mísseis Granit e torpedos, e faria um ataque simulado ao Kuznetsov.

 

https://www.youtube.com/watch?v=2-qnUjrilng

 

Às 11:20 da manhã, hora local, uma explosão subaquática sacudiu a área do exercício, e dois minutos depois foi seguida por uma explosão ainda maior. Uma estação norueguesa de monitoramento sismológico registrou ambas as explosões. Um relato russo diz que o Pyotr Velikiy, de 28 mil toneladas, sacudiu com a explosão.

Dilacerado pelas explosões, o Kursk afundou, a 108 m de profundidade e num ângulo vertical de 20 graus. As explosões causaram um imenso buraco na proa, junto ao compartimento de torpedos. Um comitê de investigação da Marinha Russa concluiu que a explosão foi causada por um torpedo super pesado Tipo 65-76A. A explosão foi provavelmente causada por uma solda defeituosa, que falhou em conter o peróxido de hidrogênio da câmara de combustível.

 

A torre de comando do Kursk pode ser vista enquanto o submarino é rebocado de volta ao estaleiro de Roslyakovo, Rússia.

 

Como muitos torpedos antigos, os Tipo 65-76A usavam peróxido de hidrogênio como propelente. O perigo está no fato que este composto químico pode se tornar explosivo ao entrar em contato com substâncias orgânicas ou fogo.

De acordo com a NLM (Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA), “Peróxido de hidrogênio, por si, não é inflamável, mas pode causar combustão espontânea de materiais inflamáveis e alimentar combustões pois ao se decompor libera oxigênio”. Um registro do NLM diz que “Um vazamento em tambores de peróxido de hidrogênio a 35% sobre um pallet de madeira causou ignição do mesmo. A combustão, embora numa área limitada, foi intensa e levou um bom tempo para extinguir. Um vazamento de tambores de peróxido de hidrogênio a 50% sobre pallets envoltos em polietileno entrou em ignição espontânea e gerou fogo intenso”.

 

Momentos decisivos

Então o que aconteceu a bordo do Kursk? A provável cadeia de eventos foi mais ou menos assim: Um vazamento de peróxido de hidrogênio causou um fogo, que por sua vez causou a explosão da ogiva de 557 kg do torpedo Tipo 65-76A. Esta foi a causa provável do rombo acima do compartimento de torpedos. A segunda explosão provavelmente foi causada pela detonação dos torpedos remanescentes no submarino.

 

O Tenente-Capitão Koselnikov, que escreveu uma carta duas horas depois do afundamento do Kursk, descrevendo que 23 marinheiros ainda estavam vivos. Nenhum deles viveu o bastante para ser resgatado.

 

O Kursk não matou todos os seus 118 tripulantes – não imediatamente, pelo menos. Um dos oficiais a bordo, Tenente-Capitão Dmitri Koselnikov, deixou uma carta, com horário de 2 horas após a segunda explosão, em que registra 23 sobreviventes. Apesar de um esforço de resgate montado às pressas, incluindo equipes da Inglaterra e da Noruega, o governo russo não conseguiu chegar aos sobreviventes a tempo. A carcaça do submarino foi recuperada em 2001 e retornado ao estaleiro de submarinos da Marinha Russa em Roslyakovo.


Originalmente publicado em: The True Story of the Russian Kursk Submarine Disaster, de Kyle Mizokami. Tradução e adaptação: Renato Marçal*


*Renato Henrique Marçal de Oliveira é químico e trabalha na Embrapa com pesquisas sobre gases de efeito estufa. Entusiasta e estudioso de assuntos militares desde os 10 anos de idade, escreve principalmente sobre armas leves, aviação militar e as IDF (Forças de Defesa de Israel).



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