sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O Brasil e sua Independência - Conhecendo a sua história


Começamos hoje o mês em que comemoramos a nossa "Independência", ato realizado segundo reza a história, ás margens do Ipiranga no dia 7 de setembro de 1822 por Dom Pedro I. Mas até que ponto somos independentes? Qual o futuro de nosso país e como tem sido nosso caminho rumo a verdadeira independência? 

São questões complexas, as quais viemos na incessante busca por respostas e soluções, onde invariavelmente nos deparamos com a falta de uma resposta exata, nos atendo ao fato que o mundo continua em constantes mudanças e a cada dia nos deparamos com novos e desafiadores cenários, o que torna muito difícil fazer uma previsão exata do que nos aguarda no futuro, pois conforme acompanhamos ao longo de nossa caminhada com o GBN News, que nasceu há 7 anos como GeoPolítica Brasil, onde temos buscado trazer respostas e discussões que nos ajude a encontrar respostas, porém fica difícil desenhar um cenário, pois dependemos em muito de fatores que fogem ao controle de toda a sociedade brasileira.

O GBN News resolveu fazer uma releitura de importantes artigos e matérias especiais sobre a tão importante data histórica nacional, trazendo mais uma vez a tona estas importantes questões para que possamos estimular o debate acerca  deste tema tão importante à nossa pátria, "INDEPENDÊNCIA". 

Serão publicados mais uma vez a série de artigos e matérias atualizados sobre o assunto que possui uma enorme riqueza a ser estudada e compreendida, para que assim possamos compreender o hoje e possibilitar uma visão mais nítida do amanhã, para tanto, mais uma vez convido a todos a dar sua contribuição com seus comentários e dissertações acerca do tema.

Nessa primeira matéria especial vamos abordar nossa “independência” , a história, o preço pago e uma analogia com os dias atuais.

Como é conhecimento de todos, diferente de outras nações, o Brasil não enfrentou qualquer tipo de “guerra de independência”, tivemos movimentos internos e revoltas pela emancipação, que culminaram com o momento que ficou marcado na história do Brasil como o dia D, quando as margens do Ipiranga D. Pedro I bradou o grito de Independência, exatamente no dia 7 de setembro de 1822.

Um fato pouco comentado e mesmo por muitos desconhecido a respeito de nossa independência, é que tal declaração em nada mudou a nossa realidade sócio-econômica, tendo se limitado a esfera política, onde passamos a ter um governo "independente" de Portugal, embora nosso primeiro imperador fosse um príncipe português.

O movimento pela independência foi marcado por rebeliões como a “Conjuração Baiana” e a “Inconfidência Mineira” que antecederam o ato de D. Pedro I, deixando claro que a atitude dele não foi um ato isolado, mas sim um posicionamento frente a uma conjuntura política que se desenvolvia no Brasil colônia e que de uma forma ou de outra culminaria em nossa independência do julgo português.

Um dos grandes motivadores de nossa independência foi o movimento republicano que se propagava pelas Américas, sendo um claro risco ao domínio português, como exemplo podemos citar a Independência Americana, que assumiu um rumo diferente do nosso, uma vez que partiram para um modelo político democrático presidencial, enquanto por aqui prosseguíamos com a monarquia, tendo como Imperador do Brasil D. Pedro I.

A revolução industrial, a difusão do liberalismo econômico, o iluminismo e a insatisfação com o modelo colonial, deram força a nossa independência, assim como o interesse britânico de expandir seus tentáculos sobre o novo mundo, explorando novos mercados e fontes de matérias primas para suprir as necessidade de sua revolução industrial que seguia a todo vapor, o que demandava matéria prima,  e como se sabe sempre fomos ricos em recursos naturais.

Se o que define a condição de colônia é o monopólio imposto pela metrópole, em 1808 com a abertura dos portos, o Brasil deixava de ser colônia. O monopólio não mais existia. Rompia-se o pacto colonial e atendia-se assim, os interesses da elite agrária brasileira, acentuando as relações com a Inglaterra, em detrimento das tradicionais relações com Portugal.

Esse episódio, que inaugura a política de D. João VI no Brasil, é considerado como a primeira medida formal em direção ao "sete de setembro".

Há muito Portugal dependia economicamente da Inglaterra. Essa dependência acentuou com a vinda de D. João VI ao Brasil, que gradualmente deixava de ser colônia de Portugal, para entrar na esfera do domínio britânico. Para Inglaterra industrializada, a independência da América Latina era uma promissora oportunidade de mercados, tanto fornecedores, como consumidores.

Com a assinatura dos Tratados de 1810 (Comércio e Navegação e Aliança e Amizade), Portugal perdeu definitivamente o monopólio do comércio brasileiro e o Brasil caiu diretamente na dependência do capitalismo inglês.

Em 1820, a burguesia mercantil portuguesa colocou fim ao absolutismo em Portugal com a Revolução do Porto. Implantou-se uma monarquia constitucional, o que deu um caráter liberal ao movimento. Mas, ao mesmo tempo, por tratar-se de uma burguesia mercantil que tomava o poder, essa revolução assume uma postura recolonizadora sobre o Brasil. D. João VI ao retornar a Portugal deixou a aristocracia rural brasileira sentir-se duplamente ameaçada em seus interesses: a intenção recolonizadora de Portugal e as guerras de independência na América Espanhola, responsáveis pela divisão da região em repúblicas.

A aristocracia rural brasileira encaminhou a independência do Brasil com o cuidado de não comprometer seus privilégios, representados pelo latifúndio e escravismo. Sendo conduzida com a preocupação em manter a unidade nacional e conciliar as divergências existentes dentro da própria elite rural, afastando os setores mais baixos da sociedade representados por escravos e trabalhadores pobres em geral. Temendo a mudança para o modelo que surgiu na America do Norte com a independência dos EUA.

Com as exigências para que também o príncipe regente D. Pedro voltasse, a aristocracia rural passa a viver sob um difícil dilema: conter a recolonização e ao mesmo tempo evitar que a ruptura com Portugal assumisse o caráter revolucionário-republicano que marcava a independência da América Espanhola, o que evidentemente ameaçaria seus privilégios, , pois a partida de D.Pedro poderia representar o esfacelamento do país.

Um abaixo assinado de oito mil assinaturas foi levado por José Clemente Pereira (presidente do Senado) a D. Pedro em 9 de janeiro de 1822, solicitando sua permanência no Brasil. Cedendo às pressões, D. Pedro decidiu-se: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Diga ao povo que fico".

É claro que D. Pedro decidiu ficar bem menos pelo povo e bem mais pela aristocracia, que o apoiaria como imperador em troca da futura independência não alterar a realidade sócio-econômica colonial. Contudo, o Dia do fico era mais um passo para o rompimento definitivo com Portugal. Graças a homens como José Bonifácio de Andrada e Silva (patriarca da independência), Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira e outros, o movimento de independência adquiriu um ritmo surpreendente com o cumpra-se, onde as leis portuguesas seriam obedecidas somente com o aval de D. Pedro, que acabou aceitando o título de Defensor Perpétuo do Brasil (13 de maio de 1822), oferecido pela maçonaria e pelo Senado. Em 3 de junho foi convocada uma Assembléia Geral Constituinte e Legislativa e em primeiro de agosto considerou-se inimigas as tropas portuguesas que tentassem desembarcar no Brasil.

A independência não marcou nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos.

Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México, com o reconhecimento dos Estados Unidos a nossa independência, criou-se um laço político que perdura até os dias de hoje e que nos aproximou por demais de sua econômia, nos tornando em certo ponto dependentes deste “irmão” mais velho. Isso iremos abordar mais a frente nos próximos artigos desta série sobre nossa “Independência”.

Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra, que viu uma ótima oportunidade de aumentar sua influência em nosso país e aumentar sua participação em nossa economia e nos rumos do Brasil, marcando por assim dizer o inicio da divída externa brasileira.

O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou. Como podemos notar pouco mudou neste sentido até os dias de hoje.

Embora tenhamos declarado independência, mantivemos a mesma forma econômica e social, o que nos atinge ainda hoje, pois enquanto os demais países modernizavam suas relações sócio-econômicas e ingressavam na revolução industrial, encontrando-se em um novo patamar econômico, o Brasil permanecia estagnado a bel prazer de uma elite que podemos classificar como “Burra e Míope”. Além do mais nossa nação carecia de investimentos, algo que se arraigou a cultura nacional e se tornou um mal que precisamos extirpar.

Hoje ainda sofremos as mazelas que nos trouxe tal independência, que foi mais um ato simbólico e político do que uma real independência, pois continuamos dependendo de atores externos, seja no contexto geopolítico ou econômico, como principalmente no campo tecnológico, ponto esse que podemos dizer que é nosso "calcanhar de Aquiles", basta observar a enorme dependência tecnológica e sua defasagem nos mais diversos campos.



Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.



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