segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Japão busca ampliar capacidades de defesa e aumenta orçamento de defesa frente ameaça norte coreana

O Ministério da Defesa do Japão emitiu um pedido de orçamento na quinta-feira (31), solicitando 47,7 bilhões de dólares para o próximo ano fiscal que começa em abril, representando um aumento de 2,5% nas despesas em relação ao ano anterior, sendo o sexto aumento anual direto como resultando do continuo avanço da Coréia do Norte em seus programas de desenvolvimento de mísseis balísticos e armas nucleares.

Não surpreendentemente, a defesa de mísseis balísticos é proeminente no pedido de orçamento, principalmente após a Coréia do Norte ter realizado  testes de mísseis balísticos que incluíram o sobrevoo do espaço aéreo japonês. O pedido confirmou relatórios anteriores de que o Japão procurará adquirir o sistema de defesa contra mísseis balísticos Aegis Ashore da Lockheed Martin, embora não mencionasse especificamente o radar Raytheon AN/SPY-6 atualmente em desenvolvimento que a recentemente foi apontado pela Reuters como interesse do Japão.

O pedido inclui 597 milhões e 181 milhões, respectivamente, para adquirir os mísseis Raytheon SM-3 Block IB/IIA e PAC-3 Missile Segment Enhancement para defesa de mísseis balísticos. O primeiro será instalado nos destroyers de mísseis guiados da Força de autodefesa marítima do Japão, que são capazes de realizar a defesa de mísseis balísticos e  o Japão planeja aumentar o número de navios capazes com dois inicialmente e chegando a oito navios até 2021.

Tal medida do Japão, demonstra que o país pretende reforçar suas capacidades frente a eminente ameaça de um ataque por parte de Pyongyang. O Japão com essa postura demonstra que necessita complementar suas capacidades de defesa, e as novas aquisições irão ampliar a sua capacidade de defesa frente á uma ameaça norte coreana.

O novo orçamento também apresenta uma alocação significativa de recursos para ampliar as capacidades convencionais da Força de Autodefesa Marítima do Japão. A solicitação de 876 milhões para construção dos dois primeiros destroyers, os quais serão construídos pela Mitsubishi Heavy Industries, juntamente com um submarino de ataque adicional da classe "Soryu". O orçamento também aponta 18 milhões para aquisição do Raytheon SM-6 para fins de teste e avaliação.

O Ministério da Defesa japonês também inclui na previsão orçamentária, 801 milhões de dólares para aquisição de mais 6 aeronaves F-35A Lightning II, mais 415 milhões para compra de quatro MV-22 Osprey; 251 milhões para aquisição de um Boeing KC-46A de reabastecimento e 446 milhões para mais duas aeronaves de alerta aéreo antecipado, Northrop Grumman E-2D Hawkeye.

Outro item notável no pedido de orçamento é a soma de 160 milhões solicitada para o desenvolvimento de um "projétil de alta velocidade" e um míssil guiado anti-navio. Não está claro o que é o primeiro, mas há especulações de que seja uma espécie de arma hipersônica de impulso eletromagnético. Ambos foram enquadrados como sistemas para serem usados ​​para a "defesa da ilha", código usado com relação as ilhas disputadas de Senkaku, que também são reivindicadas pela China e tem sido alvo de tensão entre os dois países no passado.

O pedido de orçamento agora vai para passar pelo Ministério das Finanças do Japão para ser avaliado e receber a aprovação. Devido a tensão instalada diante das ações recentes da Coréia do Norte, não se espera que cortes significativos sejam feitos no pedido de orçamento, dado que o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe está atualmente considerando um novo plano de defesa.

O Japão já anunciou a idéia de obter capacidades de ataque como uma opção de lidar com a ameaça dos mísseis da Coréia do Norte, com o novo ministro da Defesa, Itsunori Onodera, que foi um membro-chave do painel de segurança do Partido Liberal Democrático, que propôs ao Japão que deve responder com ataque se atacado ao invés de apenas atuar para se defender de um ataque.

No entanto, isso representaria uma ruptura radical com a política pacifista e pós-guerra do Japão, e levaria controvérsia sobre se isso seria uma violação da constituição pacifista do Japão, que renuncia formalmente à guerra como um direito soberano da nação e a ameaça ou uso da força como meio de resolução de disputas internacionais.

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com agências

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