segunda-feira, 4 de setembro de 2017

195 Anos da Independência do Brasil, Que país é esse?

Comemoramos esse anos de 2017, os 195 anos da Independência do Brasil, sendo o maior país da América Latina e o quinto maior do mundo, sendo uma nação que possui muitas riquezas que destacam nossa nação, considerada pelos analistas como uma nação emergente, porém, que diversas vezes ensaiou sem sucesso uma alavancada em sua economia e posição mundial, mas repetidamente esbarra em obstáculos representados pela corrupção arraigada a sua política e um mercado interno forte, mas que esbara também em políticas fiscais míopes e que travam o potencial de crescimento do país. Temos tudo para nos tonarmos um novo jogador no cenário geopolítico internacional, mas infelizmente ainda vivemos o julgo das más tradições e erros históricos que se repetem vez após vez.

O GBN News resolveu fazer uma releitura sobre os melhores artigos que tratam de nossa independência, resultando em uma série especial que tem por objetivo abrir a visão de nossos compatriotas e abrir o debate e a reflexão a respeito de quem somos, o que devemos ser e como iniciar uma real mudança, tornando nossa nação finalmente "independente", não apenas no sentido político, mas econômico, tecnológico, ideológico e principalmente de nossas arcaicas e prejudiciais costumes e postura. 

Neste artigo sobre a “Independência”, vamos detalhar um pouco mais o processo de reconhecimento e abordando nossa raiz cultural, o que influi de forma ainda muito forte nossa política e sociedade.

O Brasil era a única monarquia no continente americano e sua economia baseava-se no trabalho escravo, exportando ouro, diamantes, madeiras, açúcar, tabaco, algodão, café e couros, mantendo sua matriz econômica colonial, postura que foi mantida por muito tempo, enquanto a Europa e América do Norte experimentavam a revolução industrial, o que deixou o Brasil relativamente atrasado em relação aos demais países, tendo m vista que os mesmos mantinham uma taxa de desenvolvimento tecnológico alta, como os americanos que mergulharam no desenvolvimento tecnológico e se mantiveram entre os players da primeira revolução industrial. A postura brasileira conservadora e retrógrada, que preferiu manter-se com uma matriz agrícola e exportadora de insumos, resultou em um grande erro que atinge o país ate os dias atuais, 195 anos após sua "Independência".


Em 25 de março de 1824, foi promulgada a primeira Carta Magna do Brasil, que se manteve quase inalterada até 1891. A Constituição de 1824 situou um governo monárquico, hereditário e constitucional representativo. O imperador, não estava sujeito a responsabilidade legal alguma, exercia o Poder Executivo com os ministros, que eram pessoas escolhidas por ele e também o moderador com seus conselheiros.

Os EUA foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil em 1824. Depois veio o reconhecimento do México e da Argentina em 1825. A França foi o primeiro país da Europa a reconhecer a independência do Brasil. Portugal não queria aceitar a independência do Brasil. No entanto, com a ajuda da Inglaterra, os dois países chegaram a um pacto: Portugal reconheceria a independência, e em troca o governo britânico exigiu que o Brasil pagasse um débito de 2 milhões de libras que Portugal devia a Inglaterra. Para pagar a indenização para Portugal, o Brasil pediu um crédito à Inglaterra. O Brasil já iniciava sua caminhada solo aumentando sua dívida externa, e a Inglaterra com isso conseguiu lucros altos diante desse acordo.

Depois do reconhecimento da independência pelos portugueses, veio o reconhecimento oficial da Inglaterra e dos demais países Europeus. A Independência do Brasil foi resultado de um acordo político, armado por um grupo de representantes das classes dominantes da época, que manteve a monarquia, a escravidão e o latifúndio. No dia 12 de outubro, D. Pedro foi proclamado “Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil”. Foi José Bonifácio de Andrada e Silva (ministro dos Negócios do Interior, da Justiça e dos Estrangeiros), que com suas artimanhas políticas conseguiu a Independência do Brasil, proclamada em sete de setembro, e nada mais foi que uma atitude de cima para baixo, sem nenhuma alteração social.

A população brasileira foi mantida fora das decisões sobre o futuro do país, não muito diferente dos dias atuais em que vivemos uma pseudo "democracia", muito diferente de nossos hermanos das Américas que partiram da posição de colônia para república, onde houve espaço para participação ativa no processo das diversas camadas da sociedade, tendo sido este mais um ponto negativo em nossa independência, onde a participação no processo pelas classes de base de nossa sociedade foi nula, imprimindo desde então uma postura passiva e omissa da grande parcela de nosso povo, algo que perdura até os dias de hoje na república, onde ainda muitos preferem futebol e carnaval á se importar e debater as questões de interesse público e social. Contribuindo assim para que tenhamos ainda hoje a frente de nosso governo muitos corruptos e políticos sem preparo ou um projeto real de interesse nacional, buscando em sua grande maioria defender interesses de elites minoritárias e até os próprios.

Nossa cultura desde então foi a de buscar lá fora as tendências, ignorando desde o inicio a cultura nacional, um mal que ainda é bem presente, embora nos últimos anos tenha notado um tímido movimento de valorização do nacional, o que tem surtido um efeito muito distante do que se espera de um povo comprometido com seu bem estar como nação.

Nossa economia se manteve estagnada por muitos anos, até mesmo após a entrada da república mantivemos uma postura atrasada, e muito se deveu à falta de Política e a predominância do coronelismo, que usou de sua influência e força para manter o poder nas mãos da elite, com isso hoje ainda é comum ver a “politicagem” presente em nosso meio, um mal que só será dissipado com o engajamento do povo, principalmente quando houver real interesse nas políticas públicas e uma educação política.

Até o fim da Segunda Guerra o Brasil praticamente importava todos os artigos industrializados, sendo basicamente uma economia agrícola, o que só começou a mudar com o acordo feito por Getúlio Vargas, que trouxe investimento para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, Conselho Nacional de Petróleo, Companhia Vale do Rio Doce, Hidroelétricas e promulgou as leis trabalhistas, tendo marcado uma virada em nossa história com tamanho investimento nas industrias de base e energia. Apesar disso as nossas exportações continuaram a se manter basicamente de insumos, acarretando um tímido acúmulo de divisas. A matéria-prima nacional substituiu em parte a importada.

Ao final da Segunda Guerra já existiam indústrias com capital e tecnologia nacionais, como parte da indústria de autopeças.

No segundo governo Vargas (1951-1954), os projetos de desenvolvimento baseados no capitalismo de Estado, através de investimentos públicos no extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC, em 1951), BNDES, dentre outros, forneceram importantes subsídios para Juscelino Kubitschek lançar seu Plano de Metas, ainda que a um elevado custo de internacionalização da economia brasileira. Algo que será abordado futuramente em uma nova série do GBN News sobre a indústria nacional.

Durante os anos que se seguiram, o Brasil migrou de uma política colonial atrasada para uma nova postura industrial que demonstrava inclinada a dar largos passos, embora se mantivesse 
ainda dependente e muito da tecnologia externa, o que em determinados momentos nos travou em projetos importantes e nos limitou no desenvolvimento de muito de nossa industria e cultura.

Outra marca que ainda carregamos em nossa sociedade é a característica “síndrome do viralatismo”, onde ainda há a postura de se torcer o nariz para as conquistas e desenvolvimentos nacionais e prol da valorização do que vem de fora.

Hoje devido a importantes avanços e conquistas em diversos setores científicos e econômicos, o povo brasileiro tem mudado um pouco essa postura, passando a reconhecer, ainda que de foma limitada, o valor da “prata da casa” e investido embora ainda timidamente na modernização de nossa industria e economia, com base na educação e formação de núcleos de estudo e pesquisa, bem como assistimos alguns ensaios do governo tentando criar mecanismos para que se dê continuidade aos projetos de desenvolvimento do país, embora grande parte dessas medidas, tenham sido alvo de esquemas sórdidos de corrupção e desvio de bilhões dos cofres públicos, o que resultou numa devastadora crise politico-econômica sem precedentes na história de nossa nação, o que afetou diretamente os investimentos que cresciam exponencialmente em nossa economia e industria, abalando seriamente a imagem de nosso país e impactando em nossa gigante petrolífera, a Petrobras.


A industria pesada, a qual apresentou sinais claros de sua recuperação e investimento pesado, em especial a industria naval, que há alguns anos apresentou destaque e grande crescimento, tendo inclusive sido alvo de especulação para sua alavancada ao seu desempenho de outrora, quando a mesma era forte no mercado mundial e que havia sofrido um processo de sucatização e já era quase inexistente na década de 90, como também os investimento em DEFESA com a implantação da Estratégia Nacional de Defesa (END), que a principio busca reequipar nossas forças armadas de acordo com a necessidade que se faz diante da posição do Brasil no mundo e recuperar o núcleo da industria de defesa nacional, que nos anos 80 participou fortemente dos programas de defesa nacional e participou de forma representativa do mercado internacional, mesmo que com apenas 2% do mercado, mas movimentando de forma considerável nossa economia e desenvolvendo novas tecnologias e capacitações, trazendo o país a um novo patamar de capital industrial, científico e intelectual, mas que agora se vê perdida em meio aos sucessivos cortes de orçamento e mudanças na visão política, a qual esta mergulhada em uma série de escândalos que afetam diretamente não só a economia e seus diversos setores, mas a sociedade como um todo.

De 1822 até os dias de hoje, infelizmente pouco mudou, a base de nossa sociedade ainda mantém a mesma postura nula, assistindo a tudo calada e de camarote, enquanto os "políticos" guinam a nação a rumos sem destino, á bel prazer de seus interesses, o que em nada beneficia nosso povo, sendo mais uma vez a repetição das velhas políticas históricas, como é o caso da "reforma política", a qual pelo visto só terá como objetivo proteger ainda mais a pequena classe politica que se apoderou do poder em nosso país após a queda do Império, mas isso é tema de outro artigo. 

Finalizando o Brasil se tornou “Independente” em 7 de setembro de 1822, mas ainda esta caminhando para a conquista real de nossa independência.

Como todo brasileiro que se orgulha de sua nação saúdo a todos nós brasileiros por nossas conquistas e lutas, e neste 7 de setembro que se aproxima, faço votos de que possamos no próximo ano comemorar novas conquistas e contar com uma postura madura e engajada de nossa sociedade nas decisões do rumo de nosso país.

Viva ao Brasil, Viva ao povo brasileiro, Viva a nossa “Independência”!!!!



Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.


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