quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Exercícios militares russos põem Otan em alerta

Aliança afirma que vai acompanhar de perto manobras das quais participarão quase 13 mil soldados de Rússia e Belarus. Países bálticos temem preparativos para invasão. Rússia nega e diz que imprensa está "criando mitos".

A Rússia está preparando exercícios militares que poderão vir a ser os maiores desde o fim da Guerra Fria e que terão lugar em Belarus, no enclave russo de Kaliningrado e na própria Rússia de 14 a 20 de setembro. As manobras, chamadas de Zapad 2017 (Ocidente 2017), despertaram preocupação na Otan, especialmente nos países bálticos e na Polônia, que reclamaram de falta de transparência e questionaram as reais intenções de Moscou.
Nesta terça-feira (29), a Rússia minimizou as preocupações e disse que os exercícios são apenas defensivos e não são direcionados contra nenhum inimigo específico, mas focados no combate ao terrorismo.
O vice-ministro russo da Defesa, Alexander Fomin, disse que a imprensa internacional está disseminando mitos na sua cobertura sobre a operação. "Alguns até disseram que os exercícios são um ponto de partida para uma invasão ou ocupação da Lituânia, Polônia ou Ucrânia", comentou.
Fomin também disse que 12.700 soldados vão participar das manobras, incluindo 7.200 de Belarus e 5.500 da Rússia. Cerca de 3.000 estarão em Belarus durante os exercícios, afirmou. Além disso, participarão cerca de 70 aeronaves, 250 tanques, dez navios e vários sistemas de artilharia e de mísseis.
Segundo a Rússia, a escala dos exercícios está de acordo com as regras internacionais, pelas quais observadores não são necessários quando houver participação inferior a 13 mil militares.
A Lituânia, a Estônia e outros críticos, porém, afirmam que até 100 mil soldados poderão participar dos combates simulados, que seriam, portanto os maiores desde a Guerra Fria. No entanto, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse ter "todas as razões para acreditar" que as manobras terão "substancialmente mais soldados do que o número oficial divulgado".
"Cavalo de Troia"
Stoltenberg afirmou que a aliança militar vai acompanhar de perto as manobras, que acontecerão num momento crítico nas relações entre a Rússia e países da Otan. A crise nas relações se iniciou com a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2013, e desde então se acirrou.
Os exercícios despertaram preocupação em membros orientais da Otan porque vão ocorrer em Belarus, um aliado da Rússia que faz fronteira com a Polônia, a Letônia e a Lituânia, bem como com a Ucrânia. Em outras oportunidades, a Rússia utilizou exercícios semelhantes como disfarce para projetar força em outros países, como a Geórgia e a Ucrânia. Em 2014, um ano depois do último exercício semelhante, a Rússia invadiu a Crimeia, utilizando táticas testadas durante as manobras.
Além disso, nos três países bálticos vivem minorias russas, a exemplo do que ocorre no leste da Ucrânia, onde uma insurgência apoiada pela Rússia desafia o governo central em Kiev.
O tenente-general Ben Hodges, principal comandante militar dos Estados Unidos na Europa, afirmou à agência de notícias Reuters que aliados no Leste Europeu e a Ucrânia temem que os exercícios sejam um "cavalo de Troia", com o objetivo de levar equipamento militar para Belarus.
Herança soviética
Segundo Fomin, o cenário dos exercícios supõe que grupos terroristas estão infiltrados na Rússia e em Belarus e planejam atos de terrorismo enquanto recebem apoio externo por ar e mar. "Esse cenário poderia ocorrer em qualquer parte do mundo", disse.
Ainda segundo a Rússia, trata-se de um exercício regular, que ocorre a cada quatro anos e que já foi planejado há muito tempo, não sendo uma reação às recentes sanções dos Estados Unidos.
Durante a Guerra Fria, Zapad era o nome do maior exercício militar da União Soviética e envolvia entre 100 mil e 150 mil soldados. Ele foi retomado pela Rússia em 1999 e repetido em 2009 e 2013.
A Rússia acusa a Otan de piorar as relações entre ambas ao enviar tropas para países do Leste Europeu que fazem fronteira com a Rússia. Já a Otan afirma que o envio é uma resposta à anexação da Crimeia pela Rússia, em 2013.

Fonte: Deutsche Welle

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