segunda-feira, 24 de julho de 2017

VBTP "Guarani" - Chegando para revolucionar o Exército Brasileiro

É fato que nossas forças armadas enfrentam um difícil momento, quer seja pelos meios chegando ao estado de obsolescência, quer pelos recursos aquém das necessidades das forças para conseguir alcançar um nível tecnológico condizente com o moderno cenário dos campos de batalha. Apesar dos obstáculos e dos diversos desafios enfrentados por nossas forças armadas, as mesmas tem conseguido conduzir a duras penas importantes programas de defesa, dentre estes resolvemos nesta matéria falar sobre o VBTP "Guarani", uma viatura blindada de transporte de pessoal média sobre rodas (VBTP-MR) desenvolvida pelo Exército Brasileiro em parceria com a IVECO, o qual representa um importante avanço no Exército Brasileiro, embora críticos apontem algumas deficiencias no projeto, o mesmo consegue atender adequadamente as necessidades brasileiras, conforme você poderá conferir em nossa matéria.

EE-9 "Cascavel" e EE-11 "Urutu"
O "Guarani" nasceu da necessidade de se substituir as vetustas viaturas EE-11 Urutu e EE-9 "Cascavel", fabricadas a partir da década de 70 pela "finada" ENGESA", viaturas que foram sucesso de exportação nos anos 80, apresentando um excelente rendimento para época, mas que hoje já não atendem as necessidades do moderno campo de batalha.

O projeto do "Guarani" tem como foco atender as especificações do Exército Brasileiro, projetado para fornecer uma viatura moderna e capaz de representar um verdadeiro salto em relação a tudo que era operado até então pelo Brasil, além de prover uma viatura que ofereça mobilidade e segurança as tropas e sua tripulação, podendo operar em diversas categorias de conflitos.

Iveco SuperAV 8x8 base do VBTP-MR "Guarani"
O Programa de desenvolvimento da nova viatura começou em 2008, O "Guarani" foi concebido já no intuito de transformar a Infantaria Motorizada em Mecanizada e modernizar a Cavalaria Mecanizada. A IVECO usou como base no projeto, a plataforma da viatura SuperAV, do qual apresenta algumas semelhanças, embora o "original" seja uma viatura 6x6, o "Guarani" prevê uma família de viaturas 6x6 e outra mais pesada 8x8, porém, a versão 8x8, a qual teria versões armadas com canhão 105mm, encontra-se atualmente paralisado na prancheta sem definição, uma vez que o mesmo ainda não teve definido o fornecedor do armamento, ponto de suma importância para o proseguimento do desenvolvimento da versão 8x8.

Os primeiros "Guaranis" foram entregues em 24 de março de 2014 á 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada, marcando uma nova era na cavalaria mecanizada do Exército Brasileiro, á qual deverá contar com mais de duas mil dessas novas viaturas.

Agora vamos conhecer um pouco sobre o VBTP-MR "Guarani", afim de que possamos abrir a discussão sobre o meio e suas capacidades, contribuindo para o conhecimento geral e fomentando a discussão saudável em relação ao nossos meios de defesa.

O VBTP-MR "Guarani" possui dimensões consideráveis, sendo bem maior que os antecessores EE-11 "Urutu" e EE-9 "Cascavel", ponto que é criticado por muitos "especialistas" devido sua silhueta "alta", com 2,4m de altura, apresentando a largura de 2,7m e um comprimento de 6,9m e chegando ás 17ton pronto para combate. O "Guarani" possui espaço interno suficiente para comodar 11 homens, sendo 3 tripulantes e 8 infantes de maneira confortável em relação aos meios anteriores operados no Brasil.

O Guarani possui chassi formado por duas longarinas na base do veículo, o qual abriga toda a suspensão, os elementos de transmissão com sua respectiva caixa e dois diferenciais, um dianteiro e outro traseiro. Sobre este conjunto foi montado a estrutura blindada em forma de V que é capaz de resistir até 6 kg de explosivos.

O "Guarani" embora tenha como base o projeto do SuperAV, muito foi modificado em relação ao projeto base, que teve incorporado muitos componentes oriundos das linhas de caminhões pesados da IVECO no Brasil, solução encontrada para reduzir os custos de manutenção das viaturas e facilitar sua logística, ao invés dos componentes originalmente desenvolvidos para o projeto do SuperAV.

A versão 6x6 do "Guarani" em especial, recebeu muitas modificações no projeto afim de atender ao Exercito Brasileiro, sendo mais leve que o 8x8 italiano, recebeu um conjunto motor  Iveco FPT Cursor 9 com 383 hp e 154 mkgf de torque, podendo operar com diesel ou querosene de aviação; A transmissão é a automática ZF Friedrichshafen 6HP602S para alimentar o conjunto motriz e a propulsão aquática é feita pelo sistema Bosch Rexroth A2FM80.

O "Guarani" é a primeira viatura blindada brasileira que prevê proteção contra minas e IEDs, com capacidade de resistir á 6kg de explosivo sob a viatura, tendo superado os testes proporcionando segurança aos seus ocupantes, tendo sido registradas poucas lesões nos bonecos utilizados para simular a tripulação da viatura, o que em ação real, teria garantido não apenas a sobrevivência dos ocupantes, mas seu rapido retorno as atividades militares, o que representado um importante fator. 

Além da proteção contra explosivos e minas, a blindagem do "Guarani" é capaz de oferecer proteção contra munição calibre 7,62 perfurante, o mesmo ainda pode receber blindagem adicional, a qual aumenta a resistência á disparos, podendo suportar impactos de munição .50 antiaérea. 

O processo de produção do "Guarani" se dá em 6 fases, executadas na fábrica da Iveco em Sete Lagoas - MG, a primeira da IVECO Defense fora da Europa, contando com cerca de 30 mil metros quadrados, dos quais 18 mil são de área construída, que abriga todas as etapas de produção do "Guarani" incluindo linhas completas de funilaria, pintura, montagem, testes e acabamento final do veículo. 

A produção do "Guarani" começa pela etapa de construção do "casco", o trabalho de funilaria se dá em duas fases, na primeira são montados os subgrupos que compõe o "casco", nesta fase as chapas blindadas são soldadas criando seções, as quais são encaminhando para segunda fase, onde as seções são unidas e dão origem ao "casco" da viatura propriamente dito.

Após a conclusão da montagem do "casco" do "Guarani" o mesmo é encaminhando para uma nova etapa, nesta o "casco" recebe o material balístico, o qual oferece proteção ao interior da viatura, impedindo que estilhaços e fragmentos de projéteis penetrem no interior da viatura, absorvendo também o impacto e servindo de isolante acústico, material conhecido como "Liner". Após essa etapa, o "casco" é encaminhado para a etapa de pintura.

Na etapa de pintura, o "casco" do "Guarani" recebe uma proteção e um tratamento de chapa, recebendo tinta de fundo e o esmalte, o qual passa pelo processo de secagem em estufa de 80ºC. 

Após completar a etapa de pintura, o "casco" do "Guarani" finalmente segue para etapa de montagem, onde irá receber o chassi com conjunto motriz e demais itens internos e externos, é nesta etapa que o "Guarani" realmente ganha vida, recebendo os sistema de proteção QBN (química, biológica e nuclear) Aero Sekur, sensor de fogo e supressão automático Martec, painel digital do motorista, sistema elétrico CANBUS 24V, assentos com absorção de choque, câmeras, sistema de ar condicionado da Euroar, sistema de runflat Hutchinson, eixos motrizes Dana, freios hidropneumático, com discos nas 6 rodas, ABS e freio de estacionamento na transmissão, caixa de transferência ZF Friedrichshafen 6HP602S, suspensão da Iveco do tipo McPherson independente nas seis rodas e direção hidráulica nos dois eixos dianteiros. 

O sistema de comando e controle fica por conta de dois rádios Harris Falcon III com GPS integrado, um intercomunicador Thales SOTAS, um computador Geocontrol CTM1-EB e software GCB (Gerenciador do Campo de Batalha), desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento de Sistemas do Exército.

Após a conclusão da etapa de montagem, o "Guarani" é enviado para a pista de testes, onde realiza avaliações estáticas e dinâmicas, onde é realzada uma extensa e completa avaliação dos sistemas da viatura afim de garantir sua qualidade e determiná-la apta para entrega. Ao passar pela avaliação é chegada a última etapa que o "Guarani" passa na fábrica antes de finalmente ser entregue para incorporar ao Exército Brasileiro, a viatura é minunciosamente lavada, recebe os últimos retoque e ganha a pintura camuflada final.

O VBTP-MR "Guarani" tem assumido aos poucos seu lugar no Exército Brasileiro, exibindo robustez e desempenho que atendem as necessidades brasileiras. Contando com um reservatório com capacidade total de 270 litros, dos quais 260 litros utilizáveis, apresenta um consumo médio de 2,3 km/l, considerando uma velocidade constante de 70 km/h, o que confere uma autonômia de cerca de 600km. O "Guarani" possui uma relevante capacidade de aceleração e frenagem, acelerando de 0 a 30 km/h em 7,4 segundos e atingindo a velocidade máxima de 105 km/h, sua frenagem pode ir de 60 km/h a 0 km/h em 30 metros. O sistema de freios do VBTP possui dez pinças no total, duas para cada um dos quatro discos dianteiros e uma para os discos traseiros. 

Com relação ao armamento do "Guarani", o mesmo é bem flexível e pode variar, havendo opção de ser dotado de torre com canhão automático de 30mm UT-30BR, reparo REMAX de metralhadora automatizada nos calibres .50 ou .30, ainda há uma variedade de armas e sistemas que podem ser instalado em versões específicas do "Guarani".


Hoje além do Brasil, o Líbano também é um operador do VBTP "Guarani", sendo o único país para o qual o "Guarani" foi exportado até o momento, com uma encomenda de 10 unidades. Há boas perspectivas para exportação do mesmo á outras nações.


Iveco Guarani


Velocidade máxima: 105 Km/h.
Alcance Maximo: 600 Km.
Motor: Motor Iveco Cursor 9 com 383 hp movido a diesel.
Peso: 17,5 Toneladas (preparado para operação amphibia.
Comprimento: 7 m.
Largura: 2,7 m
Altura: 2,4 m.
Tripulação: 3+8 soldados equipados.
Inclinação frontal: 60º
Inclinação lateral: 30º
Trincheira: 1,3 m.

Tipo: Anfíbio


Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança.




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