terça-feira, 25 de julho de 2017

KC-2 "Trader" na Marinha do Brasil - O GBN esclarece as dúvidas sobre o polêmico programa da Marinha do Brasil


 Imagem: Euangellus Comunicação
Diante de tantas questões e críticas sobre o programa de aquisição das aeronaves KC-2 "Trader" pela Marinha do Brasil, o GBN News resolveu esclarecer nosso publico á respeito desta aquisição da Marinha, continuada mesmo após a desativação do único NAe brasileiro o A-12 " São Paulo". Então fomos até a Marinha do Brasil buscar respostas aos principais pontos que temos observado nos debates e discussões que envolvem esta aquisição.


A aeronave KC-2 "Trader" é estrategicamente importante para a Marinha do Brasil, ampliando sensivelmente a sua atuação sobre a “Amazônia Azul”, fornecendo vetores que operariam de forma conjunta com o desativado NAe A-12 “São Paulo” e totalmente aptos a operar com um futuro NAe a ser incorporado a médio/longo prazo. O seu alcance, suas capacidades de transporte de carga, de passageiros e de reabastecimento em voo (REVO) permitirão um incremento considerável na dimensão Logística da Esquadra. 



Os "Traders" eram as únicas aeronaves disponíveis no estoque americano, capacitadas a operar no A-12. Ou seja, não havia outro tipo que pudesse atender as necessidades da Marinha do Brasil, o que determinou a escolha dos "Traders" além de sua capacidade de operar no A-12 e a disponibilidade de espaço para transporte dos tanques auxiliares necessários ao reabastecimento em voo das aeronaves AF-1 (A-4KU) "Skyhawk". 



Após a aquisição foram realizados estudos com vistas a modernizar as aeronaves, visando o cumprimento do Conceito de Emprego, fez-se necessário o estabelecimento de ações conjuntas entre os Setores do Material e Operativo, afim de adequar o meio ao serviço naval, em especial no tocante ao estabelecimento das configurações, dotações e requisitos específicos que devam ser atendidos, como comunicações, sensores e equipamentos especificamente destinados ao reabastecimento de outras aeronaves em voo, de modo a atender os requisitos definidos no Relatório de Alto Nível de Sistemas (RANS). 




O custo unitário de aquisição de cada aeronave foi de US$ 12.500,00. O custo total do processo de modernização está orçado em US$ 109.400.000,00, o que corresponde a remotorização e reconfiguração total dos componentes eletrônicos das aeronaves, bem como a obtenção de uma dotação inicial de sobressalentes e de itens rotacionais (pool), obtenção de equipamentos de apoio no solo; obtenção de documentação técnica e treinamento de pilotos e pessoal técnico. Em face desses elementos de apoio logístico e de treinamento comuns a todas as aeronaves, não cabe se referir a um custo unitário de modernização por aeronave. 



As aeronaves serão providas de “On-Board Oxygen Generating System” (OBOGS), tanto para a tripulação quanto para os passageiros; sistema para reabastecimento em voo, além de todos os equipamentos de Comunicações e Navegação, que serão integrados a dois Flight Management System (FMS). 



As aeronaves KC-2 representam um incremento significativo na capacidade de transporte de carga, de passageiros e permitem REVO em proveito de uma Força Naval, permitindo um incremento considerável na dimensão Logística da Esquadra. 




Em razão de seu tipo de missão, a aeronave não possui sistemas defensivos. Por este mesmo motivo, a aeronave também não era dotada originalmente com tais sistemas. 



O KC-2 atenderá aos seguintes perfis de missão com a desativação do A-12:


  • Prover o apoio logístico móvel por intermédio de transporte administrativo e de reabastecimento em voo de aeronaves de asa fixa; 
  • Transportar pessoal de interesse naval, inclusive mediante lançamento de paraquedistas;
  • Realizar esclarecimento a fim de obter informações necessárias para a orientação do planejamento e do emprego de forças navais;
  • Coletar dados meteorológicos e geográficos de áreas determinadas; 
  • Efetuar operação de Busca e Salvamento (SAR); 
  • Prover evacuação aeromédica. 


A Marinha do Brasil possui, dentre outros Projetos Estratégicos, o Programa de Obtenção de Navios Aeródromos (PRONAe), que prevê a construção/aquisição de um Navio Aeródromo (NAe). Portanto, a manutenção dos programas de modernização das aeronaves AF-1 e de obtenção dos KC-2 permanece relevante, mesmo sem a disponibilidade do A-12, de modo a preservar as competências essenciais associadas à operação da aviação de asa fixa embarcada, as quais, se perdidas, iriam requerer um esforço muito mais oneroso e demorado para retomar essa capacidade quando da aquisição do futuro NAe. 



O KC-2 contará com diversos sistemas de busca, Além do radar de busca/ meteorológico, a aeronave possuirá um equipamento “Direction Finder” (DF) para localização de emissões rádio de náufragos e navios em situação de perigo. Há estudos, ainda, para verificar a aceitabilidade de equipar as aeronaves com FLIR, Search Light e janela de observação (tipo bolha) para aumentar a eficiência em operação SAR. 



A aviônica contará com equipamentos dedicados para a navegação e deverão incorporar um Sistema de Navegação Inercial (INS), GPS, VOR, ILS, TACAN e ADF; além de prever a capacidade de comunicação nas faixas de VHF, UHF e HF, inclusive nas frequências de VHF marítimas. A aeronave não possuirá um computador de missão e nem armamento. 



Serão colocadas em operação quatro células após a modernização como uma vida útil de 16.000 horas de voo cada. 



O projeto considerou a capacidade de REVO das aeronaves AF-1 (A-4KU), entretanto, existe compatibilidade com as aeronaves da FAB, o que possibilitará a realização de operações conjuntas, nos mesmos moldes do que já ocorreu entre os AF-1 e F-5. 



A Marinha do Brasil tem mantido os olhos á frente de seu tempo, pois a mesma mantendo os programas KC-2 "Trader" e AF-1 "Skyhawk", visa não permitir que se perca uma capacidade que há muito tem sido trabalhada e conquistada com muito empenho e investimento, a falta momentânea de um NAe operacional não pode influenciar na capacidade de operar com aeronaves de "asa fixa".

Nós do GBN News queremos agradecer á equipe do Centro de Comunicação Social da Marinha do Brasil e ao Contra-Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, que sempre tem esclarecido questões inerentes a força naval brasileira, estabelecendo um canal aberto e transparente entre a Marinha do Brasil e nossa publicação, o que torna possível trazer aos nossos leitores informações oficiais e fidedignas, dando o devido respeito aos nossos leitores e colaboradores.


GBN News - A Informação começa aqui

4 comentários:

Solicito o devido crédito à primeira imagem pois foi retirada da Revista da Aviação Naval nº72 e é uma montagem feita pela Euangellus Comunicação. Um abraço!

Só não estou entendendo um fato nessa história, parece que o contrato prévia 8 aeronaves ,serão modernizados 4 ,os outros 4 serão canibalizados?

Erick esta inserido na imagem o link de sua origem, mantendo nosso padrão de identificação de origem da imagem, no caso: http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/01/C-1A-da-MB-imagem-Elbit.jpg

PURA CORRUPCAO. ESSA COMPRAXE UM CRIME CONTRA UMA POPULACAO DE 20 MILHOES DE DESEMPREGADOS!

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