sexta-feira, 7 de julho de 2017

Chefe do Exército diz-se "humilhado" por erros militares em Tancos

O general Rovisco Duarte disse ontem (6) aos deputados da comissão parlamentar de Defesa que houve "desleixo" e "falhas de supervisão" em Tancos
O comandante do Exército "assumiu responsabilidade total" pelo assalto aos paióis de Tancos, descoberto durante uma ronda feita semana passada na quarta-feira (28).
Durante a audiência desta quinta feira (6) ao chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) na comissão de Defesa, que decorreu à porta fechada, o general Rovisco Duarte disse "duas vezes ter-se sentido chocado e humilhado" com o ocorrido e espera obter "em três ou quatro semanas" os resultados das investigações realizadas sobre o furto de material da base militar de Tancos.
Numa audiência que durou cerca de três horas, o chefe militar informou aos deputados que inicialmente pensou em exonerar apenas "três dos cinco comandantes" das unidades envolvidas na segurança dos paióis. Contudo, optou pelos cinco, porque todos tinham responsabilidades nessa matéria. Certo é que essas exonerações "não foram consensuais" entre o corpo de generais, disse o general. Mas essa decisão de exonerar os cinco comandantes, quatro coronéis e um tenente-coronel, foi tomada "para sacudir a instituição e para que não volte a acontecer" uma situação como a descoberta na semana passada, afirmou o CEME, segundo fontes do jornal português Diário de Notícias.
"Se no fim" dos inquéritos houver dados que justifiquem novas demissões, o general garantiu que o fará. Contudo, não respondeu quando questionado sobre se sentia ou assumia responsabilidades pelo ocorrido enquanto chefe do Exército, comentou uma das fontes do DN. "Há ali desleixo, cumplicidades, falhas de supervisão [...] e quando temos dentro de casa alguém que nos quer roubar...", disse o general Rovisco Duarte, citado pelas mesmas fontes, embora dizendo que sobre este ponto falava "a título pessoal".

O general revelou também aos deputados que nos dois paióis de onde desapareceu material de guerra estavam mísseis anticarro Milan e TOW, que admitiu poderem não ter sido roubados devido ao seu volume ou peso, precisou uma das fontes. "Ficamos todos espantados" na comissão de Defesa com a revelação daquele dado e com as potenciais consequências do seu desaparecimento, declarou a fonte.

Rovisco Duarte disse ainda, segundo duas das fontes ouvidas, desconhecer qual o intervalo de tempo  entre as duas rondas em que alegadamente teria ocorrido o corte da cerca, depois de ter admitido que teriam sido cerca de nove horas e meia, segundo uma dessas fontes.
Reconhecendo que existiu "um problema de comando" na vigilância dos paióis, o que facilitou o roubo do material militar avaliado em cerca de 34 mil euros, o CEME afirmou que falta de pessoal não é justificativa para explicar o ocorrido.
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com Diário de Notícias

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