sábado, 28 de outubro de 2017

Militares brasileiros e paraguaios treinam ataque conjunto com viaturas blindadas

Os exércitos do Brasil e do Paraguai têm uma longa história de cooperação mútua, mas a Operação Paraná, que treinou cerca de 500 militares das duas nações durante os dias 18 e 22 de setembro, foi uma experiência inédita. “A ideia da Operação Paraná nasceu em um encontro entre o Estado-Maior do Exército Brasileiro (EB) e o Estado-Maior do Exército do Paraguai, em junho do ano passado [2016]”, contou o General-de-Brigada do EB Marcos de Sá Affonso da Costa, comandante da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada (15ª Bda Inf Mec), unidade que executou a Operação Paraná. “A relação entre essas duas forças armadas é antiga, mas a gente nunca tinha realizado uma missão com tropas no terreno. Então, nossa intenção foi proporcionar essa experiência, visando a aproximação entre os dois exércitos”, disse.
Desde 2014, a 15ª Bda Inf Mec, sediada em Cascavel, no oeste do estado do Paraná, é responsável por capitanear o projeto de implantação da Brigada de Infantaria Mecanizada e desenvolver sua doutrina. Até então, o EB só possuía brigadas de infantaria leve e motorizada, em que o combatente marcha a pé dentro do campo de batalha. Com a mecanização, os combatentes passam a se deslocar por meio de uma viatura blindada.
“A doutrina de infantaria mecanizada está se consolidando no mundo inteiro, mas o Paraguai ainda não possui uma unidade desse tipo”, explicou o Gen Bda Affonso da Costa. Assim, a Operação Paraná acabou sendo também a primeira vez em que o Exército paraguaio colocou seus fuzileiros dentro de uma viatura blindada em uma operação de combate.
Já para o Brasil, foi uma oportunidade de explorar exercícios que ainda não tinham sido feitos com as novas Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal - Média de Rodas (VBTP-MR) Guarani. Esse é o modelo de blindados que está sendo adotado pelo EB dentro do seu projeto de transformação das infantarias motorizadas em mecanizadas. A 15ª Bda Inf Mec possui 77 unidades desses couraçados VBTP-MR.
De acordo com o Gen Bda Affonso da Costa, o emprego de veículos blindados em operações de combate tem as vantagens de reduzir o número de baixas, já que os militares estão mais protegidos dos tiros, e também de aumentar a mobilidade das tropas, permitindo deslocamentos estratégicos por todo o país. “Além do mais, os blindados não são apenas um meio de transporte, mas um sistema de armas. Dessa forma, com o emprego de uma infantaria mecanizada, aumentamos o nosso poder de fogo. Esses três grandes vetores – segurança, mobilidade e poder de fogo – ampliam a capacidade operacional do Exército”, ressaltou o Gen Bda Affonso da Costa.
Ataques
Os oficiais do estado-maior e o pelotão de fuzileiros do Paraguai chegaram ao Brasil em 17 de setembro. Em continuidade às atividades de preparação, esses militares, ao lado dos brasileiros, receberam instruções de nivelamento, como manejo de armamento, comunicações e embarque e desembarque das viaturas.

Uma demonstração de ataque com tiro real foi realizada no dia 22 de setembro, como atividade de encerramento da missão conjunta do Brasil e do Paraguai. (Foto: Exército Brasileiro)
No dia 19, teve início as atividades de simulação de combate. Os planejamentos foram realizados pelo estado-maior de um batalhão de infantaria mecanizado, chamado de Força Combinada Paraná e integrado por oficiais dos dois exércitos, enquanto a execução das ofensivas determinadas por esse grupo ficou a cargo de uma companhia de fuzileiros mecanizada, composta por dois pelotões brasileiros e um pelotão paraguaio. A companhia contava com um total de 19 viaturas Guarani.
A primeira missão consistiu em uma marcha para o combate, a fim de estabelecer o contato com o inimigo. “Ao se depararem com a força oponente, as tropas fizeram o ataque para conquistar a localidade de Diamante do Sul”, contou o Major Rodrigo César de Oliveira Ribeiro, oficial de Comunicação Social da 15ª Bda Inf Mec. “Essa força oponente foi representada por um pelotão do Esquadrão de Infantaria Mecanizada, que estava equipado com viaturas mais antigas, dos modelos Urutu e Cascavel”, completou o Maj Rodrigo Ribeiro.
Depois, foram realizados novos deslocamentos das tropas, que tinham que lidar com situações inesperadas ao longo do caminho. O fechamento da operação ocorreu no dia 22, com a demonstração de um ataque da companhia, em que foi empregado tiro real a partir das viaturas Guarani.
“Todos os nossos objetivos foram atingidos, tanto aquele de caráter mais diplomático, de estreitamento de laços com o Exército do Paraguai, quanto os objetivos táticos, porque pudemos perceber que é totalmente viável o emprego conjunto de tropas num contexto de combate”, avaliou o Gen Bda Affonso da Costa. “As bases doutrinárias dos paraguaios são parecidas com as nossas e a proximidade cultural também facilita esse trabalho.”
Viaturas Guarani
A aquisição dos blindados Guarani faz parte do programa estratégico homônimo do EB. Com tecnologia desenvolvida pelo Centro Tecnológico do Exército, esses veículos são destinados tanto a operações militares de ataque quanto missões de defesa, patrulhamento e paz.
O primeiro lote dessas viaturas foi entregue em 2014 e o contrato deve se estender até por volta de 2040. Até 2016, foram produzidas cerca de 100 unidades experimentais, testadas pelo EB com o intuito de identificar a necessidade de mudanças e adaptações. A partir de 2017, iniciou-se a fabricação industrial das viaturas. Atualmente, o EB emprega, em diferentes unidades militares, cerca de 230 viaturas Guarani.
Fonte: dialogo-americas.com via EPEX

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