sábado, 21 de outubro de 2017

Classe Koster - A solução para Marinha do Brasil

Nesta última semana, o GBN News cobriu o 1º Congresso Internacional de Contra Medidas de Minagem (1º CICMM), o qual ocorreu nos dias 17 e 18 na Escola de Guerra Naval na Urca, Rio de Janeiro. O evento contou com a presença de especialistas, representantes da indústria naval e de sistemas, assim como militares das três forças brasileiras e de marinhas estrangeiras.

O congresso que teve apoio da SAAB, Thales, Abeking & Rasmussen, Navantia, JFD dentre outros patrocinadores, convertendo-se em excelente  oportunidade para conhecer o atual panorama brasileiro em relação as capacidades e atuação, bem como tonar contato com projetos nacionais em desenvolvimento no campo de SUVs e AUVs.

Em adição,  foi apresentada a doutrina de emprego dos meios de caça-minas e varredores em outras marinhas. O conteúdo de alto nível marcou as palestras apresentadas e que serão tema de futuros artigos e matérias

Mas o tema que nos levou a concepção desta matéria, diz respeito á uma conclusão que alcançamos ao analisar não só o exposto nas apresentações, mas principalmente as conversas que mantivemos com diversos oficiais da Marinha do Brasil e representantes da SAAB Kockums, e aqui nosso leitor poderá conhecer um pouco sobre o MCMV 47 “Koster Class”, navio proposto como a solução as necessidades urgentes da Força de Minagem e Varredura da Marinha do Brasil (ForMinVar), a qual hoje enfrenta um imenso desafio para manter suas capacidades e doutrina de guerra de minas.

A SAAB Kockums se destacou, apresentando um amplo leque de soluções, tendo o centro das capacidades apresentadas o MCMV 47 “Koster Class”, navio que já foi tema de uma matéria aqui no GBN News, quando tivemos contato com a solução sueca há cerca de um ano e meio.

O projeto da Classe Koster, sem dúvidas nenhuma, uma embarcação de extrema versatilidade e que exibe um potencial sem igual no mercado da categoria, claramente despertou o interesse da Marinha do Brasil, a qual busca em caráter de urgência um novo navio que venha a sanar a lacuna existente e substituir os navios remanescentes da “Classe Aratu”, projeto da Schütze-Klasse alemã que data dos anos 70 e já estão muito além de seu ciclo de vida operacional.

Os navios da “Classe Aratu” foram construídos em casco de madeira e materiais não magnéticos. Devido ao material de construção, após mais de 40 anos em serviço, estas embarcações começaram a apresentar um elevado nível de desgaste, ocasionando na retirada de operação de dois dos seis originalmente adquiridos. Segundo mencionado durante o congresso, os exemplares remanescentes da Classe Aratu, possuem capacidade de estenderem-se ativos na esquadra até 2024, quando impreterivelmente terão de ser retirados de operação. Nas palavras do Vice-almirante Almir Garnier dos Santos , comandante do 2º Distrito Naval: “Nossa maior prioridade é garantir que não se perca todo o conhecimento de guerra de minas adquirido em quase 40 anos de operação dos Classe Aratu. Esses navios, em número de quatro, apresentam uma disponibilidade de três unidades com mais uma em manutenção...”, continuando “tivemos de flexibilizar esses trabalhos de modo a manter esses navios, de baixa complexidade operativos até a chegada dos novos meios que devem ser adquiridos antes de 2020. O Request For Proposal (RFP) será emitido em novembro próximo, e pretendemos selecionar um navio pronto, disponível e consolidado, não podemos aguardar o desenvolvimento de uma nova classe. Enquanto isso, vamos manter os Classe Aratu operativos, de modo a garantir a manutenção do conhecimento adquirido”..

Diante das necessidades da Marinha do Brasil, nos deparamos há alguns anos com o projeto sueco, o qual tem conquistado a atenção dos principais setores dentro da Marinha do Brasil, e passa a ser visto como o mais cotado projeto para dotar a ForMinVar de um meio moderno, eficiente e que garanta á Marinha do Brasil possuir não apenas um navio no “estado da arte”, mas todo conhecimento e capacitação tecnológica que garanta todo o ciclo de vida operacional da embarcação no inventário da Marinha, onde será previsto um extenso programa de offset que nos lembra muito o que ocorre em outro importante programa de defesa brasileiro em parceria com os suecos da SAAB, o Gripen BR.

Apesar do difícil momento orçamentário, a Marinha do Brasil acredita que terá uma atenção especial do Ministério da Defesa com relação a esse importante programa, onde já recebeu do ministro Jungmann apoio nesse sentido.

Após vários estudos e avaliações realizados nos últimos anos, a Marinha do Brasil tem apresentado um grande interesse pela Classe Koster, o qual apresenta enormes vantagens em relação aos concorrentes.  Primeiro por se tratar de um projeto extensamente testado e certificado em operações reais, as quais desempenha com sucesso há décadas com a Svenska Marinen (Real Marinha da Suécia), lidando  com a árdua missão de desminagem de uma vasta área no Báltico, onde enfrentam campos minados com milhares de dispositivos remanescentes das duas Guerra Mundiais, que ainda hoje representam um enorme perigo a navegação, em especial pelas condições do Báltico, onde artefatos com mais de 90 anos se mantém intactos como se tivessem sido lançados há poucos meses, conforme apresentado na palestra de Jenny Strom (Commander Officer, 42 MCM Squadron, Svenska Marinen).


O MCMV 47 da Classe Koster, está equipado para destruir minas e realizar varredura mecânica, podendo operar com sistemas de varredura autônomo SAM (Selfpropelled Acoustic Magnectic) controlado remotamente. É um navio versátil, projetado desde o início para a fácil adaptação, capaz de atender às diversas necessidades de seus operadores.

Toda a estrutura do casco e do convés do “Koster” é feito em material composto, conhecido como GRP. O material utiliza um método especial de camadas (em sanduíche), desenvolvido em estreita cooperação entre a Administração de Materiais de Defesa Sueca (FMV) e a Saab. O composto possui um núcleo que consiste de espuma rígida entre duas camadas de laminado de fibra de vidro. Possui uma massa menor do que um casco de placas únicas, sendo mais fácil de fabricar que outros materiais, e a estrutura resultante conferem excelentes propriedades aos MCMV, garantindo ilimitada vida operacional ao casco.

Algumas das vantagens da tecnologia de construção do casco no “Koster” são:

·         Baixo peso
·         Baixa assinatura magnética
·         Baixa assinatura acústica (isolamento)
·         Baixa assinatura infravermelha (isolamento)
·         Baixa assinatura elétrica (UEP/ELFE)
·         Baixa assinatura de pressão
·         Alta resistência a impactos
·         Boa resistência a incêndio


O material é ao mesmo tempo não corrosivo e não degradável. Sendo de fácil reparação e requer um mínimo de manutenção, necessitando apenas do básico, como limpeza e pintura. Esta característica  melhora significativamente o custo de manutenção durante o ciclo operacional, aumentando a expectativa de uso do casco e reduzindo o custo total do ciclo de vida (LCC). Isto foi confirmado por extensos testes de materiais e mais de 40 anos de serviço dos navios.

Durante um dos intervalos, estivemos conversando com alguns oficiais da Marinha do Brasil, os quais nos disseram que a opção sueca atende e supera com larga margem aos requisitos da Marinha do Brasil, sendo apontado pelos mesmos como a potencial escolha da MB.

Outro ponto que corrobora para tudo que já citamos até o momento, é o fato de a SAAB estar interessada em ir muito além de apenas fornecer um navio ao Brasil, mas a sua postura de estabelecer uma parceria mais extensa. Para tanto, o CMG Castro Loureiro, deixou “escapar” em sua apresentação que a SAAB esta interessada em ir além de fornecer um navio, pois a mesma já realizou visitas técnicas á Base de Aratu, onde se empenhou em ouvir e entender as necessidades que a base possui em relação á sua capacidade de prover apoio e suporte na manutenção dos navios naquela base.

Segundo o CMG Loureiro, não basta comprar um novo navio, uma vez que o centro de manutenção na Base Naval de Aratu, encontra-se extremamente defasado tecnologicamente, sendo incapaz de prover o adequado suporte a uma embarcação de última geração como a que se pretende operar na ForMinVar.  De acordo com as palavras do CMG Castro Loureiro, a proposta da Saab para fornecer os novos navios caça-minas/varredores, que deverão substituir os vetustos navios da classe Aratu, oferece a melhor das propostas, onde não divulgou valores envolvidos, mas deixa claro que todo o pacote envolvido no negócio, que inclui a transferência tecnológica para capacitar a Base Naval de Aratu, o que garantirá a capacidade de manter e operar os modernos MCMV da Classe Koster.

Resta agora aguardar o desenrolar dos fatos, lembrando que o RFP tem previsão para ser emitido no próximo mês, esperando-se uma rápida analise e decisão para o mesmo, tendo em vista o curto prazo entre a definição do novo navio e a sua entrada em operação, que deverá ocorrer antes de 2024, quando a Classe Aratu dará baixa. Resta torcer  para que o Governo Federal se atenha ás necessidades estratégicas da força naval e lhes garanta a dotação orçamentária para o programa.



GBN News – A informação começa aqui
por: Angelo Nicolaci


Nota: Em breve publicaremos uma detalhada apresentação do MCMV

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