terça-feira, 20 de setembro de 2016

MCMV - Solução para Marinha do Brasil?


A Força de Minagem e Varredura da Marinha do Brasil surgiu em 12 de maio de 1962, chegando aos seus 54 anos de história e tradições, a ForMinVar com sede em Aratu na Bahia, enfrenta hoje um momento crítico de sua existência. Seus meios navais encontram-se defasados e mesmo obsoletos para o moderno teatro de operações.  Atualmente a força possui á sua disposição apenas cinco das originalmente seis embarcações da Classe "Aratu", Classe Aratu corresponde a classe de navios varredores de minas construídos sob o projeto da Schütze-Klasse da Alemanha. Os navios foram adquiridos pela Marinha do Brasil entre 1971 e 1975, somando seis embarcações, porém a M-19 "Abrolhos" foi recentemente descomissionada, restando em operação os seguintes "vasos": M-15 "Aratu", M-16 "Anhatomirim", M-17 "Atalaia", M-18 "Araçatuba" e M-20 "Albardão".

Estes navios foram construídos com casco de madeira e materiais não magnéticos para diminuir a influência dos mesmos nos seus equipamentos de detecção. Devido ao material de construção, após trinta anos de serviços, estas embarcações começaram a apresentar um elevado nível de desgaste. Diante da falta de recursos para a sua substituição ou modernização, a Marinha Brasileira iniciou um programa de revitalização em 2001, que foi desenvolvido na Base Naval de Aratu tendo por objetivo prolongar a vida destas embarcações, porém, hoje fica claro que não há mais condições de se prorrogar por muito tempo o tempo de operações destes meios que já chegaram ao fim de suas vidas úteis.

Hoje circulando pela Marintech 2016 tive o prazer de encontrar com Major General Pieter Verbeek, diretor de desenvolvimento de negócios da SAAB do Brasil. Neste encontro no stand da SAAB, tive a oportunidade de conversar um pouco sobre as soluções ao mercado da industria naval que a SAAB trouxe para nos apresentar. Durante a conversa, onde abordamos sobre diversos produtos e soluções da SAAB, os quais serão tema de futuras matérias, como a nova classe de submarinos suecos, Pieter me apresentou o MCMV, uma embarcação caça-minas e de varredura que vem a responder adequadamente as necessidades de nossa marinha.

Com embarcações modernas e muito eficientes, aliadas á um know how de décadas no desenvolvimento de Navios Caça-Minas, me deparei com o MCMV- 47, uma embarcação construída em material composto, que confere grande leveza, manobrabilidade e resistência ao projeto.   

O MCMV - 47 está equipado para destruir minas e realizar varredura mecânica de minas, podendo operar o sistema de varredura de minas autônomo autopropulsado Acústico-Magnético (Selfpropelled Acoustic Magnectic SAM) controlado remotamente. É um navio versátil, projetado desde o início para a fácil adaptação afim de atender às diversas demandas de seus operadores.

Toda a estrutura do casco e do convés no MCMV- 47 é feita de plástico reforçado com fibra de vidro (GRP). O material utiliza um método especial de camadas (como se fosse um sanduíche), desenvolvido em estreita cooperação entre a Administração de Materiais de Defesa Sueca (FMV) e a Saab. O composto possui um núcleo que consiste de espuma rígida entre duas camadas de laminado de fibra de vidro. Possui uma massa menor do que um casco de placas únicas, sendo mais fácil de fabricar que outros materiais, e a estrutura resultante confere excelentes propriedades aos MCMV.

Algumas destas propriedades são:

  • ·         Baixo peso
  • ·         Baixa assinatura magnética
  • ·         Baixa assinatura acústica (isolamento)
  • ·         Baixa assinatura infravermelha (isolamento)
  • ·         Baixa assinatura elétrica (UEP/ELFE)
  • ·         Baixa assinatura de pressão
  • ·         Alta resistência a impactos
  • ·         Boa resistência a incêndio


O material é ao mesmo tempo não corrosivo e não degradável. Sendo de fácil reparação e requer um mínimo de manutenção, necessitando apenas do básico, como limpeza e pintura. Isto melhora significativamente o custo de manutenção durante o ciclo de vida, aumentando a expectativa de vida do casco e reduzindo o custo total do ciclo de vida (LCC). Isto foi confirmado por extensos testes de materiais e mais de 40 anos de serviço dos navios.
 
A função da classe Koster é, principalmente, caçar minas. Sua função secundária é a varredura de minas, onde pode atuar como uma plataforma de comando e controle de drones não tripulados para varredura, tais como o SAM, ou rebocar um dispositivo mecânico de varredura, atrás do navio.

Diferente dos caça-minas de função única, o MCMV 47 da classe Koster (originalmente, classe Landsort) foi concebido como um navio multipropósito, capaz de executar várias tarefas de guerra de minas e também de participar de guerra antissubmarino (ASW).

O projeto da classe Koster está testado e extensivamente verificado, com a experiência operacional adquirida por uma infinidade de operações MCM, incluindo aquelas com minas reais e com explosivos submarinos. Sete navios desta classe foram entregues à Marinha Real Sueca e mais quatro para a Marinha da República de Singapura.

Devido à grande variedade de missões de guerra de minas, muitos requisitos específicos foram considerados no projeto do MCMV 47 da classe Koster.

Alguns destes requisitos são:

  • ·         Alta resistência a impactos por explosões submarinas
  • ·         Baixa assinatura
  • ·         Excelente manobrabilidade
  • ·         Proteção nuclear, química e biológica (NBC) plena
  • ·         Compatibilidade eletromagnética (EMC)
  • ·         Acomodações espaçosas e farto suprimento para missões prolongadas


O MCMV 47 da classe Koster está permanentemente equipado para caçar minas e para varredura de minas. O navio é um poderoso sistema de combate MCM que suporta ambos os modos de operação. Quatro tipos diferentes de veículos submarinos são utilizados para detectar, identificar, classificar e neutralizar qualquer tipo de mina. Para varredura de minas, a classe Koster está equipada com uma varredura mecânica e serve como uma plataforma de comando e controle para drones não tripulados para varredura de minas. Isto inclui o sistema SAM, que é utilizado para varredura de minas magnéticas, elétricas e acústicas.

Dependendo dos requisitos do cliente, o sistema pode ser composto por:

  •  Sistema de comando e de controle para MCM
  •  Sistemas de sonar para caçar minas, como o Sonar de Casco (HMS) e o Sonar de Profundidade Variável
  • · Autopropulsado (PVDS), também conhecido como
  • · Veículo Sonar Operado Remotamente (ROV-S)
  • · Sistema de posicionamento submarino
  • · Sistemas de eliminação de minas, incluindo
  • · Veículos de Eliminação de Minas (MDV)
  • · Varredura Mecânica de Minas
  • · Provisões para controle remoto do sistema
  • · SAM de varredura de minas
  • · Câmara hiperbárica e provisões para mergulhadores de desativação de minas
  • · Sistemas de navegação
  • · Sistema de comunicação


ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS do MCMV 47

COMPRIMENTO TOTAL = 47,5 m
BOCA                                = 9,6 m
CALADO                           = 2,3 m
DESLOCAMENTO           = 400 toneladas
VELOCIDADE                  = 15 nós
CASCO                            = Sanduiche de GRP

MOTORES PRINCIPAIS

Quatro motores a diesel de 300 kW

HÉLICES

Duas Hélices Cicloidais Voith

ARMAMENTO

Canhão de 40 mm

TRIPULAÇÃO

29 homens



O projeto MCMV ainda passou por um programa de aprimoramento que resultou em uma nova embarcação mais completa e capaz, denominada MCMV -52.

Os principais aprimoramentos no MCMV 52 incluem o aumento do comprimento total (LOA) em 5 m, totalizando 52,5 m. Isto cria mais espaço para a tripulação e para os sistemas, aprimorando as condições navegabilidade e garantindo uma margem de crescimento para o futuro. O MCMV 52 manterá as linhas básicas do casco do já comprovado MCMV 47 da classe Koster.

Seu projeto está em conformidade com as regras da DNV, que estabelece um novo padrão de garantia da qualidade, proporcionando uma revisão independente do projeto por terceiros. O MCMV 52 possui uma área de acomodações aumentada, projetada para acomodar até 51 pessoas em um sistema de 3 funções, com boa separação.

O navio da classe Koster aprimorado possui um castelo de proa fechado, que protege o convés de proa contra a entrada de água do mar (green water). Há um hangar para armazenamento e manutenção dos veículos caça-minas existentes e futuros, com fácil acesso para o guindaste de lançamento no convés de popa.

Ele possui instalações de mergulho aprimoradas, incluindo uma câmara de descompressão de mergulho para até duas pessoas. Há um propulsor de proa, com assinatura reduzida, para uma capacidade aprimorada de manobra em portos e de posicionamento durante a caça a minas, em diferentes velocidades e direções de vento.

Essencialmente, ele é composto por:

  • ·Mesmo formato e tipo de construção do casco (sanduíche de GRP), e mesmos métodos associados de fabricação do já comprovado MCMV 47 da classe Koster;
  • ·Mesma propulsão (4 motores a diesel com 2 hélices Cicloidais Voith) e arranjo de potência;
  • ·Mesmas medidas de redução de assinaturas e de resiliência a impactos;
  • ·Uma cabine de caça a minas muito similar, porém estendida;
  • ·Possibilidades de crescimento aprimoradas para requisitos futuros de veículos e equipamentos ainda não atribuídos.


De fato o MCMV tanto no modelo 47 quanto o 52 seriam uma excelente aquisição para reaparelhar nossa força naval com um meio moderno e eficaz afim de projetar uma força capaz e moderna, principalmente se levarmos em consideração questões estratégicas envolvidas, como a nova base de submarinos e os novos meios submarinos de nossa marinha, que estariam bem guarnecidos pelo serviço de varredura e caça-minas de um meio moderno e capaz de fazer frente as modernas ameaças na guerra naval do século XXI. 

Segundo informações extra oficiais, a SAAB deverá ofertar esta classe de navios á Marinha do Brasil em ocasião oportuna, como houve a certo tempo atrás a oferta de duas embarcações excedentes da marinha sueca, porém, na ocasião a Marinha do Brasil não demonstrou interesse na aquisição devido ao fato de ter de realizar todo processo de modernização nas embarcações, apesar de estar em ótimo estado de conservação. A próxima cartada sueca será a oferta de embarcações novas produzidas de acordo com os requisitos emitidos pela Marinha do Brasil. Esperamos que logo seja possível retomar os programas de reaparelhamento da nossa esquadra, uma vez que diante da grave crise político-econômica que o país enfrentou recentemente, as forças armadas sentiram de forma bruta o impacto sobre suas dotações orçamentárias.



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