sexta-feira, 30 de setembro de 2016

DUKWs e CamAnf - Caminhão ou barco : Ambos!!!

Recentemente em minhas idas e vindas, me deparei com um veículo curioso, tratava-se de um caminhão anfíbio da Segunda Guerra, achei muito interessante e quando cheguei em minha casa passei a pesquisar sobre a curiosa viatura, a qual também serviu a Marinha do Brasil, sendo empregada pelo Corpo de Fuzileiros Navais. Contatei o CCSM e solicitei informações sobre a viatura e seu histórico no CFN.

Os DUKW originalmente desenvolvidos pela GMC durante a Segunda Guerra mundial, apesar de seu nome lembrar a palavra “pato” em inglês, trata-se de uma sigla para os veículos militares da época, onde a letra D corresponde ao ano de 1942, U corresponde a categoria do veículo sendo Utilitário, K define o tipo sendo um Veículo sobre rodas e W significa que possui dois eixos de hélices traseiros.

O mesmo surgiu da necessidade de um veículo anfíbio capaz de se deslocar tanto por terra como por mar, realizando a ligação entre os navios e a cabeça de praia, sendo capaz de transportar tanto tropas como cargas e equipamentos ao teatro de operações, além disso o mesmo deveria ser capaz de transpor cursos de águas e rios onde não houvessem pontes disponíveis para travessia. A GMC venceu o contrato e passou a construir o GMC DUKW 353, projetado por Rod Stephens Jr, que adotou o chassis GMC 353 de 2,5 Ton. Equipado com o motor 269 de 6 cilindros em linha, que desenvolvia 94cv e uma caixa de 5 marchas. A versão original podia transportar ate 12 homens completamente equipados e contava com uma posição para fixação de uma metralhadora .50 para sua proteção, lembrando que o mesmo não possuía blindagem, mas recebeu algumas placas afim de reduzir esse ponto fraco da viatura.

Com o passar do tempo a viatura ganhou novas atualizações e versões de maior capacidade chegando a versão capaz de embarcar 59 homens equipados ou cargas com igual peso, sendo capaz de transportar até mesmo um Jeep 4x4 de ¼ Ton. O desempenho em estradas era muito bom para época, chegando aos 80km/h e no mar uma velocidade de ate 10km/h. Ao longo de sua produção, o DUKW teve cerca de 21.147 viaturas produzidas.

Mas vamos abordar a sua chegada e atuação no Brasil. Tendo sido oriundos da França, excedentes das viaturas do tipo na Europa, foram incorporadas 34 viaturas ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) em novembro de 1970 e foram embarcados rumo ao Brasil pelo porto de Antuérpia, na Bélgica.

O veículo podia operar tanto na água quanto em terra e possuía a forma de um barco. A capacidade para transporte da versão adquirida pelo CFN era de até 59 homens totalmente equipados (ou o equivalente em cargas), como um jeep 4x4, de ¼ de tonelada, e mais um pequeno efetivo de soldados, sendo de grande valia nas operações de desembarque realizadas naquela época.



Assim como se deu em diversos países em que operou, o grande sucesso do DUKW resultou na concepção de uma viatura nacional semelhante, tendo por base seu desenho, o que levou a empresa brasileira “Biselli Viaturas e Equipamentos Industriais LTDA” a projetar e construir em série de viaturas substitutas muito similar aos DUKWs originais. Esses estudos tiveram início em 1978 e o novo veículo recebeu a denominação de CamAnf (Caminhão Anfíbio), projetado sobre o chassis de um caminhão Ford F-7000, com capacidade de transportar até cinco toneladas de carga em terra ou águas calmas. Em mar agitado, essa carga teria de ser reduzida para 2,5 toneladas. 

A adoção de um novo motor diesel, o Detroit 4-53 N, de 145cv, tornou a versão desenvolvida no Brasil muito superior ao DUKW original, seja na versatilidade, seja na adoção de um guincho traseiro de duplo emprego, capaz de puxar cargas atrás e à frente, graças a uma cobertura por onde passa o cabo de reboque.

A velocidade em terra era um pouco inferior ao DUKW americano, chegando aos 72 km/h e mas na água tinha um desempenho sensivelmente melhor, alcançando 14 km/h, com autonomia de 480 km e até 18 horas de navegação, com um peso aproximado de 13.500 kg. Os pneus eram à prova de impactos de projetis, com rodagem simples, com sistema de inflar e desinflar em qualquer tipo de terreno. Possuía um sistema elétrico de 12 volts, com tração 6x6 e direção hidráulica.

A produção inicial previa algo em torno de 25 viaturas, porém, apenas cinco foram construídos e operados pelo CFN. Sua carroceria era toda de aço laminado a frio, com estrutura de proa reforçada. Eles prestaram bons serviços ao CFN, mas nunca chegaram a ser produzidos em série, devido ao surgimento de veículos mais modernos e blindados, como, por exemplo, os CLAnf, que vieram a substituir estas viaturas no CFN em 1988.

Linha de montagem do CamAnf 

Infelizmente não consegui rastrear o paradeiro destas 5 viaturas, restando apenas alguns DUKWs originais expostos. Os CamAnf poderiam ter sido direcionados á Defesa Civil, tendo em vista suas características únicas e de grande valor em operações de resgate em casos de calamidade pública, como inundações e cheias que atingem diversas áreas do Brasil, seguindo o exemplo da opção de sua utilização no resgate as vítimas do furacão Katrina nos EUA.

Em particular, eu gostaria muito de conseguir adquirir uma dessas viaturas, primeiramente com intuito de preservar parte da história de nossa indústria e do nosso CFN, segundo por meu interesse de apresentar a mesma ao público geral em eventos e mesmo proporcionar aos nossos amigos a oportunidade de realizar um passeio em Búzios ou outras belas cidades de nosso litoral embarcados em um meio que foi de grande valor na história, tendo sido um tipo de viatura que com certeza contribuiu de maneira considerável nas operações lá atrás, na Segunda Guerra Mundial, onde pode desembarcar tropas e meios sem os quais a vitoria aliada seria muito mais difícil.

                          Ficha Técnica (Brasil) :











Por: Angelo Nicolaci, Editor do GBN News, jornalista, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em Geopolítica do Oriente Médio, Rússia e Leste Europeu, estudioso das questões geopolíticas e de defesa brasileira e pesquisador da história militar.


Nota de agradecimento: Quero agradecer a equipe do Centro de Comunicação Social da Marinha do Brasil, a qual me forneceu alguns dados para a concepção desta matéria.

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