segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Sem visto não tem jeito

Uma lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff pode colocar em risco a segurança durante os Jogos Olímpicos Rio-2016. Segundo o projeto de lei 3.161 de 2015, aprovado em 24 de novembro, turistas estrangeiros poderão entrar no País sem visto até 18 de setembro de 2016, com prazo máximo de estada de até 90 dias. A medida tem como objetivo estimular a vinda de estrangeiros ao Brasil no próximo ano. Até agora se estima que 500 mil turistas internacionais devam aportar por aqui durante a Olimpíada. Mas o Ministério do Turismo acredita que a isenção de vistos pode aumentar esse número em 20%. O texto do projeto, no entanto, afirma que a isenção de visto não depende da comprovação de compra de ingressos para acompanhar os Jogos.
De acordo com o Ministério do Turismo, a suspensão da necessidade de visto deve valer apenas para países com “forte tradição olímpica e que já realizaram Jogos”. Por enquanto ainda não estão definidos quais países serão agraciados pela decisão, mas, em nota, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, sinalizou que cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália devem ser liberados da obrigação. Ainda segundo o Ministério, a suspensão do visto deve valer apenas para países que não ofereçam riscos migratórios ou ameaça à segurança nacional.
Na segunda-feira 30, porém, a maior autoridade militar que atua na organização da segurança dos Jogos deixou o cargo. O general José Carlos de Nardi, então chefe do Estado Maior das Forças Armadas foi afastado do posto pelo ministro da Defesa, Aldo Rebelo. A exoneração ocorreu doze dias após de Nardi declarar ser contra o projeto de liberação de vistos. Para o general, a medida facilitaria a entrada no País de criminosos ou terroristas. De Nardi, que estava há cinco anos no cargo, não comentou sua saída. Já Rebelo declarou que a decisão de substituir o general não foi motivada pela crítica à suspensão de vistos.
Frente à ameaça mundial de terrorismo, todo cuidado é pouco, especialmente em um evento com o tamanho e visibilidade dos Jogos Olímpicos. “O governo tem a responsabilidade de controlar suas fronteiras, especialmente em um momento como esse”, diz Hussein Kalout, professor de Relações Internacionais na Universidade de Harvard. “A isenção de vistos tem de ser compensada com o reforço do aparato migratório e das vistorias feitas pela Polícia Federal nos aeroportos”, diz.

Fonte: Isto É

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