quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Obama volta a pedir ao Congresso que levante embargo contra Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, formulou nesta quinta-feira (17) um novo apelo ao Congresso para que levante o embargo de Cuba. O pedido foi feito no dia em que se comemora o aniversário de um ano da decisão dos dois países para restaurar os laços diplomáticos depois de mais de 50 anos de inimizade da Guerra Fria.
Em julho, EUA e Cuba retomaram suas relações diplomáticas e abriram embaixadas nos respectivos territórios. No entanto, o embargo econômico ainda vigora e seu fim depende da aprovação do Congresso dos EUA. Obama já havia defendido o fim do embargo outras vezes.
Em uma mensagem pelo aniversário do início dos diálogos bilaterais, Obama afirmou que "o Congresso pode apoiar uma vida melhor para os cubanos levantando o embargo, que é o legado de uma política fracassada".

"Hoje, a bandeira americana ondeia novamente em nossa embaixada em Havana. Hoje, mais americanos visitam Cuba e se relacionam mais com cubanos do que qualquer outro momento nos últimos 50 anos", expressou o presidente em nota distribuída pela Casa Branca.

"As mudanças não ocorrem da noite para a manhã", afirmou Obama na nota, admitindo a normalização completa das relações bilaterais "será uma longa viagem".
No entanto, manifestou que os últimos 12 meses são um "testemunho do progresso que podemos fazer quando nos conduzimos para um futuro melhor". "No próximo ano, continuaremos neste caminho, dando poder aos cubanos e americanos para que sejam condutores do processo".
Obama acrescentou que Washington "continua tendo diferenças com as autoridades cubanas, que são tratadas diretamente, e sempre defenderemos os direitos humanos e os valores universais que apoiamos em todo o mundo", concluiu.
O embargo comercial e financeiro americano a Cuba, em vigência há meio século, se apoia em um complexo emaranhado legal e burocrático codificado em lei, e cuja revisão está em mãos do Congresso.
No entanto, as duas câmaras, dominadas pelo Partido Republicano, da oposição, não dão sinais de estarem interessadas em iniciar o delicado processo de desentrave legal.

'Ano de repressão'

Organizações de exilados cubanos em Miami declararam que este "foi um ano de repressão" e voltaram a criticar a aproximação entre os dois países, alegando que o povo cubano está pior agora do que há 12 meses. Desde seu anúncio, em 17 de dezembro de 2014, o processo de aproximação tem sido criticado por vários grupos anti-castristas em Miami, que afirmam que só beneficia o governo de Castro.

"Este foi um ano de repressão, um ano de prisão, a repressão aumentou em Cuba", declarou nesta quinta a ativista Bertha Antúnez em uma coletiva de imprensa em Miami, Flórida (sudeste dos EUA).
"No último ano, a vida para o Movimento de Resistência Cívico do povo cubano foi ainda mais difícil, assim como para o povo cubano em geral", afirmou por sua vez Orlando Gutiérrez Boronat, do Diretório Democrático Cubano, em uma carta aberta ao presidente americano Barack Obama.
"Entusiasmado com as concessões unilaterais, o regime aumentou a repressão. As milhares de detenções políticas e o presente êxodo em massa de cubanos são o resultado disso", explicou.
As organizações de exilados cubanos têm tido uma influência reduzida nos últimos anos, enquanto as pesquisas mostram que a maioria dos cubano-americanos são a favor dos contatos bilaterais.

Voos regulares

Mais cedo nesta quinta, EUA e Cuba chegaram a um acordo para restaurar o serviço regular de linha aérea comercial entre os dois países.

Embora o embargo comercial ao país caribenho tenha permanecido, quando as relações diplomáticas foram retomadas, os Estados Unidos anunciaram o desejo de facilitar viagens de americanos a Cuba.
O novo acordo permitirá a continuidade dos serviços de voo charter e facilitará o aumento no número de viagens autorizadas, de acordo com a France Presse. A legislação americana vigente ainda proíbe as viagens de turismo para Cuba, mas abre as portas para a concessão de licenças especiais.
Na época em que o anúncio da reaproximação foi feito, os Estados Unidos anunciaram ainda a autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba assim como a autorização para norte-americanos importarem bens de até US$ 400 de Cuba. O governo norte-americano também deu início de novos esforços para melhorar o acesso de Cuba a telecomunicação e internet.

Possível viagem a Cuba

Nesta semana o presidente americano afirmou em entrevista ao site "Yahoo! News" que está aberto a visitar Cuba em 2016, mas primeiro quer ver se os cidadãos comuns estão usufruindo de mais liberdades.

"Estou muito interessado em ir a Cuba, mas acho que as condições têm que ser as certas", disse Obama. "E o que eu disse ao governo cubano foi 'se, de fato, eu puder dizer com confiança que estamos vendo algum progresso nas liberdades e possibilidades dos cubanos comuns, eu adoraria aproveitar uma viagem como forma de enfatizar esse progresso'".

Nesta quinta, uma autoridade sênior do Ministério das Relações Exteriores cubano disse que Obama é bem-vindo para visitar Cuba, mas não para interferir em assuntos internos.

"Gostaria de lembrar que Cuba sempre disse... que não irá negociar questões inerentes ao seu sistema interno, em troca de melhorias ou normalização das relações com os Estados Unidos", disse Josefina Vidal, diretora de questões norte-americanas no Ministério das Relações Exteriores cubano.

Fonte: G1 Notícias

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