quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

China anuncia construção de segundo porta-aviões

A China está construindo o seu segundo porta-aviões, anunciou nesta quinta-feira (31) o ministério da Defesa, num momento em que Pequim desenvolve as capacidades de sua marinha em um contexto de disputas marítimas com vários dos seus vizinhos.
Este navio, de concepção inteiramente chinesa, está em construção na cidade de Dalian, no nordeste do país, segundo Yang Yujun, porta-voz do ministério da Defesa, em uma coletiva de imprensa.
Esta confirmação ocorre após meses de especulações sobre esta construção.
O exército chinês, que tem aumentado consideravelmente seu poderio, é considerado a segunda força militar mundial atrás dos Estados Unidos.
A China, que quer competir com a poderosa US Navy no Pacífico, trabalha na construção de grupos aeronavais em torno de vários porta-aviões, um programa pioneiro de centenas de bilhões de euros.
O primeiro porta-aviões da China, Liaoning, é um navio construído há mais de um quarto de século na União Soviética, inacabado por causa do colapso da União Soviética e, finalmente, comprado pela China.
Tendo entrado em serviço em setembro de 2012, depois de anos de reformas e melhorias, tornou-se o símbolo das ambições marítimas do exército chinês.
Visitado pelo ex-secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, em 2014, serve atualmente como base para treinamento de militares chineses.
Yang indicou que o novo navio será de propulsão convencional, e não nuclear, e que transportará os Shenyang J-15, um avião de combate da aeronáutica chinesa.
"O projeto e a construção do segundo porta-aviões assimilou as experiências úteis do Liaoning em matéria de pesquisa e treinamento", informou Yang.
"Isso permitiu avanços e melhorias em muitos domínios", acrescentou.
"Uma marinha necessita de quatro (porta-aviões) para estar segura de que pelo menos um estará pronto para combate", observa Steve Tsang, especialista em política chinesa na Universidade de Nottingham, em uma declaração à AFP.
Muitas disputas opõem a China a seus vizinhos regionais, incluindo Filipinas e Japão sobre a soberania do Mar da China Meridional e Mar da China Oriental.
As autoridades chinesas reivindicam direito de soberania sobre quase todo o Mar da China Meridional, baseando-se em documentos históricos e mapas antigos - uma fonte de disputas territoriais, em particular com as Filipinas e Vietnã.
Essa zona tornou-se palco de uma verdadeira disputa entre chineses e americanos: Washington provocou Pequim nos últimos meses com o envio de um destróier e de um bombardeiro B-52 nas proximidades das ilhas artificiais que Pequim tem construído em recifes do arquipélago Spratly, chamado de "Nansha" em chinês.
Washington acredita que essas instalações militares são uma ameaça à liberdade de navegação na área.
A China também tem relações tensas com o Japão sobre questões de soberania no Mar da China Oriental.
Pequim e Tóquio disputam o controle das ilhas Senkaku, administradas pelo Japão, mas reivindicadas pela China sob o nome de Diaoyu.

Fonte: AFP

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