terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Kalibr, o míssil lançado na mídia

A Rússia e os Estados Unidos são os únicos países do mundo que dominam o ciclo completo da produção de mísseis de cruzeiro. Entre os diversos escritórios russos envolvidos no desenvolvimento de mísseis, o maior deles é o KB Novator, em Iekaterinburgo, que ganhou fama durante a atual incursão na Síria.

No início de outubro, navios de guerra russos lançaram, a partir do mar Cáspio, um ataque com mísseis de cruzeiro contra alvos militares do Estado Islâmico (EI) na Síria. Depois de voarem quase 1.500 km sobre o território de dois Estados (Irã e Iraque) e atingirem os alvos com precisão cirúrgica, os poucos conhecidos mísseis de cruzeiro Kalibr, desenvolvidos nos Urais, ganharam fama mundial.
O propósito desse tipo ataque foi uma demonstração de poder militar e tecnológico, garantem os observadores, já que a existência de armas como essa no arsenal russo altera os planos estratégicos de outras grandes nações. Mas as características técnicas e táticas de desempenho de tais mísseis são mantidas como segredo de Estado.
Erro aproximado da queda de míssil russo a partir do mar Cáspio não excedeu 2mts Foto: AP

Pode-se, assim, analisar somente o desempenho dos modelos exportados do Kalibr, que são obviamente inferiores aos presentes no Exército russo. Com 8 metros de comprimento e 2 toneladas, esses grandes mísseis alcançam 3.000 km/h e são três vezes mais rápidos que a velocidade do som.
Porém, se as versões para exportação têm limite de 300 km de alcance, os lançamentos do mar Cáspio mostraram que outros mísseis da KB Novator não só podem atingir alvos para além de 2.500 km, como são comparáveis ao análogo norte-americano Tomahawk.
Perigo do mar
Além do Kalibr, a KB Novator desenvolve toda uma linha de produtos de alta qualidade. Um dos maiores projetos é o complexo de mísseis de utilização marítima Granat, conhecido mundo afora como Garnet.
Esse míssil, que possui mais de 8 metros de comprimento e pesa quase 1,5 toneladas, é lançado através dos tubos de torpedo em submarinos. Segundos após o lançamento, o míssil descarta seu invólucro especial e emerge da água a uma velocidade superior a 3.000 km/h.
Devido aos materiais utilizados em sua fabricação, o míssil reflete pouca irradiação eletromagnética, evitando não só a sua detecção, como qualquer contra-ataque imediato.
A carga de combate do Garnet, que pode ser nuclear, atesta o alto desempenho do armamento e representa uma séria ameaça aos inimigos.
70 anos na disputa
Além dos mísseis de cruzeiro, a KB Novator fabrica ainda foguetes terra-terra de 152mm, sistemas de mísseis antiaéreos Buk e S-300, bem como instrumentos de pesquisa meteorológica.
Diferentes versões do sistema antiaéreo S-300 são usadas por mais de 10 países Foto: Váleri Melnikov/RIA Nôvosti

Desde o momento de sua fundação, sob o nome de Unidade de Engenharia Nº 8 das Plantas Urais, em 1947, a empresa mantinha os canhões na linha de frente da produção.
Ao longo das décadas de 1950 e 1960, o foco foi alterado: a artilharia de tubo logo perdeu eficácia frente aos mísseis, cuja tecnologia se mostrou mais adequada a destruir alvos aéreos, de superfície e submarinos.
Sistema Buk é usado também por China e Venezuela, entre outros países. Foto: Váleri Mélnikov/Ria Nôvosti

Atualmente, a KB Novator conta com mais de 2.500 funcionários e possui um faturamento anual de 300 milhões de dólares obtido por meio de fornecimentos aos exércitos russo e estrangeiros.
 Fonte: Gazeta Russa

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