segunda-feira, 16 de maio de 2016

Problemas técnicos teriam causado falhas em operações na Síria

Em uma reunião com oficiais militares e chefes do complexo militar-industrial, no último dia 10, o presidente Vladímir Pútin abordou as falhas nas operações do Exército russo durante a campanha síria.
“Uma investigação aprofundada de cada uma delas [falhas] deve ser realizada, quero dizer, uma investigação profissional, uma análise mais completa”, declarou Pútin, sem especificar quais dificuldades teriam sido enfrentadas pelas tropas russas.
Mais tarde, porém, o porta-voz do presidente, Dmítri Peskov, concedeu detalhes que permitem interpretar o discurso de Pútin. “Trata-se, em primeiro lugar, da operação de certos equipamentos, do trabalho de certos sistemas técnicos”, citou o porta-voz.
Apesar dos incidentes, tanto Pútin como os especialistas elogiaram, de um modo geral, o nível de organização e condução de operações na Síria.
Segundo o presidente, desde o início da operação, as Forças Aeroespaciais russas realizaram mais de 10 mil missões e destruíram mais de 30 mil alvos, incluindo cerca de 200 instalações para extração e processamento de matérias-primas.
Dificuldades técnicas
Grande parte dos especialistas russos compartilham da visão de Peskov de que os problemas mencionados foram, sobretudo, de natureza técnica, envolvendo equipamento usado pela primeira vez em combate.
“Os fabricantes receberam todas as informações necessárias e foram encarregados de proceder imediatamente de modo a corrigir os problemas sistêmicos, e evitar essas deficiências na produção em série”, disse à Gazeta Russa o editor chefe da revista russa “Defesa Nacional”, Ígor Korotchenko.
Entre os equipamentos usados pela primeira vez em combate na Síria estão os caças Su-35S, os helicópteros de combate Mi-28 “Caçador Noturno” e Ka-52 Alligator, e os mísseis de cruzeiro Kalibr (lançados de navios de guerra da frota do mar Cáspio e do submarino Rostov-no-Don).
Segundo o analista militar da Tass, Víktor Litóvkin, apesar de os tipos específicos de equipamento não terem sido nomeados na reunião, os generais e representantes do complexo militar-industrial presentes “compreenderam, de imediato, a quem e a que as palavras do presidente foram destinadas”.
O incidente com o bombardeiro Su-24 abatido por um caça turco no ar ao longo da fronteira com a Síria, em novembro de 2015, é uns desses casos, segundo Litóvkin.
“Os voos de bombardeiros no início da operação eram conduzidos com a violação das regras de voo – eles deveriam ser sempre cobertos por caças no ar durante todo o percurso de combate”, diz. “Isso não era feito até a tragédia acontecer.”
Outra falha evidente teria sido a queda do helicóptero militar Mi-28N na região de Homs, em abril passado. “O episódio aconteceu por um erro dos pilotos sobrevoavam um terreno difícil em condições de plena escuridão”, afirma Litóvkin.
“Sem dúvida, essa é uma situação de exceção. Mesmo assim, o comando de operação na Síria teve que responder ao Estado-Maior pelo incidente e também foi questionado sobre o nível de formação dos pilotos russos.”

Fonte: Gazeta Russa

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