sexta-feira, 27 de maio de 2016

Por que histórica visita de Obama a Hiroshima não incluiu pedido de perdão por bomba atômica



O presidente dos EUA, Barack Obama, visita nesta sexta-feira a cidade japonesa de Hiroshima, onde os Estados Unidos lançaram a primeira bomba nuclear do mundo.
A bomba matou pelo menos 140 mil pessoas e praticamente destruiu a cidade, mas não se espera que Obama peça perdão durante sua passagem por Hiroshima.

A visita, após a reunião de cúpula do G7 no Japão, é a primeira de um presidente americano em exercício.
Obama diz que não irá fazer um pedido de desculpas pelo ataque nuclear, mas irá honrar todos os mortos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
No último domingo, a rede japonesa de TV NHK perguntou a Obama se a visita à cidade japonesa incluiria um pedido formal de perdão.
Obama respondeu: "Não, porque creio que é importante reconhecer que no meio de uma guerra os líderes tomam todo tipo de decisões".
"O trabalho dos historiadores é colocar perguntas e analisá-las, mas eu, que estive nesta posição nos últimos sete anos e meio, sei que cada líder deve tomar decisões muito difíceis, particularmente durante uma guerra", disse o presidente americano.
"Estou indo, primeiro de tudo, para lembrar e honrar as dezenas de milhões de vidas perdidas durante a Segunda Guerra Mundial. Hiroshima nos lembra que a guerra, a despeito da causa ou dos países envolvidos, resulta em sofrimento e perda tremendos, especialmente para civis inocentes", disse Obama em respostas por escrito ao jornal japonês Asahi.
O argumento que prevalece nos EUA desde o ataque - aprovado à época pelo presidente Harry Truman (1945-1953) - é que os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki foram necessários para encerrar a guerra e salvar vidas, embora historiadores questionem essa visão. A maioria dos japoneses acredita que os bombardeios tenham sido injustificados.
A decisão, segundo esse argumento, "salvou vidas" ao evitar que o Japão continuasse combatendo.
A alternativa, diz a tese, seria uma invasão terrestre ao Japão que teria causado muito mais derramamento de sangue, tanto de japoneses como de soldados aliados.
Outra razão de peso, segundo Jennifer Lind, professora de Governo no Datrmouth College (EUA), é que "os EUA, como outros países, simplesmente não pedem perdão".
"Nós nunca nos desculpamos", disse Lind ao jornal The Washington Post. "Os países, em geral, não se desculpam pela violência contra outros países."
A professora lembrou que Alemanha e Japão são exceções neste sentido, pois de alguma maneira já pediram desculpas por suas ações no passado.
Há também a questão das reparações. Um pedido formal de perdão por "erros do passado" pode abrir a porta a reivindicações de compensações financeiras por parte de vítimas desses erros.

Desarmamento

Um dos principais objetivos de Obama em Hiroshima, onde depositou flores em um memorial pela paz, é destacar sua agenda de desarmamento nuclear, pela qual venceu o prêmio Nobel da Paz em 2009.
O presidente americano começou a gestão com uma defesa de um mundo sem armas nucleares, mas hoje reconhece que há muito ainda a ser feito neste sentido.
Obama diz que o acordo nuclear fechado com o Irã no ano passado e a negociação de um novo tratado nuclear com a Russia são importantes passos de sua gestão rumo à redução dos estoques de armas nucleares.
Disse, porém, reconhecer a permanência de ameaças como o programa nuclear da Coreia do Norte e a possibilidade de obtenção dessas armas por grupos terroristas.
"Sabemos que organizações terroristas não teriam escrúpulos se tivessem que usar uma arma nuclear caso coloquem as mãos em uma", afirmou o presidente na quinta-feira. "Então temos muito trabalho."
Para a física Lisbeth Gronlund, do programa de segurança global da ONG americana UCS (sigla em inglês para União dos Cientistas Preocupados, Obama deveria "fazer mais do que promover um belo discurso em Hiroshima sobre desarmamento nuclear".
Mais do que um pedido de desculpas, escreveu Gronlund em seu blog, "o mundo precisa desesperadamente de ações concretas".
"Ele poderia limitar seus planos de gastar mais de US$ 1 bilhão para construir uma nova geração de ogivas, mísseis, aviões bombardeios e submarinos", diz.

Fonte: BBC Brasil

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