sábado, 21 de maio de 2016

"O visitante indesejado" - RC-135 V/W Rivet Joint o "espião" dos céus

Nos últimos meses uma aeronave tem constantemente ocupado as manchetes dos jornais e noticiários devido á sua operação no Báltico e proximidades das fronteiras russas e suas zonas de interesse, o Boeing RC-135. Aeronave que tem sido largamente empregada nos últimos meses pelas forças norte americanas em missões ainda não justificadas ou mesmo com seu teor revelado.

Tais aeronaves tem gerado alertas as defesas aéreas russas e chinesas que constantemente tem enviado em resposta seus caças Su-27, Mig-31 e Su-25 para interceptá-los e alertá-los sobre a inconveniência de sua presença por seus anfitriões. Muitos destes encontros tem resultado em reclamações de ambos os lados, onde as tripulações norte americanas constantemente tem denunciado agressividade nas manobras efetuadas pelas aeronaves interceptoras. A maior justificativa para as queixas quanto ás interceptações, se baseiam pelo fato de as mesmas apesar de estar em proximidade as fronteiras e zonas de interesse, tais aeronaves se mantém em espaço aéreo internacional. Posição a qual impede que as aeronaves interceptoras possam fazer nada além de acompanhar os RC-135 em seu vôo durante sua passagem nas proximidades suas fronteiras.

O GBN neste artigo vai apresentar um pouco sobre essa misteriosa aeronave norte americana que tem despertado a curiosidade de nossos leitores a cada aparição da mesma em nossas manchetes.

O projeto do Boeing RC-135 resultou na verdade em uma família de aeronaves de reconhecimento e inteligência desenvolvidas pela Boeing e que tem estado a serviço da USAF e mais recentemente da RAF. Construídos sob a plataforma do C-135 Stratolifter, diversas versões desta aeronave foram desenvolvidas para atender as necessidades da USAF, tendo iniciado sua carreira ativa nos anos 60.

O RC-135 apesar de ter tido como plataforma o C-135, deu origem a uma nova plataforma, conhecido internamente na Boeing como model 739, diferindo então dos seus parentes, o C-135 e KC-135, que tem sua plataforma designada por model 717.

A primeira variante do RC-135, foi resultado da necessidade de substituição dos RB-50 Superfortress, resultando em 1962 na encomenda de 9 aeronaves RC-135A, porém essa primeira versão teve seu número reduzido com apenas 4 exemplares entrando em operação, tendo sido produzidos sobre designação Boeing 739-700, as cinco células restantes foram convertidas em variantes do KC-135A. 

Inicialmente estas aeronaves da primeira versão, foram equipadas com motores Pratt & Whitney – J57, seguindo o utilizado pela versão KC-135. Porém o RC-135A não possuía qualquer sistema de reabastecimento, e foram dotados de câmeras e sistemas ópticos para cumprir sua missão de reconhecimento e aerofotogrametria.

A segunda versão do RC-135 atendeu a necessidade da USAF de substituir os seus RB-47H Stratojet, recebendo a denominação de RC-135B, a nova variante do Boeing iria ser usada para cumprir missões de inteligência eletrônica, ELINT, para tal a nova variante passou por um processo de remotorização, sendo os P&W J57 substituídos pelos mais modernos turbofans TF-33 da Pratt & Whitney. A nova versão RC-135B teve 10 exemplares produzidos ao todo, sendo entregues á partir de 1965 a Martin Aircraft, empresa responsável pela instalação da suíte eletrônica e sistemas de missão da aeronave. Assim em 1967 foi iniciada a entrega das 10 aeronaves RC-135 novas, porém receberam uma nova denominação, não mais RC-135B como previsto, mas como RC-135C, estas foram as últimas aeronaves RC-135 produzidas originalmente para desempenhar essa função de fábrica, as demais aeronaves e versões do RC-135 foram oriundas de modernizações de aeronaves RC-135 existentes ou de aeronaves C-135 e KC-135 convertidas.

Ao todo foram criadas 14 versões do RC-135, das quais hoje existem apenas 14 aeronaves RC-135 V/W Rivet Joint operacionais e no estado da arte. As atuais aeronaves RC-135 passaram por um extenso processo de modernização, que envolveu não só uma atualização de sua arquitetura eletrônica que o capacita a operações ELINT,SIGINT e COMINT.


O RC-135 dispõe de uma cabine totalmente digital, tripulado por 27 pessoas, incluindo pilotos, oficiais de guerra eletrônica, operadores de inteligência e técnicos de manutenção durante o voo.

Ele também está equipado com um sistema de tráfego de alerta anti-colisão, rádios UHF, antena de satélite, um sistema AEELS e uma câmara de electro-óptica, tendo sido dotada de modernas suítes eletrônicas, com capacidade de operar LINK11 e LINK16, além de ter recebido um novo conjunto de aviônicos digitais, tornando o RC-135 uma aeronave moderna e capaz.

Os turbofans P&W TF-33 foram substituídos por modernos F-108 versão militar dos CFM-56 civis, algo que não foi tarefa fácil, uma vez que as células dos RC-135 tiveram de realizar uma extensa revisão e modificações estruturais para receber a nova motorização, ponto importante para manter os mesmos operacionais e atendendo as normas internacionais rigorosas quanto a emissão de ruídos e poluentes. A nova motorização conferiu ao RC-135 uma redução de 15% no consumo de combustível, ampliando o raio de ação da aeronave.

O RC-135 foi figura presente nos principais conflitos que os EUA participaram, tendo sido peça importante no Vietnã, Guerra do Golfo, Bósnia e atualmente na Ásia, Oriente Médio e leste europeu.

Os atuais RC-135 V/W Rivet Joint são as principais ferramentas da USAF para coleta de dados e C4I, sendo a ponta de lança da inteligência, capaz de fazer uma ampla analise de sistemas múltiplos operados por seu oponente, pode desenhar um mapa detalhado das capacidades adversárias e seus meios de defesa, bem como analisar o espectro de sinais e seus sistemas de defesa, monitorar comunicações e trafego de dados, representando uma ameaça real e imediata, sendo este um dos pontos mais relevantes que justifica o alerta e interceptação das mesmas por nações que detectam tais aeronaves operando nas proximidades de suas fronteiras.

Em 19 de Março de 2010, o Ministério da Defesa britânico adquiriu três aeronaves KC-135T que serão convertidos em RC-135W Rivet Joint, juntamente com os sistemas terrestres associados para executar missões de inteligência de sinal (SIGINT/ELINT) para a RAF. As entregas começaram em novembro de 2013 e continuará até 2018. As tripulações britânicas estão voando em conjunto com as tripulações norte americanas afim de receber o treinamento necessário na operação deste novo meio.

Estima-se que o RC-135V/W Rivet Joint continue operacional por ainda algumas décadas, sendo provável que este formidável “espião” continue a soar os alertas de bases aéreas ao redor do mundo até 2030, quando provavelmente chegará ao fim de sua vida útil e terá de dar lugar a uma plataforma mais moderna e eficaz.




Características
·        Tripulação: 27
·        Comprimento: 41,53 m
·        Envergadura: 39,88 m
·        Altura: 12,70 m
·        Área da asa: 226 m²
·        Tara: 79.545 kg (versão V/W)
·        Peso carregado: 135.000 kg
·         Peso de decolagem: 146.000 kg
·        Motorização: 4 turbofans × CFM F-108-CF-201, 22.000 lbf (96 kN) unitário
Desempenho:
·        Velocidade máxima: 933 km/h
·        Raio operacional: 5.550 km
·        Teto de serviço: 50.000 pés (15.200 m)
·        Taxa de subida: 4.900 pés/min (1.490 m/min)




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