sábado, 7 de maio de 2016

Erdogan diz que não vai alterar lei de terrorismo da Turquia para agradar UE

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse à União Europeia nesta sexta-feira que não irá alterar a lei de terrorismo de seu país tal como exigido pelo termos de um acordo para conter a imigração, e declarou: "Estamos seguindo nosso caminho, sigam o de vocês".
Seu pronunciamento incendiário será um golpe em qualquer esperança das capitais europeias de que tudo continuará o mesmo nas relações com a Turquia depois que o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, que negociou o pacto imigratório com a Europa e que vinha cumprindo os compromissos de seu país até agora, anunciou que irá renunciar.
Na quarta-feira, a UE pediu a seus Estados-membros que dispensem os vistos de entrada a cidadãos turcos como retribuição por Ancara estar impedindo a entrada de imigrantes vindos da Grécia na Europa, mas disse que primeiro a Turquia ainda precisa mudar algumas leis, e também alinhar suas leis antiterrorismo aos padrões do bloco.
"Bem quando a Turquia está sob ataque de organizações terroristas e das potências que as apoiam diretamente, ou indiretamente, a UE está nos pedindo para mudar a lei de terrorismo", disse Erdogan durante um discurso na abertura do escritório de um governo local em Eyup, bairro conservador de Istambul.
"Eles dizem 'irei abolir os vistos, e esta é a condição'. Lamento, estamos seguindo nosso caminho, sigam o de vocês. Concordem seja lá com quem for que conseguem concordar", afirmou.
Erdogan está ciente de que a dispensa de vistos de viagem é, para muitos de seus compatriotas, o maior benefício do acordo de Ancara com a UE.

A saída de Davutoglu consolida o poder de Erdogan, que já criticou muito a UE no passado e que é visto em Bruxelas como um parceiro de negociações muito mais duro e menos comprometido com a ambição turca, demonstrada nos últimos anos, de se filiar ao bloco.  
Para obter a liberação dos vistos, a Turquia ainda precisa cumprir 72 dos critérios impostos pela UE sobre todos seus membros já dispensados do documento, uma das quais é especificar sua definição legal de terrorismo.
Grupos de direitos humanos dizem que a Turquia utiliza leis antiterrorismo abrangentes para silenciar os dissidentes, entre eles jornalistas e acadêmicos que criticam o governo. Mas Ancara insiste que as leis são essenciais para o combate a militantes curdos em seu território e à ameaça do Estado Islâmico nos vizinhos Síria e Iraque.

Fonte: Reuters

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