quarta-feira, 4 de maio de 2016

Com fim do cessar-fogo, capital síria tem bombardeios e combates

Os bombardeios da aviação síria e os combates no reduto rebelde do leste de Damasco foram retomados nesta quarta-feira (4) após a expiração durante a noite do cessar-fogo acordado na semana passada na zona, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O exército sírio realizou ao menos 22 bombardeios contra a Ghuta Oriental na manhã desta quarta-feira, enquanto as forças do regime e os grupos rebeldes retomaram os combates, indicou a ONG.

Os combates se concentram em Deir al Asafir, uma localidade onde 33 pessoas, 12 delas crianças, morreram em março em bombardeios do regime de Bashar al-Assad.

Não foi divulgado nenhum balanço após a retomada dos confrontos.

Moscou e Washington, que apoiam respectivamente o regime e os rebeldes, acordaram na semana passada um congelamento dos confrontos de 24 horas, renovado duas vezes para a Ghuta Oriental e a província ocidental de Latakia. Nesta última província, não foram registrados ataques nesta quarta-feira.

Bombeiros e moradores no local onde um projétil caiu e atingiu o hospital Dubeet, em Aleppo, no norte da Síria, na terça-feira (3) (Foto: SANA via AP)Bombeiros e moradores no local onde um projétil caiu e atingiu o hospital Dubeet, em Aleppo, no norte da Síria, na terça-feira (3) (Foto: SANA via AP)

Aleppo

Apesar da intensificação dos esforços diplomáticos para tentar restabelecer a trégua na Síria, as forças do regime sírio e os grupos rebeldes protagonizaram combates violentos na madrugada desta quarta na periferia da cidade de Aleppo, segundo a France Presse.

Na cidade, o principal cenário do conflito nas últimas semanas, uma coalizão de grupos rebeldes chamada "Fatah Halab" ("A conquista de Aleppo") iniciou na terça-feira (3) uma ofensiva contra os bairros da zona oeste, controlados pelo regime.
"São os combates mais violentos em Aleppo em mais de um ano", afirmou o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.
Os confrontos prosseguiram durante toda a noite, com disparos de artilharia e bombardeios aéreos.
"Não acredito que os bombardeios vão cessar, porque a decisão de interrompê-los não está nas mãos de Assad, e sim nas mãos de seu aliado russo. Não parece que a Rússia deseja que a calma retorne a Aleppo", disse Mahmud Sendeh, um militante de 26 anos que mora em um dos bairros controlados pelos rebeldes, em referência ao presidente sírio.
Mas o governo russo afirmou na terça-feira que deseja obter um cessar-fogo nas próximas horas em Aleppo.
Mais de 270 pessoas morreram nos últimos 12 dias na cidade, dividida em setores rebeldes e governamentais.
Desde 2012, Aleppo, a segunda maior cidade do país, está dividida entre áreas controladas pelo regime e áreas controladas pelos rebeldes.
Os grupos rebeldes dominam a periferia oeste, enquanto as forças do regime cercam quase todos os bairros rebeldes ao leste.
Últimos dias

Na segunda-feira (2), o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que o conflito na Síria está "em muitos aspectos fora de controle". Ele foi a Genebra, na Suíça. na tentativa de salvar a trégua instaurada há dois meses na Síria.

Os bombardeios dos últimos dias atingiram hospitais e uma mesquita. Na terça-feira (3), um ataque rebelde a um hospital, fica em área controlada pelo governo, deixou 19 mortos e cerca de 80 feridos  terça-feira (3).
Na sexta-feira (29), uma clínica médica e uma mesquita foram alvos. Na mesquita, 15 pessoas morreram. Na quarta-feira (27), bombardeios atingiram o hospital Al-Quds, apoiado pela organização Médicos Sem Fronteiras, deixando 50 mortos. Entre eles, estava o último pediatra que atuava na região.

Fonte: G1 Notícias

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