sábado, 4 de abril de 2015

O Congresso dos EUA pode sabotar o acordo nuclear com o Irã?

Integrantes da Casa Branca estão animados com as perspectivas do novo acordo nuclear entre as potências ocidentais e o Irã. Já os republicanos no Congresso continuam céticos.
O Irã e outros seis países – Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha - chegaram a um acordo preliminar sobre uma série de parâmetros para conter o programa nuclear do Irã.
Esses parâmetros devem ser a base para um acordo mais duradouro, que, espera-se, seja fechado em 30 de junho.
Obama classificou os parâmetros como “históricos”. Se o acordo der certo, será um marco na política externa. Mas, primeiramente, o acordo tem de vencer essa resistência em Washington.
“Se o Congresso matar esse acordo sem se basear em análises de especialistas e sem oferecer alternativas razoáveis, os Estados Unidos serão culpados pelo fracasso da diplomacia”, disse Obama.

Atraso

Joseph DeThomas, um ex-conselheiro do Departamento de Estado dos EUA, o Congresso “tem várias maneiras para barrar esse acordo”.
Segundo ele, membros do Congresso podem organizar audiências, chamar testemunhas para falar sobre os perigos do acordo, falhas na estratégia, e, de alguma maneira, “constranger o governo”.
Membros do Congresso também podem se recusar a liberar os fundos necessários para que o acordo seja colocado em prática. E isso poderia atrasar – ou mesmo barrar totalmente – o acordo.
Uma decisão dos congressistas sobre a continuação ou não das sanções contra o Irã também podem afetar o pacto.
Obama defende que as sanções sejam suspensas, mas alguns parlamentares colocaram em xeque a posição do presidente.
Para Zahary Goldman, da Escola de Direito da NYU (New York University), é possível que alguns membros do Congresso decidam a favor de novas sanções. Obama já havia dito que vetaria essa decisão.

'Farsa'

Segundo Goldman, seria uma aposta difícil dos parlamentares, já que seria preciso o apoio de dois terços tanto do Senado quando da Câmara para superar um veto presidencial. Tanto o Senado como a Câmara têm maioria republicana, mas mesmo assim eles precisariam de votos democratas.
O senador republicano Marco Rubio, da Flórida, atacou o acordo. “Essa é uma tentativa de transformar um fracasso diplomático em um caso de sucesso. E é apenas mais um exemplo da farsa que é a maneira que o governo lida com o Irã.”
O governador de Winsconsin, o republicano de Scott Walker, que tem aspirações para concorrer à presidência em 2016, disse que vai invalidar qualquer acordo com o Irã, caso seja eleito.
Para o ex-conselheiro DeThomas, um acordo com o Irã tem se tornado um teste de lealdade para os republicanos.
O democrata Gerald Connolly disse que muitos republicanos já haviam decidido se opor ao pacto com o Irã mesmo antes de analisar os parâmetros discutidos. “É uma postura cínica.”
Para DeThomas, essa atmosfera política poderia acabar inviabilizando o acordo. Ele disse que isso o surpreenderia se ocorresse, mas afirma que recentemente membros do Congresso tomaram passos “pouco comuns” no que diz respeito ao Irã.
Entre os exemplos está o convite ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, para discursar no Congresso e uma carta enviada por republicanos a líderes do Irã, dizendo que o próximo president poderia revogar promessas feitas pelo atual governo.
Se o Congresso conseguir invalidar o veto de Obama e impôr sanções mais duras ao Irã, as consequências seriam amplas.
“O que você acha que outras potências no mundo diriam? Seriam todos contra os Estados Unidos”, disse DeThomas.
Já Goldaman disse: “Colocar mais sanções seria algo destrutivo. Mas o processo de negociação ainda não chegou ao fim.”
E a polêmica também não.
Congressistas vão deixar ainda mais claro suas opiniões nas próximas semanas – e as negociações vão continuar nos próximos meses.

Fonte: BBC Brasil

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