sábado, 4 de abril de 2015

Iranianos consideram pré-acordo histórico; Israel critica

Os iranianos celebraram nesta sexta-feira como histórico o acordo nuclear preliminar assinado com as grandes potências, que foi elogiado pela comunidade internacional, mas criticado por Israel.
Após o anúncio na quinta-feira em Lausanne dos "parâmetros" deste acordo preliminar histórico negociado há 18 meses, o Irã e as grandes potências devem examinar agora as opções e solucionar os complexos detalhes técnicos, com o objetivo de obter um acordo definitivo até a data limite de 30 de junho.
Mas a assinatura do acordo não significa que a confiança é total. Os países ocidentais advertem que qualquer pacto pode ser revisado se Teerã não cumprir sua parte.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exigiu o aumento da pressão sobre o Irã para obter um acordo final melhor, ao mesmo tempo em que destacou a necessidade de Teerã reconhecer o direito a existir de Israel, uma exigência praticamente impossível, já que os dois países são inimigos.
Após as negociações na Suíça, com um papel dominante dos Estados Unidos, país com o qual o Irã não tem relações diplomáticas, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif, e sua equipe foram recebidos como heróis por uma multidão no retorno a Teerã.
"Viva Zarif, viva Araghchi", gritaram, em referência ao ministro e a um de seus assessores, Abas Araghchi.
Zarif acenou com um sorriso para os simpatizantes. Em um breve comentário, ele agradeceu ao guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, o homem que dá a palavra final nas decisões do Irã nas negociações nucleares, por seu "grande apoio".
Rohani fala de nova página e pede respeito às duas partes

Um acordo nuclear global poderia virar uma "nova página" nas relações entre o Irã e a comunidade internacional se ambas as partes cumprirem suas promessas, afirmou nesta sexta-feira o presidente iraniano, Hassan Rohani.

O acordo preliminar prevê "uma nova cooperação no setor nuclear e em outros setores", o que "irá virar uma nova página" nas relações internacionais da República Islâmica, declarou Rohani em um discurso exibido ao vivo pela televisão estatal. "Temos tensões e até mesmo hostilidades com certos países, e aspiramos o fim destas tensões e hostilidades", disse, sem citar os países aos quais fazia referência.
Mas um acordo final, que deve ser redigido até 30 de junho, só será válido "se a outra parte honrar suas promessas", declarou, garantindo que assim "nós iremos honrar as nossas promessas" para chegar a um acordo "equilibrado".
O presidente Rohani defendeu novamente sua equipe de negociação, criticada por alguns líderes conservadores do país por fazer muitas concessões ao Ocidente. "Alguns acreditam que ou lutamos contra o mundo ou nos rendemos às grandes potências. Nós acreditamos em uma terceira opção, podemos cooperar com o mundo", disse ele, afirmando que o projeto de acordo mostra que a abordagem do seu governo foi "eficaz".
Ele também agradeceu ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, por suas "orientações" nas negociações. Khamenei definiu as linhas vermelhas que não deveriam ser cruzadas nas discussões com as grandes potências.
Nas orações nas mesquita, muitos imãs elogiaram o acordo preliminar. "O pacto é uma vitória para nós", afirmou o aiatolá Mohamad Emami Kashani. "A parte ocidental deve saber que enquanto o Irã respeitar seus compromissos, eles devem cumprir suas promessas", completou, em declarações transmitidas pela rádio estatal, no que foi considerado uma mensagem indireta de Khamenei.
O anúncio de quinta-feira foi recebido com gritos e buzinaço em Teerã. As pessoas comemoraram nas ruas com música e o gesto da vitória. Também agitavam lenços brancos.
Críticas

"Agora vamos poder viver normalmente, como o resto do mundo", afirmou Davoud Ghafari, que espera o fim das sanções internacionais que asfixiam a economia iraniana há vários anos. Mas alguns setores criticaram o acordo. "Não é nada equilibrado, é vago a respeito das sanções", afirmou o analista político Mehdi Mohamadi, citado em várias publicações conservadoras.

O acordo preliminar contempla, entre outros pontos, a redução do número de centrífugas no Irã, que passarão de 10.000 ativas a 6.000, e o compromisso de não enriquecer urânio durante 15 anos no complexo nuclear de Fordo, construído em uma montanha, o que significa um difícil acesso e supervisão.
Também prevê que as sanções americanas e europeias serão suspensas a partir do momento em que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar o respeito de Teerã aos compromissos e que serão restabelecidas se o Irã descumprir o acordo.
Até o momento não foi divulgada uma data para o reinício das negociações de um acordo definitivo entre Teerã e o grupo 5+1 (França, Reino Unido, Estados Unidos, China, Rússia e Alemanha).
Prudência

A comunidade internacional saudou o acordo preliminar, mas se mostrou prudente. O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, afirmou que a delicada questão do calendário de suspensão das sanções ainda não está resolvida.

"Os iranianos querem uma suspensão imediata de todas as sanções. Nós afirmamos: devem ser suspensas à medida que respeitarem seus compromissos. Se não respeitarem, evidentemente, voltaremos à situação anterior".
Berlim advertiu que "é muito cedo para festejar", pois ainda não existe nenhuma garantia de êxito final, enquanto Moscou afirmou que está disposto a fornecer combustível aos reatores de fabricação russa no Irã, mas admitiu que "ainda resta muito por esclarecer".
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, citou um "acordo sólido, que bloqueia todas as vias para uma bomba atômica".
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que enfrenta as críticas republicanas ao acordo, destacou um "acordo histórico", mas ressaltou que deve ser objeto de "verificações sem precedentes" no que diz respeito a sua aplicação.
No Oriente Médio, a Arábia Saudita, que lidera as monarquias sunitas do Golfo que têm receio do Irã xiita, afirmou que espera uma "acordo definitivo restritivo" para o Irã. A Síria, aliada de Teerã, elogiou o anúncio.
Fonte: AFP

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