quarta-feira, 8 de abril de 2015

Acidente que matou filho de Alckmin foi o 4º com modelo, diz fundação

O acidente que matou o filho do governador Geraldo Alckmin e outros quatro ocupantes na última quinta-feira (2) é o quarto já registrado com a aeronave Eurocopter EC-155 em todo mundo e o que teve o maior número de vítimas. Os dados são da organização Flight Safety Foundation (FSF), que reúne incidentes da aviação.
A queda da aeronave em que voava Thomaz Alckmin, em um condomínio fechado de Carapicuíba, na Grande São Paulo, é a única registrada com um helicóptero do tipo no Brasil, segundo a entidade. Os outros acidentes foram na Alemanha (2013), na Turquia (2011) e em Hong Kong (2003), somando quatro mortes.
Dos quatro acidentes já registrados, três foram durante o voo e um, em Berlim, durante o pouso, após a colisão com outra aeronave em um exercício policial. Nos acidentes da Turquia e de Hong kong, os helicópteros se chocaram contra montanhas.
De acordo com a Helibras, responsável por comercializar no Brasil os helicópteros do consórcio francês Airbus Helicopters, o primeiro EC-155 produzido no mundo entrou em operação em 1999. No Brasil, ele começou a ser comercializado em 2002.
Ainda segundo a empresa, o modelo que caiu no dia 2, um EC-155 B1, era a versão mais moderna entre as aeronaves Dauphin, grupo ao qual pertence. Essa família de helicópteros possui 875 unidades em operação em todo o mundo, 73 delas no Brasil.
Desde a primeira unidade vendida, os helicópteros Dauphin somaram mais de 6 milhões horas de voo, de acordo com a Helibras. De acordo com o Fantástico, o helicóptero pode custar mais de R$ 50 milhões ao sair da fábrica.

Características

Especialistas o consideram o EC-155 um dos melhores e mais poderosos helicópteros de transporte de passageiros. O modelo dispõe de dois motores e, dependendo da versão, consegue levar até 13 pessoas além da tripulação de dois pilotos. A versão acidentada do helicóptero tinha ainda potência extra para operar em lugares altos e com muito calor.
O helicóptero estava em situação normal no registro aeronáutico brasileiro. Em nota, a empresa proprietária do helicóptero, a Seripatri, disse que a aeronave tinha cerca de quatro anos de uso, “com aproximadamente 600 horas de voo” e estava com “documentação e manutenção rigorosamente em ordem”.
Como foi o acidente

O helicóptero que caiu em Carapicuíba, na Grande São Paulo, voou por 12 minutos antes de entrar em pane e atingir três casas, segundo apurou o SPTV. A aeronave retornava ao ponto de decolagem, no Helipark, mas caiu em um condomínio residencial que fica a dois quilômetros da base. Cinco pessoas morreram no acidente, entre elas Thomaz Alckmin, filho caçula do governador de São Paulo Geraldo Alckmin.
O helicóptero fazia um voo de teste após passar por manutenção. Na inspeção considerada de rotina pela dona da aeronave, as cinco pás do rotor principal foram retiradas e entregues à Helibrás, representante da fabricante no Brasil.
As peças foram devolvidas e reinstaladas em uma oficina do Helipark. Não houve troca de pás, segundo apurou o G1.
Depoimentos e investigação

Primeira testemunha da queda ouvida pela polícia, o auxiliar geral Odair Rodrigues Condé contou que estava varrendo o local onde trabalha, próximo ao local do acidente, quando ouviu o barulho do helicóptero em dificuldades. Ele acredita que o piloto tentava pousar e diz ter visto quando uma das pás se desprendeu da aeronave.
“A hélice saiu e bateu na lateral dele. Aí ele começou a girar no ar alto, girar, girar, girar, e caiu lá embaixo. Eu e eu vi a pá dele caindo aqui embaixo também, beirando a cerca", relata o rapaz, que retornou à delegacia nesta terça-feira (7) para prestar mais esclarecimentos.
A descrição do helicóptero girando é compatível às imagens registradas por uma câmera de segurança de uma empresa próxima ao local do acidente. O vídeo mostra a aeronave despencando e girando em sentido horário. Outra câmera também flagrou o acidente. No topo superior do vídeo, o aparelho é registrado caindo em linha reta e atingindo a área do imóvel e de árvores no entorno.
A Polícia Civil quer ouvir pelo menos 20 pessoas, entre elas os responsáveis pela inspeção nas pás. Os investigadores do 1º Distrito Policial querem saber se o helicóptero da empresa Seripatri caiu por causa de falha mecânica ou humana, ou ainda a conjunção dessas duas possibilidades na queda da aeronave. Um delegado-assistente que tem licença para pilotar helicópteros ajuda na apuração.
A investigação pretende ouvir funcionários que trabalharam na manutenção e os donos da aeronave.

Fonte: G1 notícias

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