sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Mesmo diante de crise Paquistão mantém investimentos em defesa

Apesar do desafios econômicos enfrentados pelo Paquistão, o país conseguiu manter o desenvolvimento dos seus programas de modernização que tem por objetivo fortalecer as capacidades de suas forças militares armadas. Recentemente foi revelado um relatório sobre o progresso dos seus programas de defesa.

Assim como no Brasil, o Paquistão enfrenta uma crise financeira, onde o mesmo possui uma dívida externa crescente, o que se soma ao aumento no custo das importações, e a baixa arrecadação de impostos e tarifas pelo governo daquele país. Tais causaram impacto diretamente sobre os programas de modernização em andamento, algo que não difere muito do que se passa aqui no Brasil. Mas diferente do "case" brasileiro, o Paquistão ainda enfrenta o desafio representado pela reestruturação econômica imposta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e a desvalorização da sua moeda, o que levou a busca por uma solução domestica para as necessidades das forças armadas do país. De acordo com os relatórios divulgados sobre os programas de modernização e aquisições, se destaca a priorização de plataformas blindadas e a renovação do poder aéreo.

Os esforços para melhorar as capacidades blindadas incluem encontrar soluções nacionais para substituir componentes importados, dentre estes estão listados os seguintes itens:

  • A fabricação de unidades de força auxiliar para os blindados "Al-Zarrar" e "T-80 UD".
  • O desenvolvimento e testes de munição perfurante de blindagem SABOT FSDS-T.
  • O desenvolvimento do periscópio de imagem térmica e visão noturna para condutos dos MBTs.
  • Montagem de motores para os MBts Al-Khalid e T-80UD.
  • Atualização de 160 MBTs Type-85 II-AP de origem chinesa.
  • Atualização do T-80UD.
  • Atualização dos VBTP M113.
  • A atualização do MBT type-59 para a versão "Al-Zarrar".
  • A produção de 20 blindados "Al-Khalid I", além do desenvolvimento final do "Al-Khalid II" (com um pacote de força aprimorado e sistema de controle de fogo / controle de armas novo).
O Paquistão também desenvolve sua própria VBCI (Viatura Blindada de Combate de Infantaria, ou IFV no inglês), o qual está sendo desenvolvido pela estatal HIT, denominado "Viper", tendo como plataforma o M-113O protótipo foi exibido durante a IDEAS2018, onde se apresentava armado com uma torre não tripulada Slovak Turra 30 de 30mm.

A infantaria recebeu um importante incremento em suas capacidades antitanque, onde o Paquistão comprou um lote do sistema de mísseis guiados antitanque Kornet-E da Rússia, além de adquirir um lote do sistema antitanque espanhol Alcotán-100. 

No campo aéreo, o Paquistão manteve investimento principalmente no programa JF-17assinando um acordo para produção da variante biposto avançada do Block III em maio do ano passado. O programa também manteve a integração de melhorias nas versões anteriores do caça JF-17 paquistanês, as quais passaram a contar com a capacidade de reabastecimento em voo (REVO) e a integração e compra de mísseis anti-navio supersônicos CM-400AKG chineses, o que conferiu maior capacidade de atuação na defesa marítima.

Novos mísseis ar-ar e bombas inteligentes estão sendo integrados ao JF-17, que tem registrado um aumento no ritmo de produção,  qual passou de 16 aeronaves por ano, para 24 aeronaves por ano, ritmo que deve ser mantido com a entrada em produção do Block III, variante mais moderna que esta equipado com radar AESA. Segundo fontes, a produção pode ser ampliada para atender possíveis exportações do JF-17, o qual tem sido avaliado em diversos países como provável novo vetor.

Há relatos que mesmo diante dos desafios econômicos e orçamento arrochado, o Paquistão estaria planejando inserir modernizações em sua frota de JF-17 Block I e II, dentre essas melhorias, estaria a integração do radar AESA nestas aeronaves, o que deve ocorrer após a conclusão de entrega das aeronaves Block III.

O relatório também aponta investimentos no desenvolvimento de novos VANT com capacidade de longo alcance, demonstrando ainda o investimento no projeto de uma nova aeronave de 5ª Geração, a qual já teria concluído a "fase de projeto conceitual", denominado "Projeto AZM". Neste campo há especulações sobre a possibilidade do Paquistão embarcar no desenvolvimento da nova aeronave de 5ªG da Turquia, o TF-X, no entanto sem qualquer declaração de ambas as partes sobre essa possibilidade, ou mesmo sobre qualquer conversa a respeito.

É importante notarmos que um país com limitações maiores que o Brasil, consegue manter investimentos em pesquisa e desenvolvimento de soluções para suas forças armadas, sem falar no andamento dos seus programas de modernização e aquisição de capacidades militares.

No Brasil hoje assistimos preocupados o andamento de programas estratégicos, os quais não representam só a capacidade de garantir nossa soberania, mas que representam um importante retorno financeiro ao Brasil, onde o desenvolvimento e produção de aeronaves e meios como o KC-390, podem representar um importante ganho em nossa balança comercial, tendo em vista principalmente o vasto mercado que se descortina para essa aeronave, que é ímpar em sua categoria e chega em momento oportuno para sanar a lacuna que se abre em diversas forças ao redor do mundo. Isso sem mencionar o desenvolvimento do MANSUP, o qual pode representar um significativo numero de exportações, tendo em vista a capacidade de emprego do mesmo com console do consagrado Exocet, o qual possui muitos usuários no mundo inteiro e que podem facilmente passar a adotar a solução brasileira.

Assisto aos exemplos de nações como o Paquistão e tantas outras e me pergunto, quando vamos ter uma visão empreendedora e ter real compromisso com a defesa de nossa soberania? Quando vamos nos ater a importância que representa a defesa, quer seja no campo industrial e econômico, ou mesmo de garantia de nossa soberania sobre nosso vasto território?

É preciso refletirmos sobre nossas prioridades e os valores de nossa sociedade, principalmente sobre nosso Estado e como este funciona e emprega os recursos obtidos com nosso trabalho e suor, pois somos o Brasil e cabe a nós dirigir os rumos dessa enorme nação.


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com agências
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