sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Ucrânia defende envio de tropas da ONU ao leste do país

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, pediu que soldados de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) sejam enviados ao leste do país para fazer cumprir um cessar-fogo entre as forças do governo e rebeldes separatistas pró-Rússia.
O pedido ocorre após a retirada de tropas ucranianas da estratégica cidade de Debaltseve em meio a intensos confrontos.
Forças rebeldes continuam avançando sobre a cidade apesar de um acordo de cessar-fogo acertado na semana passada. O avanço foi duramente condenado pela comunidade internacional.
Poroshenko, que participou de uma reunião de emergência do conselho de defesa e segurança da Ucrânia, disse que a força da ONU ajudaria a garantir a segurança "numa situação na qual a promessa de paz não está sendo mantida".
O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, qualificou o pedido ucraniano de destrutivo e disse que a solicitação "cria suspeitas de que ele (Poroshenko) queira destruir o acordo". O representante russo acusou o líder ucraniano de tentar um novo acerto diferente do que está em voga.
O cessar-fogo, que entrou em vigor no domingo, tem sido respeitado na maior parte do leste da Ucrânia. Ambos os lados estariam retirando parte do armamento pesado da região. No entanto, confrontos prosseguiram em Debaltseve, e uma equipe de observadores europeus foi impedida de entrar na cidade.
Posição estratégica
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Presidente ucraniano pediu envio de tropas da ONU ao leste do país para monitorar cessar-fogo
AP
Tropas ucranianas se retiraram de Debaltseve, o que simboliza grande revés para o país

A perda de Debaltseve é um revés significativo para a Ucrânia devido à posição estratégica da cidade, ponto de encontro entre as cidades de Donetsk e Luhansk, controladas por rebeldes.
Poroshenko disse que a retirada foi organizada. A maior parte dos 25 mil moradores foi evacuada, mas cerca de 5 mil civis ainda estariam na cidade. Cerca de 2,5 mil soldados ucranianos deixaram o local na quarta-feira.
Um comandante rebelde disse à BBC que as condições são ruins, sem eletricidade e falta de água e comida.
O porta-voz dos rebeldes Eduard Basurin disse que Debaltseve está sob "controle completo" dos separatistas, com alguns bolsões "isolados" de resistência, que estariam sendo "neutralizados". Segundo ele, mais de 300 soldados ucranianos são mantidos como prisioneiros. Kiev admite que alguns militares foram capturados.
O chefe da Otan, a aliança militar do Ocidente, Jen Stoltenberg, disse que a ofensiva dos rebeldes coloca todo o acordo de paz sob risco.
A Casa Branca disse que os rebeldes e a Rússia fracassaram em cumprir os termos do acerto. Já o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, insistiu que as ações dos rebeldes de Debaltseve não violaram o acordo porque a cidade já era controlada por separatistas na assinatura do cessar-fogo.
Segundo a ONU, mais de 5,6 mil pessoas foram mortas no conflito no leste da Ucrânia, mas há temores de que esse número pode ser maior. O governo ucraniano, pró-Ocidente, diz que a Rússia apoia os separatistas com tropas e armas, mas Moscou nega.

Fonte: BBC Brasil

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