domingo, 8 de fevereiro de 2015

Acordos de Moscou sobre Ucrânia são frágeis

Na última sexta-feira (6), a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande
estiveram na capital russa para conversações com seu homólogo, Vladímir Pútin, sobre uma resolução para o conflito ucraniano.
 A visita surpresa, anunciada apenas um dia antes de ocorrer, deve ser seguida de uma divulgação dos resultados neste domingo (8), após conversação telefônica entre líderes da Rússia, Alemanha, França e Ucrânia.
"No momento se conduz um trabalho de preparação do texto do possível documento conjunto para a implementação dos acordos de Misk", anunciou após a reunião o porta-voz do presidente russo, Dmítri Peskov.
O documento incluirá uma proposta de encontro de todos os participantes do encontro no chamado "formato da Normandia" (Rússia, Ucrânia, Alemanha e França).
Peskov disse ainda que as negociações no Kremlin foram "construtivas e substanciosas". Seu otimismo foi compartilhado pelos líderes da Alemanha e da França.
Visita surpresa

Merkel e Hollande também surpreenderam Kiev com uma visita apenas um dia antes, na quinta-feira (5), onde conduziram conversações de cinco horas com o presidente Petrô Porochenko. Sua estadia na capital ucraniana coincidiu com a chegada do secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

Os acordos de Minsk foram assinados na capital bielorrussa entre 5 e 19 de setembro de 2014. Esses documentos estipulam um cessar-fogo, retirada dos armamentos pesados, aprovação por Kiev de uma lei acerca de um status especial para Donbass que inclua a anistia dos separatistas e a criação de um grupo de monitoramento para a manutenção do fim das atividades bélicas.
Ao final das visitas, os líderes europeus foram lacônicos quanto aos resultados, mas Hollande deu a entender que, juntamente com Merkel, não quer discutir os documentos que estão sendo reparados, mas sim propor um novo plano de resolução. Ele também ressaltou que a base do plano é o princípio de integridade territorial da Ucrânia.
A visita de Merkel e Hollande foi anunciada pela imprensa americana como uma reação à proposta feita por Pútin no início desta semana de reconhecer a linha divisória entre as partes onde elas se localizam no momento, além de Kiev conceder maior autonomia ao leste separatista. A sugestão foi dada logo após uma ofensiva bem-sucedida dos rebeldes.
A porta-voz de Porochenko, Valéria Tcháli, explicitou que os planos discutidos não são os "planos de Pútin", mas "esforços conjuntos realizados ainda no dia anterior na implementação dos acordos de Minsk". 
Dificuldades na resolução 
Para o cientista político Timofêi Bordatchov, a visita de Merkel e Hollande mostra sua seriedade quanto aos acordos.
"Há grandes chances de que eles pressionem para que Kiev aceite as propostas formuladas por Rússia e Europa", disse à Gazeta Russa.
Maksim Bratêvski, pesquisador do Centro de Estudos Europeus da Escola Superior de Economia de Moscou, também acredita que a mediação diplomática dos líderes europeus possa trazer resultados, mas é cético quanto a uma resolução política.
"Com essa mediação, é possível chegar a entendimentos em relação a linhas de divisão, mas será muito mais difícil chegar a uma resolução política duradoura para o conflito. Por exemplo, na questão de Kiev reconhecer as repúblicas autoproclamadas no leste e qual será a forma de organização da própria Ucrânia, se ela será, no final das contas, uma federação ou se irá se manter como um único país."

Fonte: Gazeta Russa

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