sábado, 16 de janeiro de 2010

Tropas brasileiras vão trabalhar por segurança no Haiti, diz Jobim


O ministro de Defesa, Nelson Jobim, afirmou, nesta sexta-feira, que o Brasil vai trabalhar pela manutenção da segurança no Haiti, depois do forte terremoto de terça-feira (12) que deixou a capital Porto Príncipe virtualmente devastada e que matou milhares de pessoas.

Para o brasileiro, que voltou de Porto Príncipe na madrugada de hoje, nos próximos dias, "tendo em vista a falta de água, de combustível e de alimentos", as pessoas "começarão a ficar revoltadas", ainda que o povo haitiano "seja um povo curtido pela desgraça".

Para apoiar as tropas, o governo brasileiro está enviado armas não letais --como armas com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral e cassetetes-- pro Haiti.

Jobim disse que indicou três pessoas para coordenar a missão de resgate no Haiti. São eles o comandante do Brabatt (base do Brasil no Haiti), coronel João Batista Carvalho Bernardes; o comandante do Minustah (Missão de Paz da ONU no Haiti), general Floriano Peixoto; e o embaixador enviado especial do secretário especial da ONU no Haiti, Edmund Muller.

Ele informou ainda que o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) deve ser o coordenador interno no Brasil, ligado ao Ministério da Defesa, para evitar a sobreposição.

Em entrevista aos meios de comunicação, o ministro afirmou que a maior parte dos corpos que estavam pelas ruas já foram recolhidos. "Agora, faltam aqueles que estão debaixo dos escombros, e os que estão sendo removidos são praticamente irreconhecíveis", disse. Ontem (14), o presidente do Haiti, René Préval, confirmou o sepultamento de 7.000 corpos em uma vala comum. Para a Cruz Vermelha no Haiti, o total de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil. Outros estimam que chegará a 100 mil.

O ministro brasileiro confirmou a preocupação do Brasil para com o risco de que a presença de corpos nas ruas gerem epidemias e de que os militares construirão, em coordenação com o governo haitiano, cemitérios em conformidade com a cultura vodu, que é popular no país. A cultura local determina que os corpos sejam tocados apenas por haitianos e que os enterros sejam realizados apenas após a conclusão de alguns rituais.

"Mas é necessário que outros países deem suporte aos sepultamentos, porque os cemitérios não suportam mais os corpos", disse.

O brasileiro voltou a falar das péssimas condições do sistema de saúde haitiano, já que os "hospitais ruíram". "Quem está atendendo [os feridos] é o hospital argentino da Minustah [a missão de paz da ONU no país]." Conforme o ministro, as tropas brasileiras atendem alguns civis também em uma garagem. "Já fizeram partos no local, amputações."

Nos próximos dias, os brasileiros irão concluir a montagem de um hospital de campanha enviado em aviões da FAB e um segundo, da Marinha, será enviado de navio.

Amanhã, Jobim irá ao Ciop (Centro de Instrução de Operações de Paz), na Vila Militar, para conversar com os militares que estão recebendo instruções antes de integrar a missão de resgate no Haiti.

Fonte: Folha
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