quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ONU diz que bloqueio à faixa de Gaza coloca saúde da população em risco


O bloqueio que Israel impõe à faixa de Gaza há mais de três anos representa um perigo para a saúde da população e para a manutenção dos serviços médicos, adverte um relatório da Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Organização das Nações Unidas).

"O bloqueio da faixa põe em risco a saúde da população de Gaza e atrapalha o funcionamento dos sistemas de saúde", diz o documento, divulgado próximo ao primeiro ano do final da ofensiva de Israel ao território palestino, controlado pelo movimento islâmico radical Hamas.

"As agências da ONU e a Associação de Agências para o Desenvolvimento Internacional (Aida), que reúne 809 ONGs destacam o impacto do bloqueio a Gaza na saúde da população e nos serviços de saúde, e pedem a abertura imediata das entradas da faixa", afirma o texto.

Israel impôs um primeiro bloqueio a Gaza em junho de 2006, após a captura do soldado Gilad Shalit por três milícias palestinas --entre elas a do Hamas --, e o endureceu um ano depois quando os islamitas expulsaram da faixa o movimento rival Fatah e as forças da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O coordenador para os Direitos Humanos da ONU, Max Gaylard, afirma que o bloqueio "põe em risco a saúde de 1,4 milhões de pessoas em Gaza, e está causando uma progressiva deterioração dos fatores sociais, econômicos e ambientais da saúde".

Outro impacto do bloqueio, destaca o relatório, é econômico. Um "virtual colapso com um crescimento do desemprego e da pobreza, que terá efeitos adversos em longo prazo na saúde mental e física da população".



Ofensiva

A grande ofensiva de Israel tinha como objetivo declarado retaliar o lançamento de foguetes por militantes do grupo islâmico palestino Hamas contra o território israelense.

Segundo o Centro Palestino de Direitos Humanos, a operação deixou 1.434 palestinos mortos --incluindo 960 civis, 239 policiais e 235 militantes. Já as Forças de Defesa israelenses admitiram ter matado 1.370 pessoas, incluindo 309 civis inocentes, entre eles 189 crianças e jovens com menos de 15 anos.

O ataque levou a diversas acusações de crimes de guerra contra o Exército de Israel e denúncias dos próprios soldados do país.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) endossou o relatório do jurista sul-africano Richard Goldstone que afirma que Israel fez uso desproporcional da força e violou o direito humanitário internacional. O texto porém pondera que o lançamento de foguetes pelos insurgentes palestinos também configura crime de guerra.

Dois meses depois, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução na qual pedia ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que transmita ao Conselho de Segurança o relatório feito pelo comitê. A medida pode levar a uma acusação formal contra Israel por crimes de guerra, apesar de ter, para tal, que enfrentar a resistência dos Estados Unidos, grande aliado israelense.

Fonte: EFE
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