sábado, 16 de janeiro de 2010

Brasil pede que EUA colabore ao permitir pouso de aviões da FAB no Haiti.


Alguns dos aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) que enviam mantimentos e equipes de resgate ao Haiti estão com dificuldades de pousar no aeroporto de Porto Príncipe devido ao aumento da restrição de pousos por parte dos americanos --que, desde ontem, controlam o local.

O problema ocorre devido às condições precárias do aeroporto, que foi parcialmente danificado com o terremoto de terça-feira que devastou o Haiti. Os americanos --que receberam hoje do governo haitiano o controle temporário sobre o aeroporto-- estão restringindo as operações devido à falta de estrutura para desembarcar o material de ajuda e pela falta de combustível.

Um boletim de alerta da FAA (Administração Federal de Aviação americano, na sigla em inglês) na sexta-feira disse que apenas voos com autorização prévia estão sendo autorizados a pousar em Porto Príncipe, e que para os demais o espaço aéreo haitiano está fechado.

Das oito aeronaves da FAB que fariam transporte de mantimentos, equipes de resgate e autoridades, três pousaram em Porto Príncipe e já retornaram --o último deles trouxe militares brasileiros que sobreviveram ao terremoto. Outros cinco aviões estão à caminho, sendo que três estão em Santo Domingo (República Dominicana) porque não receberam autorização para pouso em Porto Príncipe e dois aguardam autorização em Boa Vista (RR).

A situação causou um pequeno problema diplomático entre Brasil e EUA. Além de dificultar o pouso dos aviões da FAB, os brasileiros reclamam que o controle americano impediu o acesso da Minustah (Missão de Paz da ONU no Haiti, liderada pelos brasileiros) ao local.

A reclamação foi o alvo de uma ligação do ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, na tarde de hoje. "Havia um pequeno mal entendido em relação à questão do aeroporto, a sequência dos aviões, o acesso da Minustah ao aeroporto. Ela [Hillary] prometeu que ia reforçar a instrução que já tem o comando militar deles de se coordenar com a Minustah", afirmou.

Ao desembarcar hoje no Brasil depois de uma visita de 24 horas ao Haiti, o ministro de Defesa, Nelson Jobim, também criticou o controle dos EUA sobre o aeroporto de Porto Príncipe. Jobim disse que a decisão foi "unilateral" dos norte-americanos, sem que outros países fossem consultados.

Amorim disse que a secretária de Estado dos EUA esclareceu que as forças americanas vão cumprir funções essencialmente humanitárias, sem interferir na segurança pública do país, já que isso é a função da Minustah. O ministro disse que Hillary reconheceu a liderança do Brasil na recuperação do Haiti, por isso se mostrou disposta a dialogar com as tropas dos EUA no país caribenho.

A ONU também disse que cancelou alguns voos carregados de mantimentos devido aos problemas logísticos do aeroporto de Porto Príncipe.

Apesar disso, o PMA (Programa Mundial de Alimentos) da ONU conseguiu enviar hoje ao Haiti 20 das 86 toneladas de comida que destinará à nação. Mais 40 toneladas de biscoitos chegariam hoje, mas o voo foi adiado para amanhã devido aos problemas no aeroporto.

Dorte Ellehammer, representante do programa, disse que o aeroporto do país caribenho "está sobrecarregado". "A condição de logística é difícil, por isso há aviões que não conseguem aterrissar", acrescentou.


Ministro Celso Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, relatou nesta sexta-feira (15) à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que os aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) estão encontrando dificuldades para desembarcar no aeroporto de Porto Príncipe, controlado pelos EUA.

"Eu mencionei o problema que está havendo de acesso da própria Missão de Estabilização da ONU no Haiti [a Minustah, missão de paz da ONU no Haiti] ao aeroporto e dos próprios aviões brasileiros, inclusive alguns deles levando ajuda, e que estão com dificuldades de chegar lá", disse Amorim em uma entrevista coletiva.

A Minustah é chefiada pelo Brasil e atua no Haiti desde 2004. A missão conta com 1.266 soldados brasileiros.

Segundo Amorim, a secretária afirmou que vai tomar providências para garantir que as aeronaves brasileiras não encontrem dificuldade em chegar ao Haiti.

O ministro disse ainda que a dificuldade "pode ser vista de forma natural porque há muitos voos de muitos países querendo pousar".

"É importante ter clareza que nós estamos sendo tratados com a prioridade adequada e a secretária de Estado mais uma vez manifestou que o Brasil tem liderança nesse processo e que a nossa ajuda e nossa presença tem que ser tratada de maneira adequada", disse.

Três dias após o terremoto que atingiu o Haiti, oito aeronaves da FAB já decolaram para levar ajuda humanitária às vítimas. Ao todo, 140 passageiros e mais de 80 toneladas de carga foram transportadas para Porto Príncipe, a capital haitiana.

Três delas conseguiram pousar no local e já retornaram. Cinco estão à caminho com suprimentos, equipes médicas, material de apoio e o Hospital de Campanha da FAB. Destas, três aeronaves aguardam em Santo Domingo, na República Dominicana, autorização para pouso em Porto Príncipe. Outras duas aguardam em Boa Vista (RR).

Nesta sexta-feira, o governo do Haiti concordou em conceder o controle temporário do aeroporto de Porto Príncipe aos Estados Unidos para acelerar os esforços humanitários que chegam ao país.

Hillary Clinton

Também nesta sexta-feira, a secretária de Estado americana afirmou que viajará ao Haiti neste sábado com o gerente da USAid (agência de auxílio internacional americana), Rajiv Shah.

Segundo Hillary, eles devem se encontrar com o presidente do Haiti, René Préval, e com outros membros do governo americano que já estão em solo haitiano.

A secretária afirmou ainda que poderá ver "em primeira mão" os esforços de ajuda humanitária no país.

Segundo o porta-voz do departamento de Estado, PJ Crowley, existem "limitações logísticas" e a chegada e distribuição da ajuda humanitária é "uma corrida contra o tempo".


Fonte: Folha / BBc Brasil
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