quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Brasil enfrenta desafio de garantir a paz em meio ao caos no Haiti


A estabilização do Haiti já era uma tarefa titânica antes do terremoto da semana passada, e agora se tornou ainda mais difícil, mas os brasileiros que estão no comando militar da missão da ONU no país asseguram sua intenção de se manterem firmes em seu propósito.

"Vamos ficar aqui o tempo que for necessário porque agora temos mais motivos para estar neste lugar", afirmou o comandante do batalhão brasileiro da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah), o coronel João Batista Bernardes.

O Brasil mantém mais de 1.200 homens para garantir a segurança no Haiti, sob o comando do general Floriano Peixoto, máximo chefe militar da Minustah.

A base General Bacellar, próxima ao aeroporto de Porto Príncipe, é o centro neuvrálgico das atividades da tropa brasileira, que perdeu 18 elementos no terremoto da semana passada.

Nessa base também estão as tropas do Nepal, Chile e Equador, e todos convivem amigavelemente, embora o número de brasileiros seja visivelmente maior.

É desta base que partem as patrulhas brasileira com os capacetes azuis da ONU e os grupos de Engenharia do Exército para limpar as ruas dos escombros e remover os feridos e os corpos.

Na última semana, uma parte do complexo militar foi destinado a receber e redistribuir os carregamentos de ajuda humanitária.

"Nossos soldados entram em contato com os líderes comunitários de um determinado bairro, e eles selecionam 60 e 80 mulheres que vão receber a ajuda humanitária. Quem recebe a ajuda são sempre mulheres", informou à AFP um funcionário que trabalha na base.

Com a chegada de pessoal especializado em situações de emergência, a base alcançou seu limite e uma a ampliação dos esforços vai requerer a utilização de outras instalações.

Em meio ao desespero dos habitantes, nas portas da base formam-se filas de centenas de haitianos em busca de uma oportunidade de trabalho, mesmo que por apenas um dia. Muitos já trabalharam na base e agora esperam poder limpar os jardins ou as barracas em troca de água e alimentos básicos.

Nas ruínas da Casa Azul, a subunidade na qual dez militares brasileiros morreram soterrados, vários jovens tentam retirar pedaços de metal para vender, mas, ao perceberem a aproximação do comboio fortemente armado, se dispersam rapidamente.

Ante a desbandada, as patrulhas mantém a calma. "Os momentos mais tensos são as patrulhas noturnas porque toda a cidade está às escuras e sempre há o risco que explodam desordens com a distribuição de ajuda humanitária", afirmou Bernardes.

No miserável bairro de Cité Soleil, onde os brasileiros mantêm uma unidade, uma enorme aglomeração bloqueia a rua para pegar a água (não potável) de um encanamento que se rompeu. Os brasileiros organizam uma fila e várias pessoas, inclusive, falam em português.

"Não temos água, não temo comida nem remédios!", afirma Fábio Júnior, um haitiano de 15 anos que fala português quase sem sotaque. As pessoas perguntam para ele o que está acontecendo e quando ele faz a tradução para o francês, é aplaudido.

De volta à base, a patrulha brasileira apresenta um informe sobre qualquer eventual incidente. Os soldados agora podem tomar banho, talvez ver um pouco de televisão e descansar, apenas por algumas horas, já que as necessidades são muitas e o pessoal é escasso.

Fonte: AFP
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