sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

EUA e brasil no comando


Brasil e Estados Unidos assumiram a coordenação de uma operação internacional de guerra para socorrer centenas de milhares de haitianos atingidos pelo terremoto que devastou o país na noite de terça-feira e deixou pelo menos 45 mil mortos — estimativa inicial da Cruz Vermelha. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, chegou ao Haiti na noite de terça-feira chefiando uma missão que definirá os próximos passos do governo brasileiro, o primeiro a enviar um funcionário de primeiro escalão, junto com a liberação de US$ 15 milhões. O presidente dos EUA, Barack Obama, reuniu ontem a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o de Defesa, Bill Gates. Depois, em emocionado pronunciamento, elogiou a ação das tropas brasileiras e prometeu que os haitianos “não serão abandonados”. O governo americano liberou US$ 100 milhões e deslocou para o Haiti 5,7 mil militares, além de um porta-aviões e um navio-hospital.

Brasília e Washington estão em contato intenso desde a quarta-feira, quando Obama ligou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seguida, Hillary e o chanceler brasileiro, Celso Amorim, conversaram sobre a situação do Haiti. Ontem, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, fez coro com a proposta lançada por Lula e sugeriu que França, Brasil, EUA, Canadá e a ONU convoquem uma conferência internacional de países doadores, para coordenar a reconstrução. Sarkozy disse que se reuniria com Obama “dentro de algumas horas” e prometeu se deslocar para o Haiti “nas próximas semanas”.

O governo brasileiro vai centralizar suas ações em cinco pontos considerados essenciais: retirada dos escombros, atendimento médico aos feridos, remoção dos mortos, distribuição de suprimentos e manutenção da segurança pública. Os itens principais da ajuda foram definidos em uma reunião que o ministro Nelson Jobim realizou com os comandantes do Exército, general Enzo Peri, e da Marinha, Moura Neto, além do embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman. Os três acompanharam Jobim no voo para a capital haitiana.

A decisão do governo brasileiro é enfrentar o problema com meios próprios, já que a situação é de emergência e buscar ajuda de organismos internacionais poderia agravar o problema. “Não podemos esperar. Se há problemas, temos que passar por cima”, afirmou Jobim. O ministro da Defesa se reuniu com o presidente do Haiti, René Préval, para detalhar os planos de ajuda e conhecer os pedidos do governo local.


Resgate

De imediato, o país vai mandar 15 engenheiros do Exército e utilizar maquinaria pesada de uma construtora brasileira que realizava trabalhos em Porto Príncipe, para retirar os escombros. As ruas da capital do Haiti ficaram bloqueadas com o entulho dos prédios que caíram durante o terremoto, o que inviabilizou o socorro imediato às vítimas. Além disso, os comandos da Aeronáutica e Marinha vão enviar dois hospitais de campanha e mais de 40 profissionais de saúde, entre médicos e enfermeiros.

Outra preocupação do governo brasileiro é enterrar os mortos, para evitar epidemias. Até ontem, em Porto Príncipe, corpos eram jogados pelas ruas ou amontoados perto de hospitais. Segundo o Ministério da Defesa, muitas pessoas estão sendo sepultadas nas encostas ou são praticantes do vodu, que não aceitam que toquem seus mortos enquanto os rituais não forem concluídos. A solução do problema será a abertura de covas para que as vítimas sejam enterradas.

No pacote de ajuda, o Brasil inclui o envio de mais alimentos e água, mas ainda não há lugar para armazenamento nem pontos de distribuição. Os militares temem pela segurança dos depósitos e comboios de suprimentos. Segundo o Ministério da Defesa, com o agravamento da situação, há o temor de que a população desesperada possa saquear os caminhões, o que paralisaria os trabalhos de socorro. Desde quarta-feira, aviões partiram do Rio de Janeiro levando alimentos e água para Porto Príncipe.


Esforço mundial

No breve pronunciamento que fez na Casa Branca, Barack Obama colocou “toda a capacidade nacional e o poderio militar” dos EUA a serviço do socorro às vítimas e da reconstrução do Haiti. “Quero falar diretamente ao povo haitiano”, disse o presidente americano. “Vocês não serão abandonados. Vocês não serão esquecidos.” Ontem chegou a Porto Príncipe o porta-aviões USS Carl Vinson, que será a base das operações americanas. Além de água, alimentos, remédios e outros donativos de primeira necessidade, os EUA enviaram 3,5 mil homens do Exército e 2,2 mil fuzileiros navais para patrulhar as ruas e remover escombros.

Na Europa, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou também o envio de navios e aviões militares com tropas e donativos, somando-se à corrente de ajuda que começa a chegar dos cinco continentes (veja quadro). Sarkozy fez coro à proposta lançada na véspera por Lula e propôs que “Brasil, França, EUA, Canadá e as Nações Unidas” convoquem uma reunião internacional de países doadores para agilizar o envio de ajuda e coordenar as ações de reconstrução. O presidente francês disse que discutiria a proposta com o colega americano, com quem tinha previsto reunir-se “nas próximas horas”, e anunciou sua disposição de se deslocar para o Haiti “dentro de algumas semanas”.

Quero falar diretamente ao povo do Haiti. Vocês não serão abandonados, vocês não serão esquecidos”
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos
Não podemos esperar. Se há problemas, temos que passar por cima”
Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil

O mundo se mobiliza - Principais ofertas de ajuda ao Haiti
Fundo Monetário Internacional
US$ 100 milhões

Banco Mundial
US$ 100 milhões

Nações Unidas
US$ 10 milhões

Comitê Internacional da Cruz Vermelha
40 toneladas de medicamentos e kits de assistência

Estados Unidos
US$ 100 milhões; 3,5 mil soldados e 2,2 mil fuzileiros navais
Equipes de resgate
Um porta-aviões
Um navio-hospital
Água, alimentos, remédios

Brasil
US$ 15 milhões
28 toneladas de donativos (água, alimentos, remédios) transportados em regime de ponte-aérea por oito aviões militares de transporte
Um hospital de campanha Equipes da defesa civil e bombeiros para resgate
Um cargueiro da Marinha

França
Três aviões militares e um Airbus transportarão 60 socorristas da defesa civil e 12 toneladas de mantimentos. Dois navios de guerra seguirão para o país

Reino Unido
US$ 10 milhões
601 bombeiros, cães farejadores e equipamento

União Europeia
US$ 4,4 milhões

Espanha
US$ 4,4 milhões

Holanda
US$ 2,9 milhões


Fonte: Correio Braziliense
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