quarta-feira, 11 de julho de 2018

Quando uma arma nuclear apagou um incêndio

Há alguns fatos curiosos e pouco conhecidos sobre o emprego de armas nucleares, diferente do que muitos acreditam, algumas nações já fizeram o emprego pacífico de artefatos nucleares afim de solucionar alguns problemas.

Nos idos das décadas de 60 e 70, tanto os Estados Unidos, como a extinta União Soviética, realizaram uso de artefatos nucleares com fins pacíficos. Numa tentativa de encontrar um emprego dual para os seus vastos arsenais nucleares. Porém, muitas das tentativas de emprego de armas nucleares com fins pacíficos não obteve muito sucesso.
Cratera do "Project Plowshare"
Nos EUA chegaram a testar o emprego de armas nucleares para auxiliar na escavação de cavernas subterrâneas e abrir passagem em montanhas. Tal fato ficou conhecido como "Project Plowshare", porém, após os cerca de 27 testes, o emprego de artefatos nucleares se mostrou ineficiente e problemático, onde os efeitos colaterais do emprego de artefatos nucleares liberaram uma vasta quantidade de radiação, além do fato que as cavernas "escavadas" com uso de artefatos nucleares mantinham uma alta temperatura durante meses após a detonação do artefato, os custos de descontaminação levaram a conclusão que não há nenhuma vantagem econômica em relação ao uso de explosivos convencionais. Esse é só um dos exemplos de tentativas fracassadas do uso nuclear.
Os soviéticos também buscaram outras aplicações para seu arsenal nuclear, com cases bem sucedidos e outros nem tanto. Assim como os norte americanos, os soviéticos pensaram em aplicar a força da detonação nuclear para auxiliar em escavações, no entanto, assim como as tentativas feitas pelos norte americanos, se mostrou um fiasco, Um dos cases que iremos apresentar aqui, trata da tentativa de criar reservatórios de água, na tentativa de utilização de artefatos nucleares, detonaram um artefato no rio Chagan, conseguindo criar um lago, porém, o lago apresentava um nível de radioatividade muito alto, não sendo seguro para qualquer atividade nele, e permanece assim ainda nos dias atuais.
Porém, a União Soviética encontrou uma aplicação civil bem sucedida para os artefatos nucleares, onde verificaram que o emprego de dispositivos nucleares eram ótimos para apagar determinados tipos de incêndios. 

Poços em chamas no Kuwait
Como se sabe, é muito difícil controlar incêndios envolvendo reservas de combustível subterrâneas, onde podemos citar o case do incêndio dos poços de petróleo no Golfo Pérsico por Saddam Hussein, após sua mau sucedida tentativa de se apoderar das reservas petrolíferas do vizinho Kuwait. O incêndio levou anos para ser controlado. Há exemplos de outros casos que mostra os desafios que envolvem este tipo de incêndio, como nos EUA um incêndio que atingiu uma mina de carvão subterrânea, ainda arde nos dias de hoje, tendo ocasionado na total retirada dos moradores e o fim da cidade de Centralia, na Pensilvânia, onde o carvão que pegou fogo em 1962 e segundo estudos, deverá queimar ainda pelos próximos cem anos. 

O case soviético se deu no campo de gás de Urta-Bulak, no Uzbequistão, onde um poço pegou fogo em 1963. O incêndio durou três anos, onde foram tentados todos os métodos convencionais de combate á incêndios, porém, nenhum dos métodos obteve sucesso. Foi então que no ano de 1966, o governo da União Soviética decidiu tentar algo novo para por fim naquele incêndio, o que representava uma enorme perda na produção de Gás.
O resultado esperado pelo Artefato nuclear
Durante uma das tentativas de se controlar o incêndio, engenheiros perfuraram dutos paralelos ao poço, afim de desviar o fluxo de gás e então controlar o fogo, porém, a medida resultou no aumento do incêndio, com os novos dutos servindo como canais de oxigênio que aumentaram a combustão ao invés de extinguir as chamas. As chamas atingiram 70 metros de altura e o volume de gás que escapava diariamente era cerca de 14 milhões de metros cúbicos. O calor era tal que não era possível chegar a menos de 250 metros das chamas. O desastre causou sérios danos ao meio ambiente. O chão estava coberto de fuligem e os animais foram deslocados da região. Tentaram extinguir as chamas usando água e até destruir a cratera com fogo de artilharia, porém sem sucesso. Então, passaram a considerar um meio de fechar os dutos e assim sufocar o fluxo de gás até a superfície, o que por fim extinguiria o incêndio. Foi então que geólogos e físicos após vários cálculos e estudos, chegaram a hipótese de que uma explosão nuclear equivalente a cerca de 30 kilotons poderia selar os dutos num raio de 50 metros. 

Artefato nuclear que apagou o incêndio em Urta-Bulak
Então a construção do dispositivo nuclear foi designada ao comitê KB-11. O artefato foi colocado a uma profundidade de 1532 metros em um eixo inclinado, perfurado em um local distante da tocha. Em 30 de setembro de 1966, foi realizada a detonação do dispositivo. A operação foi um sucesso, 23 segundos após a detonação, a chama se apagou. Praticamente toda a radiação estava contida no subsolo. O evento foi gravado como um "movimento sísmico" para mascarar a verdadeira natureza das tecnologias utilizadas. A União Soviética ainda fez uso da tecnologia mais algumas vezes, onde obteve sucesso, mas também fracassos.

Com certeza o mais notável sucesso obtido pelo emprego civil de artefatos nucleares foi o case de Urta-Bulak. Mas nos dias atuais, nunca mais se empregou tal solução, nem mesmo no incêndio do Golfo Pérsico.


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