domingo, 22 de julho de 2018

Painel: PHM "Atlântico", o novo capitânea da esquadra - Exclusivo

Na última quinta-feira (19) foi realizado no Clube Naval do Rio de Janeiro, um painel apresentando o novo meio adquirido pela nossa Marinha do Brasil, evento no qual estivemos presentes e vocês podem conferir nesta matéria a apresentação realizada pelo C.Alte Alexandre Rabello Faria, atual Comandante da Força de Superfície, e o C.Alte Denilson Medeiros Nôga, atual Comandante da Força Aeronaval, os quais apresentaram em suas palestras o painel sob o tema: "PHM Atlântico, o novo Capitânea da Esquadra". O evento que foi transmitido ao vivo em nosso canal no Facebook, contando com a presença e participação de nosso editor, Angelo Nicolaci, que mais uma vez realiza a dobradinha GBN News e Canal Arte da Guerra, com nosso amigo e parceiro, Comte Robinson Farinazzo, trazendo um vídeo onde comenta os pontos altos do painel apresentado, que você confere através do link: "PHM ATLÂNTICO: MARINHA MOSTRA OS DETALHES".

A primeira parte do painel foi apresentada pelo C.Alte Rabello, que abordou sob o tema: "Características e possibilidades de emprego". Nesta primeira parte, o C.Alte Rabello fez uma detalhada apresentação do PHM "Atlântico", trazendo ao público importantes informações sobre o navio,abordando os seguintes pontos: Histórico do navio, Características do PHM "Atlântico", Capacidades operacionais e Possibilidades de emprego.

Em sua palestra C.Alte Rabello citou as características pioneiras adotadas pela Royal Navy no projeto e construção do navio, o qual foi projetado seguindo regras de construção comerciais, conforme já exposto aqui pelo GBN News, o navio seguiu um projeto de construção modular, dentre outras características deste navio, empregando muitas soluções e sistemas comuns aos navios mercantes, no entanto o navio atende aos requisitos militares em todo espectro exigido de suas capacidades, o que agrega um custo baixo em seu projeto e posterior operação, garantindo um baixo custo de manutenção em comparação com navios do mesmo porte construídos seguindo as regras de construção naval militar, sem que o mesmo apresente qualquer déficit em suas capacidades militares.

Nesta primeira parte, foi frisado os dois processos pelos quais o navio passou em seu ciclo de operação com a Royal Navy, tendo realizado extensivos reparos e atualizações durante o período de 2007 e 2008, posteriormente sofrendo um extenso programa de modernização em 2014, ocasião onde recebeu importante incremento em suas capacidades operacionais, como o sistema de radar Artisan 3D, o mesmo que equipa os novos navios aeródromos britânicos, que confere ao PHM "Atlântico" uma enorme capacidade tática e de controle aéreo, novo sistema de combate á incêndios, uma nova estrutura de TI e computação, recebeu também um novo sistema tático dentre outros sistemas. No total esse programa de modernização pelo qual o navio passou há quatro anos, custou aos cofres britânicos algo em torno dos 65 milhões de libras, pouco abaixo do valor que pagamos pelo navio. 

Em seu novo ciclo operacional sob o pavilhão brasileiro, o PHM "Atlântico" vai contar com uma tripulação de 432 homens, sendo 46 oficiais e 386 praças, seguindo o mesmo modelo anteriormente adotado pela Royal Navy quando operava este navio. Conforme já divulgado, as características do navio que apresenta um deslocamento de 21.576 toneladas, apresentando o comprimento de 206m, Boca máxima de 34,7m, altura de 39,7m e Calado de 6,5m, características que dão ao navio a capacidade de operar em vários teatros operacionais. 

Em relação ao conjunto de propulsão e geração de energia do navio, o "Atlântico" conta com dois motores diesel Crossley Pielstick 12P2.6V400 que rende 6.750KW, engrenagens redutoras GEC Alsthom RG1000D, sendo a reversão de máquinas no próprio motor através de um sistema hidráulico, que alimentam dois eixos com hélices de passo fixo. O sistema de monitoramento de máquinas é feito pelo sistema Racal-Decca ISIS 250 e o controle pelo RADAMEC. É importante dizer que os motores passaram por todos os processos previstos de revisão durante o processo de transferência do navio á Marinha do Brasil, os quais foram recebidos zerados. Para geração de energia, o Atlântico conta com quatro conjuntos diesel-geradores, contando com quatro motores GEC-Ruston 12RCKZ e  quatro geradores Hyundai genset que geram 2.800kW, com sistema automático de gerenciamento de energia.

Entre os sistemas auxiliares, o PHM "Atlântico" conta com seis plantas de sistema condicionador de ar J&E Hall International 36CTA, sendo o mesmo modelo adotado por diversos navios de cruzeiro, o que reduz o seu custo de manutenção,  quatro sistemas de osmose capaz de gerar 25m3 /dia.

Com relação aos sensores, o PHM "Atlântico" manteve seus dois radares KH 1007 de superfície e navegação, o radar KH 1008 de navegação e o radar de busca combinada ARTISAN 997 3D que representa um enorme ganho para Marinha do Brasil, que pela primeira vez irá operar com esse tipo de equipamento, estando este na vanguarda tecnológica. Mas infelizmente o sistema Thales UAT 5 Mod1 de guerra eletrônica não foi mantido no navio, tendo sido retirado para posteriormente ser reinstalado em outro navio da Royal Navy. O navio apresenta um moderno Centro de Operações de Combate (COC), o qual recebeu novos consoles durante a modernização que passou em 2014. O sistema de controle tático é similar ao SICONTA da Marinha do Brasil.

O armamento do PHM "Atlântico" é composto por quatro canhões ASCG DS30M Mk2 de 30mm da Oerlikon, tendo sido removidos os três sistemas CIWS Vulcan Phalanx, os quais não tiveram sua transferência liberada pelos EUA, os sistemas de contra medidas defensivas  Siren, Sea Gnat e de defesa contra torpedos SSTD (Surface Ship Torpedo Defence), também foram removidos, assim como as quatro metralhadoras MAG134 Minigun e FN MAG ambas 7,62mm.

O convoo do "Atlântico" possui 6 Spots para aeronaves de asa rotativa, capaz de operar uma vasta gama de aeronaves, onde na Marinha do Brasil poderá embarcar qualquer uma das aeronaves de asas rotativas que compõe a nossa força aeronaval. Possuindo a capacidade de operações noturnas e sob condições adversas, garantindo um importante ganho em capacidade de operações aéreas embarcadas. 

O "Atlântico" apresenta uma importante característica que proporciona capacidade de múltiplo emprego, sendo capaz de cumprir um mix de missões que vão das operações aéreas ao desembarque de tropas e material, o que proporcionará á doutrina de emprego naval brasileiro uma maior capacidade logística e de interoperabilidade entre as forças, gerando maior sinergia e complementando as nossas capacidades anfíbias do NDM "Bahia", onde embora muitos desconheçam, existem características ímpares nestes dois meios que juntos abrem um vasto leque de emprego combinado desses meios, dando um enorme leque de opções táticas de emprego do poder naval.

O "Atlântico" conta com uma rampa e pontão flutuante na popa, o que possibilita o embarque e desembarque de materiais, pessoal e viaturas leves, contando também com uma grua de 45ton auxilia na operação. Ainda tratando das capacidades de desembarque, o navio foi transferido ao Brasil mantendo sua dotação orgânica de quatro embarcações LCVP Mk5 de desembarque de pessoal, com capacidade de transportar 38 fuzileiros navais equipados e desembarca-los na praia. 

Na segunda parte, onde assistimos a palestra proferida pelo C.Alte Nôga, a qual estava sob o tema: "Operações aéreas á bordo do PHM Atlântico", onde dando seguimento as apresentações do novo navio da esquadra brasileira, onde foi dada ênfase a capacidade de emprego de diversas aeronaves de asas rotativas, sendo capaz de empregar um mix de aeronaves, o que possibilita embarcar um grupo aéreo composto para atender a missões específicas ou um leque de missões. Todas as aeronaves de asas rotativas que fazem parte do inventario das forças brasileiras, podem ser operadas a partir do PHM "Atlântico".

Um dos pontos de destaque que identificamos nessa segunda parte do painel, é a capacidade do PHM "Atlântico" e exercer o papel de controle do espaço aéreo, sendo capaz de monitorar uma vasta área ao seu redor. Sobre essa possibilidade, o C.Alte Nôga, citou que o navio pode ser empregado próximo a costa, utilizando seu radar ARTISAN 997 3D, sendo capaz de coordenar operações aéreas de interceptação e ataque das aeronaves AF-1 Skyhawk baseadas em terra. 

Além das possibilidades apresentadas acima, o C.Alte Nôga enfatizou a grande gama de possibilidades a ser explorada no que tange a interoperabilidade entre nossas Forças Armadas, tendo sido apresentado á exemplo do que era feito quando o navio operava com a Royal Navy, a capacidade de embarcar e operar com meios aéreos do Exército Brasileiro e da própria Força Aérea Brasileira, oferecendo um importante suporte em operações conjuntas.

Segundo a apresentação do C.Alte Nôga, a Marinha do Brasil esta vislumbrando a possibilidade de operar com Sistema de Aeronaves Remotamente Pilotada (SARP), algo que representa um importante salto em termos de tecnologias, onde há estudos para operar com SARP similar ao operado hoje com a Força Aérea Brasileira, até mesmo operando em conjunto com esta á bordo do "Atlântico", sendo uma plataforma que oferece muita possibilidades de emprego, inicialmente no esclarecimento e reconhecimento, podendo futuramente receber novos tipos que possibilitem executar um leque maior de missões, sendo o "Atlântico" uma plataforma ideal para o emprego deste tipo de aeronave, contando com um convoo que apresenta as características necessárias para o lançamento e recolhimento deste tipo de aeronaves.

Nós disponibilizamos as apresentações na integra em nossa plataforma no Facebook, onde nosso público poderá assistir as duas palestras, e em breve iremos publicar matérias mais aprofundadas em alguns pontos apresentados no painel. Para acessar nossa plataforma no Facebook, basta clicar aqui e se inscrever no nosso grupo.

Gostaria de agradecer á toda equipe do Clube Naval, que abriu as portas para que pudéssemos trazer ao nosso público mais informações sobre esta importante aquisição da Marinha do Brasil, em especial ao V.Alte Rui da Fonseca Elia, presidente do Clube Naval, do nosso amigo, CMG Aldo Raposo Nevesassessor da Presidência do Clube Naval. 

Parabenizamos também ao C.Alte Alexandre Rabello Faria, Comandante da Força de Superfície, e ao C.Alte Denilson Medeiros Nôga, Comandante da Força Aeronaval, pela excelente apresentação no painel, não nos esquecendo de parabenizar toda equipe da Marinha do Brasil envolvida no processo de aquisição desse fantástico navio, que com certeza será um grande motivo de orgulho para nossa nação.

Por Angelo Nicolaci - Jornalista, editor do GBN News, graduando em Relações Internacionais pela UCAM, especialista em geopolítica do oriente médio e leste europeu, especialista em assuntos de defesa e segurança

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