sexta-feira, 13 de julho de 2018

Fincantieri e Naval Group próximas de uma aliança

Seguindo as tendências do mercado, a Naval Group francesa e a Fincantieri estão buscando unir forças para explorar o mercado naval de defesa, onde as duas gigantes europeias já apresentaram propostas junto aos seus governos visando viabilizar uma relação estreita entre as duas concorrentes.

A aliança entre a Naval Group e a Fincantieri já está sendo analisado há pelo menos dois anos pelos governos francês e italiano, uma junção entre os dois estaleiros resultaria em maior competitividade para enfrentar a concorrência feroz no mercado internacional, onde os estaleiros asiáticos tem conquistado grande espaço nos últimos anos, além de reduzir os custos de desenvolvimento e construção de seus produtos, o que tornaria a aliança franco-italiana um concorrente de peso.

Os governos de Paris e Roma receberam no último mês de junho, planos para cooperação industrial entre os estaleiros Fincantieri e o Naval Group, segundo informou a porta-voz do Ministério das Forças Armadas da França.

"Os governos interessados ​​receberam as propostas das empresas, e essas propostas estão sendo estudadas", disse Valérie Lecasble nesta quinta-feira (12.

Porém, os planos de "união" entre as gigantes, não englobaria a construção de submarinos, um ativo considerado estratégico por ambas as partes, onde a parte francesa detém vasto expertise e uma fatia considerável do mercado internacional, inclusive sendo parceira do programa de submarinos brasileiro, o PROSUB, que visa a construção em primeiro momento de quatro submarinos do tipo “Scorpene”, denominado SBR devido as modificações no projeto original francês, que resultará na “Classe Riachuelo”, programa o qual já visitamos e apresentamos aqui no GBN News recentemente.

As duas gigantes cumprem o cronograma estabelecido para a apresentação dos planos para criação de uma aliança industrial na construção de navios de guerra e a cooperação nas exportações desses navios.

O modelo de negócios para o acordo franco-italiano proposto é visto pelo Naval Group semelhante à parceria entre a montadora francesa Renault e sua parceria japonesa, a Nissan, na qual existe uma estreita cooperação, mas as duas são empresas distintas.

A proposta de aliança tem como foco obter sinergia no campo de pesquisa, desenvolvimento e aquisição de equipamentos, além da cooperação para exportação, o que acabaria com a competição entre as duas empresas. No cerne deste acordo, estaria envolvida a troca de papeis, onde haveria uma participação acionária cruzada de 10% entre as envolvidas.

Porém, tal negócio não está apenas sujeito a posição dos governos de ambos países de origem das empresas, há de se considerar ainda a posição dos seus parceiros responsáveis por fornecer a tecnologia embarcada, como a francesa Thales, que além de fornecedora de sistemas para os navios da Naval Group, detém 35% de participação no grupo. No lado italiano, resta saber qual a posição da Leonardo diante da provável aliança, sendo o principal fornecedor de sistemas e soluções á Fincantieri.

O modelo de negócio proposto pela Fincantieri e a Naval Group é bastante interessante, pois não envolve uma fusão entre as duas companhias, mantendo a sua identidade e gestão, modelo que teria sido interessante de se explorar no caso da brasileira Embraer e a norte americana Boeing, que difere da aliança entre as europeias por envolver a aquisição de importante parte da empresa brasileira, o que levanta sérias dúvidas sobre o futuro da brasileira.



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com agências
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