quinta-feira, 21 de abril de 2016

Enquanto tocha é acesa na Grécia, Rio vive tragédia em ciclovia-símbolo



















Ao menos duas pessoas morreram nesta quinta-feira no desabamento de trecho da Ciclovia Niemeyer, no Rio de Janeiro, inaugurada há apenas três meses ao custo de R$ 45 milhões.


Construída em uma rota elevada sobre costões e rochedos, com as ondas do mar de um lado e a mata atlântica do outro, a ciclovia fica entre as praias do Leblon e São Conrado, e foi atingida por uma forte ressaca que destruiu parte da estrutura.
O acidente ocorre no mesmo dia em que em Olímpia, na Grécia, a Tocha Olímpica foi acesa, um momento importante que simboliza a proximidade dos Jogos, cuja abertura no Maracanã está marcada para 5 de agosto.
Segundo o secretário-executivo de governo da Prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho Teixeira, já há confirmação de duas mortes pelo desabamento, e uma pessoa estaria desaparecida.
Os bombeiros seguem com as buscas no mar.
Embora as autoridades estejam preliminarmente identificando como provável causa do desabamento a forte ressaca, engenheiros relatam à imprensa local que há grandes chances de falhas estruturais, já que se sabia de antemão que a ciclovia estaria exposta a fortes ondas.
Questionado em entrevista coletiva sobre as possíveis causas - e o fato de o episódio ter ocorrido já na reta final dos preparativos olímpicos -, o secretário Pedro Paulo disse que esperará o laudo final, mas que "todos estamos muito tristes, precisamos auxiliar as vítimas e deixar a equipe técnica trabalhar para sabermos o que aconteceu".
Ele disse que uma das possibilidades é que a força das ondas tenha levantado a base da ciclovia e derrubado-a.
Ao custo de R$ 44, 7 milhões, a obra levou pouco mais de um ano e meio para ficar pronta e tem 3,9 km de extensão, com 2,5 metros de largura.
Apesar de não ser uma obra olímpica, a ciclovia liga a Zona Sul do Rio à Barra da Tijuca, justamente o bairro que abrigará o Parque Olímpico e sempre foi anunciada como parte das transformações vividas pelo Rio de Janeiro em função da Olimpíada.
A Ciclovia do Joá, cujas obras devem ficar prontas em junho, será a continuação do percurso, ligando São Conrado à Barra, e possibilitando ir de bicicleta do centro do Rio até a Barra. E já há questionamentos sobre a estrutura desta parte da obra, já que o projeto é essencialmente o mesmo.
Pedro Paulo afirmou que esse projeto deverá ser reexaminado.
Em nota divulgada na tarde desta quinta, o prefeito Eduardo Paes afirmou que "é imperdoável o que aconteceu. Já determinei a apuração imediata dos fatos e estou voltando para o Brasil para acompanhar de perto".
O prefeito estava a caminho da Grécia - onde participaria, em Atenas, da cerimônia de passagem da tocha olímpica - e está de volta ao Brasil.
Segundo a nota, "o resultado da vistoria realizada pela Fundação Geo-Rio para apurar as causas do acidente será divulgado assim que concluído. Os reparos serão executados pela empresa responsável pela construção, sem ônus adicionais ao município, já que a ciclovia ainda está na garantia de obra".

Fonte: BBC Brasil

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