quinta-feira, 19 de março de 2015

Israel confirma vitória de Netanyahu




O partido nacionalista Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ganhou as eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira (17) em Israel. A vitória foi por uma boa margem de diferença sobre a coalizão de centro-esquerda União Sionista, cujo cabeça de chapa é o trabalhista Isaac Herzog.
Netanyahu já se reuniu com os líderes de vários partidos e tem a intenção de trabalhar imediatamente na formação do governo, para concluir esta tarefa em um prazo de duas a três semanas, afirma um comunicado do partido de direita do premier, o Likud.
"Contra todas as previsões, conseguimos uma grande vitória para o campo nacional sob a direção do Likud", disse o premiê para os simpatizantes em Tel Aviv. "Agora devemos construir um governo forte e estável", completou.
O site da "BBC" fala em "surpresa", já que pesquisas de boca de urna tinham indicado empate do partido de Netanyahu com a oposição. Já o "New York Times" diz que "foi uma reviravolta impressionante em relação às últimas pesquisas que indicavam uma vantagem de quatro ou cinco lugares" da oposição. O "The Guardian" aponta que a vitória de Netanyahu não será saudada com alegria na Casa Branca.
Chefe de Governo desde 2009 e apontado como perdedor nas pesquisas, Netanyahu é o grande vencedor das eleições e é praticamente seguro que será convocado pelo presidente Reuven Rivlin para assumir seu terceiro mandato consecutivo, o quarto de sua carreira política contando o período de 1996-1999.
Divisão das cadeiras
Os resultados oficiais divulgados na madrugada desta quarta-feira (18) pela Comissão Eleitoral, apontam que ao término da apuração de quase 100% dos votos emitidos, o Likud obteve 29 cadeiras, contra 24 das União Sionista, o que que revalidará Netanyahu à frente do governo israelense pela terceira vez consecutiva.

Além disso, os resultados indicam que a Lista Árabe Conjunta conseguiu 14 cadeiras no novo parlamento, três a mais que o partido de centro, Yesh Atid.
O Kulanu, de centro-direita, aparece logo depois, com dez, enquanto o ultranacionalista Lar Judaico ficou com oito assentos, um a mais que o ultraortodoxo sefaradita Shas.
Já os ultraortodoxos ashkenazis do Judaísmo Unido da Torá conseguiram seis cadeiras, mesmo número que os ultranacionalistas do Yisrael Beiteinu, na frente do partido pacifista Meretz, que fecha a lista com cinco cadeiras.
Devido à grande fragmentação do Knesset, o parlamento israelense, que tem um total de 120 cadeiras, para formar o governo é necessário o apoio de pelo menos 61 deputados.
Os dirigentes da coalizão de centro-esquerda União Sionista, Isaac Herzog e Tzipi Livni, reconheceram derrota. "Esta não é um manhã fácil para nós nem para os que acreditam em nosso caminho", disseram ambos após o pleito realizado no país.
"Conversei há alguns minutos com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Eu o felicite e desejei boa sorte", disse Herzog, que liderava a lista União Sionista.
Em uma breve declaração publicada no jornal "Yedioth Ahronoth", os dois políticos asseguraram que seguirão sua trajetória conjunta na nova legislatura do parlamento, que estará dominada pelos partidos de direita.
"Dirigiremos e lutaremos no parlamento junto a nossos parceiros neste caminho para defender os valores nos quais acreditamos", afirmaram.
Formação de governo
Durante a campanha, Netanyahu se apresentou como o fiador da segurança do país e o discurso alarmista parecia insuficiente para muitos para derrotar Herzog e sua aliada de centro Tzipi Livni, que basearam a campanha em temas econômicos e sociais.

Diante das pesquisas desfavoráveis, Netanyahu batalhou nos últimos dias para recuperar os desenganados com o Likud e conquistar os indecisos.
Na segunda-feira, ele voltou a reafirmar a ideia de impedir a criação de um Estado palestino.
Netanyahu informou nesta quarta que tem a intenção de formar governo no prazo máximo de duas ou três semanas.
A informação está em um comunicado divulgado nesta manhã pelo Likud, no qual este partido detalha que Netanyahu "já falou com todos os partidos com representação parlamentar que vê como parceiros para seu novo governo", seu terceiro consecutivo e o quarto de sua carreira.
Segundo a nota, se trata dos dirigentes das legendas Lar Judaico, (Naftali Bennett), Kulanu (Moshe Kahlon), Yisrael Beiteinu (Avigdor Lieberman), Shas (Arieh Deri) e Judaísmo Unido da Torá (Moshe Gafni e Yacov Litzman).
Com eles, o primeiro-ministro israelense poderia conseguir uma maioria parlamentar de 67 das 120 cadeiras do parlamento, e com uma coalizão exclusivamente de direitas e de ultra-ortodoxos, ou seja, das mais homogêneas que o país teve nas últimas duas décadas.
Kahlon, que com suas dez cadeiras se transformou em peça-chave das negociações, se negou hoje novamente a revelar suas cartas.
Rompido com o Likud há dois anos por divergências com o primeiro-ministro, Kahlon declarou apenas que seu partido "seguirá seu caminho em defesa da classe média e baixa".
"Netanyahu me ligou e me disse que era sério em suas intenções de (lançar) uma política social", concluiu.
Renúncia
Após os resultados, o dirigente do partido de esquerda Meretz, Zahava Gal-On, anunciou na manhã sua renúncia.

"Assumo a responsabilidade pelo pobre resultado obtido e apresento minha renúncia como dirigente do partido", foram as palavras de Gal-On ao anunciar sua saída, segundo informa a imprensa local.
A legenda de esquerda israelense obteve quatro dos 120 deputados do parlamento, dois a menos que na legislatura anterior.
O dirigente considerou que uma grande parcela de seus eleitores tradicionais apoiou à plataforma liderada pelo dirigente trabalhista, Isaac Herzog, com o objetivo de impedir que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, revalidasse um novo mandato à frente da chefia do governo israelense.
"Acho que os eleitores do Meretz quiseram que Netanyahu fosse para a casa", explicava Gal-On ontem à noite ao 'Canal 2' da televisão local.
Reação palestina

A liderança palestina reagiu ao resultado eleitoral em Israel

"Israel escolheu o caminho do racismo, da ocupação e da colonização, e não o das negociações", disse à AFP Yaser Abed Rabo, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
"Estamos diante de uma sociedade israelense doente de racismo, e de uma política de ocupação e construção de colônias. Temos pela frente um caminho longo e difícil de luta contra Israel", completou Abed Rabo.
"Temos que completar nossas gestões para deter a coordenação em temas de segurança (com Israel) e ir ao tribunal de Haia contra as colônias e os crimes de Israel em sua guerra de Gaza".
As relações entre Israel e a Autoridade Palestina estão em declínio desde que, em abril do ano passado, fracassaram as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos.
Desde então aconteceram episódios de violência e atentados em Jerusalém, uma guerra em julho e agosto entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, assim como gestões diplomáticas dos palestinos contra o Estado israelense na ONU e no Tribunal Penal Internacional, que tem sede em Haia.
Fonte: G1 Notícias

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