quarta-feira, 11 de março de 2015

Reino Unido tenta solução para substituir seus WAH-64D Apache


Os esforços do Reino Unido para sustentar sua capacidade de helicópteros de ataque estão sendo seriamente prejudicados pelo lobby da AgustaWestland, de acordo com uma reportagem da BBC publicada em 7 de março.

Com 66 helicópteros AgustaWestland-Boeing WAH-64D Block I Apache Longbow AH.1, o Exército Britânico em breve terá a necessidade de substituição de sua frota por obsolescência, o Ministério da Defesa tem preferido a opção de comprar o novo AH-64E Apache diretamente dos Estados Unidos, mas a decisão esta sendo adiada devido ao lobby que a AgustaWestland esta fazendo contra uma eventual programa de aquisições externas, segundo citou um relatório do governo.

De acordo com a BBC, a Boeing ofereceu a venda do AH-64E Apache para o Reino Unido ao custo unitário de 30 milhões de dólares por aeronave. Se os helicópteros fossem construídos sob licença pela AgustaWestland, como foi o caso dos helicópteros WAH-64D Block I adquiridos na década de 90, esse montante seria mais do que o dobro, atingindo o valor estimado de 66 milhões por unidade.

Decidir como proceder se torna cada vez mais urgente para o Ministério da Defesa britânico, como os chips de processamento dos sistemas dos primeiros Apache já não são fabricados, e o estoque que a Boeing tem deve se esgotar por volta de 2017.

Os britânicos temem que os atrasos desta natureza podem resultar em uma redução crítica de sua capacidade de ataque com os WAH-64D  mais velhos, que devem ser aposentados em torno desta data, e um substituto deverá ser introduzido. De acordo com a BBC, o processo deverá ser colocado de volta a pauta após as eleições gerais de 7 de maio, e uma decisão não será tomada até março de 2016. Isto poderia significar que uma plataforma para substituir a envelhecida frota não deverá entrar em serviço até cerca de 2020.

O Ministério da Defesa tem realizado um programa para sustentar a capacidade (CSP) para considerar suas opções futuras para um helicóptero de ataque, que segundo informações, pode ser de cerca de 50 aeronaves, mas se recusou a dizer quando irá relatar as conclusões do estudo. O AH-64E é entendido como sendo a opção privilegiada.

Em resposta à reportagem da BBC, a AgustaWestland disse que a empresa "está respondendo a uma solicitação de informações para o Attack Helicopter Capability Sustainment Programme, afim de ajudá-los a tomar uma decisão sobre o futuro desse recurso fundamental.


ANÁLISE

Enquanto os esforços de lobby da AgustaWestland foram descritos por alguns como uma tentativa de aumentar os custols em qualquer futuro programa do Apache para o Reino Unido, deve-se notar que, embora a sua participação na aquisição WAH-64D originais tenha aumentado o custo unitário, ele também entregou ao exército britânico o que foi amplamente considerado um produto superior ao que era operado nos EUA e outros países que operam o Apache.

Assim como a licença para montagem das fuselagens em sua planta de Yeovil, no sul da Inglaterra, a AgustaWestland também realizou melhorias que incluíram a troca dos motores General Electric T700 padrão para os mais poderosos Rolls-Royce RTM 322; as contra-medidas foram  melhoradas no helicóptero com o HIDAS (Helicopter Integrated Defensive Aids System); Os sistemas de comunicações específicos para as forças britânicas; novos tipos de armas; a integração de tanques externos com proteção balistica; bem como uma estrutura totalmente marinizada, opção também adotada pelos Países Baixos, que incluiu a instalação de dispositivos de flutuação e outras características navais.

Quando os requisitos do Apache do Reino Unido foram elaborados em meados dos anos 90, ninguém poderia ter previsto a sua eventual utilização no Afeganistão e na Líbia, mas, como se viu, essas melhorias feitas pela AgustaWestland seriam úteis para ambos os conflitos.

Os novos motores, em particular, melhoraram muito o desempenho do Apache nas condições 'quentes e altas "do Afeganistão, na medida em que o Reino Unido foi capaz de voar seus helicópteros com o radar montado sobre o mastro, enquanto que os EUA e os demais tiveram que remover o equipamento deles devido ao peso e as restrições de potência . Para o seu envolvimento na Líbia, as melhorias navais permitiram ao Apache operar a partir do convés do porta-helicópteros HMS Ocean da Royal Navy, com pouca necessidade de adaptações a serem feitas.

Outro fator na decisão do Ministério da Defesa para incluir a AgustaWestland na compra dos primeiros Apaches, era a certificação das fuselagens no Reino Unido. Este é um fator que tende a se tornar ainda mais importante em qualquer aquisição futura, como demonstram os problemas em torno dos RC-135W da RAF, que foram comprados nos Estados Unidos.

Para o Ministério da Defesa, no entanto, a questão deve ser se nestes tempo aumentar as dotações fiscais para cobrir os custos que vêm com essas melhorias da AgustaWestland, justificando qualquer aquisição futura do Apache. Seja qual for a resposta, todos os lados, sem dúvida, querem ver o exército britânico equipado com a mais recente variante do indiscutivelmente  mais avançado helicóptero de ataque do mundo, na primeira oportunidade.

Fonte: GBN GeoPolítica Brasil com agências de notícias

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