sábado, 28 de março de 2015

Copiloto pode ter deliberadamente colidido Airbus da Germanwings

Segundo apontam algumas linhas da investigação sobre o acidente ocorrido com o A-320 da Germanwings, seu copiloto poderia ter deliberadamente colidido a aeronave. Alguns fatores apontam para essa possibilidade, uma vez que o copiloto estava sozinho na cabine e impediu o retorno do comandante a cabine de comando da aeronave antes do acidente. Outro ponto importante que aponta para essa vertente, é o fato da aeronave possuir sistemas que automaticamente evitariam a colisão se estivesse acionados.

O copiloto da Germanwings, que supostamente jogou de forma proposital o Airbus A320 nos Alpes franceses, esteve seis meses sob tratamento psiquiátrico antes de completar sua formação, afirmou nesta sexta-feira o jornal alemão "Bild". De acordo com o jornal, que cita como fontes "círculos da Lufthansa", as razões pelas quais Andreas Lubitz, de 27 anos, interrompeu sua formação, em 2009, se deveram a uma grave depressão diagnosticada nesta época. A edição digital da revista "Der Spiegel" afirma, além disso, que nas operações realizadas ontem durante horas nas duas casas do copiloto, a de seus pais e a própria, em Düsseldorf, foram apreendidos materiais que respaldam a tese dos transtornos psíquicos. A revista não apresenta, no entanto, mais detalhes sobre os materiais apreendidos.
O "grave episódio depressivo" a que se refere o "Bild" ficou constatado, segundo o jornal, na ata sobre o copiloto do departamento de tráfego aéreo alemão sob o código "SIC", que se refere à necessidade de que sujeito em questão se submeta a "revisões médicas regulares". O fato de que o copiloto que causou a catástrofe aérea tenha interrompido durante um período relativamente longo sua formação na escola aérea da Lufthansa foi reconhecido ontem pelo presidente da companhia, Carsten Spohr. O próprio Spohr evitou, no entanto, especificar a que se deveu esta interrupção, alegando que está sob a prerrogativa da confidencialidade médica. Lubitz começou sua aprendizagem aos 14 anos em um clube de aviação local e ingressou na escola de Brêmen da Lufthansa em 2007. Em 2009 interrompeu por alguns meses essa formação, que retomou posteriormente até ingressar na Germanwings, filial de baixo custo da Lufthansa, em 2013. Spohr reforçou ontem que, tanto ao ingressar na escola como ao retomar e completar sua instrução, Lubitz passou pelos mais rigorosos exames, tanto físicos como mentais. 
O copiloto do voo da Germanwings que colidiu contra Alpes da França precisaria ter desabilitado as proteções do Airbus que impediriam o acidente, de acordo com o coronel da reserva da FAB Luis Lupoli. Ele investigou a queda de um Airbus da Air France no Oceano Atlântico em 2009, deixando 228 mortos no voo AF447.
Segundo Lupoli, com as proteções no sistema normal de voo, o Airbus tentaria automaticamente recuperar a altitude, impedir a colisão e acionaria os alarmes de proximidade do terreno.
Nesta quarta-feira (26), a promotoria francesa divulgou que o copiloto teria derrubado o Airbus A320 da Germanwings deliberadamente, pois não permitiu a entrada do comandante na cabine e também acionou por 15 vezes em poucos minutos o procedimento de descida do avião. Segundo a autoridade, ele estava respirando normalmente até o momento em que a aeronave bateu nas montanhas.
“O Airbus, em seu sistema normal de voo (chamado de normal law), possui proteções que não deixam o avião tomar atitudes anormais, adotar altas velocidades ou colidir contra obstáculos. O avião, automaticamente, mesmo fora do piloto automático, recuperaria o avião”, entende o oficial.
Para o coronel, o copiloto trocou o modo de voo para o sistema “alternate law”, no qual o avião perde proteções contra perda de sustentação e colisões. A mudança de sistema de controle ocorre com o avião fora do piloto automático e nas mãos dos pilotos.
“Ele tirou as proteções, derrubou o sistema que não deixaria o avião colidir com o chão porque, se não, o avião recuperaria. O que resta entender é por que ele fez isso”, disse o investigador.
Segundo o oficial brasileiro, o avião também possui sistema de GPS que alertaria sobre a proximidade dos Alpes e acionaria o alarme de colisão com o terreno. Os procuradores franceses afirmaram que o alarme não foi acionado na cabine, o que indicaria, segundo Lupoli, que o copiloto também possa ter desligado.
“Se o copiloto tivesse passado mal ou desfalecido, o voo seguiria o procedimento normal programado para o aeroporto de destino, não teria descido. Não acredito que ele tenha caído em cima e empurrado. Isso é quase impossível”, defende Lupoli.
“Como ele não abriu a porta para o comandante, parte-se do princípio de que foi uma coisa deliberada. Ele também não acionou o código de emergência. O piloto só adotaria procedimento de descida em caso de emergência ou despressurização, o que parece não ter havido”, acrescentou o coronel.
O oficial diz que, ao ouvir os dados da caixa-preta de áudio, os investigadores podem filtrar o som para a faixa somente da respiração do copiloto e perceber se ele estava com a respiração normal.
Cabine fechada é aberta com pino

A cabine das aeronaves que transportam passageiros na aviação civil mundial é fechada por dentro desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando terroristas invadiram a cabine de aviões, usando-os como armas para atingir as torres gêmeas do World Trade Center.
Companhias mudam regras para voos nao terem pessoa sozinha na cabine


No caso do voo da Germanwings, o comandante deixou a cabine, segundo o procurador da França que acompanha a investigação, para talvez ir ao banheiro e, quando tentou voltar, o copiloto, que estava na cabine, não abriu a porta.
Conforme o coronel Lupoli, é normal os pilotos “deixarem a cabine para ir ao banheiro ou para alongarem as pernas” e retornarem em seguida, pois não há banheiro lá dentro. Nas aeronaves modernas, o procedimento para entrada do piloto é inserir, do lado de fora da cabine, uma senha. Sem que precise deixar a cadeira de pilotagem, o outro piloto autoriza ou não a entrada através de um pequeno pino de três fases, que tranca ou libera a porta.
O pino é facilmente acessível às mãos dos pilotos e fica no console central de comando, próximo aos manetes de redução de velocidade. O piloto autoriza ou não a porta a ser aberta se a senha inserida do lado de fora for correta.
No caso da Germanwings, segundo as autoridades francesas, o comandante tentou entrar na cabine, e a porta não se abriu, até que ele tentou arrombar a porta. Para o coronel Lupoli, os passageiros devem ter percebido o desespero do comandante. Nos momentos finais, diz a investigação da França, ouvem-se gritos dos passageiros.
O A320 da Germanwings que caiu tinha 24 anos de fabricação e não foi divulgado se ele tinha senhas de acesso à cabine. Segundo Lupoli, nas aeronaves antigas, o pedido de autorização para abrir a porta é feito por interfone e a tripulação combina códigos para o caso de sequestro em andamento, para que a porta não seja aberta. Também há um olho mágico que permite ver do lado de fora os passageiros.
Lupoli diz que o acidente fará a comunidade internacional analisar alternativas para que o incidente não volte a se repetir, como se pensar em duas portas. O oficial acredita que há uma forma de se abrir a porta por fora, para manutenção, mas que isso não é divulgado nem entre tripulações para que não haja riscos.

Após o acidente envolvendo um avião da Germanwings, que caiu nos Alpes franceses na terça-feira, algumas companhias aéreas operando na América do Norte e na Europa vão passar a exigir a presença de dois membros da tripulação dentro da cabine durante toda a duração de um voo.
A decisão foi motivada pela suspeita de que a aeronave, que ia de Barcelona (Espanha) a Dusseldorf (Alemanha), teria sido derrubada deliberadamente pelo copiloto. Segundo autoridades francesas, dados da caixa-preta indicam que o piloto deixou a cabine cerca de 30 minutos depois da decolagem e não conseguiu retornar à posição de comando. Ainda não se sabe por que isso aconteceu.
A companhia aérea de baixo custo Easyjet, inglesa, informou que exigirá a presença de dois tripulantes na cabine de todas as suas aeronaves durante toda a duração dos voos que operar, já a partir desta sexta-feira.
A mudança ocorre depois que as empresas de avião comercial britânicas foram solicitadas a rever os procedimentos após a queda do avião da Germanwings, com 150 pessoas a bordo.
A Autoridade de Aviação Civil (CAA, na sigla em inglês) disse, por meio de um comunicado, que continuará a "monitorar a situação" na medida em que mais detalhes da investigação surgirem.
A determinação da Easyjet foi seguida pelas companhias Air Canada (Canadá) e Norwegian Air Shuttle (Noruega).
Avaliações médicas
A CAA informou também que solicitou a todos os operadores britânicos que revejam seus procedimentos.
Todos os pilotos atuando em companhias aéreas do país se submetem a avaliações médicas regulares e extensas para determinar sua capacidade para obter a permissão para voar, acrescentou a nota.
Segundo a entidade, examinadores foram solicitados a avaliar a saúde mental de pilotos comerciais a cada exame médico.
Na manhã desta quinta-feira, o promotor de Marselha (França) Brice Robin afirmou que o copiloto do avião acidentado da Germanwings, identificado como Andreas Lubitz, estava sozinho na cabine da aeronave no momento da queda.
O copiloto começou o procedimento de descida intencionalmente quando o piloto ficou trancado do lado de fora, disse ele.
Robin, citando informações obtidas por meio do registro de voz da "caixa-preta", disse que havia um "absoluto silêncio na cabine" enquanto o piloto tentava ganhar acesso ao local.
O local da tragédia, em uma região montanhosa remota, é agora cena de uma operação de resgate de grandes proporções.
O Airbus A320 atingiu uma montanha, matando todos os 144 passageiros e seis tripulantes a bordo, depois de descer por oito minutos.
A segunda caixa-preta ─ que registra os dados do voo ─ ainda não foi encontrada.
Cinco casos de aviões derrubados propositalmente por seus pilotos
Embora existam suspeitas de casos de acidentes aéreos provocados deliberadamente por pilotos, em muito poucos as autoridades confirmaram como causa oficial a intenção homicida ou suicida por parte deles. Os casos mais recentes em que a suspeita foi levantada foram os ocorridos em 29 de novembro de 2013, com um avião Embraer ERJ 190, das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), e o voo MH370, da Malaysia Airlines, em 8 de março de 2014. A base de dados da Airsafety Network identifica oito casos, dos quais apenas cinco estão confirmados.
Desses últimos, dois são de pilotos russos que sequestraram aviões em ocasiões distintas e os derrubaram. Um se suicidou com 11 pessoas a bordo, em 1976 e, o outro, morreu sozinho, em 1994. Outro caso ocorreu em 1979, na Colômbia, com quatro mortos; um na Botswana, em 1999; e outro em Marrocos, em 1994, mas nesse último caso as conclusões foram muito questionadas pelo sindicato de pilotos.
O voo 470 da LAM caiu na Namíbia quando voava de Maputo a Luanda, com 27 passageiros e seis tripulantes. No relatório preliminar publicado em dezembro passado, se deduz que o comandante derrubou o avião intencionalmente, aproveitando que havia ficado sozinho na cabine, mas não foi determinado formalmente que essa teria sido a causa do acidente. Assim como o que ocorreu com o voo GWI 9525 da Germanwings, em que 150 pessoas morreram, também nessa ocasião o outro piloto bateu na porta várias vezes, segundos registros de áudio da caixa-preta.
No caso do desaparecimento do voo MH370 (não incluído na base de dados como causado por pilotos suicidas), a versão oficial também indica uma intenção deliberada, embora seja impossível determinar por parte de quem, enquanto não forem encontrados os destroços do Boeing 777, que continua sendo procurado a milhares de metros sob o Oceano Índico.
Entre os casos mais conhecidos estão o do voo EgyptAir 990, que caiu no Atlântico em 1999, e o do Silkair 185, em 1997, que foram amplamente analisados, mas cuja causa nunca foi confirmada oficialmente. As autoridades do Egito e da Indonésia jamais aceitaram que o motivo para a queda dos aviões tenha sido um ato deliberado dos pilotos.
Tampouco há muitos casos recentes de sequestro do próprio avião, algo que acontecia com relativa frequência nos anos da Guerra Fria. O último caso desse tipo foi em 17 de fevereiro de 2014, quando um copiloto da Ethiopian Airlines sequestrou o avião na rota Adis Abeba-Roma. Hailemedhin Abera Tegegn, de 31 anos, esperou que o comandante fosse ao banheiro para dominar a cabine e desviar o B-767 para Genebra, com a intenção de pedir asilo político.
O caso foi motivo de muita piada porque aconteceu de madrugada, e a Força Aérea suíça trabalha em horário comercial, por isso foram os Eurofighters italianos que escoltaram o avião etíope até que dois Mirage 2000 franceses assumiram a tarefa, perto do Mont Blanc.

Fonte: GBN com agências de notícias

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