segunda-feira, 26 de outubro de 2009

GRUMEC - Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil



Embarcados no EDCG L-11 Tambaú, perto da Ilha Grande, os alunos “05″ e “10″, os únicos que não pediram para sair dos 15 que entraram no curso de formação do Grupamento de Mergulhadores de Combate da Marinha (Grumec), aguardam, vestidos, o início de mais um exercício de guerra. Faz frio, mas ali só sobrevive quem resiste a tudo. “Água!”, ordena, assim que pisa no barco, o comandante Michael Aguiar. Prontamente, os alunos se jogam no mar, de roupa e tudo.

Pode parecer exagero aos olhos de um civil, mas Aguiar, coordenador do curso de unidade de operações especiais militares mais longo do Brasil e admirado até pelo temido Batalhão de Operações Especiais (Bope), sabe que situações de guerra são incomparavelmente piores. Não à toa, o currículo do curso, que dura nove meses, inclui nado de cem metros com mãos e pés amarrados e, na mesma fase, dez quilômetros de natação em mar aberto equipado com minas para explodir cascos, fuzis e todo o aparato de um combatente.

Em terra, nada é mais fácil: na chamada “semana do inferno”, os alunos se tornam prisioneiros de um campo de concentração e são submetidos a uma tensão extrema e à exaustão física.

- Ser de operações especiais é não desistir diante dos obstáculos. É necessário um autocontrole enorme. A metodologia prevê situações de tensão, como a pressão sobre um aluno, tentando provocar a sua desistência. Ficamos com aqueles que suportam e que são capazes de resistir a tudo. Esses estão preparados para situações que encontramos em missões – diz Aguiar, deixando claro que não se excede. – O curso exige rigidez, mas rigidez não é abuso.


A peneira costuma eliminar até mesmo atletas da Marinha, que suportariam o estresse físico sem problemas. Já houve edições em que ninguém chegou ao fim. Iniciado há 35 anos, o curso formou até hoje apenas 192 mergulhadores de combate. Desses, há cerca de 50 ativos, em simulações de guerra ou em missões em áreas de fronteira e na chamada Amazônia Azul – nome dado pelos militares à extensa faixa de mar pertencente ao Brasil. Em tempos de pré-sal, o grupamento se torna ainda mais importante.

- Somos a única unidade de ações especiais capaz de retomar uma plataforma de petróleo em poder de algum inimigo – diz o capitão-tenente do Grumec André Teixeira.


A ameaça não é tão distante. A Petrobras chegou a produzir um comercial em que os mergulhadores de combate invadem uma plataforma cheia de sequestradores e reconquistam o território, mas ele acabou não sendo veiculado.

O Bope reconhece a força dos mergulhadores de combate. Rodrigo Pimentel, ex-capitão do batalhão e autor do livro que deu origem ao sucesso “Tropa de Elite”, rasga elogios aos colegas da Marinha:

- Eles têm um diferencial de mergulho, muito claustrofóbico, além de serem formados em guerra de selva, paraquedismo e outras especialidades. Talvez seja a formação mais completa de um curso de unidades especiais. Temos uma admiração grande por eles.

Muito longe dessas discussões, “05″ e “10″ estavam prontos para o exercício de guerra. A missão, acompanhada pelo GLOBO, consistia em montar um bote em cima do submarino Tupi, navegar amarrado ao periscópio da embarcação à noite, remar até uma determinada distância da costa da Ilha Grande, nadar equipado e, perto da praia, mergulhar para invadir a enseada de Provetá. De lá, os alunos seguiriam por uma trilha na mata, durante a madrugada, até a enseada do Sítio Forte. Ali, disfarçados de civis, pegariam carona num barco pesqueiro até o ponto onde estava um caiaque militar, para remar até um estaleiro e destruir o dique em que estava sendo construído um submarino nuclear inimigo.



A “faina”, nome dado pelos militares a qualquer atividade ou missão, deu certo. Eles ainda não concluíram o curso, mas podem festejar por já terem passado pelas piores fases. “05″, que fora dali é conhecido como o segundo-sargento Cacildo de Araújo, tem 34 anos. Em 2006, foi reprovado nos testes de apneia dinâmica. Quis tentar de novo este ano, mas o limite de idade o impedia. Apelou, então, ao Comando da Marinha, que acabou mudando o limite de idade por causa de Cacildo.

O aluno “10”, longe dali o tranqüilo cabo da Marinha Kleiton Ferreira Costa de 29 anos, quase desistiu numa fase terrestre do treinamento.

- sou marinheiro e mergulhador. Não estava acostumado aos testes de sobrevivência na selva, sempre sobrevivi no mar. Mas vou até o fim, porque o sofrimento é passageiro, e a glória, eterna.

O orgulho é o maior prêmio desses homens. Pois o membro do GruMeC recebe um aditivo de apenas 20% no soldo. E para os alunos “05” e “10”, não adianta muito, pois os dois já recebem este adicional por serem do corpo de mergulhadores da Marinha.



Inspiração

Uma das influências dos mergulhadores de combate da Marinha do Brasil são os SEALs da Marinha dos EUA, onde a sigla SEAL significa Sea, Air e Land, traduzindo: mar, ar e terra.

A unidade Americana foi fundada em 1962, e desde então já se consagrou ao redor do mundo como sendo altamente eficiente em suas missões. Ainda sendo retratada em diversas produções Hollywoodianas.



Como surgiu o GRUMEC

Como seria de se esperar, os primeiros MECs (Mergulhadores de Combate) brasileiros foram dois oficiais e dois praças que concluíram o curso de UDT-SEAL norte-americanos, em 1964. Fruto da experiência desses pioneiros, foi criada em 1970 a Divisão de Mergulhadores de Combate na Base Almirante Castro e Silva. No ano de 1971, mais dois Oficiais e três Praças, foram qualificados pela Marinha Francesa como "nageurs de combat" e, em 1974 foi formada no Brasil, pelo atual Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), a primeira turma de Mergulhadores de Combate. Durante o curso os alunos são testados física e psicologicamente, além de receberem conhecimentos técnicos e táticos que vão desde o trabalho com explosivos até o planejamento de missões.

A fim de atender adequadamente às crescentes solicitações da Esquadra e dos Distritos Navais, a Divisão de Mergulhadores de Combate foi transformada, em 1983, no Grupamento de Mergulhadores de Combate, chamado GRUMEC, como parte integrante do Comando da Força de Submarinos. Esta nova força era baseada na experiência adquirida por nosso pessoal nos EUA e, também, na França, onde cinco homens graduaram-se no igualmente renomado curso de "Nageur de Combat" (Nadador de Combate).

No dia 12 de dezembro de 1997, o Ministro da Marinha criou o Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC). Essa Organização Militar, sediada na cidade do Rio de Janeiro e diretamente subordinada ao Comando da Força de Submarinos, foi ativada no dia 10 de março de 1998

O Equipamento

O equipamento padrão de nossos mergulhadores de combate consiste no Fuzil Pára-FAL 7,62mm , Carabina Colt M4, calibre 5,56mm com um lançador de granadas M203, calibre 40mm, pistola Taurus PT 92 AF 9mm, fuzil de repetição Parker-Hale M.85 7,62mm, Mini-Uzi, calibre 9mm, minas de casco com detonação por timer, tanque de circuito fechado (não emite bolhas na superfície da água), faca de combate, NVG ( óculos de visão noturna) e equipamentos específicos a cada missão.

Fonte: O Globo / Blog GeoPolítica Brasil

Nota do Blog: Houve algumas adições ao texto original com intuito de dar mais clareza e complementar a matéria

16 comentários:

Qual o real salário de um GRUMEC ?

Os Mergulhadores de Combate não fazem nada pelo dinheiro mas sim pela honra, satisfação pessoal e vontade construir um Brasil melhor.

Mais não adianta o cara se dedica se ferra um monte nos treinamento arrisca a própria vida pra ganha pouco...

o salario é correspondente a sua patente:
salario da patente + 20% deste

Página completa sobre o GRUMEC no site Tropas de Elite:
http://sitetropasdeelite.t15.org/BRASIL_GRUMEC.htm

To muito querendo saber o que é preciso para entrar para o GRUMEC ?

!AJUDEM-ME POR-FAVOR.

Não vejo a hora de entrar p/ Marinha, E um dia poder entrar para esse lindo grupo "GruMeC"

Você tem de ser da marinha no corpo da armada, não do corpo de fuzileiros(e mesmo se você for, e quiser mudar, NÃO TEM COMO). Você pode entrar para marinha através do Colégio Naval, Escola Naval e Aprendiz de Marinheiro.

Menos do quê eles merecem por proteger as águas e navios do nosso país

Nunca vai ser pelo dinheiro amigo, um militar como um GRUMEC faz pela honra de defender seu país

Este comentário foi removido pelo autor.

bom dia queria saber se uma pessoa do maranhão tem como entrar na GRUMEC

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