terça-feira, 3 de novembro de 2015

A-321 cai no Egito, acidente ou terrorismo?

A célula do Egito do Estado Islâmico divulgou um vídeo do que seria o Airbus A-321 da companhia aérea russa caindo após ser atingido. Os terroristas assumiram a autoria do atentado, mas autoridades negam que a aeronave comercial tenha sido derrubada. O avião transportava 224 pessoas (217 passageiros e sete membros da tripulação) quando caiu em Sinai, no Egito, neste sábado (31). Todos os passageiros faleceram após a queda.
Na manhã deste sábado, pouco depois do acidente, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) alegou ter derrubado vôo KGL9268, no Egito. O boato foi publicado no aplicativo de mensagens Telegram, porém sem evidências. O atentado seria uma retaliação contra a ação dos russos na Síria.
Uma delegação russa já chegou ao local para investigar as causas do acidente. Exames preliminares apontam que uma falha técnica teria sido responsável pela queda do avião. As duas caixas pretas do avião já foram encontradas, segundo autoridades egípcias. O Airbus A-321 decolou do Egito com destino a São Petesburgo, na Rússia. Nas imagens, é possível verificar uma estrutura grande como uma avião caindo no ar, enquanto está cercada por fumaça e, se dividindo em duas partes.
O Airbus A-321 que levava 224 pessoas a bordo e caiu no sábado na Península do Sinai, no Egito, se partiu no ar, informou neste domingo, 1, o Comitê de Aviação Interestatal da Rússia (CAI).
"A destruição aconteceu no ar, e os fragmentos ficaram espalhados por uma superfície de cerca de 20 quilômetros quadrados", disse Victor Sorochenko, diretor-executivo do CAI, à imprensa russa após visitar o local do acidente. Ele afirmou, no entanto, que "ainda é cedo para tirar conclusões" sobre as causas do acidente aéreo.
Segundo testemunhas, o avião da companhia aérea russa Kogalimavia, sob o nome comercial de MetroJet, um Airbus A-321, já estava em chamas antes de cair em uma região montanhosa.
O ex-diretor da empresa aérea, Sergei Mordvintsev, afirmou que os aviões desta classe da companhia nunca haviam sofrido problemas técnicos.
"O A-321 é uma aeronave segura. Durante seu período de funcionamento, seus motores nunca apresentaram nenhum problema", disse ele à agência de notícias Interfax.
Autoridades russas e egípcias descartaram um possível atentado terrorista como causa da queda. Técnicos dos dois países estão analisando as caixas-pretas do avião que, segundo o ministro de Transporte da Rússia, sofreram "danos técnicos menores".

Quatro hipóteses para a queda de avião russo no Egito

A companhia aérea russa Kogalymia afirmou nesta segunda-feira que a queda do Airbus A321 na Península do Sinai, no Egito, teria sido motivada por "ação externa", embora autoridades russas tenham afirmado que ainda é "prematuro" especular sobre as possíveis causas do desastre que não deixou sobreviventes.
A aeronave caiu no último sábado logo após decolar do balneário Sharm El-Sheik, no Egito, com direção a São Petersburgo, na Rússia. Todos os 224 passageiros morreram.
Durante entrevista a jornalistas em Moscou nesta segunda-feira, o vice-diretor da companhia, que passou a operar com o nome fantasia de Metrojet em 2012, descartou falha técnica ou erro humano como causas do acidente.
"A única explicação razoável para o avião ter se desintegrado no ar é um impacto específico, uma influência puramente mecânica, física no aparelho", afirmou Alexander Smirnov.
Outro funcionário da companhia aérea, no entanto, reconheceu que a cauda do avião já havia sofrido avarias em 2001 depois de decolar.
Mas ele disse que o defeito foi reparado e não teria tido qualquer envolvimento no acidente.
Uma investigação conduzida por especialistas em aviação usando dados das caixas-pretas ainda não foi concluída.
Em uma entrevista a um canal de TV russo, no entanto, o chefe da Agência Federal de Aviação do país, Aleksandr Neradko, afirmou que ainda é prematuro especular sobre o que teria causado o desastre.
"Essas discussões... não são baseadas em fatos apropriados", disse Neradko.
Enquanto o mistério sobre o acidente continua, conheça quatro principais teorias por trás da queda da aeronave.

Falha técnica?

O primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, afirmou que uma falha técnica teria sido a provável causa do acidente, mas que caberia aos investigadores "comprovar ou não" a tese.
Já o ministro da Aviação Civil do país, Hossam Kamal, disse não haver sinais de problemas a bordo da aeronave, contrariando relatos iniciais de que o piloto havia requisitado um pouso de emergência após problemas técnicos.
Na Rússia, a mulher do copiloto do avião, Sergei Trukhachev, afirmou à emissora local NTV que seu marido teria se queixado da condição do avião pouco antes da decolagem. Segundo ela, durante uma conversa por telefone, ele teria dito que a aeronave "deixava muito a desejar".
A direção da companhia aérea insiste, no entanto, que o avião de 18 anos estava em pleno funcionamento.
Kamal disse não ter havido "relatos de que o avião apresentava falhas, e as checagens feitas antes da decolagem não revelaram nada de incomum".
Segundo o órgão de segurança aéreo egípcio, o avião sofreu uma avaria na cauda ainda na pista quando aterrissava em 2001, no Cairo. O problema levou três meses para ser resolvido.
O mesmo tipo de defeito provocou a queda do voo 123, da Japan Airlines, em 1985, o pior acidente individual na história da aviação mundial, quando 520 das 524 pessoas a bordo morreram.
Funcionários da Kogalymavia disseram, contudo, que o avião foi completamente reparado depois do incidente de 2011, e que o conserto não teve qualquer impacto na segurança do aparelho.
Erro humano?
A companhia aérea informou que o piloto –identificado como Valery Nemov– tinha mais de 12 mil horas de experiência de voo, incluindo quase 4 mil horas em Airbus A321, e que não havia razão para suspeitar que um "erro humano" tenha causado o desastre.
Mas as caixas-pretas do avião –tanto o CVR (Cockpit Voice Recorder, ou Gravador de Voz) quanto o FDR (de Flight Data Recorder, ou Gravador de Dados)– já foram encontradas e devem fornecer mais detalhes aos investigadores sobre os últimos minutos do avião.
A informação contida nelas também permitirá deduzir se qualquer ação tomada pela tripulação provocou o acidente, que aconteceu com o tempo bom.
Míssil?
Especialistas em segurança minimizaram a chance de que o avião tenha sido derrubado por jihadistas aliados ao grupo autodenominado "Estado Islâmico", que são ativos na área da Península do Sinai e reivindicaram a autoria do suposto atentado. A hipótese está sendo investigada por autoridades russas, que estão neste momento analisando os destroços da aeronave e o local da queda.
No entanto, o avião estava viajando acima do alcance máximo dos mísseis terra-ar que os jihadistas teriam. Este armamento é consideravelmente menos poderoso do que o Buk (sistema de defesa antiaéreo) que derrubou o voo MH17 da Malaysia Airlines na Ucrânia no ano passado.
Especialistas também levantaram dúvidas sobre por que o braço do "EI" no Sinai correria o risco de sofrer retaliação internacional pelo ataque quando seu objetivo é derrubar primeiramente o Estado egípcio.
O correspondente de segurança da BBC Frank Gardner diz que tanto a Rússia, que está lutando contra o "EI" na Síria, quanto o Egito, que busca desesperadamente atrair turistas devido à fragilidade da economia, esperam que o acidente não tenha sido causado por ataque terrorista.

Bomba a bordo?

Foto: ReutersImage copyrightReuters
Image captionRússia e Egito esperam que o acidente não tenha sido causado pelo "EI", diz especialistas da BBC
Uma análise das caixas-pretas ajudará os investigadores a determinar o que causou a queda abrupta do avião.
Nenhuma prova contundente surgiu até agora sugerindo que uma bomba a bordo tenha provocado a tragédia.
Além disso, na hipótese de ter sido um ataque suicida, não se sabe como o autor teria conseguido passar pelo forte esquema de segurança do aeroporto de Sharm El-Sheikh.
No entanto, um especialista afirmou à BBC que o estado dos destroços da aeronave indica que a possibilidade não pode ser descartada.
"Informações iniciais indicam que o avião se partiu em dois, o que não parece uma falha mecânica, mas talvez uma explosão a bordo", afirmou Michael Clarke, diretor-geral do think tank britânico Royal United Services Institute.
"Se tivesse de fazer uma suposição, estaria muito mais propenso a pensar que a tragédia foi provocada por uma bomba em vez de um míssil lançado do chão."
Especialistas em segurança reiteram que essa hipótese só poderá ser completamente descartada após a análise minuciosa dos destroços e do local da queda.

Fonte: GBN com agências de notícias

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